
Projeto Ler Mulheres assiste ao espetáculo “Erico Um Solo de Clarineta”, de Rafa Sieg
No Theatro Treze de Maio, um grupo de estudantes e professores se fez presente para mais uma apresentação do Livro Livre da Feira do Livro de Santa Maria.

No Theatro Treze de Maio, um grupo de estudantes e professores se fez presente para mais uma apresentação do Livro Livre da Feira do Livro de Santa Maria.

A Agência Central Sul está publicando um especial sobre a Feira do Livro, que ocorreu de 22 de agosto a 6 de setembro de 2025 em Santa Maria.

A 52ª Feira do Livro de Santa Maria ocorreu entre os dias 22 de agosto e 6 de setembro e deixou sua marca na vida de quem passou pelas bancas na Praça Saldanha Marinho.

A Feira do Livro de Santa Maria se consolida, a cada edição, não apenas como um ponto de encontro para a literatura nacional, mas como uma janela para o mundo.

Durante uma hora, o público ficou absorto na atuação, conhecendo a infância e os acontecimentos marcantes da trajetória do escritor gaúcho

Entre os dias 22 de agosto a 06 de setembro ocorreu a 52ª Feira do Livro de Santa Maria.

Conheça um pouco da segunda obra da série de livros que conta a história de Porto Alegre através da música

A programação trouxe diversas atrações que levaram mais de 80 mil pessoas ao evento.

Raridades e discos atuais compartilharam espaço nas bancas.

Confira a partir de hoje, nas quintas-feiras, matérias produzidas por acadêmicos do curso de Jornalismo tendo como pano de fundo a Feira do Livro
A Agência CentralSul de Notícias faz parte do Laboratório de Jornalismo Impresso e Online do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) em Santa Maria/RS (Brasil).

A Agência Central Sul está publicando um especial sobre a Feira do Livro, que ocorreu de 22 de agosto a 6 de setembro de 2025 em Santa Maria
No Theatro Treze de Maio, um grupo de estudantes e professores se fez presente para mais uma apresentação do Livro Livre da Feira do Livro de Santa Maria. Trata-se do projeto Ler Mulheres, um clube de leitura do Instituto Federal Farroupilha de São Vicente do Sul (IFFAR), criado para valorizar autoras e vozes femininas por meio de debates e trocas de experiências. Eles estavam em um dia de excursão pela cultura da cidade de Santa Maria e, além da feira, visitaram o Museu de Artes de Santa Maria (MASM).
Na última parada da viagem, o grupo comtemplou as memórias de Erico Verissimo, narradas num monólogo pelo ator Rafa Sieg, que interpretou os dramas familiares vividos pelo escritor gaúcho. O espetáculo contou com muitos efeitos sonoros e uma luz intimista, fazendo com que quem ali estava embarcasse de forma imersiva na história.
Para quem já conhecia a obra e o autor, vivenciar o espetáculo foi especial, caso da estudante Eduarda Silveira Moreira, que faz parte do clube de leitura e tem uma ligação especial com Erico: “Minha irmã morava em Cruz Alta, então não tem como ir à cidade natal de Erico Verissimo e não conhecer a vida e obra dele. A peça foi muito tocante, a parte sonora foi impecável e a atuação da mesma forma. O Rafa Sieg realmente se tornou o Erico Veríssimo.”
A noite abriu oportunidades também a novos admiradores do escritor gaúcho e do ator que representou a obra, pois as cenas retrataram não só uma realidade distante, mas comum em muitos lares do país. A estudante e participante do Ler Mulheres, Manoela Alves Coimbra, muito emocionada, relatou: “Chorei com a obra, todos os sentimentos expostos, foram feitos de uma maneira muito viva e real, senti como se eu fosse aquela criança, vendo a separação dos pais e tendo a obrigação de escolher um lado.”
Com o final do espetáculo, Rafe Sieg encerrou a apresentação emocionado sob aplausos, numa edição da Feira do Livro que homenageia os 120 anos de nascimento de Erico Verissimo.
Matéria produzida pelo aluno Cristhian Braga na disciplina de Produção da Notícia do curso de Jornalismo, sob orientação da professora Neli Mombelli.

A Agência Central Sul está publicando um especial sobre a Feira do Livro, que ocorreu de 22 de agosto a 6 de setembro de 2025 em Santa Maria.
A feira do livro de Santa Maria, que encerrou no último dia 06/09, além de ser um lugar de compra e troca de livros, se tornou um local de convívio social muito importante para a comunidade. Entre os grupos que circularam pelo espaço estavam grupos com mais de 60 anos que compartilharam experiências e trocaram indicações de leituras que marcaram a sua época.
Ao aproximarem-se das bancas, que costumam exibir os lançamentos como primeira opção, as mãos e olhos atentos buscavam principalmente livros como biografias e romances de época, títulos que raramente estavam expostos nas áreas mais visíveis das barracas. Quase nunca estavam sozinhos, geralmente vinham com amigos ou familiares, transformando a escolha de cada livro em longas conversas sobre histórias, memórias e experiências de vida.
Alguns contavam a história de quando leram aquele livro pela primeira vez, outros puxavam papo sobre quando tinham vindo pela última vez na feira e o que mudou desde então, perguntavam para os vendedores o que as novas gerações buscavam e se ainda liam como antigamente. A resposta? Os vendedores sorriam e comentavam que há uma busca por uma literatura diversificada.
Um grupo de senhoras comentou com um dos vendedores que o estilo de literatura que mais chamava atenção delas era a literatura regional, e que mesmo que a Feira fosse em homenagem ao escritor gaúcho, Érico Veríssimo, sentiam que os jovens não davam a digna atenção para esse tipo de leitura, o que as deixava um tanto tristes.
Quando finalmente achavam um livro do seu gosto, pulavam de alegria como se tivessem achado ouro, e assim puxavam assunto com outras pessoas que também procuravam algo especial. Porque a feira também é sobre garimpar, além, é claro, de fortalecer os encontros.
Matéria produzida por Maria Valenthine Fioravante Feistauer na disciplina de Produção da Notícia do curso de Jornalismo, sob orientação da professora Neli Mombelli.

A Agência Central Sul está publicando um especial sobre a Feira do Livro, que ocorreu de 22 de agosto a 6 de setembro de 2025 em Santa Maria.
A 52ª Feira do Livro de Santa Maria ocorreu entre os dias 22 de agosto e 6 de setembro e deixou sua marca na vida de quem passou pelas bancas na Praça Saldanha Marinho. Porém, entre tantos espetáculos, debates e lançamentos, algo foi deixado para trás: o planejamento prévio para que determinadas necessidades do público fossem atendidas.
A Feira do Livro não acomodou um espaço próprio para a alimentação de grupos grandes de pessoas. Escolas levaram turmas de 30 alunos ou mais para assistir aos espetáculos infantis e para circular pelas bancas. Depois de um itinerário cansativo, as crianças, com fome, não tinham local apropriado para se alimentar. Os bancos da Praça Saldanha Marinho se tornam insuficientes para acomodar turmas numerosas, que necessitavam estar juntas.
Além disso, não havia o suporte necessário para a alimentação de pessoas com deficiência. A falta de mesas para o consumo de alimentos no espaço da feira dificultou a permanência de quem precisava realizar suas refeições no local. Para se alimentar, os visitantes tinham como alternativa deslocar-se até estabelecimentos comerciais próximos da praça.
Ao entrar em contato com a Secretaria de Cultura, a reportagem obteve a seguinte resposta: “A Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, informa que o assunto será resolvido com a comissão que organiza a Feira do Livro.”
Matéria produzida por Eduarda Amorin na disciplina de Produção da Notícia do curso de Jornalismo, sob orientação da professora Neli Mombelli.

A Feira do Livro de Santa Maria se consolida, a cada edição, não apenas como um ponto de encontro para a literatura nacional, mas como uma janela para o mundo. Em meio a milhares de títulos em português, um espaço cada vez mais significativo é ocupado por obras em diversos idiomas, revelando um público ávido por explorar culturas e narrativas além das fronteiras linguísticas.
Nas bancas, é possível encontrar uma variedade de obras em inglês, espanhol, russo francês, italiano e alemão. Esses livros não se limitam a clássicos da literatura, como as obras de William Shakespeare ou Miguel de Cervantes, mas incluem também lançamentos contemporâneos, romances, livros de culinária e até mesmo títulos infantis. Essa diversidade reflete a crescente globalização e o interesse dos leitores em ter acesso a textos em sua forma original, capturando nuances e expressões que muitas vezes se perdem nas traduções.
O público que busca por esses livros é tão plural quanto as obras oferecidas. Estudantes de línguas estrangeiras, que veem nos livros uma ferramenta valiosa para aprimorar o vocabulário e a fluência, convivem com leitores que buscam a experiência autêntica de ler um autor em sua língua nativa. Além disso, a presença de imigrantes e estrangeiros residentes na cidade também impulsiona a demanda por livros que os conectam com suas culturas de origem.
A presença de livros em outros idiomas na Feira do Livro de Santa Maria é um termômetro do dinamismo cultural da cidade. Demonstra um público não apenas receptivo, mas proativo na busca por novas experiências literárias. Para as livrarias e expositores, é um desafio e uma oportunidade de diversificar seus catálogos e atender a essa demanda crescente.
“Não esperem que estas memórias formem um documento histórico”, adverte Erico Verissimo no prefácio do livro “Solo de Clarineta”. “Elas não têm a intenção de fazer nenhum perfil de minha época ou dos meus contemporâneos. É antes um livro sincero, que dedico especialmente àqueles que me têm lido durante todos esses anos.”

O espetáculo “Erico: Solo de Clarineta (Primeiro Movimento)”, ocorreu no dia 2 de setembro no Theatro Treze de Maio, e encantou os espectadores que presenciaram a interpretação emocionante de Rafa Sieg, que deu vida à Erico Verissimo. Durante uma hora, o público ficou absorto na atuação, conhecendo a infância e os acontecimentos marcantes da trajetória do escritor gaúcho a partir de sua própria perspectiva.
O livro traz reflexões do escritor sobre sua jornada, com detalhes sobre a infância até a vida adulta. Entre os momentos estão a crise econômica da família, o rompimento do casamento de seus pais e os pensamentos que nunca era capaz de externar por conta da timidez.
Com produção da Companhia de Teatro Íntimo e direção de Renato Farias, as frases escritas na obra se transformaram em falas e movimentos, e os pensamentos de Erico foram expostos pelo ator de maneira artística e sensível.
Rafa, ao ser questionado sobre a responsabilidade de interpretar Erico Verissimo, explica que é uma necessidade não deixar ele cair no esquecimento: “É necessário que nomes como o Erico sejam lembrados pelas gerações futuras.” Ele também destaca que é importante exaltar nomes que quebrem o pensamento de que a literatura nacional só é feita em São Paulo e Rio de Janeiro: “A literatura do Brasil é muito mais que isso.”
O monólogo foi um dos espetáculos apresentados no Livro Livre, e teve uma grande relação com o tema da Feira do Livro deste ano: os 120 anos do nascimento de Erico Verissimo. Para os espectadores que não eram familiarizados com a história do escritor, a adaptação da sua autobiografia funcionou como uma introdução ao seu percurso de vida e obra.
Rafa Sieg, natural de Panambi, encontrou identificação nas obras do cruz- altense Erico Verissimo, não apenas pela aproximação geográfica, mas também pelos sentimentos explorados nos livros. “Eu tenho 46 anos, e há muito tempo venho buscando algo com que eu possa falar com o coração. Ser atravessado por essa história e por toda a obra do Erico está sendo como um oxigênio na minha vida.”, declara Sieg ao final do monólogo, emocionado.
O monólogo, que teve sua estreia em Santa Maria, está passando por uma fase de captação de recursos. A produção planeja levar o espetáculo à outras cidades, como Panambi, Cruz Alta, e futuramente, até ao Nordeste.

Entre os dias 22 de agosto a 06 de setembro ocorreu a 52ª Feira do Livro de Santa Maria. O evento, promovido na Praça Saldanho Marinho e com os espetáculos no Theatro Treze de Maio, teve o objetivo de celebrar os 120 anos de nascimento do escritor brasileiro Érico Veríssimo. Esta edição contou com uma programação variada, incluindo atrações nacionais, apresentações musicais, peças de teatro e conversas com autores.
Os espetáculos do Livro Livre eram realizados no Theatro Treze de Maio durante todos os dias da Feira. Os convites eram retirados no dia de cada apresentação, na bilheteria, e a exibição começava a partir das 19h. Entre várias performances que passaram pelo palco do teatro, estiveram Letícia Wierschowski, escritora e roteirista brasileira, conhecida como autora do romance “A Casa das Sete Mulheres”; Nelson Motta, escritor, compositor e jornalista brasileiro, que realizou um bate-papo sobre os 80 anos de Elis Regina; o Espetáculo Érico – Um Solo de Clarineta interpretado pelo ator Rafa Sieg, onde conta um pouco das memórias de Erico Verissimo, autor de “O Tempo e o Vento” homenageado na Feira do Livro; e Thiago Lacerda, ator que interpretou o filme da obra de Verissimo.
As crianças também foram agraciadas com espetáculos infantis. Durante a semana, os ingressos eram destinados a alunos da Rede Municipal de Ensino de Santa Maria e, aos finais de semana, a retirada era livre ao restante do público. Entre as atrações, estavam Contos de Ananse, encenação onde quatro personagens percorrem o mundo contando histórias ancestrais da África e Em Busca da Amazônia, onde também quatro atores interpretam animais que cansados da vida cidade, decidem buscar um novo começo na selva.
Além disso, tiveram atrações da Feira Fora da Feira, conjunto de atividades descentralizadas da Feira do Livro, que leva a leitura para espaços públicos da cidade. Entre as atrações, houve troca de livros, oficina de quadrinhos e escrita, debates e exposições, em diferentes áreas da cidade.
Durante muitos anos, os espetáculos do Livro Livre eram realizados em um palco na Praça Saldanho Marinho. Neste ano, houveram reclamações das filas de espera para retirar ingressos e várias pessoas não puderam assistir por ser no teatro. Questionada sobre o assunto a secretária de Cultura da cidade, Rose Carneiro, explicou o porquê de as atrações do Livro Livre não serem mais realizadas na praça desde 2020. “Existem razões importantes para essa escolha, visto que o espaço oferece condições técnicas e de infraestrutura superiores às da Praça Saldanha Marinho, onde o evento era realizado anteriormente. Isso inclui a proteção contra instabilidades climáticas, garantindo que os eventos não sejam cancelados e que o público possa desfrutar da programação com conforto.” Ela ressalta que “A Secretaria entende a preocupação sobre a fila e a capacidade limitada do Theatro. A democratização do acesso se dá pela participação das escolas. Neste ano, praticamente todas as noites tiveram a presença de turmas de escolas públicas de EJA e Ensino Médio, algumas vezes de mais de uma escola.”
Durante a feira, a Universidade Franciscana esteve presente com a Nave de Histórias, um projeto de extensão que é promovido pelos cursos de Jornalismo, Design, Letras e Pedagogia. O projeto apresenta uma série de podcasts criados a partir de livros infanto-juvenis das autoras santa-marienses Onilse Noal Pozzobon, Vera Campos, Maria Rita e Maria das Graças Py. As histórias infantis foram contadas por meio de áudio, dentro de uma nave espacial, criada pelos alunos. As história estão disponíveis também no Spotify.


Bate-papo com Nelson Motta. Imagem Enzo Martins/ LABFEM




Um compilado de informações importantes para a formação de Porto Alegre com ênfase em seus desafios políticos, morais e culturais através da música, recupera a história e as características da identidade da cidade. Esse é o conteúdo do segundo livro de uma série de obras sobre a música porto-alegrense, chamado Porto Alegre: Uma biografia musical, que recupera a história e as características da identidade da capital. Foramde três décadas de pesquisas do músico, jornalista e escritor Arthur de Faria. Que tem com foco, neste volume, na música popular da época.

Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com tese sobre Lupicínio Rodrigues, recentemente no evento Livro Livre, na 51ª Feira do Livro de Santa Maria, Arthur contou sobre suas obras e como foi crescer em Gravataí, na companhia dos pais, que inspiraram essa paixão pela música popular brasileira. Por outro lado, a veia de jornalista o ajudou a buscar todas as informações necessárias para reescrever a história da capital e sintetizá-la em 320 páginas.
Ao ler Porto Alegre: Uma biografia musical, o escritor traz à tona um protagonismo de pessoas pretas na construção da identidade cultural da capital porto-alegrense. Segundo as pesquisas de Arthur, em 1872, por exemplo, 1 um terço da população de Porto Alegre era negra, incluindo um príncipe, Babalorixá Africano, muito respeitado, que chegou no início do século XX, aconselhando nomes como Borges de Medeiros.
E não foi diferente na cena musical. Até o ano de 1960, o autor afirma que o protagonismo artístico da capital era 80% preto. Em sua fala, ele ainda lembra de Ilhota, uma comunidade de pessoas negras numa área central da cidade, onde viviam muitos artistas de classe média-baixa. Era um lugar frequentado por todos que buscavam entretenimento e que foi apagada após uma movimentação política e econômica. Ela situava-se onde hoje estão as Vilas: Lupicínio, Renascença I e Renascença II, e foi o local que revelou o grande cantor e compositor brasileiro, Lupicínio Rodrigues.
A obra de Faria retrata e eterniza a identidade de uma cidade através de outros olhos. Com foco em representações artísticas e musicais, mostra como a arte, mais precisamente a música e a dança, influenciaram na construção política e na formação da sociedade que viria a ser a nossa capital gaúcha. Arthur frisa em seu livro sobre uma “fantasia européia” que habita nos gaúchos, trazendo dados que confirmam que Porto Alegre tem uma história muito maior do que estamos acostumados a ouvir, propondo reflexões sobre os motivos desse protagonismo ter diminuído. Em entrevista para a Zero Hora, ele enfatiza que muitos artistas dessa época foram apagados ou esquecidos, abordando até um o impacto da Segunda Guerra Mundial na música do estado. O livro revive, a cada capítulo, nomes que marcaram cada época, como Paulo Coelho, Octávio Dutra e Chiquinho do Acordeon. O autor afirma que os leitores sentirão falta de dois nomes muito importantes, como Lupicínio Rodrigues e Radamés Gnatalli, isso porque Lupicínio: Uma Biografia Musical foi lançado como 3º terceiro livro da série e a obra de Radamés já está programada para ser um dos próximos lançamentos.
Texto produzido por Ana Cecília Montedo na disciplina de Produção da Notícia, sob supervisão da professora Neli Mombelli, durante o segundo semestre de 2024.
A 51ª Feira do Livro de Santa Maria encerrou na primeira semana de setembro e registrou a marca de mais de 30 mil exemplares vendidos. Além das bancas na Praça Saldanha Marinho, apresentações no Theatro Treze de Maio, como bonecos e artistas durante a Feira, contribuíram para diversificar as atrações e lançamentos que refletem a importância da cultura na formação e desenvolvimento da cidade.
Foram diversos nomes como Daniel Munduruku, Arthur de Faria, Janine Rodrigues, Geni Nuñez, Zeca Baleiro, Hique Gomez, além de outros, que trouxeram a leitura e a cultura para além das páginas nesta edição.
Um dos destaques foi o santamariense Armando Ribas Neto, que além de escritor, é publicitário. Armando trouxe sua obra Marvin Grinn e a Gaiola Dourada, o terceiro livro de uma série, para lançar no evento. Essa obra ilustra como a literatura pode capturar a imaginação dos leitores a partir de uma leitura divertida que traz a amizade, mistério e aventura na trama. Durante a Feira, o escritor também abriu uma casa temática baseada no livro, no centro da cidade.
Outra presença confirmada foi o autor Damião Santos, que abordou temas de liberdade em seus livros biográficos e poéticos. Seus trabalhos, que exploram temas de autonomia e identidade, sublinham como a literatura pode ser uma ferramenta poderosa para a introspecção e o diálogo social. No bate-papo com o público, Santos destacou como a leitura e a escrita são fundamentais para a construção de uma sociedade mais consciente e livre.
Outro nome de destaque foi Daniel Munduruku, escritor e ativista indígena, que tratou sobre a vivência dos povos originários e contou um pouco de sua infância, além de trazer diversas reflexões sobre o preconceito, que reverbera há séculos na sociedade, e a sutil diferença com o racismo

A Secretária Adjunta de Cultura da cidade de Santa Maria, Fabrise Müller, diz que a Feira é como um festival e que vai além da venda de livros. Uma “festa da leitura”. Nesta edição, foram mais de 80 oportunidades de convivência artística com os diferentes segmentos, pontua ela, marcada por contadores de histórias, personagens, falas, relatos e intervenções musicais. E que “esse é o perfil da Feira” que buscam trazer para Santa Maria.
Existem alguns projetos que a Secretaria de Cultura traz para as escolas, como o Conecta Cidade Universitária, e as atividades literárias, que buscam trazer essa proximidade dos alunos com o mundo da leitura. Uma maneira de formar leitores, engajar ainda mais o público e despertar interesse na Feira. Faz com que os alunos queiram ler, saber e visitar o evento, acredita Fabrise.
Fabrise destaca que certamente o incentivo à leitura nas escolas reverbera. E por mais que não tenha dados concretos sobre isso, o aumento das vendas e o maior interesse do público com relação à leitura nesta última edição, demonstra que as pessoas têm buscado cada vez mais os eventos literários e culturais na cidade.
Texto produzido por Emilly Pilar na disciplina de Produção da Notícia, sob supervisão da professora Neli Mombelli, durante o segundo semestre de 2024.
A última Feira do Livro de Santa Maria contou com a venda de discos de vinil usados. As bolachas que eram famosas nos anos setenta e oitenta, estiveram presentes em bancas na Praça Saldanha Marinho. Além dos vinilófilos, jovens também procuram adquirir esse antigo formato de ouvir música que tem encontrado novo fôlego no mercado fonográfico.

Clientes garimpam discos raros na Feira do Livro. Imagem: Enzo Martins
Lp´s originais dos anos 80, de artistas como Chico Buarque, João Bosco e Sandra de Sá, estavam disponíveis junto com discos de artistas Pop da atualidade, como Marina Sena e Duda Beat. Essa renovação no mercado e no público pode ser vista no relatório da Pró-Música, associação que representa os produtores fonográficos do Brasil, lançado ano passado. Apesar de a receita de vendas de música no formato físico representarem apenas 0,6% da receita total da indústria fonográfica brasileira, ela atingiu o maior patamar desde 2018 puxada pela venda dos discos de vinil, que foi o formato físico mais comercializado.
Atualmente, as plataformas de streaming como o Deezer e o Spotify dominam a indústria musical, mas para os compradores de discos, a experiência de ouvir uma música pelo celular ou pelo computador não é a mesma coisa que colocar o vinil no toca discos e olhar a arte da capa de um álbum. Márcio Grings, criador do selo Memorabília, e que reuniu discos seus e de amigos para vender na Feira, diz que não só o material gráfico do disco atrai as pessoas, mas a qualidade do som também é melhor.
Os donos das bancas percebem uma diferença entre os entusiastas de longa data do formato do vinil e os compradores jovens. Normalmente, os jovens que compram os discos dificilmente têm um tocador em casa e colecionam esses objetos como um ícone pop. Mesmo assim, os vendedores comemoram que a nova geração está voltando ao formato do vinil.
Texto produzido por Enzo Martins na disciplina de Produção da Notícia, sob supervisão da professora Neli Mombelli, durante o segundo semestre de 2024.
Confira a partir de hoje, nas quintas-feiras, matérias produzidas por acadêmicos do curso de Jornalismo tendo como pano de fundo a Feira do Livro

Após as enchentes do Rio Grande do Sul, houve algumas ações sociais para mobilizar a população a apoiar produtores e comerciantes locais. Com os bloqueios das estradas e o difícil acesso à capital, Porto Alegre, quem não tinha capacidade de estocar mantimentos e mercadorias, acabou sendo pego desprevenido, principalmente no ramo alimentício. Além disso, ambulantes que dependem do clima e do fluxo da cidade ficaram impossibilitados de trabalhar nesse período, por falta de mercadorias, compradores e até mesmo por morar em locais afetados.
Alguns comerciantes sentiram uma drástica diferença em suas vendas com a chegada da Feira do Livro, principalmente pela movimentação de estudantes no Calçadão santa-mariense, como disse Graziela Oliveira, funcionária de uma lancheria localizada em frente à Caixa Econômica Federal. Já Viviane, que é caixa do tradicional mercado no final do calçadão, comenta que houve aumento do movimento inclusive superando as edições passadas da Feira.
Desta vez, o evento não teve a tradicional praça de alimentação, o que ajudou na movimentação em seu entorno. Uma das opções foi o Café do Theatro Treze de Maio, que também foi palco do livro livre, onde ocorreram a maioria das atrações e contou com mesas e cadeiras disponíveis em frente ao local. Com essa mudança, barraquinhas como a de Deusa Sattes não puderam ficar próximas ao evento. Segundo a vendedora, a prefeitura estabeleceu o local em que eles poderiam atuar durante o evento, isto é, no final do calçadão, na esquina oposta ao local das bancas de livros. Embora à distância, conforme Deusa, o faturamento não foi impactado por conta da grande circulação de pessoas.
De acordo com a organização da Feira, foram cerca de oitenta mil pessoas que visitaram a Praça Saldanha Marinho durante as duas semanas de programação. A Feira do Livro de Santa Maria, que tradicionalmente ocorre no primeiro semestre do ano, em virtude das enchentes de maio, foi realizada neste ano de 2024 de 26 de agosto a 8 de setembro.
Texto produzido por Ana Cecília Montedo na disciplina de Produção da Notícia, sob supervisão da professora Neli Mombelli, durante o segundo semestre de 2024.