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A visão acadêmica é premiada no Comunica Hits

Na última semana foi realizada a cerimônia do 8º prêmio de Jornalismo, o Comunica Hits. Puderam concorrer no prêmio projetos de alunos do 2º semestre de 2021 e 1º semestre de 2022. A celebração foi realizada

Exposição Fotografia Viva exibe trabalhos dos acadêmicos da UFN

Começa hoje, 16, a exposição Fotografia Viva que apresenta trabalhos produzidos pelos acadêmicos da UFN através do Laboratório de Fotografia (Labfem), no hall do prédio 15  da Universidade Franciscana. A exibição conta com fotografias dos cursos

UFN tem atividades em comemoração ao Dia Mundial da Fotografia

Na segunda-feira, 19, comemorou-se mundialmente o Dia da Fotografia e a Universidade Franciscana (UFN), como forma de brindar essa data, apresenta duas exposições. No pátio do conjunto III da instituição estão sendo expostas fotografias produzidas por

Fala, Santa Maria! O uso da fotografia como denúncia social

Hoje, 5 de julho, o curso de Jornalismo inicia a primeira Mostra de Projetos Experimentais,  I MOPE, que tem como objetivo partilhar os trabalhos desenvolvidos pelos alunos no decorrer da disciplina de Projeto Experimental em Jornalismo neste primeiro

Copacabana, nenhuma tem o encanto que tu possuis

Dia ensolarado. Andei na Avenida Rio Branco, pulando os buracos na calçada e observando meu entorno rodeado por prédios que cortam metade do centro de Santa Maria. Essa parte é chamado de “centro velho”. A arquitetura

Concurso fotográfico sobre o bairro Rosário encerra nesta sexta

O concurso fotográfico “Rosário novos olhares” do projeto de extensão  [com]VIDA, dos cursos de Design e Arquitetura e Urbanismo da Universidade Franciscana (UFN), está chegando nos últimos dias. Até esta sexta-feira, 25, moradores e frequentadores do bairro

O tempo pede passagem

Às vezes acho que as pessoas falam porque não gostam de ouvir o próprio silêncio. Bate, tem ruído, ecoa por dentro. E sempre que alguém fala pouco, eu penso o quanto essa pessoa escuta. É por

Projetos de comunicação comunitária movimentam a Estação dos Ventos

Os cursos  Comunicação da Universidade Franciscana  oferecem aos acadêmicos a disciplina de Projeto de  Extensão em Comunicação Comunitária como uma forma de inserção do jornalismo e da publicidade e propaganda em práticas sociais comunitárias e de mobilização social.

Na última semana foi realizada a cerimônia do 8º prêmio de Jornalismo, o Comunica Hits. Puderam concorrer no prêmio projetos de alunos do 2º semestre de 2021 e 1º semestre de 2022. A celebração foi realizada no hall do prédio 15.

Uma das categorias da premiação foi a de Fotografia, que foi dividida em cinco modalidades: Fotografia em sequência, Fotografia Livre, Fotojornalismo, Fotografia ensaio e Fotografia ilustrativa. Cada modalidade contava com jurados com formação jornalística e experiência na área. No caso da Fotografia, os jurados foram os jornalistas Paulo Pires e Nathália Schneider.

Laura Fabricio e Petrius Dias, vencedor da modalidade Fotojornalismo. Imagem: Luiza Silveira.

Em Fotojornalismo concorreram imagens de fatos ou acontecimentos em que prevaleçam o caráter noticioso e a relação com a atualidade. O pódio da modalidade foi composto por “Torcida: o reforço dentro de quadra” de Pablo Milani como bronze, “Clássico de Formigueiro” de Miguel Cardoso como prata e “(in)visível” de Petrius Dias foi o vencedor do ouro.

Na modalidade Fotografia em sequência puderam concorrer conjuntos de três a seis fotogramas que compusessem uma narrativa. O vencedor da modalidade foi Pablo Milani com “Lance polêmico: tumulto gerado” .

Em Fotografia Livre puderam concorrer imagens de temáticas subjetivas e artísticas e apurado valor estético. A prata ficou com “Chimarrão em Formigueiro”, de Miguel Cardoso. Já o ouro foi para “A engenharia sob outra perspectiva” de Pablo Milani.

Na modalidade Foto Ensaio foram aceitas inscrições de fotografias ilustrativas com proposição temática do autor. Mais uma vez o vencedor do ouro foi Pablo Milani, dessa vez com “Doces artesanais gourmet: uma alternativa deliciosa na páscoa”.

Por último na categoria, em Fotografia ilustrativa concorreram imagens fotográficas representativas em que existe a interferência do repórter fotográfico na composição ou na produção. O vencedor da modalidade foi “Orgulho LGBTQIA+”, de Pablo Milani .

Emanuelle Rosa e Pablo Milani, vencedor de quatro modalidades de Fotografia. Imagem: Luiza Silveira

O grande premiado da noite, Pablo Milani, relata a importância de participar da premiação: “É uma sensação de dever cumprido, especialmente por ser meu último semestre. Em uma jornada desde 2018 até aqui, colocando em prática tudo que aprendi na vida profissional. Como resultado, fui agraciado com quatro prêmios de primeiro lugar em Fotografia, uma categoria em que eu não havia concorrido em edições anteriores.”

Começa hoje, 16, a exposição Fotografia Viva que apresenta trabalhos produzidos pelos acadêmicos da UFN através do Laboratório de Fotografia (Labfem), no hall do prédio 15  da Universidade Franciscana. A exibição conta com fotografias dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Arquitetura e Urbanismo, Design de Produto e Design de Moda.  

A exposição esta localizada no prédio 15 da UFN e os acadêmicos podem ver a qualquer momento. Imagem: Luiza Silveira

O Dia Mundial da Fotografia é comemorado há 183 anos em  19 de agosto, data que homenageia a criação do daguerreótipo, antecessor das câmeras fotográficas, sendo o dia em que a Academia Francesa de Ciências anunciou a invenção.

A professora de fotografia e coordenadora do Labfem, Laura Fabrício, atua na instituição dede 2003 e conta que ideia surgiu em um Fórum dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Inicialmente, ocorreriam duas exposições por ano em datas distintas, porém, após o fórum começar a ser realizado de dois em dois anos a exposição ganhou sua independência e passou a ocorrer somente em homenagem ao Dia Mundial da Fotografia, anualmente em agosto.

Laura explica que: ” As imagens apresentadas são originais dos olhos sensíveis e curiosos dos alunos. Elas representam potencial criativo, artístico, técnico e estético, conferido ao universo da imagem estática”. Para ela, a oportunidade de culturalizar as pessoas no consumo da imagem e valorizar o trabalho do aluno são as ideias principais do projeto. A professora completa: “Ninguém vive sem a fotografia, seja por linguagem ou necessidade profissional. Fazer a exposição é brindar a existência da fotografia e a importância de seus significados”.

O 6º Prêmio de Jornalismo da Universidade Franciscana que acontecerá no dia 25 de setembro no conjunto III da UFN, abrange variadas modalidades que serão julgadas. Neste ano, a modalidade de Fotografia irá avaliar cinco categorias distintas e, para isso, conta com especialistas e profissionais da área.

O curso de Jornalismo na instituição oferece as disciplinas de Fotografia a partir do primeiro semestre de graduação. Aos que se interessam e querem dar continuidade às atividades fotográficas, há a oportunidade de trabalhar voluntariamente no Laboratório de Fotografia e Memória (LABFEM), coordenado pela professora e jornalista Laura Fabrício. A instituição oportuna os graduandos o material fotográfico para ser utilizado durante as aulas, além de estúdio fotográfico para ampliar as atividades.

Os trabalhos realizados nas disciplinas de fotografia e participantes nesta edição do prêmio serão avaliados pelos seguintes jurados:

Gabriel Haesbaert. Foto: Renan Mattos

Avaliando a categoria de Fotojornalismo está Gabriel Haesbaert, formado em Jornalismo na UFN. Gabriel entrou na faculdade de jornalismo com outros interesses até se fascinar pela fotografia. Começou a trabalhar com fotografia na graduação, em seguida atuou no Portal Extra e, após, no Diário de Santa Maria como freelancer durante um ano e meio. Teve uma experiência no jornal A Razão durante dois anos, e  retornou ao Diário de Santa Maria,contratado como repórter fotográfico, e onde trabalha no momento. Além disso, Gabriel tem um projeto de fotografias esportivas que promove a venda de seu trabalho aos atletas.

O egresso foi vencedor do Prêmio de Jornalismo durante sua formação, inclusive na categoria de Fotografia Jornalistica. “O prêmio é o momento de destacar os trabalhos e os acadêmicos que buscam a excelência no que fazem. Momento esse também de fazer uma autoavaliação da sua trajetória na academia e buscar aprender mais”, comenta Gabriel.

Gabriela Medeiros Perufo. Foto: Pedro Piegas

Na categoria de Fotografia Ilustrativa, a jurada  é Gabriela Medeiros Perufo. Gabriela realizou sua graduação de 2008 a 2011 na UFN, e nesse período passou por laboratórios, realizando voluntariado e monitoramento no LABFEM. Realizou seu estágio na Câmara de Vereadores, e seu primeiro emprego depois de formada foi como assessora de imprensa, cuidando da imagem e fazendo as fotos de sua assessorada. “Foi na faculdade, tanto em aula quanto nas atividades do laboratório, que aprendi tudo que sei sobre fotografia”, fala Gabriela.

A ex aluna, foi repórter do jornal A Razão em 2013, e teve uma breve passagem pela rádio Santamariense. Em 2014 virou repórter freelancer do Diário, passando por todas editorias, exceto esporte, sendo efetivada e ficando até dezembro de 2015. Nesse período realizou MBA em mídias digitais na UFN e, em 2017, retornou ao Diário como repórter de online e há cerca de  três meses se tornou editora também de online. “Quando você entra no mercado, começa a ter conhecimento de muitos tipos de prêmios de jornalismo e vê que muitos servem para incentivar a produção de notícias críticas, que falem sobre um determinado assunto. Não que o jornalista precise de prêmios para produzir materiais como isso, mas são excelentes vitrines para o nosso trabalho”, enfatiza Gabriela.

Renan Mattos. Foto: Arquivo Pessoal

Fotografia Ensaio é uma das modalidades que estarão no Prêmio, avaliadas por Renan Mattos. Envolvido desde os 17 anos com fotografia, cursou jornalismo na UFN, formando-se em 2016. Teve experiências com foto e vídeo na produção de documentários da TV OVO, e em produções audiovisuais com a HALO Audiovisual. Desde 2018 atua como repórter fotográfico no Diário de Santa Maria. Renan acredita que o Prêmio de Jornalismo é um canal muito interessante de incentivar e difundir as produções acadêmicas, e, sobretudo, é uma forma de valorizar os olhares e ideias dos alunos do curso.
“Participei em três oportunidades e, para mim, é uma grande honra ser convidado para compor o time de jurados do prêmio”, diz Renan.

Pedro Piegas. Foto: Arquivo Pessoal

Avaliada por Pedro Lenz Piegas, Fotodocumentário é também uma das modalidades do Prêmio de Jornalismo. Pedro ingressou no curso de Jornalismo da UFN em 2013,  formando-se em 2018. O egresso conta que desde os primeiros semestres teve mais interesse nas áreas de fotografia e audiovisual e  foi voluntário no LABFEM e monitor da Agência Central Sul. “Nesses lugares pude aprender além dos ensinamentos da sala de aula, tendo muitas experiências práticas durante o dia-dia na cobertura de acontecimentos fora e dentro da Universidade”, afirma ele.

Pedro ainda realizou  intercâmbio de estudos na Universidade da Beira Interior, em Covilhã, no interior de Portugal e também participou como voluntário na TV OVO. Atualmente, é repórter fotográfico do Diário de Santa Maria desde dezembro de 2018.

Maria Luísa Viana. Foto: Arquivo Pessoal

Avaliando a modalidade de Fotografia Livre, a  jurada é Maria Luísa Viera, também egressa do curso de Jornalismo da UFN. A fotojornalista iniciou sua jornada na fotografia no LABFEM, sendo essencial para entender que gostava mesmo desse ramo e que devia seguir carreira no fotojornalismo. A partir daí realizou estágio na Agência de Notícias da UFSM, orientada pelo prof Maurício Souza. E depois de formada segue trabalhando com fotografia das mais diversas formas.

 

 

 

Exposição em comemoração ao Dia Mundial da Fotografia. Foto: Thayane Rodrigues / LABFEM

Na segunda-feira, 19, comemorou-se mundialmente o Dia da Fotografia e a Universidade Franciscana (UFN), como forma de brindar essa data, apresenta duas exposições. No pátio do conjunto III da instituição estão sendo expostas fotografias produzidas por alunos de vários cursos, e no conjunto I ocorre a exposição de arte “Fotografia: a memória materializada do tempo”.

Exposição de trabalhos acadêmicos

A exposição que está ocorrendo no pátio do conjunto III da UFN é realizado pelo Laboratório de Fotografia e Memória (Labfem) e tem como objetivo expor os trabalhos dos acadêmicos dos cursos que compartilham da disciplina de fotografia. A montagem ficou por conta da professora e coordenadora do Labfem, Laura Fabricio, juntamento com os monitores e voluntários.

Integrantes do Laboratório de Fotografia e Memória, responsáveis pela exposição. Foto: Thayane Rodrigues/LABFEM

O projeto teve início quando os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda começaram suas trajetórias acadêmicas na UFN, com o intuito de parabenizar o aniversário da fotografia. A coordenadora Laura relata que esse ano a exposição apresenta quase 500 fotografias, sendo elas de acadêmicos dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propagando, Arquitetura e Urbanismo, Design de Moda e Design de Produto.

Como uma maneira de valorizar os alunos e a comunidade acadêmica com os trabalhos, a ideia é de expor esses resultados e, também, construir uma cultura de consumo da fotografia. “Nosso projeto serve para aproximar mais as pessoas da fotografia no seu modo mais pleno, que é pegando no material ou folhando um álbum, práticas perdidas por conta dos ambientes virtuais”, conclui Laura.  A exposição é aberta a comunidade e permanece até quinta-feira, 21.

Exposição no conjunto III da UFN recebendo o público. Foto: Thayane Rodrigues/LABFEM

 

Fotografia: a memória materializada do tempo

Material exposto sobre a memória da fotografia. Foto: Denzel Valiente/LABFEM

Até o dia 30 de outubro, a exposição que retrata a memória da fotografia estará disponível para quem tiver interesse. Montada no hall da reitoria da UFN, no conjunto I, está aberta das 8h às 11h30 e das 13h às 18h.

A exposição traz materiais retratando a evolução cronológica da fotografia com equipamentos que eram usados e hoje foram substituídos por digitais. As coordenadoras da exposição, Círia Moro e Franciele Roveda, contam que estão presentes na exposição cerca de 52 peças, algumas do acervo do Museu Histórico de Cultura das Irmãs Franciscanas, do antigo laboratório de fotografia da UFN e até objetos originários das residências das irmãs franciscanas.

Objetos em exposição de fotografia. Foto: Denzel Valiente/LABFEM

“Montamos um acervo diversificado, com fotografias em papeis e equipamentos nos mais diversos suportes, desde 1920 até as máquinas digitais de 2006”, explica Franciele. A apresentação da exposição recebeu a participação da professora Laura Fabricio com a produção de um texto de apresentação.

Exposição no conjunto I da UFN sobre fotografia. Foto: Denzel Valiente/LABFEM

Ensaio foto ilustrativo. Foto:Thayane Rodrigues

Hoje, 5 de julho, o curso de Jornalismo inicia a primeira Mostra de Projetos Experimentais,  I MOPE, que tem como objetivo partilhar os trabalhos desenvolvidos pelos alunos no decorrer da disciplina de Projeto Experimental em Jornalismo neste primeiro semestre letivo.

Entre os projetos deste ano temos vários temas abordados como Das Ruas – fotodocumentarismo social de Mariana Olhaberriet; You Tube: o crescimento do futebol inglês  no Brasil através das mídias digitais de Leonardo Machado; Ensaio Foto ilustrativo –Exposição: Fala, Santa Maria, de Thayane Rodrigues; e Change: contribuições do intercâmbio na vida dos estudantes, de Mariama Granez.

A estudante de jornalismo Thayane Rodrigues traz um trabalho  que mostra a situação de abandono na qual se encontra a cidade de Santa Maria em função da precariedade de sua infraestrutura urbana, e os problemas que acarreta na rotina e na vida privada de seus habitantes.

O objetivo geral deste projeto experimental é ilustrar, por meio de um ensaio fotográfico, a situação de abandono à qual se encontra a cidade de Santa Maria, bem como visibilizar para além das mídias do jornalismo tradicional – como o jornal impresso, e online – aqueles que mais sofrem com esta situação, ou seja, os sujeitos que fazem parte desta comunidade.

O trabalho dá  rosto e  voz ativa para as manifestações feitas por moradores descontentes e que encontraram nas redes sociais e iniciação alternativa, um meio de expor e tornar público a sua insatisfação numa exposição que utiliza as fotografias como uma ferramenta de denúncia social.

A proposta tem como objetivo alertar para uma situação que faz parte do dia-a-dia dos cidadãos , através de fotografias posadas, em locais estratégicos, junto  de relatos dos próprios moradores das áreas e locais considerados por eles como grandes causadores de problemas aos residentes da região em função do abandono e ou do descaso do poder público.

Por Luiz Favarin para a disciplina de Jornalismo Científico

Dia ensolarado. Andei na Avenida Rio Branco, pulando os buracos na calçada e observando meu entorno rodeado por prédios que cortam metade do centro de Santa Maria. Essa parte é chamado de “centro velho”. A arquitetura é de influência Art Deco, que contém em fileiras casa coloridas até a Estação Férrea. Isso me traz um certo aconchego de memória, por mais que haja prédios abandonados e negligenciados pelo Município. Chegando na praça Saldanha Marinho, onde estudantes da Universidade Federal de Santa Maria costumavam tomar banho no chafariz após o resultado do vestibular nos anos 80, avistei um homem vestindo uma camiseta verde com um violão na mão. Ele estava parado na esquina do calçadão gritando palavras de ordem para quem passava:

– “Todos ladrões! O povo não enxerga!”.

Olhei para trás com certo receio, e continuei traçando meu destino, cujo final seria a poucos metros dali. Logo depois de passar por cima do viaduto Evandro Behr, enxerguei um homem gaudério vendendo pinturas ao chão. A efemeridade das situações nos afeta, e, para fugir um pouco da realidade, nada melhor do que sentar em algum lugar aconchegante para apreciar uma boa comida e um bom café. Avistei um adesivo colado a uma porta, lembrando uma moldura de espelho antigo, com letras curvas em dourado; estava escrito “Confeitaria Copacabana”. Os vidros eram escuros e não eram tão nítidos para enxergar de dentro para fora, mas a curiosidade falou mais alto.

“A praia de Copacabana, minha mãe, São Paulo, Havana. Quando eu nasci tinha sim, sim senhor, águia, paturi, camelo, condor”

Sem contrariar Itamar Assumpção, quando eu nasci tinha, sim, sim, senhor, uma confeitaria histórica no interior do Rio Grande do Sul. Por mais incrível que pareça, o nome faz jus: ela lembra Copacabana em sua raiz, os seus famosos bistrôs à beira mar. O primeiro nome do estabelecimento foi em homenagem a família – Confeitaria Segala. Após assumir a gerência em 1970, o espanhol José Pena Cabalero renomeou a padaria como ‘’Copacabana’’ gaúcha. No meio tumulto de pessoas andando pelo centro, vendedores de arte expondo seus trabalhos no chão, resolvi imergir no histórico Edifício Segala, onde é produzida a melhor massa folhada da cidade rodeada por morros.

Duas da tarde de uma terça-feira. Foto: Juliana Brittes

Empurrei a porta, e logo fui recebida por uma senhora loira sentada em banco na porta. Ela segurava em suas mãos uma quantidade de papéis. Sorrindo, me entregou um.

– Boa tarde!

– Boa tarde, respondi.

O ambiente é decorado com luzes baixas, luminárias de teto e abajures em cima das bancadas. Aproximei-me do balcão de vidro para apreciar os famosos doces e fui surpreendida por um garçom carismático. Ele usava camiseta e boné brancos.

– Posso lhe ajudar?

– Uma massa folhada rosa, por favor.

– Pode sentar ali na mesa que eu já lhe atendo.

Sentei-me a mesa do fundo ao lado de um dos espelhos gigantes, lugar propício para observar o ambiente e as particularidades de cada indivíduo. Leonel é o atendente mais antigo da confeitaria, onde trabalha há pelo menos 20 anos. Agradeci sua gentileza, e observei a decoração. Além da iluminação sofisticada que lembra um bristô parisense dos anos 50, há 48 quatros espalhados pela parede. Como é um ambiente é administrado de geração a geração, a família estava toda presente estampada em retratos. Além de recortes de jornais e fotografias de Santa Maria nos anos 50. A cada mordida da massa folhada, o som ambiente com jazz e blues me remetia à infância, quando minha mãe resolvia dar uma pausa no dia para pedir no balcão “o de sempre”. Além da música de fundo, prestei atenção às conversas alheias. Ao meu lado, uma mulher de vinte e poucos anos estava sentada com outra mulher, que poderia ser sua mãe. Elas discutiam qual seria o futuro do país nos próximos dias.

Conversei com a atual chef do bistrô, Manuela Segala – filha de Luiz – que trabalha no caixa durante a tarde e de manhã ajuda na produção da cozinha. Ela e sua irmã, Tatiana Segala, encantaram-se pela rotina da cozinha. Desde pequenas, elas se interessavam pelo ambiente e pela confeitaria. Há pouco tempo, fizeram um curso na renomada escola de gastronomia francesa Le Cordon Bleu.

No dia seguinte, voltei à Copacabana. Peguei a comanda branca com a moça loira no caixa, pois tinha ido cedo. Fui atendida outra vez por Leonel, mas resolvi variar o cardápio, pedindo um café e uma torta de frutas vermelhas. Cumprimentei Luiz Segala que estava ao caixa, sempre muito simpático e atencioso. Ele deu a volta no balcão e apontou para a parede para me explicar sobre as fotografias dispostas ao lado dos espelhos.

– Essa foto foi tirada que época?

– É uma montagem. Meu avô está lá atrás. Essa aqui é a foto original – apontou para o lado.

Sentei no corredor e resolvi observar a movimentação daquele dia às 14 horas. Luiz me trouxe um livro chamado “Santa Maria – Memória 1848 – 2008” que explicava a história de sua família. Com as páginas em horizontal, o livro contém imagens de Luiz Casali Segala, seu avô.

Luiz Segala e seu filho Ivan na antiga confeitaria Segala. Foto: Juliana Brittes

De gole em gole, fui desfrutando meu café enquanto Luiz corria de um lado para o outro atendendo os clientes que chegavam aos poucos. Ele veio até a mim e entregou em mãos uma fotografia de seu avô em frente a um carro. O homem vestia terno, gravata, sapatos sociais e uma boina. Aproveitei a ocasião e disse para Luiz que gostaria de fotografá-lo em frente ao balcão de vidro quando não tivesse tanto movimento.

– Vou trocar de roupa.

Fotografia do fundador da Confeitaria. Foto: Juliana Brittes

É muito perceptível seu carisma. Ele subiu o elevador que fica entre dois espelhos ao lado do caixa e, em menos de cinco minutos voltou para o hall vestido como um chef de cozinha. Roupa branca, touca preta e calça jeans. Eu ainda estava comendo a torta de frutas vermelhas, a cada mordida era possível sentir a sua composição ácida e doce. A suavidade do creme de baunilha me despertava um sentimento nostálgico. Luiz voltou a minha mesa e me entregou uma fotografia com a foto de casamento de seu pai, que era dentista e na época não havia assumido a gestão do restaurante. A fotografia de 1950 retratava sua mãe, seu pai Ivan Segala junto com seus avós.

Me concentrei mais para descobrir mais a história do lugar, mas ao mesmo tempo prestava atenção no público que entrava e saia do café através dos espelhos: uma família composta por mulheres que sentava ao meu lado comendo uma massa folhada.

O café esfriou, e o movimento só tende a crescer até as 19h, o horário que fecha a Confeitaria. Café, tortas e a massa folhada são os mais pedidos. Avistei um dos garçons que não havia visto no dia anterior. Ele usava um boné branco do Brasil, calça social, sapato social preto e blusa branca. O nome dele é Adão Cavalheiro.

Casamento do pai de Luiz Segala junto com seus avós. Foto: Juliana Brittes

Adão nasceu em São Pedro do Sul, trabalhava com agricultura familiar. O irmão dele, Pedro, morava em Santa Maria na época e trabalhava na CVC (distribuidora de refrigerante) em Santa Maria. Como fazia as entregas no Copacabana e conhecia Luiz Segala, soube que havia uma vaga de garçom no lugar.

– No começo foi muito difícil se adaptar na cidade, mas pelo menos tinha família aqui.

Stela Maris da Rocha Segala sentou comigo a mesa, ela já havia me atendido algumas outras vezes que tinha ido à Confeitaria. Não sabia que era esposa de Luiz, me surpreendi quando ela contou a história de amor deles. Se conheceram através de suas famílias e cultivaram um relacionamento à distância.

– A vó do meu marido criava ele, eles moravam aqui em cima do prédio. Eram em três irmãos, mas depois que o pai dele faleceu, foram embora para Porto Alegre.

– E quem ficou com a gerência do lugar?

– Era o espanhol José Pena.

– Depois que ele voltou de Porto Alegre pra cá, vocês se reencontraram?

– Sim, ele foi estudar Arquitetura na Unisinos e eu fiquei aqui em Santa Maria estudando Pedagogia. Quando ele se formou, a gente casou.

Luiz trabalhou de funcionário antes de gerenciar para aprender a fazer os doces. Antigamente os salgados só tinha empada de camarão e pastel de carne. Já o folhado de frango e o de calabresa foram invenções recentes, conta Stela.

Luiz Segala, o atual responsável pela confeitaria. Foto: Juliana Brittes

– Manuela fez um curso na Argentina e aprendeu a fazer os quiches e os macarrons.

O diferencial da Copacabana é que eles têm um viés sustentável. Não usam sacolas plásticas, e os doces “para levar” são colocados dentro de uma caixa vermelha florida com o slogan do lugar. E ah! Antes de visitá-los, é melhor sacar dinheiro no banco, pois a Copacabana não aceita cartão de crédito.

 

*Reportagem produzida por Juliana Michel Brittes, para a disciplina de Jornalismo Especializado, do Curso de Jornalismo da Universidade Franciscana. Segundo semestre de 2018. Orientação: professora Carla Torres.

O concurso fotográfico “Rosário novos olhares” do projeto de extensão  [com]VIDA, dos cursos de Design e Arquitetura e Urbanismo da Universidade Franciscana (UFN), está chegando nos últimos dias. Até esta sexta-feira, 25, moradores e frequentadores do bairro Rosário podem participar enviando fotos do bairro.

O projeto usa a fotografia para valorizar e lançar um outro olhar para o dia a dia do espaço urbano. Para participar é preciso que a pessoa tire uma foto do seu celular e poste no instagram com a hashtag #rosarionovosolhares  marcando o perfil do projeto @comvidaufn. Outra opção é enviar as fotos para o e-mail rosarionovosolhares@gmail.com. O participante tem direito a 3 fotos que deverão ser tiradas no limite estipulado do Rosário, isto é, entre a Av. Borges de Medeiros, R. Marechal Floriano Peixoto, R. Silva Jardim e R. Fernandes Vieiraser.

Os juri, composto por Laura Fabricio, Alex Scherer e Alexsandro Pedrollo, irá escolher as 3 melhores fotos do concurso. A premiação será no dia 11 de junho na abertura da exposição “[com]VIDA”,  junto com o Fórum Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFN.

Os prêmios são:

1º lugar: Um bolo no valor de 70 reais da @ladouce.confeitaria
2º lugar: 2 xis filé bacon do Xis do Bira
3º lugar: 2 açaís de 300ml da @sorveteria.saojoao
4ºlugar: 1 salada e 1 suco da @vivezasaladeria

O tempo pede passagem – Foto: Julia Trombini

Às vezes acho que as pessoas falam porque não gostam de ouvir o próprio silêncio. Bate, tem ruído, ecoa por dentro. E sempre que alguém fala pouco, eu penso o quanto essa pessoa escuta. É por isso que eu sempre gostei de ler os jornais. A gente lê em silêncio, mas, pensando bem, até que se escuta. No fundo tem uma voz que se ouve. A gente diz que não vê, mas enxerga tanta coisa. A gente diz que não quer, mas até sente medo de ter. A gente também nega, até o fundo, que não aguenta mais e só quer gritar. A gente diz tudo bem, sem estar. Às vezes a gente fala sem se escutar. A gente diz mais, mas isso não é ficar. A gente fica mesmo por se importar. A gente ama, sem falar. E quando fala não consegue mais ficar em silêncio.

Julia Trombini é jornalista escorpiana egressa da UFN. Fez parte da equipe do LabFem (Laboratório de Fotografia e Memória) como repórter fotográfica. Trabalhou também com diagramação, assessoria de imprensa e produção de conteúdo. Tem interesse em fotografia, audiovisual e temas de resistência política.

A oficina de fotografia na CDC Estação dos Ventos é desenvolvida pelos acadêmicos Thayane Rodrigues, Ariadne Marin e Juliana Brittes. Foto: Juliana Brittes

Os cursos  Comunicação da Universidade Franciscana  oferecem aos acadêmicos a disciplina de Projeto de  Extensão em Comunicação Comunitária como uma forma de inserção do jornalismo e da publicidade e propaganda em práticas sociais comunitárias e de mobilização social.

Nesse semestre, estudantes do curso de jornalismo estão desenvolvendo projetos  na CDC Estação dos Ventos, localizada no bairro Km 3, e que atende crianças e adolescentes no turno inverso da escola.  São crianças em situação de vulnerabilidade  social que já ingressaram na escola e necessitam de um lugar para ficar enquanto seus pais trabalham.

Campanha produzida pelos acadêmicos Valéria Auzani, Estela Biscaino, Ana L. Deike e João P. Foletto.

A ONG conta com doações e trabalho voluntário para se manter. No local são ofertadas diversas oficinas,  como aulas de música, yoga e Muay thai.

Os projetos desenvolvidos pelos acadêmicos de jornalismo da UFN atuam em três frentes: a mobilização social em torno das demandas da ONG, o trabalho com a fotografia e, ainda, a imersão no audiovisual. Os grupos atuam de forma colaborativa com foco no desenvolvimento das ações de comunicação.

A equipe que atua na mobilização já realizou campanhas de arrecadação de produtos não perecíveis e trabalhou na organização e na divulgação do tradicional risoto da entidade, realizado este semestre na Escola de Educação Infantil Mamãe Coruja , em parceria. Também está prevista a realização de mais um risoto na comunidade da ONG.

Já as aulas de fotografia que acontecem semanalmente, procuram mostrar aos alunos diferentes formas de olhar o mundo. O uso do olhar mediado pela lente tem levado as crianças a descobrirem novos horizontes, e a registrarem a sua comunidade.

O mesmo ocorre na experiência com a produção audiovisual, quando as crianças entram em contato com a imagem em movimento e a preparação para produzi-la. Integram o lúdico e o técnico utilizando as ferramentas disponíveis. Parte dos vídeos produzidos por Milena Dias e Allyson Marafiga estão disponíveis na página da Estação dos Ventos no facebook.

Segundo a professora Rosana Zucolo, que orienta os trabalhos, as trocas entre os alunos da creche e os acadêmicos criam novas perspectivas e conhecimentos, além de gerarem vínculos com a comunidade extra-universidade.

A apresentação e defesa dos projetos está marcada para o próximo dia 27.

Exposição ”Os Azuis de Verônica” na sala Angelita Stefani na UFN. Crédito: Thaís Trindade/LABFEM

Na tarde desta quarta-feira, 03 de outubro, a Sala Angelita Stefani  inaugurou a exposição ”Os Azuis de Verônica”. A mostra de arte é a série de foto-performance desenvolvida pela publicitária e artista visual Verônica Vaz, 27 anos, durante sua estada na cidade de Guanajuato, México, em abril de 2018.

Por doze dias, a artista percorreu vários pontos históricos, como igrejas, praças, ruas e monumentos.  A cidade já chamava a atenção de Verônica, que se questionava: que cidade é essa? Que bagagem cultural esse lugar carrega? O que ela conta?  Tais questionamentos foram  o ponto crucial para que a artista embarcasse nessa viagem, onde os pontos turísticos que são patrimônio da UNESCO merecessem atenção mais profunda.

Por ser uma cidade colorida, Verônica escolheu o azul, que fez contraste nas paletas de cores expostas.  ”Como eu já tinha pintado meu cabelo de azul, eu sabia que era uma cor que me possibilitava abrir para outros tons, e não só um azul. Então, cada dia que eu lavasse meu cabelo, aquela tinta ia saindo e eu pensava:      – será que eu guardo esse pigmento, conforme ele vai indo embora? Pinto uma tela?”, contou. A ideia de realizar a ação, surgiu após conversar  com os estudantes que faziam parte da residência artística, onde a partir de ideias, ela demarcou os territórios que iria explorar na cidade. ”

Exposição ”Os Azuis de Verônica” na sala Angelita Stefani na UFN. Crédito: Thaís Trindade/LABFEM

”Toda essa questão de lavar o cabelo, de ser mais sacralizada, da cor do meu cabelo ir mudando cada dia que passava… a bacia com água pigmentada eu jogava pelas ruas da cidade, marcando o tempo e a minha passagem por ela. Usei a bacia porque ela representa a fonte econômica da cidade, que é a mineração de prata, estanho, ouro, aderindo esteticamente à uma bacia de prata”, descreveu a artista.

A performance duracional de dez dias fez com que Verônica visitasse diferentes pontos  percorridos a pé, como um ritual, podendo mostrar para inúmeras pessoas o que cidade é Guajanuato. As ruas da cidade são estreitas porque antigamente eram rios, o que  torna uma coincidência com a água da ação e as próprias cores que a cidade propõem.  foram coisas que tocaram profundamente a artista.

Exposição ”Os Azuis de Verônica” na sala Angelita Stefani na UFN. Crédito: Thaís Trindade/LABFEM

Questionada se algum lugar foi mais importante, Verônica respondeu que a Basílica Colegiata de Nuestra Señora de Guanajuato teve um impacto inesquecível. Segundo ela, ”eu fui realizar a performance ao meio-dia e estava ocorrendo uma missa lá dentro. Juntou um público que eu não tive dimensão. Foram mais de 60 pessoas e elas, de fato, pararam para me olhar. Foi onde eu tive que desenvolver muito rápido para não atrapalhar o fluxo de pessoas que passavam ali. Esse ato saiu até na imprensa local da cidade”.

SERVIÇO: 

Onde: Sala Angelita Stefani, Prédio 14 do Conjunto III da Universidade Franciscana

Quando: Segunda a sexta: 14h às 18h | Terças e quintas: 09h ás 12h, até o dia 19 de outubro.

Entrada gratuita.