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Uma Noite Especial com Duca Leindecker

Duca na praça Saldanha Marinho, durante a Feira do Livro.
Duca Leindecker na praça Saldanha Marinho, durante a Feira do Livro. Foto: Natali Cunha, Lab. Fotografia e Memória

Música e literatura marcaram o Livro Livre de hoje, 30, na Praça Saldanha Marinho. Duca Leindecker, vocalista, guitarrista, escritor e compositor, foi o convidado para um bate-papo descontraído. Sem a presença de um mediador a interação do artista e com público ocorreu de maneira natural.  O líder da Cidadão Quem, banda com 20 anos de estrada, veio à Feira do Livro para conversar sobre suas publicações literárias e responder as perguntas da plateia.

Pontualmente as 19 horas, Duca saudou os presentes de forma inusitada, pedindo pra todo mundo gritar junto com ele. “Agora que estabelecemos a comunicação, podemos começar”. Quem esperava uma palestra sobre a carreira do músico, se surpreendeu.

Duca conduziu uma conversa sobre as diferentes formas de se fazer arte e a complicada fase da escolha profissional. Já no início, o artista abriu espaço para perguntas e conduziu toda a conversa com essa dinâmica. Nas respostas, emitia suas opiniões sobre o cenário atual da música, o papel da vocação e da persistência, seus métodos de inspiração,e tudo o mais que a plateia quisesse saber.

Sempre muito centrado e crítico, mas sem perder o bom humor, o artista se mostrou naturalmente confortável no palco – local onde passou grande parte dos seus quase 30 anos de carreira. No final, atendendo ao pedido de uma fã que estava na plateia, o músico pegou um violão emprestado e deu uma palhinha da sua consagrada carreira.  Assim como começou, o público terminou interagindo com Duca. Dessa vez, porém, não gritando, mas transformando a Feira do Livro em uma só voz, ao som de sucessos como Um Dia Especial e Girassóis.

A equipe da Agência Central Sul conversou com o músico sobre a indústria fonográfica no Brasil:

Equipe da ACS com Duca Leindecker. Foto: Natali Cunha. Lab. Fotografia e Memória.
Equipe da ACS com Duca Leindecker. Foto: Natali Cunha. Lab. Fotografia e Memória.

ACS – Qual a importância de eventos, como a Feira do Livro, que fomentam a cultura?

Duca  – “Tem toda a importância, as coisas só acontecem dentro de seus ambientes de discussão. A gente só percebe as coisas que estão acontecendo. E aqui está acontecendo, está acontecendo o nosso papo, depois vou conversar com o público. E vamos falar sobre livros, muitos vão conhecer títulos e vão entrar em contato com a literatura, com a arte. Isso é fundamental”.

ACS – Como você percebe o incentivo à cultura em nosso país?

Duca L.- “Eu sou muito crítico em relação à forma como se da o incentivo a cultura no Brasil. As leis que existem são muito assistencialistas. Elas não exigem que o que for feito seja realmente bom. Elas só fazem por fazer, em um país que não faz nada bem. E quando vamos fazer um show, o público quer que tu toques de graça e a tua família diz que ser músico não é profissão. A revolução para o incentivo à cultura tem que partir de casa, tem que partir de uma realização cultural da sociedade de valorizar a arte. Não só uma lei que vai pagar para o cara fazer um filme. Eu nunca tive nenhum tipo de incentivo. Faço show, as pessoas pagam o ingresso e eu ganho meu dinheiro. Isso tem que acontecer com mais pessoas”

ACS – O  que você nos diz sobre o retorno da Cidadão Quem?

Duca L.- “O Cidadão Quem é uma banda que teve a sua historia, nos seus sete discos, e voltou para comemorar isso, para atender as pessoas que queriam nos ver e para atender nós mesmos, que queríamos revivê-lo. Mas o Cidadão Quem não é um projeto de conteúdo novo. Não tem como ser uma banda nova, e nem queremos que seja. A gente tá celebrando isso, tocando as músicas de todos os discos e um single novo. Quando tu vai pra um show do Cidadão Quem, as pessoas não deixam tu não tocar Pinhal, tu não tocar Dia Especial, o Fim de Tudo, Os Segundos, Música Inédita, entendeu? É um repertório que fica engessado. Se a gente for fazer um show só de música inédita, as pessoas não querem ver. E nem a gente quer fazer. Agora, num trabalho solo, aí sim, acho que comporta isso. Como  nos meus trabalhos solo e  o trabalho do Luciano na banda Mani Mani.”

Por  Gustavo Pedroso, Karine Kinzel, Joana Gunther e Silvana Righi, estudantes de jornalismo.

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Duca na praça Saldanha Marinho, durante a Feira do Livro.
Duca Leindecker na praça Saldanha Marinho, durante a Feira do Livro. Foto: Natali Cunha, Lab. Fotografia e Memória

Música e literatura marcaram o Livro Livre de hoje, 30, na Praça Saldanha Marinho. Duca Leindecker, vocalista, guitarrista, escritor e compositor, foi o convidado para um bate-papo descontraído. Sem a presença de um mediador a interação do artista e com público ocorreu de maneira natural.  O líder da Cidadão Quem, banda com 20 anos de estrada, veio à Feira do Livro para conversar sobre suas publicações literárias e responder as perguntas da plateia.

Pontualmente as 19 horas, Duca saudou os presentes de forma inusitada, pedindo pra todo mundo gritar junto com ele. “Agora que estabelecemos a comunicação, podemos começar”. Quem esperava uma palestra sobre a carreira do músico, se surpreendeu.

Duca conduziu uma conversa sobre as diferentes formas de se fazer arte e a complicada fase da escolha profissional. Já no início, o artista abriu espaço para perguntas e conduziu toda a conversa com essa dinâmica. Nas respostas, emitia suas opiniões sobre o cenário atual da música, o papel da vocação e da persistência, seus métodos de inspiração,e tudo o mais que a plateia quisesse saber.

Sempre muito centrado e crítico, mas sem perder o bom humor, o artista se mostrou naturalmente confortável no palco – local onde passou grande parte dos seus quase 30 anos de carreira. No final, atendendo ao pedido de uma fã que estava na plateia, o músico pegou um violão emprestado e deu uma palhinha da sua consagrada carreira.  Assim como começou, o público terminou interagindo com Duca. Dessa vez, porém, não gritando, mas transformando a Feira do Livro em uma só voz, ao som de sucessos como Um Dia Especial e Girassóis.

A equipe da Agência Central Sul conversou com o músico sobre a indústria fonográfica no Brasil:

Equipe da ACS com Duca Leindecker. Foto: Natali Cunha. Lab. Fotografia e Memória.
Equipe da ACS com Duca Leindecker. Foto: Natali Cunha. Lab. Fotografia e Memória.

ACS – Qual a importância de eventos, como a Feira do Livro, que fomentam a cultura?

Duca  – “Tem toda a importância, as coisas só acontecem dentro de seus ambientes de discussão. A gente só percebe as coisas que estão acontecendo. E aqui está acontecendo, está acontecendo o nosso papo, depois vou conversar com o público. E vamos falar sobre livros, muitos vão conhecer títulos e vão entrar em contato com a literatura, com a arte. Isso é fundamental”.

ACS – Como você percebe o incentivo à cultura em nosso país?

Duca L.- “Eu sou muito crítico em relação à forma como se da o incentivo a cultura no Brasil. As leis que existem são muito assistencialistas. Elas não exigem que o que for feito seja realmente bom. Elas só fazem por fazer, em um país que não faz nada bem. E quando vamos fazer um show, o público quer que tu toques de graça e a tua família diz que ser músico não é profissão. A revolução para o incentivo à cultura tem que partir de casa, tem que partir de uma realização cultural da sociedade de valorizar a arte. Não só uma lei que vai pagar para o cara fazer um filme. Eu nunca tive nenhum tipo de incentivo. Faço show, as pessoas pagam o ingresso e eu ganho meu dinheiro. Isso tem que acontecer com mais pessoas”

ACS – O  que você nos diz sobre o retorno da Cidadão Quem?

Duca L.- “O Cidadão Quem é uma banda que teve a sua historia, nos seus sete discos, e voltou para comemorar isso, para atender as pessoas que queriam nos ver e para atender nós mesmos, que queríamos revivê-lo. Mas o Cidadão Quem não é um projeto de conteúdo novo. Não tem como ser uma banda nova, e nem queremos que seja. A gente tá celebrando isso, tocando as músicas de todos os discos e um single novo. Quando tu vai pra um show do Cidadão Quem, as pessoas não deixam tu não tocar Pinhal, tu não tocar Dia Especial, o Fim de Tudo, Os Segundos, Música Inédita, entendeu? É um repertório que fica engessado. Se a gente for fazer um show só de música inédita, as pessoas não querem ver. E nem a gente quer fazer. Agora, num trabalho solo, aí sim, acho que comporta isso. Como  nos meus trabalhos solo e  o trabalho do Luciano na banda Mani Mani.”

Por  Gustavo Pedroso, Karine Kinzel, Joana Gunther e Silvana Righi, estudantes de jornalismo.