Servidores públicos em greve unificada


Por Amanda Souza

 

Nesta segunda-feira, 31, os servidores públicos receberam de pagamento do mês R$ 600, o equivalente a menos de um salário mínimo. Não se sabe no mês de setembro haverá parcelamento. Esse foi o estopim que definiu a paralisação dos servidores públicos a partir desta segunda-feira, 31, até o dia 3 de setembro.
Segundo o jornal Sul 21, os servidores do Estado receberão seus salários em quatro vezes. No próximo dia 11, a segunda parcela será paga no valor de até R$ 800. Para o dia 15, serão R$ 1,4 mil, o que totaliza 67% dos salários dos servidores. O restante está previsto para ser pago dia 22 deste mês.
O Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (CPERS) publicou uma nota em repúdio à forma que o governador está tratando os professores e os demais servidores. Os educadores do Estado entraram em greve no início desta semana. Algumas escolas estão com turnos reduzidos e outras completamente paralisadas.
Está tramitando na Assembleia Legislativa o projeto de lei PLC 206/2015, que visa o impedimento do pagamento do Piso do Magistério, redução dos serviços públicos para a sociedade e congelamento dos salários dos trabalhadores estaduais.

Programação de atos dos professores

Nesta terça-feira, 1, os representantes de cada Núcleo do CPERS do interior e da região metropolitana de Porto Alegre irão realizar um ato em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul contra a aprovação dos projetos de leis que tiram direitos dos professores estaduais e dos servidores, como a PLC 206/2015. Os professores também exigem a retirada do projeto PL 169/2015, assinado por Regina Becker Fortunatti (PDT), que exclui a gestão democrática das escolas públicas.
Ocorrerão ações, inclusive, na Câmara dos Vereadores e uma vigília permanente em frente às Câmaras Municipais.
No dia 3 deste mês, ocorrerá um grande protesto em frente ao Palácio Piratini contra o menosprezo dos professores estaduais, contra os projetos de leis que prejudicam os educadores e o ensino público, e contra a desvalorização da educação no RS.

A professora Cleonice considera mais impactante greves com tempo determinado ou redução de períodos (Foto por: Diego Garlet/Laboratório de Fotografia e Memória)

A professora Cleonice considera mais impactante greves com tempo determinado ou redução de períodos (Foto: Diego Garlet/Laboratório de Fotografia e Memória)

A professora Cleonice Lena da Escola Estadual de Ensino Médio Cilon Rosa conta que os professores tem um calendário preparado para recuperação das aulas que não foram dadas na greve, porém o calendário só será cumprido se o governador pagar os salários. Como não houve pagamento do salário integral, a escola entrou em greve novamente.
“Também queremos que ele retire os projetos de lei que nos prejudicam e tiram nossos direitos como professores públicos, caso ele não retire esses projetos haverá greve. Realizaremos atos aqui em Santa Maria, além do ato em frente ao Palácio, mas não há nada confirmado ainda, iremos ter reuniões para decidir as ações”, explica.
A professora conta que eles recebem muito apoio dos alunos, pois muitos são filhos de professores e vêm o que os pais passam devido ao não pagamento do salário.
Segundo Cleonice, muitos professores pararam, os que estão trabalhando ainda são os que permutaram de região, trocaram de escola, então eles não podem parar.
“Estamos em estado de ‘estratégia de guerrilha’, quando o governador ameaça nossa categoria com alguma medida prejudicial nós paramos por um tempo e protestamos, como essas greves de tantos dias, então ele volta atrás. Estamos atentos também para o projeto que privatiza o ensino público, o que tira toda a nossa autonomia de educador, é muito perigoso”, ressalta Cleonice.

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