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Santa Maria, RS, Brazil

Ataques às páginas feministas não silenciam mulheres que lutam pela causa

Com campanhas online como #PrimeiroAssédio, criado pelo Think Olga, onde mulheres contam o primeiro contato com a violência sexual, devido ao caso da menina Valentina, do programa Master Chef, que foi assediada por homens no Twitter, feministas estão protestando nas ruas e na internet. A hashtag foi replicada 82 mil vezes em respostas à comentários machistas.
Com isso, nas redes sociais está acontecendo uma espécie de “guerra fria” entre páginas ditas de direita e esquerda. No último domingo, 1, foi derrubada a página Orgulho de ser hetero, via denúncias de usuários do Facebook. No mesmo dia a página foi devolvida ao moderador e pelo menos cinco páginas feministas e pró LGBTs foram derrubadas, como a Feminismo sem demagogia e Jout Jout Prazer. As usuárias feministas tiveram seus perfis bloqueados por um tempo, inclusive, algumas mulheres ainda não conseguiram recuperar seu perfil.

Arte: divulgação/ThinkOlga
Arte: divulgação/ThinkOlga

Julia Tolezano, vlogueira do canal Jout Jout Prazer e moderadora da página, tuitou na terça-feira que não estava conseguindo acessar a página e nem seu perfil no Facebook. A colunista da Cosmolitan teve sua conta de volta na quarta-feira. E postou em seu perfil uma mensagem de carinho para os seguidores, também fez comentários sobre a “guerra” entre as páginas online.

As moderadoras da página Feminismo sem Demagogia também estão chocadas com o bloqueio e ainda não conseguiram recuperar a conta. O perfil da militante Stephanie Ribeiro também foi bloqueado, ela luta contra o machismo e racismo, com postagens de denúncia. Agora só consegue postar fotos via instragam para o Facebook e usar o bate-papo inbox, seus seguidores estão a acompanhando via twitter.

O blog Escreva Lola Escreva, também está sofrendo ameaças. A doutora em literatura, dona do site, Lola Aronovich, escreveu um desabafo sobre os fakes do blog que estão circulando e postando conteúdos inapropriados, misóginos, racistas, em seu nome. Um dos nomes fakes criados é o “Lola escreva Lola”. Foi criada uma hashtag de apoio à feminista, #ForçaLola, com mensagens de indignação e revolta aos ataques machistas.

O site Think Olga publicou um texto de solidariedade com as páginas que foram derrubadas, dando força para as feministas, afirmando que não calarão as mulheres! Em meio a tanta violência e agressividade contra mulheres e contra quem luta pelo feminismo – que visa a desconstrução dos papéis de gênero e a não objetificação da mulher – as feministas buscam forças em conversas e marchas contra o assédio e discriminação de gênero. Recentemente, com o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio abordar a persistência na violência contra a mulher brasileira, elas encontram esperanças e se tornam cada vez mais fortes, nas ruas e nas redes sociais. Visto os protestos contra o projeto de lei de Eduardo Cunha – que restringe os direitos à vítimas de estupro – e vídeos, como o do canal Jout Jout Prazer, incitando as mulheres a não se calarem, e fazerem um escândalo diante de abusos sexuais.

O grupo de machistas que derrubou ambas as páginas também está tentando derrubar a Quebrando o Tabu, com 2.097.032 curtidas, e a Travesti Reflexiva, com 174.016 curtidas. Inclusive, essa última, teve uma postagem censurada pelo Facebook, ao postar uma foto com os dizeres “sejam bem-viados”. Outras páginas de esquerda também estão sendo atacadas.
De acordo com as regras do Facebook, um post ou página pode ser bloqueado se for uma violação clara dos termos de uso da plataforma (como em casos de quebra de direitos autorais e perfis falsos) e em temas considerado “conteúdo ofensivo”. E deve haver uma justificação para a denúncia, após um funcionário do Facebook analisa a página ou perfil denunciado.

Assista ao vídeo de Julia Tolezano sobre a violência sexual e a voz das mulheres:

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Com campanhas online como #PrimeiroAssédio, criado pelo Think Olga, onde mulheres contam o primeiro contato com a violência sexual, devido ao caso da menina Valentina, do programa Master Chef, que foi assediada por homens no Twitter, feministas estão protestando nas ruas e na internet. A hashtag foi replicada 82 mil vezes em respostas à comentários machistas.
Com isso, nas redes sociais está acontecendo uma espécie de “guerra fria” entre páginas ditas de direita e esquerda. No último domingo, 1, foi derrubada a página Orgulho de ser hetero, via denúncias de usuários do Facebook. No mesmo dia a página foi devolvida ao moderador e pelo menos cinco páginas feministas e pró LGBTs foram derrubadas, como a Feminismo sem demagogia e Jout Jout Prazer. As usuárias feministas tiveram seus perfis bloqueados por um tempo, inclusive, algumas mulheres ainda não conseguiram recuperar seu perfil.

Arte: divulgação/ThinkOlga
Arte: divulgação/ThinkOlga

Julia Tolezano, vlogueira do canal Jout Jout Prazer e moderadora da página, tuitou na terça-feira que não estava conseguindo acessar a página e nem seu perfil no Facebook. A colunista da Cosmolitan teve sua conta de volta na quarta-feira. E postou em seu perfil uma mensagem de carinho para os seguidores, também fez comentários sobre a “guerra” entre as páginas online.

As moderadoras da página Feminismo sem Demagogia também estão chocadas com o bloqueio e ainda não conseguiram recuperar a conta. O perfil da militante Stephanie Ribeiro também foi bloqueado, ela luta contra o machismo e racismo, com postagens de denúncia. Agora só consegue postar fotos via instragam para o Facebook e usar o bate-papo inbox, seus seguidores estão a acompanhando via twitter.

O blog Escreva Lola Escreva, também está sofrendo ameaças. A doutora em literatura, dona do site, Lola Aronovich, escreveu um desabafo sobre os fakes do blog que estão circulando e postando conteúdos inapropriados, misóginos, racistas, em seu nome. Um dos nomes fakes criados é o “Lola escreva Lola”. Foi criada uma hashtag de apoio à feminista, #ForçaLola, com mensagens de indignação e revolta aos ataques machistas.

O site Think Olga publicou um texto de solidariedade com as páginas que foram derrubadas, dando força para as feministas, afirmando que não calarão as mulheres! Em meio a tanta violência e agressividade contra mulheres e contra quem luta pelo feminismo – que visa a desconstrução dos papéis de gênero e a não objetificação da mulher – as feministas buscam forças em conversas e marchas contra o assédio e discriminação de gênero. Recentemente, com o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio abordar a persistência na violência contra a mulher brasileira, elas encontram esperanças e se tornam cada vez mais fortes, nas ruas e nas redes sociais. Visto os protestos contra o projeto de lei de Eduardo Cunha – que restringe os direitos à vítimas de estupro – e vídeos, como o do canal Jout Jout Prazer, incitando as mulheres a não se calarem, e fazerem um escândalo diante de abusos sexuais.

O grupo de machistas que derrubou ambas as páginas também está tentando derrubar a Quebrando o Tabu, com 2.097.032 curtidas, e a Travesti Reflexiva, com 174.016 curtidas. Inclusive, essa última, teve uma postagem censurada pelo Facebook, ao postar uma foto com os dizeres “sejam bem-viados”. Outras páginas de esquerda também estão sendo atacadas.
De acordo com as regras do Facebook, um post ou página pode ser bloqueado se for uma violação clara dos termos de uso da plataforma (como em casos de quebra de direitos autorais e perfis falsos) e em temas considerado “conteúdo ofensivo”. E deve haver uma justificação para a denúncia, após um funcionário do Facebook analisa a página ou perfil denunciado.

Assista ao vídeo de Julia Tolezano sobre a violência sexual e a voz das mulheres: