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XV InLetras: o futuro da literatura em debate

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Foto: Fernando Rodrigues Cezar, Lab. Fotografia e Memória.

A discussão sobre o futuro da literatura dominou as discussões na terceira noite do XV InLetras, durante a mesa temática das doutoras  Fabiane Verardi Burlamaque (Universidade de Passo Fundo), Ana Claudia Munari (Universidade de Santa Cruz do Sul) e a norte-americana Jennifer Sarah Cooper (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).  A mediadora da mesa temática foi a professora Vera Elizabeth Prola Farias, do Centro Universitário Franciscano.

A abertura ficou por conta da professora Fabiane Verardi Burlamaque, que falou sobre a importância de apresentar precocemente os livros às crianças, para que tenham prazer em ler desde cedo. A doutora em teoria literária incentivou os colegas presentes mostrando a importância do professor frente à sala de aula para ensinar o que chamou de a “arte da literatura”.

Fabiane também afirmou que cabe à escola incentivar seus alunos à leitura, porém, acredita que as instituições não estão cumprindo o seu papel. A professora defendeu que há diversas formas de ensinar nessa era de multiletramentos, por exemplo, com séries, jogos, aplicativos de celular, entre outras plataformas. Como exemplo, citou o Skoob, rede social de leitores, que possibilita que os usuários criem uma estante virtual de livros com comentários pessoais sobre a obra, visando o compartilhamento de experiências; e os Booktubers, como são denominados os leitores que criam canais de vídeos na internet com o objetivo de comentar obras literárias.

Enquanto muitos alunos não querem ler as obras obrigatórias para o vestibular, o livro Game of Thrones bate recorde de vendas. Essa questão também esteve presente no debate. Sobre isso, Fabiane disse que as leituras de dentro e de fora da escola diferem, porém, ambas são de indispensáveis para o aprendizado.“Precisamos utilizar dessas estratégias para falar sobre os textos que os alunos estejam lendo. Pode ser que não sejam os textos preferidos do professor, porém, a partir dessa obra é possível chegar até algum texto que se deseja ensinar”, finalizou a professora.

A segunda parte da noite foi conduzida por Ana Claudia Munari, doutora em Letras. O tema abordado por ela não poderia faltar: o futuro do livro. Para deixar claro sua posição, em letras garrafais, em um dos slides apresentados, a frase “o livro não morreu” fazia professores e alunos sorrirem no auditório. Ela afirmou também que a obra em papel nada mais é que uma história sem fim. Ana Claudia defendeu sua posição ao dizer que a cada surgimento de uma nova mídia ameaçando o livro, uma nova linguagem também se cria. Disse ainda que com o surgimento dos Ebooks, rumores da extinção dos livros também começaram. Porém, conforme a professora, a internet ajudou na disseminação das obras de papel, já que lojas virtuais, publicidades, book trailers encurtaram o caminho do leitor. A professora acredita que a mudança na literatura não é de agora. Esse processo estaria acontecendo desde que ela surgiu. Ela acredita que a literatura também se transforma quando o mundo muda.

“E para onde vai a literatura? O comportamento do leitor é o que vai dizer o que vai acontecer com ela. Mas, uma coisa é certa. Pode ser que lá no futuro vamos ter alguma coisa que não será igual a hoje, porém, com certeza, continuaremos contando histórias” concluiu a professora.

A norte-americana Jennifer Sarah Cooper teve o compromisso de encerrar a terceira noite de InLetras. Com um sotaque carregado, ela tentou explicar a importância do professor na inserção da literatura no ensino de língua inglesa. “Esse é o grande desafio” disse. Ela defendeu que de todos os sistemas que uma cultura tem para se representar, a língua é a mais completa e gratificante.

A professora promoveu uma reflexão nos participantes do seminário para a promoção das literaturas tradicionais da região, que podem ser trabalhadas em aula. Como forma de exemplo, ela citou as linguagens Pidgins e Creoles e as literaturas pós-coloniais. Jennifer disse que no Brasil, as literaturas de cordel é um dos gêneros discursivos que mobilizam povos. Ela defendeu que uma outra forma de incluir o ensino do inglês é por meio da música, como em corais.

Em sua fala breve, a professora afirmou que é preciso redimensionar o que consideramos como literatura. “A partir das necessidades, do contexto social linguístico e cultural local precisamos trazer benefícios para um projeto que pretende utilizar literatura na aula de línguas estrangeiras de uma forma que dar conta das multiplicidades envolvidas e uma pedagogia relevante e critica” encerrou.

O evento encerra hoje com duas presenças internacionais. A conferência dos professores Charles Bazerman (Universidade da Califórnia em Santa Bárbara) e Carolyn Rae Miller (Universidade Estadual da Carolina do Norte) inicia às 19h.

Por Lucas Leivas Amorim, matéria produzida para a disciplina de Jornalismo Especializado II.

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Foto: Fernando Rodrigues Cezar, Lab. Fotografia e Memória.

A discussão sobre o futuro da literatura dominou as discussões na terceira noite do XV InLetras, durante a mesa temática das doutoras  Fabiane Verardi Burlamaque (Universidade de Passo Fundo), Ana Claudia Munari (Universidade de Santa Cruz do Sul) e a norte-americana Jennifer Sarah Cooper (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).  A mediadora da mesa temática foi a professora Vera Elizabeth Prola Farias, do Centro Universitário Franciscano.

A abertura ficou por conta da professora Fabiane Verardi Burlamaque, que falou sobre a importância de apresentar precocemente os livros às crianças, para que tenham prazer em ler desde cedo. A doutora em teoria literária incentivou os colegas presentes mostrando a importância do professor frente à sala de aula para ensinar o que chamou de a “arte da literatura”.

Fabiane também afirmou que cabe à escola incentivar seus alunos à leitura, porém, acredita que as instituições não estão cumprindo o seu papel. A professora defendeu que há diversas formas de ensinar nessa era de multiletramentos, por exemplo, com séries, jogos, aplicativos de celular, entre outras plataformas. Como exemplo, citou o Skoob, rede social de leitores, que possibilita que os usuários criem uma estante virtual de livros com comentários pessoais sobre a obra, visando o compartilhamento de experiências; e os Booktubers, como são denominados os leitores que criam canais de vídeos na internet com o objetivo de comentar obras literárias.

Enquanto muitos alunos não querem ler as obras obrigatórias para o vestibular, o livro Game of Thrones bate recorde de vendas. Essa questão também esteve presente no debate. Sobre isso, Fabiane disse que as leituras de dentro e de fora da escola diferem, porém, ambas são de indispensáveis para o aprendizado.“Precisamos utilizar dessas estratégias para falar sobre os textos que os alunos estejam lendo. Pode ser que não sejam os textos preferidos do professor, porém, a partir dessa obra é possível chegar até algum texto que se deseja ensinar”, finalizou a professora.

A segunda parte da noite foi conduzida por Ana Claudia Munari, doutora em Letras. O tema abordado por ela não poderia faltar: o futuro do livro. Para deixar claro sua posição, em letras garrafais, em um dos slides apresentados, a frase “o livro não morreu” fazia professores e alunos sorrirem no auditório. Ela afirmou também que a obra em papel nada mais é que uma história sem fim. Ana Claudia defendeu sua posição ao dizer que a cada surgimento de uma nova mídia ameaçando o livro, uma nova linguagem também se cria. Disse ainda que com o surgimento dos Ebooks, rumores da extinção dos livros também começaram. Porém, conforme a professora, a internet ajudou na disseminação das obras de papel, já que lojas virtuais, publicidades, book trailers encurtaram o caminho do leitor. A professora acredita que a mudança na literatura não é de agora. Esse processo estaria acontecendo desde que ela surgiu. Ela acredita que a literatura também se transforma quando o mundo muda.

“E para onde vai a literatura? O comportamento do leitor é o que vai dizer o que vai acontecer com ela. Mas, uma coisa é certa. Pode ser que lá no futuro vamos ter alguma coisa que não será igual a hoje, porém, com certeza, continuaremos contando histórias” concluiu a professora.

A norte-americana Jennifer Sarah Cooper teve o compromisso de encerrar a terceira noite de InLetras. Com um sotaque carregado, ela tentou explicar a importância do professor na inserção da literatura no ensino de língua inglesa. “Esse é o grande desafio” disse. Ela defendeu que de todos os sistemas que uma cultura tem para se representar, a língua é a mais completa e gratificante.

A professora promoveu uma reflexão nos participantes do seminário para a promoção das literaturas tradicionais da região, que podem ser trabalhadas em aula. Como forma de exemplo, ela citou as linguagens Pidgins e Creoles e as literaturas pós-coloniais. Jennifer disse que no Brasil, as literaturas de cordel é um dos gêneros discursivos que mobilizam povos. Ela defendeu que uma outra forma de incluir o ensino do inglês é por meio da música, como em corais.

Em sua fala breve, a professora afirmou que é preciso redimensionar o que consideramos como literatura. “A partir das necessidades, do contexto social linguístico e cultural local precisamos trazer benefícios para um projeto que pretende utilizar literatura na aula de línguas estrangeiras de uma forma que dar conta das multiplicidades envolvidas e uma pedagogia relevante e critica” encerrou.

O evento encerra hoje com duas presenças internacionais. A conferência dos professores Charles Bazerman (Universidade da Califórnia em Santa Bárbara) e Carolyn Rae Miller (Universidade Estadual da Carolina do Norte) inicia às 19h.

Por Lucas Leivas Amorim, matéria produzida para a disciplina de Jornalismo Especializado II.