
“Se eles fazem isso com elas, vão fazer com você”: Quando a distopia deixa de ser ficção
Da teocracia de Gilead ao discurso contra o voto feminino em 2026: a tática silenciosa do extremismo.

Da teocracia de Gilead ao discurso contra o voto feminino em 2026: a tática silenciosa do extremismo.

Com o aumento dos desastres climáticos extremos, novas discussões estão ocorrendo sobre o impacto na saúde mental.

Acadêmicos de Jornalismo da UFN realizaram uma viagem técnica a Porto Alegre, com visitas a diferentes espaços de comunicação e cultura.

Sete das 13 histórias inéditas desta edição foram criadas por alunos dos quartos e quintos anos da Escola de Ensino Fundamental Castro Alves.

Ao conectar escola e universidade, o projeto promove experiências de leitura, escrita e produção sonora, estimulando a imaginação e desenvolvendo novas formas de expressão.

O artigo analisa as contradições entre o discurso de inclusão da FIFA e as polêmicas envolvendo imigração e segurança que marcaram o início da Copa do Mundo de 2026.

A 4ª Mostra da Extensão da UFN ocorre de 27 a 29 de abril, reunindo projetos, atividades e debates que destacam a atuação extensionista da Universidade.

O evento ocorre dia 1° de Maio, das 13h às 20h, na Praça do Mallet, com entrada gratuita.

Garimpo da Moda da UFN completa 10 anos com aumento de expositores, boas vendas e participação de acadêmicos de diferentes cursos, promovendo a circulação de peças e o consumo consciente.

O podcast é um trabalho conjunto do Núcleo de Apoio a Diversidade Humana com a Rádio Web UFN.
A Agência CentralSul de Notícias faz parte do Laboratório de Jornalismo Impresso e Online do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) em Santa Maria/RS (Brasil).
Da teocracia de Gilead ao discurso contra o voto feminino em 2026: a tática silenciosa do extremismo.

É estranho e profundamente assustador pensar que, em pleno século XXI, 2026, os direitos fundamentais das mulheres continuem sendo abertamente questionados. Nos Estados Unidos, influenciadores de comunidades focadas em masculinidade e antifeminismo e pastores de correntes ultraconservadoras passaram a defender abertamente que a concessão do voto às mulheres prejudicou a estrutura familiar e os valores “tradicionais”. O argumento recorrente é o de que homens e mulheres possuem papéis divinos distintos e que a tomada de decisão política caberia ao “chefe da família”.
No Brasil, esse tipo de discurso também ganha força, impulsionado pelo apoio de influenciadores e lideranças religiosas com falas de que escolhas femininas seriam pautadas “pela emoção e não pela razão”. Conforme analisam cientistas políticos e historiadores, tais falas, mesmo parecendo absurdas para a maioria, funcionam como teste de limites. Ao pautar o tema nas redes, o extremismo busca normalizar a dúvida sobre direitos que antes eram considerados intocáveis.
Em entrevista ao portal Brasil de Fato, a historiadora Joana Maria Pedro, professora emérita da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), adverte que a maior ameaça ao voto e à autonomia feminina não virá necessariamente de uma canetada autoritária repentina, mas de um processo de convencimento moral por meio do fundamentalismo religioso:
“O risco seria através da religião. Eu acho que é a coisa mais eficiente que existe. Se eles conseguirem, de fato, convencer a maioria das pessoas de que o voto das mulheres é uma coisa imoral perante Deus, que isso destrói a família sagrada, a gente perde o direito ao voto, assim como perde outros direitos.”
Em Gilead, a república totalitária e teocrática retratada na série ficcional The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia), conhecemos a história de uma democracia que ruiu, a taxa de natalidade lá em baixo, bebês não nascem mais devido a crise global de fertilidade causada pela poluição e radiação do país. Uma das primeiras medidas do novo regime foi a retirada sistemática de todos os direitos femininos. Mas não se enganem, não foi algo que aconteceu do dia para a noite. Foi um plano pensado, arquitetado e executado em etapas para não levantar suspeitas imediatas.
Primeiro veio a demissão em massa, obviamente apenas das mulheres. Em seguida, o bloqueio das contas bancárias, transferindo a gestão financeira exclusivamente para os homens da família. Uma sucessão de medidas calculadas até que as mulheres fossem reduzidas a meros “úteros férteis”. Sem direitos, sem voz e sem opiniões, obrigadas apenas a obedecer, procriar e demonstrar submissão aos Comandantes.
Aquelas que quebram as regras são brutalmente mutiladas: olhos arrancados, dedos cortados, corpos queimados, bocas seladas. O “destino biológico” passa a ser o único objetivo de vida aceitável. Durante a “Cerimônia”, o ritual de estupro ocorrido no período fértil da mulher, o Comandante após orar abusa da Aia sob o pretexto de cumprir os planos divinos, tudo com a Esposa assistindo e sendo conivente com a violência.
Uma das cenas mais marcantes da série reflete com precisão o absurdo desse fanatismo: quando um dos poucos bebês saudáveis de Gilead adoece, nenhum dos médicos presentes (todos homens, obviamente) sabe como salvá-lo. Preocupada, Serena Joy, esposa do importante Comandante Fred Waterford, lembra que uma das maiores especialistas em neonatologia do país está ali, mas que é uma mulher que foi rebaixada ao posto de empregada. Diante disso, ele recusa o atendimento e decreta que, se o bebê morrer, “será a vontade de Deus”. Preferindo a morte de um recém-nascido a permitir que uma mulher exerça sua profissão e conhecimento.

Falando em Serena Joy, ela protagoniza o núcleo das Esposas dos Comandantes. Bonita, obediente e devota, Serena era uma escritora de sucesso antes do colapso da democracia, famosa por defender publicamente a submissão e o papel doméstico da mulher. Ela ajudou a erguer as bases ideológicas de Gilead e ajudou a redigir as próprias leis que proíbem as mulheres de ler e escrever, as mesmas leis que mais tarde a puniriam. Em determinado momento da história, Serena tem um dedo amputado a mando do próprio marido apenas por ler um trecho da Bíblia em público.
As Esposas dos Comandantes são figuras extremamente complexas. São mulheres que fecham os olhos para as atrocidades cometidas contra as Aias, mas que acabam caindo nas engrenagens da própria armadilha que ajudaram a criar. Serena agride e tortura a protagonista June Osborn/Offred, mas simultaneamente tenta se impor em um sistema que não a reconhece mais como cidadã. É uma dinâmica que nos desperta raiva e julgamento, mas também uma inevitável empatia.
Essa dinâmica não é exclusiva da ficção. Vemos hoje influenciadoras e figuras públicas femininas utilizando a liberdade de expressão e a tecnologia moderna para pregar o desmantelamento dos direitos de seu próprio gênero. Elas ignoram a lição mais básica da história: regimes extremistas nunca fazem exceções para as mulheres que ajudaram a construí-los. Como canta Olivia Rodrigo na faixa inspirada na personagem Serena Joy: “Se eles fazem isso com elas, eles vão fazer com você”.
A crise de fertilidade mundial foi a desculpa perfeita em Gilead para assumir o controle total sobre o corpo feminino, e isso não está longe da nossa realidade. A obsessão pelo controle reprodutivo continua sendo o pilar central de qualquer projeto autoritário. Além das restrições severas ao aborto em diversos estados norte-americanos, grupos conservadores avançam em propostas e ações judiciais para restringir o acesso a métodos contraceptivos, classificando pílulas e métodos de emergência como “destrutivos para a natalidade”. A isso somam-se a demonização da educação sexual nas escolas, os retrocessos no direito ao aborto legal — mesmo em casos de estupro —, o avanço do movimento red pill e a imposição de padrões inalcançáveis para que a mulher sirva unicamente ao desejo alheio.
Não podemos nos esquecer de que os direitos femininos podem ser revogados com uma facilidade assustadora. No Afeganistão, Irã e Paquistão, mulheres sofrem diariamente por não possuírem direito à voz, à educação ou ao livre arbítrio, esse cenário de apagamento é o modelo ideal para certos grupos fundamentalistas.
Nada do que foi escrito por Margaret Atwood no livro original foi tirado do zero. As torturas, as vestimentas, as leis e as opressões retratadas em Gilead já aconteceram em algum momento da história humana.

Gilead não é um pesadelo distante, é um alerta sobre a fragilidade das nossas conquistas. Nenhum direito é permanente, a vigilância precisa ser constante e o voto consciente.
Vale ressaltar, por fim, a fala atemporal da poeta Audre Lorde:
“Eu não sou livre enquanto alguma mulher não o for, mesmo quando as correntes dela forem muito diferentes das minhas.”

Você já ouviu falar em ecoansiedade? O termo surgiu nos estudos científicos no começo dos anos 2010 e, segundo a Associação Americana de Psicologia (APA), se refere ao medo crônico da destruição ambiental. Com o aumento dos desastres climáticos extremos no estado do Rio Grande do Sul, novas discussões estão ocorrendo sobre o impacto na saúde mental.
A preocupação com crises climáticas não está isolada, a exemplo disto a ONU (Organização das Nações Unidas) destaca em seu Plano de Desenvolvimento Sustentável: Agenda 2030 um conjunto de 17 objetivos com 169 metas. Essas metas são parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a serem atingidos até o ano de 2030 de forma global. Entre estes objetivos está o ODS número 3, que visa assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
Pesquisas recentes demonstram que em casos de desastres climáticos de longo porte, como enchentes e incêndios florestais, há impactos na saúde mental. Em entrevista ao G1, a psicóloga Jaqueline Assis destaca que se o clima e o território não forem considerados nas discussões sobre território não há como garantir uma qualidade de vida aos moradores.
Carina Boeck, professora de bioquímica da Universidade Franciscana (UFN), destaca que a ecoansiedade está relacionada a crises climáticas e ecológicas. Segundo a professora, a ecoansiedade é caracterizada por sintomas negativos em razão do clima, do meio ambiente e de pensamentos repetitivos associados ao medo do futuro de forma direta. Conforme as pesquisas indicam, estes fenômenos se tornam mais comuns entre os jovens adultos, caracterizados pelo início da carreira profissional, por exemplo. “As preocupações com as mudanças climáticas devem ser motivo de atenção caso gerem pânico. Os medos são importantes para nós e nos colocam para nos preparar para algo. Mas, há descontroles quando existe o excesso.”, destaca a professora.


Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul viveu uma das maiores catástrofes naturais da sua história. As enchentes foram causadas por diversos fatores, como chuva abundante, falta de tratamento dos esgotos e falta de área permeável para absorver a água. Para Carina, em casos como este observa-se alguns impactos psicológicos. “Nós conseguimos enxergar que durante o período destas catástrofes as pessoas mais atingidas pelas chuvas foram, naturalmente, as que tiveram mais problemas de saúde mental. Em casos de agricultores que perderam suas plantações e famílias que perderam suas casas, pode haver o transtorno pós-traumático, que vai além da ecoansiedade.” Segundo a professora é necessário entender a individualidade de cada um, seus sentimentos e as experiências de vida.
De todo modo, cabe a todos ter o autocuidado assim como cuidar do meio ambiente. Atividades práticas podem ser aplicadas no dia a dia, como fazer a separação correta dos resíduos domésticos e consumo de produtos sustentáveis, ajudando a não poluir mais o meio ambiente, e também atenção consigo próprio com atitudes como manter-se hidratado, ter uma boa alimentação, duração e qualidade adequadas de sono e atividades físicas de formas regulares.
Reportagem produzida na disciplina de Jornalismo Especializado no 1º semestre de 2026 do curso de Jornalismo, sob supervisão da professora Glaíse Bohrer Palma.

Quem faz Jornalismo sonha grande. No dia 11 de agosto os acadêmicos do curso de Jornalismo da Universidade Francisacana (UFN), realizaram uma viagem a Porto Alegre para conhecer de perto diferentes veículos de comunicação e espaços culturais. A experiência reuniu aprendizado e novas perspectivas para o futuro profissional.
Nos estúdios da RBS TV os universitários conheceram os bastidores dos principais programas de televisão do estado e acompanham a preparação de um piloto com o repórter Bruno Marsilli. O momento funcionou como um teste para uma possível participação do jornalista no programa Globo Esporte, permitindo que a equipe avaliasse sua performace diante de situações inesperadas que podem acontecer durante a programação. A visita também contou com a presença da apresentadora Alice Bastos Neves, que conversou com os acadêmicos e compartilhou uma breve fala da sua trajetória profissional.
Em seguida, o grupo seguiu para a GZH Digital, onde conheceu a estrutura das redações da Gaúcha e da Atlântida. Durante o tour, os estudantes puderam observar como funciona a produção de conteúdo e conhecer um ambiente em que diferentes formatos de comunicação convivem no mesmo espaço. A visita também teve um momento de descontração com os participantes do programa Bola nas Costas.

Além das redações, os acadêmicos também conheceram um pouco mais da cultura do Rio Grande do Sul. A visita ao Mercado Público fez parte do tour, assim como a passagem pelo Farol Santander, pelo Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) e pelo Espaço de Cultura Mário Quintana.
Para finalizar a programação, os universitários participaram de uma visita técnica e de uma aula de produção de conteúdo na Agência de Conteúdo e Assessoria Padrinho, conduzida pelo jornalista André Roca. Durante o encontro, além de André, os jornalistas Gabriela Perufo, egressa do curso de Jornalismo da UFN, e Ken Kerr Dahcew apresentaram a atuação da agência e compartilharam com os acadêmicos os processos envolvidos na produção de conteúdo.
Para finalizar a programação, os universitários participaram de uma visita técnica e de uma aula de produção de conteúdo na Agência de Conteúdo e Assessoria Padrinho, conduzida pelo jornalista André Roca. Durante o encontro, os jornalistas Gabriela Perufo, egressa do curso de Jornalismo da UFN, e Ken Kerr Dahcew apresentaram a atuação da agência e compartilharam com os acadêmicos os processos de pranejamento e produção.
A viagem foi mais do que conhecer diferentes espaços da comunicação, foi uma oportunidade de entender melhor como é o dia a dia de quem trabalha na área. Em cada lugar, os acadêmicos puderam conhecer um pouco da rotina dos profissionais, ouvir suas experiências e enxergar diferentes caminhos dentro do Jornalismo. Estar nesses ambientes e conversar com quem já atua no mercado aproxima da prática. No fim, a viagem deixou aprendizados, novas referências e a certeza de que cada experiência ao longo da faculdade também faz parte da construção do futuro profissional.












Fotos: Thine Feistauer/ Labfem
Se tem Feira do Livro, tem Nave de Histórias na Praça. E, neste ano, trazemos novidades: a estreia de autores mirins. Sete das 13 histórias inéditas desta edição foram criadas por alunos dos quartos e quintos anos da Escola de Ensino Fundamental Castro Alves. Os podcasts de contação de histórias foram produzidos a partir do projeto de extensão Nave de Histórias da Universidade Franciscana que envolve os cursos de Jornalismo, Pedagogia, Design e Letras – Português e Inglês. O formato traz a contação de histórias infantis por meio do áudio, explorando a paisagem sonora das narrativas que vão de pequenas histórias à livros completos.

As demais histórias foram produzidas a partir de livros infanto-juvenis dos autores santa-marienses Nelci Procópio, Lucas Visentini, Jacira Pedroso, Mario Luiz Trevisan e Sibele Righi Scaramussa na disciplina de Áudio para Mídias Digitais, do curso de Jornalismo, onde surgiu o projeto em 2024.
O lançamento das histórias será na segunda-feira, 10 de agosto, às 15h, no espaço dedicado aos autores na feira. A Nave estará pousada próxima ao palco da praça para que os viajantes adentrem nela e comandem o painel de controles dando play no episódio que queiram ouvir. As visitas serão das 14h às 18h15 de segunda a sexta-feira, e também nos domingo. Nos sábados o atendimento é das 10h às 18h15, até o dia 21/08, penúltimo dia de feira.

Veja as histórias desta edição e seus autores:
EMEF Castro Alves
A cachorrinha feliz, de Lara Carvalho Bonacho
A girafa baixa, de Isabella de Morais
A ovelha preguiçosa, de Davi Fontoura Avozani
A vaquinha medrosa, de Pyetro Ribeiro de Lima
O Palhaço peixe , de Ryan Jesus Barros Pereira
O tatu e o cachorro, de Verônica Müller de Moura Rosa
Os animais amigos, de Lohan Militz Jaques
Curso de Jornalismo
Cadê o Patinho, de Jacira Pedroso – produzido por Cristhian Braga
Descobertas de Basílio, de Nelci Procópio – produzido por Maria Valenthine Feistauer
Neto e a Boca do Monte, de Lucas Visentini – Produzido por Yasmin Zavareze
O fantasma de ferro, de Mario Luiz Trevisan – produzido por Emilly Pilar
Televinos, de Sibele Righi Scaramussa – Produzido por João Henrique Machado
Um Dragão no Quintal, de Nelci Procópio – Produzido por Isadora Rodrigues
E para quem não puder embarcar na Nave de Histórias durante a Feira do Livro, pode acessar os episódios no Spotify, buscando pelo perfil Nave de Histórias. As histórias também estão sendo disponibilizadas no canal da Nave de Histórias no YouTube e no perfil do Instagram.
Sobre a Nave de Histórias
Nave de Histórias é um projeto de extensão multidisciplinar coordenado pela professora Neli Mombelli, do curso de Jornalismo. As histórias, produzidas no curso a partir de obras de autores santa-marienses, são o estopim para a extensão. Os cursos de Pedagogia, através da professora Dulcineia de Toni, e de Letras- Português e Inglês, a partir da professora Talita Valcanover Duarte, e de alunos de diferentes disciplinas, levam as histórias para escolas para audição e promovem atividades que envolvem produção bilíngue e criação de novas histórias.
No curso de Jornalismo, os acadêmicos, com suporte das professoras Glaíse Palma e Neli Mombelli e da bolsista Luiza Fantinel, vão até a escola para dar oficinas de roteiro e, após, levam os estudantes da escola até a Universidade Franciscana para a gravação das histórias. No primeiro semestre de 2026, foram criadas 62 narrativas, sendo 7 selecionadas para a produção do podcast, o que envolveu 35 alunos na gravação, que atuaram como personagens e narradores.
Por fim, o curso de Design, sob orientação dos professores Roberto Gerhardt e Ciria Moro, e da bolsista Julia Kieling, acompanhada de colegas do curso e também da Arquitetura e Urbanismo, são responsáveis pela estrutura da Nave que recebe o público na feira e pelo material gráfico do projeto. São mais de 30 acadêmicos envolvidos no projeto, que também conta com o suporte técnico do professor Iuri Lammel, e dos técnicos-administrativos Clenilson Oliveira, Erick Corrêa e Jonathan de Souza, do curso de Jornalismo, e de Sandro Robert Rodrigues Vargas, no suporte de marcenaria, vinculado ao Design.
Texto de Neli Mombelli

Alunos da EMEF Castro Alves dão voz a personagens e vivenciam a experiência da contação de histórias na Rádio Web UFN.
Na terça e quarta-feira, 23 e 24 de junho, o projeto de extensão Nave de Histórias, da Universidade Franciscana (UFN), promoveu a gravação de narrativas criadas por estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Castro Alves. O conteúdo produzido fará parte das atividades desenvolvidas pelo projeto durante a Feira do Livro de Santa Maria.
A Nave de Histórias é uma iniciativa que reúne os cursos de Jornalismo, Desing, Letras e Pedagogia da Universidade Franciscana (UFN). Criado em 2024, o projeto tem como proposta produzir narrativas infantis em áudio, estimulando a imaginação dos ouvintes por meio de experiências e sensações sonoras. Em edições anteriores, foram desenvolvidos podcasts inspirados em obras de literatura infantojuvenil de autores santa-marienses.
Nesta edição, as crianças da escola tiveram a oportunidade de criar histórias, dar voz aos personagens dos contos fictícios e vivenciar a experiência de gravação no laboratório da Rádio Web UFN.

Crianças em dia de gravação, com professoras e monitora.
A professora Neli Mombelli, coordenadora do projeto, destaca que a experiência de gravar as próprias histórias permite aos estudantes dar vida à imaginação e ampliar horizontes. “É muito instigante para eles, porque quem criou a história agora pode dar vida a ela, junto com os colegas que ajudam a interpretar os personagens. Além disso, eles conhecem como funciona todo um processo de produção, o que também é um letramento midiático. A imaginação é o pontapé para qualquer coisa na nossa vida. Para sonhar, a gente precisa imaginar”, destaca ela.
Para a coordenadora pedagógica da escola, Naldivana Bavaresco, a parceria entre escola e universidade é fundamental para ampliar as oportunidades de aprendizagem. Ela ressalta que os projetos de extensão fortalecem essa troca e proporcionam experiências marcantes para os estudantes. “Eles ficaram extremamente motivados. Foi uma experiência que com certeza nunca vão esquecer”.
A monitora do projeto, Luiza Fantinel, destacou o envolvimento e a dedicação das crianças ao longo das atividades. Segundo ela, o entusiasmo dos estudantes foi essencial para o desenvolvimento do trabalho e ficou evidente na evolução durante as oficinas realizadas na escola e a gravação no estúdio. “Eles se disponibilizaram a aprender e treinaram bastante. Foi muito bonito perceber o desenvolvimento deles, desde as oficinas na escola até a gravação no estúdio”, relata Luiza.
O projeto Nave de Histórias segue ampliando seu alcance e estará presente na 53ª Feira do Livro de Santa Maria, de 7 a 22 de agosto de 2026. Os áudios das histórias também poderão ser ouvidos em breve na plataforma Spotify.












Fotos: Nelson Bofill/Labfem e Vinícius Gomes/Labfem
Quando a FIFA anunciou que a Copa do Mundo de 2026 seria disputada em Estados Unidos, México e Canadá, a escolha foi apresentada como um símbolo de integração. A primeira edição com 48 seleções prometia ampliar a diversidade do torneio e aproximar ainda mais diferentes culturas por meio do futebol. Em discursos oficiais, o presidente da entidade, Gianni Infantino, reforçou repetidamente a ideia de que todos seriam bem-vindos. A Copa seria uma celebração global.

No entanto, poucos dias após o início da competição, a realidade parece desafiar essa narrativa.
As manchetes que marcaram a abertura do Mundial não foram apenas sobre gols, estádios lotados ou favoritos ao título. Antes mesmo de a bola rolar, a Copa passou a ser associada a revistas em aeroportos, problemas migratórios, vistos negados, delegações submetidas a procedimentos rigorosos de segurança e profissionais impedidos de entrar no país-sede. Mais do que episódios isolados, esses acontecimentos revelam uma questão maior: até que ponto a FIFA consegue sustentar seu discurso de neutralidade e inclusão quando o torneio está inserido em um contexto político marcado por conflitos, desigualdades e disputas internacionais?
A situação mais emblemática envolve o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Escolhido pela FIFA para integrar o quadro de arbitragem da Copa, Artan faria história ao se tornar o primeiro árbitro da Somália a participar de um Mundial. Apesar de possuir visto válido e credenciamento oficial, foi impedido de entrar nos Estados Unidos ao desembarcar em Miami. O árbitro relatou ter passado horas sob interrogatório antes de ser deportado. Dias depois, a UEFA anunciou sua escalação para a Supercopa da Europa, um dos principais eventos do calendário continental.

O episódio levanta uma pergunta difícil de ignorar, se Artan era qualificado o suficiente para ser selecionado pela FIFA e, posteriormente pela UEFA, por que não pode entrar no país que sediava a Copa do Mundo? A resposta oficial permanece vaga, mas o caso tornou-se símbolo de um problema mais amplo. A nacionalidade do árbitro pareceu pesar mais do que sua trajetória profissional.
O mesmo sentimento apareceu em outros episódios. A seleção de Senegal foi submetida a uma revista detalhada ainda na pista do aeroporto ao chegar aos Estados Unidos. A delegação do Uzbequistão passou por procedimentos de segurança envolvendo cães farejadores e inspeções rigorosas. Integrantes da seleção iraniana enfrentaram dificuldades relacionadas à emissão de vistos, obrigando a equipe a alterar parte de sua preparação. A jornalista Karine Alves, da Globo, relatou ter sido submetida a uma abordagem constrangedora durante sua entrada no país.


Separadamente, cada situação pode ser explicada como consequência de protocolos migratórios ou medidas de segurança. Juntas, entretanto, elas formam um padrão difícil de ignorar. Os casos mais repercutidos envolvem justamente representantes de países africanos, asiáticos ou nações que mantêm relações políticas tensas com os Estados Unidos.
É nesse ponto que a discussão ultrapassa o esporte.
O historiador Eric Hobsbawm afirmava que poucas atividades conseguem representar tão bem as identidades nacionais quanto o esporte. A Copa do Mundo, em especial, sempre foi mais do que uma competição de futebol. Ela funciona como uma vitrine política, econômica e cultural dos países envolvidos. Os governos sabem disso. A FIFA sabe disso. Os torcedores sabem disso.
Por essa razão, a ideia de que o futebol está completamente separado da política nunca passou de uma ideia conveniente.
A própria história da Copa confirma essa percepção. O Mundial de 1978 foi disputado sob a ditadura militar argentina. A edição de 2018 ocorreu na Rússia em meio a críticas internacionais ao governo de Vladimir Putin. A Copa de 2022 foi marcada pelos debates sobre direitos humanos no Catar. Em todas essas ocasiões, a FIFA insistiu em defender a neutralidade do esporte. No entanto, os acontecimentos recentes mostram que essa neutralidade tem limites bastante definidos.
A comparação com a Rússia ajuda a entender essa contradição.
Após a invasão da Ucrânia, FIFA e UEFA suspenderam rapidamente seleções e clubes russos das competições internacionais. A decisão foi apresentada como uma resposta necessária diante de um conflito militar de grandes proporções. Independentemente da avaliação sobre a medida, ela demonstrou que as entidades esportivas estão dispostas a tomar decisões políticas quando consideram apropriado.
O problema surge quando observamos que esse princípio não parece ser aplicado de maneira uniforme.
Enquanto a Rússia permanece afastada do futebol internacional, os Estados Unidos seguem ocupando o centro do maior evento esportivo do planeta, mesmo estando envolvidos em operações militares recentes e em conflitos diplomáticos que afetam diretamente algumas das seleções participantes do torneio. O caso do Irã é o exemplo mais evidente. A equipe chegou à Copa enfrentando dificuldades burocráticas justamente em um momento de agravamento das tensões entre os dois países.
A questão não é defender que os Estados Unidos sejam excluídos da competição ou propor uma equivalência entre situações históricas diferentes. O ponto central é outro, se a FIFA afirma que determinados comportamentos justificam sanções esportivas, quais são exatamente os critérios utilizados? E por que eles parecem variar de acordo com o peso político e econômico dos envolvidos?
Essas perguntas tornam-se ainda mais relevantes quando observamos a relação cada vez mais próxima entre a FIFA e o governo norte-americano. Nos últimos meses, Gianni Infantino intensificou sua presença em eventos oficiais relacionados à Copa ao lado de autoridades dos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, Donald Trump recebeu o primeiro FIFA Peace Prize, criado pela entidade para reconhecer iniciativas ligadas à promoção da paz.

O episódio chamou atenção porque ocorreu justamente em um período marcado por guerras, crises diplomáticas e questionamentos sobre a atuação internacional dos próprios Estados Unidos. Mais uma vez, a FIFA demonstrou que sua relação com a política é menos distante do que costuma admitir.
Talvez seja justamente essa a principal lição dos primeiros dias da Copa de 2026.
Eduardo Galeano escreveu, em Futebol ao Sol e à Sombra, que o futebol é capaz de revelar as grandezas e as misérias do mundo que o cerca. A frase ajuda a compreender o que estamos vendo. A Copa não criou as desigualdades, as fronteiras seletivas ou as tensões geopolíticas que marcam o cenário internacional. Mas ela as tornou visíveis.
Enquanto a FIFA promove um discurso de integração global, a experiência de diferentes participantes mostra que nem todos atravessam as mesmas portas. Alguns chegam recebidos por torcedores e festas populares. Outros enfrentam interrogatórios, dificuldades burocráticas e suspeitas antes mesmo de entrar em campo.
A Copa do Mundo continua sendo um dos maiores encontros culturais do planeta. Mas os acontecimentos das últimas semanas demonstram que esse encontro não ocorre em condições iguais para todos. E talvez seja justamente aí que esteja o maior desafio da FIFA.
Mais do que organizar jogos, estádios e transmissões, a entidade precisa responder a uma pergunta que os episódios recentes tornaram inevitável, até que ponto é possível defender uma Copa para todos quando as barreiras que separam os participantes continuam sendo tão diferentes?
Porque, no fim das contas, o problema não está apenas nas fronteiras dos Estados Unidos.
Está nos limites da própria neutralidade que a FIFA insiste em defender.
A Universidade Franciscana (UFN) realiza, entre os dias 27 e 29 de abril, a 4ª Mostra da Extensão. O evento tem como objetivo valorizar e dar visibilidade às ações extensionistas desenvolvidas por acadêmicos e professores, reforçando a relação entre universidade e comunidade. A temática deste ano é “Aprendizagem e serviço solidário”.
A Mostra se consolida como um espaço de troca de experiências e compartilhamento de conhecimento, evidenciando o papel da extensão universitária na formação dos estudantes por meio de práticas aplicadas e do contato com a comunidade.
As inscrições para participação seguem abertas até esta sexta-feira, dia 24 de abril, e são gratuitas para toda a comunidade. Os participantes inscritos recebem certificado de 20 horas de Atividades Complementares de Curso (ACC).
A programação conta com uma série de atividades ao longo dos três dias. Entre os destaques, está a exposição fotográfica dos projetos de extensão, que busca retratar, por meio de imagens, as experiências vividas pelos acadêmicos nos diferentes contextos de atuação. Também integra a programação o fórum de estudantes extensionistas, que contará com a participação de cinco egressos da Universidade, promovendo a troca de experiências e trajetórias.
Além disso, o evento inclui rodas temáticas por territórios, o painel “Experiência, aprendizagem e serviço solidário”, com o gerente de extensão universitária e aprendizagem-serviço da PUC/PR, Rodrigo de Andrade, e o consultor da Política de Extensão da UFN, Adriano Hertzog Vieira, e a mostra de vivências do PET-Saúde Equidade.
O curso de Jornalismo também participa da programação. No dia 29 de abril, das 14h às 18h, os acadêmicos apresentam o projeto “Entre Vozes e Olhares”, desenvolvido na disciplina de Comunicação Comunitária, ministrada pela professora Laura Fabrício. A iniciativa foi realizada junto à Escola Municipal de Ensino Fundamental Aracy Barreto, a partir de ações construídas pelos estudantes ao longo de dois semestres, com foco na aproximação entre universidade e comunidade escolar. Além disso, o curso também apresenta o projeto de extensão “Nave de Histórias”, um podcast inicialmente desenvolvido na disciplina de Áudio para Mídias Digitais, sob orientação da professora Neli Mombelli.
Ao longo da quarta-feira, 29 de abril, também ocorre a mostra dos projetos integradores, projetos extensionistas e programas de extensão, ampliando a visibilidade das ações desenvolvidas na instituição.
A programação completa e mais informações sobre o evento podem ser acessadas no site da UFN.
27 de abril (segunda-feira)
• Abertura oficial da 4ª Mostra da Extensão
• Exposição fotográfica dos projetos de extensão
• Fórum dos estudantes extensionistas
28 de abril (terça-feira)
• Rodas temáticas por territórios
• Painel “Experiência, aprendizagem e serviço solidário”
• Mostra de vivências do PET-Saúde Equidade
29 de abril (quarta-feira)
• Mostra de projetos integradores, projetos extensionistas e programas de extensão
• Apresentações de projetos ao longo do dia
• Participação do curso de Jornalismo com o projeto “Entre Vozes e Olhares”, das 14h às 18h


Em Santa Maria, a confraternização pré-lançamento do festival, será nesta quinta-feira 23 de abril, a partir das 16h30, no Centro de Referência em Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) da Regional Centro, em parceria com diversos sindicados e movimentos sociais, são os responsáveis pelo evento.
O festival ocorre no dia 1° de Maio, das 13h às 20h, na Praça do Mallet, com entrada gratuita. O evento contará com uma programação diversa, que reúne grandes nomes da música e da cultura popular, com destaque para os artistas Igor Peres e Marcelo Amaro. O palco também recebe artistas e grupos que representam a identidade cultural santa-mariense, como Paola Matos, Inseto Social, Aparelho Auditivo, Martelo, The Old Uncles, Escola de Dança Camargo, Street Dance, Mojubá, Movimento de Rua MDR e escolas de samba. O evento ainda inclui feira de economia solidária, arrecadação de alimentos para cozinhas solidárias, praça de alimentação, espaço kids e área voltada a sindicatos e movimentos sociais.
Segundo a organização, o Festival do Trabalhador se destaca como um espaço de protagonismo político e social da classe trabalhadora, conectando cultura e mobilização na defesa de direitos. Entre os temas centrais das atividades estão a redução da jornada de trabalho sem perda salarial, o fim da escala 6×1, a crítica à reforma administrativa, a valorização do serviço público, o enfrentamento da pejotização e a defesa da soberania nacional e da democracia.
O festival também assume posição clara no combate ao feminicídio, reforçando seu compromisso com a proteção da vida das mulheres e com uma sociedade mais justa, igualitária e sem violência.
A proposta integra sindicatos, movimentos sociais e coletivos culturais, conciliando momentos de celebração e reflexão. A programação inclui shows musicais, apresentações culturais e manifestações da cultura popular, estimulando um ambiente de convivência e envolvimento que consolida o 1º de Maio como um dia de luta e visibilidade.
“O festival é um espaço de celebração, mas também de mobilização. É onde a cultura se encontra com a luta concreta dos trabalhadores e trabalhadoras por mais direitos, dignidade e qualidade de vida”, destaca a organização do evento.
Ao percorrer diferentes regiões do estado, o Festival do Trabalhador reforça a importância da democratização cultural, enquanto amplia a consciência coletiva sobre questões que afetam diretamente a população.
Nos dias 7 e 8 de abril, o Hall do prédio 15 da Universidade Franciscana (UFN) recebeu mais uma edição do Garimpo da Moda, evento promovido pelo curso de Design de Moda que, em 2026, celebra 10 anos. A iniciativa reuniu toda a comunidade acadêmica com o objetivo de promover a circulação de roupas e acessórios, incentivando o reaproveitamento de peças e práticas mais conscientes de consumo.

A professora do curso de moda Carol Colpo, responsável pela organização do evento, participou da primeira edição ainda como monitora da Teciteca, laboratório que atualmente coordena e que está à frente do Garimpo. Para ela, acompanhar essa trajetória torna a edição comemorativa ainda mais significativa. “A primeira edição, há dez anos, foi organizada com muito carinho, ainda quando eu era aluna, junto com a professora Elza. A ideia era criar um momento para fazer a moda circular, para que as alunas pudessem trocar peças e acessórios. Hoje, eu sinto a mesma ansiedade daquela época, então pra mim está sendo muito especial ver o quanto o Garimpo cresceu e se consolidou”, destaca.

A 10º edição apresentou crescimento no número de participantes. Ao todo, foram 12 estandes a mais em relação às edições anteriores, ampliando a diversidade de estilos, peças e perfis de expositores. Mesmo com as condições climáticas desfavoráveis durante os dias de garimpo, o evento registrou boa circulação de público e resultados positivos nas vendas.
Segundo Carol, o Garimpo também se relaciona com o conceito de economia circular, buscando alternativas para reduzir os impactos ambientais da indústria têxtil.“A gente tenta usar a expressão de moda circular, porque falar em sustentabilidade dentro de uma sociedade extremamente capitalista pode ser até contraditório. Então, trabalhar por meio da economia circular é uma das principais ferramentas para reduzir esses danos, além de promover também um aspecto social, já que aqui as pessoas trocam experiências e vivências”, explica.
Outro destaque do evento é a participação de alunos de diferentes cursos da universidade. A estudante do 2º semestre de Psicologia, Lavinia Trindade, é um exemplo dessa integração e utilizou o espaço para divulgar seu trabalho com a marca Lavi Doceria.

Além da venda de roupas, Lavinia comercializou doces artesanais, principalmente trufas e cookies, que já fazem parte do seu dia a dia dentro da universidade. Segundo a acadêmica, a participação no Garimpo contribuiu para aumentar a visibilidade do seu negócio. “O pessoal vem, olha as roupas, já compra trufa, e aí eu vou mostrando os docinhos. Deu um bom dinheiro nesses dois dias e já tive novos seguidores”.

O aluno César Augusto, do curso de Design de Moda, participou pela segunda vez e, diferente da maioria dos expositores, aproveitou o Garimpo para divulgar e vender peças da sua própria marca, a Cavi Boy que é inspirada em suas vivências no Amazonas venezuelano. A marca carrega referências culturais e pessoais em suas criações. “É uma experiência muito boa porque o pessoal conhece, começa a seguir as redes sociais, perguntam sobre os produtos. É uma forma de conhecerem a minha marca aqui na cidade”, afirma César.

Ao completar uma década, o Garimpo da Moda se consolida dentro da Universidade Franciscana, reunindo um número crescente de participantes e ampliando as possibilidades de atuação para além do curso de Design de Moda. Mais do que a venda de peças, o evento se firma como um espaço de experiências, visibilidade e troca entre estudantes e comunidade, acompanhando as transformações no modo de consumir moda e reforçando a importância da circulação de roupas como alternativa dentro de um cenário marcado pelo consumo acelerado.
Imagens: Thine Feistauer e Aryane Machado/ LABFEM







A Universidade Franciscana também é um espaço dedicado à reflexão sobre saúde mental, especialmente no contexto da comunicação. Atendendo ao pedido do Núcleo de Apoio à Diversidade Humana (NAHD), foi criado o podcast Respiros, com o objetivo de promover o debate sobre saúde mental. A iniciativa busca oferecer informações, reflexões e sugestões práticas para que as pessoas possam entender melhor o tema e encontrar maneiras de cuidar de sua saúde mental. O programa é apresentado pela professora do curso de Jornalismo Glaíse Bohrer Palma, com participação fixa do professor do curso de Psicologia Félix Guazina.
O NADH oferece apoio psicológico e orientação psicopedagógica, além de desenvolver um trabalho integrado com alunos inclusos na instituição, em colaboração com as famílias, coordenação e professores. A Coordenadora do NAHD, Cristiane Bottoli, explica que a ideia ocorreu depois de terem surgido demandas relacionadas a saúde emocional: “Nada melhor do que utilizar a rádio para poder falar sobre assuntos do dia a dia das pessoas, e que nós reconhecemos como relevantes, para poder levar informação e conhecimento.” Cristiane ressalta que o podcast é importante para desmistificar as ideias que as pessoas tem sobre o tema, não só na Universidade mas de uma forma geral.
Para o psicólogo e participante fixo do programa, prof. Félix Guazina, é de extrema importância que a Universidade disponibilize um espaço para discutir saúde mental. Segundo ele: “As questões que envolvem saúde mental têm sido uma preocupação mundial. Podemos dizer que, nos últimos cinco anos, aumentou muito o número de alunos, docentes e técnico-administrativos demandando cuidados e atendimentos. Então, ter um canal vinculado ao NADH que possa pensar e trazer temas contemporâneos, que dialoguem com as demandas da Universidade, é muito importante para a prevenção da saúde mental.”
Félix também destaca o impacto da divulgação do podcast Respiros: “As temáticas que trabalhamos no podcast levam a comunidade acadêmica a pensar que a saúde mental não é apenas para quem tem algum transtorno, mas que também possam entender que o cuidado tem que ser para todos.”

Félix comenta sobre a importância do cuidado contínuo com a saúde mental: “É um desafio para todos nós, mas é preciso ter esse cuidado no cotidiano no meio da correria para respirar e ter momentos de lazer, porque vivemos em uma sociedade muita barulhenta que acaba não deixando a gente se escutar. Precisamos nos olhar de uma forma mais honesta e ter um cuidado integral com as nossas vidas.”
Acompanhe os episódios no Youtube da Rádio Web UFN e no Spotify. A cada 15 dias, um episódio novo trata sobre alguma tema relativo à saúde mental.