Transporte alternativo para defender o meio ambiente


 

Por Adriély Escouto e Renata Medina

 

Transporte privado é o mais utilizado em Santa Maria

Como seria morar em uma Santa Maria com menos poluentes atmosféricos? Uma cidade com locomoção mais rápida, sem o estresse causado pelos congestionamentos para chegar ao destino desejado e com uma saúde de qualidade? Isto é possível e é uma atitude que depende da população da cidade.

Para diminuir o problema de congestionamento no trânsito e a poluição, muitas cidades têm adotado transportes alternativos. A locomoção está além das quatro rodas dos carros, há alternativas que vêm de duas rodas, trilhos e até mesmo da água! O transporte como bicicletas, ônibus e skates são algumas das soluções para estes problemas que afetam o meio ambiente e o bem estar da população.

Algumas destas são soluções simples e viáveis e não exigem alta renda para consumo. Então por que será que  Santa Maria não segue o modelo de transporte alternativo de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador, para ficar nas cidades brasileiras?

TRANSPORTES ALTERNATIVOS NO BRASIL

De acordo com os números da ONU divulgados no final de 2012, o Brasil ocupa a segunda posição da América Latina dos países mais poluentes. Junto do México, o primeiro na lista, é um dos grandes responsáveis por mais da metade da emissão de poluentes dentro do continente latino. Devido a esta emissão há piora da qualidade do ar nas cidades, proliferando o mal estar e doenças.

A queima do combustível fóssil é um dos principais responsáveis pela classificação do Brasil na lista de países poluentes. A população brasileira cada vez mais adquire veículos particulares, o que acarreta em um verdadeiro caos no trânsito e na saúde. Mas para reverter este quadro, as cidades vêm planejando alternativas sustentáveis para os meios de transporte.

O Rio de Janeiro e São Paulo são cidades brasileiras que fazem parte do C40 – grupo de grandes cidades mundiais que discute alternativas para combater as mudanças climáticas. Elas compartilham iniciativas que visam tornar o transporte sustentável. Entre as estratégias do grupo está a criação de ciclovias e o estímulo aos meios de transportes alternativos.

 

Transporte hídrico nas águas do Guaíba. Foto: CatSul/Divulgação

TRANSPORTES ALTERNATIVOS NA CAPITAL GAÚCHA

Em Porto Alegre os projetos de aeromóvel e do transporte hídrico pelas águas do Rio Guaíba são soluções que emergem nas políticas de preservação ambiental. O aeromóvel irá funcionar na linha que ligará uma estação do Trensurb até o aeroporto Salgado Filho. Já o transporte hidrográfico pelo rio Guaíba, realiza viagens entre Porto Alegre e a cidade de Guaíba através de dois veículos catamarãs com capacidade para 120 lugares casa.

Segundo a empresa responsável, 15 mil veículos deixaram de circular entre as duas cidades por mês e, em breve, devem  iniciar as viagens à zona sul da capital e à região das ilhas.

Além destas alternativas, Porto Alegre possui o sistema de aluguel de bicicletas. Como nas grandes cidades internacionais, o ciclista pega a bicicleta em um ponto da cidade e devolve em outro, ambos pré-definidos pelo poder público local.

 

EM SANTA MARIA

De acordo com David Moncholi Badillo, diretor da Idom Ingeniería Y Sistemas do Brasil, ocorrem 577.272 deslocamentos diários de veículos em Santa Maria. Além disso, 25% da população da cidade utiliza carro como meio de transporte para locomoção a uma distância de 600 metros, o que equivale a duas quadras.

Moncholi apresentou os dados para o público Foto - João Vilnei

Moncholi afirma que existem paradas de ônibus com 50 a 100 metros de distância entre elas na cidade, porém muitas pessoas têm preferência pelo uso de veículos particulares. Como exemplo, ele cita que 15 mil veículos circulam pela Rua do Acampamento rotineiramente.

Os dados da pesquisa sobre a mobilidade de Santa Maria, realizada por estudantes de Arquitetura e Urbanismo e dos cursos de Engenharia do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), são reveladores:

  • Contagem dos deslocamentos: em média cada pessoa faz 2,3 descolamentos por dia. A amostragem verificou que ocorrem 580 mil deslocamentos diariamente;
  • Contagem de pedestres: cerca de cinco mil pessoas caminham pelas principais ruas em Santa Maria;
  • Contagem no transporte coletivo: aproximadamente 100 usuários usam ônibus;
  • Contagem de veículos: cerca de 100 mil trafegam por dia na cidade.

 

PRÓS E CONTRAS

As vantagens em optar pelo transporte alternativo são inúmeras. Eles trazem benefícios tanto para o pessoal como para o coletivo. Deixar veículos particulares na garagem, como carros e motocicletas, contribui para o ganho de tempo na locomoção e ajuda a diminuir aos impactos ambientais causados pelos veículos. Além disso, ficar preso no trânsito gera estresse, sendo prejudicial à qualidade de vida.

Caminhar até o destino desejado provoca a queima de calorias, além de ser um hábito saudável e, muitas vezes, pode ser mais rápido do que enfrentar o congestionamento do trânsito. Mas se o destino for longo, pode-se optar pelo uso de ônibus. O tempo de viagem ainda pode ser usado para a leitura, estudo, relaxar, etc. Também há o uso de bicicletas, que é  apontada como uma excelente forma de se exercitar e manter a forma.

Porém, onde há prós, há contras. Santa Maria localiza-se em uma depressão, por isto o deslocamento de carro já é complicado e o de outros meios de transporte, principalmente os sustentáveis que utilizam a força do corpo ao invés de combustível, torna-se uma tarefa duplamente complexa. Somado a isso, faltam políticas de planejamento urbano que possibilitem a construção de ciclovias e educação de parte dos motoristas que dificilmente respeitam condutores de outros transportes que não sejam veículos poluentes.

Meios alternativos de transporte  utilizados em Santa Maria:

 

Laura Fabrício / Foto: Daniela Hinerasky

BICICLETA

A bicicleta é um dos meios mais práticos e acessíveis ao homem, pois não exige maiores gastos após sua compra. Além disso, o uso da bicicleta contribui para uma saúde melhor, já que requer atividade física. O acadêmico de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Franciscano, Marcos Lark, faz uso deste transporte há cinco meses e comenta alguns dos benefícios de utilizá-la:  “Tem um deslocamento bom para os lugares, ajuda muito com o corpo e também para o meio ambiente, porque ela não polui”.

Porém, o estudante ressalta que faltam investimentos por parte do governo para melhorar as ruas e estímulo das pessoas: “Deve haver o estimulo para as crianças usaram bicicleta e se locomoverem, elas estão muito presas à tecnologia.”.

Já a professora de fotojornalismo do Centro Universitário Franciscano, Laura Fabricio, apesar de ser a favor dos meios de transportes não poluentes, acredita que a cidade não comporta espaço adequado para o uso: “As pessoas não respeitam e a cidade não está apropriada para receber mais pessoas que tenham essa atitude de ter um transporte verde.”.

Ela também ressalta a dificuldade de locomoção no sentido de que a cidade não é propicia para uma bicicleta, já que é Santa Maria é um lugar de altos e baixos, porém faz uso deste meio durante três vezes por semana.

Essas dificuldades são relatadas pela maioria dos usuários de transportes alternativos, confira as entrevistas na integra:


 

ÔNIBUS

Ponto de ônibus da av. Rio Branco

Quem deseja utilizar um meio de transporte que não exija esforços físicos e para destinos mais longos, o ideal é a utilização de ônibus. Este transporte público, apesar de poluente, tem a vantagem de acolher grande número de pessoas. Assim, diminui-se o número de veículos particulares nas ruas, além da vantagem econômica em relação aos demais veículos.

Thomás Martins

Gustavo Noal

Para o acadêmico de educação física da Universidade Federal de Santa Maria, Thomás Martins, o ônibus é o jeito mais rápido de chegar ao destino desejado. Porém, ressalta que o meio é poluente: “Apesar de contribuir para a diminuição de veículos nas ruas, acho que o ônibus é tão poluente quanto o uso de carros”.

Já o estudante Gustavo Noal, embora saiba do benefício que uso do coletivo traz ao meio ambiente, prefere optar pela utilização do carro próprio: “Não acho nenhum pouco prático o ônibus, pois além de caro, é demorado e nunca é certo o horário, sempre tem atrasos, isto quando não está lotado”.

 

SKATE

Mateus Velasquez / Foto: Cauan Queiroz

Bruno Fernandes / arquivo pessoal

Embora ainda marginalizado aos olhos dos mais conservadores, o skate vem se consolidando como um dos meios de transportes sustentáveis mais populares do país. Apesar de prático e de terem ganhado espaço nas ruas, transitar com o skate como hobbie e meio alternativo de transporte pode ser perigoso.

Para o músico e skatista Bruno Fernandes, as ruas e avenidas de Santa Maria não tem condições para a locomoção com o skate. Além disso, acrescenta que uma das maiores dificuldades é que os motoristas não respeitam os skatistas. “Em minha opinião, faltam as pessoas largarem o preconceito, deixarem de ver o skatista como um marginal. Além do skate não poluir o meio ambiente, é saudável e é um esporte’, finaliza Fernandes.

O empresário e skatista Mateus Velasquez ressalta o mais complicado na utilização deste meio: “Não é só o asfalto precário, mas a própria falta de respeito do pessoal e o preconceito, às vezes tu está andando no canto da rua e alguém joga o carro pra cima de ti”.

Abaixo confira a entrevista completa com Mateus Velasquez.

Sobre o autor:

Agência CentralSul de Notícias

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