Santa Maria, RS (ver mais >>)

Santa Maria, RS, Brazil

Entre cenas e cenários do Rosário

(Foto: Maria Luísa Viana/ Lab. Fotografia e Memória)
(Foto: Maria Luísa Viana/ Lab. Fotografia e Memória)

Em um antigo prédio no bairro do Rosário, são vividas histórias, fantasias e novos mundos. No local, que já foi uma fábrica de brinquedos, uma igreja e uma fábrica de caixões funerários, funciona atualmente o Espaço Cultural Victorio Faccin.

O Espaço é sede dos grupos Teatro Universitário Independente (TUI) e Teatro Por Que Não? desde 2007. Em 2014, os grupos fizeram uma campanha de financiamento coletivo para reformar a estrutura. “Nós fizemos uma campanha de fevereiro até abril porque o teto e o assoalho estavam comprometidos por causa de uma infestação de cupins. Nós começamos com a meta de 25 mil reais e acabamos com 36 mil reais”, conta a atriz Juliet Castaldello, de 25 anos. O local foi reinaugurado em outubro de 2014 após a restauração.

O teatro de bairro, como define o ator Felipe Martinez, 27 anos, é um privilegio para a região. “Nós não temos uma estrutura como o teatro 13 de Maio, por exemplo, mas temos o diferencial: aqui tem um lugar que se pode ficar bebendo e conversando antes ou depois do espetáculo, além da sala ser mais intimista, porque proporciona um contato mais direto entre o público e o espetáculo”, observa.

De acordo com os atores, o teatro é bem conhecido no Rosário. “As pessoas conhecem bastante e é uma opção não tão centralizada. A expansão da Unifra e dos imóveis faz com que venham novos moradores já com interesse no teatro daqui”, afirma Felipe. Para ele, a cultura presente no Espaço é tão positiva para a região que deveriam existir mais lugares independentes e acessíveis ao longo de Santa Maria. “É o tipo de coisa que seria legal se tivesse mais e fossem localizados em extremos”, completa.

Teatro Universitário Independente e Teatro Por Que Não?

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Atores dos grupos Teatro Por Que Não? e Teatro Universitário Independente (Foto: Amanda Souza/ Lab. Fotografia e Memória)

O TUI foi fundado em 1961, sob o nome de Teatro Universitário de Santa Maria (TUSM), por Clenio Faccin e Jomar Cunha, do curso de Ciências da Economia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). “Em 1968 o grupo foi para Bogotá, na Colômbia, no I Festival Municipal de Manizales com a peça ‘Arena Conta Zumbi’, que eles estavam proibidos de apresentar em território nacional, e ganharam um prêmio muito bom. Na volta para a Universidade, o prêmio foi confiscado e construíram a boate do DCE. A partir daí eles se desvincularam da UFSM e se tornaram o TUI em 1969″, explica o ator Cristiano Bittencourt dos Santos, de 36 anos. Em tempos de ditadura, um grupo politizado e partidário de uma frente de esquerda não era o que a Universidade buscava, de acordo com Cristiano. Mais de 50 anos após a criação, contando com seis integrantes, o TUI mantém a essência de contestar a realidade social.

O Teatro Por Que Não? foi criado em 2010 no curso de Artes Cênicas da UFSM e possui  cinco atores e diretores. “Para dar continuidade ao nosso trabalho, nos juntamos em uma estrutura coletiva para tentar nos profissionalizarmos. Em 2012 recebemos o convite do TUI para vir para o Espaço”, afirma Anderson. O grupo protagoniza espetáculos, cursos e oficinas, além de eventos como o Mosaico e (pausa dramática).

O Espaço Cultural Victorio Faccin funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h, na Rua Duque de Caxias, 380. A programação pode ser conferida na página do facebook do teatro.

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(Foto: Maria Luísa Viana/ Lab. Fotografia e Memória)
(Foto: Maria Luísa Viana/ Lab. Fotografia e Memória)

Em um antigo prédio no bairro do Rosário, são vividas histórias, fantasias e novos mundos. No local, que já foi uma fábrica de brinquedos, uma igreja e uma fábrica de caixões funerários, funciona atualmente o Espaço Cultural Victorio Faccin.

O Espaço é sede dos grupos Teatro Universitário Independente (TUI) e Teatro Por Que Não? desde 2007. Em 2014, os grupos fizeram uma campanha de financiamento coletivo para reformar a estrutura. “Nós fizemos uma campanha de fevereiro até abril porque o teto e o assoalho estavam comprometidos por causa de uma infestação de cupins. Nós começamos com a meta de 25 mil reais e acabamos com 36 mil reais”, conta a atriz Juliet Castaldello, de 25 anos. O local foi reinaugurado em outubro de 2014 após a restauração.

O teatro de bairro, como define o ator Felipe Martinez, 27 anos, é um privilegio para a região. “Nós não temos uma estrutura como o teatro 13 de Maio, por exemplo, mas temos o diferencial: aqui tem um lugar que se pode ficar bebendo e conversando antes ou depois do espetáculo, além da sala ser mais intimista, porque proporciona um contato mais direto entre o público e o espetáculo”, observa.

De acordo com os atores, o teatro é bem conhecido no Rosário. “As pessoas conhecem bastante e é uma opção não tão centralizada. A expansão da Unifra e dos imóveis faz com que venham novos moradores já com interesse no teatro daqui”, afirma Felipe. Para ele, a cultura presente no Espaço é tão positiva para a região que deveriam existir mais lugares independentes e acessíveis ao longo de Santa Maria. “É o tipo de coisa que seria legal se tivesse mais e fossem localizados em extremos”, completa.

Teatro Universitário Independente e Teatro Por Que Não?

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Atores dos grupos Teatro Por Que Não? e Teatro Universitário Independente (Foto: Amanda Souza/ Lab. Fotografia e Memória)

O TUI foi fundado em 1961, sob o nome de Teatro Universitário de Santa Maria (TUSM), por Clenio Faccin e Jomar Cunha, do curso de Ciências da Economia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). “Em 1968 o grupo foi para Bogotá, na Colômbia, no I Festival Municipal de Manizales com a peça ‘Arena Conta Zumbi’, que eles estavam proibidos de apresentar em território nacional, e ganharam um prêmio muito bom. Na volta para a Universidade, o prêmio foi confiscado e construíram a boate do DCE. A partir daí eles se desvincularam da UFSM e se tornaram o TUI em 1969″, explica o ator Cristiano Bittencourt dos Santos, de 36 anos. Em tempos de ditadura, um grupo politizado e partidário de uma frente de esquerda não era o que a Universidade buscava, de acordo com Cristiano. Mais de 50 anos após a criação, contando com seis integrantes, o TUI mantém a essência de contestar a realidade social.

O Teatro Por Que Não? foi criado em 2010 no curso de Artes Cênicas da UFSM e possui  cinco atores e diretores. “Para dar continuidade ao nosso trabalho, nos juntamos em uma estrutura coletiva para tentar nos profissionalizarmos. Em 2012 recebemos o convite do TUI para vir para o Espaço”, afirma Anderson. O grupo protagoniza espetáculos, cursos e oficinas, além de eventos como o Mosaico e (pausa dramática).

O Espaço Cultural Victorio Faccin funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h, na Rua Duque de Caxias, 380. A programação pode ser conferida na página do facebook do teatro.