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Santa Maria, RS, Brazil

Guaranis e Kaingangs: a realidade de um povo invisível – Parte 1: A luta pelos direitos

indigenas7_carloscoletto.jpg“Tudo era
livre e hoje tudo está tudo sendo proibido para nós. Para fazer roça, como
antigamente, nós já não podemos. Mas pelo men
os esse pedaço de terra que
estamos querendo demarcar tem que ser reconhecido, porque se tirarem de nós até
esse pedacinho, não teremos mais nada. (…) Queremos a garantia da terra para
viver nossa cultura com liberdade, cultivar nossa cultura, ensinar nossos
filhos e nossos netos. Porque hoje em dia, com a falta de uma terra verdadeira
para nós, não podemos viver nossa vida e nossa cultura
completamente.”
 
 

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indigenas_audiencia_pedro.jpgEste é um trecho da carta da comunidade do Morro dos Cavalos, de Santa
Catarina, enviada às autoridades do governo, em 2002. O desejo não só da terra
própria, mas de que se cumpram outros tantos direitos, também é a vontade dos
índios de Santa Maria e região.

No dia 28 de março, representantes dos povos
Guarani Mbyá e Kaingang e coordenadores do Grupo de Apoio aos Indígenas (GAPIN)
manifestaram em reunião pública na Câmara de Vereadores de Santa Maria a
reivindicação dos direitos destes povos no município.

 

Que
direitos são esses?

indigenas6_carloscoletto.jpgOs povos Kaingang, costumam vir à cidade na temporada de Páscoa e de
Natal comercializar artesanato. Suas aldeias ficam na região de Tenente
Portela, próximas à cidade de Três Passos, Ronda Alta e Sarandi. Em Santa Maria, ficam no
acampamento próximo a rodoviária, sem acesso à luz, água e sem um local onde
deixar as crianças pequenas enquanto as mães trabalham. No local não existem
nem lixeiras, o que gerou incômodo aos moradores daquela região.

Já os povos Mbyá Guarani do município, que deram origem à cidade de
Santa Maria, atualmente moram no Arenal, na BR 392, em direção a São Sepé. Só
que a terra onde fica a aldeia é muito pequena para o número de habitantes,
além de estar ambientalmente esgotada. Por isso, eles desejam o aumento da área
de terras onde fica a aldeia, além de uma escola no acampamento, abastecimento
de água, instalação de luz elétrica, acesso a programas sociais, aquisição de instrumentos
como roçadeira e enxada para o trabalho na terra.

indigenas5_domingos_carloscoletto.jpgOutra necessidade dos povos é a
Casa do Índio, que já existiu em Santa Maria. Domingos
Cristão,  45 anos, de etnia Kaingang, pensa
muito na criação da Casa do Índio. “O índio tem que ter um pedacinho, né? A
gente vem de longe. Faz tempo que falam da Casa e não existe. Índio não esquece
do que prometem”.

De acordo com os coordenadores do GAPIN de Santa Maria, Ramiro Fagundes
Barcelos e Joana D’Arc Portella Rocha, é preciso ter cuidado com a questão
cultural dos povos de origem Guarani e Kaingang. Algumas vezes a sociedade quer
ajudar os índios com doações, ignorando os seus costumes, como acontece por
exemplo, na época de Natal, com doações de refrigerantes, guloseimas e
alimentos industrializados que não fazem parte da alimentação destes povos. Este é só um exemplo, de muitas outras situações, algumas bastante
complexas, que os povos de etnia Guarani e Kaingang passam. Além do preconceito
e de casos de falta de assistência, muitas vezes a cultura e a história
indígena são ignoradas pela sociedade. 

 

Acompanhe a série de reportagens Guaranis e Kaingangs: a realidade de um povo invisível, aqui na
Agência Central Sul.

 

Fotos: Pedro Pavan (acadêmico de Jornalismo/assessoria Câmara de Vereadores), Ana Carolina Grützmann da Silva e Carlos Coletto (Laboratório de Fotografia e Memória)


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indigenas7_carloscoletto.jpg“Tudo era
livre e hoje tudo está tudo sendo proibido para nós. Para fazer roça, como
antigamente, nós já não podemos. Mas pelo men
os esse pedaço de terra que
estamos querendo demarcar tem que ser reconhecido, porque se tirarem de nós até
esse pedacinho, não teremos mais nada. (…) Queremos a garantia da terra para
viver nossa cultura com liberdade, cultivar nossa cultura, ensinar nossos
filhos e nossos netos. Porque hoje em dia, com a falta de uma terra verdadeira
para nós, não podemos viver nossa vida e nossa cultura
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indigenas_audiencia_pedro.jpgEste é um trecho da carta da comunidade do Morro dos Cavalos, de Santa
Catarina, enviada às autoridades do governo, em 2002. O desejo não só da terra
própria, mas de que se cumpram outros tantos direitos, também é a vontade dos
índios de Santa Maria e região.

No dia 28 de março, representantes dos povos
Guarani Mbyá e Kaingang e coordenadores do Grupo de Apoio aos Indígenas (GAPIN)
manifestaram em reunião pública na Câmara de Vereadores de Santa Maria a
reivindicação dos direitos destes povos no município.

 

Que
direitos são esses?

indigenas6_carloscoletto.jpgOs povos Kaingang, costumam vir à cidade na temporada de Páscoa e de
Natal comercializar artesanato. Suas aldeias ficam na região de Tenente
Portela, próximas à cidade de Três Passos, Ronda Alta e Sarandi. Em Santa Maria, ficam no
acampamento próximo a rodoviária, sem acesso à luz, água e sem um local onde
deixar as crianças pequenas enquanto as mães trabalham. No local não existem
nem lixeiras, o que gerou incômodo aos moradores daquela região.

Já os povos Mbyá Guarani do município, que deram origem à cidade de
Santa Maria, atualmente moram no Arenal, na BR 392, em direção a São Sepé. Só
que a terra onde fica a aldeia é muito pequena para o número de habitantes,
além de estar ambientalmente esgotada. Por isso, eles desejam o aumento da área
de terras onde fica a aldeia, além de uma escola no acampamento, abastecimento
de água, instalação de luz elétrica, acesso a programas sociais, aquisição de instrumentos
como roçadeira e enxada para o trabalho na terra.

indigenas5_domingos_carloscoletto.jpgOutra necessidade dos povos é a
Casa do Índio, que já existiu em Santa Maria. Domingos
Cristão,  45 anos, de etnia Kaingang, pensa
muito na criação da Casa do Índio. “O índio tem que ter um pedacinho, né? A
gente vem de longe. Faz tempo que falam da Casa e não existe. Índio não esquece
do que prometem”.

De acordo com os coordenadores do GAPIN de Santa Maria, Ramiro Fagundes
Barcelos e Joana D’Arc Portella Rocha, é preciso ter cuidado com a questão
cultural dos povos de origem Guarani e Kaingang. Algumas vezes a sociedade quer
ajudar os índios com doações, ignorando os seus costumes, como acontece por
exemplo, na época de Natal, com doações de refrigerantes, guloseimas e
alimentos industrializados que não fazem parte da alimentação destes povos. Este é só um exemplo, de muitas outras situações, algumas bastante
complexas, que os povos de etnia Guarani e Kaingang passam. Além do preconceito
e de casos de falta de assistência, muitas vezes a cultura e a história
indígena são ignoradas pela sociedade. 

 

Acompanhe a série de reportagens Guaranis e Kaingangs: a realidade de um povo invisível, aqui na
Agência Central Sul.

 

Fotos: Pedro Pavan (acadêmico de Jornalismo/assessoria Câmara de Vereadores), Ana Carolina Grützmann da Silva e Carlos Coletto (Laboratório de Fotografia e Memória)