
Santa Maria se prepara para a 83ª Romaria Estadual da Medianeira
Santa Maria recebe de 6 à 8 de novembro, a 83ª edição da Romaria Estadual da Medianeira, considerada a maior manifestação religiosa do Rio Grande do Sul.

Santa Maria recebe de 6 à 8 de novembro, a 83ª edição da Romaria Estadual da Medianeira, considerada a maior manifestação religiosa do Rio Grande do Sul.

A acadêmica de Publicidade e Propaganda da UFN, Vitória Maicá conquistou o prêmio de fotografia documental e informativa no 39º Set da Indústria Criativa.

A Universidade Franciscana de Santa Maria (UFN) realiza de 28 a 30 de outubro o XXX Simpósio de Ensino, Pesquisa e Extensão – SEPE.

O futebol ocupa um espaço importante na vida de milhões de pessoas, mas a influência do esporte nem sempre termina quando o árbitro apita o fim da partida.

Ao longo do dia, os visitantes conheceram os estandes dos cursos de graduação e participaram de oficinas, atividades práticas, visitas e dinâmicas organizadas por acadêmicos e professores da UFN.

“Mãe, como eu sei como são essas casas por dentro?” digo para minha mãe. Ela responde que provavelmente era coisa da minha vó, porque ela era amiga de toda a vizinhança e vivia visitando as amigas.

Da euforia da Rua 24 Horas ao abandono da Alberto Pasqualini, a história de um projeto que prometia transformar o centro de Santa Maria e acabou se tornando símbolo do esquecimento urbano.

Grêmio vive crise critíca na temporada 2026

A obra conta a história de um universitário exausto que começa a ouvir sons estranhos. O curta será lançado dia 2 de dezembro.

Escuto gargalhadas finas e sinceras. Chamam meu nome no portão. Rita Lee dizia: “Tem lugares que me lembram minha vida, por onde andei”.
A Agência CentralSul de Notícias faz parte do Laboratório de Jornalismo Impresso e Online do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) em Santa Maria/RS (Brasil).
Santa Maria recebe entre os dias 6 e 8 de novembro, a 83ª edição da Romaria Estadual da Medianeira, considerada a maior manifestação religiosa do Rio Grande do Sul. A programação reúne celebrações religiosas, momentos de oração, atividades culturais e ações voltadas à integração dos peregrinos. Neste ano, o evento tem como tema “Na tenda da Medianeira, ao encontro de Cristo”, que propõe uma reflexão sobre a acolhida, a fé e a esperança.

As atividades principais começam na sexta-feira (6), com o encerramento da Trezena, às 18h, e a realização da Procissão Luminosa, às 20h, seguida da Cantata Mariana, com apresentações do Coral da Basílica e do Coral Infantil da Escola Mater Educatrix, no Altar-Monumento.
No sábado (7), dia dedicado a Nossa Senhora Medianeira, estão previstas celebrações religiosas, confissões, a tradicional Celebração Gaúcha em honra à Medianeira, além de atividades culturais e recreativas. Entre os destaques estão a Rústica da Medianeira, às 6h, e a Rústica Infantil, às 8h, ambas no Parque da Medianeira. Às 9h ocorre a abertura da Quermesse, acompanhada de atividades como Caça ao Tesouro e passeios de trenzinho.
A programação religiosa inclui a Celebração Gaúcha, às 10h, na Basílica, momentos de adoração, o Terço da Medianeira, confissões e a Missa da Saúde, às 15h. Também estão previstas bênçãos de pessoas e objetos religiosos no Jardim de Caná, apresentação musical de Ricardo Barros, às 17h, e a Missa da Vigília, às 18h. No mesmo horário, o Auditório da Cúria recebe o encontro Fé e Café, que nesta edição abordará o tema “O ser humano em tempos de I.A.”. Às 20h, a Cantata Mariana será realizada no Altar-Monumento.
O domingo (8) será marcado pela tradicional Romaria Estadual. A programação começa ainda de madrugada, com café da manhã dos peregrinos e Missa dos Romeiros, às 5h, na Basílica da Medianeira. Às 6h, haverá celebração na Catedral Metropolitana. A procissão terá saída às 7h30min, da Catedral, em direção ao Altar-Monumento, onde será celebrada a Missa Campal, às 9h, presidida por Dom José Mario Scalon Angonese, arcebispo de Cascavel.
Ao longo do dia, também serão realizadas missas na Basílica da Medianeira e na Cripta, além de momentos de oração, confissões e bênçãos aos peregrinos. Na programação do último dia ainda estão a Missa dos Enfermos, às 15h, no Altar-Monumento, e a celebração de encerramento, às 18h, na Basílica, presidida pelo arcebispo metropolitano de Santa Maria, Dom Leomar Antônio Brustolin.
Além das celebrações, o Parque da Medianeira contará com cronograma de alimentação e convivência. A Feira do Doce da Medianeira ocorre de 30 de outubro a 7 de novembro, das 9h às 19h, no Salão dos Doces, enquanto durarem os estoques. Nos dias 7 e 8 de novembro, a Tenda Belém recebe a Praça de Alimentação. No domingo, também haverá almoço no ginásio da Basílica, com opções de risoto, galeto, churrasco e maionese, para consumo no local ou retirada.

Além da programação concentrada no fim de semana, as atividades preparatórias da Romaria já estão em andamento. Entre elas estão a Trezena Penitencial, realizada diariamente às 6h15min, entre 25 de outubro e 8 de novembro, na Basílica da Medianeira; e a Trezena Móvel, que percorre paróquias e colégios de Santa Maria de 25 de outubro a 6 de novembro, levando momentos de oração e espiritualidade às comunidades.
Durante a Romaria, os peregrinos também poderão visitar diferentes espaços de espiritualidade e utilizar os serviços oferecidos no complexo religioso. O Jardim de Caná contará com fonte de água benta e bênçãos de pessoas e objetos religiosos. A Capela da Ressurreição será destinada à oração pelos falecidos, enquanto a Capela das Velas estará disponível para quem desejar acender uma vela. Na Capela São José, localizada na Cripta, serão realizadas confissões. A Livraria Domus Mariae também estará aberta, com livros e artigos religiosos. O estacionamento do Peregrino terá acesso pela Rua Heitor Campos, atrás do Altar-Monumento.
A 83ª Romaria Estadual da Medianeira é realizada pela Arquidiocese de Santa Maria e pelo Santuário Basílica de Nossa Senhora Medianeira, com apoio de instituições parceiras. A expectativa é reunir milhares de fiéis e peregrinos, repetindo a tradição que, há mais de oito décadas, transforma Santa Maria em ponto de encontro da fé católica no Estado.
A Universidade Franciscana (UFN) também estará presente na cobertura da 83ª Romaria Estadual da Medianeira. Por meio do curso de Jornalismo, acadêmicos participarão da produção de fotografias e textos jornalísticos sobre a programação e os principais acontecimentos do evento. O trabalho será desenvolvido pelos estudantes sob a supervisão de professores do curso, proporcionando uma experiência prática de produção jornalística e contribuindo para o registro e a divulgação da Romaria.
A acadêmica do 8º semestre do curso de Publicidade e Propaganda (PP), da Universidade Franciscana (UFN), Vitória Maicá Gervásio, conquistou o prêmio de fotografia documental e informativa no 39º Set da Indústria Criativa, em Porto Alegre, no dia 22 de outubro. A cerimônia celebrou projetos desenvolvidos por estudantes das áreas de Jornalismo, Publicidade, Design, Produção Audiovisual e Fotografia de diferentes instituições de ensino do Brasil e da América Latina. Nesta edição, foram quase 900 trabalhos inscritos em 26 categorias, avaliados por 150 profissionais do mercado de trabalho.
Este é o segundo ano consecutivo que a acadêmica é premiada nesta categoria. A sequência de fotos vencedoras deste ano é intitulada “Singularidades da fé” e foi registrada durante a 82ª Romaria Estadual da Medianeira, em Santa Maria, no final de 2025. “É muito gratificante porque vemos tantos trabalhos bons concorrendo e abrangendo toda a América Latina. Comemorar essa conquista novamente me faz acreditar ainda mais no meu potencial e qualidade, que muitas vezes duvidamos quando vemos tantos trabalhos lindos sendo produzidos ao nosso redor. É incrível poder levar mais uma vez o nome da UFN para o Set”, destaca Vitória.
Para a professora dos cursos de PP e Jornalismo e coordenadora do Laboratório de Fotografia e Memória (Labfem) da UFN, Laura Fabricio, a conquista é de grande prestígio para a Universidade e região. “A Vitória sempre foi uma aluna dedicada e criativa. Ela tem um olhar sensível para a fotografia. A trajetória da aluna é resultado da sua postura na formação acadêmica. Sinto muito orgulho dela ter sido mais uma vez premiada nesta categoria”, ressalta.

Além de Vitória, outros alunos do curso de Jornalismo da UFN ficaram entre os finalistas da premiação. Maria Valenthine Feistauer e Luiza Silveira estiveram entre os quatro melhores trabalhos da categoria fotografia documental e informativa. Já o acadêmico Nelson Bofill ficou entre os três melhores na categoria fotografia criativa e aplicada. Todos os alunos já foram monitores e voluntários do Labfem. “As monitorias e voluntariados amplificam os conhecimentos técnicos, estéticos, teóricos e práticos da fotografia. Além disso, o laboratório reforça a liberdade para o aluno aprender e produzir”, comenta Laura. Sobre os alunos finalistas nas premiações, a docente salienta que é significativo saber que os conhecimentos fotográficos dos acadêmicos foram selecionados entre as categorias. “É um reconhecimento coletivo de todos os acadêmicos e professores de PP e Jornalismo. Me sinto extremamente honrada com o reflexo do ensino que os cursos proporcionam dentro da UFN. Saber que contribuo com o crescimento e história dos alunos é emocionante”, afirma a professora.
Matéria produzida originalmente para a ASSECOM pela acadêmica de Jornalismo Isadora Rodrigues.
A Universidade Franciscana de Santa Maria (UFN) realiza de 28 a 30 de outubro o XXX Simpósio de Ensino, Pesquisa e Extensão – SEPE. Com o tema Ciência e Tecnologia: Transbordamentos e Impactos, o evento busca integrar as ações desenvolvidas no ensino, na pesquisa e na extensão em âmbito acadêmico e comunitário, socializando conhecimentos, experiências e ideias entre pesquisadores e estudantes da UFN e de outras instituições. O Simpósio apresenta Trabalho Completo (com registro DOI), Resumo Expandido e Produto Tecnológico, sendo aceito trabalhos em português e inglês.

O SEPE começou na manhã do dia 28 de outubro, às 9h, no Salão de Atos, do prédio 1, do conjunto I, com o painel “Ciência e tecnologia: transbordamentos e impactos”. Os convidados foram os professores Anderson Leonidas Gomes, da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e Antônio Gomes, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
A programação segue no dia 29 de outubro às 19h, no Salão de Atos, prédio 1, conjunto I com o painel 2 “Conectando saberes: Ciência, Tecnologia e Soluções. Desafios para Datas Centers no Brasil”. Os convidados são a advogada Cinara Machado – Gerente de Relações Institucionais – Scala Data Centers. “Perspectivas dos ecossistemas de inovação”, com o professor Dr Lissandro Dorneles Dalla Nora – UFN.
E no último dia de SEPE, segue ás 9h no Salão de Atos, prédio 1, conjunto I com o painel 3 “Experiências e desafios de coberturas internacionais” com o Jornalista Rodrigo Lopes, do grupo RBS e “A atual conjuntura das Relações Internacionais e suas múltiplas implicações”, com a professora Dra Tatiana Squeff – UFRGS. Às 13h30 tem o Lançamentos de Produções Científicas e Tecnológicas, às 14h45 Premiação Bolsistas de Iniciação Científica (ICs) e às 16h Fé e Café Magnifica Humanitas, com o Padre Dr Thiago de Moliner Eufrásio, todos no Salão de Atos, prédio 13, conjunto III.

Entre os trabalhos apresentados está o projeto de extensão Nave de Histórias, que busca aproximar a literatura do público infantil por meio da produção de histórias narradas em áudio. Segundo Luiza Fantinel, acadêmica de Jornalismo da UFN e bolsista do projeto, a iniciativa surgiu na disciplina de Áudio para Mídias Digitais e, com o tempo, passou a envolver também os cursos de Design, Letras — Português e Inglês — e Pedagogia.
A partir da participação de estudantes da Escola Castro Alves, foram produzidas 67 histórias, das quais sete foram selecionadas para serem desenvolvidas ao longo do semestre. O trabalho incluiu oficinas de escrita e narração, escolha de áudios, gravações na rádio da UFN e edição das produções. Posteriormente, as histórias foram lançadas em uma sessão de autógrafos durante a Feira do Livro.

Para Luiza, apresentar o projeto no SEPE é uma oportunidade de compartilhar experiências e ampliar o alcance da iniciativa. A acadêmica destaca que o objetivo é incentivar o contato das crianças com a literatura e desenvolver o gosto pela leitura. “É uma troca de experiências que a gente tem. Então, acho que essa é a importância da extensão universitária e da pesquisa, que é incentivar outros a terem os mesmos propósitos”, afirma. A estudante também ressalta que o desenvolvimento do trabalho envolveu um ano de atividades, desde o estudo das possibilidades do projeto até sua aplicação na escola e a elaboração de um artigo para apresentar os resultados da experiência. O projeto tem coordenanção geral da professora Neli Mombelli e supervisão da professora Glaíse Palma.
Outro trabalho apresentado no Simpósio explora a relação entre comunicação digital e política. A acadêmica de Jornalismo Michélli Silveira desenvolveu um perfil no Instagram com o objetivo de contextualizar memes relacionados à política brasileira, utilizando conteúdos publicados na internet como ponto de partida para explicar acontecimentos e temas de interesse público. O projeto reúne quatro publicações produzidas no primeiro semestre de 2026, sobre a prisão de Jair Bolsonaro, o meme do Bolsa Família, o fim da escala de trabalho 6×1 e o meme do Pix. Em cada publicação, os memes introduzem os assuntos, que são contextualizados ao longo dos slides com informações baseadas em notícias já publicadas.

A proposta foi desenvolvida na disciplina de Projeto Experimental em Jornalismo, sob supervisão da professora Glaíse Palma e surgiu da vontade de abordar a política de maneira acessível e criativa, considerando a circulação de informações nas redes sociais. Para Michélli, a falta de contexto pode contribuir para a formação de opiniões sem embasamento, especialmente quando os assuntos envolvem questões políticas. “Eu acredito que abordar estes temas de uma maneira acessível e criativa seja um caminho para a desinformação não ter tanto espaço na vida das pessoas, assim como também acredito que isso estimula o nosso pensamento crítico”, explica.
O desenvolvimento das publicações exige apuração, checagem de informações e elaboração visual. Cada postagem leva, em média, cinco horas para ser produzida, utilizando a plataforma Canva e uma identidade visual inspirada em colagens. Esta é a segunda participação de Michélli no SEPE. A estudante destaca a satisfação de apresentar o trabalho, receber perguntas e perceber o interesse do público pela proposta. Segundo ela, a avaliação recebida durante o evento também ressaltou a importância de tratar a política de forma criativa e acessível.
O futebol ocupa um espaço importante na vida de milhões de pessoas, seja pela paixão por um clube, pela admiração por um jogador ou pela emoção de acompanhar uma competição. Mas a influência do esporte nem sempre termina quando o árbitro apita o fim da partida. Em diferentes momentos da história, jogadores utilizaram a visibilidade conquistada dentro de campo para participar de debates sobre política, desigualdade social, racismo e direitos humanos.
Em uma geração conectada às redes sociais, na qual atletas podem alcançar milhões de seguidores diretamente, suas manifestações também podem despertar o interesse por assuntos que ultrapassam o mundo esportivo. Uma declaração sobre uma eleição, uma campanha contra a desigualdade ou até mesmo a recomendação de um livro pode levar torcedores a pesquisar temas que antes pareciam distantes de sua realidade.

Essa relação, entretanto, levanta uma questão: quando um jovem passa a admirar um jogador pelo que ele faz com a bola, essa admiração também pode despertar nele a vontade de compreender melhor o mundo fora do campo?
A resposta não é necessariamente simples. A admiração por um atleta não significa que o torcedor adotará suas opiniões, mas pode funcionar como um ponto de partida para novas perguntas, pesquisas e conversas. Para compreender como isso acontece, é preciso olhar tanto para a história do futebol quanto para as diferentes formas de influência exercidas pelos jogadores da atualidade.
No Brasil, um dos exemplos mais emblemáticos da relação entre futebol e participação política é Sócrates. No início da década de 1980, o ex-jogador se destacou por sua atuação na Democracia Corinthiana, movimento que defendia a participação coletiva nas decisões do clube em um período marcado pela ditadura militar e pela luta pela redemocratização do país.

Além de sua atuação no esporte, Sócrates tornou-se uma figura associada à defesa da democracia e da participação cidadã. Sua trajetória demonstra que o futebol já funcionava como espaço de debate público muito antes do surgimento das redes sociais.
Décadas depois, os meios de comunicação mudaram, mas permanece uma questão semelhante: qual é o papel de um jogador quando sua popularidade permite que ele alcance pessoas que talvez não acompanhem habitualmente o debate político?
Em junho de 2024, durante a Eurocopa, os franceses Kylian Mbappé e Marcus Thuram utilizaram sua visibilidade para se manifestar sobre o cenário político do país, às vésperas das eleições legislativas. Ambos demonstraram preocupação com o avanço do Reunião Nacional, partido de direita radical, e incentivaram a participação dos eleitores, principalmente dos jovens.

As manifestações evidenciaram como jogadores de futebol podem levar debates políticos a públicos que nem sempre acompanham o noticiário. Mais do que expressar opiniões, atletas com grande alcance nas mídias podem despertar a curiosidade dos torcedores sobre questões que ultrapassam o esporte.
Entretanto, o posicionamento de um ídolo não significa necessariamente uma mudança de opinião entre seus seguidores. O que se evidencia é a busca pelo conhecimento, de ir atrás e pesquisar acerca de assuntos importantes, refletir e construir suas próprias perspectivas e opiniões.
Outra forma de participação aparece na trajetória de Marcus Rashford. Na Inglaterra, o atacante ganhou destaque por sua campanha em defesa de refeições gratuitas para crianças em situação de vulnerabilidade durante as férias escolares. Sua mobilização ajudou a pressionar o governo britânico a rever sua política sobre o tema.

Diferentemente dos posicionamentos eleitorais de Mbappé e Thuram, a iniciativa de Rashford concentrou-se na defesa de uma questão social e na cobrança por uma resposta das autoridades. Seu exemplo demonstra que a atuação pública de um jogador também pode envolver campanhas de mobilização e a defesa de políticas públicas.
Já Lamine Yamal, jovem estrela da seleção espanhola e do Barcelona, ajuda a ampliar a discussão para questões de identidade, diversidade e pertencimento. Filho de pai marroquino e mãe de origem guinéu-equatorial, o atacante tornou-se uma figura de grande visibilidade para jovens de diferentes origens.

Sua trajetória ganhou significado social em um contexto no qual o racismo e a xenofobia continuam presentes no futebol e na sociedade europeia. A própria representatividade de um atleta pode, entretanto, estimular conversas sobre preconceito, inclusão e convivência entre diferentes culturas.
Embora atuem de maneiras distintas, esses jogadores mostram como a presença pública de um atleta pode ultrapassar os resultados esportivos. Seja por meio de manifestações eleitorais, campanhas sociais ou questões relacionadas à identidade, suas trajetórias ajudam a compreender como o futebol pode se conectar a debates que fazem parte da vida dos torcedores.
No cenário brasileiro, a influência de um jogador sobre o público pode assumir uma forma diferente do ativismo eleitoral ou da mobilização por políticas sociais. O caso de Gustavo Scarpa ajuda a discutir como o interesse de um atleta por atividades extracampo também pode aproximar os torcedores de assuntos que vão além do esporte.
O jogador chamou atenção ao compartilhar seu interesse por literatura e comentar obras em vídeos nas mídias digitais, aproximando livros e discussões literárias de um público que acompanha seu trabalho principalmente dentro de campo. Após a divulgação do livro A morte Ivan Ilitch de Lev Tolstói, a obra alcançou o topo dos livros mais vendidos da Amazon Brasil.

A iniciativa se diferencia dos posicionamentos eleitorais de Mbappé e Thuram, assim como da mobilização social de Rashford. Sua relevância para esta discussão está no potencial de uma figura pública despertar curiosidade por atividades que nem sempre estão associadas ao universo esportivo.
A leitura pode ampliar o contato com diferentes perspectivas, estimular o pensamento crítico e incentivar o questionamento de ideias estabelecidas. Nesse sentido, o interesse de um atleta por livros pode contribuir para colocar a literatura em evidência entre seus seguidores, inclusive entre aqueles que não têm o hábito de procurar esse tipo de conteúdo.
Se um jogador pode despertar o interesse por uma obra literária, também pode levar seus seguidores a pesquisar sobre um autor, conhecer um contexto histórico ou entrar em contato com ideias diferentes das que já conheciam. A relação entre futebol e formação cidadã, portanto, não precisa se limitar às manifestações políticas explícitas. Ela também pode passar por iniciativas culturais e pela curiosidade intelectual, desde que não se presuma que a visibilidade de um atleta produza automaticamente mudanças duradouras no comportamento do público.
Entre a atuação democrática de Sócrates, os posicionamentos eleitorais de Mbappé e Thuram, a mobilização social de Rashford, a representatividade de Yamal e o interesse pela literatura associado a Scarpa, existem diferentes formas de um atleta ultrapassar os limites do campo.
Essas trajetórias mostram que o futebol pode se relacionar com questões muito mais amplas do que os resultados de uma partida. Entretanto, compreender o impacto dessa relação exige ouvir também quem está do outro lado: os torcedores, especialmente os jovens que acompanham esses jogadores e constroem suas próprias opiniões em meio a uma grande quantidade de informações.
Será que um jovem que acompanha futebol diariamente passa a prestar mais atenção à política quando seu ídolo se manifesta? Uma declaração pode levá-lo a pesquisar sobre uma eleição, compreender melhor uma questão social ou procurar um livro que nunca havia considerado ler? E até que ponto essa influência estimula a autonomia de pensamento, em vez de simplesmente transferir a opinião de uma celebridade para seu público?
Mais do que defender que jogadores devem ou não se posicionar, essas perguntas convidam a refletir sobre a dimensão social do esporte e sobre a responsabilidade que acompanha a visibilidade pública.
O futebol não precisa se transformar em um palanque partidário para contribuir com a formação cidadã. Quando estimula perguntas, aproxima pessoas de diferentes realidades e desperta o interesse por assuntos que ultrapassam as quatro linhas, ele também pode abrir caminhos para o conhecimento e a participação social.
Afinal, talvez a influência mais importante de um ídolo não esteja em convencer um torcedor a pensar como ele, mas em despertar nesse torcedor a vontade de adquirir um pensamento crítico por conta própria.
Na última sexta-feira, 16 de outubro, a Universidade Franciscana (UFN) promoveu a Mostra das Profissões, no Conjunto III da instituição. O evento reuniu cerca de mil participantes, entre estudantes e professores de mais de 20 escolas públicas e privadas de Santa Maria e região.
Ao longo do dia, os visitantes conheceram os estandes dos cursos de graduação e participaram de oficinas, atividades práticas, visitas e dinâmicas organizadas por acadêmicos e professores da UFN. A proposta foi proporcionar aos estudantes uma experiência mais próxima das áreas profissionais em que desejam atuar.
A programação também apresentou as opções de formação disponíveis na UFN para 2027, que incluem mais de 30 cursos presenciais, quatro semipresenciais e um na modalidade de Educação a Distância (EaD).
Durante a cobertura do evento para a Rádio Web UFN, a acadêmica de Jornalismo Luiza Fantinel conversou com a pró-reitora acadêmica, professora Vanilde Bisognin, que destacou a importância da ampliação das modalidades de ensino oferecidas pela instituição. “A instituição oferece três modalidades para a realização dos cursos de graduação: presencial, semipresencial e a distância. Ressaltando que, independentemente da opção que escolher, a qualidade será a mesma. As diferentes modalidades possuem os mesmos materiais, os mesmos professores, o mesmo acolhimento, pois não negligenciamos uma graduação acessível, flexível e de qualidade”, compartilhou a pró-reitora.

Durante a Mostra, os cursos de graduação promoveram diferentes atividades para apresentar aos visitantes suas áreas de atuação. A Enfermagem, por exemplo, realizou demonstrações práticas de punção venosa e curativos, além de apresentar procedimentos de atendimento em ambulância em situações de urgência e emergência. Já o curso de Direito promoveu um júri simulado no salão de júri da UFN. A Odontologia organizou experiências imersivas, com tour guiado, circuito prático e apresentação da clínica, além de um espaço lúdico.
O curso de Jornalismo também abriu as portas de seus espaços de aprendizagem, com visitas aos Laboratório de Audiovisual (Labseis), à Agência Central Sul de Notícias e ao Laboratório de Fotografia e Memória (Labfem).
Além disso, o projeto do curso de Jornalismo Nave de Histórias, esteve presente com sua cápsula em que uma experiência imersiva de audição de histórias gravadas por alunos do curso e por crianças da escola municipal Castro Alves estava disponível.
Pela primeira vez, o Labfem montou um mini estúdio fotográfico no hall do prédio 17. O espaço contou com exposição de fotografias produzidas por acadêmicos, câmeras fotográficas, livros sobre a história da fotografia e atividades de captação de imagens.

A professora de Fotografia Laura Fabrício destacou a importância de aproximar o público das práticas desenvolvidas no curso. “Convido o público a conhecer os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, que trabalham diretamente com a disciplina de Fotografia. Mas independentemente do teu curso, tu tens acesso à eletiva de Fotografia Digital. Trazer, pela primeira vez, o estúdio para um espaço de maior circulação de público aproxima ainda mais nosso trabalho na Mostra e destaca a importância dessa disciplina para o Jornalismo”, ressaltou.
O curso de Jornalismo também participa sempre da cobertura do evento. Acadêmicos realizaram a transmissão ao vivo da Mostra das Profissões por meio da Rádio Universitária. A experiência permitiu que os estudantes colocassem em prática conhecimentos relacionados à comunicação com o público e à realização de entrevistas com professores e visitantes.





A programação também contou com a participação de representantes da Escola Estadual Irmão José Otão, que compartilharam a experiência do clube de mídias desenvolvido na instituição. Segundo a professora Dominique, o projeto é dividido em três áreas: redes sociais, programação do site e locução na rádio. “Temos um compromisso com o clube todas as quintas-feiras e, aos poucos, o espaço cresce. Com isso, podemos aproximar os alunos dessas atividades”, contou.
A oportunidade de conhecer diferentes cursos e vivenciar atividades práticas também despertou o interesse dos visitantes por áreas específicas de formação. Dessa forma, a Mostra das Profissões se consolidou como um espaço de aproximação entre a universidade e a comunidade escolar, permitindo que os estudantes conhecessem as possibilidades de graduação oferecidas pela UFN e tivessem um primeiro contato com as experiências que fazem parte da vida acadêmica e profissional.









Fotos: Thine Feistauer/Labfem
“Mãe, como eu sei como são essas casas por dentro?” digo para minha mãe. Ela responde que provavelmente era coisa da minha vó, porque ela era amiga de toda a vizinhança e vivia visitando as amigas. Como eu fui criada com ela, acabava indo junto. Minha vó Mariza faleceu dia 24 de maio de 2025, mas isso com certeza não é a primeira coisa que eu lembro quando penso nela.

Primeiro eu lembro do seu sorriso, ela sempre estava sorrindo, mesmo quando estava apavorada com alguma situação. Sim, ela era bem dramática, então qualquer situação mais diferente já era motivo para um “Ai, minha Nossa Senhora Aparecida” bem alto. A vó sempre foi muito católica e sempre acabava rezando para os seus santos.
Quando eu era pequena, morávamos todos no bairro Capelinha, na casa da minha avó Mariza e do meu avô Hamilton. O bairro tinha esse nome por conta de uma capela pequena que tinha lá, onde todos os vizinhos ajudavam a manter e faziam ações sociais. É claro que a Mariza sempre estava em todos os eventos e me levava junto). A vó sempre amou ajudar as pessoas e abrir suas portas para todos que fossem.
Com o tempo ela virou a dona Mariza, todos chamavam ela assim. Ela com certeza foi a pessoa mais bondosa que conheci, sempre alegre, risonha e a fim de ajudar os outros. Lembro de uma vez que uma amiga da casa ao lado pediu para ela um certo produto de limpeza emprestado, ela disse que iria emprestar sem problemas, então ela foi até o mercado, comprou e depois emprestou para a amiga. Esse era o tipo de coisa que ela fazia para agradar quem fosse.
Quando se fala em Dona Mariza uma coisa que é indispensável era sua comida, e nossa que comida boa! Por um tempo ela vendia comidas caseiras que ela fazia. O estrogonofe, na minha opinião, é o melhor. Por conta de ter mãos de ouro para a cozinha, acabava que a casa sempre cheirava a tempero, ela também, porém seu cheiro de creme da natura ressaltava, ela sempre foi muito vaidosa. Sempre usava roupas confortáveis e ao mesmo tempo elegantes. Ela tinha cabelos loiros, que pintava mensalmente, olhos castanhos que acolhiam e um sorriso largo que mostrava todos os dentes. Quando ela ria muito, a dentadura dela caia, o que virava motivo de mais riso. A vó amava se maquiar e ia sempre na manicure pintar tanto as unhas da mão quanto do pé, mesmo no frio.
Mariza se casou com Hamilton com 16 anos, em uma bela cerimônia. Desse amor nasceram dois filhos, James Iure, meu tio, e Oraides Acris, minha mãe. Depois de um tempo, eu nasci, e foi aí que ela encontrou um dos papéis que mais gostava de desempenhar, o de vó. Ela fazia questão de manter a família sempre por perto, reunida ao redor da mesa, com muita conversa, comida boa e risadas.
Se tem uma característica muito forte da Dona Mariza é o quanto ela gostava de limpeza. A casa estava sempre impecável, o chão brilhava, tudo tinha o seu lugar e o cheiro de limpeza fazia parte da casa tanto quanto o cheiro da comida. Ela limpava cantinhos que ninguém nem lembrava que existiam e dizia que casa limpa trazia paz. Acho que foi convivendo com ela que eu aprendi a gostar de organizar tudo. Hoje, quando me pego limpando a casa ou incomodada com alguma bagunça, percebo que puxei exatamente esse lado dela.
Como meus pais precisavam trabalhar, foi a vó quem me criou durante boa parte da minha infância. Eu passava praticamente todos os dias com ela. Era ela quem fazia minha comida, quem me levava para passear, quem me ensinava pequenas coisas da vida e quem estava presente em quase todas as minhas lembranças de criança. Cresci segurando na mão dela, acompanhando sua rotina e aprendendo com o exemplo, muito mais do que com palavras. Por isso, quando penso na minha infância, penso nela.
A casa da vó também era um ponto de encontro. Era comum ver as vizinhas chegando sem avisar, cada uma puxando uma cadeira, colocando a cuia para rodar e começando uma boa conversa. Entre um mate e outro, aparecia um café recém-passado e algum bolinho que ela tinha feito, porque visita nenhuma saía dali sem comer alguma coisa. As tardes aconteciam por risadas, histórias da vizinhança e, claro, uma boa fofoca. Eu ficava por perto, ouvindo tudo sem entender muita coisa, mas gostando da sensação de ver a casa sempre cheia de gente.
Talvez seja por isso que até hoje eu associe acolhimento à casa da minha vó. As portas estavam sempre abertas, a chaleira quase sempre no fogo e havia espaço para mais um na mesa. Dona Mariza tinha esse dom de fazer qualquer pessoa se sentir em casa. Ela cuidava dos outros de um jeito tão natural que parecia nem perceber o quanto fazia diferença na vida de quem passava por ali.
Senti isso quando a vó faleceu de câncer de pâncreas. Recém tínhamos perdido meu avô, que passava por momentos difíceis desde que teve um AVC, há oito anos. Ver os dois partindo em tão pouco tempo foi como perder um pedaço da minha infância e da casa onde cresci. Mesmo assim, tanto no velório dela quanto no do vô, eu senti amor, senti gratidão e senti esperança. Parecia que toda a vida que eles construíram estava ali, reunida em forma de abraço, de oração e de lembrança.
Havia muitas pessoas. Vizinhos que eu não via fazia anos, amigos contando histórias antigas, parentes que vieram de longe e pessoas que fizeram parte da minha criação. Apesar de ter sido o momento mais triste da minha vida, também foi um momento cheio de carinho. Entre lágrimas, eu consegui dar risadas lembrando das manias da vó, das piadas do vô e das histórias que cada um tinha para contar. Foi ali que eu percebi o tamanho do amor que eles deixaram pelo caminho. Dona Mariza e seu Hamilton partiram, mas continuam vivos em cada lembrança, em cada receita, em cada conversa na calçada e em cada gesto de cuidado e amor que aprendi com eles.
Texto produzido na disciplina de Narrativa Jornalística, no primeiro semestre de 2026, sob supervisão da professora Glaíse Bohrer Palma.

Da euforia da Rua 24 Horas ao abandono da Alberto Pasqualini, a história de um projeto que prometia transformar o centro de Santa Maria e acabou se tornando símbolo do esquecimento urbano.
Há ruas que envelhecem com dignidade, como quem vai cedendo ao peso dos anos sem perder a postura. A Alberto Pasqualini, no coração de Santa Maria, envelheceu de outro jeito — com as marcas abertas de quem não teve essa sorte, de quem foi prometido ao brilho e acabou entregue à sombra.
Ela leva o nome de um homem que também conheceu a contradição entre promessa e realidade. Alberto Pasqualini, filho de imigrantes italianos do interior gaúcho, advogado, senador, duas vezes derrotado nas urnas para o governo do estado, defendeu por toda a vida a ideia de que o progresso social só se sustenta quando tem raízes. A rua que leva seu nome, num paradoxo que a cidade talvez não tenha percebido, foi construída sobre areia.
Em março de 1994, ela acordou com um outro nome — Rua 24 Horas — e com a promessa de nunca mais dormir. A cidade acompanhava a onda da capital da moda à época, Curitiba, que havia implementado um projeto semelhante anos antes. Era a época dos planos urbanos ambiciosos, do otimismo dos anos pós-Plano Real, de uma Santa Maria que queria se sentir metrópole mesmo sem o ser. Construída na rua Alberto Pasqualini, espaço central da cidade, próximo ao Calçadão, o projeto teria o diferencial de permanecer aberto durante as noites e as madrugadas, em domingos e feriados.
O local abrigou nos primeiros anos o comércio de jornais e revistas, bomboniére e pizzaria, confecção, presentes, multicoisas e flores, loja de importados, promoção de eventos e loterias, café, sorveteria e tabacaria, artigos esportivos, artesanato e armarinho — e até um módulo com showroom de imóveis. Treze boxes, treze apostas no movimento que a noite prometia trazer. Por um momento, Santa Maria teve uma rua que piscava luzes quando o resto da cidade já havia apagado as suas. Quem passou por ali naqueles primeiros meses guarda a imagem da estrutura metálica em vermelho e amarelo recortando o céu do centro, um clarão de novidade num lugar acostumado ao ritmo lento do interior.
Mas cidades do interior têm seu próprio pulso, e ele não é fácil de dobrar. A publicidade feita em função do lançamento e a ótima localização rendiam aos treze módulos boas vendas durante o dia. À noite, no entanto, a freguesia rareava, ainda que nos primeiros meses houvesse boas condições de policiamento e iluminação. As calçadas, que de dia formigavam com o movimento do centro, ficavam largas demais para o fluxo que aparecia depois das dez da noite. Inicialmente, como constava no regulamento da Rua 24 Horas, era obrigatório manter a loja em funcionamento em tempo integral. Mas regulamento não paga conta de luz, e conta de luz não espera a freguesia aparecer.
Passados poucos meses da inauguração, já não eram todas as lojas que mantinham as portas abertas durante a noite. Não compensava o investimento e a Rua 24 Horas, ao contrário do que alguns pensaram, não alterou o comportamento dos moradores. Os lojistas foram, um a um, cedendo ao cansaço de manter portas abertas para o vazio. Ainda na mesma década, surgiram os primeiros shoppings da cidade, acirrando a competição entre os lojistas. O que a Rua 24 Horas tinha de novidade foi ficando pequeno diante do que eles ofereciam — estacionamento, segurança, ar-condicionado, a promessa de um mundo completo dentro de quatro paredes. Em outubro de 2003, após meses de indecisões, a armação foi removida, a estrutura inteiramente desmontada e a 24 Horas deixou de fazer parte da Rua Alberto Pasqualini.
Hoje quase ninguém sabe onde foi parar a estrutura de metal, tampouco o que foi feito dela. Virou história mal contada, uma daquelas memórias coletivas que a cidade guarda sem saber muito bem onde guardar. O engraçado — e talvez o revelador — é que muita gente ainda pensa na rua como “a Rua 24 Horas”, e a imagem da estrutura vermelha com amarelo ainda vem à mente quando o nome Alberto Pasqualini é pronunciado. O apelido durou mais que a promessa.
O que veio depois é o que o tempo costuma deixar quando ninguém cuida: prédios de fachadas descascadas, paredes cobertas de pichações que são, a seu modo, a única escrita que sobrou do lugar. Onde havia módulos iluminados e vitrines arrumadas, hoje há sombra e concreto partido. Nos últimos anos, a rua chegou a ser interditada por causa de uma marquise que estava prestes a ceder — e cedeu, na noite de um sábado, enquanto engenheiros da Prefeitura monitoravam a situação. O prédio envelheceu mais rápido que a cidade ao redor. Não é o único. Especialistas em urbanismo já apontaram que a omissão administrativa na fiscalização e manutenção, somada à ausência de um planejamento democrático, contribuíram para o abandono de áreas como essa no centro de Santa Maria, abrindo espaço para atos de vandalismo e depredação deflagrados justamente pela falta de identidade e apego da comunidade para com esses espaços.
Nas frestas desse abandono se instalaram as pessoas que a cidade também abandonou — homens e mulheres em situação de rua que encontraram ali, na carcaça de um projeto que prometia não ter hora para fechar, o único abrigo disponível.
Há uma ironia cruel nisso. A Rua 24 Horas nasceu para nunca dormir. Quem dorme nela agora são os que não têm outro lugar.
Mas ainda há um lugar que permanece com aparências da época de ouro, uma loja que abriga em seu interior um pouco do velho e do novo, misturados em harmonia. A loja Ônix é uma das mais antigas da rua e que ainda se mantém funcionando, mesmo diante das adversidades:
“Essa loja, hoje, às vezes parece ser o único ponto brilhante da rua. O único lugar que ainda tem algum tipo de vida. O resto tá aqui, jogado ao acaso. As pessoas passam rápido, pois é uma rua deserta e ninguém quer correr perigo, principalmente agora, no inverno, quando escurece mais cedo. Foi preciso se adaptar.”, conta uma pessoa que vive diariamente no sonho que deveria ser a rua 24 horas.
Por anos, o local permaneceu inalterado e nada foi resolvido em relação às queixas da vizinhança. Uma reforma recente melhorou as condições do ponto, que segue utilizado pelo comércio durante o dia, ainda que em menor número e de forma descentralizada. Certeza de modernidade em uma época já distante, a Rua 24 Horas hoje pouco é lembrada pelos habitantes, ainda que o vazio no local possa remeter àqueles tempos.
Hoje, a Rua Alberto Pasqualini é um retrato de uma Santa Maria que nunca mais existiu — e talvez nunca tenha existido de verdade, ao menos não da forma em que foi imaginada. Ela nasceu de um sonho de metrópole numa cidade de interior, e foi perdendo sua chama ao longo dos anos à medida que a realidade foi mostrando seu custo. Assim como vários outros pontos do centro histórico, que abrigam histórias e memórias milenares mas que cedem ao tempo e ao esquecimento de seus tempos áureos, a rua que prometeu nunca dormir tornou-se, ela mesma, um lugar que a cidade prefere não ver de perto.
Texto produzido na disciplina de Narrativa Jornalística, no primeiro semestre de 2026, sob supervisão da professora Glaíse Bohrer Palma.

Foto: Leo Piva
O Grêmio vive uma crise há anos e parece que ninguém consegue encontrar uma solução. Depois dos anos de glória, com a conquista da Copa do Brasil em 2016 e da Libertadores em 2017, o clube nunca mais foi o mesmo.
Em 2021, começou o declínio de uma geração tão vitoriosa. Com um elenco problemático e uma série de erros dentro e fora de campo, o Grêmio foi rebaixado pela terceira vez em sua história e, em 2022, precisou disputar a Série B do Campeonato Brasileiro.
No ano seguinte, em 2023 veio o ano da ilusão. O Tricolor terminou o Brasileirão como vice-campeão, impulsionado pelo desempenho de Luís Suárez, um dos melhores centroavantes do futebol mundial. Mas depois disso o que parecia ser o início de uma retomada acabou se transformando em mais uma sequência de frustrações.
Ano após ano o Grêmio parece repetir os mesmos erros. Muda o treinador, chegam novos jogadores, surgem novas promessas, mas os problemas continuam. São dois anos sem disputar a Libertadores, a principal competição de clubes da América do Sul, e uma dificuldade cada vez maior de voltar a ser protagonista no futebol brasileiro. O torcedor acompanha as mudanças, cria expectativas e no fim nada se concretiza.
A temporada de 2026 começou com uma nova direção e a contratação de um técnico estrangeiro. A expectativa era de mudança, de um novo planejamento e de um Grêmio capaz de recuperar a competitividade. Mas não demorou muito para perceber que o caminho seria difícil. A montagem do elenco gerou questionamentos, as dificuldades de comunicação entre os jogadores estrangeiros chamaram a atenção e dentro de campo, o time não conseguia apresentar um futebol convincente. Foram derrotas frustrantes, empates inexplicáveis e poucas vitórias.
A torcida apoiou, teve paciência, mas também cobrou respostas que nunca chegaram. Nove meses depois, faltando apenas 11 jogos para o fim da temporada, a direção decidiu demitir o treinador e apostar em Renato Portaluppi, um dos maiores ídolos da história do clube, na tentativa de encontrar uma solução para uma crise que já vinha de muito antes. Porém, trocar o treinador não significa resolver todos os problemas. Até agora o Grêmio continua apresentando um futebol difícil de assistir.
O que resta ao Grêmio em 2026 é tentar sobreviver a uma temporada que se tornou muito mais difícil do que deveria. Com poucas partidas pela frente, evitar o rebaixamento é a prioridade. Mas a crise envolve planejamento, escolhas e a falta de um futebol que represente a grandeza do clube. Para uma torcida que já viveu tantas glórias é difícil aceitar que neste momento, a principal preocupação seja simplesmente conseguir terminar o ano na primeira divisão.
Alunos do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana estão produzindo o curta-metragem Frequência Anômala, na disciplina Produção em Cinema, sob a supervisão da professora Neli Mombelli. A obra conta a história do universitário Lucas exausto pelo trabalho que está editando um podcast. Durante a edição ele começa a escutar sons estranhos e se questiona se são apenas ruídos da gravação ou se ele está alucinando. O curta conta com três diárias e terá duração de aproximadamente 6 minutos e está sendo gravado nas dependências da UFN. A produção envolve todo o semestre, se intensificando no mês de setembro, após o roteiro ser escolhido.

O curta conta com duas pessoas no elenco. Tarso Pimentel, bacharel em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Santa Maria, como Lucas e Karina Fontes, estudante de Jornalismo na Universidade Franciscana, como Clara. O diretor e roteirista é o estudante de Jornalismo Gabriel Deõn. A produção conta com os alunos de Jornalismo da UFN: Enzo Martins como assistente de direção, Andressa Rodrigues na direção de arte, Felipe Perosa como assistente de direção de arte, João Henrique Machado na produção, Tales Trindade e Thomás Ortiz como assistente de produção, Thiago Bochi como foto still, Ygor Vasquez como continuista. Na direção de fotografia o cinegrafista Alexsandro Pedrollo.

O diretor Gabriel Deõn contou como surgiu a ideia do curta. “Tudo surgiu de uma matéria que eu escrevi para a agência, onde fiz algumas entrevistas com alunos da instituição e percebemos como os alunos se sentem sobrecarregados, com atividades da faculdade, trabalho, vida pessoal e afins. Com essa ideia me despertou a vontade de escrever meu curta baseado nisso, como os estudantes se sentem sobrecarregados nesse período da vida”. Ele também destacou que o maior desafio foi conseguir unir essa “problemática” com a arte. “Eu nunca tinha escrito algo para o audiovisual, senti muita dificuldade em levar essa ideia para o papel, mas com ajuda dos colegas, conseguimos desenvolver a história e colocamos em prática agora nesses dias de gravação”.
Para interpretar Lucas, Tarso Pimentel buscou inspiração em situações que observa na sociedade. Segundo o ator, o personagem representa a busca pela alta performance, frequentemente associada ao sucesso, mas que pode levar ao esgotamento. “Vi no Lucas um exemplo do que tenho visto na sociedade ultimamente, essa busca pela alta performance vendida como sucesso que leva as pessoas ao esgotamento. Tentei incorporar sentimentos que me remetessem a esse esgotamento e cansaço”, relata.

Sobre a participação na produção, Tarso destaca o ambiente de trabalho e a relação com a equipe. “Muito legal, a equipe toda é muito divertida e ótima de trabalhar. Apesar das diárias serem longas a gente passa muito tempo dando risada, gosto bastante de trabalhar com as turmas de Jornalismo da UFN”, conta.
Karina Fontes, que interpreta Clara, também destaca como sua formação em Jornalismo contribui para a experiência de atuação. Para ela, as duas áreas, apesar das diferenças, oferecem aprendizados que se complementam. “Por mais que o jornalismo e a atuação sejam completamente opostas eu consigo enxergar benefícios que ajudaram nesses dois lados da minha vida. Sem dúvidas o jornalismo melhorou muito a minha comunicação, que é bastante necessária dentro do set como atriz”, afirma.

A estudante também ressalta a experiência de participar da produção ao lado de colegas que conhece há anos e a familiaridade com a disciplina de cinema. “Fazer parte do curta da disciplina de cinema do curso foi uma experiência muito divertida e enriquecedora. Poder estar com colegas que conheço há anos deixou tudo muito mais agradável. E também por eu já ter feito essa disciplina, consigo compreender muito bem como funciona, estando dos dois lados, na frente e atrás das câmeras”, conclui
O curta será lançado na Mostra de Produção Audiovisual que ocorre dia 2 de dezembro, quarta-feira.

Escuto gargalhadas finas e sinceras. Chamam meu nome no portão. Rita Lee dizia: “Tem lugares que me lembram minha vida, por onde andei”. Sabe-se lá em que ela estava pensando naquele momento, mas das minhas raízes, eu sei. Talvez nem tão minhas, mas as adotei com o tempo. A palavra árvore, segundo o dicionário, significa planta lenhosa com tronco fixo no solo, raízes, despida na base e carregada de galhos e folhas na parte superior. Lembro-me assim, da minha infância.
O bairro Voluntários da Pátria, em Rosário do Sul, sempre foi um dos mais extensos da cidade, recheado de casas, pessoas, praças e lojas. Na verdade, quem percebia tudo isso eram os adultos. Para mim, o brilho nos olhos era outro. Bem no meio de todos aqueles arredores, entre os canteiros, permanecia o João. Quero dizer, o João Bolão.
Sei que, de cara, parece engraçado e simpático, mas explicarei melhor. Minha infância foi marcada pela inocência de uma gigante árvore que ficava em frente à casa de minha tia, a menos de uma quadra da minha. O tronco surgia com raízes fortes e firmes, de um marrom-escuro intenso, muito bem fixadas no chão gramado do canteiro. Contava-se, naquela época, que ela havia sido plantada com cola branca e, por isso, era tão resistente. Se você não acredita, eu e meus amigos, aos seis anos de idade, achávamos que era a mais pura verdade. Afinal, por que não seria?
Na música chamada “Minha vida”, canta-se também a parte: “As histórias, os caminhos, os destinos, que eu mudei”. Ela era exatamente assim. Essa planta tinha a maior sorte (ou azar) de presenciar as maiores brincadeiras já vistas na terra onde foi plantada. As folhas grandes, majestosas, no verde mais chamativo e escuro que já vi, balançavam de um lado para o outro como se acompanhassem o ritmo lento de uma dança. A título de curiosidade, a casa de minha tia também era verde, o que chegava a ser irônico. Eram tantas folhas que nos perdíamos olhando para cima. O bairro era, de fato, grandioso, mas o João (que agora vocês estão conhecendo) era mil vezes maior.
Assim como na canção, Rita Lee canta: “Cenas no meu filme branco e preto, que o vento levou e o tempo trás”. Esse arvoredo teria inúmeras histórias para contar enquanto o vento o enriquecia de vida. Mas, antes de contar tudo o que ele presenciava, preciso falar de mais uma característica que chamava atenção.
Roxo sempre foi uma das minhas cores favoritas na infância e, talvez agora, pensando bem, o João tenha culpa nisso. O nome “João”, que tantas vezes mencionei, vem do fruto que pesava entre suas folhagens. Pode-se até confundi-lo com uvas, de tão parecido. Quando maduros, os frutos ficam de um roxo quase preto e se enchem de uma polpa suculenta. Porém, não se enganem com a primeira impressão. Na época da safra, eles caem do pé e forram o chão, tingindo tudo o que tocam: mãos, roupas, calçadas e até os carros estacionados sob sua sombra no verão.
Essas frutas presenciavam tudo o que se pode imaginar. Mas era durante as tardes que pareciam mais felizes ao ver as crianças brincarem. O ponto de encontro era sempre ali. Talvez você me pergunte: “Mas e quando chovia?” E eu respondo: também. Afinal, ela protegia qualquer coisa que estivesse embaixo. A altura do João varia entre 13 e 22 metros, mas isso nunca nos assustou. Pelo contrário, nos encorajava. Acredito que, se hoje sou uma pessoa corajosa e forte, foi porque, aos seis anos, escalava todo aquele arvoredo até o topo. Ali, naquele lugar, eu realmente me sentia no topo do mundo.
“Tem pessoas, que a gente não esquece, nem se esquecer”, canta Rita. Muito provavelmente eu e meus amigos éramos assim para o João, e vou contar mais a fundo o porquê. Naquela época, dizia-se que a árvore seria cortada e levada embora. Eu chorava por não querer perder um dos meus melhores amigos. Já minha tia lamentava a possível perda da sombra para o chimarrão. O medo era tanto que, sempre que apareciam para podar a árvore, ficávamos de olho, como guarda-costas de alguém muito famoso (E para nós, ele realmente era).
Pior ainda era quando nós, baixinhos e com nossas bicicletas, chegávamos lá e ela já estava podada. Indignação era a palavra que descrevia aquele momento. Mas nem assim deixávamos o João se abalar. As milhares (sem drama, eram milhares ) de folhas espalhadas pelo chão chegavam a nos encobrir de tão altas. Tudo bem, também não era tão difícil naquela época. Os galhos e folhas cortados formavam um monte que alcançava quase a metade do tronco da árvore. E essa era a parte mais divertida.
Já ouviram falar em piscina ecológica? Pois lhes apresento esse termo.
Quando as folhagens ficavam amontoadas junto ao tronco, escalávamos o João até o mais alto que conseguíamos e, de lá, com toda a coragem do mundo, nos atirávamos sobre elas. Era a nossa forma de não deixar a natureza triste por perder algumas folhas. Também elogiávamos o arvoredo e dizíamos que ele tinha ficado bonito de cabelo cortado. Realmente éramos “personagens do filme de memórias” do João.
“Desenhos que a vida vai fazendo, desbotam alguns, uns ficam iguais”. Sabe aquela frase que ouvimos quando crescemos: “Um dia você brincou pela última vez e não sabia”? Talvez essa parte tenha doído para o João. Ele foi envelhecendo e perdendo o brilho das folhas, assim como nós.
Em algum dia qualquer daquela rua, fizemos comida de mentira com aquelas frutinhas, nos escondemos atrás do arvoredo, sujamos as mãos de roxo, brincamos de casinha e gargalhamos ao subir no topo do mundo, pela última vez.
“Entre todos os amores e amigos, de você, me lembro mais”. Há mais uma coisa que quero contar sobre o João. Existiam outras duas árvores ao seu lado. Porém, com todo respeito a elas, João Bolão era o protagonista. Eram menores, tinham troncos mais finos, menos galhos e menos folhas. Ocupavam menos espaço e pareciam estar ali para lhe fazer companhia quando nós não aparecíamos — o que era raro. Ainda assim, achei importante incluí-las nesta escrita. Elas também têm suas histórias. Mas isso fica para outro dia.
Inclusive, escrevendo este perfil, descobri pela primeira vez que o nome correto é “Jambolão” ou “Jamelão” e que sua origem é indiana. Com todo respeito, João é muito mais criativo e bonito do que qualquer outro nome que poderíamos ter dado.
E, se isso também puder servir de inspiração, essa árvore foi plantada pelo meu pai, em 1991, um ano depois de conhecer minha mãe.
Ou seja, quem me conhece e me vê, de alguma forma também convive com a natureza dessa árvore. Provavelmente, em algum momento, já me ouviu elogiar alguma árvore. E, se ainda não ouviu, há de se esperar. Talvez porque, toda vez que paro para admirar uma delas, eu enxergue um pouco do João. Ou talvez porque, sem perceber, eu tenha aprendido com ele a encontrar beleza até nas raízes e folhas que precisam cair. No fim das contas, quem conhece um pouco de mim, conhece um pouco dele também.
É, João… Rita Lee estava certa: “De você, não esqueço jamais”.
Texto produzido na disciplina de Narrativa Jornalística, no primeiro semestre de 2026, sob supervisão da professora Glaíse Bohrer Palma.
A imagem é meramente ilustrativa pois a árvore a que a autora se refere não existe mais.