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Santa Maria, RS, Brazil

A luta pelo futuro do handebol

2014. Quando você pensa nesse número, o que vem a sua cabeça? Isso mesmo, Copa do Mundo no Brasil. Futebol. Bola no pé. Gols, muitos gols. É normal que a palavra esporte seja sinônimo de futebol no nosso inconsciente. Porém, quando isso acontece, é como se colocássemos para escanteio todas as outras modalidades esportivas que nos cercam e lutam para ter esse mesmo reconhecimento. O handebol, que parece tão distante de nós, mas que está aqui na nossa cidade, é um deles.

Equipe não desanima, apesar das dificuldades estruturais. Fotos de Pedro Lenz – Laboratório de Fotografia e Memória

No handebol, também há gols, em números bem mais elevados do que no futebol. A diferença é que a bola – um pouco menor do que a de futsal – fica na mão de quem finta o adversário em busca do arremate certeiro. Além do arremesso, há uma busca por mais investimentos e divulgação do esporte, que tem sido uma luta diária e constante na vida de alunos e professores da Escola Estadual Professora Margarida Lopes, situada no bairro Camobi, em Santa Maria.

 Infraestrutura precária

 O aluno Gabriel Rossatto, 17 anos, diz que a escola Margarida Lopes não oferece estrutura satisfatória para a prática do handebol. “Nós treinamos em uma quadra aberta; quando chove não podemos treinar. Temos que aproveitar quando tem sol”, observa. Para Rossatto, é necessário que se façam mais investimentos na parte estrutural do espaço destinado aos treinos da modalidade. “Falta estrutura mesmo, uma quadra coberta. Isso seria o mínimo”, assegura.

Já o atleta e aluno Cristefan dos Santos, 17 anos, considera que a escola é uma das melhores do Estado na modalidade de handebol e incentiva que alunos de fora também participem dos treinos e campeonatos representando o time, mas que há falta de investimentos provenientes do governo. “É pouco apoio por parte do governo. Falta ajuda com verbas, pois o governo é mais focado no futebol”, lamenta. Santos afirma que o handebol é um esporte em ascensão, e, por esta razão, a divulgação não é satisfatória. “Está sendo mais valorizado agora, antes ninguém via. Falta divulgação do nosso trabalho”, avalia.

O professor Tonetto acredita no potencial dos atletas.

O professor Leonardo Tonetto explica que os treinos são realizados em uma quadra de cimento, na praça em frente à escola. “A quadra é precária, treinamos no ginásio do Sest/Senat, mas as categorias de base treinam nessa quadra de cimento”, comenta. Tonetto conta que o trabalho é feito com bolas de segunda linha. “A escola viabiliza material para nós, mas é pouco, visto que trabalhamos com 20 a 25 alunos por treino e temos cerca de 15 bolas”, salienta. O professor esclarece que a quadra não possui as medidas oficiais, o que dificulta ainda mais o trabalho da equipe. “Esta é a grande precariedade do esporte em relação à escola”, avalia.

Passos futuros

 O handebol chegou ao Brasil durante a Primeira Guerra Mundial, por meio de imigrantes alemães, mas apenas em junho de 1979 é que foi fundada a Confederação Brasileira de Handebol. Por esse motivo, o esporte pode ser considerado recente e não possui tanta visibilidade na mídia como o futebol, por exemplo. Pensar em seguir na carreira de jogador profissional de handebol é complicado quando não há esta visibilidade, tão importante para a projeção da modalidade no meio esportivo. Por falta de investimentos, os sonhos de continuar e ter sucesso na carreira ficam mais distantes a cada dia.

Os alunos da escola lamentam que não haja projeção para a construção de uma carreira considerável no handebol, devido a fatores que não compete apenas a eles solucionar, mas demonstram grande interesse por seguir na área esportiva. “Eu quero seguir em frente por meio da Educação Física, pois dentro do esporte mesmo não há projeção alguma”, diz Rossato.

Santos conta que veio da cidade de Farroupilha e já passou por Caxias do Sul em busca de seu sonho de se tornar jogador profissional de handebol. “Eu vou tentando na medida do possível. Pretendo seguir na carreira, se der certo, talvez ir às Olimpíadas, Mundial… ou seguir na área da Educação Física também”, pondera.

 Pós-Jogos Olímpicos

 O professor Tonetto diz que a escola trabalha para incentivar os alunos a continuarem na carreira. “Temos feito muitos eventos para que os alunos possam ir para campeonatos e não precisem pagar alimentação, transporte e estadia no local”, comenta. A escola também conta com o apoio do Círculo de Pais e Mestres (CPM). “Conseguimos aprovar no Proesp uma verba que vai ser disponibilizada para que os alunos possam jogar o campeonato estadual da Federação Gaúcha de Handebol”, salienta.

Entretanto, Tonetto reconhece que a principal causa da cidade não ter equipes representativas no cenário nacional e estadual é a falta de apoio financeiro. “Hoje, no Brasil, a política é toda voltada ao futebol. Temos vários atletas de handebol, natação e basquete despontando, mas os governantes dão ênfase a esses esportes somente devido às Olimpíadas que ocorrerão no país. Passado isso, não teremos mais nenhum aporte financeiro e isso é muito triste para nós que trabalhamos na área”, finaliza.

 

Por Eveline Grunspan, Luisa Neves, Michelli Taborda, Naion Curcino, Rodrigo Lorenzi,  acadêmicos do curso de Jornalismo.

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Uma resposta

  1. Tenho grande admiração pelo trabalho feito na E.E. Margarida Lopes e do prof. Tonetto e em especial ao trabalho de Jorge Fernandes. o “Capi”, como todos o conhecem. Fui técnico de handebol no passado. Cansei de lutar e não ter resultados na forma de investimento. Isto me levou a treinar futsal um esporte mais considerado no estado. Fui testemunho das dificuldades que o amigo Capi passou em Natal nos Jogos escolares da juventude. A competição terminou no sábado pela manhã e sua equipe teve que permanecer até a madrugada de segunda feira. As diárias do hotel eram até sábado ao meio dia. Se não fosse por interferência da FUNDERGS eles estariam na rua. Quer dizer a equipe se deslocou até Natal por conta da SEDUC. Quando começou a aparecer os problemas a coordenadora do esporte da SEDUC se omitio. É o fim da picada o desinteresse pelo esporte amador no Brasil. Se orgulham em sediar as Olimpíadas, Mas a base tem que vir das escolas.

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2014. Quando você pensa nesse número, o que vem a sua cabeça? Isso mesmo, Copa do Mundo no Brasil. Futebol. Bola no pé. Gols, muitos gols. É normal que a palavra esporte seja sinônimo de futebol no nosso inconsciente. Porém, quando isso acontece, é como se colocássemos para escanteio todas as outras modalidades esportivas que nos cercam e lutam para ter esse mesmo reconhecimento. O handebol, que parece tão distante de nós, mas que está aqui na nossa cidade, é um deles.

Equipe não desanima, apesar das dificuldades estruturais. Fotos de Pedro Lenz – Laboratório de Fotografia e Memória

No handebol, também há gols, em números bem mais elevados do que no futebol. A diferença é que a bola – um pouco menor do que a de futsal – fica na mão de quem finta o adversário em busca do arremate certeiro. Além do arremesso, há uma busca por mais investimentos e divulgação do esporte, que tem sido uma luta diária e constante na vida de alunos e professores da Escola Estadual Professora Margarida Lopes, situada no bairro Camobi, em Santa Maria.

 Infraestrutura precária

 O aluno Gabriel Rossatto, 17 anos, diz que a escola Margarida Lopes não oferece estrutura satisfatória para a prática do handebol. “Nós treinamos em uma quadra aberta; quando chove não podemos treinar. Temos que aproveitar quando tem sol”, observa. Para Rossatto, é necessário que se façam mais investimentos na parte estrutural do espaço destinado aos treinos da modalidade. “Falta estrutura mesmo, uma quadra coberta. Isso seria o mínimo”, assegura.

Já o atleta e aluno Cristefan dos Santos, 17 anos, considera que a escola é uma das melhores do Estado na modalidade de handebol e incentiva que alunos de fora também participem dos treinos e campeonatos representando o time, mas que há falta de investimentos provenientes do governo. “É pouco apoio por parte do governo. Falta ajuda com verbas, pois o governo é mais focado no futebol”, lamenta. Santos afirma que o handebol é um esporte em ascensão, e, por esta razão, a divulgação não é satisfatória. “Está sendo mais valorizado agora, antes ninguém via. Falta divulgação do nosso trabalho”, avalia.

O professor Tonetto acredita no potencial dos atletas.

O professor Leonardo Tonetto explica que os treinos são realizados em uma quadra de cimento, na praça em frente à escola. “A quadra é precária, treinamos no ginásio do Sest/Senat, mas as categorias de base treinam nessa quadra de cimento”, comenta. Tonetto conta que o trabalho é feito com bolas de segunda linha. “A escola viabiliza material para nós, mas é pouco, visto que trabalhamos com 20 a 25 alunos por treino e temos cerca de 15 bolas”, salienta. O professor esclarece que a quadra não possui as medidas oficiais, o que dificulta ainda mais o trabalho da equipe. “Esta é a grande precariedade do esporte em relação à escola”, avalia.

Passos futuros

 O handebol chegou ao Brasil durante a Primeira Guerra Mundial, por meio de imigrantes alemães, mas apenas em junho de 1979 é que foi fundada a Confederação Brasileira de Handebol. Por esse motivo, o esporte pode ser considerado recente e não possui tanta visibilidade na mídia como o futebol, por exemplo. Pensar em seguir na carreira de jogador profissional de handebol é complicado quando não há esta visibilidade, tão importante para a projeção da modalidade no meio esportivo. Por falta de investimentos, os sonhos de continuar e ter sucesso na carreira ficam mais distantes a cada dia.

Os alunos da escola lamentam que não haja projeção para a construção de uma carreira considerável no handebol, devido a fatores que não compete apenas a eles solucionar, mas demonstram grande interesse por seguir na área esportiva. “Eu quero seguir em frente por meio da Educação Física, pois dentro do esporte mesmo não há projeção alguma”, diz Rossato.

Santos conta que veio da cidade de Farroupilha e já passou por Caxias do Sul em busca de seu sonho de se tornar jogador profissional de handebol. “Eu vou tentando na medida do possível. Pretendo seguir na carreira, se der certo, talvez ir às Olimpíadas, Mundial… ou seguir na área da Educação Física também”, pondera.

 Pós-Jogos Olímpicos

 O professor Tonetto diz que a escola trabalha para incentivar os alunos a continuarem na carreira. “Temos feito muitos eventos para que os alunos possam ir para campeonatos e não precisem pagar alimentação, transporte e estadia no local”, comenta. A escola também conta com o apoio do Círculo de Pais e Mestres (CPM). “Conseguimos aprovar no Proesp uma verba que vai ser disponibilizada para que os alunos possam jogar o campeonato estadual da Federação Gaúcha de Handebol”, salienta.

Entretanto, Tonetto reconhece que a principal causa da cidade não ter equipes representativas no cenário nacional e estadual é a falta de apoio financeiro. “Hoje, no Brasil, a política é toda voltada ao futebol. Temos vários atletas de handebol, natação e basquete despontando, mas os governantes dão ênfase a esses esportes somente devido às Olimpíadas que ocorrerão no país. Passado isso, não teremos mais nenhum aporte financeiro e isso é muito triste para nós que trabalhamos na área”, finaliza.

 

Por Eveline Grunspan, Luisa Neves, Michelli Taborda, Naion Curcino, Rodrigo Lorenzi,  acadêmicos do curso de Jornalismo.