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O consumo consciente é realmente possível no capitalismo?

Nos últimos anos, virou tendência falar sobre consumo consciente. Na mídia, nas redes sociais, nas propagandas de marcas e até mesmo nas etiquetas dos produtos, ser “sustentável” virou moda. Comprar menos, evitar desperdícios, dar preferência a

Calor intenso deve continuar em todo Rio Grande do Sul

A nova onda de calor que assola o estado o Rio Grande do Sul está no seu ápice. É o que indica o Climatempo e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que também mostram temperaturas próximas

Nos últimos anos, virou tendência falar sobre consumo consciente. Na mídia, nas redes sociais, nas propagandas de marcas e até mesmo nas etiquetas dos produtos, ser “sustentável” virou moda. Comprar menos, evitar desperdícios, dar preferência a produtos ecológicos e reutilizar são considerados pilares dessa prática, que busca respeitar o planeta e o meio ambiente. Mas será que é fácil assim? Um estudo realizado pelo Instituto Akatu, organização não governamental que atua na mobilização da sociedade pelo consumo consciente, apontou, em 2022, que apenas 17% da população brasileira tem hábitos realmente conscientes. Os dados mostram que, apesar do discurso, na prática a mudança ainda é difícil. E aí surge o grande questionamento: será que é possível consumir de forma consciente em um sistema capitalista que tem como base o consumismo? 

A indústria da moda é uma das que mais alimenta o consumismo. Imagem: pixabay

A essência do capitalismo como sistema econômico é o consumo — quanto mais se compra, melhor para a economia. O impacto das redes sociais nesse modo de pensar é enorme: toda semana surgem novas “trends”, estilos e produtos. Para estar “na moda”, é preciso acompanhar tudo isso, o que reforça a lógica de consumo constante. Porém, com o aumento dos discursos sobre sustentabilidade, muitas grandes empresas passaram a adotar uma postura mais “eco-friendly” para atrair consumidores. É nesse contexto que surge o greenwashing — quando marcas tentam parecer sustentáveis, mas sem mudar de fato suas práticas. A poluição em larga escala, o desperdício de recursos e a exploração de mão de obra precária continuam acontecendo, e o consumo consciente acaba sendo transformado apenas em uma estratégia de marketing.

Um exemplo claro disso está na indústria da moda, uma das que mais alimentam o consumismo. A produção de roupas baratas, descartáveis, de baixa qualidade e que seguem tendências passageiras é conhecida como fast fashion. Esse modelo envolve a exploração de mão de obra barata, muitas vezes em condições análogas à escravidão, além do uso excessivo de recursos naturais, como água e energia. Também contribui para a poluição do solo, da água e do ar com o uso de agrotóxicos, corantes e outros produtos químicos. Diante desse cenário, algumas alternativas surgiram para tentar amenizar os danos. O movimento slow fashion, por exemplo, valoriza a qualidade, durabilidade e originalidade das roupas, incentivando o consumo local. O minimalismo propõe a redução do consumo e do acúmulo de roupas, com peças versáteis e atemporais. Já o upcycling transforma roupas usadas ou velhas em novas peças, prolongando sua vida útil.

Diante de tudo isso, fica claro que o consumo consciente, apesar de importante, enfrenta muitos limites dentro de um sistema que nos incentiva diariamente ao consumismo. Não dá para ignorar que pequenas mudanças individuais têm valor, mas elas, sozinhas, não resolvem um problema que é estrutural. Enquanto empresas e governos não assumirem responsabilidades maiores e continuarem priorizando o lucro, o impacto real será sempre limitado. Talvez o maior desafio não seja apenas mudar nossos hábitos, mas questionar o sistema que nos induz a consumir cada vez mais.

Artigo produzido na disciplina de Narrativa Jornalística no 1º semestre de 2025. Supervisão professora Glaíse Bohrer Palma.

Esse é o terceiro período de calor extremo deste verão no território gaúcho. Imagem: Freepik

A nova onda de calor que assola o estado o Rio Grande do Sul está no seu ápice. É o que indica o Climatempo e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que também mostram temperaturas próximas aos 40ºC em algumas regiões.

Geograficamente, seguindo na contramão das demais localidades do país, os estados da Região Sul do Brasil são caracterizados por possuírem uma grande amplitude térmica, ou seja, temperaturas que variam muito na transição de uma estação climática para outra. Por óbvio, no Rio Grande do Sul não é diferente. Dessa forma, ao mesmo tempo em que o estado é conhecido pelos seus invernos intensos e rigorosos, no verão, as temperaturas tendem a subir de maneira excessiva.

Conforme relatório divulgado pela MetSul Meteorologia no último final de semana, a atual onda será a mais duradoura e deve persistir até o mês de março. Essa será terceira onda de calor já registrada no estado nesse ano. A primeira havia acontecido entre os dias 17 e 23 de janeiro, enquanto a segunda incidiu entre os dias 2 e 12 de fevereiro.

A Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul é uma das regiões gaúchas que mais sentem o impacto do forte calor no verão. No início do mês, a cidade de Quaraí, situada na fronteira com o Uruguai, registrou a temperatura de 43,8ºC, a maior temperatura já vista no estado em 115 anos. Algumas outras cidades da região como Alegrete, Uruguaiana, Rosário do Sul e Santana do Livramento também tiveram temperaturas altas durante o mês.

População busca se hidratar em meio ao calor escaldante que se faz presente no estado.
Imagem: Paulo Ortiz/Nobres Notável Rede de Telecomunicações Ltda (NNTV)

Segundo a Organização Meterológica Mundial (OMM), uma onda de calor é formada quando as temperaturas máximas diárias extrapolam em 5ºC ou mais a média mensal durante pelo menos cinco dias em sequência. A onda de calor terá influência na proeminência das temperaturas em todas as regiões do estado pelo menos até a próxima quinta-feira, dia 27 de fevereiro, com grandes chances de temperaturas chegando em números recordes em alguns municípios.

O professor de meteorologia Daniel Caetano, da Universidade Federal de Santa Maria, afirma que as ondas de calor consistem em um bloqueio atmosférico que acaba inibindo o avanço dos chamados sistemas frontais, que é quando a massa de ar frio se une à massa de ar quente e ocasiona as chuvas. Com isso, tem-se um quadro de chuvas espaçadas e irregularidades no estado.

Diante desse cenário, é de suma importância que as pessoas se atentem aos cuidados básicos em relação à saúde e bem-estar. O Ministério da saúde propõe algumas diretrizes para épocas de calor acentuado como aumentar a ingestão de água ou de sucos de frutas naturais, sem adição de açúcar, mesmo sem ter sede, além de evitar bebidas alcoólicas que possuam elevado teor de açúcar e fazer refeições leves, pouco condimentadas e em intervalos de tempo mais curtos durante o dia.