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Santa Maria, RS, Brazil

Índios e brancos: Washington Novaes fala das diferenças culturais

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cong_educ_pop_washingtonnovaes2_pedroporto.jpg“Os índios são o formato mais eficiente da conservação da
biodiversidade”, afirma o jornalista Washington Luiz Rodrigues Novaes, em um
depoimento pessoal da experiência que teve em quase 40 anos de relação com
indígenas, na abertura do XI Congresso Internacional de Educação Popular. Motivar
professores de escolas estaduais e municipais para aplicar em sala de aula
projetos de educação ambiental e social é o maior objetivo do evento que reúne
em torno de mil profissionais e estudantes nos quatro dias de atividades, no Clube
Recreativo Dores, em
Santa Maria.

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Com o tema “a educação e o saber dos povos e da natureza”,
Novaes relatou a urgente modificação que deve ocorrer sobre a visão que temos
da cultura indígena e a inserção de alguns aspectos na nossa, ressaltando
inúmeras qualidades desse povo, incluindo a preservação ambiental.  “Em vez de olhar para esses elementos, o que
estamos fazendo é tentar transformar os índios em brancos”, afirma.  Essas divergências e preconceitos culturais
que o palestrante denomina de “crise de padrão civilizatório” é uma das
características que ameaça a sobrevivência da espécie humana. O jornalista
também cita relatórios da ONU que comprovam a situação mundial. “A organização
mostra que se todas as pessoas consumissem que nem os americanos e europeus
precisaríamos de mais três planetas”, enfatiza.

A relação do jornalista com as tribos

Como editor chefe do programa Globo Repórter, Novaes
realizou diversas reportagens que comparavam a vida de crianças indígenas, do
interior da Amazônia, com crianças que viviam em metrópoles. Segundo
Novaes, nessa série ele pode notar quatro grandes diferenças:
o poder da aldeia que está no coletivo, suficiência individual, respeito ao
meio ambiente e conhecimento da biodiversidade. 

No final da década de 70, o palestrante acompanhou a equipe
da Faculdade de Medicina de São Paulo em um trabalho de saúde e nutrição de
aldeias indígenas. Nessa pesquisa foi constatado que nenhum índio sofria de
doença cardiovascular, porque não havia nenhum fator que gerasse essas doenças,
como bebida, cigarro e sal à base de sódio. O estudo gerou o programa “As
razões do coração”, exibido pelo Globo Repórter. Por esse motivo, Novaes
acredita que nos dias atuais a convergência cultural transformou a alimentação
e a saúde dos indígenas, além da educação bilíngue que aproxima os jovens da
nossa cultura, modificando seus ideais.

Em relação ao governo, o jornalista acredita que a
interferência do poder público ajuda na extinção de alguns elementos culturais.
“Os órgãos do governo, com pretexto de tentar prevenir as epidemias começaram a
instalar redes elétricas e hidrelétricas nas aldeias”, argumenta Washington. O
palestrante também acredita que um dos motivos desse problema é a legislação
brasileira que é baseada na propriedade privada.

Sobre os índios jovens, Novaes salienta a dificuldade de
encontrar um pajé que dê segmento ao trabalho nas aldeias. “Os jovens querem
fazer pulseiras e redes para vender. Ninguém quer ser pajé”, argumenta o
jornalista que conseguiu autorização da FUNAI para realizar um curso de
aperfeiçoamento para o cargo. Em uma das experiências que teve com os
indígenas, o palestrante mencionou uma frase que considera impactante, dita por
um jovem: “Eu não quero nada do branco. Não quero machado, facão, barco. Eu só
quero viver como meu pai e meu avô viviam”, comprovando a força de sua cultura.

Outro aspecto ressaltado foi a velhice nas aldeias, que é
vista como experiência. Ao contrário do que acontece nas cidades, os mais
velhos são respeitados e ouvidos, repassando informações, lendas e conhecimento
para o restante da comunidade. “Para os índios a vida não é um transtorno que
nem para os brancos”, afirma Novaes.

Em 2006, o jornalista retornou aos lugares em que foram
feitos os documentários, mantendo sempre contato com a cultura indígena. “É
possível ser diferente, viver com pouco e ser feliz”, conclui Washington.

O Congresso de Educação Popular

O Congresso vai até ocong_educ_pop_publico_pedroporto.jpg dia 6 de junho e conta com uma
programação intensa, com participação de mais de vinte cidades, incluindo
outros países.

Segundo a coordenadora do Mobrec, Leda Taschetto, o segredo
do sucesso do evento são os temas interessantes que são apresentados e os
palestrantes com um bom conhecimento na área. “Se não começarmos a educar para
a conservação vamos sofrer muito mais. Somos parceiros do planeta”, enfatiza.

 

 

Fotos: Pedro Porto (Laboratório de Fotografia e Memória)

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indígenas, na abertura do XI Congresso Internacional de Educação Popular. Motivar
professores de escolas estaduais e municipais para aplicar em sala de aula
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Novaes relatou a urgente modificação que deve ocorrer sobre a visão que temos
da cultura indígena e a inserção de alguns aspectos na nossa, ressaltando
inúmeras qualidades desse povo, incluindo a preservação ambiental.  “Em vez de olhar para esses elementos, o que
estamos fazendo é tentar transformar os índios em brancos”, afirma.  Essas divergências e preconceitos culturais
que o palestrante denomina de “crise de padrão civilizatório” é uma das
características que ameaça a sobrevivência da espécie humana. O jornalista
também cita relatórios da ONU que comprovam a situação mundial. “A organização
mostra que se todas as pessoas consumissem que nem os americanos e europeus
precisaríamos de mais três planetas”, enfatiza.

A relação do jornalista com as tribos

Como editor chefe do programa Globo Repórter, Novaes
realizou diversas reportagens que comparavam a vida de crianças indígenas, do
interior da Amazônia, com crianças que viviam em metrópoles. Segundo
Novaes, nessa série ele pode notar quatro grandes diferenças:
o poder da aldeia que está no coletivo, suficiência individual, respeito ao
meio ambiente e conhecimento da biodiversidade. 

No final da década de 70, o palestrante acompanhou a equipe
da Faculdade de Medicina de São Paulo em um trabalho de saúde e nutrição de
aldeias indígenas. Nessa pesquisa foi constatado que nenhum índio sofria de
doença cardiovascular, porque não havia nenhum fator que gerasse essas doenças,
como bebida, cigarro e sal à base de sódio. O estudo gerou o programa “As
razões do coração”, exibido pelo Globo Repórter. Por esse motivo, Novaes
acredita que nos dias atuais a convergência cultural transformou a alimentação
e a saúde dos indígenas, além da educação bilíngue que aproxima os jovens da
nossa cultura, modificando seus ideais.

Em relação ao governo, o jornalista acredita que a
interferência do poder público ajuda na extinção de alguns elementos culturais.
“Os órgãos do governo, com pretexto de tentar prevenir as epidemias começaram a
instalar redes elétricas e hidrelétricas nas aldeias”, argumenta Washington. O
palestrante também acredita que um dos motivos desse problema é a legislação
brasileira que é baseada na propriedade privada.

Sobre os índios jovens, Novaes salienta a dificuldade de
encontrar um pajé que dê segmento ao trabalho nas aldeias. “Os jovens querem
fazer pulseiras e redes para vender. Ninguém quer ser pajé”, argumenta o
jornalista que conseguiu autorização da FUNAI para realizar um curso de
aperfeiçoamento para o cargo. Em uma das experiências que teve com os
indígenas, o palestrante mencionou uma frase que considera impactante, dita por
um jovem: “Eu não quero nada do branco. Não quero machado, facão, barco. Eu só
quero viver como meu pai e meu avô viviam”, comprovando a força de sua cultura.

Outro aspecto ressaltado foi a velhice nas aldeias, que é
vista como experiência. Ao contrário do que acontece nas cidades, os mais
velhos são respeitados e ouvidos, repassando informações, lendas e conhecimento
para o restante da comunidade. “Para os índios a vida não é um transtorno que
nem para os brancos”, afirma Novaes.

Em 2006, o jornalista retornou aos lugares em que foram
feitos os documentários, mantendo sempre contato com a cultura indígena. “É
possível ser diferente, viver com pouco e ser feliz”, conclui Washington.

O Congresso de Educação Popular

O Congresso vai até ocong_educ_pop_publico_pedroporto.jpg dia 6 de junho e conta com uma
programação intensa, com participação de mais de vinte cidades, incluindo
outros países.

Segundo a coordenadora do Mobrec, Leda Taschetto, o segredo
do sucesso do evento são os temas interessantes que são apresentados e os
palestrantes com um bom conhecimento na área. “Se não começarmos a educar para
a conservação vamos sofrer muito mais. Somos parceiros do planeta”, enfatiza.

 

 

Fotos: Pedro Porto (Laboratório de Fotografia e Memória)