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Santa Maria, RS, Brazil

Movimento sugere ao prefeito limitar consumo de bebidas na cidade

Na próxima quarta-feira, dia 24, os organizadores e apoiadores da 1ª Semana Municipal de Combate
ao Consumo de Bebidas
Alcoólicas, Cigarros e Congêneres vão levar ao
prefeito de Santa Maria o pedido para o aumento do
número de fiscais e sugestões de políticas públicas para limitar
o consumo de drogas e a
disponibilidade de bebidas lícitas na cidade.
 

A vereadora Maria de Lourdes Castro aponta as mudanças no
artigo 40 do Código de Postura do município, que fala da venda e ingestão de
bebidas alcoólicas. “Decidimos proibir não somente a venda, mas também o
consumo de bebidas em vias públicas entre duas e seis da manhã. A partir deste
horário, poderão ser vendidas apenas a maiores de idade mediante carteira de
identidade”.

Maria de Lourdes também cita as mudanças no artigo 44 do
mesmo código: “Este artigo trata de estabelecimentos comerciais que deverão ter
uma distância mínima de 200m de instituições de ensino e hospitais. Decidimos
incluir também as distribuidoras, que não são autorizadas a vender bebidas
fracionadas. É muito comum nas portas das universidades, por exemplo”, diz.

A vereadora discorre também sobre a responsabilidade do Estado
perante o consumo desregrado de álcool. “Já vínhamos trabalhando sobre isso.
Quando a sociedade em geral não tem mais controle, cabe ao estado interferir”,
argumenta. A fiscalização deve ficar por conta da Secretaria de Controle e Mobilidade
Urbana do município. 

O presidente do Conselho Municipal de
Entorpecentes (Comen), José Sidinei Konzgen
dos Santos, fala sobre o alto índice de crimes causados pelas drogas. “Se sabe
que 80% dos roubos de modo geral começam pelo consumo de drogas, incluindo o
álcool”, conta.  Este dado foi fornecido
pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), pois segundo José dos Santos,
pesquisas desta natureza são difíceis e caras de realizar.  “Quanto a propostas de
combate a esta situação, achamos que temos leis suficientes sobre o assunto, o
problema é fazer cumprir essas leis. Este é o enfoque que estamos dando nas
reuniões realizadas”, finaliza o presidente.

Conscientização movida a solidariedade

A professora de Design da Unifra e também
coordenadora do programa Vida Urgente,
Ceres Inez Zasso Zago, relata sobre o projeto iniciado após a perda de seu
filho em um acidente de trânsito causado pela bebida alcoólica. “O Vida Urgente é um projeto de prevenção
de acidentes de trânsito. Tem como objetivo a preservação e a valorização da
vida do jovem e a sua educação no trânsito. Me engajei neste projeto quando
perdi meu filho em um acidente causado por um motorista embriagado”, afirma.

Ceres diz que este estudo sobre álcool e direção
iniciou em janeiro deste ano com a Câmara de Vereadores e representantes da
Unifra no Comen, entre outros. “Há 13 anos, o primeiro slogan do projeto já
tratava sobre isso, e tinha como tema Direção
e Álcool, esta dupla é perigosa”, destaca a professora.

A coordenadora do projeto fala sobre as
campanhas de conscientização, e entre elas, destaca a Noite do Bafômetro.
“Pedimos para os jovens colocarem o bafômetro ao saírem de festas, bares,
boates, a fim de alertar sobre o teor alcoólico e o perigo de dirigir
alcoolizado”.

O projeto Vida
Urgente é fruto da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, organizada em 1996
pelo casal Régis e Diza Gonzaga, pais de Thiago. O jovem perdeu a vida em 1995,
na época com 18 anos, quando o carro em que estava de carona colidiu com um
contêiner colocado irregularmente na via, em Porto Alegre.

Ceres Zago, coordenadora do Vida Urgente em
Santa Maria, conta que assumiu a responsabilidade do projeto
após passar por um drama semelhante. “Dois anos depois da fundação em Porto Alegre, também
perdi meu filho em um acidente de trânsito. A princípio não tinha nenhum
projeto em mente, até que entrei no quarto do meu filho vinte dias depois e
encontrei o adesivo da campanha. Foi como se fosse um aviso, me sensibilizou”,
relata. A campanha foi colocada em prática três meses depois da fatalidade.

O projeto conta com a participação de famílias
de outras cidades que passaram pela mesma situação, além de um grupo de jovens
do município. Entretanto, boa vontade e dedicação não são suficientes para que
se perpetue a campanha. O descaso dos poderes municipais é uma das queixas da
administradora: “Um dos projetos, Borboletas
pela Vida, visa eternizar nas ruas jovens que perderam a vida nas estradas.
Para isso pintamos uma borboleta no local do fato, como símbolo, homenagem. Mas
os políticos não dão tinta nem lugar para pintar. Temos uma reunião com o
prefeito esta semana para colocar essas questões”, aponta.

 

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Na próxima quarta-feira, dia 24, os organizadores e apoiadores da 1ª Semana Municipal de Combate
ao Consumo de Bebidas
Alcoólicas, Cigarros e Congêneres vão levar ao
prefeito de Santa Maria o pedido para o aumento do
número de fiscais e sugestões de políticas públicas para limitar
o consumo de drogas e a
disponibilidade de bebidas lícitas na cidade.
 

A vereadora Maria de Lourdes Castro aponta as mudanças no
artigo 40 do Código de Postura do município, que fala da venda e ingestão de
bebidas alcoólicas. “Decidimos proibir não somente a venda, mas também o
consumo de bebidas em vias públicas entre duas e seis da manhã. A partir deste
horário, poderão ser vendidas apenas a maiores de idade mediante carteira de
identidade”.

Maria de Lourdes também cita as mudanças no artigo 44 do
mesmo código: “Este artigo trata de estabelecimentos comerciais que deverão ter
uma distância mínima de 200m de instituições de ensino e hospitais. Decidimos
incluir também as distribuidoras, que não são autorizadas a vender bebidas
fracionadas. É muito comum nas portas das universidades, por exemplo”, diz.

A vereadora discorre também sobre a responsabilidade do Estado
perante o consumo desregrado de álcool. “Já vínhamos trabalhando sobre isso.
Quando a sociedade em geral não tem mais controle, cabe ao estado interferir”,
argumenta. A fiscalização deve ficar por conta da Secretaria de Controle e Mobilidade
Urbana do município. 

O presidente do Conselho Municipal de
Entorpecentes (Comen), José Sidinei Konzgen
dos Santos, fala sobre o alto índice de crimes causados pelas drogas. “Se sabe
que 80% dos roubos de modo geral começam pelo consumo de drogas, incluindo o
álcool”, conta.  Este dado foi fornecido
pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), pois segundo José dos Santos,
pesquisas desta natureza são difíceis e caras de realizar.  “Quanto a propostas de
combate a esta situação, achamos que temos leis suficientes sobre o assunto, o
problema é fazer cumprir essas leis. Este é o enfoque que estamos dando nas
reuniões realizadas”, finaliza o presidente.

Conscientização movida a solidariedade

A professora de Design da Unifra e também
coordenadora do programa Vida Urgente,
Ceres Inez Zasso Zago, relata sobre o projeto iniciado após a perda de seu
filho em um acidente de trânsito causado pela bebida alcoólica. “O Vida Urgente é um projeto de prevenção
de acidentes de trânsito. Tem como objetivo a preservação e a valorização da
vida do jovem e a sua educação no trânsito. Me engajei neste projeto quando
perdi meu filho em um acidente causado por um motorista embriagado”, afirma.

Ceres diz que este estudo sobre álcool e direção
iniciou em janeiro deste ano com a Câmara de Vereadores e representantes da
Unifra no Comen, entre outros. “Há 13 anos, o primeiro slogan do projeto já
tratava sobre isso, e tinha como tema Direção
e Álcool, esta dupla é perigosa”, destaca a professora.

A coordenadora do projeto fala sobre as
campanhas de conscientização, e entre elas, destaca a Noite do Bafômetro.
“Pedimos para os jovens colocarem o bafômetro ao saírem de festas, bares,
boates, a fim de alertar sobre o teor alcoólico e o perigo de dirigir
alcoolizado”.

O projeto Vida
Urgente é fruto da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, organizada em 1996
pelo casal Régis e Diza Gonzaga, pais de Thiago. O jovem perdeu a vida em 1995,
na época com 18 anos, quando o carro em que estava de carona colidiu com um
contêiner colocado irregularmente na via, em Porto Alegre.

Ceres Zago, coordenadora do Vida Urgente em
Santa Maria, conta que assumiu a responsabilidade do projeto
após passar por um drama semelhante. “Dois anos depois da fundação em Porto Alegre, também
perdi meu filho em um acidente de trânsito. A princípio não tinha nenhum
projeto em mente, até que entrei no quarto do meu filho vinte dias depois e
encontrei o adesivo da campanha. Foi como se fosse um aviso, me sensibilizou”,
relata. A campanha foi colocada em prática três meses depois da fatalidade.

O projeto conta com a participação de famílias
de outras cidades que passaram pela mesma situação, além de um grupo de jovens
do município. Entretanto, boa vontade e dedicação não são suficientes para que
se perpetue a campanha. O descaso dos poderes municipais é uma das queixas da
administradora: “Um dos projetos, Borboletas
pela Vida, visa eternizar nas ruas jovens que perderam a vida nas estradas.
Para isso pintamos uma borboleta no local do fato, como símbolo, homenagem. Mas
os políticos não dão tinta nem lugar para pintar. Temos uma reunião com o
prefeito esta semana para colocar essas questões”, aponta.

 

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