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BR 392 – Trânsito caótico na chegada a Santa Maria

Por Adriély Escouto, Anderson Vargas, Augusto Guterres, Bruno Garcia e Natália Apoitia

 

 Buzinas. Estresse. Congestionamento. Filas quilométricas. Falta de paciência e, para muitos, falta de planejamento. É nesse caos que o trânsito no trecho da BR 392, que liga Santa Maria e São Sepé, se encontra ultimamente.

A BR 392 é uma rodovia que atravessa o centro do estado do Rio Grande do Sul. Inicia na cidade de Rio Grande e termina em Porto Xavier. Todos os dias, milhares de carros, motos, ônibus e outros meios de transporte passam por este trajeto. A nossa equipe preparou essa reportagem para mostrar as dificuldades enfrentadas diariamente, principalmente nos horários de pico, por quem trafega ali, na chegada de Santa Maria.

392 e sua relação com congestionamentos de Santa Maria

Rodovias são vias asfaltadas de grande abrangência. Desenvolvidas, mantidas e modificadas pelos governos federal ou estadual, servem para o deslocamento de passageiros e têm função significativa para a economia. Seu tráfego contempla também caminhões com grandes quantidades de alimentos, produtos e matérias-primas.

De grande importância para o país, a BR-392 atravessa o centro do Estado do Rio Grande do Sul. A construção do trecho que liga Santa Maria a Santo Ângelo tem a finalidade de escoar a safra da região das missões, bem como diminuir o tráfego pesado nos perímetros urbanos.

Para a inspetora chefe da 9ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal de Santa Maria, Liana Comassetto, as principais causas do congestionamento são: o aumento da frota de veículos da cidade, o horário, o fato da BR 392 ser o escoamento do trânsito de outras regiões para o porto de Rio Grande e também a grande quantidade de caminhões. Ela fala das medidas para extinguir essas dificuldades:

O deslocamento entre São Sepé e Santa Maria compreende cerca de 60 quilômetros. Nos horários de pico, o tráfego nos 2,5 quilômetros finais torna a via de acesso à cidade uma da mais congestionadas. De acordo com o deputado Paulo Pimenta, o governo federal tem um projeto que visa diminuir este problema:

Tráfego excessivo – afinal a culpa é de quem?

É importante salientar que os problemas que estouram nos grandes centros urbanos, ou em qualquer cidade em crescimento, não são de hoje. O princípio está no momento em que o homem deixa o campo (êxodo rural) e migra para os grandes centros em busca de melhores oportunidades de emprego e qualidade de vida.

As cidades, até então sem estrutura, passam pelo processo de urbanização acelerado, que é consequência direta da industrialização – a mesma culpada pela produção de veículos em série. Essa sequência de ações tornou a demanda superior ao tempo para pensar e projetar o modelo ideal de planejamento das cidades, pois a urbanização aconteceu sem aviso prévio. Tais ações do passado repercutem agora, no presente.

Com o crescimento desordenado de Santa Maria, certas regiões do município não oferecem estrutura adequada para seus moradores, que precisam se deslocar até o centro da cidade, explica o presidente do Conselho Municipal de Transportes, Rodrigo Santos:

Outro ponto a ser lembrado é que depois de alguns anos o poder aquisitivo e as facilidades de financiamento proporcionaram à população a aquisição de automóveis e motocicletas como nunca antes. Esse, entre outros fatores, contribui para a extensa fila de veículos que aguardam vários minutos para poder andar poucos metros na BR 392 todo dia.

Fluxo em Santa Maria

Os horários de pico ou hora do rush – como são conhecidos os momentos em que o número de veículos excede a capacidade da via -, agregam cerca de 20 a 60 minutos a mais no trajeto diário feito pelos motoristas em Santa Maria. A informação é divulgada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT). Fatores como este dificultam, a cada dia, a passagem nas principais rotas de acesso. Na opinião do supervisor do DNIT, Olivar Azevedo, a atual composição do trânsito se dá através de uma série de acontecimentos:

Não é necessário buscar dados para perceber que o tráfego na cidade aumentou, significativamente, nos últimos anos. Basta sair às ruas nos horários de pico para visualizar o aumento na frota de carros. Ainda assim, confira alguns dados:

Números do trânsito de Santa Maria

  • O número de pessoas que passaram a utilizar veículos automotores para se deslocar na cidade cresceu 69% nos últimos 10 anos, enquanto a população só cresceu 6% no mesmo período.
  • Cinco mil é o número de pedestres que trafegam pelo centro da cidade em horário de pico, ao meio-dia. Os pontos mais movimentados ficam na esquina da rua Dr. Bozzano com Floriano Peixoto e também na intersecção da Avenida Rio Branco com Rua Venâncio Aires.
  • Três mil é a média de pedestres que passam na esquina da Avenida Rio Branco com Rua Venâncio Aires no horário de pico da tarde (18h).
  • 50 mil é a média de veículos que circulam diariamente pelo centro da cidade em horário de pico, ao meio-dia.
  • 65% é o número de ônibus que carregam menos de 10 passageiros por dia em Santa Maria.
  • Os bairros onde os moradores mais utilizam veículos privados para deslocamento até o centro da cidade são os de Camobi e Parque Pinheiro Machado.
  • A média de emplacamentos mensais na cidade é de 500 novos veículos.
Dados cedidos pelo Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (DENATRAN/RS)

A Secretaria de Mobilidade Urbana de um município tem como finalidade principal incentivar e implantar políticas que facilitem o deslocamento dos indivíduos pelos diferentes pontos da cidade. Em tempos de veículos em excesso nas vias, sinalizações escassas e um contingente crescente de cidadãos, planos de acesso facilitado são fundamentais.
Para o secretário de Mobilidade Urbana de Santa Maria, Miguel Passini, a atual gestão busca apontar soluções – tanto para o transporte público quanto privado. A retirada de estacionamentos e a retirada de vias de mão dupla fazem parte das políticas aplicadas. “O objetivo principal é auxiliar na locomoção das pessoas. Mas além das ações é preciso que a população tenha consciência da educação no trânsito”, afirma.

As demais opções se tornam secundárias

Ao falar sobre tráfego se fala em vias urbanas. Ao falar sobre vias urbanas se fala em planos diretores – projetos que norteiam os acessos utilizados pela comunidade para se locomover aos diferentes pontos da cidade.

O acesso da população aos distintos locais de um centro urbano são definidos através de um grau de prioridades. São projetadas em primeiro lugar as necessidades dos pedestres. Logo após são pensadas as demandas dos ciclistas. Na sequência são apresentadas soluções para o transporte coletivo e, por último, mas não menos importante, dos usuários do carro particular.

Calçadas em bom estado e em locais que não ofereçam risco aos transeuntes, ciclovias bem sinalizadas, transportes públicos integrados que prezem pela qualidade, saúde e segurança dos passageiros e menor número de veículos nas vias são as ações citadas pelas autoridades, pelos especialistas e pela comunidade para melhorar o atual contexto.

Para o engenheiro civil, professor da UFSM e ex-secretário de município Carlos Félix, a necessidade de novos planejamentos é imprescindível para o fluxo seguro e eficiente da comunidade. Saiba mais o que ele fala sobre o assunto:

Por que tantos carros?

A rotina da aquisição de veículos é simples e semelhante na maioria dos lares. Todavia, o custo benefício versus tempo na hora de utilizá-los não tem sido o esperado. Situação que fica comprovada com os crescentes congestionamentos nas vias municipais, estaduais e, até mesmo, federais.

As necessidades de locomoção e as facilidades oferecidas para a compra de um veículo se tornam cada vez mais acessíveis e atrativas. Ainda assim, como a compra do carro próprio se tornou tão enraizada no brasileiro?

O status de possuir veículo próprio surgiu no Brasil a partir da década de 1950, durante o governo de Juscelino Kubitschek. O incentivo baseou-se na cultura capitalista americana do fordismo, instituída pelo criador da Marca Ford – Henry Ford.

A iniciativa do governo federal colocou, desde então, o automóvel como necessidade de locomoção para os indivíduos. No intuito de tornar comum o consumo automobilístico, as medidas do governo transformaram a ideia de obter o carro próprio em um status social.
Entre 1945 e 1973 o consumismo com base no fordismo cresceu exponencialmente no país. A partir deste momento, outras marcas se estabeleceram no mercado brasileiro, fator que inflou ainda mais o consumo automobilístico.

Meios de transporte sustentáveis: alternativas ao congestionamento

Qualquer pessoa que necessita se locomover através de meios de transporte e se depara com congestionamentos sabe o quão preocupante pode ser esse problema. A sensação de tempo perdido num mundo onde tempo é dinheiro é estressante e são poucas pessoas que sabem lidar com isso. Mas não é só tempo perdido e custos financeiros que os problemas no trânsito podem causar.

O que poucos sabem é que todo dia passar pelo mesmo problema nas mesmas horas acaba afetando também a saúde dos indivíduos direta ou indiretamente.
Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo e publicada na Revista Veja, a qual avaliou 500 pessoas que trabalham nas ruas como motoristas, todas elas apresentaram substâncias tóxicas no organismo e chance dobrada de desenvolver câncer de pulmão. Além disso, elas podem desenvolver asma, bronquite e até infarto.

Quando as pessoas estão no trânsito, principalmente em engarrafamentos, acumulam horas ociosas em que poderiam realizar atividades físicas. A matéria da revista ainda traz alguns dados importantes:
• Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), decibéis muito acima do tolerável ocupam o terceiro lugar no ranking de problemas ambientais que mais afetam populações do mundo inteiro.
• Só por infarto, são 210.000 vítimas por ano.
• Qualquer som acima dos 55 decibéis (o equivalente à voz humana em conversa baixa) é interpretado pelo organismo como uma agressão.
• Além dos óbvios distúrbios auditivos, esse é o gatilho para uma série de reações que fazem mal à saúde.

Além de ser um problema de trânsito, o congestionamento também se torna problema de saúde. É nesse momento que entram em cena os meios de transporte alternativos, que não poluem o meio ambiente e podem ajudar a população a se deslocar mais rápido e colocar a saúde em dia.
A bicicleta aparece como a alternativa mais utilizada, porém, como em qualquer outra cidade, no trânsito a prioridade é sempre dos carros. Ela é mais acessível comparada ao preço de um carro, economiza tempo, não polui e faz bem à saúde e à mente. Tudo muito saudável até aí, não fosse o problema de não existirem ciclovias que percorram pelo menos as principais ruas da cidade. Por esse motivo sair de casa de bicicleta muitas vezes causa tanto incômodo e demora, quanto sair de carro, moto ou ônibus. Para o trabalhador Marcos Machado, 60 anos, sair de casa de bicicleta para ir trabalhar só quando ele perde o ônibus para chegar ao trabalho. Segundo Machado, devido à falta de ciclovias, a demora acaba sendo a mesma que a de um carro, pois na mesma pista tem que respeitar o andamento do trânsito. “É claro que eu posso ir bem mais rápido se me enfiar em todos os espaços que existem entre os carros, mas além de ter que esperar o semáforo abrir corro o risco de me acidentar”, conclui.

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Por Adriély Escouto, Anderson Vargas, Augusto Guterres, Bruno Garcia e Natália Apoitia

 

 Buzinas. Estresse. Congestionamento. Filas quilométricas. Falta de paciência e, para muitos, falta de planejamento. É nesse caos que o trânsito no trecho da BR 392, que liga Santa Maria e São Sepé, se encontra ultimamente.

A BR 392 é uma rodovia que atravessa o centro do estado do Rio Grande do Sul. Inicia na cidade de Rio Grande e termina em Porto Xavier. Todos os dias, milhares de carros, motos, ônibus e outros meios de transporte passam por este trajeto. A nossa equipe preparou essa reportagem para mostrar as dificuldades enfrentadas diariamente, principalmente nos horários de pico, por quem trafega ali, na chegada de Santa Maria.

392 e sua relação com congestionamentos de Santa Maria

Rodovias são vias asfaltadas de grande abrangência. Desenvolvidas, mantidas e modificadas pelos governos federal ou estadual, servem para o deslocamento de passageiros e têm função significativa para a economia. Seu tráfego contempla também caminhões com grandes quantidades de alimentos, produtos e matérias-primas.

De grande importância para o país, a BR-392 atravessa o centro do Estado do Rio Grande do Sul. A construção do trecho que liga Santa Maria a Santo Ângelo tem a finalidade de escoar a safra da região das missões, bem como diminuir o tráfego pesado nos perímetros urbanos.

Para a inspetora chefe da 9ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal de Santa Maria, Liana Comassetto, as principais causas do congestionamento são: o aumento da frota de veículos da cidade, o horário, o fato da BR 392 ser o escoamento do trânsito de outras regiões para o porto de Rio Grande e também a grande quantidade de caminhões. Ela fala das medidas para extinguir essas dificuldades:

O deslocamento entre São Sepé e Santa Maria compreende cerca de 60 quilômetros. Nos horários de pico, o tráfego nos 2,5 quilômetros finais torna a via de acesso à cidade uma da mais congestionadas. De acordo com o deputado Paulo Pimenta, o governo federal tem um projeto que visa diminuir este problema:

Tráfego excessivo – afinal a culpa é de quem?

É importante salientar que os problemas que estouram nos grandes centros urbanos, ou em qualquer cidade em crescimento, não são de hoje. O princípio está no momento em que o homem deixa o campo (êxodo rural) e migra para os grandes centros em busca de melhores oportunidades de emprego e qualidade de vida.

As cidades, até então sem estrutura, passam pelo processo de urbanização acelerado, que é consequência direta da industrialização – a mesma culpada pela produção de veículos em série. Essa sequência de ações tornou a demanda superior ao tempo para pensar e projetar o modelo ideal de planejamento das cidades, pois a urbanização aconteceu sem aviso prévio. Tais ações do passado repercutem agora, no presente.

Com o crescimento desordenado de Santa Maria, certas regiões do município não oferecem estrutura adequada para seus moradores, que precisam se deslocar até o centro da cidade, explica o presidente do Conselho Municipal de Transportes, Rodrigo Santos:

Outro ponto a ser lembrado é que depois de alguns anos o poder aquisitivo e as facilidades de financiamento proporcionaram à população a aquisição de automóveis e motocicletas como nunca antes. Esse, entre outros fatores, contribui para a extensa fila de veículos que aguardam vários minutos para poder andar poucos metros na BR 392 todo dia.

Fluxo em Santa Maria

Os horários de pico ou hora do rush – como são conhecidos os momentos em que o número de veículos excede a capacidade da via -, agregam cerca de 20 a 60 minutos a mais no trajeto diário feito pelos motoristas em Santa Maria. A informação é divulgada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT). Fatores como este dificultam, a cada dia, a passagem nas principais rotas de acesso. Na opinião do supervisor do DNIT, Olivar Azevedo, a atual composição do trânsito se dá através de uma série de acontecimentos:

Não é necessário buscar dados para perceber que o tráfego na cidade aumentou, significativamente, nos últimos anos. Basta sair às ruas nos horários de pico para visualizar o aumento na frota de carros. Ainda assim, confira alguns dados:

Números do trânsito de Santa Maria

  • O número de pessoas que passaram a utilizar veículos automotores para se deslocar na cidade cresceu 69% nos últimos 10 anos, enquanto a população só cresceu 6% no mesmo período.
  • Cinco mil é o número de pedestres que trafegam pelo centro da cidade em horário de pico, ao meio-dia. Os pontos mais movimentados ficam na esquina da rua Dr. Bozzano com Floriano Peixoto e também na intersecção da Avenida Rio Branco com Rua Venâncio Aires.
  • Três mil é a média de pedestres que passam na esquina da Avenida Rio Branco com Rua Venâncio Aires no horário de pico da tarde (18h).
  • 50 mil é a média de veículos que circulam diariamente pelo centro da cidade em horário de pico, ao meio-dia.
  • 65% é o número de ônibus que carregam menos de 10 passageiros por dia em Santa Maria.
  • Os bairros onde os moradores mais utilizam veículos privados para deslocamento até o centro da cidade são os de Camobi e Parque Pinheiro Machado.
  • A média de emplacamentos mensais na cidade é de 500 novos veículos.
Dados cedidos pelo Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (DENATRAN/RS)

A Secretaria de Mobilidade Urbana de um município tem como finalidade principal incentivar e implantar políticas que facilitem o deslocamento dos indivíduos pelos diferentes pontos da cidade. Em tempos de veículos em excesso nas vias, sinalizações escassas e um contingente crescente de cidadãos, planos de acesso facilitado são fundamentais.
Para o secretário de Mobilidade Urbana de Santa Maria, Miguel Passini, a atual gestão busca apontar soluções – tanto para o transporte público quanto privado. A retirada de estacionamentos e a retirada de vias de mão dupla fazem parte das políticas aplicadas. “O objetivo principal é auxiliar na locomoção das pessoas. Mas além das ações é preciso que a população tenha consciência da educação no trânsito”, afirma.

As demais opções se tornam secundárias

Ao falar sobre tráfego se fala em vias urbanas. Ao falar sobre vias urbanas se fala em planos diretores – projetos que norteiam os acessos utilizados pela comunidade para se locomover aos diferentes pontos da cidade.

O acesso da população aos distintos locais de um centro urbano são definidos através de um grau de prioridades. São projetadas em primeiro lugar as necessidades dos pedestres. Logo após são pensadas as demandas dos ciclistas. Na sequência são apresentadas soluções para o transporte coletivo e, por último, mas não menos importante, dos usuários do carro particular.

Calçadas em bom estado e em locais que não ofereçam risco aos transeuntes, ciclovias bem sinalizadas, transportes públicos integrados que prezem pela qualidade, saúde e segurança dos passageiros e menor número de veículos nas vias são as ações citadas pelas autoridades, pelos especialistas e pela comunidade para melhorar o atual contexto.

Para o engenheiro civil, professor da UFSM e ex-secretário de município Carlos Félix, a necessidade de novos planejamentos é imprescindível para o fluxo seguro e eficiente da comunidade. Saiba mais o que ele fala sobre o assunto:

Por que tantos carros?

A rotina da aquisição de veículos é simples e semelhante na maioria dos lares. Todavia, o custo benefício versus tempo na hora de utilizá-los não tem sido o esperado. Situação que fica comprovada com os crescentes congestionamentos nas vias municipais, estaduais e, até mesmo, federais.

As necessidades de locomoção e as facilidades oferecidas para a compra de um veículo se tornam cada vez mais acessíveis e atrativas. Ainda assim, como a compra do carro próprio se tornou tão enraizada no brasileiro?

O status de possuir veículo próprio surgiu no Brasil a partir da década de 1950, durante o governo de Juscelino Kubitschek. O incentivo baseou-se na cultura capitalista americana do fordismo, instituída pelo criador da Marca Ford – Henry Ford.

A iniciativa do governo federal colocou, desde então, o automóvel como necessidade de locomoção para os indivíduos. No intuito de tornar comum o consumo automobilístico, as medidas do governo transformaram a ideia de obter o carro próprio em um status social.
Entre 1945 e 1973 o consumismo com base no fordismo cresceu exponencialmente no país. A partir deste momento, outras marcas se estabeleceram no mercado brasileiro, fator que inflou ainda mais o consumo automobilístico.

Meios de transporte sustentáveis: alternativas ao congestionamento

Qualquer pessoa que necessita se locomover através de meios de transporte e se depara com congestionamentos sabe o quão preocupante pode ser esse problema. A sensação de tempo perdido num mundo onde tempo é dinheiro é estressante e são poucas pessoas que sabem lidar com isso. Mas não é só tempo perdido e custos financeiros que os problemas no trânsito podem causar.

O que poucos sabem é que todo dia passar pelo mesmo problema nas mesmas horas acaba afetando também a saúde dos indivíduos direta ou indiretamente.
Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo e publicada na Revista Veja, a qual avaliou 500 pessoas que trabalham nas ruas como motoristas, todas elas apresentaram substâncias tóxicas no organismo e chance dobrada de desenvolver câncer de pulmão. Além disso, elas podem desenvolver asma, bronquite e até infarto.

Quando as pessoas estão no trânsito, principalmente em engarrafamentos, acumulam horas ociosas em que poderiam realizar atividades físicas. A matéria da revista ainda traz alguns dados importantes:
• Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), decibéis muito acima do tolerável ocupam o terceiro lugar no ranking de problemas ambientais que mais afetam populações do mundo inteiro.
• Só por infarto, são 210.000 vítimas por ano.
• Qualquer som acima dos 55 decibéis (o equivalente à voz humana em conversa baixa) é interpretado pelo organismo como uma agressão.
• Além dos óbvios distúrbios auditivos, esse é o gatilho para uma série de reações que fazem mal à saúde.

Além de ser um problema de trânsito, o congestionamento também se torna problema de saúde. É nesse momento que entram em cena os meios de transporte alternativos, que não poluem o meio ambiente e podem ajudar a população a se deslocar mais rápido e colocar a saúde em dia.
A bicicleta aparece como a alternativa mais utilizada, porém, como em qualquer outra cidade, no trânsito a prioridade é sempre dos carros. Ela é mais acessível comparada ao preço de um carro, economiza tempo, não polui e faz bem à saúde e à mente. Tudo muito saudável até aí, não fosse o problema de não existirem ciclovias que percorram pelo menos as principais ruas da cidade. Por esse motivo sair de casa de bicicleta muitas vezes causa tanto incômodo e demora, quanto sair de carro, moto ou ônibus. Para o trabalhador Marcos Machado, 60 anos, sair de casa de bicicleta para ir trabalhar só quando ele perde o ônibus para chegar ao trabalho. Segundo Machado, devido à falta de ciclovias, a demora acaba sendo a mesma que a de um carro, pois na mesma pista tem que respeitar o andamento do trânsito. “É claro que eu posso ir bem mais rápido se me enfiar em todos os espaços que existem entre os carros, mas além de ter que esperar o semáforo abrir corro o risco de me acidentar”, conclui.