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SUS

Terapias alternativas e seus benefícios

Desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020, a busca por terapias alternativas aumentou significativamente, como formas de complementar a medicina tradicional ou apenas utilizando-as de forma isolada para garantir o bem-estar. A Universidade Federal

SUS ou planos particulares? A saúde em pauta.

Em algum momento de sua vida, você já precisou de um médico. Seja por um simples resfriado ou até mesmo no caso das mulheres, para o nascimento de seus filhos. E qual é o melhor plano

SUS: saúde à mercê da espera

“ O maior pronto atendimento de urgência e emergência da cidade”. Assim foi descrita a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), inaugurada em Santa Maria em 4 de abril de 2014, durante o governo do então Prefeito, Cezar

O movimento antimanicomial e a saúde pública do Estado

Desde os anos 70, militantes do sistema de saúde vêm lutando por uma reforma em sua estrutura e no que diz respeito ao tratamento e cuidado de pessoas com sofrimento psíquico. O mês de Maio é

Seminário vai discutir a Política Nacional de Humanização

Nos próximos dias 18 e 19 de junho, às 9h, acontece em Santa Maria o Seminário Macrorregional Sul da Política Nacional de Humanização (PNH). O evento é promovido pelo Ministério da Saúde e conta com a parceria da

Desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020, a busca por terapias alternativas aumentou significativamente, como formas de complementar a medicina tradicional ou apenas utilizando-as de forma isolada para garantir o bem-estar. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, realizou um estudo que revelou que 80% da população desenvolveu distúrbios relacionados à ansiedade, sendo um dos responsáveis pelo crescimento da busca pelas terapias.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizou uma pesquisa que indica que a prática mais utilizada pelos brasileiros durante a pandemia foi fitoterapia, seguida por meditação e reiki. O trabalho ouviu mais de 12 mil pessoas. Grande parte das formas de tratamento alternativos são baseados em conhecimentos milenares , provenientes das culturas orientais  e indígenas.

Pesquisa realizada pela Fiocruz mostra as terapias mais procuradas durante a pandemia. Fonte: Fiocruz

Reiki

A pedagoga e terapeuta holística Cleia Carolina Freitas tem formação em reiki e florais de Bach. Ela conta que o reiki surgiu no Japão na década de 1920, porém somente a partir da 1980 começou a entrar em alta, pela própria divulgação dos japoneses. A história conta que o o Dr Mikao Usui era responsável pelo johrei (método de canalização de energia espiritual) da igreja metodista. Porém o johrei possui cunho religioso e para Mikao não era viável trabalhar com uma terapia sagrada das mãos vinculada a uma religião. Sua principal intenção era ser uma técnica de cura e não uma religião.

O funcionamento da terapia é dado através do alinhamento de pontos de energia, chamados de chakras pelo reiki. A terapeuta explica que: “Os chakras se alinham através do toque das mãos, no primeiro momento são traçados os símbolos do reiki, o terapeuta se banha com eles e passa para o paciente no ambiente, depois começa a aplicar em cada ponto de energia”. Ele não contribui apenas para a saúde mental das pessoas, como também para a saúde psíquica, espiritual e física, porque, de acordo com Cleia,  “as doenças são somativas, nosso organismo vai acumulando os bloqueios, traumas, decepções, emoções negativas e descarrega em uma parte fisiológica, em algum órgão, que se transforma em doença”. O reiki é uma terapia reparadora, ela também relata que “na primeira vez que o paciente recebe, fica muito concentrado no que estão fazendo com ele, então não sente tanto os efeitos. Na segunda ele já sente um estado de concentração e relaxamento, está muito mais receptivo à terapia. Já na terceira ele sente o alinhamento emocional, físico, espiritual e mental”. 

 A terapeuta também desmistifica a forma como a terapia deve ser realizada: “O reiki no início tinha muito sensacionalismo, tinha uma certa publicidade, que tinha que ter um ritual perfeito e você tinha que seguir aquele ritual. Hoje não, atualmente ele pode ser aplicado em um campo de batalha, pode-se aplicar nos animais, pode-se aplicar em qualquer lugar”.

Atualmente a sociedade está mais receptiva à busca por estas terapias. A expansão destes interesses resultou em processos seletivos no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) para que terapeutas possam aplicar reiki em postos de saúde, hospitais e consultórios dentro de uma sede do INSS.

Meditação

 A meditação é uma técnica milenar conhecida como a terapia mais completa que existe, Cleia explica o porquê: “Ela consegue te voltar para o seu ego, anulando ele e te faz voltar para o seu eu maior, para o centro da sua alma. As pessoas têm uma grande dificuldade de aprender a meditar e, na verdade, não é simples. Mas depois que aprende, é possível praticar em qualquer momento”. Ela também ensina uma forma de começar a técnica: “através de um mantra, qualquer mantra que você conheça, começa falando, depois mentalizando, até seu corpo entrar em relaxamento total. A meditação exige uma forma que o corpo esteja confortável para atingir o relaxamento, mentalizando o mantra você vai esquecendo das outras partes do corpo, não sente mais a consciência corporal, sente um estado de relaxamento total e a mente esvazia, você não pensa em nada”.

A técnica pode trazer diversos benefícios para quem a pratica, “tem uma vida emocional equilibrada, respira bem, consegue trabalhar a sua vida profissional de forma tranquila. Através da meditação se tem um bom relacionamento com as pessoas, ela nos ensina a ouvir o outro”, explica Cleia. Cássia Bairros faz o uso da técnica há mais de três anos e conta que os benefícios são vários: “Aumento da concentração, melhora na qualidade do sono, mais tranquilidade pra resolver os problemas do cotidiano, um olhar mais amplo e atento sobre a realidade, a interação social também”.

Práticas de meditação realizadas em evento no dia da mulher em que Cássia participou. Imagem: Cássia Bairros

Hoje existem na internet diversos vídeos de meditações guiadas que, segundo Cleia “ começa com aquele aprendizado, que é simples e fácil. Nas primeiras vezes você não consegue, na terceira vez já é possível entrar no estado meditativo e na quarta vez você já está na técnica da meditação propriamente dita, que é conseguir alinhar o teu pensamento, as partes do teu corpo no relaxamento, na zona de conforto, e aí na quinta tu já tá fazendo a meditação sem ser guiada, só procura um mantra, existem diversos mantras”. É uma técnica acessível para todos e não custa nada.

Floral de Bach

Em relação à terapia dos florais,  o que é mais conhecido hoje é a pesquisa de florais Edward Bach, que tem este nome por conta do médico britânico que pesquisou 38 flores durante 30 anos. No inicio ele chamou o trabalho de placebo espiritual, depois entendeu que a energia das plantas, do néctar, da essência das flores tinham uma conexão muito forte com o nosso comportamento. Cleia explica que: “nós, terapeutas holísticos, receitamos os florais e o paciente entra em um estágio negativo nos três ou quatro primeiros dias. Depois do quinto dia ele começa a sentir o efeito da essência das flores na sua vida. Fazemos o diagnóstico da pessoa, para sabermos o que ela esta sentindo, se é ansiedade, depressão, dificuldade de aprendizado, uma situação de isolamento, medos desconhecidos ou outras atitudes comportamentais que podem ser regulamentadas pelos florais”.

Os florais têm uma conexão muito forte com o nosso comportamento, “a partir do momento que começamos a tomar os florais, nós nos observamos e nos surpreendemos conosco. O floral transforma uma atitude negativa em uma positiva”, conta a terapeuta. Existem diversos outros florais além dos de Eduardo Bach, porém todos eles são baseados na pesquisa da essência das flores e todos eles possuem o mesmo efeito, de acordo com Cleia “não é só um placebo espiritual mas também uma ferramenta maravilhosa para alinhar chakras, alinhar comportamentos negativos e levar a pessoa a fazer uma releitura do seu próprio eu, do seu ego e chegar a conclusões diferentes do que antes ela tinha”.

Formas alternativas ou complementares de buscar ajuda em terapias são comumente associadas à religião, porém a terapeuta explica como as diferentes religiões não afetam o processo de terapia:

Em 2018, o Ministério da Saúde incluiu dez terapias alternativas ao Sistema Único de Saúde (SUS).  São elas: apiterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia e terapia de florais. Com as recentes adições, o SUS passa a ofertar 29 procedimentos complementares à população. São chamados de Práticas Integrativas e Complementares (Pics) e utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para curar e prevenir diversas doenças. Evidências científicas têm mostrado os benefícios do tratamento integrado entre medicina convencional e práticas complementares.

Matéria produzida no primeiro semestre de 2022, na disciplina de Linguagem das Mídias do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana.

Em algum momento de sua vida, você já precisou de um médico. Seja por um simples resfriado ou até mesmo no caso das mulheres, para o nascimento de seus filhos. E qual é o melhor plano de saúde para você, o público, que no Brasil se chama Sistema Único de Saúde (SUS), ou os planos privados?

Contar com um atendimento médico de qualidade e ter à disposição procedimentos corretos podem fazer toda a diferença no bem-estar e qualidade de vida. Mesmo que vários setores em nosso país sejam precários – e com a saúde não seria diferente – há coisas boas há se falar a respeito do atendimento gratuito. O SUS também funciona e ajuda muitas pessoas, principalmente as que não teriam condições de pagar por consultas particulares ou planos privados de saúde.

O programa de saúde gratuito do Brasil

O Sistema Único de Saúde foi criado há quase 30 anos – antes existiam programas de saúde gratuitas, com outras nomenclaturas e com menos acesso pelas pessoas – e abrange desde o simples atendimento para avaliação da pressão arterial, por meio da atenção primária, até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país.

No ‘papel’ esse sistema funciona, mas na prática é que ele deve ser realmente bom e benéfico ao seu público. A demanda do SUS é muito grande, o que faz com que o sistema não consiga vencê-la, assim causando transtornos à população.

Para a dona de casa Dienifer Gomes da Silva a saúde pública do Brasil é péssima, pois já precisou várias vezes de atendimento e, em todas elas, além da demora, foi mal atendida. “Desde que minha filha nasceu, há 4 anos atrás, comecei a usar mais o SUS e sempre foi muito difícil atendimento pediátrico, principalmente no Pronto Atendimento do Patronato. Da última vez, a médica mal olhou a criança e ainda deu um diagnóstico errado”, contou Dienifer, indignada.

O SUS atende a todos, sem distinção.

Como o SUS funciona em Santa Maria

Em Santa Maria o atendimento SUS ocorre nas unidades de atendimento básico de cada bairro e vila, e nos hospitais Casa de Saúde e Hospital Universitário. Em 2016, no Brasil, o SUS realizou 2,3 bilhões de procedimentos ambulatoriais, mais de 300 milhões de consultas médicas e 2 milhões de partos, segundo informações do Ministério da Saúde.

Para atendimento no HUSM, o paciente deve primeiro ser atendido em um posto de saúde e então ser encaminhado à Secretaria de Saúde de Santa Maria que o transfere para a especialidade dentro do hospital.

A partir de então, esse paciente entrará para uma fila de espera até conseguir marcar uma consulta e, posteriormente, os exames. Os exames, dependendo de qual a finalidade, podem ou não demorar para serem realizados. Alguns também vão para a fila de espera, devido à grande demanda, exceto se for uma emergência, como acidentes, infartos, partos, AVC, entre outros. Nesses casos os pacientes internam pelo Pronto Socorro do hospital e dão entrada em um leito, seja ele no próprio Pronto Socorro, no setor de emergência obstétrico ou no bloco cirúrgico.

A técnica em enfermagem do Hospital Universitário Katiane Speroni  considera o SUS o melhor plano de saúde do Brasil, pois “ele cobre tudo”. Mas acredita que o maior problema. além da grande demanda, está associada a falta de investimentos do governo na prevenção. “Se o paciente se prevenisse, ao invés de se tratar quando descobrisse a doença, os gastos seriam bem menores para todos”, salienta ela.

A alta demanda do SUS faz com que o Sistema tenha dificuldade em atender a todos em tempo hábil.

Planos de saúde particulares são sinônimo de melhor atendimento?

As vantagens em se obter planos de saúde particulares são enormes. Porém, seus valores variam bastante e nem todas as pessoas tem condições de pagar.  Após fechar o contrato e se tornar o beneficiário de determinado plano, você começa a pagar uma mensalidade e pode então ter acesso a médicos de diferentes especialidades.

Em Santa Maria, existem várias empresas que oferecem planos. O supervisor de logística, Pablo da Costa, tem um desses planos e conta que a maior vantagem é para as urgências médicas que possa vir a  precisar, onde haverá um atendimento imediato. “Eu já precisei uma vez e, além de bem atendido, a cirurgia que necessitei foi marcada imediatamente”, contou Pablo.

A seguir uma tabela para compreender melhor como funcionam os dois sistemas:

 PLANOS DE SAÚDE PRIVADOS  SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Só tem direito quem adere ao plano Todos têm direito
Só pode usufruir quem pagar mensalidades É gratuito
Quem pagar mais, tem direito a mais benefícios. Não existe discriminação
Idosos pagam mais caro Não existe discriminação
Doentes sofrem restrições Não existe discriminação
Existe carências para começar a utilizar os planos Não existe carência
Só realiza atendimento médico-hospitalar Dá atendimento integral
Existe planos que não cobrem alguns exames e internações. Dá atendimento integral
Não tem compromisso com prevenção de doenças Realiza prevenção de doenças e campanhas educativas
Normalmente o agendamento de consultas é feita de forma rápida e o atendimento também é rápido. Dependendo de cada caso, os agendamentos de consultas podem demorar meses, e o atendimento no dia da consulta horas

Planos de saúde pelo mundo

Nos Estados Unidos o sistema de saúde é polêmico e vem sofrendo constantes mudanças. Desde 2010 , o então presidente Barack Obama instituiu o programa Obamacare, que estabelecia que todos os cidadãos deveriam ter convênios particulares. Atualmente, também existe o Trumpcare, do atual presidente Trump.

Em países da Europa, como Inglaterra e Espanha, o Estado também se encarrega de prover saúde em troca do pagamento de impostos. Nos Estados Unidos, por outro lado, a única forma de receber atendimento é pagando um convênio particular. Pessoas abaixo da linha de pobreza e idosos são os únicos beneficiados por serviços gratuitos como o Medicare e Medicaid, que prestam apenas atendimentos mais simples e de emergência.

Na Argentina existem 3 tipos de sistemas:

-O sistema público em que é universal e gratuito utilizado pelas classes mais baixas. É financiado pelo governo.

Obras sociales: Um sistema misto, com investimentos públicos, dos trabalhadores, dos empregadores, dos pensionistas e dos aposentados. Neste o trabalhador paga a metade e o governo a outra metade.

E por fim o sistema privado de saúde: Quando uma pessoa quer usar o serviço de uma clínica privada e paga por ele.

No Uruguai pode se associar a um determinado hospital e utilizar todos os serviços dele. Também existem planos de saúde como no Brasil. Ao ter um emprego formal, o trabalhador tem direito ao plano básico, paga metade do atendimento e sua empresa a outra metade.

 

Texto e fotos produzidos pela acad. Luana Giacomelli na disciplina de Jornalismo III, no 2º semestre de 2019, e supervisionado pela professora Glaíse Palma.

O maior pronto atendimento de urgência e emergência da cidade”. Assim foi descrita a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), inaugurada em Santa Maria em 4 de abril de 2014, durante o governo do então Prefeito, Cezar Schirmer. A UPA, abriu as portas ao público de forma parcial no dia 21 de março de 2014. Na época, os atendimentos eram realizados a partir de encaminhamentos feitos por profissionais dos Pronto Atendimentos (PA) do Patronato e da Tancredo Neves.

Como consta no site da prefeitura, a Unidade ocupa uma área total de 1,4 mil m², com estrutura para atender a população com salas de consultórios para diagnósticos, tratamento terapêutico, observação, atendimento de urgências e emergências. O funcionamento é de segunda-feira a domingo, inclusive feriados. A UPA também oferece serviços laboratoriais, raios-X e pequenas cirurgias.

Foto: João Alves publicada em 26/06/2012 no site da Prefeitura de Santa Maria

No dia 26 de maio, sábado, por volta das 16h, fomos até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Maria, que fica em anexo à Casa de Saúde, no Bairro Perpétuo Socorro, na região norte da cidade. Em conversa com quem estava no local – entre pessoas que aguardavam a consulta e familiares que acompanhavam os pacientes – fomos informados de que o atendimento naquela tarde demorava em média três horas.

Às 17h30, usuários que haviam preenchido a ficha na recepção antes das 14h ainda esperavam pelo atendimento médico. Não havia muitos pacientes na unidade, porém fomos informados de que, além da falta de médico no plantão da tarde, o recepcionista responsável por fazer o cadastro se demonstrava impaciente com o público. “Estão chamando só agora o pessoal das 14h. Deus o livre isso aí, para mim o atendimento é péssimo. Deus que me perdoe, ainda bem que eu tenho meu plano. Chego lá e marco consultas e exames direto. É a segunda vez que trago alguém aqui, na primeira foi a minha filha, até que não demorou tanto. Hoje que trouxe minha companheira, tá demorando demais. Para piorar, o PA está fechado e o posto da Tancredo também”.

Outro homem, que também aguardava seu familiar ser atendido, comentou sobre a falta de educação do funcionário da recepção. “Aquele cara não era para estar ali trabalhando. O rapaz que atende ali é péssimo. Vai tratar a mãe dele assim lá no meio do mato, do jeito que trata as pessoas. Falta ele ser mais educado. Chegou uma mulher ali e disse que estava demorando, ele falou: quer assim quer, não quer esperar vai embora”.

Ambos entrevistados não quiseram se identificar. Até o momento em que saímos do local, cerca de 18h, nenhuma das pessoas com quem conversamos havia sido atendida.

Os atendimentos do UPA são realizados por ordem de gravidade e risco, conforme protocolo estabelecido abaixo:

Na Unidade, as informações do quadro estão fixadas na entrada.

Também nos foi dito que, na sexta, 25 de maio, a unidade estava sobrecarregada. Um homem de 36 anos, que não quis se identificar, deu entrada pela manhã desse dia com fraturas no tórax, em decorrência de um acidente de trânsito. O rapaz foi encaminhado para análise médica e exames de Raio-X, que confirmaram fraturas nas costelas do lado direito e também na escápula.

O ortopedista da UPA recomendou a transferência do paciente para o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Durante o tempo de espera, o rapaz permaneceu desacompanhado, mesmo sem condições de se mover. Na ocasião, sua esposa, que estava no local, foi retirada da sala sem nenhuma explicação. Quando pediu para retornar, foi informada de que o médico precisaria da permissão do médico da Unidade. O atendente ligou para o médico, que não estava presente no local, e a permanência da mulher foi admitida por apenas cinco minutos, mais uma vez sem explicação. Não foram prestados esclarecimentos e também não foram entregues os exames de raio-x realizados. O homem aguardou a transferência até às 20h, quando enfim foi levado para o HUSM.

A espera pela transferência levou várias horas, pois, segundo o atendente do UPA, o médico responsável por cirurgias torácicas atende na Unidade de segunda a quinta-feira, e portanto seu retorno seria apenas na segunda pela manhã. Com a superlotação do hospital, não seria viável receber mais um paciente. Era sexta-feira, e o rapaz – com fraturas – teria que aguardar mais três dias para ter algum encaminhamento. O paciente, afinal, foi internado por uma semana e aguardou até a quinta-feira do dia 31 de maio para ser informado de que passaria por cirurgia. Apenas submetido a exames de Raio-X e tomografia, ele acabou não passando por cirurgia, nem teve imobilização das partes fraturadas, de acordo com o médico, decorrência de serem na parte superior do corpo, onde seria impossível a colocação de gesso ou tala. Junho chegou, e o rapaz ainda se recuperava em casa, fazendo uso de medicamentos para dor e fisioterapia.

Em outro relato sobre o atendimento da Unidade de Pronto Atendimento a um paciente acidentado, o serviço prestado também foi ineficiente. Em outubro de 2017, um homem de 28 anos procurou a UPA após ter caído de moto. Ele relata que foram mais de três horas aguardando o atendimento a ser realizado por uma clínica geral. A médica o encaminhou para o raio-x. Após retornar à sala da médica, o rapaz foi atendido enquanto a profissional conversava com uma amiga pelo WhatsApp. “Tô aqui respondendo uma amiga que tinha me mandado uma mensagem mais cedo e eu não vi”, disse a médica enquanto ria e mostrava o celular para o paciente.

A doutora também comia biscoitos de um pacote que estava em sua mesa. Errou duas vezes ao procurar o raio-x que havia requisitado. Em um primeiro momento, encontrou o exame de um paciente que havia fraturado o dedo indicador. Surpreendido, o rapaz indicou que o exame realizado havia sido no pulso, onde permaneceu com a mão fechada não havendo condições para diagnosticar se um dedo estivesse quebrado. A médica, então, encontrou outro exame, mesmo as pastas dispondo claramente os nomes dos pacientes. O rapaz então foi até o outro lado da mesa, olhou para o computador e encontrou a pasta do exame com o seu nome escrito.  Durante todo o atendimento, a clínica geral mostrou-se indisciplinada e antiética. De acordo com o rapaz, mesmo ele relatando que sentia dores fortes no joelho em decorrência da queda de moto, não foi pedido nenhum tipo de exame para a região. Os machucados que sangravam no braço e na perna direita também não foram considerados. Ele não recebeu nenhum tipo de medicação no local, saiu da unidade com alguns medicamentos receitados e a doutora não sabia nem mesmo pronunciar o nome do medicamento que havia prescrito.

Mais de 4 mil horas na espera por um exame

Noite de uma quinta feira, 10 de maio. Cristiana Andrade, 40 anos, deu entrada no UPA com dores no corpo, enjoos e febre. Após uma 1h30 de aguardo na sala de recepção, foi transferida para a sala de medicações, onde ficou sentada em uma poltrona até a noite do domingo, 13 de maio. Durante os dois dias na sala de medicações, onde aguardava o resultado dos exames de sangue que constatariam o motivo de estar ali, o atendimento que recebeu por parte das enfermeiras, segundo ela, foi de despreparo e descaso com o seu estado de saúde. Cristiana relata que na madrugada do sábado, 11 de maio, diversas vezes foi convidada a se retirar da sala para se direcionar a sala de oxigênio ao lado. Porém esta sala estava lotada, não tinha nem mesmo uma poltrona para que pudesse acomodar-se. Ela teria que ficar sentada em uma cadeira simples e sujeita a se sentir ainda pior. Cristiana recusou-se a sair do local e ouviu das enfermeiras frases do tipo “você não está pensando nos outros” ou “você tem que sair daqui para dar lugar a outro paciente”, além de cochichos e olhares de irritação umas com as outras.

A noite fria de outono parecia ser mais longa do que o normal. A espera era a palavra que lhe mais doía, e não sabia se o pior sintoma era esperar pelo médico, pelos resultados dos exames ou pela sua transferência para um leito onde pudesse pelo menos espichar suas pernas e deitar a cabeça sobre um travesseiro. Durante a madrugada, quando precisava ir ao banheiro, tinha de pedir que chamassem algum de seus familiares que aguardavam pelo lado de fora da sala, ou até mesmo pelo lado de fora da Unidade – pois não era permitido acompanhantes na sala de medicações.

Já eram quase 80 horas sentada sobre uma poltrona azul, que parecia ser a mais desconfortável de todos os tempos. Já eram mais de três dias aguardando resultados de exames que pareciam que nunca chegariam. “Por causa do surto, os exames estão demorando mais do que o normal em todos os hospitais da cidade, mas logo vai sair o teu”, era a desculpa que ouvia do médico e das enfermeiras que entravam e saiam da sala e às vezes nem lembravam do motivo dela estar há tanto tempo ali. Cristiana explica que a orientação que recebeu na primeira noite “internada” era de que ela não podia ser transferida para um leito antes que os médicos soubessem que doença ela tinha. As suspeitas principais eram toxoplasmose, hepatite ou leptospirose.

Na noite do domingo, 12 de maio, os exames ainda não tinham ficado prontos. No entanto, por meio do contato de uma amiga com a diretoria do UPA, a paciente finalmente foi transferida para um leito na própria Unidade. Pôde, enfim, tomar um banho, descansar e humanamente aguardar pelos resultados, agora acompanhada de um familiar. Na segunda-feira, 14 de maio, enquanto se alimentava aos poucos com o auxílio do marido, recebeu a visita da médica plantonista que passava de leito em leito para ver o estado dos pacientes. Em poucos minutos de conversa e avaliação, a médica decide que Cristiana já estava em condições de ir para casa. “Você já está até comendo, não há motivos para ficar aqui. Pode ir para casa e aguardar lá o resultado dos exames”, foi o que ouviu em castelhano da médica apressada. Seu marido não aceitou, disse à médica que a esposa não tinha condição nenhuma de ir para casa, onde doente ficaria junto aos seus filhos e sua família, enquanto não soubesse que doença tinha e que males poderia causar aos que se aproximavam dela.

A médica, então garantiu verbalmente que, se Cristina fosse diagnosticada com toxoplasmose, hepatite, leptospirose, ou a doença que fosse, poderia dar  baixa no mesmo leito que deixaria na noite da segunda. Porém, seu marido insistiu mais uma vez e propôs uma prescrição onde a médica se responsabilizasse pela decisão tomada. Não foi o que aconteceu. Após sete dias internada sem saber o motivo, na quinta-feira, 17 de maio, os exames de Cristiana ficaram prontos. Toxoplasmose foi a doença diagnosticada. Na noite da mesma quinta-feira, a mulher deixou a Unidade reclamando de dores nas costas, com uma receita na mão, e a certeza de que o atendimento naquele local se resumia a uma palavra: despreparo. O tratamento da toxoplasmose foi realizado em casa, sem acompanhamento médico e sem Cristiana ter voltado à Unidade para reavaliação.

As Unidades de Saúde dos bairros de Santa Maria

Segundo informações disponibilizadas no site da Prefeitura Municipal de Santa Maria, existem 22 Unidades Básicas de Saúde na cidade (UBS), distribuídas entre 11 bairros e vilas:

  • Vila Oliveira;
  • Bairro Centro;
  • Bairro Medianeira;
  • Cohab Santa Marta;
  • Bairro Itararé;
  • Bairro Salgado Filho;
  • Vila Shirmer;
  • Vila Lorenzi;
  • Bairro Passo das Tropas;
  • Residencial Dom Ivo Lorscheiter,
  • Bairro Camobi;
  • Cohab Fernando Ferrari;
  • Cohab Tancredo Neves.

Além das Unidades, há os locais de atendimento especializado, como o Centro de Diagnóstico Nossa Senhora do Rosário (antigo Cedas). A única notícia encontrada no site da Prefeitura sobre o local foi publicada em julho de 2013, e afirma que o Centro de Diagnóstico oferece aos usuários da rede pública municipal – encaminhados pela Central de Marcação – especialidades médicas, exames de ultrassom, eletrocardiograma, fisioterapia, fonoaudiologia, saúde da mulher e laboratório municipal. Na cidade também há o Pronto Atendimento Municipal (PA) do Bairro Patronato. No site da Prefeitura, consta que no PA há a unidade de Pronto Atendimento Infantil (PAI), e o Pronto Atendimento Adulto (PAA), ambos funcionando 24 horas por dia. Além disso, cita-se o Pronto Atendimento Odontológico (PAO), que atende de segunda a sexta-feira, das 19h às 7h da manhã do dia seguinte, e aos sábados, domingos e feriados, atende 24 horas. Além disso, existe a Policlínica Rubem Noal, no Bairro Tancredo Neves, e a Casa 13 de Maio, no bairro Centro – uma unidade de saúde especializada, com foco no atendimento de infecções sexuais transmissíveis (ISTs), HIV/Aids e hepatites virais (B e C).

Em Santa Maria, também existem 14 Unidades Estratégia Saúde da Família (ESF), espalhadas por bairros, vilas e distritos:

  • Distrito Arroio do Só, junto à Subprefeitura;
  • Distrito Bela União, na Rua Cruz Alta;
  • Distrito de Santo Antão, próximo à Escola Int. Manoel Ribas;
  • Distrito de Pains, junto à subprefeitura;
  • Vila Bela União;
  • Bairro Alto da Boa vista, na Rua 25 de Abril junto à escola Adelmo Simas Genro;
  • Bairro Parque Pinheiro Machado, na Rua Boa Vista;
  • Vila Caramelo;
  • Vila São João, na Rua Palestina;
  • Bairro São José, na Rua Antônio Gonçalves Do Amaral;
  • Vila Lídia, rua Maestro Ribas Barbosa;
  • Vila Maringá, na Rua João de Barro;
  • Vila Santos, na Rua Antônio Foletto;
  • Vitor Hoffman, na Rua Distrito Federal;
  • Vila Urlândia, na rua Valdir C. da Silva.

Informações solicitadas às Unidades de Saúde  

Entre os dias 4 e 13 de junho, entramos em contato com Postos de Saúde, Unidades Básicas de Saúde(UBS) e Unidades Estratégia Saúde da Família (ESF) da cidade. As informações solicitadas foram referentes aos horários de atendimento, o serviço médico prestado, os exames realizados no local, entre outros. No entanto, em poucos casos obtivemos as respostas, e houve situações em que nem mesmo fomos atendidos. As Unidades com que entramos em contato foram as seguintes:

-Posto Dom Antônio Reis

  • Telefone: 3223-5588
  • Atendimento: de segunda à sexta das 7h às 16h sem fechar ao meio dia.
  • Coordenadora: Nilra
  • A unidade atende pela agenda médica e também faz o acolhimento.
  • Atendimento médico: 2 Clínicos gerais; 1 Ginecologista; 1 Dentista para adultos; 1 Dentista pediátrico e 1 Pediatra.

-ESF. Vila Santos

  • Telefone: 3211-8088
  • Karen (não identificou o cargo) informou-nos que tem ordens da Secretaria de Saúde para não passar nenhum tipo de informação referente ao atendimento prestado.

-Posto de Saúde José Erasmo crossetti

  • Telefone: 3921-1097
  • Enfermeira responsável: Letícia
  • Secretária: Vívian
  • Fomos informados por Letícia de que não são dadas informações por telefone para estudantes. A unidade não colabora com trabalhos acadêmicos.

-Posto de Saúde João Luiz Pozzobon

  • Telefone: 3212-8736
  • Atendimento: de segunda à sexta. das 7h30 às 12h e das 13h às 16h30.
  • Coordenadora: Lisiane.
  • Secretária: Priscila.
  • Atendimento médico: 1 Clínico geral, 1 Ginecologista obstetra, 1 Dentista que atende adultos e crianças
  • A unidade atende com demanda livre,  quando é feito o atendimento da agenda médica em conjunto com o acolhimento. Foi questionado sobre o número de atendimentos estipulado pela agenda médica, mas não obtivemos resposta. A informação que obtivemos foi de que as tardes das quintas-feiras são reservadas para o atendimento da saúde da mulher e de crianças. Nas manhãs da sextas-feiras há atendimento do clínico geral.

-UBS Waldir Mozzaquattro

  • Telefone: 3223-6608
  • Atendimento: de segunda à sexta das 7h às 12h e das 13h às 16h.
  • Coordenadora: Antonieta.
  • Secretária: Michele.
  • Atendimento médico: 3 Clínicos gerais; 2 Ginecologistas; 2 Dentistas; 2 Técnicos de enfermagem; 1 Pediatra e 1 Enfermeira.
  • A agenda médica é estabelecida nas quartas-feiras às 13h, quando são distribuídas 140 fichas para atendimento na semana seguinte. O acolhimento existe se for necessário.

-Posto de Saúde Rubem Noal

  • Telefone: 3214-1006
  • Enfermeira responsável: Gabriela
  • Responsável segundo a secretária: Rose  3214-2077
  • Tentamos contatos duas vezes no dia 4 de junho, na primeira delas a secretária passou o contato de Rose, como sendo a pessoa responsável para responder sobre o atendimento da unidade. Rose por sua vez pediu que retornasse ao primeiro telefone contatado para falar com a enfermeira Gabriela que seria a responsável por estas informações. Após quatro tentativas, no dia 5 de junho finalmente conseguimos contato com Gabriela. A enfermeira pediu para retornar em outro momento pois, não poderia passar estas informações naquele instante, mesmo dizendo no início da conversa que teria disponibilidade.

-ESF Maringá

  • Telefone: 3223-2158
  • Enfermeira responsável: Sharon
  • Em três tentativas de contato, não conseguimos falar com a enfermeira. As respostas foram que ela estaria em uma reunião. No primeiro contato realizado no dia 4 de junho, foi possível ouvir quando a secretária perguntou se a enfermeira poderia atender e a resposta foi que fosse informado que estava em uma reunião.

-ESF Bairro Passo das Tropas

  • Telefone: 3211-2202
  • Enfermeira responsável: não se identificou
  • Foi informado pela enfermeira da Unidade que não são prestadas informações por telefone, muito menos para estudantes. Segundo ela, para termos os esclarecimentos solicitados, seria necessário uma autorização e se tivéssemos a autorização, deveríamos ir pessoalmente na Unidade para conversar com a suposta enfermeira que em momento algum se identificou.

Secretaria da Saúde diz que informações não podem ser prestadas a estudantes

Em contato com a supervisora da Secretaria de Município da Saúde, obtivemos a informação de que as enfermeiras e secretárias dos postos de saúde da cidade, de fato recebem a orientação de não fornecerem informações  sobre o atendimento prestado à população. A coleta de dados e demais esclarecimentos sobre as unidades devem ser feitas na Secretaria, com a superintendente de Atenção Básica, Maria Suzana Lopes, que é responsável pelos postos de saúde da cidade. A orientação em não passar informações por telefone existe em função da grande demanda de atendimento que há nas unidades, já que as enfermeiras coordenadoras dos postos também prestam atendimento à população. Portanto, como método de prevenção, a a secretaria opta por fornecer os esclarecimentos referentes ao atendimento nas unidades de saúde, isentando os profissionais dos postos da função. Na tentativa de agendar um horário com a superintendente Suzana, encontramos grande dificuldade em conseguir transferir a ligação para sua sala. O telefone de acesso à superintendente não estava funcionando no dia 11 e 12 de junho. Quando entramos em contato com secretária, ela precisou se dirigir até o suposto local que estaria Suzana, porém, não a encontrou e por fim ainda  informou  que a doutora estava na unidade. Deixamos recado e pedimos que fosse retornada a ligação, no entanto, até o fechamento desta matéria, não recebemos o retorno da superintendente da Secretaria de saúde.

Demora no atendimento é a principal reclamação

A partir da pesquisa sobre o atendimento dos Postos de Saúde de Santa Maria, a conclusão que tivemos é que prestar informação é a maior dificuldade das unidades. Em alguns postos as pessoas responsáveis foram grosseiras e se mostraram incomodadas com o teor da ligação. A falta de preparo para lidar com indagações, se reflete na incompetência dos serviços prestados à população. Dentre as reclamações mais frequentes dos usuários, a demora no atendimento e a escassez de médicos e enfermeiros são as mais comuns.  A maioria dos postos da cidade funcionam somente até às 16h. Há casos em que os atendimentos que chegam aos postos são encaminhados ao clínico-geral já que, as unidades não possuem especialistas. O não cumprimento dos horários, a falta de medicamentos, a demora para conseguir realizar exames, a precariedade dos aparelhos e a falta de educação com que são tratados, são outras falhas que indignam os santa-marienses que dependem do Sistema Único de Saúde. Uma vez que os postos não possuem uma demanda de assistência médica de áreas específicas, as Unidades de Pronto Atendimento são sobrecarregadas.

BALANÇO FILA ZERO
– 64 mil pessoas aguardando por consultas e exames nos últimos cinco anos
– 48.226 agendamentos realizados
– 28.700 consultas realizadas
– 19.526 exames realizados
–7.410 óbitos
– 1.508 pessoas faltaram na consulta agendada
– 9.980 telefonemas na caixa postal até 28/07
– 30.154 ligações feitas até 28/07
– 4.018 pessoas não querem consultas/exames até 28/07

Comparativo população de Santa Maria/ Atendimentos na Rede SUS
– 277 mil habitantes
– 311.108 usuários na Rede SUS
– Sendo 140.325 homens e 170.217 mulheres
– Do total, menores de 12 anos correspondem a 43.924
– De 01/01/2017 a 31/07/2017: 16.044 novos usuários cadastrados no SUS

Comparativo de procedimentos nos pronto-atendimentos em 2016 e 2017
Pronto Atendimento do Patronato
– 2016 – 90.183 procedimentos em todo o ano
– 2017- 56.614 procedimentos apenas no primeiro semestre

Pronto Atendimento da Tancredo Neves
– 2016 – 50.971 procedimentos em todo o ano
– 2017 – 60.489 procedimentos apenas no primeiro semestre

*as informações acima foram publicadas no site do Diário de Santa Maria no dia o1/08/2017.

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A reportagem foi produzida pelos alunos Caroline Costa e William Ignácio, para a disciplina de Jornalismo Investigativo, durante o 1º semestre de 2018, sob orientação da profª Carla Torres.

 

Desde os anos 70, militantes do sistema de saúde vêm lutando por uma reforma em sua estrutura e no que diz respeito ao tratamento e cuidado de pessoas com sofrimento psíquico. O mês de Maio é significativo para o grupo do movimento antimanicomial já que, no dia 18 desse mês, em Bauru, São Paulo, no ano de 1987, aconteceu o primeiro encontro dos profissionais de saúde mental, a fim de discutir reivindicações, relatar preocupações e lutar por uma transformação do sistema de tratamento vigente na época.

Segundo o psicólogo, especialista em saúde mental pela Universidade Federal de Santa Maria e mestrando em psicologia da saúde Tiago Alves, a militância se constrói no encontro com o outro. E a militância na saúde mental diz respeito a lutar para que esses usuários tenham o direito de ir e vir e de existir. “O louco está sempre nesse lugar à margem, como marginal dentro da saúde. E a militância é baseada nisso: em lutar pelo direito do outro, mostrar que a igualdade se distribui através da diferença, e reconhecer a diferença nos outros”, comenta Tiago.

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11º Mental Tchê  (Foto: Divulgação Mental Tchê 2015)

A Lei Paulo Delgado tramitou durante 12 anos e, em 2001, foi aprovada  pelo Congresso Nacional, isso garantiu uma reestruturação no sistema de saúde mental do país. A lei assegura aos usuários do sistema de saúde a oportunidade do tratamento em liberdade e da não segregação perante a sociedade. Ainda, prevê que o tratamento deve ser realizado de acordo com as necessidades de cada um, e de sua singularidade como pessoa. Os pacientes têm a oportunidade de beneficiar-se com diversos tipos de tratamentos terapêuticos, de uma forma não invasiva.

Um dos carros-chefes dessa reforma psiquiátrica foi a criação dos Centros de Apoio Psicossociais (CAPS), que promovem diferentes formas de terapia, procurando entender o que é necessidade de cada paciente, e de como gostariam de participar das atividades propostas pelos profissionais atuantes nesses locais. Hoje Santa Maria conta com quatro desses centros, mapeados em zonas diferentes da cidade.

“A gente tem a função de inventar uma forma de cuidado que seja de verdade, e que respeite a singularidade de cada pessoa. Nesse sentido, a raiz o CAPS tem uma ligação estreita com essa perspectiva de reverter uma lógica de cuidado. Já que muitas pessoas ainda pensam que é a forma manicomial, de internar, pra criar outra cultura, pra de tratamento dessas pessoas que tem problemas mentais, sofrimento psíquico ou são usuários de álcool e drogas”, reforça o psicólogo, Douglas Casarotto que atua no CAPS – Cia do Recomeço.

Mental Tchê em São Lourenzo do Sul em 2015
Mental Tchê em São Lourenço do Sul  (Foto: Divulgação Mental Tchê 2015)

Douglas ainda comenta que as alternativas de tratamento vão das mais tradicionais às mais alternativas, desde que as pessoas considerem importante. “Às vezes tem a ver com a família, com pais, os filhos, lazer e emprego. A gente tenta ajudar ela a fazer um plano de vida. Para que a droga, por exemplo, saia do centro da vida da pessoa e passe a não fazer mal para ela. Mas não trabalhamos com a questão da abstinência, é uma opção pessoal deixar de usá-la”, ressalta o psicólogo.

A atual gestão do governo do Estado, assumida no início de 2015, alterou a política de saúde mental. Não houve repasses aos CAPS e novos leitos de internação para usuários de drogas e pessoas com sofrimento mental foram reabertos. Além disso, os chamados residenciais terapêuticos, também frutos da reforma, foram desalugados no Estado. Esses residenciais são casas localizadas em diversos bairros, fundamentadas para atender às necessidades tanto de moradia como de cuidados às pessoas portadoras de transtornos mentais egressas ou não de hospitais psiquiátricos que apresentam dificuldade de reintegração familiar.

A psicóloga, representante do Conselho Regional de Psicologia, Bruna Osório, a atual gestão de saúde mental do governo do estado vem manifestando publicamente, em audiência publicas e na imprensa, a pedido do conselho estadual de saúde que é muito possível que os recursos desse setor sejam realocados para ações manicomiais.

“O atual gestor já anunciou na imprensa a reativação de longa permanência do Hospital Colônia Itapuã e que o Hospital São Pedro também, será centro de referencia para tratamento de Crack, colocando o a droga como uma epidemia, que não é a lógica proposta”, conclui Bruna.

O 11º Mental Tchê ocorreu, entre o dia 6 ao dia 8 de maio deste ano, em São Lourenço do Sul. O congresso tem como intuito fortalecer a militância na luta antimanicomial. O evento reuniu trabalhadores da área de saúde mental, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), gestores, trabalhadores, residentes, estudantes e simpatizantes da luta antimanicomial. Neste ano, o Mental Tchê tratou assuntos como o cuidado dos usuários de álcool e drogas. O encontro que durou três dias contou com debates dos participantes sobre assuntos referentes à saúde mental.

Ainda no mês de maio, diversos movimentos de resistência atuaram na cidade em inúmeras atividades. Confira a cobertura que a TV Unifra realizou da caminhada que ocorreu no dia 19.

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=m-bQhq62k44″]

Dione Lemos, estudante de Psicologia do Centro Universitário Franciscano, fala sobre o seu envolvimento com a luta

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=BU4bd0eLBVU&feature=youtu.be”]

Vânia Fortes de Oliveira, psicóloga e professora do Centro Universitário Franciscano, conta como foi o Mental Tchê em 2015

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=zHh8C3yDXvA”]

 Por Julia Machado e Helena Moura para a disciplina de Jornalismo Online

Nos próximos dias 18 e 19 de junho, às 9h, acontece em Santa Maria o Seminário Macrorregional Sul da Política Nacional de Humanização (PNH). O evento é promovido pelo Ministério da Saúde e conta com a parceria da Secretaria Estadual de Saúde/RS, do Departamento de Assistência a Saúde (DAS), da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ªCRS), da Secretaria Municipal de Saúde de Santa Maria e da Residência Multiprofissional da UFSM e acontecerá no Hotel Itaimbé.
O seminário vai reunir  especialistas em saúde e trazer ao debate a pesquisa, formação e produção de conhecimento sobre PNH e também a gestão e práticas em saúde; a atenção psicossocial, a gestão e apoio; as redes, participação social e movimento HumanizaSUS.
Com o Seminário pretende-se discutir o apoio na ação da PNH no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a fim de oportunizar o compartilhamento de experiências, aprofundar a discussão a respeito do tema, reunir e dar visibilidade à atuação dos apoiadores nestes estados.

PROGRAMAÇÃO

DIA 18/06

9h – Mesa de abertura:
Local: Auditório do Hotel
Convidados: MS/SAS/PNH; SES/RS; 4ª Coordenaria Regional Saúde/RS; SES/SC; SMS/Curitiba; Prefeitura de Santa Maria; CMS de Santa Maria; Residência Multiprofissional UFSM

CONFERÊNCIA
10h30 – Painel – “Política Nacional de Humanização – cenários, práticas e contextos, 10 anos de experimentação”
Convidados: Gustavo Nunes de Oliveira (MS/PNH); Simone Paulon (PNH/RS); Sandra Fagundes (SES/RS)
Mediadora: Patrícia Silva (PNH/SC)

RODAS
13h30 – Roda 1 –Pesquisa, Formação, Produção de Conhecimento e Apoio
Convidados: Vânia Olivo (Residência Multiprofissional/UFSM) e Maria Claudia Matias (PNH/SC)
Moderador: Lúcia (ESP/RS);
Observador Analista: Manoela Luppke (Residência Multiprofissional/UFSM)
13h30 – Roda 2 – Atenção Psicossocial, gestão e apoio
Convidados: Marcelo Kimatti Dias (SMS/Curitiba); Paula Adamy (SES/RS)
Moderador:Carlos Garcia Júnior (PNH/SC)
Observador Analista: Simone Paulon (PNH/RS)

13h30 – Roda 3 – Redes, Participação Social e Movimento HumanizaSUS
Convidados: Stella Chebli (PNH/SP) e Sandra Fagundes (SES/RS)
Moderador: Aline Costa (PNH/BA)
Observador Analista: Jimeny Santos (PNH/MS)

13h30 – Roda 4 – Cuidado, gestão e práticas em saúde
Convidados: César Ramos (PNH/TO);Janaína Furtado/ UFSC
Moderador: Eliane Benkendorf (PNH/PR)
Observador Analista:Diogo Costa (4ª CRS/RS)

17h – Plenária

18h – Roda – Apoio e Produção de Vida em Santa Maria
Convidados: Simone Paulon (PNH RS); Carlos Garcia Jr (PNH SC); Eliane Benkendorf (PNH PR)
Moderadores: Sandra Fagundes (SES/RS) e Liane Righi (PNH/RS)

Dia 19/06

CONFERÊNCIA
9h – Painel 2 – O apoio como método
Convidados: Gustavo Nunes Oliveira (PNH/MS); Nilton Pereira Jr. (SMS/Curitiba)
Moderadora: Liane Righi (PNH/RS)

RODAS
13h30 – Roda 1 –Pesquisa, Formação, Produção de Conhecimento e apoio
Convidados: Marta Verdi (UFSC); Simone Paulon (PNH/RS)
Moderador: Teresinha Weiller (UFSM)
Observador Analista: César Ramos (PNH/TO)

13h30 – Roda 2 – Atenção Psicossocial, Gestão e Apoio
Convidados: Maria Judete Ferrari (SMS/Alegrete);
Fernanda Penkala (SMS/São Lourenço do Sul/RS) Moderador: Carine Ferreira Nied (PNH/RS)
Observador Analista: Adriana Krum (SMS/SM)

13h30 – Roda 3 – Redes, Participação Social e Movimento HumanizaSUS
Convidados: Stella Schebli (PNH/SP) e Patrícia Silva(PNH/SC)
Moderador: Lydia Leonhardt (Qualisus – Redes/RS)
Observador Analista: Ilse Mello (4ª CRS/RS)

13h30 – Roda 4 – Cuidado, Gestão e Práticas em Saúde
Convidados: Marcos Azambuja (UNIFRA/SM); Loiva de Boni (SMS/Farroupilha)
Moderador: Ana Paula Seerig (SMS/SM)
Observador Analista: Douglas Casarotto (CAPS/Santa Maria)

17h: Plenária Final
Esta plenária reúne a produção do seminário, temas e agendas relevantes, destaca avanços e contratos relacionados com a metodologia do Apoio.
Coordenação: Liane Righi (PNH/RS); Patrícia Silva (PNH/SC); Eliane Benkendorf (PNH/PR)