Santa Maria, RS (ver mais >>)

Santa Maria, RS, Brazil

TODAS AS PUBLICAÇÕES DE:

Nelson Bofill Schöler

Nelson Bofill Schöler

Durante a primeira metade do século XX, a Argentina era uma das maiores potências econômicas do mundo. Foi ao fim da Segunda Guerra Mundial que a economia do país sofreu uma derrocada fatal. Até hoje, o povo sofre as consequências da má gestão governamental. Devido à inflação, os preços atuais dos produtos argentinos se apresentam muito caros para a população e muito atrativos para os estrangeiros.

No ano seguinte à guerra, mais especificamente em quatro de junho de 1946, o militar Juan Domingo Perón foi eleito democraticamente como presidente da Argentina, acompanhado de sua esposa Evita Perón. Com a ascensão do Peronismo, os cargos públicos começaram a aumentar descontroladamente. Além disto, a primeira-dama exerceu sua influência como cônjuge do presidente e, por meio do dinheiro público que provinha das indústrias diversificadas que havia no território argentino, começou a oferecer apoio financeiro aos países europeus que precisavam pagar dívidas. Perón permaneceu no poder até o ano de 1955 e voltou ao governo entre 1973 e 1974, quando foi substituído por sua segunda mulher, Isabelita Perón, que foi deposta pela milícia no início da ditadura civil-militar em 1976.

O impacto dessas ações, que se mostraram extremamente prejudiciais ao povo, pode ser visto até hoje no território argentino. Mesmo com sua grande produção pecuária, que sempre proporcionou carnes de ótima qualidade, sua produtividade agrícola, que lhe torna uma das maiores produtoras e exportadoras de cereais do mundo, e com uma larga presença de petróleo e gás no país, a Argentina hoje apresenta uma dívida externa fora de controle. A dívida do Banco Central do país subiu cerca de US$ 36 bilhões (R$ 187 bilhões) na gestão de Alberto Fernández. Este valor representa cerca de 80% do crédito do Fundo Monetário Internacional direcionado à Argentina.

A Argentina, hoje, quase não possui mais resquícios dos seus tempos de ouro. Em dezembro de 2021, se tornou viral o vídeo de cidadãos argentinos da província de Santiago del Estero que, após um acidente envolvendo um trem e um caminhão que transportava vacas, mataram os animais e saquearam a carne. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos, mais de 36% da população argentina vivia abaixo da linha da pobreza no primeiro semestre de 2022.

Historicamente, os salários argentinos apresentam maior poder aquisitivo quando comparados com o salário brasileiro. Entretanto, após pesquisas de analistas do Banco Central da Argentina, o país pode fechar o ano com inflação anual superior a 100%. Tentando conter essa inflação, o ministro da economia, Sergio Massa, anunciou nas últimas semanas que o governo está preparando um plano econômico de congelamento de preços. Já é o 9º congelamento realizado pelo governo argentino nos últimos nove anos.

Os mercados sofrem com a escassez de produtos básicos. Imagem: Nelson Bofill

Em Paso de Los Libres, região que faz fronteira com Uruguaiana, o comércio se mantém de pé, mas a infraestrutura maltratada da cidade e a grande diferença de preços das mercadorias em relação ao Brasil lembram aos visitantes que a crise continua. Ao atravessar a ponte e ingressar na Argentina, é possível fazer o câmbio do real para pesos. Atualmente, em alguns lugares, o peso argentino custa R$0,02.

O principal motivo que justifica essa sobrevivência dos negócios em Libres é a possibilidade de poder manter um comércio exterior. É natural as cidades fronteiriças apresentarem melhor desempenho devido ao grande fluxo de imigrantes que as visitam. A maioria dos produtos argentinos atualmente apresentam custos muito atrativos para os brasileiros que visitam o país. Tendo como exemplo o arroz, produzido em grande quantidade em território argentino e brasileiro, nos supermercados locais o preço médio de 10kg é em torno de R$35, enquanto no país vizinho, é possível comprar a mesma quantidade por R$24.

A compra de certos produtos no território argentino são limitadas. Imagem: Nelson Bofill

Mas mesmo as cidades fronteiriças se preocupam com a escassez de alimentos que vem assolando o país. Com o intuito de amenizar os efeitos da crise, alguns supermercados estão restringindo o limite de compra de certos produtos como farinha, açúcar e azeites. Em relação à carne produzida na Argentina, que sempre teve uma qualidade acima da média, o preço médio do quilo de costela é cerca de $ 1.230 (R$ 24,60), enquanto, no Brasil, a mesma quantidade pode ser comprada pagando cerca de R$ 29,20.

Apesar dos aparelhos tecnológicos possuírem um valor parecido em ambos os países, na Argentina a compra parcelada se mostra extremamente prejudicial ao consumidor devido à alta inflação. Um modelo de televisão, que custa $ 125.999 (R$ 2.519,98) à vista, pode ser parcelado em 30 vezes de $ 8.396,57 (R$ 167,93), custando, ao final do pagamento, $ 251.897,10(R$ 5.037,94).

A crise, atualmente, já não é mais novidade para o povo argentino, a situação foi até mesmo eternizada na música local. No ano de 1978, o cantor de tango argentino, Cacho Castaña, escreveu a música Septiembre del ’88, que só viria a ser lançada em 1988. A canção é apresentada como se fosse a leitura de uma carta direcionada à um amigo que reside na Itália. O artista comenta nos primeiros versos sobre a crise que assola a Argentina, citando as mentiras políticas, falsas promessas governamentais e impactos da época da ditadura civil-militar. Ao final da música, o cantor expressa a esperança que ainda existe no povo argentino de voltar a ser um grande país.

Em 2010, durante um concerto, o artista disse que a música parecia ter sido escrita naquele ano, pois mesmo mantendo a esperança, a crise ainda assolava o povo. O músico faleceu em 2019 sem ser capaz de concretizar seu sonho. Entretanto, seu desejo de ver seu país ser grande novamente representa a esperança eterna do povo argentino.

Na tarde desta quinta-feira, 10, a Universidade Franciscana promoveu a Copa do Mundo da UFN. Durante o intervalo dos cursos da tarde, às 15h, teve apresentação ao vivo do programa da Rádio Web UFN, A Copa & Eu, e gravação do programa da UFN TV, Clima de Copa.

Segundo o acadêmico do curso de Jornalismo e apresentador da rádio, Lucas Acosta, “é um momento importante para a Rádio porque nós fomos convidados pela instituição. Fazer este programa no intervalo, ao vivo, onde várias pessoas podem nos acompanhar, é muito gratificante. Neste clima de Copa, onde todos acompanham o futebol, sendo fãs ou não, é bom nós podermos colaborar com este aumento de expectativa da chegada da Copa com o apoio da universidade”.

A Copa & Eu foi apresentada ao vivo na ocasião. Imagem: Nelson Bofill

A rádio teve apresentação de Lucas Acosta e Alam Carrion, Felipe Perosa nas reportagens e Clenilson Oliveira na central técnica. A UFN TV que cobriu a atividade e entrevistou participantes e envolvidos no projeto por meio de reportagens realizadas por Laíz Lacerda e Rogério Giaretta. Os programas apresentaram diversas entrevistas com os estudantes da instituição que compartilharam seus momentos mais marcantes da Copa do Mundo.

A coordenadora de relacionamentos da UFN, Laíse Chaves, comentou sobre o projeto ser uma ação conjunta, “a Copa já está chegando, todo mundo acaba se envolvendo, incluindo os professores, alunos e funcionários da universidade. Então foi uma ação conjunta, a Rádio já tem esse programa e a TV vai ter um quadro também, então surgiu essa ideia de brincar um pouco nesse clima de Copa”.

Acadêmico de Jornalismo e repórter Felipe Perosa, entrevistando o professor Bebeto Badke durante o programa de rádio A Copa & Eu. Imagem: Nelson Bofill

Segundo o acadêmico Ian Lopes “o programa A Copa & Eu já é uma ótima ideia. Trazer ele para o pátio e tornar mais interativo, foi ainda melhor. Gostei muito de ser entrevistado e acho muito bom também pela experiência que é adquirida como repórter ao gravar esse programa ao vivo”.

O programa A Copa e Eu é liberado semanalmente no canal do Youtube e Spotify da Rádio Web UFN, e a cada semana o programa trás um entrevistado diferente. As gravações realizadas pela TV serão disponibilizadas durante o programa Clima de Copa. A produção também envolve o campeonato e vai ser divulgada durante o período dos jogos.

Na noite do último sábado, 22, o Diário de Santa Maria inaugurou o Cine Clube D+, projeto que visa divulgar o cinema de forma gratuita com a parceria do Cineclube da Boca e Lanterninha Aurélio. A primeira sessão, intitulada Madrugadão do Terror, contou com duas exibições de filmes escolhidos pelo público entre os quatro títulos disponíveis. A primeira votação se deu entre os clássicos O Bebê de Rosemary(1969) e Zé do Caixão: À Meia-noite Levarei sua Alma(1964), sendo escolhido o longa de 1969 pelos mais de 50 telespectadores presentes.

Segundo o editor da cultura do Diário, Cassiano Cavalheiro “nós tivemos mais de 140 inscritos, mas como nosso auditório tem 80 lugares, nós precisamos montar uma lista de espera longa. O público teve uma grande pluralidade, nós tivemos desde crianças até senhores e famílias”. Ao final da primeira exibição, os visitantes foram recebidos por doces, salgados e bebidas da cafeteria Oba! É Muito Bom!, Suiti Donuts e Solange Doces. Foi também disponibilizado um console retrô por parte da Estante Gamer e brindes, cortesia do Sebo Camobi e Delivery Much.

Público interagindo ao término do primeiro filme.

Antes de iniciar a segunda exibição da noite, o público participou de outra votação entre Sexta-feira 13 III (1982) e o vencedor Pânico 2 (1997). Ao final da exibição, o editor da cultura expressou seu desejo de fazer sessões mensais com diferentes temas. Em relação à organização do evento, conforme Cavalheiro “a gente considerou abrir um cineclube do Diário, mas por que abrir um se tem tantos em Santa Maria? Então a gente pensou em fazer parcerias e eu lembrei logo dos dois, o Cineclube da Boca que é novo e tem mobilizado tantas pessoas na UFSM e o cineclube Lanterninha Aurélio, que é o nosso clássico, já funciona há 44 anos”.

Já havia passado das 3h30 quando o público começou a ir embora da sede do Diário. Nunca tendo visto os filmes exibidos, o estudante Rubens Miola, 23, afirma que “foi interessante o fato de reunir tantas pessoas que gostam de cinema para aproveitar esses filmes clássicos. Eu espero que haja mais sessões, pois isso incentiva a cultura na cidade”.

O processo de inscrição da sessão foi online, por meio do preenchimento de um formulário onde os participantes podiam sugerir títulos para serem exibidos futuramente, O horário de chegada na Sede do Diário estava marcado para as 21h e o último filme teve fim as 3h30.

Imagens: Nelson Bofill Schöler

Já não tenho mais certeza de que dia era aquele. Sexta-feira? Talvez sábado. Não tenho como lembrar, já fazia dias que não saia de casa ou sequer abria as janelas. Minha única obrigação e prazer naqueles dias era pesquisar e escrever sobre qualquer tema que eu fosse capaz de pensar. Eu lembro que entre um texto e outro, começou a tocar a música “Naquela Mesa” na rádio, a eterna representação de uma perda tão dolorosa e, ao mesmo tempo, tão natural. Comecei então a pesquisar sobre a música, ia ser meu novo tema pelos próximos dias.

Minha primeira descoberta já foi uma desilusão, a canção não foi escrita por Nelson Gonçalves. Na minha ignorância musical, que vezes se apresenta como uma dádiva, vezes como uma maldição, eu sempre imaginei o cantor sentado sozinho em uma mesa de um bar lotado, acompanhado apenas de um copo de whisky onde os gelos já derreteram, vestindo um casaco que não saia do armário há décadas e uma calça muito comprida. Ele mexia impaciente em um velho relógio de pulso, que a esta altura não funcionava mais, o que não era um problema, afinal, o tempo já não importava, enquanto ajustava os óculos que compensavam a falta de visão, consequência dos anos passados, e escrevia suas lástimas em um guardanapo sujo.

Eu nunca me aprofundei muito nesse assunto, mas tenho certeza que se eu me envolvesse um pouco mais, só poderia chegar a uma conclusão daquela noite. Conhecendo a grandiosidade de Nelson Gonçalves, imagino que após abraçar o luto, o cantor provavelmente acenderia um cigarro, pegaria um violão e exporia os seus pesares para todos os presentes, interpretando a mais bela canção que os brasileiros tiveram o privilégio de escutar. Por consequência, não haveria homem, mulher ou criança no recinto que fosse capaz de contemplar tamanha obra e não se encontrar em prantos.

Mas não. Minha imaginação me enganou por todos estes anos. Na verdade o compositor é Sérgio Bittencourt, uma homenagem feita no dia do falecimento do seu pai, em um guardanapo; ao menos essa parte eu acertei. Por um breve momento, eu lembro de esboçar um sorriso, chegava a ser engraçado pensar como um sentimento tão terno, que sempre existiu e sempre existirá, foi retratado de forma tão simples, capaz de transcender gerações; afinal, a autoria pode ser de Bittencourt, mas o sentimento é universal.

No dia 9 de maio de 2007, estreava a Rádioweb Unifra*, em caráter experimental, durante a realização do 5º Fórum de Comunicação Social do Centro Universitário Franciscano. Entretanto, foi apenas no ano de 2008 que a programação da rádio começou a ser estruturada e contar com a participação e colaboração de alunos e professores do curso de Jornalismo. No começo, os alunos contavam com a orientação do professor Gilson Luiz Piber da Silva e a operação do técnico em áudio Sérgio Ricardo da Porciuncula Cruz.

O espaço radiofônico da instituição, desde sua formação, visou aprimorar o ensino dos estudantes dos cursos de comunicação, introduzindo-os a parte prática das profissões. Entre os 11 programas presentes na primeira programação da Rádioweb Unifra, 6 eram produzidos e apresentados por acadêmicos do curso de Jornalismo.

Conforme o professor Bebeto Badke, atual coordenador da Rádio: “A Rádioweb UFN é, na verdade, o laboratório de práticas radiofônicas, ou seja, é lá onde os nossos acadêmicos exercem a prática do radiojornalismo. A prioridade da Rádioweb é justamente essa, a produção dos alunos, portanto, os programas que a gente tem na grade, a maioria são feitos por eles. A rádio também é aberta para outros cursos da instituição, que produzem alguns programas e podcasts que temos atualmente. Ela não tem nenhum vínculo comercial e sua função é dar vazão à produção dos nossos alunos”.

Segundo a professora e coordenadora do curso de Jornalismo, Sione Gomes dos Santos: “A rádio é um espaço que desperta os alunos. Inclusive, aqueles que não conheciam, que não eram próximos do veículo, a partir do momento que tem essa oportunidade e fazem essa experiência, veem o quanto é legal e, sem dúvida, aqueles que já têm uma relação com o veículo, principalmente com o viés do esporte, mais ainda. Então, com certeza é um espaço que é do interesse dos alunos e que traz uma possibilidade de aprendizado”.

Gravação do podcast A Copa e Eu. Imagem: Nelson Bofill

Atualmente, a Rádio conta com quatro produções originais dos acadêmicos de Jornalismo, o Titular da Rede, UFN Esportes, Camisa 10 e UFN Notícias. Há também o programa Me Pega no Colo, que aborda assuntos como a maternidade e cuidados à criança e é produzido pelas professoras do Mestrado Profissional em Saúde Materno Infantil da Universidade Franciscana, Francelaine Benedetti e Cristina Kruel. A grade de programação exibe também três programas reprisados da UFNTV, o Universo Acadêmico, Minutos de Sabedoria e O Tema é Direito.

No ano de 2013, foi criado um texto conjunto que contou com a colaboração dos acadêmicos de Jornalismo Luana Iensen Gonçalves e Tiéle Abreu e dos professores de radiojornalismo do curso de Jornalismo Maicon Elias Kroth, Aurea Evelise Fonseca e Gilson Luiz Piber da Silva. No trabalho, é salientada a importância da convivência dos estudantes com o processo radiofônico durante seu estudo da seguinte forma: “Ouvir e ver como funciona o processo de comunicação radiofônica é uma fase importante e significativa para o acadêmico de jornalismo. O fazer rádio, por sua vez, traz experiência, conhecimento prático e a tomada de decisões naquele momento da transmissão ao vivo. A radioweb é um dispositivo moderno, que marca a convergência das mídias – rádio e internet – e estabelece um novo tipo de interação com o ouvinte/internauta, enriquecendo o programa e a programação da emissora. A experiência da Radioweb Unifra motiva os alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da instituição na teoria e na prática radiofônica, bem como exige a constante atualização e o aprimoramento dos docentes na busca de novos procedimentos para alavancar outras produções”.

Estúdio A do laboratório de rádio da UFN. Imagem: Nelson Bofill

Os acadêmicos têm acesso ao laboratório radiofônico desde o início dos estudos, tanto para realização de atividades referentes ao curso, quanto na produção de programas de interesse pessoal, que tem total apoio do corpo docente para se habituar com a parte prática da profissão. Os laboratórios são também disponibilizados aos estudantes dos demais cursos que queiram interagir com estes meios, produzindo programas de TV e rádio, ou necessitem deles para fins docentes.

Segundo Lucas Acosta, 21 anos, estudante do 6º semestre de Jornalismo e atual apresentador do programa Titular da Rede: “a prática é o que mais faz com que nós adquiramos conhecimento, claro que a teoria é muito importante, mas a prática é o que faz com que a gente cresça cada vez mais na profissão. Para mim, como acadêmico, a rádio me ajudou muito, dá para ver claramente o meu crescimento desde o primeiro programa que eu fiz até o último. O convívio nos torna mais livre com o microfone e torna nossa fala mais clara, este crescimento na rádio também contribui para a melhoria em outros laboratórios, como por exemplo a produção audiovisual”.

* Unifra era como a Universidade Franciscana era nomeada na época.

A Mostra das Profissões UFN disponibiliza oficinas de 12 cursos da instituição em 4 diferentes períodos do dia em que os alunos visitantes são capazes de experimentar na prática a área que pretendem cursar no ensino superior. Durante a oficina de Odontologia, por exemplo, os participantes participam de uma simulação de procedimentos restauradores e em Pedagogia é feita uma apresentação dos recursos tecnológicos na formação de professores.

Segundo Luiza Vitória Bortolotto, 22 anos, estudante do 6º semestre do curso de Psicologia “a quantidade de participantes na oficina foi maior do que o esperado e todos se engajaram na dinâmica proposta”. Em relação às expectativas dos alunos, segundo a acadêmica, “alguns alunos vêm para a Mostra com uma área de atuação em mente, entretanto, outros possuem um leque de opções, nesse caso em que se nota a importância das oficinas que apresenta essas opções para os estudantes serem capazes de encontrar a área com a qual mais se identifica”.

Os participantes do curso de Farmácia coordenaram a oficina de Aromaterapia que, segundo a professora Jane Beatriz Linberger “é uma prática integrativa e complementar em saúde que é aprovada para ser utilizada dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Ela pode ser usada para complementar outros modos de tratamentos naturais contra doenças comuns como, por exemplo, o combate a infecções e a melhoria da imunidade. Entretanto, o fato de se tratar de um método natural, não significa que não há efeitos adversos, esses óleos também podem causar problemas se mal utilizados, por isso a importância da nossa orientação”. Em relação a participação dos estudantes, a professora ressalta o entusiasmo dos participantes e o grande fluxo de alunos que tem comparecido à oficina.

Estudantes participando da oficina de Aromaterapia. Imagem: Luiza Silveira.

A estudante do 3º ano do ensino médio, Kauany Unfer, 18 anos, que participou das atividades referentes à Aromaterapia, ressaltou as diversas áreas que o curso de Farmácia proporciona: “Durante o ensino médio, nós não temos muita noção em relação às áreas seguida no período da faculdade. Essas oficinas são muito reveladoras para nós”. Apesar de visar o ingresso em Relações Internacionais, a estudante abordou a importância do aprendizado que se adquire durante os 10 semestres. Kauany acredita “se tratar de algo muito importante por ter relação com a saúde das pessoas. Principalmente no período da pandemia, o papel daqueles que atuam na saúde se provou essencial. É importante a universidade trazer isso para os estudantes conhecerem suas opções para atuar futuramente”.

Os estudantes visitantes do Ensino Médio interessados no ingresso no curso de Jornalismo foram guiados em uma visita aos laboratórios que ficam no sétimo andar do prédio 14. Os alunos foram apresentados à Agência Central Sul de Notícias, Rádio UFN, Laboratório de Fotografia e UFN TV.

Segundo Thomas Ortiz, 18 anos, que sonha em trabalhar com jornalismo televisivo “Eu estou realizado por estar aqui, apesar de cogitar os cursos de Engenharia Elétrica e Educação Física, hoje Jornalismo é a minha prioridade e a apresentação dos espaços é muito boa para conhecer a estrutura.”

Já Marcos Gabriel Terra Schneider, 18 anos, demonstra interesse por medicina e Vicente Petrucci Filho, 18 anos, visa ingressar na área de diagramação, mas ambos tiveram sua primeira experiência de interação com o jornalismo e demonstraram interesse pelo espaço de trabalho e pela variedade das áreas de produção do curso.

Durante a apresentação guiada, os alunos aprenderam sobre o processo produtivo da profissão, além de conhecerem a matriz curricular do curso e as atividades práticas disponibilizadas a partir do primeiro semestre para os ingressantes.

Segundo Alam Carrion, 27 anos, jornalista graduado pela instituição e técnico de áudio da Rádio UFN “A introdução dos estudantes aos espaços produtivos é importante pois é a forma de eles conhecerem os bastidores de uma notícia ou uma transmissão, para que dessa forma ele saiba como seria entrar em uma cobertura ao vivo e saberem que muitas vezes não é apenas o que eles enxergam que acontece, que há mais coisas envolvidas além da câmera e do repórter.”.

É chegado o 20 de setembro, principal data no ano dos gaúchos rio-grandenses e que marca o fim da Semana Farroupilha com desfiles nas principais cidades do estado. A história da Guerra dos Farrapos já é de conhecimento geral, a indignação dos rio-grandenses, liderados por Bento Gonçalves, contra a política fiscal do Império Brasileiro sobre o charque, a tomada de Porto Alegre e o Tratado de Poncho Verde, que deu fim a mais duradoura guerra civil da história do Brasil. Entretanto, a data não marca apenas a história da República do Piratini (nome dado ao estado do Rio Grande do Sul após este se desanexar do território brasileiro), mas também o orgulho da cultura tradicionalista.

Apesar da rivalidade existente entre o Brasil e as repúblicas do Prata, característica muito mais presente no Rio Grande do Sul, é fato que a cultura castelhana teve forte influência na construção da cultura rio-grandense. Foram os espanhóis, por exemplo, que trouxeram às Américas os cavalos da raça Andaluz que, após anos de adaptação à região, deram origem ao cavalo crioulo.

Imagem: Adobe Stock

Segundo o escritor, jornalista e ex-secretário da cultura de Uruguaiana, Ricardo Peró Job, “o Rio Grande do Sul tem uma forte influência espanhola porque boa parte do território pertencia ao Prata, isso só mudou após a assinatura do Tratado de Madrid no ano de 1750. A fronteira rio-grandense, na maior parte do tempo, se localizava em Rio Pardo, região que foi diversas vezes sitiada pelos espanhóis, que jamais conseguiram tomar a fortaleza portuguesa ali existente.”

Os espanhóis são também responsáveis pela diferença linguística presente no interior do estado, especialmente, nas cidades fronteiriças. Tendo como exemplo Uruguaiana, São Borja e Sant’Ana do Livramento, é muito comum o uso de uma linguagem que mescla o português com o espanhol, o uso de termos como gracias, buenas, choripan e tchê se fazem presentes no dia-a-dia.

Apesar da delimitação legal dos limites europeus nas Américas, na prática as fronteiras eram constantemente violadas, cabendo ao povo rio-grandense impor estas divisas abaixo de sangue e guerra. Apesar da rivalidade presente entre as três regiões gaúchas, existem importantes semelhanças entre os povos, como a coragem e a bravura, a prontidão para a peleia e, acima de tudo, o amor à terra.

Imagem: Adobe Stock

Portanto, apesar de todas as diferenças, a cultura gaúcha, motivo de orgulho nos 365 dias do ano, com direito a menção especial aos sete dias entre 13 e 20 de setembro, é sem dúvida um patrimônio com forte influência castelhana compartilhado com os povos do outro lado das fronteiras e que seguirá vivo enquanto houver pessoas dispostas a ouvir os causos de um gaúcho velho em uma roda de mate.

Desde o surgimento de grandes sociedades na história, diversas bases legais foram estabelecidas pelo homem, tendo como exemplo, a Lei de Talião no oriente, a Lei das Doze Tábuas utilizadas no período da soberania romana, a lei divina que regeu a Idade Média e os complexos sistemas jurídicos projetados na Idade Moderna.

Com a chegada da Idade Contemporânea, a humanidade finalmente se depara com a morte da justiça. Mesmo esta intricada esquematização de direitos e deveres, que regeu o homem por milênios, acabou encontrando seu fim frente a uma sociedade que se vangloria pelo seu acesso às informações, capaz de fornecer conhecimento de forma nunca antes visto, enquanto exibe uma ignorância sem precedentes.

Imagem: Emanuelle Rosa

No século XXI, a justiça se tornou moldável, capaz de ser adaptada a diferentes situações. Nós abandonamos a justiça coletiva e aderimos à justiça individual, onde as punições vem antes do julgamento, onde todos obtiveram a voz que tanto queriam e acabaram sufocando de tanto falar.

A internet, principal meio de propagação da nova “justiça virtual”, tornou-se um campo de batalha, talvez o único modo de combate que o ser humano virá a conhecer no futuro. O conflito físico se tornou crime capital, afinal, a violência é tida como algo muito grave, exceto quando praticada por meio de um desconhecido na internet, que apesar de sua covardia, tornou-se capaz de se colocar em uma condição quase tirânica; tudo pode, nada deve.

Como pode haver respeito em ambientes virtuais onde as pessoas gozam de sua “liberdade de expressão” e, simultaneamente, não estão dispostas a enfrentar os resultados de suas ações? Não ironicamente, estas redes sociais se apresentam como um retrato digno dos valores morais adotados na atualidade. Que justiça pode haver em um julgamento onde o acusado já fora previamente declarado culpado e punido, sem direito a defesa? Bem-vindos a Idade Pós-contemporânea, onde é proibida a prática de hostilidades físicas, entretanto, discussões na internet, com direitos a ofensas e ameaças, são tidas como recreação e o termo ‘consequências’ nada mais é que um conto de fadas que outrora fora respeitado pela humanidade.

Hoje, 06 de setembro de 2022, marca o quinto centenário da conclusão da expedição de circum-navegação de Fernão de Magalhães. Após quase três anos marcados por fome, medo e doenças em águas desconhecidas, além da morte de cerca de 220 tripulantes, incluindo o capitão-geral da armada, a chegada da nau Victoria ao porto de Sanlúcar de Barrameda comprovou as teorias idealizadas por Aristóteles sobre a circunferência da Terra.

Com o início das Grandes Navegações em 1415, o comércio europeu tornou-se monopólio português. Visando vantagens neste novo “mercado exploratório”, os espanhóis se lançaram aos mares, da forma mais extraordinária possível, no ano de 1492, financiando a controversa proposta de circum-navegação de Cristóvão Colombo. Apesar de ter sido um projeto fracassado, quando se considera que seu intuito era alcançar o comércio de especiarias no oriente, esta expedição abriu novas possibilidades ao introduzir às cortes europeias a existência de novas terras, uma das razões que impulsionaram os europeus a iniciarem as Grandes Navegações.

O Padrão dos Descobrimento é um monumento erguido em Lisboa para homenagear as figuras históricas portuguesas envolvidas nas descobertas. Imagem: Pixabay

A partida da Espanha

Desprezado pela coroa portuguesa, mas munido de sonhos megalomaníacos, Magalhães cometeu uma traição incomensurável ao deixar Portugal e pedir ao rei Carlos I, da Espanha, financiamento para sua expedição. Após longos estudos sobre a teoria da circunferência da Terra e o tamanho dos continentes e oceanos, Magalhães estava certo de que a Ilha Molucas, local onde os portugueses negociavam com o oriente, era território espanhol segundo o Tratado de Tordesilhas. Dia 20 de setembro de 1519, a armada, com 5 embarcações e cerca de 250 tripulantes, parte de Sanlúcar de Barrameda, em uma das mais importantes expedições realizadas pelo homem, comandada por um português, sob financiamento espanhol, em um dos momentos de maior tensão entre reinos da história.

Segundo o professor, escritor e historiador, Pedro Duarte, “o período das Grandes Navegações se assemelha ao período da Guerra Fria, se tratava de duas superpotências mundiais, que não faziam uma corrida espacial, e sim uma corrida marítima. Naturalmente, havia espionagem, havia membros da corte portuguesa na Espanha, assim como havia membros da corte espanhola em Portugal.”

Em dezembro de 1519, a tripulação desembarca na região da Baía de Guanabara, local onde celebrou o natal com os nativos americanos no interior das embarcações. Após a partida da região sudeste do Brasil, a armada partiu rumo ao sul do continente. Em meio a insubordinações e rebeliões iniciadas pela falta de confiança dos tripulantes espanhóis no seu líder português, a expedição fora capaz de desbravar importantes regiões marítimas no sul do continente. Foram os membros da nau Santiago, por exemplo, os primeiros a fazerem registros sobre navegações nas águas do Rio Uruguai.

Com o naufrágio de uma embarcação, seguido da deserção de outra, o sonho de Magalhães, de ser reconhecido como o homem que refutou o modelo da Terra plana, se mostrava cada vez mais distante da realidade. Os três navios restantes se aventuraram no labiríntico Estreito de Magalhães, na região da Patagônia, onde permaneceram por 1 mês procurando uma saída para o Oceano Pacífico. Ainda na região da Patagônia, os tripulantes encontraram resquícios de um “povo gigante com pés enormes”. Explica Duarte que “os navegantes não chegaram a ver os gigantes, eles registraram as pegadas daquilo que eles consideraram gigantes, mas na verdade, nada mais era do que pegadas provindas do uso de raquetes de neve por parte dos patagões”.

Os piores momentos

No dia 28 de novembro de 1520, os navegantes chegam ao Oceano Pacífico, nomeado por Magalhães, local onde viriam a encontrar a maior dificuldade de sua viagem. Os cálculos realizados antes de partirem da Espanha, se provaram errados em relação ao tamanho do oceano. Nos mais de três meses que se seguiram, a tripulação se encontrou à deriva e teve que conviver com a morte constante provinda da fome, sede e fadiga. Segundo registros, os tripulantes precisaram recorrer ao consumo de couro dos mastros e farelos de biscoitos misturados com serradura das madeiras, poeira, minhocas e urina de rato. Os navegantes enfrentaram também diversas mortes causadas pela doença escorbuto, proveniente da falta de vitamina C e que, segundo Duarte, “só viria a ser combatida pelos ingleses na transição entre o século XVII e XVIII, ao obrigarem o constante consumo de laranjas por parte de seus marinheiros”.

No dia 6 de março de 1521, após mais de 100 dias sem ser capaz de atracar em lugar algum, a tripulação consegue fazer uma breve parada nas Ilhas Marianas antes de seguir sua viagem às Filipinas, novo destino estabelecido por Magalhães após este perceber que havia subestimado o tamanho do Oceano Pacífico e que não havia a menor possibilidade de a Ilha das Especiarias ser território sob influência castelhana.

A chegada dos tripulantes nas ilhas das Filipinas se mostra muito bem recebida pelo povo. Quando levados a ilha de Cebu, principal centro comercial da região, o rajá Humabon, assim como sua família e centenas de nativos, pediram para serem batizados após os europeus apresentarem a fé cristã a eles. Magalhães acreditava que a propagação da Igreja Católica poderia compensar o seu fracasso com o comércio das Molucas. Entretanto, o líder da ilha de Mactán, Lapu-Lapu, se recusava a prestar vassalagem ao rei da ilha de Cebu, que já havia sido batizado e se tornado um súdito de Carlos I. Magalhães então reúne cerca de 50 homens sob o seu comando e invade a ilha de Mactán, onde é derrotado pelos 1.500 guerreiros de Lapu-Lapu e morre em combate no dia 27 de abril de 1521.

Coube então ao espanhol Juan Sebastian Elcano comandar os homens restantes em uma parada ilegal nas Ilhas das Especiarias, no território português, antes de retornar à Espanha. Depois de terminada a batalha em Mactán, os tripulantes optaram por queimar uma das três embarcações restantes devido à falta de homens. Na saída das Ilhas Molucas, a nau Trinidad optou por retornar pelo Oceano Pacífico, mas acabou sendo capturada e queimada por uma armada portuguesa. A nau Victoria, por sua vez, retornou a Espanha contornando a África, sofrendo novamente de fome, sede e fadiga e chegando à Europa com apenas 18 tripulantes, mas com especiarias o suficiente para cobrir todo o custo da expedição e provando que a Terra não era plana.

Conclui Duarte: “A expedição ao redor do mundo, realizada pelo português Fernão de Magalhães, foi um evento histórico que representou profundas e irreversíveis mudanças no cenário do comércio mundial. Atualmente, segundo a Organização Mundial do Comércio(OMC), cerca de 9 bilhões de toneladas de mercadorias são transportadas por ano de um continente à outro pelo oceanos. Além de provar que o mundo inteiro estava ligado, que os mares não eram obstáculos intransponíveis e sim a maior rede de comércios que o mundo tinha até então, Magalhães, sem saber, entregou a própria vida para realizar uma nova Pangeia (conglomerado de terra, que abrangia todos os continentes, existente na era Paleozoica), ao buscar aproximar os continentes, suas sociedades e suas culturas. Por isso, se a conquista de Ceuta em 1415, foi a faísca que acendeu o pavio da globalização, a circum-navegação de Magalhães foi a explosão”

Antonio Pigafetta, um escritor que fazia parte dos 18 sobreviventes, assim como Francisco Albo, contramestre da nau Victoria durante a chegada à Espanha, mantiveram relatos sobre a expedição, que se tornaram a maior fonte de informação sobre os eventos. As escrituras de Pigafetta, no ano de 1925, foram transformadas no livro “A primeira viagem ao redor do mundo”. No ano de 2022, a expedição foi retratada na série “Sem Limites”, disponível no serviço de streaming Amazon Prime Vídeo. Com 6 episódios, a produção aborda diversos detalhes da viagem e, com algumas exceções, se mantém fiel a veracidade dos fatos.