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Cultura Gaúcha

A influência castelhana na cultura rio-grandense

Apesar de todas as diferenças, a cultura gaúcha é, sem dúvida, um patrimônio com forte influência castelhana compartilhado com os povos do outro lado das fronteiras

É chegado o 20 de setembro, principal data no ano dos gaúchos rio-grandenses e que marca o fim da Semana Farroupilha com desfiles nas principais cidades do estado. A história da Guerra dos Farrapos já é de conhecimento geral, a indignação dos rio-grandenses, liderados por Bento Gonçalves, contra a política fiscal do Império Brasileiro sobre o charque, a tomada de Porto Alegre e o Tratado de Poncho Verde, que deu fim a mais duradoura guerra civil da história do Brasil. Entretanto, a data não marca apenas a história da República do Piratini (nome dado ao estado do Rio Grande do Sul após este se desanexar do território brasileiro), mas também o orgulho da cultura tradicionalista.

Apesar da rivalidade existente entre o Brasil e as repúblicas do Prata, característica muito mais presente no Rio Grande do Sul, é fato que a cultura castelhana teve forte influência na construção da cultura rio-grandense. Foram os espanhóis, por exemplo, que trouxeram às Américas os cavalos da raça Andaluz que, após anos de adaptação à região, deram origem ao cavalo crioulo.

Imagem: Adobe Stock

Segundo o escritor, jornalista e ex-secretário da cultura de Uruguaiana, Ricardo Peró Job, “o Rio Grande do Sul tem uma forte influência espanhola porque boa parte do território pertencia ao Prata, isso só mudou após a assinatura do Tratado de Madrid no ano de 1750. A fronteira rio-grandense, na maior parte do tempo, se localizava em Rio Pardo, região que foi diversas vezes sitiada pelos espanhóis, que jamais conseguiram tomar a fortaleza portuguesa ali existente.”

Os espanhóis são também responsáveis pela diferença linguística presente no interior do estado, especialmente, nas cidades fronteiriças. Tendo como exemplo Uruguaiana, São Borja e Sant’Ana do Livramento, é muito comum o uso de uma linguagem que mescla o português com o espanhol, o uso de termos como gracias, buenas, choripan e tchê se fazem presentes no dia-a-dia.

Apesar da delimitação legal dos limites europeus nas Américas, na prática as fronteiras eram constantemente violadas, cabendo ao povo rio-grandense impor estas divisas abaixo de sangue e guerra. Apesar da rivalidade presente entre as três regiões gaúchas, existem importantes semelhanças entre os povos, como a coragem e a bravura, a prontidão para a peleia e, acima de tudo, o amor à terra.

Imagem: Adobe Stock

Portanto, apesar de todas as diferenças, a cultura gaúcha, motivo de orgulho nos 365 dias do ano, com direito a menção especial aos sete dias entre 13 e 20 de setembro, é sem dúvida um patrimônio com forte influência castelhana compartilhado com os povos do outro lado das fronteiras e que seguirá vivo enquanto houver pessoas dispostas a ouvir os causos de um gaúcho velho em uma roda de mate.

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É chegado o 20 de setembro, principal data no ano dos gaúchos rio-grandenses e que marca o fim da Semana Farroupilha com desfiles nas principais cidades do estado. A história da Guerra dos Farrapos já é de conhecimento geral, a indignação dos rio-grandenses, liderados por Bento Gonçalves, contra a política fiscal do Império Brasileiro sobre o charque, a tomada de Porto Alegre e o Tratado de Poncho Verde, que deu fim a mais duradoura guerra civil da história do Brasil. Entretanto, a data não marca apenas a história da República do Piratini (nome dado ao estado do Rio Grande do Sul após este se desanexar do território brasileiro), mas também o orgulho da cultura tradicionalista.

Apesar da rivalidade existente entre o Brasil e as repúblicas do Prata, característica muito mais presente no Rio Grande do Sul, é fato que a cultura castelhana teve forte influência na construção da cultura rio-grandense. Foram os espanhóis, por exemplo, que trouxeram às Américas os cavalos da raça Andaluz que, após anos de adaptação à região, deram origem ao cavalo crioulo.

Imagem: Adobe Stock

Segundo o escritor, jornalista e ex-secretário da cultura de Uruguaiana, Ricardo Peró Job, “o Rio Grande do Sul tem uma forte influência espanhola porque boa parte do território pertencia ao Prata, isso só mudou após a assinatura do Tratado de Madrid no ano de 1750. A fronteira rio-grandense, na maior parte do tempo, se localizava em Rio Pardo, região que foi diversas vezes sitiada pelos espanhóis, que jamais conseguiram tomar a fortaleza portuguesa ali existente.”

Os espanhóis são também responsáveis pela diferença linguística presente no interior do estado, especialmente, nas cidades fronteiriças. Tendo como exemplo Uruguaiana, São Borja e Sant’Ana do Livramento, é muito comum o uso de uma linguagem que mescla o português com o espanhol, o uso de termos como gracias, buenas, choripan e tchê se fazem presentes no dia-a-dia.

Apesar da delimitação legal dos limites europeus nas Américas, na prática as fronteiras eram constantemente violadas, cabendo ao povo rio-grandense impor estas divisas abaixo de sangue e guerra. Apesar da rivalidade presente entre as três regiões gaúchas, existem importantes semelhanças entre os povos, como a coragem e a bravura, a prontidão para a peleia e, acima de tudo, o amor à terra.

Imagem: Adobe Stock

Portanto, apesar de todas as diferenças, a cultura gaúcha, motivo de orgulho nos 365 dias do ano, com direito a menção especial aos sete dias entre 13 e 20 de setembro, é sem dúvida um patrimônio com forte influência castelhana compartilhado com os povos do outro lado das fronteiras e que seguirá vivo enquanto houver pessoas dispostas a ouvir os causos de um gaúcho velho em uma roda de mate.