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Santa Maria, RS, Brazil

Mágica sim, magia não.

“O cinema é mágico” e “a magia do cinema” são frases que podem parecer iguais, mas com um pouco de lógica podemos ver que não existe nada de parecido entre elas.

Quando Georges Méliès apresentou ao mundo do audiovisual suas contribuições mágicas, a população começou a se apaixonar pela capacidade do cinema em criar novos mundos através de efeitos especiais e técnicas de ilusão visual. As pessoas começaram a sonhar com as possibilidades de serem enganadas através da telona, mas não “enganadas” no sentido de serem trapaceadas sem  consenso, mas de serem convidadas a se deixar levar através daqueles outros mundos projetados na tela.

Nós pagamos para sermos enganados. Nós queremos mergulhar naquele oceano de ideias que nos espera do outro lado da tela. Muitos não tam essa consciência, mas todos a sentem, por isso que entramos no cinema – para nos deixarmos levar seja por uma boa história de amor ou por um suspense policial, desde que sejam construídos com verossimilhança.

Magia é atualmente um conceito ficcional que existe dentro de histórias fantásticas em diversas mídias, praticado por magos e seus cajados, num sistema ritualístico baseado em fé e crenças em divindades superiores, conhecidas por leitores de fantasia, jogadores de RPG, cinéfilos e jogadores de videogame, a palavra se espalhou pelo imaginário popular ao longo dos anos.

Enquanto a palavra “magia” se disseminou no mundo todo, com várias interpretações sobre o seu significado, outro conceito parece ter ficado um pouco de lado, a “mágica”. Mágicos existiram sempre no nosso planeta, porém eles parecem fadados ao esquecimento, ou serem (hoje em dia) confundidos com magos e qualquer palavra que seja relacionada a crenças em forças absurdas.

O cinema, assim como a mágica, é feito por truques, ilusões, atos, construções de conceitos que você pode descontruir ao longo de uma narrativa audiovisual. Todo mágico constrói seus truques a partir de ferramentas naturais que nos enganam de uma maneira muito elegante, sem nem ao menos percebermos que somos enganados. Esta é a beleza que o cinema e a mágica compartilham.

O diretor, assim como o mágico, tende a ser o maestro dessa orquestra (todo o restante da equipe por trás de uma produção audiovisual). Um filme é um ato de mágica, onde não existe apenas um mágico (o diretor), mas toda uma equipe de pessoas (atores, compositores, designers de produção e de som, diretores de fotografia, roteiristas e etc…) que trabalham em conjunto para nos apresentar uma obra repleta de significados que à primeira vista nos foge aos olhos, mas se pararmos para uma revisita e prestarmos bastante atenção, podemos ver inúmeros detalhes que não havíamos visto anteriormente.

Não aceito a dublagem ou spoilers (informações essenciais de um filme) pela mesma razão que não acredito na “magia” do cinema, mas sim na Mágica que todos os realizadores de uma obra íntegra constroem e nos entregam após meses ou anos de trabalho. Espectadores devem respeitar a obra que pagaram para olhar e, principalmente, exigirem respeito para com suas experiências subjetivas e objetivas ao apreciarem um bom cinema, lembrando com carinho que um bom mágico nunca revela seus truques.

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“O cinema é mágico” e “a magia do cinema” são frases que podem parecer iguais, mas com um pouco de lógica podemos ver que não existe nada de parecido entre elas.

Quando Georges Méliès apresentou ao mundo do audiovisual suas contribuições mágicas, a população começou a se apaixonar pela capacidade do cinema em criar novos mundos através de efeitos especiais e técnicas de ilusão visual. As pessoas começaram a sonhar com as possibilidades de serem enganadas através da telona, mas não “enganadas” no sentido de serem trapaceadas sem  consenso, mas de serem convidadas a se deixar levar através daqueles outros mundos projetados na tela.

Nós pagamos para sermos enganados. Nós queremos mergulhar naquele oceano de ideias que nos espera do outro lado da tela. Muitos não tam essa consciência, mas todos a sentem, por isso que entramos no cinema – para nos deixarmos levar seja por uma boa história de amor ou por um suspense policial, desde que sejam construídos com verossimilhança.

Magia é atualmente um conceito ficcional que existe dentro de histórias fantásticas em diversas mídias, praticado por magos e seus cajados, num sistema ritualístico baseado em fé e crenças em divindades superiores, conhecidas por leitores de fantasia, jogadores de RPG, cinéfilos e jogadores de videogame, a palavra se espalhou pelo imaginário popular ao longo dos anos.

Enquanto a palavra “magia” se disseminou no mundo todo, com várias interpretações sobre o seu significado, outro conceito parece ter ficado um pouco de lado, a “mágica”. Mágicos existiram sempre no nosso planeta, porém eles parecem fadados ao esquecimento, ou serem (hoje em dia) confundidos com magos e qualquer palavra que seja relacionada a crenças em forças absurdas.

O cinema, assim como a mágica, é feito por truques, ilusões, atos, construções de conceitos que você pode descontruir ao longo de uma narrativa audiovisual. Todo mágico constrói seus truques a partir de ferramentas naturais que nos enganam de uma maneira muito elegante, sem nem ao menos percebermos que somos enganados. Esta é a beleza que o cinema e a mágica compartilham.

O diretor, assim como o mágico, tende a ser o maestro dessa orquestra (todo o restante da equipe por trás de uma produção audiovisual). Um filme é um ato de mágica, onde não existe apenas um mágico (o diretor), mas toda uma equipe de pessoas (atores, compositores, designers de produção e de som, diretores de fotografia, roteiristas e etc…) que trabalham em conjunto para nos apresentar uma obra repleta de significados que à primeira vista nos foge aos olhos, mas se pararmos para uma revisita e prestarmos bastante atenção, podemos ver inúmeros detalhes que não havíamos visto anteriormente.

Não aceito a dublagem ou spoilers (informações essenciais de um filme) pela mesma razão que não acredito na “magia” do cinema, mas sim na Mágica que todos os realizadores de uma obra íntegra constroem e nos entregam após meses ou anos de trabalho. Espectadores devem respeitar a obra que pagaram para olhar e, principalmente, exigirem respeito para com suas experiências subjetivas e objetivas ao apreciarem um bom cinema, lembrando com carinho que um bom mágico nunca revela seus truques.