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Os sonhos de Shakespeare tornaram-se realidade

"Hamlet" em cena durante a apresentação de "Sonhos de William" no Theatro Treze de Maio. / Foto: Roger Haeffner - Laboratório de Fotografia e Memória
“Hamlet” em cena durante a apresentação de “Sonhos de William” no Theatro Treze de Maio. / Foto: Roger Haeffner – Laboratório de Fotografia e Memória

Sem dúvida, William Shakespeare é o maior dramaturgo da história. Passando por adaptações por conta da densidade de seus textos ou servindo de inspiração para o pano de fundo de outras histórias, as tragédias e comédias do escritor inglês tornaram-se atemporais aos olhos atentos daqueles que tem sensibilidade de perceber a arte em tudo, fazendo com que a presença de suas obras em nossas vidas seja notada.

Carlos Alberto Badke, professor do curso de Jornalismo do Centro Universitário Franciscano, que o diga. Após o término das apresentações da peça Pedro, O Viajante, Bebeto Badke sabia que precisava de um novo espetáculo para 2016.

Na mesma época que abriram as inscrições para o Projeto de Extensão da Unifra, Badke ganhou de presente de uma amiga o livro Como Shakespeare Tornou-se Shakespeare. “Comecei a ler, me interessei muito e me dei conta que poderia fazer um espetáculo sobre os processos criativos do Senhor William”, conta o professor. Nascia, então, a primeira fagulha do espetáculo Sonhos de William, que foi apresentado no último sábado, dia 17, no palco do Theatro Treze de Maio para mais de 300 pessoas.

Depois de ter chamado alunos e egressos do Centro Universitário Franciscano para ingressarem no grupo de teatro Todos Ao Palco, começou o processo de preparação dos atores. Badke disponibilizou trechos, livros, peças e filmes baseados em obras de Shakespeare para que todos tivessem ao menos uma noção de sobre o que tratam as peças do dramaturgo inglês. Na sequência, deram início aos trabalhos para escolher quais peças seriam possíveis de trazer para o contexto atual.

Badke, assim como o dramaturgo inglês, acumulou funções. Além de diretor, o professor é responsável por assinar o roteiro final e, claro, interpretar o próprio William Shakespeare. “Ele é o narrador, o fio condutor da história. Ele quem comenta os entreatos de uma peça para outra”, explica o Prof. Bebeto.

Depois que as obras favoritas do grupo foram escolhidas, a criação dos diálogos e a cena aconteceram durante os ensaios. Por vezes, quatro núcleos diferentes ensaiavam ao mesmo tempo cenas diferentes, criando a trama contemporânea a partir dos originais. “Depois, o Bebeto só vinha e fazia ajustes”, conta a atriz Verônica Colvero. Os atores tiveram total liberdade de criação durante o processo. Badke conta que o trabalho foi democrático e aberto. “Alguns chegaram com algumas ideias e acabaram migrando para outra cena e, assim, os atores foram se sentindo à vontade para experimentar”.

A subversão dos sonhos

Na época em que Shakespeare se apresentava com sua companhia teatral, a Rainha Elizabeth I estava no poder. Com a maioria dos protagonistas masculinos, as mulheres eram excluídas do teatro – e também da sociedade como um todo -, e era normal que homens se travestissem de mulher para interpretar papéis femininos. Por escolha, o grupo trabalhou e adaptou obras trágicas em que os protagonistas, além de serem homens, também dão nome a elas como Hamlet e Rei Lear e a única obra com protagonista feminina que trabalharam foi A Megera Domada. Nada disso foi por acaso.

Em Sonhos de William, as seis mulheres que tomam o palco retratadas são poderosíssimas, todas a seu modo, e bem diferente dos textos originais. Os versos e a tragédia mais pesada não estão presentes na peça, mas o peso dos assuntos contemporâneos que o grupo coloca em pauta se faz presente. Tratar de temas como empoderamento feminino, relações homoafetivas e algo próximo de alienação parental requer não é fácil, mas a peça faz parecer que sim.

Ao todo, são dez atores no palco em quatro atos diferentes, mais o William Shakespeare de Bebeto que aparece para comentar os entreatos. “É uma ousadia hoje em dia, ninguém mais faz espetáculo com dez pessoas”, comenta Badke. Nenhum espetáculo será igual ao outro, uma vez que o roteiro só é seguido para que os atores saibam o que será dito e quando, mantendo a fluidez e naturalidade de uma conversa formal. Isso só se tornou possível com a preparação da equipe, que foi realizada por Marina Colvero, que também está na peça e é formada em Artes Cênicas. Foram meses trabalhando com os atores jogos teatrais, expressão corporal e preparação vocal durante os ensaios, o que deu um ótimo ritmo para o espetáculo e também para a vida dos atores.

Bem aos moldes de William Shakespeare, que mostrava o lado cômico das falhas humanas, o grupo Todos Ao Palco, guiado por Bebeto Badke, provoca muito além do riso solto do qual o mundo parece carecer tanto hoje em dia.

Pedindo bis

O Centro Universitário Franciscano receberá a peça no dia 06 de outubro (quinta-feira), às 19h no Salão de Atos do Prédio 13 (Conjunto III, localizado na Rua Silva Jardim, nº 1175).  Assim como Pedro, O Viajante, o espetáculo Sonhos de William será apresentado gratuitamente em escolas locais. As datas ainda estão sendo definidas.

Sonhos de William é um espetáculo teatral, produto do Projeto de Extensão do Centro Universitário Franciscano, com financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC-SM).
Apoio Cultural: Secretaria de Município da Cultura, Centro Universitário Franciscano e Chili Produções Culturais.

ELENCO:
Alex Bittencourt
Carla Rosa
Eduardo Biscayno
Elton Maia
Eveline Grunspan
Iuri Patias
Jaqueline Menezes
Marina Colvero
Renata Teixeira
Verônica Colvero
Bebeto Badke como William Shakespeare

FICHA TÉCNICA:
Adereços e figurino

Luciano Santos

Cabelo e penteados
Moisés Rosa

Maquiagem
Dudu Santos

Iluminação
Régis D’Ávila

Fotografia e Identidade Visual
Heih Coletto

Preparação corporal e vocal
Marina Dutra Colvero

Administração
Chili Produções Culturais

Roteiro
Grupo Todos Ao Palco

Produção, roteiro final e direção
Bebeto Badke
Agradecimentos
Claudia Souto, Daiane Spiazzi, Natalia Librelotto, Nikelen Witter e Solange Fagan

 

Colaborou com esta matéria a acadêmica do curso de jornalismo Júlia Fleck.

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"Hamlet" em cena durante a apresentação de "Sonhos de William" no Theatro Treze de Maio. / Foto: Roger Haeffner - Laboratório de Fotografia e Memória
“Hamlet” em cena durante a apresentação de “Sonhos de William” no Theatro Treze de Maio. / Foto: Roger Haeffner – Laboratório de Fotografia e Memória

Sem dúvida, William Shakespeare é o maior dramaturgo da história. Passando por adaptações por conta da densidade de seus textos ou servindo de inspiração para o pano de fundo de outras histórias, as tragédias e comédias do escritor inglês tornaram-se atemporais aos olhos atentos daqueles que tem sensibilidade de perceber a arte em tudo, fazendo com que a presença de suas obras em nossas vidas seja notada.

Carlos Alberto Badke, professor do curso de Jornalismo do Centro Universitário Franciscano, que o diga. Após o término das apresentações da peça Pedro, O Viajante, Bebeto Badke sabia que precisava de um novo espetáculo para 2016.

Na mesma época que abriram as inscrições para o Projeto de Extensão da Unifra, Badke ganhou de presente de uma amiga o livro Como Shakespeare Tornou-se Shakespeare. “Comecei a ler, me interessei muito e me dei conta que poderia fazer um espetáculo sobre os processos criativos do Senhor William”, conta o professor. Nascia, então, a primeira fagulha do espetáculo Sonhos de William, que foi apresentado no último sábado, dia 17, no palco do Theatro Treze de Maio para mais de 300 pessoas.

Depois de ter chamado alunos e egressos do Centro Universitário Franciscano para ingressarem no grupo de teatro Todos Ao Palco, começou o processo de preparação dos atores. Badke disponibilizou trechos, livros, peças e filmes baseados em obras de Shakespeare para que todos tivessem ao menos uma noção de sobre o que tratam as peças do dramaturgo inglês. Na sequência, deram início aos trabalhos para escolher quais peças seriam possíveis de trazer para o contexto atual.

Badke, assim como o dramaturgo inglês, acumulou funções. Além de diretor, o professor é responsável por assinar o roteiro final e, claro, interpretar o próprio William Shakespeare. “Ele é o narrador, o fio condutor da história. Ele quem comenta os entreatos de uma peça para outra”, explica o Prof. Bebeto.

Depois que as obras favoritas do grupo foram escolhidas, a criação dos diálogos e a cena aconteceram durante os ensaios. Por vezes, quatro núcleos diferentes ensaiavam ao mesmo tempo cenas diferentes, criando a trama contemporânea a partir dos originais. “Depois, o Bebeto só vinha e fazia ajustes”, conta a atriz Verônica Colvero. Os atores tiveram total liberdade de criação durante o processo. Badke conta que o trabalho foi democrático e aberto. “Alguns chegaram com algumas ideias e acabaram migrando para outra cena e, assim, os atores foram se sentindo à vontade para experimentar”.

A subversão dos sonhos

Na época em que Shakespeare se apresentava com sua companhia teatral, a Rainha Elizabeth I estava no poder. Com a maioria dos protagonistas masculinos, as mulheres eram excluídas do teatro – e também da sociedade como um todo -, e era normal que homens se travestissem de mulher para interpretar papéis femininos. Por escolha, o grupo trabalhou e adaptou obras trágicas em que os protagonistas, além de serem homens, também dão nome a elas como Hamlet e Rei Lear e a única obra com protagonista feminina que trabalharam foi A Megera Domada. Nada disso foi por acaso.

Em Sonhos de William, as seis mulheres que tomam o palco retratadas são poderosíssimas, todas a seu modo, e bem diferente dos textos originais. Os versos e a tragédia mais pesada não estão presentes na peça, mas o peso dos assuntos contemporâneos que o grupo coloca em pauta se faz presente. Tratar de temas como empoderamento feminino, relações homoafetivas e algo próximo de alienação parental requer não é fácil, mas a peça faz parecer que sim.

Ao todo, são dez atores no palco em quatro atos diferentes, mais o William Shakespeare de Bebeto que aparece para comentar os entreatos. “É uma ousadia hoje em dia, ninguém mais faz espetáculo com dez pessoas”, comenta Badke. Nenhum espetáculo será igual ao outro, uma vez que o roteiro só é seguido para que os atores saibam o que será dito e quando, mantendo a fluidez e naturalidade de uma conversa formal. Isso só se tornou possível com a preparação da equipe, que foi realizada por Marina Colvero, que também está na peça e é formada em Artes Cênicas. Foram meses trabalhando com os atores jogos teatrais, expressão corporal e preparação vocal durante os ensaios, o que deu um ótimo ritmo para o espetáculo e também para a vida dos atores.

Bem aos moldes de William Shakespeare, que mostrava o lado cômico das falhas humanas, o grupo Todos Ao Palco, guiado por Bebeto Badke, provoca muito além do riso solto do qual o mundo parece carecer tanto hoje em dia.

Pedindo bis

O Centro Universitário Franciscano receberá a peça no dia 06 de outubro (quinta-feira), às 19h no Salão de Atos do Prédio 13 (Conjunto III, localizado na Rua Silva Jardim, nº 1175).  Assim como Pedro, O Viajante, o espetáculo Sonhos de William será apresentado gratuitamente em escolas locais. As datas ainda estão sendo definidas.

Sonhos de William é um espetáculo teatral, produto do Projeto de Extensão do Centro Universitário Franciscano, com financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC-SM).
Apoio Cultural: Secretaria de Município da Cultura, Centro Universitário Franciscano e Chili Produções Culturais.

ELENCO:
Alex Bittencourt
Carla Rosa
Eduardo Biscayno
Elton Maia
Eveline Grunspan
Iuri Patias
Jaqueline Menezes
Marina Colvero
Renata Teixeira
Verônica Colvero
Bebeto Badke como William Shakespeare

FICHA TÉCNICA:
Adereços e figurino

Luciano Santos

Cabelo e penteados
Moisés Rosa

Maquiagem
Dudu Santos

Iluminação
Régis D’Ávila

Fotografia e Identidade Visual
Heih Coletto

Preparação corporal e vocal
Marina Dutra Colvero

Administração
Chili Produções Culturais

Roteiro
Grupo Todos Ao Palco

Produção, roteiro final e direção
Bebeto Badke
Agradecimentos
Claudia Souto, Daiane Spiazzi, Natalia Librelotto, Nikelen Witter e Solange Fagan

 

Colaborou com esta matéria a acadêmica do curso de jornalismo Júlia Fleck.