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Eleições municipais: Cezar Schirmer acredita no trabalho para conseguir a reeleição

CANDIDATO DO PMDB

O atual prefeito de Santa Maria (RS), Cezar Augusto Schirmer (PMDB), busca a reeleição para o cargo no pleito de outubro. Ele acredita que o trabalho realizado nesta primeira gestão, com o apoio dos partidos aliados e da comunidade santa-mariense, pode garantir o segundo mandato na prefeitura.

A seguir, a íntegra da entrevista.

 

 Reportagem – O por quê do interesse de ser reeleito prefeito?

 Cezar Schirmer: Nós fomos eleitos com o projeto de transformação e mudança na nossa cidade. Este projeto já começou e está evoluindo, está em andamento. Nossa convicção é que ele não deve ser interrompido, e há o risco de interrupção na medida em que outros que já governaram nossa cidade não tiveram a mesma visão, o mesmo compromisso e linha de ação. Obviamente interromperiam estes propósitos. E quais são eles? Em linhas gerais, como tantas vezes fiz referência durante o processo eleitoral em momento anterior: o desenvolvimento econômico da nossa cidade – e isto vem acontecendo de forma muito efetiva, porque nós conseguimos apoiar as empresas locais, trazer investimentos de fora como a grande empresa alemã KMW-, nós conseguimos municipalizar o distrito industrial e ambiental, criar a lei geral da microempresa, criar a lei de inovação, a Agência de Desenvolvimento de Santa Maria, o Parque Tecnológico do município, a Imembuí microfinanças. Enfim, uma série de ações que nos permitiram gerar, em três anos, 7.600 empregos, afirmado isto com dados do Ministério do Trabalho que são dados oficiais. Nunca antes na história de Santa Maria tantos empregos foram gerados.

Cézar Schirmer do PMDB concorre à reeleição para prefeito de Santa Maria

Na área da saúde, por exemplo, trouxemos o hospital regional, um antigo sonho; a UPA, o SAMU, houve reformas nos postos de saúde, criamos o pronto-socorro odontológico, entre outras séries de ações que minoraram os problemas da área de saúde do município, mas que obviamente ainda não resolveram.

Também na questão da habitação, nós, em quatro anos de governo, vamos entregar 5.000 moradias até 2013, assim como títulos de propriedade para pessoas que há décadas moravam nas suas casas, mas não possuíam nenhum documento. Isto é regularização fundiária e de construção, um problema que infelizmente nunca tinha sido resolvido até então.

Nós criamos a Guarda Municipal e estamos investindo pesadamente na segurança pública em apoio à Brigada Militar e à Polícia Civil. Ainda resolvemos problemas históricos da nossa cidade: há 15 anos que não se recuperavam as ruas com paralelepípedo irregular, porque a prefeitura não tinha calceteiro. Há 15 anos não se restaurava e desentupia os bueiros e bocas-de-lobo da cidade porque a prefeitura também não atendia esta área. Neste mesmo tempo, existia a precariedade quanto à questão da iluminação pública, e quando nós assumimos tinha 6.700 lâmpadas permanentemente apagadas. Tudo isso é coisa do passado. Hoje Santa Maria tem 1.600 ruas de terra, mas nós iniciamos um amplo programa de asfaltamento de ruas, e desde novembro passado asfaltamos 150 km de estrada. Nunca houve isso na história da nossa cidade. Estou dando alguns exemplos de ações efetivas do governo, de diferentes áreas, que dão um significado especial.

Vou falar na Unifra, que tem um curso de turismo de primeira qualidade. Nós entregamos a Secretaria de Turismo para professores da Unifra, porque entendemos que o turismo é um grande instrumento de geração econômica, de renda, de prosperidade, desenvolvimento e Santa Maria tem uma imensa potencialidade. Está ai a ação efetiva desenvolvida na área do turismo. O ônibus turístico, o trem turístico que recebemos recentemente dos recursos do Ministério do Turismo, a recuperação da Vila Belga, o projeto de recuperação da Gare, o natal que é realizado, as festas juninas que estamos arranjando agora na praça, a recuperação da Avenida Rio Branco… Também oferecemos aos taxistas, em convênio com a Unifra, aulas de Espanhol e da história da cidade, para que os nossos taxistas possam incorporar o desenvolvimento do turismo. Então, dizendo estas coisas, de certa forma estou dizendo que este processo de mudança já começou, e ele corre o risco de ser interrompido por visões, no meu ponto de vista equivocadas, do que significa pensar grande uma grande cidade que é Santa Maria. Então esta é a razão pelo qual estamos novamente colocando nosso nome à consideração da população santamariense.

Reportagem – E hoje, neste ano de reeleição, fazendo uma reflexão dos anos de administração, quais são os setores da sociedade que, na sua concepção, ainda precisam de uma maior prioridade, por mais que venhamos nos deparando com as melhorias proporcionadas pela administração?

 Cezar Schirmer – Santa Maria, infelizmente, nos últimos 30 anos não trabalhou com planejamento. A cidade cresceu muito, de maneira rápida, e cresceu mal. Cresceu mal porque ela não planejou seu sistema viário, seu sistema de transporte, de saneamento básico, de mobilidade urbana, trânsito, enfim, mil questões que hoje afetam a vida da nossa cidade. Então nós estamos trabalhando com planejamento. Agora esta semana estarei assinando contratação de duas empresas internacionais, que venceram a licitação, para fazer um plano de mobilidade urbana -trânsito e transporte- considerando inclusive alternativas de transporte; estamos contratando outra empresa internacional para um plano de saneamento básico, – água, esgoto, drenagem, resíduos sólidos. Estamos também contratando outra empresa local para fazer o plano de manejo dos parques que estamos criando e vamos criar. Nos próximos dias vamos começar as obras do Parque Palotino e do parque do Jockey Club. Compramos uma área de 154 hectares em cima do morro, onde será justamente o Parque do Morro, e estes são exemplos de atos que estão nos colocando diante de um impasse. Nós temos que planejar o futuro da cidade, porque se não houver planejamento daqui há 10, 15 anos esta cidade será inabitável. Primeira questão: planejamento.

Nós encetamos uma política de planejamento do futuro da nossa cidade. Uma cidade grande tem que ser pensada de forma superior. Além desta questão, as áreas que nós estamos desenvolvendo são relevantes, porque nós estamos modernizando, por exemplo, a estrutura da prefeitura. Quer dizer, a prefeitura ainda estava no tempo da fichinha. Não existia nenhum moderno instrumento de gestão. A informática passava ao largo. Nós estávamos ainda com fichas na secretaria de saúde e de educação. Até me acanho ao falar isto, mas nós estávamos na idade da pedra no ponto de vista de gestão pública. Então, são questões que estão sendo mudadas. Um prefeito não consegue resolver todos os problemas da cidade em quatro anos, e nós achamos que o projeto que está em andamento se consolidaem oito. Que muitas das questões que estão ainda em andamento correm o risco de serem paralisadas, se uma visão apequenada assumir, e infelizmente este risco existe.

Reportagem – Qual a importância das coligações partidárias, tanto para conquistar a reeleição quanto para auxiliar na administração da cidade?

Cezar Schirmer – Eu fui eleito com uma coligação menor, porque era só PMDB, PP, PSDB, uma parte do PDT, que não era coligação, uma dissidência do PTB e por ai já escasseava. Agora nós conseguimos montar uma ampla coligação de 15 partidos, que sai do PCdoB, PSB e chega ao DEM e ao PT, passa pelo PMDB, PDT, PTB, PR e outros partidos. E qual é a relevância desta imensa coligação: primeiro é importante porque ajuda ganhar eleição. Segundo, porque tem muito espaço na televisão. Terceiro, porque tem muitos militantes destes partidos que vão nos ajudar. É um reconhecimento dos partidos, do esforço que nosso governo está fazendo para mudar o perfil da nossa cidade. Se o governo estivesse mal, não teria tantos partidos juntos. E uma quarta questão que eu considero relevante é a ampliação do leque do “somar e multiplicar”, verbos que sempre conjugo. Somar e multiplicar os esforços dos tantos que quiserem caminhar em uma só direção.

Santa Maria é uma cidade que tem um grau de conflitos e divergência muito grande, historicamente. Aqui se briga por qualquer coisa, e isto infelizmente faz parte da história do nosso município. E eu procurei reduzir estas diferenças. Divergência não significa não ter críticas. Crítica é normal. A divergência que me refiro é quando chega a um ponto extremado, que o radicalismo fica exacerbado, aí ele prejudica. As cidades que mais crescem no mundo, os países, as empresas, as famílias, seja o que for, são aquelas que têm um grau de consenso elevado, e nós estamos tentando e o esforço está dando resultado. Atrair tantos quantos, independente da sua posição ideológica, política, sua visão de mundo, para este projeto de transformação da nossa cidade. Daí esta coligação tão ampla, e porque nós entendemos que a cidade precisa se unir cada vez mais em torno de um só objetivo.

Reportagem – Nós falamos nos setores gerais da sociedade, mas não fomos pontuais. E eu gostaria de frisar a questão da saúde e da educação. Qual sua avaliação quanto ao que precisa melhorar nestes campos, e os projetos existentes?

 Cezar Schirmer A saúde e a educação você não muda do dia para a noite. É um processo de mudança, e ele já começou. Nós tínhamos escassez de leitos hospitalares para o SUS, direcionados as pessoas mais pobres. Tínhamos 300 leitos quando assumimos a prefeitura, e vamos terminar o governo com 900. Temos o hospital regional, que fica pronto no fim do ano; o hospital da Casa de Saúde que vai atingir seu objetivo de 177 leitos já em funcionamento e o hospital de caridade abrindo 130 leitos para o SUS. Tudo isso dá uma dimensão diferenciada no que diz respeito a leitos hospitalares. Também a questão do SAMU, que é o atendimento de urgência. Como funcionava antes de eu assumir: se tinha um acidente de trânsito com vítimas, as pessoas ligavam para vários órgãos do município como prefeitura e polícia, e não havia retorno. Ninguém chegava. Hoje existe este atendimento. O atendimento e a liberação são feitos em Porto Alegre, mas de qualquer forma, quantas vidas nós salvamos? Quanto melhorou a situação das pessoas que precisam de um tratamento instantâneo?

A imprensa destaca muito o lado negativo, que a ambulância muitas vezes não chega. Mas e a parte positiva? Os 400, 500 mil que foram atendidos? Então destaco o SAMU.

Existem outros investimentos, tais como a UPA, Unidade de Pronto Atendimento que inauguramos faz um mês ao lado da Casa de Saúde. Ela é cinco vezes maior que o atual P.A. O pronto-socorro odontológico é outro fator importante. Funciona 24 horas, também nos sábados e domingos. Nós valorizamos e aumentamos o salário dos médicos no mínimo em 100%, para ver se melhora este serviço. Nós, aliás, temos problemas nesta área. Fizemos concursos e infelizmente não aparece nenhum médico, então nós temos esta dificuldade. Mas ainda estamos trabalhando na informatização dos postos de saúde, como já dito. Tem outro projeto que está sendo elaborado que é o remédio em casa. Entregar os medicamentos na casa das pessoas. Não falta remédio nos postos de saúde. O que nos falta talvez, como uma ação que ainda está em tramitação, é a recuperação dos postos de saúde. Reformamos alguns, mas o atendimento ainda não é como gostaríamos. Ainda temos problemas nesta área. Alguns postos têm fila, que estamos tentando corrigir, mas o processo de mudança na saúde já começou, e forte. Eu não citei coisas que vão acontecer, e sim que já foram efetivadas, ou estão se concretizando.

E na educação, nós estamos construindo dez novas escolas. São dez creches, para educação infantil. Reformamos 46 escolas, e ainda ontem inauguramos a escola Aracy Barreto Sachs na Rua Silva Jardim, totalmente reformada, ampliada e moderna. Nós estamos pagando o piso salarial do magistério. Equipamos todas as escolas do município com televisões, datashows, computadores, refrigeradores, fogão, equipamentos musicais, esportivos; aparelhos de som, uniforme para as crianças até o 6° ano, bebedouros, entre outros, para melhorar a situação destes colégios do ponto de vista físico e facilitar a vida dos professores para darem suas aulas. Nós equipamos as escolas do município,  continuamos trabalhando, e até já concluímos, diretrizes do ponto de vista didático. O que falta é a Prova Santa Maria, e a primeira vai ocorrer este ano. Isto é melhorar a qualidade da educação.

Chamamos 400 professores, e estamos pagando o piso. Enfim: melhoramos a qualidade física das escolas, o que falta agora é melhorar a qualidade da educação. É este o trabalho que estamos fazendo, e estes dois processos, que estão em andamento, estão indo muito bem, tanto educação quanto saúde. E corre o risco de ser interrompido. Sendo interrompido podemos perder muitas coisas boas que já fizemos.

Reportagem – Prefeito Schirmer, minha pergunta neste momento é um tanto pessoal, dando sequência no segmento educativo. Eu represento uma instituição e Santa Maria é conhecida como “cidade universitária”. Até que ponto esta população que não é fixa na cidade, principalmente de estudantes, interfere no procedimento administrativo, tendo em vista que muitos ignoram as ações do governo por não se sentirem parte da esfera santa-mariense?

 Cezar Schirmer – Não acho que atrapalha. Santa Maria é uma cidade jovem, de jovens estudantes. Esta é a história da cidade, pelo menos nos últimos 50 anos. Então isto é uma coisa saudável, positiva. Nós temos que ter a compreensão de que esta é uma cidade de jovens e, sendo assim, tem coisas que os caracterizam. Uma cidade de jovens não tem parques. Não tem praças esportivas. Nós recuperamos várias, e atraímos eventos: Balonismo, Sub-17 de basquete, Sub-20, Open de Tênis, Campeonato Brasileiro de Futsal. Trouxemos para cá os Jogos Universitários Gaúchos depois de 25 anos. Nós temos uma política de atração de eventos culturais, artísticos e esportivos que obviamente se dirigem muito aos jovens.

Trouxemos de volta a Tertúlia Musical Nativista que estava parada; fizemos o Natal, que é um espaço de convivência e lazer entre os jovens; estamos recuperando as praças da cidade, estamos construindo duas pistas de grama sintética… Isto é política para os jovens.

O que falta, talvez, é um pouco de cuidado com o bem público. Isso não é só responsabilidade do jovem, e nem exclusivo de uma classe social. O que permeia toda a sociedade santamariense, seja rico ou pobre, jovem ou velho, é a questão do vandalismo. Aliás, isto não é exclusivo de Santa Maria, é um problema de todo o país. A destruição das luminárias, dos bancos, a pichação, falta de cuidado com as flores, com o lixo… Isto realmente é ruim, e muita gente daqui culpa o pessoal que vem de fora, que não tem amor pela cidade. Eu não concordo com esta tese por que conheço muita gente daqui que também não cuida adequadamente da cidade. O que precisamos despertar é um ambiente propício ao zelo, ao cuidado.

O cuidado com o bem coletivo. Com a praça, com a flor, com a luminária, lixeira, e isto tem que ser um esforço de todos nós. Temos que sedimentar cada vez mais esta consciência de cidadania, participação e de amor a nossa cidade.

Reportagem – Na união de todos os projetos, o que tem sido feito para igualar todas as classes sociais existentes na cidade; oferecer uma estrutura nivelada?

 Cezar Schirmer – Eu sempre acho que quem tem moradia e emprego, tem a metade dos seus problemas resolvidos. Nós já entregamos em torno de 2.700 moradias, e vamos entregar até 2013, mais 2.500. Então dá um total de cinco mil, 5.500 moradias novas na nossa cidade. Isto é uma dimensão muito especial. As pessoas vão parar de pagar aluguel, morar de favor, em áreas de risco, com uma família imensa dentro de um pequeno espaço. Então, a questão da moradia nós já estamos resolvendo em parceria com a Caixa Federal, com o Banco do Brasil, com recurso próprio da prefeitura.

Amanhã entregaremos o Zilda Arns, que são 500 casas. Tem participação da prefeitura e da Caixa Federal. Vamos iniciar o residencial Dom Ivo Lorscheiter, que são 780 casas. Já estamos construindo 430 moradias na vila Brenner e Lorenzi, e faremos um novo conjunto habitacional, em parceria com o Banco do Brasil, na Nova Santa Marta, que são mais 800 casas. São moradias, e isto dá dignidade ao ser humano. Ao lado disso o emprego e a renda.

Nós criamos 7.800 empregos oficiais. Não são subempregos. Está registrado no Ministério do Trabalho. E no distrito industrial, em 34 anos, 22 empresas. Em dois anos que este distrito é da prefeitura, 19 novas empresas se instalaram. Em julho será inaugurado o Atacadão; são 200 empregos.

Um novo shoppingem Santa Maria será anunciado na semana que vem. São 2.500 novos empregos. A empresa alemã KMW, que está vindo para a cidade, anunciou há três semanas a compra de oito hectares para a fabricação de blindados e fazer manutenções. Em três anos ela irá contratar 200 engenheiros. O Parque Tecnológico, que fica pronto no fim do ano, terá6.000 metros de área construída para incubadoras e tecnologia de informação. Tudo é um processo que está em andamento. Não é da noite para o dia, mas os resultados estão ai já se fazendo sentir de forma muito efetiva.

Não há um setor da vida da nossa cidade que a prefeitura não tenha agido efetivamente. Nós transferimos os camelôs da Rio Branco para o shopping. Eles estão felizes alí, assim como a população com a avenida.

A avenida tem aquele edifício de 15 andares. Faz 40 anos que aquilo está parado, levando risco à população, problemas de diferentes naturezas. Nós estamos resolvendo este problema. Aquele prédio será da prefeitura, e nós terminaremos a obra.

São tantas as ações do governo, de diferentes naturezas, que me deixa muito gratificado. Eu falei no Turismo, que tem a mão da Unifra, mas poderia ter falado do desenvolvimento rural.  Isto é muito relevante. O trânsito, os abrigos novos que estamos instalando… Bom, não dá para colocar 1.900 abrigos novos em quatro anos de governo. Por quê? Por que o orçamento da prefeitura é 400 milhões de reais. Caxias e Canoas, que são equivalentes ao tamanho de Santa Maria, são um bilhão é duzentos milhões de reais. São três vezes mais arrecadações do que as do município. Então tem que considerar que vivemos em uma cidade pobre. Os recursos são escassos, mas estamos trabalhando efetivamente em muitas áreas da administração onde a prefeitura pode agir.

Reportagem – Ainda que a questão da moradia e do emprego seja muito pertinente para uma possível igualdade social, onde mais é preciso investir para, justamente, manter o equilíbrio entre as diferentes comunidades existentes?

 Cezar Schirmer – Tem que investir educação. O grande instrumento de ascensão social é a educação. Uma pessoa sem formação, sem conhecimento, não chega ao mercado de trabalho adequadamente. A prefeitura tem a Escola Municipal de Aprendizagem Industrial. Agora mesmo nós estamos investindo em 900 mil reais na compra de novos equipamentos, porque os recursos que existem não estão suprindo as necessidades. Tem curso de eletricidade, soldador, mecânico… Todas as pessoas que saem desta escola saem formadas. Formadas e empregadas. Em bons empregos, tanto na cidade quanto fora daqui. Então nós estamos ampliando a EMAI, porque o que falta na nossa cidade são cursos profissionalizantes. É qualificação profissional. Isto é uma lacuna ainda, mas nós também nesta área avançamos. Então a maneira de melhorar esta questão, de classes sociais e aproximação delas, depende muito também de políticas econômicas do governo federal.

O Brasil é o país mais desigual do mundo. Nós somos a sexta economia do planeta, mas o quinto país mais desigual. Mercê das políticas econômicas históricas que privilegiam bancos, grandes capitalistas, grandes interesses internacionais. Isto é um problema no plano nacional. Mas, no plano local estão os cursos que nós estamos fazendo, políticas de desenvolvimento do turismo, desenvolvimento industrial, da agricultura. Tudo isso vai gerar empregos, possibilidades para a nossa população. E a prova são os empregos que foram criados e, também, o Imembuí Microfinanças que nós criamos e capitalizamos. Nós colocamos dinheiro no microcrédito, e são muitos que receberam e avançaram nesta área. As feiras que nós estamos fazendo, os festivais, festas, enfim, permitindo que as pessoas possam mostrar o seu trabalho. Estamos montando a Casa do Artesanato, que é uma política de apoio ao artesão; temos a feira da Gare, que também é feira de artesanato. É todo um trabalho que está em andamento para gerar renda e possibilidade para a população.

Reportagem – A questão da sustentabilidade é um tema cada vez mais em voga. O que tem sido feito para sanar, ou ao menos amenizar, os problemas ambientais de Santa Maria?

 Cezar Schirmer – Santa Maria tem um problema histórico que é o excesso de sangas, riachos, e vertentes. Não que este seja o problema. O problema é o descuido em relação a isso. Nós temos 198 sangas e riachos no perímetro urbano digamos mais antigo da cidade. E isto tudo, infelizmente, está poluído pelo esgoto, e também ao longo de muitos anos foram atulhadas estas sangas e construídas em cima ruas, avenidas, casas, edifícios. Infelizmente nós, a população, até mesmo o Brasil, tratou muito mal a questão do meio-ambiente. Nós estamos revertendo isso. Estamos contratando um plano ambiental para os parques, plano de manejo, e temos também um plano de arborização da cidade que já estáem andamento. Temos o plano de saneamento ambiental, que é água, esgoto, drenagem e os resíduos sólidos. Fizemos parceria com duas cidades da Espanha, para onde o secretário viajou e pôde ver de que forma nós podemos trabalhar esta questão. Nós queremos transformar Santa Maria em uma referência ambiental para o Brasil, e é nesta direção que estamos trabalhando. Na linha da sustentabilidade. Agenda ambiental e sustentável é a agenda do planeta. E as cidades que mais rapidamente se habilitarem na questão da sustentabilidade serão referência no país. É isto que queremos ser.

Reportagem – Qual a importância de estabelecer uma boa relação com os governos estadual e federal?

 Cezar Schirmer – Eu tenho uma boa relação pela minha natureza. Eu não gosto de briga, gosto de paz. Eu gosto de somar e multiplicar, como já havia dito. Por exemplo: eu não sou do PT, obviamente, mas quando a presidente Dilma era chefe da Casa Civil e esteve aqui em Santa Maria, eu prestei uma grande homenagem a ela. Montamos um palanque e fizemos uma festa porque ela havia liberado recursos para a nossa cidade.

Quando o governador Tarso Genro assumiu o governo do estado, ele que tem raízes em Santa Maria, eu propiciei uma ida a Porto Alegre para prestar uma homenagem a ele, e oferecemos um quadro muito bonito da nossa cidade. Quando a governadora Ieda Crusius liberou os recursos para o hospital regional, que foi ainda uma iniciativa do governador Rigoto, mas liberada por ela, nós a fizemos uma homenagem aqui em Santa Maria. E o PSDB não é ligado a mim. Enfim, eu tenho uma relação e um comportamento pessoal de sempre somar e multiplicar o melhor de cada um em favor do todo. E assim tem sido. Tenho ótimas relações com o deputado Pimenta, com o Valdeci, o Pozzobom; deputados de todos os partidos, ministros também. E isto é muito bom, porque os que prosperam são os que estabelecem maiores laços de convergência. A agregação de todos em uma mesma direção é algo que eu considero muito importante para o êxito do projeto que nós estamos levando à frente. São projetos que obviamente tem um componente político, e política é isso. Se colocar um prefeito que gosta de brigar, vai brigar não só consigo mesmo, mas com o seu partido, com os vereadores, com a cidade, imprensa… Tem coisas que a imprensa publica que eu não gosto, mas eu não brigo. Tem coisas que os vereadores dizem e que eu desgosto. Mas não brigo. Tem coisas que acontecem na cidade que eu não aprovo, mas não fico discutindo. Acho que o caminho é o da paz. O governante tem que “engolir sapo” em nome do proveito coletivo, e é isto que eu tenho feito.

Reportagem – Quem ou quais são as suas principais referências políticas?

 Cezar Schirmer – Pedro Simon, um amigo que considero uma referência moral, ética e política do nosso país. Ulysses Guimarães, Tancredo Neves são outros dois. Hoje a política está muito carente de símbolos de dignidade, seriedade e decência, então tem que se buscar no passado, infelizmente. Isso é um momento ruim do país, mas tenho certeza que no futuro tudo isto tende a mudar. Outros países viveram isto.

O próprio Estados Unidos, da década de 30 do século passado, tinha a cumplicidade da máfia, dos gângsteres com os políticos e juízes americanos, e deu a volta por cima. O Brasil também vai dar. Estamos vivendo um mau momento na parte ética e moral por falta de valores, de dignidade, seriedade e postura na vida pública, e isto vai permeando em toda a sociedade.

O vandalismo é um pouco reflexo disto, porque se a pessoa que destrói um banco, uma luminária ou que rouba uma flor, ingressar na política, ele será um ladrão, um vigarista. Então, tem que começar este processo de restauração do país. O Brasil vive uma grande frouxidão moral e com isso causa uma ruptura da textura social. Isto é péssimo porque compromete o país.

Quando cito Pedro Simon, eu cito por ele ser um padrão de honradez, dignidade e seriedade. É uma figura que eu gosto muito. Falei dos outros dois, e falo também do JK, Getúlio Vargas, porque foram pessoas que tiveram projetos para o Brasil. Foram homens dignos e de respeito.

 Reportagem – Nas editorias de política dos veículos de comunicação, infelizmente, um assunto que está presente é o da corrupção, aspecto que já chegamos ao nível até de nos acostumarmos. Não é um problema só do país, obviamente. Mas no seu entendimento, o que é preciso fazer para que isso deixe de ser destaque?

 Cezar Schirmer – Nós temos que mudar os procedimentos judiciais, elevar o padrão cultural do nosso país, o gosto pela política, por que estas pessoas que ocupam um lugar na política foram eleitas, e não caíram do céu. Então o povo deve se inteirar sobre quem vota. Eu, graças a Deus, tenho 40 anos de vida pública limpa. Absolutamente limpa. Então, se aparecer um candidato a prefeito que tenha processos, histórico de indignidade, de conduta inadequada, tem que abrir o olho. Não só falo de Santa Maria como de qualquer outro lugar. Se tiver alguém, em qualquer que seja o setor, fazendo falcatrua, tira ele do posto. Se tiver um passado sujo, não vote. Isto é um processo educativo. Não é culpa deste ou daquele, a culpa é de todos nós. É o judiciário que não funciona, o MP que não denuncia; a imprensa que tem uma parcela de responsabilidade, porque vive muito da publicidade dos governos, então: é toda uma restauração moral. Dos homens públicos que nos representam até os eleitores que também têm que votar com parcimônia, com cuidado. E o castigo dos que dizem que não gostam de política é serem governados pelos maus. Bom, a política está aí. Entra e ajuda a melhorar. Porque um bom voto é um hospital a mais, e um mau voto é um ladrão a mais. É muito importante, sobretudo aos jovens, a compreensão de que eles têm que participar. Não só por eles, mas pelo país. A política é um sacerdócio, um cuidado com o bem coletivo. Não há profissão mais digna que a política, mas não significa que os políticos sejam dignos. Eles estão tirando a dignidade da política. Jesus Cristo não andava com os bons, ele regenerava os maus. E este é o nosso papel. Não adianta separar o povo por castas, temos que nos misturar e melhorar o todo.

Reportagem – Uma pergunta importante, e inevitável: quem é o seu principal adversário?

 Cezar Schirmer – Não sei. Eu farei a minha proposta, vou discutir o que quero fazer como fiz na outra eleição. Não faço a política da briga e de desmerecer quem quer que seja. Somos adversários agora. Depois, se eu ganhar a eleição, vamos estar juntos, pois vou precisar de todos eles. Tanto do PT quanto do PSDB e demais candidatos.

Reportagem – Para encerrarmos, eu gostaria que o senhor fizesse um comparativo entre a Santa Maria que temos, e a Santa Maria que queremos.

 Cezar Schirmer – Não é fácil fazer um panorama em um curto espaço de tempo, mas eu posso afirmar com segurança que não tem 20 cidades, tirando as capitais, com as condições iguais as de Santa Maria no que tange a sua potencialidade. Afirmo com certeza, pois ao longo de minha carreira pude conhecer, no mínimo, as cinco maiores cidades de cada estado brasileiro. Santa Maria é uma cidade encantadora, bem localizada, com um povo maravilhoso, estruturas educacionais fantásticas; um aparato logístico e de infraestrutura muito bom. O que falta é despertar muitas das potenciais da cidade e melhorar a saúde, que estamos melhorando; desenvolver a economia da cidade como estamos fazendo; desenvolver o turismo e a produção primária. Santa Maria produz muito pouco para o seu consumo. Não produzimos nem 2% do que consumimos. 350 milhões de reais saem de Santa Maria por ano para trazer ovos, frango, carne, leite, legumes, hortaliças, flores e frutas. Nós temos que desenvolver a agricultura na nossa cidade, e este projeto estáem andamento. Qualificar a educação, melhorar as praças da cidade; Santa Maria tem 1.600 ruas de terra e nós temos um projeto de asfaltamento de ruas que estáem andamento. Agora, estas mudanças não se fazem do dia para a noite. Trata-se de um processo de mudança. Uma criança leva nove meses para nascer. É uma transformação. E em três anos e meio tu não mudas uma realidade. Precisa tempo. O importante é que nós estamos no caminho certo e os resultados estão aparecendo em qualquer área do governo. Aliás, eu desafio qualquer outro governante da história de Santa Maria, em qualquer tempo, que tenha feito tanto, e eu falo isto sem nenhuma falsa modéstia, nem com pretensão também porque tenho esta convicção. Desafio a comparar os três anos e meio do nosso governo com qualquer outro governo de quatro ou de oito anos da história de Santa Maria.

Texto e foto: Rúbia Keller, Sabrina Kluwe, Jefferson de Andrade e Felipe da Rosa

Edição: Gilson Piber

Edição de web: Rosana Zucolo

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Uma resposta

  1. As eleições municipais estão aí
    Eleitor, as eleições municipais estão aí. Demonstre maturidade e responsabilidade escolhendo bem, independente de partido político, os seus representantes municipais. Mas não vote em candidato ficha suja. Vote em alguém que goze de boa reputação cultural, política ou social. Também não reeleja ninguém. Política não é profissão, é mandato transitório. A reeleição política tem transformado a vida política em cabide de emprego, e o Parlamento em escritório “particular” de negócios escusos de muitos políticos, bem como contribuído para a corrupção política brasileira.

    Hoje, assistimos aos mandarins da política nacional, formados pela velha-guarda de políticos reeleitos, com ideias ultrapassadas, recalcitrantes e resistentes ao tempo e ainda com muito apetite aos cargos da República, que deveriam ser repelidos pelo voto popular.

    Dê oportunidade aos novos candidatos e de preferência àqueles sem relacionamento de parentesco com os políticos em atividade, para quebrar o vínculo das nocivas oligarquias ou dinastias políticas. Os legislativos e os executivos nacionais têm que se renovar sempre, porque é saudável à democracia e à oxigenação política. Ninguém é insubstituível, somente Ele lá em cima.

    Não dê asas ao cabide de emprego político. Enquanto você ou um parente ou um amigo podem estar desempregado, os oportunistas políticos, sem objetivos sérios, estão batendo às suas portas para pedir votos e conseguir emprego fácil às suas custas. Fique atento, no caia na lábia de candidatos espertos que prometem rios de favores ou sinalizam com realizações que não podem fazer. Vote com consciência.

    Se você não encontrar candidato que mereça o seu voto, vote em branco ou anule o seu voto. A democracia deve ser exercida sem coação, sem obrigação de votar. Mesmo que você negue o seu sufrágio, continuará com direito de exigir dos políticos e dos governos cumprimento de mandato na forma constitucional, porque você é quem paga os salários dos políticos nacionais, com as suas contribuições tributárias.

    Por fim, não dê o seu voto a nenhum candidato pulador de galhos, ou seja, aquele que em plena vigência de mandato político comete o chamado “estelionato eleitoral” para se candidatar a outro pleito. Por exemplo, há muitos parlamentares que estão se candidatando às prefeituras municipais. Se forem eleitos, interromperão os seus mandatos dando um mau exemplo de seriedade política.

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CANDIDATO DO PMDB

O atual prefeito de Santa Maria (RS), Cezar Augusto Schirmer (PMDB), busca a reeleição para o cargo no pleito de outubro. Ele acredita que o trabalho realizado nesta primeira gestão, com o apoio dos partidos aliados e da comunidade santa-mariense, pode garantir o segundo mandato na prefeitura.

A seguir, a íntegra da entrevista.

 

 Reportagem – O por quê do interesse de ser reeleito prefeito?

 Cezar Schirmer: Nós fomos eleitos com o projeto de transformação e mudança na nossa cidade. Este projeto já começou e está evoluindo, está em andamento. Nossa convicção é que ele não deve ser interrompido, e há o risco de interrupção na medida em que outros que já governaram nossa cidade não tiveram a mesma visão, o mesmo compromisso e linha de ação. Obviamente interromperiam estes propósitos. E quais são eles? Em linhas gerais, como tantas vezes fiz referência durante o processo eleitoral em momento anterior: o desenvolvimento econômico da nossa cidade – e isto vem acontecendo de forma muito efetiva, porque nós conseguimos apoiar as empresas locais, trazer investimentos de fora como a grande empresa alemã KMW-, nós conseguimos municipalizar o distrito industrial e ambiental, criar a lei geral da microempresa, criar a lei de inovação, a Agência de Desenvolvimento de Santa Maria, o Parque Tecnológico do município, a Imembuí microfinanças. Enfim, uma série de ações que nos permitiram gerar, em três anos, 7.600 empregos, afirmado isto com dados do Ministério do Trabalho que são dados oficiais. Nunca antes na história de Santa Maria tantos empregos foram gerados.

Cézar Schirmer do PMDB concorre à reeleição para prefeito de Santa Maria

Na área da saúde, por exemplo, trouxemos o hospital regional, um antigo sonho; a UPA, o SAMU, houve reformas nos postos de saúde, criamos o pronto-socorro odontológico, entre outras séries de ações que minoraram os problemas da área de saúde do município, mas que obviamente ainda não resolveram.

Também na questão da habitação, nós, em quatro anos de governo, vamos entregar 5.000 moradias até 2013, assim como títulos de propriedade para pessoas que há décadas moravam nas suas casas, mas não possuíam nenhum documento. Isto é regularização fundiária e de construção, um problema que infelizmente nunca tinha sido resolvido até então.

Nós criamos a Guarda Municipal e estamos investindo pesadamente na segurança pública em apoio à Brigada Militar e à Polícia Civil. Ainda resolvemos problemas históricos da nossa cidade: há 15 anos que não se recuperavam as ruas com paralelepípedo irregular, porque a prefeitura não tinha calceteiro. Há 15 anos não se restaurava e desentupia os bueiros e bocas-de-lobo da cidade porque a prefeitura também não atendia esta área. Neste mesmo tempo, existia a precariedade quanto à questão da iluminação pública, e quando nós assumimos tinha 6.700 lâmpadas permanentemente apagadas. Tudo isso é coisa do passado. Hoje Santa Maria tem 1.600 ruas de terra, mas nós iniciamos um amplo programa de asfaltamento de ruas, e desde novembro passado asfaltamos 150 km de estrada. Nunca houve isso na história da nossa cidade. Estou dando alguns exemplos de ações efetivas do governo, de diferentes áreas, que dão um significado especial.

Vou falar na Unifra, que tem um curso de turismo de primeira qualidade. Nós entregamos a Secretaria de Turismo para professores da Unifra, porque entendemos que o turismo é um grande instrumento de geração econômica, de renda, de prosperidade, desenvolvimento e Santa Maria tem uma imensa potencialidade. Está ai a ação efetiva desenvolvida na área do turismo. O ônibus turístico, o trem turístico que recebemos recentemente dos recursos do Ministério do Turismo, a recuperação da Vila Belga, o projeto de recuperação da Gare, o natal que é realizado, as festas juninas que estamos arranjando agora na praça, a recuperação da Avenida Rio Branco… Também oferecemos aos taxistas, em convênio com a Unifra, aulas de Espanhol e da história da cidade, para que os nossos taxistas possam incorporar o desenvolvimento do turismo. Então, dizendo estas coisas, de certa forma estou dizendo que este processo de mudança já começou, e ele corre o risco de ser interrompido por visões, no meu ponto de vista equivocadas, do que significa pensar grande uma grande cidade que é Santa Maria. Então esta é a razão pelo qual estamos novamente colocando nosso nome à consideração da população santamariense.

Reportagem – E hoje, neste ano de reeleição, fazendo uma reflexão dos anos de administração, quais são os setores da sociedade que, na sua concepção, ainda precisam de uma maior prioridade, por mais que venhamos nos deparando com as melhorias proporcionadas pela administração?

 Cezar Schirmer – Santa Maria, infelizmente, nos últimos 30 anos não trabalhou com planejamento. A cidade cresceu muito, de maneira rápida, e cresceu mal. Cresceu mal porque ela não planejou seu sistema viário, seu sistema de transporte, de saneamento básico, de mobilidade urbana, trânsito, enfim, mil questões que hoje afetam a vida da nossa cidade. Então nós estamos trabalhando com planejamento. Agora esta semana estarei assinando contratação de duas empresas internacionais, que venceram a licitação, para fazer um plano de mobilidade urbana -trânsito e transporte- considerando inclusive alternativas de transporte; estamos contratando outra empresa internacional para um plano de saneamento básico, – água, esgoto, drenagem, resíduos sólidos. Estamos também contratando outra empresa local para fazer o plano de manejo dos parques que estamos criando e vamos criar. Nos próximos dias vamos começar as obras do Parque Palotino e do parque do Jockey Club. Compramos uma área de 154 hectares em cima do morro, onde será justamente o Parque do Morro, e estes são exemplos de atos que estão nos colocando diante de um impasse. Nós temos que planejar o futuro da cidade, porque se não houver planejamento daqui há 10, 15 anos esta cidade será inabitável. Primeira questão: planejamento.

Nós encetamos uma política de planejamento do futuro da nossa cidade. Uma cidade grande tem que ser pensada de forma superior. Além desta questão, as áreas que nós estamos desenvolvendo são relevantes, porque nós estamos modernizando, por exemplo, a estrutura da prefeitura. Quer dizer, a prefeitura ainda estava no tempo da fichinha. Não existia nenhum moderno instrumento de gestão. A informática passava ao largo. Nós estávamos ainda com fichas na secretaria de saúde e de educação. Até me acanho ao falar isto, mas nós estávamos na idade da pedra no ponto de vista de gestão pública. Então, são questões que estão sendo mudadas. Um prefeito não consegue resolver todos os problemas da cidade em quatro anos, e nós achamos que o projeto que está em andamento se consolidaem oito. Que muitas das questões que estão ainda em andamento correm o risco de serem paralisadas, se uma visão apequenada assumir, e infelizmente este risco existe.

Reportagem – Qual a importância das coligações partidárias, tanto para conquistar a reeleição quanto para auxiliar na administração da cidade?

Cezar Schirmer – Eu fui eleito com uma coligação menor, porque era só PMDB, PP, PSDB, uma parte do PDT, que não era coligação, uma dissidência do PTB e por ai já escasseava. Agora nós conseguimos montar uma ampla coligação de 15 partidos, que sai do PCdoB, PSB e chega ao DEM e ao PT, passa pelo PMDB, PDT, PTB, PR e outros partidos. E qual é a relevância desta imensa coligação: primeiro é importante porque ajuda ganhar eleição. Segundo, porque tem muito espaço na televisão. Terceiro, porque tem muitos militantes destes partidos que vão nos ajudar. É um reconhecimento dos partidos, do esforço que nosso governo está fazendo para mudar o perfil da nossa cidade. Se o governo estivesse mal, não teria tantos partidos juntos. E uma quarta questão que eu considero relevante é a ampliação do leque do “somar e multiplicar”, verbos que sempre conjugo. Somar e multiplicar os esforços dos tantos que quiserem caminhar em uma só direção.

Santa Maria é uma cidade que tem um grau de conflitos e divergência muito grande, historicamente. Aqui se briga por qualquer coisa, e isto infelizmente faz parte da história do nosso município. E eu procurei reduzir estas diferenças. Divergência não significa não ter críticas. Crítica é normal. A divergência que me refiro é quando chega a um ponto extremado, que o radicalismo fica exacerbado, aí ele prejudica. As cidades que mais crescem no mundo, os países, as empresas, as famílias, seja o que for, são aquelas que têm um grau de consenso elevado, e nós estamos tentando e o esforço está dando resultado. Atrair tantos quantos, independente da sua posição ideológica, política, sua visão de mundo, para este projeto de transformação da nossa cidade. Daí esta coligação tão ampla, e porque nós entendemos que a cidade precisa se unir cada vez mais em torno de um só objetivo.

Reportagem – Nós falamos nos setores gerais da sociedade, mas não fomos pontuais. E eu gostaria de frisar a questão da saúde e da educação. Qual sua avaliação quanto ao que precisa melhorar nestes campos, e os projetos existentes?

 Cezar Schirmer A saúde e a educação você não muda do dia para a noite. É um processo de mudança, e ele já começou. Nós tínhamos escassez de leitos hospitalares para o SUS, direcionados as pessoas mais pobres. Tínhamos 300 leitos quando assumimos a prefeitura, e vamos terminar o governo com 900. Temos o hospital regional, que fica pronto no fim do ano; o hospital da Casa de Saúde que vai atingir seu objetivo de 177 leitos já em funcionamento e o hospital de caridade abrindo 130 leitos para o SUS. Tudo isso dá uma dimensão diferenciada no que diz respeito a leitos hospitalares. Também a questão do SAMU, que é o atendimento de urgência. Como funcionava antes de eu assumir: se tinha um acidente de trânsito com vítimas, as pessoas ligavam para vários órgãos do município como prefeitura e polícia, e não havia retorno. Ninguém chegava. Hoje existe este atendimento. O atendimento e a liberação são feitos em Porto Alegre, mas de qualquer forma, quantas vidas nós salvamos? Quanto melhorou a situação das pessoas que precisam de um tratamento instantâneo?

A imprensa destaca muito o lado negativo, que a ambulância muitas vezes não chega. Mas e a parte positiva? Os 400, 500 mil que foram atendidos? Então destaco o SAMU.

Existem outros investimentos, tais como a UPA, Unidade de Pronto Atendimento que inauguramos faz um mês ao lado da Casa de Saúde. Ela é cinco vezes maior que o atual P.A. O pronto-socorro odontológico é outro fator importante. Funciona 24 horas, também nos sábados e domingos. Nós valorizamos e aumentamos o salário dos médicos no mínimo em 100%, para ver se melhora este serviço. Nós, aliás, temos problemas nesta área. Fizemos concursos e infelizmente não aparece nenhum médico, então nós temos esta dificuldade. Mas ainda estamos trabalhando na informatização dos postos de saúde, como já dito. Tem outro projeto que está sendo elaborado que é o remédio em casa. Entregar os medicamentos na casa das pessoas. Não falta remédio nos postos de saúde. O que nos falta talvez, como uma ação que ainda está em tramitação, é a recuperação dos postos de saúde. Reformamos alguns, mas o atendimento ainda não é como gostaríamos. Ainda temos problemas nesta área. Alguns postos têm fila, que estamos tentando corrigir, mas o processo de mudança na saúde já começou, e forte. Eu não citei coisas que vão acontecer, e sim que já foram efetivadas, ou estão se concretizando.

E na educação, nós estamos construindo dez novas escolas. São dez creches, para educação infantil. Reformamos 46 escolas, e ainda ontem inauguramos a escola Aracy Barreto Sachs na Rua Silva Jardim, totalmente reformada, ampliada e moderna. Nós estamos pagando o piso salarial do magistério. Equipamos todas as escolas do município com televisões, datashows, computadores, refrigeradores, fogão, equipamentos musicais, esportivos; aparelhos de som, uniforme para as crianças até o 6° ano, bebedouros, entre outros, para melhorar a situação destes colégios do ponto de vista físico e facilitar a vida dos professores para darem suas aulas. Nós equipamos as escolas do município,  continuamos trabalhando, e até já concluímos, diretrizes do ponto de vista didático. O que falta é a Prova Santa Maria, e a primeira vai ocorrer este ano. Isto é melhorar a qualidade da educação.

Chamamos 400 professores, e estamos pagando o piso. Enfim: melhoramos a qualidade física das escolas, o que falta agora é melhorar a qualidade da educação. É este o trabalho que estamos fazendo, e estes dois processos, que estão em andamento, estão indo muito bem, tanto educação quanto saúde. E corre o risco de ser interrompido. Sendo interrompido podemos perder muitas coisas boas que já fizemos.

Reportagem – Prefeito Schirmer, minha pergunta neste momento é um tanto pessoal, dando sequência no segmento educativo. Eu represento uma instituição e Santa Maria é conhecida como “cidade universitária”. Até que ponto esta população que não é fixa na cidade, principalmente de estudantes, interfere no procedimento administrativo, tendo em vista que muitos ignoram as ações do governo por não se sentirem parte da esfera santa-mariense?

 Cezar Schirmer – Não acho que atrapalha. Santa Maria é uma cidade jovem, de jovens estudantes. Esta é a história da cidade, pelo menos nos últimos 50 anos. Então isto é uma coisa saudável, positiva. Nós temos que ter a compreensão de que esta é uma cidade de jovens e, sendo assim, tem coisas que os caracterizam. Uma cidade de jovens não tem parques. Não tem praças esportivas. Nós recuperamos várias, e atraímos eventos: Balonismo, Sub-17 de basquete, Sub-20, Open de Tênis, Campeonato Brasileiro de Futsal. Trouxemos para cá os Jogos Universitários Gaúchos depois de 25 anos. Nós temos uma política de atração de eventos culturais, artísticos e esportivos que obviamente se dirigem muito aos jovens.

Trouxemos de volta a Tertúlia Musical Nativista que estava parada; fizemos o Natal, que é um espaço de convivência e lazer entre os jovens; estamos recuperando as praças da cidade, estamos construindo duas pistas de grama sintética… Isto é política para os jovens.

O que falta, talvez, é um pouco de cuidado com o bem público. Isso não é só responsabilidade do jovem, e nem exclusivo de uma classe social. O que permeia toda a sociedade santamariense, seja rico ou pobre, jovem ou velho, é a questão do vandalismo. Aliás, isto não é exclusivo de Santa Maria, é um problema de todo o país. A destruição das luminárias, dos bancos, a pichação, falta de cuidado com as flores, com o lixo… Isto realmente é ruim, e muita gente daqui culpa o pessoal que vem de fora, que não tem amor pela cidade. Eu não concordo com esta tese por que conheço muita gente daqui que também não cuida adequadamente da cidade. O que precisamos despertar é um ambiente propício ao zelo, ao cuidado.

O cuidado com o bem coletivo. Com a praça, com a flor, com a luminária, lixeira, e isto tem que ser um esforço de todos nós. Temos que sedimentar cada vez mais esta consciência de cidadania, participação e de amor a nossa cidade.

Reportagem – Na união de todos os projetos, o que tem sido feito para igualar todas as classes sociais existentes na cidade; oferecer uma estrutura nivelada?

 Cezar Schirmer – Eu sempre acho que quem tem moradia e emprego, tem a metade dos seus problemas resolvidos. Nós já entregamos em torno de 2.700 moradias, e vamos entregar até 2013, mais 2.500. Então dá um total de cinco mil, 5.500 moradias novas na nossa cidade. Isto é uma dimensão muito especial. As pessoas vão parar de pagar aluguel, morar de favor, em áreas de risco, com uma família imensa dentro de um pequeno espaço. Então, a questão da moradia nós já estamos resolvendo em parceria com a Caixa Federal, com o Banco do Brasil, com recurso próprio da prefeitura.

Amanhã entregaremos o Zilda Arns, que são 500 casas. Tem participação da prefeitura e da Caixa Federal. Vamos iniciar o residencial Dom Ivo Lorscheiter, que são 780 casas. Já estamos construindo 430 moradias na vila Brenner e Lorenzi, e faremos um novo conjunto habitacional, em parceria com o Banco do Brasil, na Nova Santa Marta, que são mais 800 casas. São moradias, e isto dá dignidade ao ser humano. Ao lado disso o emprego e a renda.

Nós criamos 7.800 empregos oficiais. Não são subempregos. Está registrado no Ministério do Trabalho. E no distrito industrial, em 34 anos, 22 empresas. Em dois anos que este distrito é da prefeitura, 19 novas empresas se instalaram. Em julho será inaugurado o Atacadão; são 200 empregos.

Um novo shoppingem Santa Maria será anunciado na semana que vem. São 2.500 novos empregos. A empresa alemã KMW, que está vindo para a cidade, anunciou há três semanas a compra de oito hectares para a fabricação de blindados e fazer manutenções. Em três anos ela irá contratar 200 engenheiros. O Parque Tecnológico, que fica pronto no fim do ano, terá6.000 metros de área construída para incubadoras e tecnologia de informação. Tudo é um processo que está em andamento. Não é da noite para o dia, mas os resultados estão ai já se fazendo sentir de forma muito efetiva.

Não há um setor da vida da nossa cidade que a prefeitura não tenha agido efetivamente. Nós transferimos os camelôs da Rio Branco para o shopping. Eles estão felizes alí, assim como a população com a avenida.

A avenida tem aquele edifício de 15 andares. Faz 40 anos que aquilo está parado, levando risco à população, problemas de diferentes naturezas. Nós estamos resolvendo este problema. Aquele prédio será da prefeitura, e nós terminaremos a obra.

São tantas as ações do governo, de diferentes naturezas, que me deixa muito gratificado. Eu falei no Turismo, que tem a mão da Unifra, mas poderia ter falado do desenvolvimento rural.  Isto é muito relevante. O trânsito, os abrigos novos que estamos instalando… Bom, não dá para colocar 1.900 abrigos novos em quatro anos de governo. Por quê? Por que o orçamento da prefeitura é 400 milhões de reais. Caxias e Canoas, que são equivalentes ao tamanho de Santa Maria, são um bilhão é duzentos milhões de reais. São três vezes mais arrecadações do que as do município. Então tem que considerar que vivemos em uma cidade pobre. Os recursos são escassos, mas estamos trabalhando efetivamente em muitas áreas da administração onde a prefeitura pode agir.

Reportagem – Ainda que a questão da moradia e do emprego seja muito pertinente para uma possível igualdade social, onde mais é preciso investir para, justamente, manter o equilíbrio entre as diferentes comunidades existentes?

 Cezar Schirmer – Tem que investir educação. O grande instrumento de ascensão social é a educação. Uma pessoa sem formação, sem conhecimento, não chega ao mercado de trabalho adequadamente. A prefeitura tem a Escola Municipal de Aprendizagem Industrial. Agora mesmo nós estamos investindo em 900 mil reais na compra de novos equipamentos, porque os recursos que existem não estão suprindo as necessidades. Tem curso de eletricidade, soldador, mecânico… Todas as pessoas que saem desta escola saem formadas. Formadas e empregadas. Em bons empregos, tanto na cidade quanto fora daqui. Então nós estamos ampliando a EMAI, porque o que falta na nossa cidade são cursos profissionalizantes. É qualificação profissional. Isto é uma lacuna ainda, mas nós também nesta área avançamos. Então a maneira de melhorar esta questão, de classes sociais e aproximação delas, depende muito também de políticas econômicas do governo federal.

O Brasil é o país mais desigual do mundo. Nós somos a sexta economia do planeta, mas o quinto país mais desigual. Mercê das políticas econômicas históricas que privilegiam bancos, grandes capitalistas, grandes interesses internacionais. Isto é um problema no plano nacional. Mas, no plano local estão os cursos que nós estamos fazendo, políticas de desenvolvimento do turismo, desenvolvimento industrial, da agricultura. Tudo isso vai gerar empregos, possibilidades para a nossa população. E a prova são os empregos que foram criados e, também, o Imembuí Microfinanças que nós criamos e capitalizamos. Nós colocamos dinheiro no microcrédito, e são muitos que receberam e avançaram nesta área. As feiras que nós estamos fazendo, os festivais, festas, enfim, permitindo que as pessoas possam mostrar o seu trabalho. Estamos montando a Casa do Artesanato, que é uma política de apoio ao artesão; temos a feira da Gare, que também é feira de artesanato. É todo um trabalho que está em andamento para gerar renda e possibilidade para a população.

Reportagem – A questão da sustentabilidade é um tema cada vez mais em voga. O que tem sido feito para sanar, ou ao menos amenizar, os problemas ambientais de Santa Maria?

 Cezar Schirmer – Santa Maria tem um problema histórico que é o excesso de sangas, riachos, e vertentes. Não que este seja o problema. O problema é o descuido em relação a isso. Nós temos 198 sangas e riachos no perímetro urbano digamos mais antigo da cidade. E isto tudo, infelizmente, está poluído pelo esgoto, e também ao longo de muitos anos foram atulhadas estas sangas e construídas em cima ruas, avenidas, casas, edifícios. Infelizmente nós, a população, até mesmo o Brasil, tratou muito mal a questão do meio-ambiente. Nós estamos revertendo isso. Estamos contratando um plano ambiental para os parques, plano de manejo, e temos também um plano de arborização da cidade que já estáem andamento. Temos o plano de saneamento ambiental, que é água, esgoto, drenagem e os resíduos sólidos. Fizemos parceria com duas cidades da Espanha, para onde o secretário viajou e pôde ver de que forma nós podemos trabalhar esta questão. Nós queremos transformar Santa Maria em uma referência ambiental para o Brasil, e é nesta direção que estamos trabalhando. Na linha da sustentabilidade. Agenda ambiental e sustentável é a agenda do planeta. E as cidades que mais rapidamente se habilitarem na questão da sustentabilidade serão referência no país. É isto que queremos ser.

Reportagem – Qual a importância de estabelecer uma boa relação com os governos estadual e federal?

 Cezar Schirmer – Eu tenho uma boa relação pela minha natureza. Eu não gosto de briga, gosto de paz. Eu gosto de somar e multiplicar, como já havia dito. Por exemplo: eu não sou do PT, obviamente, mas quando a presidente Dilma era chefe da Casa Civil e esteve aqui em Santa Maria, eu prestei uma grande homenagem a ela. Montamos um palanque e fizemos uma festa porque ela havia liberado recursos para a nossa cidade.

Quando o governador Tarso Genro assumiu o governo do estado, ele que tem raízes em Santa Maria, eu propiciei uma ida a Porto Alegre para prestar uma homenagem a ele, e oferecemos um quadro muito bonito da nossa cidade. Quando a governadora Ieda Crusius liberou os recursos para o hospital regional, que foi ainda uma iniciativa do governador Rigoto, mas liberada por ela, nós a fizemos uma homenagem aqui em Santa Maria. E o PSDB não é ligado a mim. Enfim, eu tenho uma relação e um comportamento pessoal de sempre somar e multiplicar o melhor de cada um em favor do todo. E assim tem sido. Tenho ótimas relações com o deputado Pimenta, com o Valdeci, o Pozzobom; deputados de todos os partidos, ministros também. E isto é muito bom, porque os que prosperam são os que estabelecem maiores laços de convergência. A agregação de todos em uma mesma direção é algo que eu considero muito importante para o êxito do projeto que nós estamos levando à frente. São projetos que obviamente tem um componente político, e política é isso. Se colocar um prefeito que gosta de brigar, vai brigar não só consigo mesmo, mas com o seu partido, com os vereadores, com a cidade, imprensa… Tem coisas que a imprensa publica que eu não gosto, mas eu não brigo. Tem coisas que os vereadores dizem e que eu desgosto. Mas não brigo. Tem coisas que acontecem na cidade que eu não aprovo, mas não fico discutindo. Acho que o caminho é o da paz. O governante tem que “engolir sapo” em nome do proveito coletivo, e é isto que eu tenho feito.

Reportagem – Quem ou quais são as suas principais referências políticas?

 Cezar Schirmer – Pedro Simon, um amigo que considero uma referência moral, ética e política do nosso país. Ulysses Guimarães, Tancredo Neves são outros dois. Hoje a política está muito carente de símbolos de dignidade, seriedade e decência, então tem que se buscar no passado, infelizmente. Isso é um momento ruim do país, mas tenho certeza que no futuro tudo isto tende a mudar. Outros países viveram isto.

O próprio Estados Unidos, da década de 30 do século passado, tinha a cumplicidade da máfia, dos gângsteres com os políticos e juízes americanos, e deu a volta por cima. O Brasil também vai dar. Estamos vivendo um mau momento na parte ética e moral por falta de valores, de dignidade, seriedade e postura na vida pública, e isto vai permeando em toda a sociedade.

O vandalismo é um pouco reflexo disto, porque se a pessoa que destrói um banco, uma luminária ou que rouba uma flor, ingressar na política, ele será um ladrão, um vigarista. Então, tem que começar este processo de restauração do país. O Brasil vive uma grande frouxidão moral e com isso causa uma ruptura da textura social. Isto é péssimo porque compromete o país.

Quando cito Pedro Simon, eu cito por ele ser um padrão de honradez, dignidade e seriedade. É uma figura que eu gosto muito. Falei dos outros dois, e falo também do JK, Getúlio Vargas, porque foram pessoas que tiveram projetos para o Brasil. Foram homens dignos e de respeito.

 Reportagem – Nas editorias de política dos veículos de comunicação, infelizmente, um assunto que está presente é o da corrupção, aspecto que já chegamos ao nível até de nos acostumarmos. Não é um problema só do país, obviamente. Mas no seu entendimento, o que é preciso fazer para que isso deixe de ser destaque?

 Cezar Schirmer – Nós temos que mudar os procedimentos judiciais, elevar o padrão cultural do nosso país, o gosto pela política, por que estas pessoas que ocupam um lugar na política foram eleitas, e não caíram do céu. Então o povo deve se inteirar sobre quem vota. Eu, graças a Deus, tenho 40 anos de vida pública limpa. Absolutamente limpa. Então, se aparecer um candidato a prefeito que tenha processos, histórico de indignidade, de conduta inadequada, tem que abrir o olho. Não só falo de Santa Maria como de qualquer outro lugar. Se tiver alguém, em qualquer que seja o setor, fazendo falcatrua, tira ele do posto. Se tiver um passado sujo, não vote. Isto é um processo educativo. Não é culpa deste ou daquele, a culpa é de todos nós. É o judiciário que não funciona, o MP que não denuncia; a imprensa que tem uma parcela de responsabilidade, porque vive muito da publicidade dos governos, então: é toda uma restauração moral. Dos homens públicos que nos representam até os eleitores que também têm que votar com parcimônia, com cuidado. E o castigo dos que dizem que não gostam de política é serem governados pelos maus. Bom, a política está aí. Entra e ajuda a melhorar. Porque um bom voto é um hospital a mais, e um mau voto é um ladrão a mais. É muito importante, sobretudo aos jovens, a compreensão de que eles têm que participar. Não só por eles, mas pelo país. A política é um sacerdócio, um cuidado com o bem coletivo. Não há profissão mais digna que a política, mas não significa que os políticos sejam dignos. Eles estão tirando a dignidade da política. Jesus Cristo não andava com os bons, ele regenerava os maus. E este é o nosso papel. Não adianta separar o povo por castas, temos que nos misturar e melhorar o todo.

Reportagem – Uma pergunta importante, e inevitável: quem é o seu principal adversário?

 Cezar Schirmer – Não sei. Eu farei a minha proposta, vou discutir o que quero fazer como fiz na outra eleição. Não faço a política da briga e de desmerecer quem quer que seja. Somos adversários agora. Depois, se eu ganhar a eleição, vamos estar juntos, pois vou precisar de todos eles. Tanto do PT quanto do PSDB e demais candidatos.

Reportagem – Para encerrarmos, eu gostaria que o senhor fizesse um comparativo entre a Santa Maria que temos, e a Santa Maria que queremos.

 Cezar Schirmer – Não é fácil fazer um panorama em um curto espaço de tempo, mas eu posso afirmar com segurança que não tem 20 cidades, tirando as capitais, com as condições iguais as de Santa Maria no que tange a sua potencialidade. Afirmo com certeza, pois ao longo de minha carreira pude conhecer, no mínimo, as cinco maiores cidades de cada estado brasileiro. Santa Maria é uma cidade encantadora, bem localizada, com um povo maravilhoso, estruturas educacionais fantásticas; um aparato logístico e de infraestrutura muito bom. O que falta é despertar muitas das potenciais da cidade e melhorar a saúde, que estamos melhorando; desenvolver a economia da cidade como estamos fazendo; desenvolver o turismo e a produção primária. Santa Maria produz muito pouco para o seu consumo. Não produzimos nem 2% do que consumimos. 350 milhões de reais saem de Santa Maria por ano para trazer ovos, frango, carne, leite, legumes, hortaliças, flores e frutas. Nós temos que desenvolver a agricultura na nossa cidade, e este projeto estáem andamento. Qualificar a educação, melhorar as praças da cidade; Santa Maria tem 1.600 ruas de terra e nós temos um projeto de asfaltamento de ruas que estáem andamento. Agora, estas mudanças não se fazem do dia para a noite. Trata-se de um processo de mudança. Uma criança leva nove meses para nascer. É uma transformação. E em três anos e meio tu não mudas uma realidade. Precisa tempo. O importante é que nós estamos no caminho certo e os resultados estão aparecendo em qualquer área do governo. Aliás, eu desafio qualquer outro governante da história de Santa Maria, em qualquer tempo, que tenha feito tanto, e eu falo isto sem nenhuma falsa modéstia, nem com pretensão também porque tenho esta convicção. Desafio a comparar os três anos e meio do nosso governo com qualquer outro governo de quatro ou de oito anos da história de Santa Maria.

Texto e foto: Rúbia Keller, Sabrina Kluwe, Jefferson de Andrade e Felipe da Rosa

Edição: Gilson Piber

Edição de web: Rosana Zucolo