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Santa Maria, RS, Brazil

Semana do Design inicia sob impacto da perda de aluno para a violência urbana

violencia_passeata_laura1.jpgUma fita mimosa preta, pregada com alfinete em cada um dos
participantes, representava a perda do úlitmo domingo. Assim
começou 13ª Semana do Design no Centro Universitário Franciscano. Não havia outro assunto em meio às
diversas conversas entre acadêmicos e nas falas da reitora, do mestre de
cerimônias, professores e da palestrante. O acadêmico de Design Angelo
Biazzi, morto com duas facadas no calçadão da cidade, fez falta entre os
presentes.
 
Seus amigos participaram da manifestação contra a
violência na manhã de segunda-feira (foto).
 
A reitora Irani Rupolo falou emocionada por alguns minutos e pediu que
os jovens tenham mais cuidado por si mesmos, não se expondo a riscos
como o uso excessivo de bebida alcoólica, trânsito e violência. "Peço que
vocês deixem de lado essa revolta, esse ódio no coração e fiquem com as
boas lembranças".
 
E por que existem coisas que fazem bem lembrar?

semana_design1_fernanda.jpgEsse foi o tema abordado pela palestrante, designer, professora e
pesquisadora da PUC-Rio, Vera Maria Damazio. Impactada pela situação que
ficara sabendo alguns minutos antes, ela iniciou a palestra com a frase "eu tenho
uma missão aqui com vocês, especialmente hoje: transformar a tragédia que
aconteceu em força, eu acredito no otimismo".

 
Os objetos, na atual
situação mundial de mudanças de paradigmas, servem para intermediar as
relações sociais, podendo ser algumas ruins e outras transformadoras.
Vera escolheu fazer seu doutorado no campo das ciências sociais para
estudar por que determinados objetos, que muitas vezes não possuem mais
sua forma original, são tão importantes para as pessoas. Boneca sem
cabeça, cachorro de plástico sem a cauda, umbigo de criança, bilhetes e
tantos outros são passíveis de um valor emocional agregado muito maior
que qualquer outro produto premiado por diversas vezes.

O foco sobre o Design Emocional se dividiu ao longo da palestra em
três tópicos principais: a memória social, a antropologia do consumo e a
teoria da dádiva. O primeiro diz que cada pessoa é o que escolhe
lembrar e memória é muito mais presente do que passado. Cada vez que
alguém lembra de alguma situação vive novamente aquele sentimento, seja
ele de alegria, raiva ou tristeza.


O segundo tópico fala sobre o consumo para entender o ser humano através do
jeito que ele se veste, se alimenta e compra para casa. A teoria da
dádiva foi criada no período entre guerras e diz que a sociedade está
embasada no movimento de dar, receber e retribuir. É sobre esta última
que a pesquisadora investiga. A sua aplicabilidade no campo do design
atual e o efeito social emocional das coisas nesse movimento. "Não existe
forma, não existe corpo. Todos os objetos estão o tempo inteiro
provocando emoções". Vera salientou aos estudantes sobre a ideia de
criar para os outros sentidos que não o visual e para fazerem o uso de
sons, tato, cheiros e paladar.

semana_design_livro_alice.jpgApós a palestra, aconteceu o lançamento do livro Design, na
Livraria do Frade, onde os professores autografaram os exemplares.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
 
 
 
Para
finalizar o dia de abertura da Semana, a Mostra de Trabalhos Acadêmicos do Curso
lotou a Sala de Exposições Irmã Angelita Stefani que fica aberta até dia 30 de agosto, das 14h às 18h de segunda a sexta-feira, 
no hall do prédio 14.
 
 
 
 
 
 
 
Fotos: Laura Fabrício, Fernanda Ramos e Alice Bollick (Laboratório de Fotografia e Memória)
 
 
 
 
 
 
 

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violencia_passeata_laura1.jpgUma fita mimosa preta, pregada com alfinete em cada um dos
participantes, representava a perda do úlitmo domingo. Assim
começou 13ª Semana do Design no Centro Universitário Franciscano. Não havia outro assunto em meio às
diversas conversas entre acadêmicos e nas falas da reitora, do mestre de
cerimônias, professores e da palestrante. O acadêmico de Design Angelo
Biazzi, morto com duas facadas no calçadão da cidade, fez falta entre os
presentes.
 
Seus amigos participaram da manifestação contra a
violência na manhã de segunda-feira (foto).
 
A reitora Irani Rupolo falou emocionada por alguns minutos e pediu que
os jovens tenham mais cuidado por si mesmos, não se expondo a riscos
como o uso excessivo de bebida alcoólica, trânsito e violência. "Peço que
vocês deixem de lado essa revolta, esse ódio no coração e fiquem com as
boas lembranças".
 
E por que existem coisas que fazem bem lembrar?

semana_design1_fernanda.jpgEsse foi o tema abordado pela palestrante, designer, professora e
pesquisadora da PUC-Rio, Vera Maria Damazio. Impactada pela situação que
ficara sabendo alguns minutos antes, ela iniciou a palestra com a frase "eu tenho
uma missão aqui com vocês, especialmente hoje: transformar a tragédia que
aconteceu em força, eu acredito no otimismo".

 
Os objetos, na atual
situação mundial de mudanças de paradigmas, servem para intermediar as
relações sociais, podendo ser algumas ruins e outras transformadoras.
Vera escolheu fazer seu doutorado no campo das ciências sociais para
estudar por que determinados objetos, que muitas vezes não possuem mais
sua forma original, são tão importantes para as pessoas. Boneca sem
cabeça, cachorro de plástico sem a cauda, umbigo de criança, bilhetes e
tantos outros são passíveis de um valor emocional agregado muito maior
que qualquer outro produto premiado por diversas vezes.

O foco sobre o Design Emocional se dividiu ao longo da palestra em
três tópicos principais: a memória social, a antropologia do consumo e a
teoria da dádiva. O primeiro diz que cada pessoa é o que escolhe
lembrar e memória é muito mais presente do que passado. Cada vez que
alguém lembra de alguma situação vive novamente aquele sentimento, seja
ele de alegria, raiva ou tristeza.


O segundo tópico fala sobre o consumo para entender o ser humano através do
jeito que ele se veste, se alimenta e compra para casa. A teoria da
dádiva foi criada no período entre guerras e diz que a sociedade está
embasada no movimento de dar, receber e retribuir. É sobre esta última
que a pesquisadora investiga. A sua aplicabilidade no campo do design
atual e o efeito social emocional das coisas nesse movimento. "Não existe
forma, não existe corpo. Todos os objetos estão o tempo inteiro
provocando emoções". Vera salientou aos estudantes sobre a ideia de
criar para os outros sentidos que não o visual e para fazerem o uso de
sons, tato, cheiros e paladar.

semana_design_livro_alice.jpgApós a palestra, aconteceu o lançamento do livro Design, na
Livraria do Frade, onde os professores autografaram os exemplares.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
 
 
 
Para
finalizar o dia de abertura da Semana, a Mostra de Trabalhos Acadêmicos do Curso
lotou a Sala de Exposições Irmã Angelita Stefani que fica aberta até dia 30 de agosto, das 14h às 18h de segunda a sexta-feira, 
no hall do prédio 14.
 
 
 
 
 
 
 
Fotos: Laura Fabrício, Fernanda Ramos e Alice Bollick (Laboratório de Fotografia e Memória)