










A Agência CentralSul de Notícias faz parte do Laboratório de Jornalismo Impresso e Online do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) em Santa Maria/RS (Brasil).
A busca por equilíbrio se tornou negócio global e, junto com o lucro, aumentam as distorções, ilusões e impactos na saúde física e mental
Apenas 36% dos brasileiros usam suplementos com recomendação de um profissional de saúde. Imagem: Enzo Martins/Labfem
Em 2002, o economista americano Paul Zane Pilzer lançou o livro The Wellness Revolution. Na época, a ideia de que o bem-estar poderia se tornar o novo motor da economia global parecia ousada, quase utópica. Porém duas décadas depois, suas previsões se confirmam. O Global Wellness Institute (GWI) estima que a economia do bem-estar movimentou US$ 6,3 trilhões em 2023, cerca de 6% do PIB mundial, e pode alcançar US$ 9 trilhões até 2028, consolidando-se como uma das maiores forças econômicas do planeta.
A busca por equilíbrio entre corpo, mente e estilo de vida saudável deixou de ser privilégio de poucos e tornou-se um dos principais motores de consumo no mundo. Mais que uma tendência, trata-se de um novo paradigma, impulsionado por um público cada vez mais informado, exigente e conectado. Estudos da McKinsey & Company mostram que as gerações Y e Z encaram o bem-estar como parte diária da rotina: sono, alimentação, aparência e saúde mental são prioridades tão importantes quanto carreira e renda.
Uma das empresas de bem-estar que gera controversias é a Goop, fundada em 2008 pela atriz americana Gwyneth Paltrow, com dicas de receitas, sugestões de viagem, entre outros conselhos de autocuidado. Rapidamente, a empresa virou uma marca gigantesca de lifestyle, com loja online, podcasts, eventos e até série na plataforma de streaming Netflix. A proposta sempre foi vender uma vida “equilibrada” e cheia de rituais, só que, no caminho, a empresa passou a apostar em terapias consideradas excêntricas e sem base científica, o que renderam muitas críticas de médicos e pesquisadores.
A discusão cresce porque muitos dos produtos e práticas promovidos pela Goop prometem efeitos que não foram comprovados, como enemas de café para “purificar o corpo”, ovos de jade para “regular hormônios” ou vaporização vaginal para “limpeza energética”. Especialistas alertam que essas tendências podem ser ineficazes ou até perigosas, além de reforçar um mercado de bem-estar que lucra com soluções milagrosas. Por isso, apesar de ser um sucesso comercial, a Goop virou símbolo de um bem-estar que parece mais com marketing e misticismo do que com ciência.
Outra empresa desse meio é a Lemme, criada pela influenciadora americana Kourtney Kardashian, com a proposta de tornar o consumo de suplementos mais simples e prazeroso, apostando em gomas coloridas que prometem benefícios como foco, energia, menos estresse e até mesmo, apoio ao metabolismo. A marca foi construída a partir da imagem de Kourtney nas redes sociais, como referência de bem-estar. Ela afirma ter passado anos pesquisando ingredientes e consultando especialistas para formular produtos “limpos”, veganos e pensados para fazer parte da rotina de quem busca uma vida mais equilibrada.
Junto com o sucesso, a Lemme passou a ser questionada por especialistas e consumidores por não deixar claro quanto de cada ingrediente realmente existe nas fórmulas, além de usar compostos em quantidades consideradas insuficientes para entregar os efeitos prometidos. As críticas apontam que as gomas contêm açúcar, um contraste evidente com o estilo de vida natural promovido pela própria Kourtney. A situação se intensificou após o lançamento do suplemento GLP-1 Daily, divulgado como uma alternativa “natural” aos remédios para emagrecimento. Médicos afirmam que os extratos usados pela marca não reproduzem, nem de longe, o mecanismo do Ozempic, levantando dúvidas sobre a eficácia real do produto e alimentando a suspeita de marketing exagerado.
No Brasil, esse cenário se reforça com a expansão de academias, o avanço de estilos alimentares como vegetarianismo e o crescente interesse por práticas alternativas. Para a personal trainer Kamilla Corrêa Soares, no entanto, essa busca tem se tornado distorcida pela influência das redes sociais, que alteram a percepção de muitas pessoas sobre o próprio corpo. Ela observa que a maioria chega à academia com pressa e expectativas irreais. “As pessoas esquecem que o processo é lento, que existe uma longa caminhada até a construção de massa corporal”. “Não dá para comparar alguém que trabalha com o próprio corpo com uma pessoa que tem uma rotina comum, com filhos, trabalho e estudos”, afirma a personal.
A pressão estética, segundo Kamilla, tem atingido principalmente adolescentes. Até mesmo jovens com boa saúde e condicionamento físico passam a se sentir insuficientes ao se compararem com padrões inalcançáveis. Para a personal, ter um corpo saudável envolve capacidades simples do cotidiano, como subir escadas ou levantar do sofá sem dificuldade, algo que muitos já não conseguem realizar no dia a dia. Ela lembra que saúde não depende de um corpo “definido”, mas de qualidade de vida, embora reconheça que boa parte da população ainda associe bem-estar a uma aparência extremamente tonificada, distante da realidade da maioria.
Kamilla também comenta que muitos evitam a musculação por acreditar que ela não auxilia no emagrecimento. Para ela, isso é um erro, pois quanto mais massa magra uma pessoa possuir, maior é seu gasto calórico, inclusive em repouso. Apesar disso, a personal conta que muitos chegam influenciados por tendências de internet, buscando treinos rápidos e exaustivos, com intervalos mínimos, acreditando que o cansaço extremo garante resultados. Ela alerta que essa lógica pode prejudicar o desempenho. A ausência de descanso reduz a capacidade de aumentar cargas, tornando o treino menos eficiente. Para a personal, uma musculação bem estruturada, com intervalos entre dois e três minutos, tende a gerar resultados mais consistentes, mesmo sem provocar exaustão imediata.
O acompanhamento profissional faz muita diferença na construção de uma rotina de exercícios. Imagem: Arquivo Pessoal
A indústria do bem-estar também é relacionada a nutrição. A área é indicada para além da estética, como: prevenção de doenças, equilíbrio e mais disposição. Contudo, atualmente, são geradas diversas informações sobre alimentação que circulam de forma desproporcional. Pois, nem todas essas informações são corretas ou seguras para a saúde.
Em 2024, o Conselho Federal de Nutrição criou a campanha “Nutrição é Ciência”, iniciativa que visa informar a população sobre a importância de buscar orientação nutricional e outros conteúdos relacionados à alimentação com base em evidências científicas. Segundo eles, muitas vezes nos deparamos com dicas de alimentação sem base científica, que podem ser prejudiciais. Essas informações falsas circulam amplamente e podem levar a práticas alimentares inadequadas, colocando em risco a saúde de quem segue arriscadamente. A campanha reforça que a alimentação é uma questão séria e deve ser tratada com responsabilidade. Apenas profissionais qualificados possuem o conhecimento necessário para entender a complexidade dos nutrientes, como eles interagem no nosso corpo e como podem ser utilizados para melhorar a saúde e o bem-estar.
A nutricionista Maíra Penna reforça que esse mesmo comportamento ocorre frequentemente na alimentação. “Hoje em dia os influenciadores têm um papel enorme na qualidade de vida e hábitos alimentares da população em geral. Seguir essas dietas de internet pode causar deficiências nutricionais, pois muitas vezes nos espelhamos em realidades diferentes das nossas”, afirma. Ela ressalta que, embora a internet seja uma grande fonte de informações, também abriga desinformações disfarçadas de verdade. “Há perfis sérios, com bases científicas, porém, a maioria são conteúdos sensacionalistas e simplistas”, completa.
Do ponto de vista psicológico, especialistas apontam que rotinas supostamente saudáveis podem se tornar prejudiciais quando geram sofrimento e rígidas restrições, levando a crises de ansiedade e estados depressivos. O ciclo de comparação constante, especialmente com influenciadores, faz com que muitos desenvolvam uma percepção de fracasso, mesmo quando seguem hábitos adequados.
Para compreender melhor essa relação entre saúde, estética e bem-estar, o doutor em Psicologia Félix Guazina comenta os impactos psicológicos dessa busca.
Uma pesquisa realizada pela ONG inglesa Girlguiding, em 2023, revela que mais de mil garotas, entre 11 e 21 anos, possuem uma relação delicada mundo virtual. Uma em cada três jovens relatou que sua maior preocupação era comparar a sua vida com a de outras pessoas por meio das redes sociais. Outro dado levantado pelo estudo é sobre a percepção que os pais têm da pressão que elas sofrem na internet. Cerca de 50% das entrevistadas relataram que os pais reconhecem esse tipo de pressão, porém, apenas 12% afirmaram que seus responsáveis têm alguma preocupação real com esse problema enfrentado por elas.
O personal trainer Jeferson Gonçalves também compartilhou sua visão sobre o impacto das redes sociais. Para ele, as plataformas digitais funcionam como vitrine de trabalho, motivam alunos e ajudam a divulgar informações importantes, mas também alimentam expectativas impossíveis. “As pessoas são expostas a corpos perfeitos e editados, o que gera uma comparação constante e, muitas vezes, leva à desistência”, afirma. Jeferson reforça que o desenvolvimento de um corpo saudável exige tempo, consistência e paciência, elementos que não aparecem nos vídeos curtos de influenciadores. “Não adianta enganar as pessoas com promessas de resultados rápidos. Mudar hábitos de uma vida inteira leva tempo”, conclui.
Para Jeferson Gonçalves, cada aluno possui necessidades e objetivos que devem ser considerados durante o treinamento. Imagem: Arquivo Pessoal
O personal conta que percebe um aumento significativo de alunos que chegam com metas incompatíveis com a realidade, sem considerar que influenciadores têm rotinas de treino e trabalho completamente diferentes. Muitos acreditam que treinos curtos compensam anos de sedentarismo, mas Jeferson esclarece que o corpo precisa de meses de adaptação. Nos primeiros 45 dias, o organismo está apenas reconhecendo força, resistência e capacidade de recuperação. Resultados estéticos reais só começam a aparecer após cerca de seis meses de prática contínua. “As pessoas querem reverter anos de maus hábitos em dois meses. Não existe isso”, reforça.
Ele também alerta para a influência de desafios virais e treinos “milagrosos” que se espalham, principalmente na rede social TikTok. Segundo ele, esse tipo de conteúdo ignora a necessidade de treinos específicos para cada pessoa. “O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. A individualização do treino é fundamental”, destaca.
Quanto ao uso de suplementos e hormônios, Jeferson adota uma postura cautelosa. Embora reconheça benefícios quando utilizados com orientação, critica o uso indiscriminado. “A suplementação deve ser feita de maneira estratégica, de acordo com o objetivo individual. O que funciona para uma pessoa pode não ser a melhor opção para outra.” Ele destaca que muitos consomem substâncias sem saber se são adequadas à idade, saúde ou momento do treinamento. “Às vezes, a suplementação é direcionada ao momento errado. Por exemplo, uma pessoa mais velha poderia se beneficiar mais de creatina ou de um anti-inflamatório natural, ao invés de um pré-treino com cafeína, que pode ter efeitos colaterais”, explica Jeferson.
O universitário Eduardo Gomes usa suplementação há um ano e diz que a mudança foi nítida, principalmente na recuperação pós-treino. Segundo ele, a creatina teve um impacto direto no físico e no desempenho. Eduardo também treina com apoio de um personal trainer, que monta rotinas específicas para suas necessidades. Com isso, afirma que deixou de sentir dores no corpo e passou a render muito mais nas atividades físicas. “Ter acompanhamento foi a melhor escolha da minha vida. Recomendo para todo mundo”, destaca.
Para o personal trainer e gerente de academia, em Itaqui (RS), Fabiano Gomes, é fundamental que o profissional seja transparente e nunca engane o cliente.
Fabiano é personal trainer e afirma que as pessoas focam tanto nos resultados visuais que ignoram sinais de dor e exaustão. Imagem: Arquivo Pessoal
Segundo o Law Society Journal, existem quatro pilares que sustentam a saúde mental e o bem-estar integral: a mente e o equilíbrio emocional, o corpo e a saúde física, o espírito e a sensação de propósito e felicidade, além dos relacionamentos e da participação na comunidade. Juntos, esses elementos abrangem as principais dimensões da experiência humana e reconhecem o indivíduo como um “ser completo”, formado por múltiplas camadas que se influenciam mutuamente.
Cada um desses pilares levanta questões essenciais que pedem reflexão e, sobretudo, ação concreta em nosso cotidiano. Mesmo que não tenhamos respostas definitivas para todas elas, é possível afirmar que buscamos, como seres humanos, uma vida com menos dor e sofrimento, na qual possamos aproveitar plenamente a complexidade e a beleza da existência. A sociedade deseja usar o tempo da forma mais significativa possível, cultivando bem-estar e construindo uma vida que faça sentido. Apesar de especialistas apontarem que o bem-estar depende desses quatro pilares, o resultado é um cenário preocupante: muitas pessoas reconhecem a importância desses pontos, mas têm dificuldade em incorporá-los na rotina.
O ritmo acelerado da vida impede que a maioria das pessoas consiga dedicar tempo e atenção aos próprios fundamentos de bem-estar. As rotinas cada vez mais cheias, a pressão por produtividade e a constante sensação de urgência fazem com que até necessidades básicas, como descanso adequado, alimentação consciente ou momentos de conexão social, sejam deixadas em segundo plano.
Nesse cenário, mesmo quem compreende a importância de cuidar da mente, do corpo, do espírito e das relações encontra dificuldades reais para transformar esse conhecimento em hábito. A vida corrida cria um ambiente em que o autocuidado se torna mais uma tarefa a cumprir, e não um componente natural do dia a dia. Assim, o ideal de viver de forma plena e equilibrada acaba se chocando com as exigências de um cotidiano que não oferece tempo, espaço ou energia para que esse equilíbrio aconteça de fato.
A indústria do bem-estar virou um gigante que se alimenta das inseguranças e do cansaço coletivo. Entre aplicativos de meditação, treinos milagrosos e suplementos coloridos esse mercado se vende como resposta para praticamente tudo, estresse, foco, sono, humor, produtividade. Porém, por trás dessa estética de vida perfeita, existe uma lógica comercial poderosa, que transforma autocuidado em mercadoria e faz parecer que saúde é algo que você compra em frascos, não algo que se constrói com tempo, acesso e acompanhamento real.
Ao mesmo tempo, é um setor que cresce porque acerta na necessidade de sentir algum controle. Em meio à rotina acelerada, redes sociais e pressões estéticas, muita gente encontra nessas marcas uma sensação de pertencimento e promessa de mudança rápida. O problema é que esse discurso muitas vezes ignora ciência, exagera resultados e reforça padrões inalcançáveis. No fim, o desafio é distinguir quando estamos cuidando de nós mesmos, e quando só estamos alimentando uma máquina que lucra justamente com o nosso desejo de melhorar.
Reportagem produzida por Isadora Rodrigues e Thine Feistauer em Narrativa Multimídia, no 2º semestre de 2025, sob supervisão da professora Glaíse Bohrer Palma.

A Agência Central Sul está publicando um especial sobre a Feira do Livro, que ocorreu de 22 de agosto a 6 de setembro de 2025 em Santa Maria.
A feira do livro de Santa Maria, que encerrou no último dia 06/09, além de ser um lugar de compra e troca de livros, se tornou um local de convívio social muito importante para a comunidade. Entre os grupos que circularam pelo espaço estavam grupos com mais de 60 anos que compartilharam experiências e trocaram indicações de leituras que marcaram a sua época.
Ao aproximarem-se das bancas, que costumam exibir os lançamentos como primeira opção, as mãos e olhos atentos buscavam principalmente livros como biografias e romances de época, títulos que raramente estavam expostos nas áreas mais visíveis das barracas. Quase nunca estavam sozinhos, geralmente vinham com amigos ou familiares, transformando a escolha de cada livro em longas conversas sobre histórias, memórias e experiências de vida.
Alguns contavam a história de quando leram aquele livro pela primeira vez, outros puxavam papo sobre quando tinham vindo pela última vez na feira e o que mudou desde então, perguntavam para os vendedores o que as novas gerações buscavam e se ainda liam como antigamente. A resposta? Os vendedores sorriam e comentavam que há uma busca por uma literatura diversificada.
Um grupo de senhoras comentou com um dos vendedores que o estilo de literatura que mais chamava atenção delas era a literatura regional, e que mesmo que a Feira fosse em homenagem ao escritor gaúcho, Érico Veríssimo, sentiam que os jovens não davam a digna atenção para esse tipo de leitura, o que as deixava um tanto tristes.
Quando finalmente achavam um livro do seu gosto, pulavam de alegria como se tivessem achado ouro, e assim puxavam assunto com outras pessoas que também procuravam algo especial. Porque a feira também é sobre garimpar, além, é claro, de fortalecer os encontros.
Matéria produzida por Maria Valenthine Fioravante Feistauer na disciplina de Produção da Notícia do curso de Jornalismo, sob orientação da professora Neli Mombelli.

Na última quarta-feira (25), foi realizada a Jornada Científica do Jornalismo, evento que é realizado a cada semestre. A abertura contou com a apresentação do TFG 1 da acadêmica de Jornalismo Vitória Oliveira, intitulado “O papel do jornalismo de moda como agente social, político e cultural nas capas comemorativas dos 50 anos da Vogue Brasil”. O trabalho foi orientado pela professora Laura Fabrício e teve como membro da banca avaliadora a professora Glaíse Palma.

A segunda apresentação da noite foi realizada pelos acadêmicos de jornalismo, Maria Eduarda Rossato, Ygor Vasques e Ian Lopes, em que eles contaram como é a experiencia de atuarem no Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde Equidade) como estudantes de jornalismo. Maria Eduarda, que faz parte do grupo 1 chamado “Promoção da equidade na saúde indígena”, contou suas primeiras experiências focadas na promoção da Saúde Indígena, em parceria com a Liga Acadêmica de Interprofissionalidade e Saúde Coletiva (LAInSC) e com acadêmicos de enfermagem. Maria detalhou suas atividades iniciais, incluindo a participação na comemoração dos 10 anos do projeto EduSaúde+, realizado na Escola de Ensino Fundamental Joaquina de Carvalho (SEEC Lar de Joaquina), que atende crianças em situação de vulnerabilidade social.

Na sequencia, o acadêmico Ygor Vasques contou sua experiencia em participar do Grupo 4 que se chama “Estratégias de cuidado no trabalho em saúde”. Atuando no PET há cerca de um ano, Ygor relatou sua participação no Acolhe, uma policlínica especializada em saúde mental e no acolhimento de pessoas com transtornos suicidas, como uma das experiências mais marcantes. Ele destacou ainda que fazer parte do PET é um privilégio para os estudantes de Jornalismo, pois proporciona acesso a muitos dados e informações relevantes.
O ultimo do grupo a apresentar foi Ian Lopes, acadêmico que participa do grupo 5 chamado “Equidade no processo de maternagem”. Ele compartilhou suas experiências em conferências de saúde e trabalho com comunidades indígenas, destacando a importância do acesso a informações exclusivas através do programa PET. Por fim, Ian comentou sobre o impacto do PET em sua formação profissional, destacando como o programa serve como uma ponte entre a sociedade, a comunidade e a educação.
Para finalizar a Jornada, a egressa do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana, Luiza Dias de Oliveira, apresentou sua tese de doutorado intitulada “Influenciadoras digitais nos EUA: mediações interseccionais em usos sociais de tecnologias por migrantes brasileiras nos EUA”. Luiza comentou sobre sua experiência acompanhando influenciadoras digitais brasileiras que vivem nos Estados Unidos e atuam no setor de trabalho de cuidado no país. Ela contou que passou a segui-las pelas redes sociais e entrou em contato direto com algumas delas. Durante as conversas, Luiza investigou como essas mulheres são tratadas no ambiente de trabalho, em que contexto do mercado estão inseridas, como expõem suas vidas nas redes sociais e de que maneira acabam se relacionam com a tecnologia.

Em coletiva realizada na tarde de hoje, após a entrada dos estudantes para a prova do vestibular, a reitora da Universidade Franciscana, professora Iraní Rupolo, destacou a expressiva procura pelo vestibular de inverno, com ênfase nas áreas da saúde e no curso de Medicina. Questionada sobre o papel da inteligência artificial na formação acadêmica, a reitora foi enfática ao defender o uso ético e consciente da tecnologia, ressaltando que “quem deve gerir a inteligência artificial é a inteligência humana”. Professora Irani ainda lembrou que o avanço digital não pode obscurecer as urgências humanas como a dignidade e a empatia e convocou a comunidade acadêmica ‘a ser ponte, e não muro, no mundo em transformação’.

A reitora ainda ressaltou a importância de discutirmos na Universidade as questões climáticas e ligadas ao meio ambiente, não só na reflexão sobre o assunto, mas também em ações que impactem o coletivo. Para a reitora, o compromisso ecológico deve estar presente nas pequenas atitudes do cotidiano e também nos diálogos com órgãos públicos, outras instituições acadêmicas e o mercado, buscando construir uma consciência coletiva de responsabilidade ambiental. No embalo dos 70 anos da instituição, a reitora encerrou sua fala dizendo que acolher bem os novos estudantes é mais que protocolo, é missão.
Colaboração: Isadora Rodrigues

A XVI Jornada Integrada do Meio Ambiente (JIMA) da Universidade Franciscana ocorreu nos dias 4 e 5 de junho e o tema foi: “Mudanças climáticas: soluções, perspectivas e a casa comum”. O evento teve como objetivo incentivar o diálogo e o compartilhamento de práticas sustentáveis entre diferentes setores da sociedade, além de contribuir para as discussões da Conferência Municipal do Meio Ambiente de Santa Maria. A programação incluiu palestras, apresentações, cineclube e debates, com foco também na relação entre espiritualidade e cuidado ambiental, inspirada nas reflexões do Papa Francisco.
Uma das propostas da programação foi o Cine Clube Ecofalantes, com a exibição do documentário “A campanha contra o clima’, uma produção conjunta da Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suíça e Bélgica. Logo após a apresentação do vídeo, o coordenador da proposta e professor do curso de Direito, Márcio de Souza Bernardes, abriu um debate sobre as mudanças climáticas no planeta. Bernardes destacou a importância de reconhecer que a vida está sempre em mudança e que precisamos de políticas ambientais que vão além do imediato, adotando práticas sustentáveis para reduzir gases como o metano. Ele também ressaltou a urgência de combater a desinformação e enfrentar os desafios climáticos com conhecimento, ética e responsabilidade.
Além disso, o professor criticou a polarização política e a influência do capitalismo nas estruturas do Estado, que dificultam avanços ambientais. Ele alertou para o uso político do termo “comunismo” como um fantasma para desviar de debates e reforçou a necessidade de promover discussões baseadas em ciência e ética para formar cidadãos mais conscientes e preparados para agir pelo futuro do planeta.

Outro momento importante da programação da JIMA foi uma edição especial do Fé & Café com o tema “A preocupação com o meio ambiente envolve espiritualidade?”. A conversa reuniu a reitora da UFN, Iraní Rupolo, e a professora do Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática, Thais Scotti do Canto-Dorow, que destacaram a espiritualidade como parte do cuidado com a vida e com o planeta. O encontro reforçou a importância de unir fé, ciência e ética nas questões ambientais. A atividade foi promovida em parceria com o Instituto Franciscano de Espiritualidades e Humanidades (IFEH), a Arquidiocese de Santa Maria, a Pastoral Universitária e o grupo Jovens em Romaria.
A programação encerrou com um debate sobre o tema: “As contribuições do Papa Francisco para a questão do meio ambiente”. Participaram do momento o Pe. Rogério Alencar Ferraz de Andrade, secretário executivo da CNBB Sul 3, e o professor João Hélio Pes, do curso de Direito da UFN, com mediação do professor Márcio de Souza Bernardes. Durante o debate, se destacou a visão do Papa Francisco sobre a interdependência entre seres humanos e natureza, com a compreensão de que o planeta é um presente de Deus, que exige responsabilidade e cuidado com as gerações presentes e futuras. A comunidade acadêmica foi convidada a refletir sobre mudanças de comportamento, consumo consciente e práticas sustentáveis no dia a dia. Segundo o professor João Hélio cabe à universidade o papel de transformar essas ideias em ações, formando profissionais comprometidos com o cuidado da Casa Comum.
Colaboração de Isadora Rodrigues.

O documentário Morada, dirigido pela professora do curso de Jornalismo Neli Mombelli, foi exibido em pré-lançamento na última semana, no Cineclube da Boca na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A sessão contou com tradução em Libras e reuniu estudantes, amigos e curiosos que foram conhecer a produção, que se passa na Casa do Estudante II (CEU II) da UFSM. O filme mistura realidade e memória para contar as vivências de quem passou por aquele espaço.
A história acompanha Eduarda Magalhães, estudante de Artes Visuais, que descobre um papel antigo dentro da parede do seu quarto, de 1989. A partir disso, ela começa uma investigação sobre quem escreveu aquilo e o que já aconteceu naquele lugar. O documentário faz um passeio por lembranças e marcas deixadas por quem viveu na CEU II, mostrando como a moradia estudantil é cheia de histórias escondidas. A CEU II é a maior moradia estudantil do país e um símbolo de acesso e permanência no ensino superior.
O curta emocionou moradores atuais e antigos ao trazer à tona memórias de desafios, sonhos e solidariedade. A obra revela que a casa do estudante não é apenas um local de moradia, mas um espaço onde se constroem amizades sólidas e duradouras. Essas conexões proporcionam momentos de alegria, compreensão e suporte, fundamentais para enfrentar os desafios da vida universitária
Com relatos sinceros sobre protestos, dificuldades cotidianas e momentos de superação, o filme mostra a importância da convivência e do coletivo para enfrentar os momentos difíceis, como o adoecimento mental e até casos trágicos entre estudantes. A produção também destaca o papel das amizades formadas ali, que muitas vezes substituem o suporte familiar.
Neli Mombelli, diretora e roteirista do documentário “Morada”, revela uma ligação profunda com a Casa do Estudante II, onde morou por três anos e que carrega consigo uma forte conexão com o movimento estudantil. Para ela, contar a história da Casa é, na verdade, contar a própria história e de muitos jovens que passaram por ali. Na noite do pré-lançamento Neli também agradeceu a toda rede de apoio que tornou possível o filme, reforçando que mais do que um espaço físico, a Casa é um símbolo vivo de memória, luta e solidariedade entre estudantes.
O curta ainda não estará disponível em nenhuma plataforma ou local, pois está reservado para participação em festivais. O documentário “Morada” é uma produção da Denise Copetti Produções em parceria com a TV OVO, com o apoio financeiro do edital 002/2023 da Lei Paulo Gustavo, promovido pela Secretaria de Cultura de Santa Maria.

No dia 8 de maio de 2025, o cardeal Robert Francis Prevost foi eleito como o novo líder da Igreja Católica, tornando-se o Papa. Ele escolheu o nome Leão XIV ao assumir o papado, sendo o primeiro agostiniano a chegar ao pontificado em séculos. A eleição aconteceu após dois dias de conclave na Capela Sistina.
O Frei Miguel Accadrolli, da Pastoral da Universidade Franciscana (UFN), conta que está com as expectativas altas em relação ao novo papado e considera que a escolha do nome Leão XIV conta muito sobre a questão social e religiosa do novo pontífice. Ele também acredita que será um Papa capaz de dialogar com o mundo contemporâneo e seus problemas.
Para a Reitora da UFN, Iraní Rupolo, o novo Pontífice possui uma visão ampla da Igreja no contexto global, com forte experiência pastoral e cultural, tendo vivido em diversos países, o que lhe proporciona conhecimento de diferentes línguas e culturas. A Reitora entende que a escolha do nome “Leão XIV” carrega um forte simbolismo, já que Leão XIII lidou com os impactos da Revolução Industrial. Da mesma maneira, o novo papa percebe que estamos inseridos na Era da Inteligência Artificial e defende que a Igreja deve se envolver com esse novo cenário de maneira ética, humana e aberta à inclusão.
Prevost tem 69 anos e nasceu em Chicago nos Estados Unidos da América, se tornando o primeiro papa norte-americano. Em 2014, foi bispo em Chiclayo, no Peru, e em 2023 foi nomeado pelo Papa Francisco cardeal e responsável pelo Dicastério para os Bispos e pela Comissão para a América Latina.
Leão XIV é conhecido por defender a justiça social, a inclusão dos migrantes e o cuidado com o meio ambiente. Em seu primeiro discurso como Papa, destacou a importância de promover o diálogo e dar continuidade ao legado do Papa Francisco.
Com a colaboração de Isadora Rodrigues.

Produzido pelos cursos de Jornalismo e Arquitetura e Urbanismo da Universidade Franciscana, o documentário “Casa Darling” foi lançado na última sexta-feira, 25, durante a semana da Art Déco em Santa Maria. O documentário conta a história da casa 176, onde viveu a família de Ana Prates e é resultado de uma produção conjunta do Laboratório de Produção Audiovisual – LabSeis, do curso de Jornalismo, com a disciplina de Ateliê de Projetos Integrados III, do curso de Arquitetura e Urbanismo, que elabora propostas de intervenção em prédios pré-existentes.
O lançamento foi realizado no Lab Criativo na Vila Belga. Antes da exibição do filme, o arquiteto e professor Luiz Gonzaga Binato de Almeida fez uma apresentação sobre Retrato e Memórias do estilo Art Déco. Na sua fala, o arquiteto contou histórias sobre artefatos antigos em Santa Maria que carregam esta arquitetura.

Casa Darling é um projeto dirigido por Petrius Dias, acadêmico de jornalismo, e Larissa Lima Schimdt arquiteta e urbanista formada pela UFN. Larissa conta que produzir esse documentário foi enriquecedor, pois possibilitou que existisse uma conexão com o patrimônio, tendo laços afetivos e históricos, além de ter a oportunidade de interação com profissionais da área. Gabriel Moreira de Souza, que está no 10° semestre de Arquitetura e Urbanismo e que também trabalhou no projeto, afirma que participar da produção foi muito relevante pra sua trajetória e salienta que um patrimônio não precisa ser tombado para ser valorizado.
O professor do curso de Arquitetura e Urbanismo, Francisco Queruz, considera que além da experiência para os alunos, o documentário é muito importante para os santa-marienses, pois o projeto contém informações inéditas sobre a edificação, de grande relevância histórica.

A professora de Jornalismo, Neli Mombelli, responsável pela orientação e montagem do filme, destaca que o valor do documentário para os cursos está em possibilitar o contato com a história de Santa Maria, assim como conhecer as pessoas que fizeram parte dela. Além disso, a produção faz parte da construção da memória da cidade.
Texto produzido com a colaboração de Isadora Rodrigues.

Santa Maria celebra, nesta semana, o centenário do Art Déco no mundo, já que o movimento também marca a história da cidade. São diversas edificações, mas a presença do Art Déco é mais perceptível para quem anda pela Avenida Rio Branco, que possui diversos exemplares em sequência.
Um deles é a Casa Darling, tema do documentário homônimo que será lançado amanhã, (25/04), a partir das 19h no Lab Criativo da Vila Belga, e integra a programação 100 anos Art Déco Santa Maria no Mundo.
Dirigido por Petrius Dias, acadêmico de Jornalismo, e Larissa Lima Schmidt, aluna do curso de Arquitetura e Urbanismo, o filme retrata a história da casa 176, onde viveu a família de Ana Prates. O documentário é uma produção conjunta do Laboratório de Produção Audiovisual – LabSeis, do curso de Jornalismo, com a disciplina de Ateliê de Projetos Integrados III, do curso de Arquitetura e Urbanismo, que elabora propostas de intervenção em prédios pré-existentes. E, para isso, o primeiro passo é fazer uma pesquisa para compreender o contexto histórico e a arquitetura original do espaço. Assim nasce o documentário Casa Darling.
Antes da exibição do filme, haverá uma apresentação do arquiteto e professor Luiz Gonzaga Binato de Almeida sobre Retrato e Memórias do Art Déco.
Sinopse
Uma casa é o local em que se habitam pessoas, sonhos, histórias e, por que não, a História?! Casa Darling é uma desses locais que, além de ser herança de família, também é herança de um período histórico de Santa Maria: o Art Déco.
O que: Lançamento documentário Casa Darling
Quando: Sexta-feira, 25/04/2025, às 19h
Onde: Lab Criativo – rua Manoel Ribas, 2038, Vila Belga

A exposição 100 Anos de Art Déco – Santa Maria no Mundo, começa nesta quarta-feira, 16, às 17h30, na sala de exposições Angelita Stafani no prédio 14 do conjunto III da Universidade Franciscana. O evento ocorre até o dia 8 de maio. Os horários de funcionamento da sala serão terça, quarta e quinta-feira pela manhã, das 8 às 12h e segunda, terça e quinta-feira pela tarde, das 13h30 às 17h30.
Além de objetos do acervo do Museu Franciscano, a exibição contará com uma maquete do Edíficio Mauá executada pelo Sr. Fumagalli, imagens de edifícios no estilo Art Déco e projeções visuais. Os 100 anos de Art Déco é promovido pelo Coletivo Memória Ativa, que atua em defesa do patrimônio da cidade há mais de cinco anos. Segundo a arquiteta Lídia Rodrigues, o objetivo é mostrar a importância desses patrimônios para a comunidade do município e região, e valorizar a memória do patrimônio cultural.
Confira a programação:
Quarta, dia 16, a partir das 17h30, Sala Imas, UFN, prédio 14
PRÉ – LANÇAMENTO : ABERTURA DA EXPOSIÇÃO 100 ANOS DE ART DÉCO SANTA MARIA NO MUNDO
Sala de Exposição Angelita Stefani
Sala 114 – Prédio 14 – Conjunto III
Rua Silva Jardim, 1175
Terça, dia 22, das 14h às 16h, LabCriativo da Vila Belga
OFICINA DE ILUSTRAÇÃO COM ALUNOS DE ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS
ATIVIDADE CONJUNTA COM DIA MUNDIAL DA CRIATIVIDADE
A ideia é conectar mais as crianças com o patrimônio histórico de Santa Maria, explicando sua origem e através do desenvolvimento de uma atividade lúdica e interativa.
Por Matheus Ruffino, graduado em Design de Animação pela escola Méliès, de São Paulo.
EM EXPOSIÇÃO: GRUPO TECER
Quarta, dia 23, a partir das 19h, LabCriativo da Vila Belga
SOLENIDADE DE ABERTURA
EXPOSIÇÃO ART DÉCO – PRODUÇÃO DE ARTISTAS PLÁSTICOS, COQUETEL, MÚSICA
Quinta, 24 de abril, LabCriativo da Vila Belga
EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS E ACADÊMICAS
NO DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS COM INSPIRAÇÃO ART DÉCO
16h – 18h
Museu Franciscano – André Denardin
Hotel Jantzen – Paula Carvalho e Márcia Kümmel
Ylys – Michelle Flores
19h – 21h
Joias – Junior Odorizzi
Podcast Rio Branco Déco
Design emocional em produtos de Realidade Aumentada – Keven Keller
Sexta, dia 25, LabCriativo da Vila Belga
EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS E ACADÊMICAS NO DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS COM INSPIRAÇÃO ART DÉCO
16h-18h
Casa Pedra – Clarissa Pereira
Casa Marvin Green – Alex Scherer
Sicredi – Zé Barbosa
19h – 21h
RETRATOS & MEMÓRIAS
Arq. Luiz Gonzaga Binato De Almeida
LANÇAMENTO DO DOCUMENTÁRIO CASA DARLING
Curso de Jornalismo – UFN
Sábado, 26, a céu aberto
15h – 18h AVENIDA RIO BRANCO
Caminhos Pela Arquitetura+ Mapeando Memórias
Carros Antigos
Orquestras – Banda Basm
Brique da Vila Belga
19h Mapping em edifício da Avenida Rio Branco
Todas as atividades têm entrada franca
A partir das 21h, confraternização de encerramento (por adesão) no Left+ da Vila Belga (Manuel Ribas, 1991)
LabCriativo do Mercado da Vila Belga (Rua Manoel Ribas, 2038, Distrito Criativo Centro-Gare)
Inscrições aqui
Certificados: até 60 dias após a conclusão do evento
Colaboração da acadêmica de Jornalismo Isadora Rodrigues.