Santa Maria, RS (ver mais >>)

Santa Maria, RS, Brazil

As diferentes formas de nascer

Por: Aline Mendonça, Camille Wegner, Ingrid Bravo, Mauren Freitas e Tais Lima

Saiba um pouco mais sobre os dois tipos existentes de parto. Médicos, gestantes e mães falam sobre as vantagens e desvantagens do parto normal e da cesárea. Nesta reportagem, você vai acompanhar experiências vividas e curiosidades sobre os métodos que trazem os bebês ao mundo.

 

O nascimento de uma criança significa a renovação da vida. Um momento tão especial na vida de uma mulher, de um homem, do casal e de uma família. Especialmente da mulher, afinal é ela que gera e carrega o bebê durante nove meses na barriga. A mulher passa a ter dois corações batendo em um só corpo. Tem junto de si mais uma pessoa que depende, única e exclusivamente dela e que exige um cuidado diferenciado, desde a forma como ela se alimenta, como dorme, como age no trabalho e com a família. Enfim, os hábitos da gestante mudam de uma forma muito intensa, tendo em vista à existência e dependência de um outro ser, que agora passa a ser parte dela.

Ser mãe é o maior dos sentimentos. Um amor incondicional capaz de ultrapassar todas as barreiras impostas pela vida. Um momento único. Um momento peculiar. E, é justamente sobre a experiência de dar à luz a um bebê que vamos abordar nesta reportagem, caro leitor. De forma mais específica, a dúvida cruel e o principal dilema enfrentado, em especial, pelas mães de primeira viagem: a escolha do tipo de parto a fazer, normal ou cesárea?

 

O parto normal

Deixar o bebê nascer naturalmente. Esta é uma das principais causas defendidas pelas grávidas que optam pelo parto normal. Hoje em dia, o parto normal quase não é utilizado e isso acontece porque muitas mulheres têm medo dos imprevistos que podem acontecer durante o nascimento do bebê.

Lidiane Soldatti tem 28 anos e escolheu o parto normal. Para ela foi uma sensação única em que o bebê teve a liberdade de nascer na sua hora, proporcionando o carinho imediato, ao sair de seu ventre.

Além de dar melhores condições para o bebê, o parto normal proporciona também uma rápida recuperação para a mãe. Mas, mesmo com essas características positivas, a maioria das mulheres opta pela cesárea. Segundo o ginecologista Vitoredes Perin o número de mulheres que quer realizar parto normal é pequeno, chega só a 5%: “Hoje dificilmente as mulheres querem ou optam por parto normal. Falando na nossa cidade, a nossa cidade evoluiu muito no atendimento obstétrico de cesárea do que em relação ao parto normal”, declarou.

Um dos motivos que faz com que as mulheres temam o parto normal é a dor, mas hoje há técnicas que ajudam a aliviar esta sensação. O parto normal é realizado em etapas: quando a mãe chega ao hospital, vários procedimentos de rotina são realizados, como aferição de temperatura, pressão arterial e frequência cardíaca. Medidas como o enema (lavagem intestinal) e a tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) não são mais procedimentos de rotina.

Procedimento

Durante as contrações, o médico avalia a dilatação do colo do útero. Quando o espaço para o bebê passar for insuficiente, é realizada uma episiotomia, que consiste em um corte cirúrgico feito na região perineal para auxiliar a saída do bebê e evitar ruptura dos tecidos.

Quando o colo do útero está dilatado por completo e as contrações tornam-se muito fortes, as paredes do útero fazem pressão sobre o bebê e, em conjunto com o esforço da mãe, impulsionam  a criança para fora. Após o alívio da expulsão do bebê, há a saída da placenta quando o útero se contrai mais uma vez para expulsá-la.

Outro ponto importante a se destacar com relação ao parto normal é a preparação psicológica. A mulher tem que estar ciente e segura da opção que fez, para que no momento do parto possa estar tranquila e pronta para receber o bebê da melhor maneira possível. Estudar e buscar a ajuda de profissionais competentes é uma opção para quem quer realizar o parto natural.

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Nossa equipe não pode participar da realização de nenhum parto. Umas das nossas entrevistadas cedeu imagens feitas pelo pai do bebê. Confira:

 

 

A cesárea

O parto cesárea é uma intervenção cirúrgica pela qual a mãe passa para a retirada do bebê. A cesárea é feita na maternidade, com anestesia peridural ou ráqui. Cuidado! A anestesia geral é dada somente em casos excepcionais.

Não é mais novidade que as cesarianas já superaram as ocorrências de parto normal no Brasil. Em 2010, segundo dados do Ministério da Saúde, 52% dos partos no Brasil foram cirúrgicos, sendo que na rede privada o índice chegou a 82%. Por que realizar este procedimento? Muitas vezes a cesárea é necessária para o sucesso de nove meses de espera e a única solução para salvar a vida da mãe e do bebê.

A vantagem da cesárea é a possibilidade de retirar o feto no momento certo, com rapidez, quando ocorrem dificuldades para o nascimento pelas vias normais, em casos de hipertensão da mãe, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, insuficiência placentária, problemas de coração ou nos rins.

Procedimento

No momento do parto, o médico realiza um corte logo acima dos pelos pubianos e corta a pele e todas as suas membranas até chegar ao útero. No útero, o médico corta a placenta e suga todo o líquido de seu interior e, posteriormente, insere a mão para pegar o bebê. Após a retirada, as enfermeiras sugam a boca e o nariz do bebê, e o médico corta o cordão umbilical.

O bebê é encaminhado para limpeza e enquanto a mãe ainda está na sala de cirurgia, a placenta é removida e o útero limpo. O médico verifica se não houve lacerações no útero, trompas ou ovários, verifica a posição dos órgãos e começa a costurar cada camada de pele que foi cortada. A mãe poderá sentir dores ao rir, tossir, espirrar ou ficar em pé devido aos cortes. A alta hospitalar pode ocorrer em até 72 horas.

Com o passar dos dias, o corte da cesariana vai cicatrizando e a retirada dos pontos pode ocorrer em dez dias após o parto. Qualquer alteração, a mãe deve procurar o médico.

O importante, acima de tudo, é o cuidado com o bebê. Seja qual o procedimento escolhido em decisão com o médico, é essencial cuidar da saúde do bebê e da mãe.

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Percentual de partos normais e partos cesáreas em Santa Maria

//

O município de Santa Maria não foge à regra do cenário brasileiro quanto à “epidemia de cesáreas”. Segundo o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC), mais da metade dos partos realizados na cidade são cesarianas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que o percentual aconselhado de partos cesáreos é de 15%, entretanto, os limites desses partos estabelecidos pelo Ministério da Saúde são de 40% para unidades hospitalares de alto risco e de 25% para unidades de risco habitual.

No gráfico ao lado, os dados percentuais são dos partos realizados tanto no Sistema Público de Saúde quanto na rede hospitalar privada no período de 2012.

 

 

Serviços que ajudam as mães:

 

O pré-natal

O pré-natal consiste no acompanhamento médico que toda gestante deve ter até o final da gravidez. Nele são realizados diversos exames. É muito importante que as mamães comecem a fazer esses exames logo que tiverem sua gravidez confirmada ou antes de completarem os primeiros três meses. Esse procedimento garante a saúde da grávida e do bebê durante toda a gestação, pois são realizados exames laboratoriais que visam identificar e tratar doenças que possam trazer prejuízos à saúde de ambos.

Conheça alguns exames realizados durante o pré-natal:

  • Grupo sanguíneo e fator Rh: esse exame é muito importante, pois detecta a incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê, que pode levar à morte do feto.
  • Anti-HIV: para identificar se há a presença do vírus da AIDS no sangue da mãe. Se a mãe for soropositiva, o médico prescreve alguns medicamentos que reduzem as chances da doença ser transmitida para o bebê.
  • Glicemia: para avaliar se há presença de diabetes.
  • Exame para detectar a sífilis: doença que pode causar malformações no bebê.
  • Exame para detectar a toxoplasmose: essa doença pode ser transmitida ao feto, causando malformações.
  • Exame para detectar a rubéola: doença que pode levar ao aborto, além de causar malformações no feto.
  • Exame para detectar a presença do vírus da hepatite B: caso a mãe tenha o vírus da doença, algumas medidas podem reduzir as chances de transmissão do vírus para a criança.
  • Exame de urina e urocultura: para identificar se a mãe possui infecção urinária, que pode levar a um parto prematuro ou a uma infecção mais grave.
  • Ultrassonografias: As ultrassonografias são utilizadas para a identificação da idade gestacional e malformações no bebê.

Segundo dados do IBGE, a proporção de mães que realizaram o pré-natal aumentou. No período de 2000 a 2006, houve um aumento da proporção de nascidos vivos cujas mães realizaram sete ou mais consultas, passando de 43,7% para 54,5%, enquanto a proporção de mães que não realizaram nenhuma consulta caiu de 4,7% para 2,1%.

Os estados com o maior índice de mães que realizam exames de pré-natal foram Paraná e São Paulo, pois o percentual de nascidos vivos cujas mães realizaram sete ou mais consultas foi superior a 70%. Os estados que menos realizam esses exames são: o Acre, com 11,1% e o Amapá, com 9,6% de consultas pré-natal realizadas.

Doulas

Para auxiliar nos processos de partos normais e cesáreas, vários profissionais trabalham juntos tendo em vista a qualidade de vida das pacientes. A doula é um exemplo de profissional que atua principalmente como “acompanhante de parto”. A profissão ainda não é regulamentada, mas é bastante procurada por mães que querem se sentir seguras. Janaína da Rosa é fisioterapeuta e doula e salienta a importância de sua função: “A função da doula é estabelecer um vínculo entre a mãe, a família e principalmente um suporte emocional”, enfatiza.

A mulher tem suas inquietações a respeito do nascimento, de como funciona a realização do parto ou da cesárea, se será dolorido ou não. A doula trabalha neste sentido: dar conforto e explicações para a mãe. Além do suporte emocional, a doula também trabalha o físico, realizando exercícios e atividades que proporcionem o conforto da mãe e do bebê.

Por não ser uma profissão regulamentada, a doula enfrenta alguns impasses para poder acompanhar a mãe na hora do nascimento do bebê. Quando consegue participar do ato ela se torna uma das responsáveis por acalmar e dar atenção à mãe. Janaína destaca a importância desta relação de confiança: “Uma gestante devidamente informada, seja pela doula ou pelo médico responsável, é uma gestante muito mais emocionalmente estabilizada”.

Saiba como funciona o trabalho da doula no áudio abaixo:

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Grupo Nascer Sorrindo

O Grupo Nascer Sorrindo iniciou a partir de inquietações de várias profissionais que tinham o interesse de explorar e incentivar o parto normal. Trata-se de um grupo de profissionais e gestantes que trocam informações e dúvidas a respeito do nascimento. O espaço é uma roda de conversa para proporcionar um melhor entendimento sobre o momento do parto.

Estruturado em módulos de acordo com assuntos específicos relacionados aos partos, desde seu surgimento o Nascer Sorrindo preserva a escolha da mãe, proporcionando que gestantes adeptas da cesárea também possam participar. As mães procuram o grupo para se informarem e também trocarem conhecimento, seja qual for sua escolha.

Conheça as atividades propostas pelo grupo no áudio abaixo:

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A escolha é sua

Normal ou cesárea, ambos apresentam seus fatores prós e contras. O fato é que, uma vez, confiante e orientada pelo médico, a mãe se sente segura, independente do procedimento que faça. Tudo transcorre de forma tranquila, calma e sem complicações. O parto normal, como o próprio nome já diz, ocorre sem intervenções cirúrgicas e da forma mais natural possível. Já a cesárea é um procedimento, que requer anestesia, cortes e aumenta, de forma significativa, o período de recuperação da mãe. Certo ou errado? Não existe. Quem deve ter discernimento e autonomia para decidir sobre isso é a gestante. De uma maneira geral, indica-se o parto normal como o mais seguro, eficiente e de rápida recuperação. No entanto, por vezes, se faz necessária a intervenção cirúrgica, o parto cesárea. Isso ocorre devido a alguma complicação na hora do parto, à posição do bebê na barriga da mãe ou até mesmo devido a alguma doença genética ou adquirida que a gestante tenha. Outras vezes é a opção escolhida por ela e deve ser respeitada.

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Por: Aline Mendonça, Camille Wegner, Ingrid Bravo, Mauren Freitas e Tais Lima

Saiba um pouco mais sobre os dois tipos existentes de parto. Médicos, gestantes e mães falam sobre as vantagens e desvantagens do parto normal e da cesárea. Nesta reportagem, você vai acompanhar experiências vividas e curiosidades sobre os métodos que trazem os bebês ao mundo.

 

O nascimento de uma criança significa a renovação da vida. Um momento tão especial na vida de uma mulher, de um homem, do casal e de uma família. Especialmente da mulher, afinal é ela que gera e carrega o bebê durante nove meses na barriga. A mulher passa a ter dois corações batendo em um só corpo. Tem junto de si mais uma pessoa que depende, única e exclusivamente dela e que exige um cuidado diferenciado, desde a forma como ela se alimenta, como dorme, como age no trabalho e com a família. Enfim, os hábitos da gestante mudam de uma forma muito intensa, tendo em vista à existência e dependência de um outro ser, que agora passa a ser parte dela.

Ser mãe é o maior dos sentimentos. Um amor incondicional capaz de ultrapassar todas as barreiras impostas pela vida. Um momento único. Um momento peculiar. E, é justamente sobre a experiência de dar à luz a um bebê que vamos abordar nesta reportagem, caro leitor. De forma mais específica, a dúvida cruel e o principal dilema enfrentado, em especial, pelas mães de primeira viagem: a escolha do tipo de parto a fazer, normal ou cesárea?

 

O parto normal

Deixar o bebê nascer naturalmente. Esta é uma das principais causas defendidas pelas grávidas que optam pelo parto normal. Hoje em dia, o parto normal quase não é utilizado e isso acontece porque muitas mulheres têm medo dos imprevistos que podem acontecer durante o nascimento do bebê.

Lidiane Soldatti tem 28 anos e escolheu o parto normal. Para ela foi uma sensação única em que o bebê teve a liberdade de nascer na sua hora, proporcionando o carinho imediato, ao sair de seu ventre.

Além de dar melhores condições para o bebê, o parto normal proporciona também uma rápida recuperação para a mãe. Mas, mesmo com essas características positivas, a maioria das mulheres opta pela cesárea. Segundo o ginecologista Vitoredes Perin o número de mulheres que quer realizar parto normal é pequeno, chega só a 5%: “Hoje dificilmente as mulheres querem ou optam por parto normal. Falando na nossa cidade, a nossa cidade evoluiu muito no atendimento obstétrico de cesárea do que em relação ao parto normal”, declarou.

Um dos motivos que faz com que as mulheres temam o parto normal é a dor, mas hoje há técnicas que ajudam a aliviar esta sensação. O parto normal é realizado em etapas: quando a mãe chega ao hospital, vários procedimentos de rotina são realizados, como aferição de temperatura, pressão arterial e frequência cardíaca. Medidas como o enema (lavagem intestinal) e a tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) não são mais procedimentos de rotina.

Procedimento

Durante as contrações, o médico avalia a dilatação do colo do útero. Quando o espaço para o bebê passar for insuficiente, é realizada uma episiotomia, que consiste em um corte cirúrgico feito na região perineal para auxiliar a saída do bebê e evitar ruptura dos tecidos.

Quando o colo do útero está dilatado por completo e as contrações tornam-se muito fortes, as paredes do útero fazem pressão sobre o bebê e, em conjunto com o esforço da mãe, impulsionam  a criança para fora. Após o alívio da expulsão do bebê, há a saída da placenta quando o útero se contrai mais uma vez para expulsá-la.

Outro ponto importante a se destacar com relação ao parto normal é a preparação psicológica. A mulher tem que estar ciente e segura da opção que fez, para que no momento do parto possa estar tranquila e pronta para receber o bebê da melhor maneira possível. Estudar e buscar a ajuda de profissionais competentes é uma opção para quem quer realizar o parto natural.

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Nossa equipe não pode participar da realização de nenhum parto. Umas das nossas entrevistadas cedeu imagens feitas pelo pai do bebê. Confira:

 

 

A cesárea

O parto cesárea é uma intervenção cirúrgica pela qual a mãe passa para a retirada do bebê. A cesárea é feita na maternidade, com anestesia peridural ou ráqui. Cuidado! A anestesia geral é dada somente em casos excepcionais.

Não é mais novidade que as cesarianas já superaram as ocorrências de parto normal no Brasil. Em 2010, segundo dados do Ministério da Saúde, 52% dos partos no Brasil foram cirúrgicos, sendo que na rede privada o índice chegou a 82%. Por que realizar este procedimento? Muitas vezes a cesárea é necessária para o sucesso de nove meses de espera e a única solução para salvar a vida da mãe e do bebê.

A vantagem da cesárea é a possibilidade de retirar o feto no momento certo, com rapidez, quando ocorrem dificuldades para o nascimento pelas vias normais, em casos de hipertensão da mãe, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, insuficiência placentária, problemas de coração ou nos rins.

Procedimento

No momento do parto, o médico realiza um corte logo acima dos pelos pubianos e corta a pele e todas as suas membranas até chegar ao útero. No útero, o médico corta a placenta e suga todo o líquido de seu interior e, posteriormente, insere a mão para pegar o bebê. Após a retirada, as enfermeiras sugam a boca e o nariz do bebê, e o médico corta o cordão umbilical.

O bebê é encaminhado para limpeza e enquanto a mãe ainda está na sala de cirurgia, a placenta é removida e o útero limpo. O médico verifica se não houve lacerações no útero, trompas ou ovários, verifica a posição dos órgãos e começa a costurar cada camada de pele que foi cortada. A mãe poderá sentir dores ao rir, tossir, espirrar ou ficar em pé devido aos cortes. A alta hospitalar pode ocorrer em até 72 horas.

Com o passar dos dias, o corte da cesariana vai cicatrizando e a retirada dos pontos pode ocorrer em dez dias após o parto. Qualquer alteração, a mãe deve procurar o médico.

O importante, acima de tudo, é o cuidado com o bebê. Seja qual o procedimento escolhido em decisão com o médico, é essencial cuidar da saúde do bebê e da mãe.

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Percentual de partos normais e partos cesáreas em Santa Maria

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O município de Santa Maria não foge à regra do cenário brasileiro quanto à “epidemia de cesáreas”. Segundo o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC), mais da metade dos partos realizados na cidade são cesarianas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que o percentual aconselhado de partos cesáreos é de 15%, entretanto, os limites desses partos estabelecidos pelo Ministério da Saúde são de 40% para unidades hospitalares de alto risco e de 25% para unidades de risco habitual.

No gráfico ao lado, os dados percentuais são dos partos realizados tanto no Sistema Público de Saúde quanto na rede hospitalar privada no período de 2012.

 

 

Serviços que ajudam as mães:

 

O pré-natal

O pré-natal consiste no acompanhamento médico que toda gestante deve ter até o final da gravidez. Nele são realizados diversos exames. É muito importante que as mamães comecem a fazer esses exames logo que tiverem sua gravidez confirmada ou antes de completarem os primeiros três meses. Esse procedimento garante a saúde da grávida e do bebê durante toda a gestação, pois são realizados exames laboratoriais que visam identificar e tratar doenças que possam trazer prejuízos à saúde de ambos.

Conheça alguns exames realizados durante o pré-natal:

  • Grupo sanguíneo e fator Rh: esse exame é muito importante, pois detecta a incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê, que pode levar à morte do feto.
  • Anti-HIV: para identificar se há a presença do vírus da AIDS no sangue da mãe. Se a mãe for soropositiva, o médico prescreve alguns medicamentos que reduzem as chances da doença ser transmitida para o bebê.
  • Glicemia: para avaliar se há presença de diabetes.
  • Exame para detectar a sífilis: doença que pode causar malformações no bebê.
  • Exame para detectar a toxoplasmose: essa doença pode ser transmitida ao feto, causando malformações.
  • Exame para detectar a rubéola: doença que pode levar ao aborto, além de causar malformações no feto.
  • Exame para detectar a presença do vírus da hepatite B: caso a mãe tenha o vírus da doença, algumas medidas podem reduzir as chances de transmissão do vírus para a criança.
  • Exame de urina e urocultura: para identificar se a mãe possui infecção urinária, que pode levar a um parto prematuro ou a uma infecção mais grave.
  • Ultrassonografias: As ultrassonografias são utilizadas para a identificação da idade gestacional e malformações no bebê.

Segundo dados do IBGE, a proporção de mães que realizaram o pré-natal aumentou. No período de 2000 a 2006, houve um aumento da proporção de nascidos vivos cujas mães realizaram sete ou mais consultas, passando de 43,7% para 54,5%, enquanto a proporção de mães que não realizaram nenhuma consulta caiu de 4,7% para 2,1%.

Os estados com o maior índice de mães que realizam exames de pré-natal foram Paraná e São Paulo, pois o percentual de nascidos vivos cujas mães realizaram sete ou mais consultas foi superior a 70%. Os estados que menos realizam esses exames são: o Acre, com 11,1% e o Amapá, com 9,6% de consultas pré-natal realizadas.

Doulas

Para auxiliar nos processos de partos normais e cesáreas, vários profissionais trabalham juntos tendo em vista a qualidade de vida das pacientes. A doula é um exemplo de profissional que atua principalmente como “acompanhante de parto”. A profissão ainda não é regulamentada, mas é bastante procurada por mães que querem se sentir seguras. Janaína da Rosa é fisioterapeuta e doula e salienta a importância de sua função: “A função da doula é estabelecer um vínculo entre a mãe, a família e principalmente um suporte emocional”, enfatiza.

A mulher tem suas inquietações a respeito do nascimento, de como funciona a realização do parto ou da cesárea, se será dolorido ou não. A doula trabalha neste sentido: dar conforto e explicações para a mãe. Além do suporte emocional, a doula também trabalha o físico, realizando exercícios e atividades que proporcionem o conforto da mãe e do bebê.

Por não ser uma profissão regulamentada, a doula enfrenta alguns impasses para poder acompanhar a mãe na hora do nascimento do bebê. Quando consegue participar do ato ela se torna uma das responsáveis por acalmar e dar atenção à mãe. Janaína destaca a importância desta relação de confiança: “Uma gestante devidamente informada, seja pela doula ou pelo médico responsável, é uma gestante muito mais emocionalmente estabilizada”.

Saiba como funciona o trabalho da doula no áudio abaixo:

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Grupo Nascer Sorrindo

O Grupo Nascer Sorrindo iniciou a partir de inquietações de várias profissionais que tinham o interesse de explorar e incentivar o parto normal. Trata-se de um grupo de profissionais e gestantes que trocam informações e dúvidas a respeito do nascimento. O espaço é uma roda de conversa para proporcionar um melhor entendimento sobre o momento do parto.

Estruturado em módulos de acordo com assuntos específicos relacionados aos partos, desde seu surgimento o Nascer Sorrindo preserva a escolha da mãe, proporcionando que gestantes adeptas da cesárea também possam participar. As mães procuram o grupo para se informarem e também trocarem conhecimento, seja qual for sua escolha.

Conheça as atividades propostas pelo grupo no áudio abaixo:

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A escolha é sua

Normal ou cesárea, ambos apresentam seus fatores prós e contras. O fato é que, uma vez, confiante e orientada pelo médico, a mãe se sente segura, independente do procedimento que faça. Tudo transcorre de forma tranquila, calma e sem complicações. O parto normal, como o próprio nome já diz, ocorre sem intervenções cirúrgicas e da forma mais natural possível. Já a cesárea é um procedimento, que requer anestesia, cortes e aumenta, de forma significativa, o período de recuperação da mãe. Certo ou errado? Não existe. Quem deve ter discernimento e autonomia para decidir sobre isso é a gestante. De uma maneira geral, indica-se o parto normal como o mais seguro, eficiente e de rápida recuperação. No entanto, por vezes, se faz necessária a intervenção cirúrgica, o parto cesárea. Isso ocorre devido a alguma complicação na hora do parto, à posição do bebê na barriga da mãe ou até mesmo devido a alguma doença genética ou adquirida que a gestante tenha. Outras vezes é a opção escolhida por ela e deve ser respeitada.