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Cidadania

Processo de adoção ainda é um desafio no Brasil

Em todo o Brasil, 46 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Há um total de 7.493 crianças e adolescentes que estão no Cadastro Nacional de Adoção. Destas, 4.826 (10,5% das crianças que vivem em abrigos)

Acessibilidade para cadeirantes é precária na cidade

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Seminário “Atitudes para inclusão” é realizado hoje em Santa Maria

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Trilhos

Caminhando por uma estrada de terra, à minha direita algumas casas de madeira que ficam um pouco abaixo do nível da estrada, todas elas cercadas com arame, pedaços de madeira e telhas. Em um dos pátios,

Encontro Regional vai discutir a política de saúde do idoso

Acontece amanhã, quarta-feira, 12, a 2ª edição do Encontro Regional sobre a política de saúde do idoso, no auditório do Colégio Politécnico da UFSM, das 8h às 16h. Entre palestras e mesas-redondas, o encontro vai abordar assuntos relativos aos dados

Feicoop conta com apoio da comunidade para ser realizada

Prevista para ocorrer de 11 a 14 de julho, a Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop), que completa 26 anos em 2019, costuma dar à Santa Maria o título de capital latino-americana do cooperativismo. Mesmo a potência

Projetos de comunicação comunitária movimentam a Estação dos Ventos

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Arquitetura apresenta filme seguido de debate sobre assédio

O documentário Chega de Fiu Fiu, foi exibido na tarde desta segunda-feira, 12, na UFN. A iniciativa do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFN apresentou junto com o Diretório Acadêmico da Arquitetura (DARQ), o filme da

Lar de Joaquina arrecada fundos com risoto beneficente

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O trabalho dos mesários nas eleições 2018

Aproximadamente 2 milhões de brasileiros foram convocados para trabalhar como mesários nas eleições de 2018. A participação do mesário no serviço eleitoral é importante, juntamente com os servidores da Justiça Eleitoral, tem a função de garantir

Foto: arquivo Adoção Brasil

Em todo o Brasil, 46 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Há um total de 7.493 crianças e adolescentes que estão no Cadastro Nacional de Adoção. Destas, 4.826 (10,5% das crianças que vivem em abrigos) crianças estão disponíveis para adoção. Outras 2.667 ainda estão vinculadas a suas famílias, ou seja, os processos de adoção começam enquanto ainda há possibilidades de recursos por parte da família biológica, o que gera riscos para os adotantes. As demais, cerca de 38 mil crianças, ainda nem tiveram seus processos de destituição do poder familiar iniciados, e estão crescendo nos abrigos. Alguns dos motivos para isso são a morosidade da Justiça, leis ultrapassadas e pessoas que não abrem mão da guarda dos filhos, mesmo não os querendo. Apenas para não perder benefícios sociais.

Imagem divulgação GAIA

“Se uma mãe está na dúvida para adotar, não adote! Maternidade e paternidade isso não se faz com dúvida. Filho é realização, mas filho é responsabilidade, é preocupação, é zelo e isso é 26 horas por dia”, declarou Márcia Marinho de Faria, jornalista, sobre mães que estão na dúvida em relação adoção.

Márcia e Rodrigo de Faria ganharam a guarda do B.M.F em dezembro de 2018, na época ele tinha 11 anos. A adoção está por ser concluída. Assim que sair a sentença. Márcia e Rodrigo poderão ter a certidão do filho com o sobrenome do casal.

Em Santa Maria existe o Grupo de Apoio e Incentivo a Adoção, Gaia. Ele prepara os candidatos para a realidade afetiva de uma adoção, a responsabilidade paterna e materna e o caráter legal.

Processo de adoção

O caminho da adoção é longo. Primeiro, há um processo de habilitação que consiste em uma série de documentos entregues pelos futuros adotantes, além de avaliação técnica com um Assistente Social e psicólogo forense para avaliar as principais condições psicológicas e afetivas do casal. Depois de entregue ao cartório do fórum a documentação solicitada, o órgão remete ao Juizado da Infância e da Juventude, e o juiz autoriza ou não a habilitação para adoção. Feito tudo isso, o casal começa a fazer parte do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) – que está em transição para Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).

Posteriormente, há perfis da parte adotada e do adotando. Quando eles se cruzam é porque as características descritas em cada perfil são compatíveis . Quando isso acontece a família é chamada na vara da infância a que está vinculada a criança, o que pode ser em qualquer região do País, pois a adoção é nacional. Posteriormente, com autorização do juiz daquela comarca são passadas para o casal algumas informações da criança, aquilo que seja mais grave para evitar que ocorra devolução. Em primeiro lugar são levados aos pretendentes os detalhes das crianças, quais as suas necessidades e o que ela vai precisar da nova família.

Primeiro há uma visita despretensiosa, apenas para conhecer a instituição sem a criança saber. Depois sim, ela vai ser notificada que o casal veio conhecê-la e, com o consentimento do menor, realiza-se o encontro. Lembrando que, conforme o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) essas perguntas são feitas apenas para maiores de 10 anos, pois eles têm, legalmente, maturidade psicológica e intelectual para responder acerca do próprio bem estar.

B.M.F, filho de Márcia e Rodrigo, é o 12º adotado na família. Além de ser uma prática nada incomum para a família, Márcia pondera que teve outros motivos particulares para realizaram adoção e que era um sonho do casal.

Foto: ilustrativa Google.

Adoção de recém-nascido e adoção tardia

Márcia é categórica, é contra a decisão dos pais adotivos de não contarem às crianças  sobre a verdade do passado. A não transparência pode gerar no futuro sensações de traição, engano e  não pertencimento. Muitas vezes, na adoção de crianças novas, os pais não contam à criança sobre a adoção, o que pode criar problemas futuros.

Já na adoção tardia há o medo que a criança seja rebelde. Márcia destaca que é importante ter a consciência que a adolescente/criança acima de 10 anos está sendo adotada e adotando. Por já ter vivido um tempo com a família biológica antes de ser retirada dela, as vezes ela vivia em um ambiente de violência e hostilidade mas, mesmo assim, há casos de resistência na separação da família. Então, os vilões para essas crianças podem ser o conselho tutelar e a rede de proteção. São casos delicados de lidar, que precisam de paciência e dedicação da família adotante.

“Há pretendentes que ainda cometem o luxo de viver com a criança, vender uma ilusão de família, e depois a família não se adaptar e devolver ela para o sistema. Isso aconteceu com meu filho três vezes. Há mais risco para crianças que para o pretendente”, comentou Márcia quando se referiu a adoção tardia, com crianças acima de 10 anos.

Sobre os riscos legais, se o processo ocorrer dentro do que regra a legislação da Infância e da Juventude do Brasil não há riscos, e se os pretendentes estiverem a par disso não haverá ameaças no processo.

A adoção tardia é um processo em que a criança responde por si. Ela participa da audiência e responderá se aceita ficar com os pretendentes. “Esse foi o momento mais bonito. Ele foi ouvido o tempo todo”, comentou Márcia sobre o processo que envolveu seu filho na adoção tardia. Ela ainda destacou: “E ouvir desse menino diante do juizado da infância, promotor de justiça e do ministério público que você e seu marido são os pais que ele sempre quis, isso é indescritível”.

Foto: arquivo GAIA

Esmiuçando os dados

 Segundo o Ministério de Desenvolvimento Social e Agrário, antes da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), as instituições existentes para acolhimento de crianças e adolescentes eram os antigos orfanatos, educandários ou colégios internos, amparadas pelo Código do Menor. Durante décadas, essas instituições ficaram conhecidas como espaços de abandono, funcionando como grandes instituições fechadas, isolados da comunidade e atendendo muitas crianças ao mesmo tempo. Nelas, as crianças e adolescentes permaneciam até completar 18 anos.

  • Dos 7.493 adolescentes e crianças cadastradas para adoção, 2.540 são brancos, 3.640 pardos, 1.280 negros, 23 indígenas e 10 amarelos;
  • 316 são do sexo feminino e 4.178 do masculino;
  • 892 crianças ou adolescentes apresentam algum problema de saúde;
  • 578 possuem irmãos;
  • Por outro lado, há 39.447 pretendentes a pais habilitados;
  • 627 aceitam crianças e adolescentes de todas as raças;
  • Somente 7.788 candidatos aceitam apenas crianças e adolescentes brancos, o que representa menos de 20% do universo;
  • 756 aceitam brancos e pardos, 19.712 brancos, pardos e negros, 19.153 também indígenas e 20.647 também amarelos;
  • 906 pretendentes são indiferentes ao sexo da criança;
  • 973 aceitam adotar irmãos;
  • 145 aceitam adotar crianças ou adolescentes com algum tipo de problema de saúde, desde que não deficiência física ou mental e Aids;
  • 581 aceitam crianças ou adolescentes com AIDS;
  • 154 aceitam crianças ou adolescentes com deficiência física;
  • 149 aceitam crianças ou adolescentes com deficiência mental.

A planilha abaixo mostra um resumo dos dados em que podemos concluir que nenhum dos critérios acima impede crianças e adolescentes de serem adotados, já que a proporção de pretendentes dispostos é sempre maior.

Fonte da tabela: adocoobrasil.com.br

Quanto a idade, na tabela abaixo é possível ver, na segunda coluna, o número de crianças e adolescentes para adoção e na terceira e última coluna o número de pessoas dispostas a adotar.

Fonte da tabela: adocoobrasil.com.br

O dado preocupante é que, a partir dos 11 anos das crianças, os pretendentes habilitados que os aceitam é menor que o número de crianças e adolescentes disponíveis.

Para mais informações sobre o processo de adoção, acesse a página do Adoção Brasil. Em Santa Maria é possível participar do Gaia, Grupo de Apoio e Incentivo à adoção, que se propõe ser um “Espaço para divulgar, incentivar e principalmente receber todos os interessados e simpatizantes com a ideia da adoção.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo III, no 2º semestre de 2019, e supervisionado pela professora Glaíse Palma.

 

Não é de hoje que a assistência governamental referente a pessoas necessitadas no Brasil deixa a desejar em diversos pontos. Em 2019, tais características encontram-se  desde cidades do interior até as mais habitadas nacionalmente. Partindo do ponto de vista sobre a assistência pública, quando abordam-se ferramentas para facilitar a vida de pessoas portadoras de deficiência, especificamente paraplégicas ou cadeirantes, conclui-se que ainda há muito o que melhorar.

A partir de uma linha cronológica, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas portadoras de deficiência cresce constantemente no Brasil. Em 2015, pelo menos 6,2% da população possuia algum tipo de deficiência, sendo que, desse montante, 1,3% representa quem tem algum tipo de deficiência física, sendo que quase a metade desse total (46,8%) possui nível intenso de imitações. Infelizmente, o auxílio governamental  não acompanha o crescimento desse percentual.

Ponto de ônibus da av. Rio Branco. Foto: arquivo ACS.

Tendo em vista algumas cidades do estado do Rio Grande do Sul, por meio de depoimentos e estudos realizados sobre a assessoramento municipal dessas regiões, mostram que os investimentos dos órgãos públicos deixam a desejar quando o assunto gira em torno da assistência para cadeirantes ou pessoas paraplégicas. O estudante da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Samuel Augusto Seiffert, de 21 anos, explicou sobre a situação que passa diariamente com os acessos no município. “Os avanços que encontramos hoje foram obtidos através de muita luta, mas ainda há muito que melhorar. O campus da Universidade por exemplo, necessita mais acessibilidade arquitetônica. Mas, além dele, a cidade deixa muito a desejar nesses aspectos”, declarou Seiffert.

Além de Augusto, há outros estudantes cadeirantes que passam pelas mesmas dificuldades. De acordo com o estudante, é uma situação que não é priorizada pelos órgãos públicos municipais e acabam sendo deixados de lado. Em Santa Maria, a inexistência de rampas em calçadas e de elevadores em construções é um assunto usualmente abordado. Segundo Seiffert, além da instalação desses recursos, o tópico mais enfatizado é a manutenção dos que já existem: “Deveria haver ao menos o suporte sobre acessos presentes na cidade, pois muitos estão velhos e inaptos a serem manuseados. Há ausência de rampas em pontos com grande movimento, ônibus sem o suporte para embarcar passageiros cadeirantes, falta de táxis adaptados para tais situações…”.

Contudo, desde a construção dos prédios mais novos na cidade, há a implementação de recursos para cadeirantes, como elevadores e portas automáticas, presentes no Shopping Praça Nova ou nas lojas HAVAN, por exemplo. Embora tenha havido a instalação desses utensílios em construções da cidade, o objetivo é fazer com que esses aprimoramentos saiam de pontos específicos e se façam presentes em todo lugar.

Sobre o transporte público

Contudo, a preocupação vai além dos acessos mal distribuídos pela cidade, voltando-se para os transportes públicos municipais. Dentre todas as linhas de ônibus da Associação dos Transportadores Urbanos de Passageiros de Santa Maria (ATU), há um número significativo de veículos, porém, não são todos que possuem recursos utilizados como elevadores ou rampas para o embarque. 

Segundo o motorista e funcionário da ATU, Éverton Rodrigues, há um número abaixo do esperado de ônibus com esta ferramenta. “Estou lidando com cadeirantes diariamente no meu trabalho. Como motorista de ônibus, a responsabilidade de assistir e auxiliar essas pessoas é enorme, porém há um número abaixo do esperado de veículos que contenham este dispositivo”, ressalta Rodrigues.

Plataforma de embarque para cadeirantes – Foto: Fabiano Rocha – Jornal Extra

De acordo com a revista Exame, a falta de acessibilidade nos transportes públicos ainda é predominante nas cidades brasileiras. A matéria corrobora com a escassez de acesso nos prédios públicos e privados de uso coletivo, restaurantes, universidades, hotéis e em espaços públicos, principalmente em transportes. 

O página TrânsitoIdeal destaca igualmente a falta de recursos direcionados à cadeirantes ou deficientes físicos.  A importância deveria priorizar os investimentos a serem aplicados em acessibilidade para quem necessita, ao invés de direcionar verba pública para fins supérfluos.

No Brasil, a lei de acessibilidade (Decreto Lei nº 5.296) aborda as temáticas de transportes e trânsito. Um dos principais tópicos é que projetos arquitetônicos e urbanísticos devam atender às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e os concepções como espaços, artefatos e produtos que intuam atender todas as pessoas.

Situação em outras cidades gaúchas

Rodrigo Forcin é cadeirante e reside em Formigueiro, município localizado no interior do estado do Rio Grande do Sul, com  6.715 habitantes. “A acessibilidade onde moro não é nada gratificante… os órgãos públicos não tomam atitudes a fim de facilitar a vida de quem realmente precisa. Degraus em todo lugar e nada de rampas. Sempre tenho que pedir ajuda para me atenderem, mas é muito chato, porque parece que o errado sou eu. Há muito que ser melhorado ainda”, comentou Forcin.

Formigueiro não é a única cidade do interior gaúcho que apresenta dificuldades relacionadas à pessoas com deficiências físicas. Com fronteira com Paso de Los Libres, na Argentina, o município de Uruguaiana possui cerca de 120.000 habitantes, e encontra-se em contexto evolutivo para portadores de deficiência física, de acordo com alguns moradores. A fisioterapeuta Camila Trindade, explicou sobre o cenário municipal e a relação abrangente com sua área profissional: “Em Uruguaiana houve uma evolução ligada a adaptação para cadeirantes, desde quando tornou-se exigência em estabelecimentos comerciais. Mas o que mais preocupa é a consciência das pessoas em ajudar ao outro, em preocupar-se com a vida do outro. Eu já tive pacientes paraplégico e tetraplégico. O tratamento exige fisioterapia neurológica, a fim de reabilitar e promover o máximo de qualidade de vida para a pessoa comprometida. Indivíduos nessas condições se deparam com uma grande alteração bio psico social, pois é uma vida nova que apresenta enormes dificuldades”.

Assistência pública em outros países

Enquanto isso, outros países dão exemplo em como tratar a questão da acessibilidade. Por exemplo, desde as últimas eleições presidenciais no Canadá (2015), com a posse do primeiro ministro Justin Trudeau, os investimentos governamentais tornaram-se mais rígidos sobre utensílios auxiliares à pessoas com deficiências. O Governo canadense atualizou sua política de inadmissibilidade por razões de saúde para refletir a inclusão desses cidadãos.

Uma das prioridades do governo é garantir oportunidades para  deficientes físicos,  provendo a instalação de mais recursos a cada ano. Não é a toa que anualmente há aplicação financeira direcionada a esse fim, para beneficiar esta população em áreas como educação, segurança e esporte. De acordo com a Aquarela Magazine, os portadores de deficiências residentes no Canadá não precisam pagar impostos sobre certos dispositivos médicos e assistenciais, permitindo o acesso gratuito à equipamentos como muletas ou andadores.

Botão para abertura de portas no Canadá – Foto: Ricardo Shimosakai

Falando especificamente sobre Vancouver, é comum o encontrar rampas, portas automáticas e transportes públicos equipados propriamente para embarque de pessoas com deficiência física. Além do centro da cidade, em localizações mais retiradas como na University of British Columbia (UBC), há a tecnologia para abertura de portas, com funcionamento manual e automático simultaneamente. Estas contam com a presença de botões para auxiliar cadeirantes que desejam acessá-la.

Seminário promove debates e discussões. Foto: João Vilnei

A abertura do seminário “Atitudes para inclusão – Construindo Valores e Fortalecendo a Cidadania”, ocorreu na manhã desta segunda-feira, 26.  O evento está sendo realizado no auditório do Colégio Marista Santa Maria, com diversas palestras, oficinas, workshops e trocas de experiências. O seminário é promovido pela Frente Parlamentar em Defesa das Pessoas com Deficiência, a Secretaria de Município de Educação e a 8ª Coordenadoria Regional de Educação.

Durante a manhã, o seminário recebeu centenas de pessoas. Jorge Pozzobom, prefeito de Santa Maria, participou lembrando que o seminário oportuniza discussões, debates e a reflexão em relação aos assuntos que tratam dos direitos e da inclusão das pessoas com deficiência.

Gisele Bauer, superintendente pedagógica da Secretaria de Educação, e Admar Pozzobom, presidente da Frente Parlamentar em Defesa das Pessoas com Deficiência também confirmaram o compromisso com a inclusão e cuidado às pessoas com deficiência.

No decorrer da segunda feira, várias palestras estão sendo realizadas tratando pautas sobre direitos, serviços disponibilizados e as experiências de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A secretária de Cultura, Esporte e Lazer, Marta Zanella, e os vereadores, João Ricardo Vargas, Cezar Ghem, Luci Duartes, Adelar Vargas e Juliano Soares, também participaram do seminário juntamento com autoridades ligadas à educação no município.

Fonte: Superintendência de Comunicação/PMSM

 

Imagem de Free-Photos por Pixabay

Caminhando por uma estrada de terra, à minha direita algumas casas de madeira que ficam um pouco abaixo do nível da estrada, todas elas cercadas com arame, pedaços de madeira e telhas. Em um dos pátios, um cachorro, amarrado a uma corrente, me acompanha com os olhos. Do outro lado, a alguns metros de distância, trilhos enferrujados de uma antiga ferrovia. Enquanto imagino para onde aqueles trilhos levam, eu vejo, logo a frente, alguns meninos jogando taco, “três pra trás entrega os taco”, aquilo me fez lembrar minha infância.

Naquele local, onde o trem nunca chega, mas também onde a esperança nunca morre, conheci Amanda, que não para um minuto de se mexer, de sorriso fácil e chiclete sempre na boca. Sonha em ser veterinária. Para uma menina tão nova, mostra uma desenvoltura em se comunicar que dá inveja em qualquer jornalista ou apresentador. Também conheci Kauã, que sempre frisa que seu nome é com k e sem n no final. Além deles, Gabriel, que em uma das nossas conversas me disse querer ser policial: “quero prender as pessoas que fazem mal”, e Kaila, que quando crescer quer ser como Dandara, mulher guerreira e a frente do seu tempo. Kaila, apesar da pouca idade, enfrenta as dificuldades da vida como uma guerreira, como Dandara um dia fez.

Todos com menos de 10 anos de idade, sonham, imaginam, enquanto a vida passa lentamente na frente dos seus olhos e os trilhos enferrujam um pouco mais. A realidade dessas crianças é dura, me faz ter vontade de pegar uma a uma pela mão e levá-las dali, descobrir com elas onde esses trilhos vão dar, mas não posso. Estou só de passagem. O que posso fazer? Dar um pouco de carinho, atenção, arrancar um sorriso dos seus rostos em vez de lágrimas. E aprender que, por mais que passemos a vida inteira atrás de “algo”, no fim percebemos que o que procuramos não importa, só o que deixamos aos outros, além das coisas simples e boas que fazemos ao longo do caminho.

Escrevo essas palavras na minha última visita, me despeço com algumas lições e lembranças na mochila. Ao olhar para trás, torço uma última vez para o trem chegar, mas ele não chega. Então sigo em frente, na esperança de que as crianças que conheci naquele lugar encontrem algo além dos trilhos e sejam tudo o que elas quiserem ser.

Fabian Lisboa é acadêmico de jornalismo na UFN e escreveu este texto a partir de sua experiência na disciplina de Projeto de Extensão em Comunicação Comunitária II, em que atuou junto à ONG Estação dos Ventos.

Apresentação da caderneta do idoso. Foto: Arquivo / Prefeitura

Acontece amanhã, quarta-feira, 12, a 2ª edição do Encontro Regional sobre a política de saúde do idoso, no auditório do Colégio Politécnico da UFSM, das 8h às 16h.

Entre palestras e mesas-redondas, o encontro vai abordar assuntos relativos aos dados epidemiológicos regionais sobre violência contra a pessoa idosa, as redes de suporte a idosos em situação de vulnerabilidade, os usos de medicamentos e  relatos sobre a implementação da caderneta de saúde da pessoa idosa, que serve para controlar e adicionar os dados das avaliações feitas pelos profissionais e orientações. No local, os representantes dos ESFs darão depoimentos sobre a iniciativa.

Ainda haverá duas mesas com mediadores e participantes, a primeira sobre a rede de suporte ao idoso em situação de vulnerabilidade e/ou violência e a segunda sobre a implementação da caderneta de saúde da pessoa idosa: relatos de experiências na região. Além de apresentações culturais realizadas pelo Grupo de Idosos de Santa Maria.

As ações são promovidas pela Prefeitura de Santa Maria, através da Politica de Saúde do Idoso da Secretária de Saúde, pela 4º Coordenadoria Regional de Saúde e pelo curso de Técnico em Enfermagem do Politécnico da UFSM.

As inscrições são realizadas de forma gratuita pelo e-mail: saudedoidoso4crs@gmail.com, apenas com uma solicitação de pedidos de higiene, de limpeza ou fralda geriátrica para o Lar das Vovozinhas.

 

Prevista para ocorrer de 11 a 14 de julho, a Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop), que completa 26 anos em 2019, costuma dar à Santa Maria o título de capital latino-americana do cooperativismo. Mesmo a potência que representa pelo grande número de pessoas que atrai, cerca de 300 mil por edição, a feira tem enfrentado dificuldades para conseguir toda a estrutura necessária para a sua realização. Isso porque a estrutura de lonões, onde ocorrem os debates e oficinas que envolvem formações e discussões de políticas públicas referentes à sustentabilidade, meio ambiente e economia solidária, é uma das mais caras para bancar.

Devido às dificuldades em captar recursos governamentais e projetos com outras entidades, o Projeto Esperança/Cooesperança e a Cáritas, responsáveis pela organização da Feicoop, lançaram uma campanha de financiamento coletivo cujos recursos serão destinados para a estrutura física e logística da feira. A campanha “Juntos pela Feicoop” recebe colaborações pelo site da Cáritas ou por meio de depósito bancário  em conta do Banco do Brasil (Agência 0010-8, Conta 26.292-7). Qualquer valor é bem-vindo.

O texto de divulgação da campanha destaca a participação de vários países anualmente na Feicoop que tem por objetivo promover a geração de trabalho e renda, a partir de uma economia mais justa e solidária. “Seja doador e participe desta transformação, garantindo que centenas de famílias tenham a oportunidade de buscar o seu sustento e qualidade de vida.”

É possível acompanhar informações sobre a Feira e sobre a campanha pela fanpange da Feicoop no Facebook. Diversos vídeos com depoimentos de pessoas que vivem da economia solidária e de pessoas que apoiam e acreditam na ideia têm sido publicados. E para quem quiser conhecer mais sobre a feira, a TV OVO produziu um documentário chamado Cultura de Afetos, que retrata a teia de vidas e histórias que constroem essa bonita história.

Sinopse:

Transformar o modo de vida, formar coletivos e desenvolver a conscientização sobre economia solidária pela educação popular. É a partir da Feira Estadual do Cooperativismo, em Santa Maria, que, há 25 anos, as redes de solidariedade se conectam pelo mundo e se entrelaçam numa cultura de afetos que defende a diversidade e a sustentabilidade. É uma luta de resistência que promove políticas públicas para o país desde os pequenos produtores aos prossumidores.

A oficina de fotografia na CDC Estação dos Ventos é desenvolvida pelos acadêmicos Thayane Rodrigues, Ariadne Marin e Juliana Brittes. Foto: Juliana Brittes

Os cursos  Comunicação da Universidade Franciscana  oferecem aos acadêmicos a disciplina de Projeto de  Extensão em Comunicação Comunitária como uma forma de inserção do jornalismo e da publicidade e propaganda em práticas sociais comunitárias e de mobilização social.

Nesse semestre, estudantes do curso de jornalismo estão desenvolvendo projetos  na CDC Estação dos Ventos, localizada no bairro Km 3, e que atende crianças e adolescentes no turno inverso da escola.  São crianças em situação de vulnerabilidade  social que já ingressaram na escola e necessitam de um lugar para ficar enquanto seus pais trabalham.

Campanha produzida pelos acadêmicos Valéria Auzani, Estela Biscaino, Ana L. Deike e João P. Foletto.

A ONG conta com doações e trabalho voluntário para se manter. No local são ofertadas diversas oficinas,  como aulas de música, yoga e Muay thai.

Os projetos desenvolvidos pelos acadêmicos de jornalismo da UFN atuam em três frentes: a mobilização social em torno das demandas da ONG, o trabalho com a fotografia e, ainda, a imersão no audiovisual. Os grupos atuam de forma colaborativa com foco no desenvolvimento das ações de comunicação.

A equipe que atua na mobilização já realizou campanhas de arrecadação de produtos não perecíveis e trabalhou na organização e na divulgação do tradicional risoto da entidade, realizado este semestre na Escola de Educação Infantil Mamãe Coruja , em parceria. Também está prevista a realização de mais um risoto na comunidade da ONG.

Já as aulas de fotografia que acontecem semanalmente, procuram mostrar aos alunos diferentes formas de olhar o mundo. O uso do olhar mediado pela lente tem levado as crianças a descobrirem novos horizontes, e a registrarem a sua comunidade.

O mesmo ocorre na experiência com a produção audiovisual, quando as crianças entram em contato com a imagem em movimento e a preparação para produzi-la. Integram o lúdico e o técnico utilizando as ferramentas disponíveis. Parte dos vídeos produzidos por Milena Dias e Allyson Marafiga estão disponíveis na página da Estação dos Ventos no facebook.

Segundo a professora Rosana Zucolo, que orienta os trabalhos, as trocas entre os alunos da creche e os acadêmicos criam novas perspectivas e conhecimentos, além de gerarem vínculos com a comunidade extra-universidade.

A apresentação e defesa dos projetos está marcada para o próximo dia 27.

Documentário sobre assédio foi exibido na UFN / Foto: Thayane Rodrigues

O documentário Chega de Fiu Fiu, foi exibido na tarde desta segunda-feira, 12, na UFN. A iniciativa do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFN apresentou junto com o Diretório Acadêmico da Arquitetura (DARQ), o filme da jornalista Juliana Faria,lançado em 2018. O filme mostra a rotina de três mulheres comuns, expondo as situações de assédio sofrido diariamente, na rua, no transporte público, na praia.

Em 2013 Juliana lançou uma campanha com o mesmo nome nas redes sociais contra o assédio que as mulheres sofrem nas ruas. A jornalista e, também, fundadora da ONG feminista Think Olga, criou o mapa do assédio, uma plataforma digital em que as mulheres podem compartilhar relatos de assédio e apontar os lugares onde eles ocorreram. Essa iniciativa tem o intuito de tornar as cidades mais seguras para as mulheres.

No seu depoimento, a jornalista conta que decidiu criar a campanha após presenciar um de assédio  numa coletiva de imprensa que cobria. Ela percebeu a naturalidade e a indiferença com que o fato foi tratado.  

Chega de Fiu Fiu   

Nos relatos, as mulheres dizem que o assédio não é uma simples cantada, como muitos pensam, e sim toda e qualquer intimidação, perseguição e constrangimento, que não respeite o espaço da outra pessoa pelo fato de ser mulher. Um ponto comum na fala das mulheres está relacionado a segurança e políticas públicas, ao medo de andar na rua, principalmente à noite e sozinha. “A cidade não foi feita para as mulheres, porque as mulheres não foram feitas para andar na cidade, elas foram feitas para ficar em casa, cuidar do marido e dos filhos. Este era o pensamento que imperava no mundo, até a Revolução Industrial. E é aí, que nasce o movimento feminista, para exigir os nossos direitos como cidadãs”, explica Margareth no documentário.

O documentário também apresenta o pensamento masculino sobre assédio, numa roda de conversa, alguns homens debatem sobre o que é assédio e como eles percebem estas situações. Todos concordam que assédio é interferir no espaço da mulher sem sua permissão, porém, reforçam os esteriótipos que as roupas das mulheres servem para elas “se mostrarem, como por exemplos as leggings e as roupas justas de academias”, como citado por mais de um integrante desta mesa redonda.

A filósofa Djamila Ribeiro falou sobre a objetificação do corpo da mulher, principalmente da mulher negra. “A violência e a sexualização da mulher negra está relacionada ao período colonial, que as mulheres eram escravas e eram vistas com o propósito de apenas procriar ou ser empregada”, esclarece.

 

Debate

Após a exibição do filme houve um debate entre os alunos presentes. Um dos tópicos da discussão foi o respeito ao espaço e ao corpo de cada pessoa. Entre os homens também foi evidenciado a existência dos estereótipos relacionados às mulheres e que o assédio diz mais a respeito da autoestima e padrões de masculinidade, do que do corpo da mulher. O acesso à informação e os movimentos feministas também foram assuntos debatidos, pois na sociedade contemporânea um comportamento preconceituoso não cabe mais. O alunos também opinaram sobre empoderamento feminino, políticas públicas, mercado de trabalho, relacionamentos abusivos e sororidade.

 

Reprodução: http://www.lardejoaquina.org.br/

No próximo domingo, 04 de novembro, a SEEC- Lar de Joaquina oferecerá um risoto beneficente, que é uma das principais fontes de renda da casa. Os convites podem ser adquiridos na secretaria da Instituição, que fica na Av. Presidente Vargas, número 1920, ou ser reservados pelos telefones (55) 3221-3197 e (55) 99193-3252 (também via whatsapp). O risoto por ser retirado a partir das 11 horas na Seec. O público poderá comprar, também, galeto, salada de maionese,  pães, cucas e doces. A feira de artesanato das abelhinhas estará expondo os trabalhos no local.

Risoto: R$ 10,00 – a concha.
Galeto: R$ 20,00 – a porção com 06 pedaços.
Salada de maionese: R$ 10,00 – a porção de 500 gramas.

Mais informações pelo telefone (55) 3221-3197.

Em primeiro plano, mulher sentada de costas auxiliando outra mulher, em pé, a utilizar a biometria
Mesária realizando seu trabalho durante o segundo turno das eleições 2018 na escola Cândido Genro em Santiago. Foto: Emanuely Guterres

Aproximadamente 2 milhões de brasileiros foram convocados para trabalhar como mesários nas eleições de 2018. A participação do mesário no serviço eleitoral é importante, juntamente com os servidores da Justiça Eleitoral, tem a função de garantir a  segurança e normalidade da seção eleitoral, possibilitando ao eleitor se manifestar, de forma tranquila, livre e soberana seu direito de votar.

O mesário é o representante da Justiça Eleitoral que compõe a mesa receptora de votos. A administradora Carla Souza de Matos, 25, está na sua 4º eleição como mesária, junto com sua equipe de seção, na Escola Cândido Genro, em Santiago.O trabalho começou às 7h, com a busca das urnas e a organização do local para receber os eleitores das 8h às 17h.

Na sua seção em que atuou são quatro pessoas: o secretário, que organiza a fila e libera a entrada do eleitor; o 1º e o 2º mesários, que auxiliam o presidente ao identificar o eleitor e, o presidente, responsável por inserir os dados do eleitor no terminal conectado à urna.

Acresce-se a gratificação no exercício do mesário, desde os atos preparatórios, ainda nos encontros junto ao Tribunal Regional Eleitoral com as informações e conhecimentos recebidos, como na atividade propriamente dita desenvolvida no decorrer do dia das eleições. O trabalho culmina com a entrega do resultado da respectiva Seção Eleitoral, com a responsabilidade inerente a cada ato para atingir o resultado final. Esse trabalho autoriza que o resultado do pleito seja divulgado minutos ou horas após encerrada a votação, o que já é mais do que suficiente para enobrecer a tarefa.

Direitos

Boa parte dos mesários está regularmente empregada e, ao ser chamada pela Justiça Eleitoral, passa a ter alguns direitos previstos na Lei Eleitoral (Lei 9.504/97).Quem foi mesário nas eleições adquire um bônus em caso de empate em provas de concurso público e dois dias de folga no trabalho. Esses e outros benefícios servem para compensar o dia de trabalho. No entanto, segundo Carla, a maior vantagem é a contribuição com o processo eleitoral democrático, prestando um serviço à nação e contribuindo com a transparência.

Preparação    

A Justiça Eleitoral promove treinamentos na modalidade presencial e a distância para que os mesários desempenhem suas funções com excelência no dia da eleição. Para fazer o treinamento a distância é necessário uma chave de inscrição fornecida pelo cartório eleitoral. E, para facilitar, a atuação do mesário foi elaborado para auxiliar quanto ao fluxo de votos e para tirar dúvidas o Aplicativo Mesário, disponibilizado pela Justiça Eleitoral.

 Voluntariado

Para ser mesário voluntário basta entrar em contato com o TRE do Estado, por meio da internet ou pessoalmente. Mesmo que o TRE não tenha o programa Mesário Voluntário é possível se inscrever e se colocar à disposição, entrando em contato com o cartório eleitoral.

Ausência do mesário

Quando o mesário não pode atuar, segundo o art.  120,4º, do Código Eleitoral, tem o prazo de, no máximo, 5 dias após a convocação para alegar as razões de seu impedimento. Para isso, deve-se encaminhar a justificativa ao juiz da zona eleitoral em que está inscrito e aguardar a resposta que pode ser aceita ou não.