Santa Maria, RS (ver mais >>)

Santa Maria, RS, Brazil

O tradicionalismo na nova geração

Concurso de dança é realizado no pátio da escola. Foto: Pedro Corrêa.

A importância dos jovens na cultura gaúcha é tanta que existe até um dia especial que representa isso: dia 5 de setembro. Segundo os especialistas em cultura gaúcha, nesse mesmo dia, em 1947, oito jovens saíram pilchados, em seus cavalos, pelas ruas de Porto Alegre. Eles traziam os restos mortais do herói farroupilha David Canabarro de Sant’Ana do Livramento para a capital e Paixão Cortes os recebeu e fez a guarda de honra destes gaúchos  para homenagem. Eles saíram ao longo da Avenida Farrapos até a praça da Alfândega. Naquele momento, Paixão Cortes saiu à procura de voluntários que, como ele, quisessem reviver a cultura do povo gaúcho que se encontrava visivelmente esquecida perante outras manifestações culturais.

Desde a revalorização desses elementos, através da invenção dos centros de tradições gaúchas, a semana farroupilha é uma semana especial para quem nasce em qualquer cidade do Rio Grande do Sul. Costumes, hábitos e valores são ensinados e transmitidos para as gerações seguintes. No Colégio Estadual São Sepé, por exemplo, há 2 anos é realizado um churrasco no pátio da escola com todas as turmas, nos dias próximos a 20 de setembro. Brincadeiras típicas, como “laçar a vaca parada”, declamação de versos, “soletrando” e concurso de danças os alunos, fazem parte da programação que permitem que os alunos fiquem envolvidos e vivenciem tradições típicas da figura do gaúcho rural.

Escolas propõem atividades que visam o incentivo às tradições gaúchas. Foto: Pedro Corrêa.

Os jovens, em sua maioria, são assíduos em todos os bailes da semana farroupilha, e, para eles, essa semana é esperada por todo o ano letivo. É o que conta a aluna Isadora Seixas,17 anos, do 3º ano ensino médio. “A semana farroupilha, para mim, é uma época onde aflora de uma maneira inexplicável o amor pelas tradições. Espero o ano todo por essa semana e vou a todos os bailes. O amor pelo meu estado fica lá escondidinho, mas nunca esquecido e quando chega essa época ele solta aos quatro ventos”, diz Isadora.
Os professores da escola se envolvem ao elaborar as brincadeiras, assar churrasco com os alunos, e ao passar um pouco do amor à cultura gaúcha para os seus pupilos. A aluna Oleana Ribas, vestibulanda, afirma que aprendeu a gostar das tradições porque o colégio a fez se interessar por isso. “Eu tinha certo pré-conceito com CTG e semana farroupilha, mas depois que eu vi e entendi o que é mesmo, comecei a gostar e até frequentar. A cultura gaúcha, mais precisamente a nossa história farroupilha é linda, e deve ser mantida e preservada de geração em geração”, declara. Oleana encerrou afirmando que pretende incentivar os filhos no cultivo das tradições gaúchas.

A semana farroupilha sempre será uma semana em que sul-rio-grandenses ficam mais gaúchos do que nunca porque um sentimento nacionalista fala mais alto nessa época do ano. Para o Gustavo Peixoto, 17 anos, trata-se de uma época mais importante que a semana da pátria. “Minha pátria é o meu estado Rio Grande do Sul, sou bairrista, e semana da pátria pra mim passa batido, agora a semana farroupilha é outros quinhentos. Cultuo as tradições como manda o figurino e danço até clarear o dia nos bailes e como bóia campeira a semana toda”, afirma. 

Os jovens tradicionalistas, hoje, fazem a cara dos CTG’s. São a certeza de que os valores e hábitos  não serão esquecidos e que serão sempre cultivados, a cada geração. “O tradicionalismo pra mim representa  uma forma de seguir os passos dos nossos que antepassados (avôs, pais, bisas) nos deixaram como herança cultural; representa o orgulho e respeito pelas origens”, alegou Marcela Santos, 17 anos. A cultura gaúcha cultuada na nova geração, no cotidiano, nas escolas ou nos centros tradicionalistas, são uma evidência de que há aspectos e elementos desta identidade cultural que se perpetuaram, pois permanecem, mesmo com algumas alterações. Como determina a música do grupo “Os Fagundes”: “Eu sei que não vou morrer, porque de mim vai ficar, o mundo que eu construí. O meu Rio Grande, o meu lar, campeando as próprias origens, qualquer guri vai achar.

Por Pedro Corrêa

 


LEIA TAMBÉM

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Concurso de dança é realizado no pátio da escola. Foto: Pedro Corrêa.

A importância dos jovens na cultura gaúcha é tanta que existe até um dia especial que representa isso: dia 5 de setembro. Segundo os especialistas em cultura gaúcha, nesse mesmo dia, em 1947, oito jovens saíram pilchados, em seus cavalos, pelas ruas de Porto Alegre. Eles traziam os restos mortais do herói farroupilha David Canabarro de Sant’Ana do Livramento para a capital e Paixão Cortes os recebeu e fez a guarda de honra destes gaúchos  para homenagem. Eles saíram ao longo da Avenida Farrapos até a praça da Alfândega. Naquele momento, Paixão Cortes saiu à procura de voluntários que, como ele, quisessem reviver a cultura do povo gaúcho que se encontrava visivelmente esquecida perante outras manifestações culturais.

Desde a revalorização desses elementos, através da invenção dos centros de tradições gaúchas, a semana farroupilha é uma semana especial para quem nasce em qualquer cidade do Rio Grande do Sul. Costumes, hábitos e valores são ensinados e transmitidos para as gerações seguintes. No Colégio Estadual São Sepé, por exemplo, há 2 anos é realizado um churrasco no pátio da escola com todas as turmas, nos dias próximos a 20 de setembro. Brincadeiras típicas, como “laçar a vaca parada”, declamação de versos, “soletrando” e concurso de danças os alunos, fazem parte da programação que permitem que os alunos fiquem envolvidos e vivenciem tradições típicas da figura do gaúcho rural.

Escolas propõem atividades que visam o incentivo às tradições gaúchas. Foto: Pedro Corrêa.

Os jovens, em sua maioria, são assíduos em todos os bailes da semana farroupilha, e, para eles, essa semana é esperada por todo o ano letivo. É o que conta a aluna Isadora Seixas,17 anos, do 3º ano ensino médio. “A semana farroupilha, para mim, é uma época onde aflora de uma maneira inexplicável o amor pelas tradições. Espero o ano todo por essa semana e vou a todos os bailes. O amor pelo meu estado fica lá escondidinho, mas nunca esquecido e quando chega essa época ele solta aos quatro ventos”, diz Isadora.
Os professores da escola se envolvem ao elaborar as brincadeiras, assar churrasco com os alunos, e ao passar um pouco do amor à cultura gaúcha para os seus pupilos. A aluna Oleana Ribas, vestibulanda, afirma que aprendeu a gostar das tradições porque o colégio a fez se interessar por isso. “Eu tinha certo pré-conceito com CTG e semana farroupilha, mas depois que eu vi e entendi o que é mesmo, comecei a gostar e até frequentar. A cultura gaúcha, mais precisamente a nossa história farroupilha é linda, e deve ser mantida e preservada de geração em geração”, declara. Oleana encerrou afirmando que pretende incentivar os filhos no cultivo das tradições gaúchas.

A semana farroupilha sempre será uma semana em que sul-rio-grandenses ficam mais gaúchos do que nunca porque um sentimento nacionalista fala mais alto nessa época do ano. Para o Gustavo Peixoto, 17 anos, trata-se de uma época mais importante que a semana da pátria. “Minha pátria é o meu estado Rio Grande do Sul, sou bairrista, e semana da pátria pra mim passa batido, agora a semana farroupilha é outros quinhentos. Cultuo as tradições como manda o figurino e danço até clarear o dia nos bailes e como bóia campeira a semana toda”, afirma. 

Os jovens tradicionalistas, hoje, fazem a cara dos CTG’s. São a certeza de que os valores e hábitos  não serão esquecidos e que serão sempre cultivados, a cada geração. “O tradicionalismo pra mim representa  uma forma de seguir os passos dos nossos que antepassados (avôs, pais, bisas) nos deixaram como herança cultural; representa o orgulho e respeito pelas origens”, alegou Marcela Santos, 17 anos. A cultura gaúcha cultuada na nova geração, no cotidiano, nas escolas ou nos centros tradicionalistas, são uma evidência de que há aspectos e elementos desta identidade cultural que se perpetuaram, pois permanecem, mesmo com algumas alterações. Como determina a música do grupo “Os Fagundes”: “Eu sei que não vou morrer, porque de mim vai ficar, o mundo que eu construí. O meu Rio Grande, o meu lar, campeando as próprias origens, qualquer guri vai achar.

Por Pedro Corrêa