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Marcel Martins e a importância da prática laboratorial

Eles passaram pelo curso de Jornalismo da Unifra.  Hoje estão no mercado de trabalho. São jornalistas, assessores, professores, pesquisadores, consultores. Atuam com a comunicação em diferentes partes do país e do mundo, e agora retornam em depoimentos sobre os 10 anos do curso.
Todos muito bem-vindos!

 

Marcel Neves Martins fez jornalismo na Unifra, turma 2004/2007, e mantém o blog Sentidos com códigos.

O começo da universidade é uma mistura de descontração com responsabilidades. Após a euforia da entrada, chegam as teorias que orientam o percurso e nosso olhar acadêmico sobre o cotidiano. Muitas vezes, não imaginamos o quanto elas irão nos ajudar lá na frente. Aliás, é mais adiante, na caminhada pelo curso, onde encontramos a direção que poderá nos conduzir na carreira profissional. Televisão, rádio, impresso, on-line: qual a melhor escolha? Depende de uma série de fatores. O principal deles é a prática no laboratório. Dos estúdios de televisão para os estúdios de rádio. Do rádio para o laboratório impresso. São diversas as oportunidades para que se encontre o caminho.

Na Agência CentralSul de Notícias tive a possibilidade de apurar minha leitura do cotidiano. De alguma forma, a passagem por este laboratório refinou um olhar disperso sobre algo tão ou mais fugidio que é o cotidiano. Resgatar o que acontece para o universo da escrita on-line não foi tarefa das mais simples. O emaranhado de informações emergentes convocava a responsabilidade lá do início da faculdade para uma distinção entre o que era relevante para mim e para os leitores. E este é um dos desafios provocadores do jornalismo: saber até onde os dados que coletamos são de importância para quem está do outro lado, isto é, para quem está na recepção da informação, do conteúdo.

Entre as matérias que produzi para a Agência está uma reportagem especial realizada junto ao Movimento Vida Urgente, extensão da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga (o link pode ser acessado na editoria ‘Reportagem’ do site da Agência – data de 30 de setembro de 2006). Através de produções como essa, percebi o quanto a questão social e humana está presente nas rotinas do jornalismo. Principalmente quando se trata de uma reportagem especial, vemos que as fronteiras entre a imparcialidade e o lado humanitário da vida em sociedade ficam tênues: o desejo de passar uma informação limpa (sem a intervenção do juízo) fica próximo à vontade de dar um parecer sobre a situação observada. É um risco, mas que pode ser administrado. Na receita, algumas palavras-chave para a diminuição de erros: apuração, investigação, cuidado, seleção, concisão, clareza. É um pouco do que uma boa pauta requer.

O dilema da (im)parcialidade é e será assunto de debates para aqueles que fazem jornalismo. Afinal, no momento em que escolhemos determinada editoria para exercício, de alguma forma determinamos nosso olhar sobre a realidade. Entretanto, não prescinda, estudante, da prática no laboratório, que é a ferramenta mais eficaz ainda na universidade para que o olhar e a arte de escrever possam ser treinados a favor da informação de qualidade, a favor de um serviço social prestado que é a transcrição da realidade bruta em discurso.

Marcel Neves Martins, jornalista egresso do curso de Jornalismo da Unifra e mestre em Comunicação pela Unisinos.

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Eles passaram pelo curso de Jornalismo da Unifra.  Hoje estão no mercado de trabalho. São jornalistas, assessores, professores, pesquisadores, consultores. Atuam com a comunicação em diferentes partes do país e do mundo, e agora retornam em depoimentos sobre os 10 anos do curso.
Todos muito bem-vindos!

 

Marcel Neves Martins fez jornalismo na Unifra, turma 2004/2007, e mantém o blog Sentidos com códigos.

O começo da universidade é uma mistura de descontração com responsabilidades. Após a euforia da entrada, chegam as teorias que orientam o percurso e nosso olhar acadêmico sobre o cotidiano. Muitas vezes, não imaginamos o quanto elas irão nos ajudar lá na frente. Aliás, é mais adiante, na caminhada pelo curso, onde encontramos a direção que poderá nos conduzir na carreira profissional. Televisão, rádio, impresso, on-line: qual a melhor escolha? Depende de uma série de fatores. O principal deles é a prática no laboratório. Dos estúdios de televisão para os estúdios de rádio. Do rádio para o laboratório impresso. São diversas as oportunidades para que se encontre o caminho.

Na Agência CentralSul de Notícias tive a possibilidade de apurar minha leitura do cotidiano. De alguma forma, a passagem por este laboratório refinou um olhar disperso sobre algo tão ou mais fugidio que é o cotidiano. Resgatar o que acontece para o universo da escrita on-line não foi tarefa das mais simples. O emaranhado de informações emergentes convocava a responsabilidade lá do início da faculdade para uma distinção entre o que era relevante para mim e para os leitores. E este é um dos desafios provocadores do jornalismo: saber até onde os dados que coletamos são de importância para quem está do outro lado, isto é, para quem está na recepção da informação, do conteúdo.

Entre as matérias que produzi para a Agência está uma reportagem especial realizada junto ao Movimento Vida Urgente, extensão da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga (o link pode ser acessado na editoria ‘Reportagem’ do site da Agência – data de 30 de setembro de 2006). Através de produções como essa, percebi o quanto a questão social e humana está presente nas rotinas do jornalismo. Principalmente quando se trata de uma reportagem especial, vemos que as fronteiras entre a imparcialidade e o lado humanitário da vida em sociedade ficam tênues: o desejo de passar uma informação limpa (sem a intervenção do juízo) fica próximo à vontade de dar um parecer sobre a situação observada. É um risco, mas que pode ser administrado. Na receita, algumas palavras-chave para a diminuição de erros: apuração, investigação, cuidado, seleção, concisão, clareza. É um pouco do que uma boa pauta requer.

O dilema da (im)parcialidade é e será assunto de debates para aqueles que fazem jornalismo. Afinal, no momento em que escolhemos determinada editoria para exercício, de alguma forma determinamos nosso olhar sobre a realidade. Entretanto, não prescinda, estudante, da prática no laboratório, que é a ferramenta mais eficaz ainda na universidade para que o olhar e a arte de escrever possam ser treinados a favor da informação de qualidade, a favor de um serviço social prestado que é a transcrição da realidade bruta em discurso.

Marcel Neves Martins, jornalista egresso do curso de Jornalismo da Unifra e mestre em Comunicação pela Unisinos.