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Santa Maria terá novo processo de coleta seletiva

O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema) aprovou na última sexta-feira, dia 25, o projeto que tem como objetivos a sustentabilidade ambiental e a inclusão social de catadores de lixo nas associações de recicladores. O projeto surgiu com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei que visa estimular as associações de catadores locais através de prestação de serviços como a coleta seletiva.

Após ser aprovado por unanimidade, o projeto desenvolvido pela Secretaria de Município de Proteção Ambiental (SMA), vai contratar uma das associações de catadores licenciadas de Santa Maria para a coleta seletiva, trabalho que anteriormente seria feito por uma empresa privada.

Como vai funcionar

A cidade está dividida em 18 bairros. Com seu próprio meio de transporte, a associação contratada vai realizar a coleta em três bairros por dia, durante o dia inteiro. O processo ocorrerá de segunda a sábado, e a coleta do dia será distribuída em um sistema de rodízio para as demais associações.

Resgate da dignidade do catador

A proposta tem a necessidade de aliar um serviço que, além de ser positivo para o meio ambiente, também aumentará a renda das associações. Segundo o secretário municipal de Proteção Ambiental, Luiz Alberto Carvalho Junior, o projeto é importante porque vai ao encontro da lei e principalmente pelo fato de que historicamente essas associações sempre foram exploradas. “São pessoas que fazem aquele trabalho para sobreviver, e na hora de vender recebem um valor muito inferior ao esperado, ficando sempre abaixo da cadeia produtiva. Além disso, campanhas conscientizadoras e programas capacitadores serão desenvolvidos mais adiante”, afirma.

O comportamento do cidadão

A conscientização e a ação ambiental são fundamentais para uma efetiva mudança nos hábitos da população em relação à sustentabilidade. Os danos causados ao solo e à água pela poluição são cada vez maiores. E muitas vezes o problema é a falta de informação sobre iniciativas existentes na cidade. Vera Lúcia Dipp, professora, é um exemplo. Ela separa seu lixo em casa, mas as várias sacolas plásticas vão para o container em frente ao seu prédio e não por imprudência, mas sim por não saber que existem em Santa Maria associações que fazem a coleta seletiva nas casas cadastradas. “Eu até separo, mas vai tudo no mesmo lixo depois. Sei das consequências e da importância da consciência ecológica, mas não sabia desse sistema de coleta que ia até a casa das pessoas. Mas achei ótimo.”

Enquanto muitas pessoas misturam os tipos de materiais no lixo, outras separam. Eliza Steffanon, professora farmacêutica, é uma delas. Embora não colabore com as associações da cidade ela aumenta a renda dos catadores autônomos. “Separo o lixo, algumas vezes eu coloco no container, mas em sacolas separadas. Garrafas e papéis, eu geralmente deixo do lado, embora meus vizinhos não gostem, eu sei que logo um catador irá pegar”, afirma.

Profissão catador

Ainda assim os problemas persistem, torna-se comum o grande número de catadores nas ruas da cidade. Além do contato direto com o lixo e o risco de doenças, o conformismo com a situação é um dos aspectos característicos dessas pessoas. É o caso de Cristiano Barbosa da Silva, catador que cedeu entrevista quando saía de um container. Trabalhando sempre de tênis para não se cortar com os cacos de vidro e até mesmo com seringas encontradas no lixo, o catador conta sua história com muito bom humor. Trabalhando há quatro anos na rua, ele diz que antes dos containers seu último emprego foi no lixão municipal onde trabalhava ao lado do pai. Cristiano afirma que uma sacola com cerca de 20 quilos de material reciclável rende em média R$ 14, OO. Ao ser questionado sobre a situação, ele comenta rindo: “é difícil, separar do lixo é complicado, mas a família precisa se manter e comer carne no final de semana”. Além dele, mais três irmãos trabalham assim.

Para participar do novo processo de coleta seletiva basta ligar para a Linha Verde Municipal, 3921-7151 e se cadastrar.

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O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema) aprovou na última sexta-feira, dia 25, o projeto que tem como objetivos a sustentabilidade ambiental e a inclusão social de catadores de lixo nas associações de recicladores. O projeto surgiu com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei que visa estimular as associações de catadores locais através de prestação de serviços como a coleta seletiva.

Após ser aprovado por unanimidade, o projeto desenvolvido pela Secretaria de Município de Proteção Ambiental (SMA), vai contratar uma das associações de catadores licenciadas de Santa Maria para a coleta seletiva, trabalho que anteriormente seria feito por uma empresa privada.

Como vai funcionar

A cidade está dividida em 18 bairros. Com seu próprio meio de transporte, a associação contratada vai realizar a coleta em três bairros por dia, durante o dia inteiro. O processo ocorrerá de segunda a sábado, e a coleta do dia será distribuída em um sistema de rodízio para as demais associações.

Resgate da dignidade do catador

A proposta tem a necessidade de aliar um serviço que, além de ser positivo para o meio ambiente, também aumentará a renda das associações. Segundo o secretário municipal de Proteção Ambiental, Luiz Alberto Carvalho Junior, o projeto é importante porque vai ao encontro da lei e principalmente pelo fato de que historicamente essas associações sempre foram exploradas. “São pessoas que fazem aquele trabalho para sobreviver, e na hora de vender recebem um valor muito inferior ao esperado, ficando sempre abaixo da cadeia produtiva. Além disso, campanhas conscientizadoras e programas capacitadores serão desenvolvidos mais adiante”, afirma.

O comportamento do cidadão

A conscientização e a ação ambiental são fundamentais para uma efetiva mudança nos hábitos da população em relação à sustentabilidade. Os danos causados ao solo e à água pela poluição são cada vez maiores. E muitas vezes o problema é a falta de informação sobre iniciativas existentes na cidade. Vera Lúcia Dipp, professora, é um exemplo. Ela separa seu lixo em casa, mas as várias sacolas plásticas vão para o container em frente ao seu prédio e não por imprudência, mas sim por não saber que existem em Santa Maria associações que fazem a coleta seletiva nas casas cadastradas. “Eu até separo, mas vai tudo no mesmo lixo depois. Sei das consequências e da importância da consciência ecológica, mas não sabia desse sistema de coleta que ia até a casa das pessoas. Mas achei ótimo.”

Enquanto muitas pessoas misturam os tipos de materiais no lixo, outras separam. Eliza Steffanon, professora farmacêutica, é uma delas. Embora não colabore com as associações da cidade ela aumenta a renda dos catadores autônomos. “Separo o lixo, algumas vezes eu coloco no container, mas em sacolas separadas. Garrafas e papéis, eu geralmente deixo do lado, embora meus vizinhos não gostem, eu sei que logo um catador irá pegar”, afirma.

Profissão catador

Ainda assim os problemas persistem, torna-se comum o grande número de catadores nas ruas da cidade. Além do contato direto com o lixo e o risco de doenças, o conformismo com a situação é um dos aspectos característicos dessas pessoas. É o caso de Cristiano Barbosa da Silva, catador que cedeu entrevista quando saía de um container. Trabalhando sempre de tênis para não se cortar com os cacos de vidro e até mesmo com seringas encontradas no lixo, o catador conta sua história com muito bom humor. Trabalhando há quatro anos na rua, ele diz que antes dos containers seu último emprego foi no lixão municipal onde trabalhava ao lado do pai. Cristiano afirma que uma sacola com cerca de 20 quilos de material reciclável rende em média R$ 14, OO. Ao ser questionado sobre a situação, ele comenta rindo: “é difícil, separar do lixo é complicado, mas a família precisa se manter e comer carne no final de semana”. Além dele, mais três irmãos trabalham assim.

Para participar do novo processo de coleta seletiva basta ligar para a Linha Verde Municipal, 3921-7151 e se cadastrar.