Pesquisa: como vai a saúde pública?


Por Agência CentralSul de Notícias

 

A pesquisa  que sondou a opinião dos santa-marienses acerca de questões relevantes para a cidade e que são de responsabilidade da Administração Pública traz, hoje, a temática da Saúde e a sua relação com a mídia local.
A sondagem foi realizada por acadêmicos de Jornalismo  do Centro Universitário Franciscano – Unifra, durante o primeiro semestre do corrente  ano,  como atividade das disciplinas de Políticas de Comunicação e com o objetivo de captar o que a população espera de uma nova administração da cidade. Desenvolvida ao longo de quatro sondagens em semanas diferentes,  a pesquisa voltou-se para públicos de várias idades e regiões da cidade, desde o centro até as áreas menos favorecidas.  Transporte público, saúde, segurança pública, educação pública, infraestrutura ( espaços públicos, iluminação, calçamento,) foram os temas sobre os quais a opinião pública se manifestou.  A ACS vem publicando, separadamente, o resultado de cada temática. 

Fachada do ginásio poliesportivo da APAE. Foto: Roger Haeffner/ Laboratório de Fotografia e Memória

Foto: Roger Haeffner/ Laboratório de Fotografia e Memória

Falta de médicos, demora no atendimento, falta de infraestrutura e longas filas. Essa é a ordem dos problemas do sistema público de saúde, elencados por 76 entrevistados de diferentes idades, em 25 bairros diferentes de Santa Maria. A ACS selecionou algumas das respostas ouvidas, omitindo, a pedido, o nome das fontes.
L. B., 56, cozinheira: “Deveria começar tudo de novo. É uma vergonha, é precário. O agendamento é demorado, chegamos às 4h e precisamos esperar até às 8h. Deveria haver uma maior atenção às pessoas.”
J.A., 24, dona de casa: “No posto próximo a minha casa (Nova Sta. Marta) o atendimento é péssimo, não há médicos, chegam tarde e nos atendem mal. Aqui (Sta. Marta), não gosto do calor, mas é o lugar que recebo atendimento.”
C.C., 53, aposentado: “Falta reformas das unidades, aumentar o número de médicos.”
D.S., 38, açougueira: “Precisa melhorar tudo. A estrutura e a otimização do tempo, por exemplo.”
M.D., 80, dona de casa: “O atendimento é horrível. Deveria mudar a estrutura dos postos e os aparelhos utilizados.”
E.C., 70, dona de casa: “ Há muita fila, muito tempo de espera, procuro outras clínicas.”
R. H., 68, aposentado: “Fui no Pronto Atendimento do Patronato, esperei quatro horas e desisti. Faltam médicos e verbas, e a estrutura deveria melhorar.”
A.P., 43, dona de casa: “É muito demorado, por não ser uma cidade muito grande, o investimento deveria ser maior.”
M.A., 53, aposentado: “Poderia ser melhor, mas dependemos de verbas, pagamos muito para a união. Aqui na cidade temos uma gestão competente, mas a situação do país é crítica.”
C.N., 50, cuidadora: “Precisa ser mudado os concursos públicos, colocar gente especializada. Falta administração. Os programas de saúde iniciam muito bem, mas depois já faltam aparelhos, remédios. Os hospitais não têm o básico para atender. Os postos de saúde sem remédios para distribuir para quem tem direito. Eu que fico com pessoas nos hospitais, vejo que as vezes os remédios que os médicos receitam nem no hospital tem.”
C.F., 18 , estudante: “Boa administração da saúde do município. Contratar pessoas capacitadas, que sabem o que estão fazendo.”
B.C.,30 , estudante: “Melhor atenção às mulheres grávidas, no pré e pós natal.”
J.M. 21, estudante: “Ampliar e melhorar a saúde. Investimento na infraestrutura e profissionais.”
L.F., 40 anos, professora: “Investimento na estrutura, mais material humano capacitado. Reorganização de todo o sistema de atendimento, para melhor auxílio da população.”

Ambulância a prontidão no Conjunto III para possíveis ocorrências. Foto: Diego Garlet, Laboratório de Fotografia e Memória

Foto: Diego Garlet, Laboratório de Fotografia e Memória

O que se viu na pesquisa de opinião pública sobre a saúde foi um misto de vivências no SUS e de opiniões elaboradas a partir do conhecimento de terceiros. A mídia contribui para essa formação, embora não de maneira tão incisiva.
Dos entrevistados, 55% utilizavam o sistema privado, enquanto  outros 45% usufruíam da precária infraestrutura do sistema público de saúde da cidade.
De modo geral, envolvendo todos as pessoas ouvidas, 42% avaliaram o SUS como “ruim”, situação que muda a partir do momento em que as respostas são divididas de acordo com o sistema de saúde utilizado. No entanto, nem todos que utilizam o Sistema Único de Saúde acham ele tão ruim assim.
Ao dividir as respostas dos entrevistados que utilizavam o sistema privado de saúde, 52% deles avaliaram o SUS como “ruim”. A opinião dos que nunca passaram pelo SUS vem de uma concepção estabelecida a partir da mídia ou, simplesmente, trazido de terceiros – salvo algumas exceções, que mudaram para o sistema privado porque não tinham suas necessidades supridas pelo sistema público.
Na contramão dos que têm um sistema privado de saúde, 38% dos entrevistados que utilizam o SUS para consultas e tratamentos médicos, avaliaram o mesmo como “bom”, enquanto 29% disseram que é ruim. Apesar das falhas, percebe-se que sistema público de saúde ainda consegue suprir as necessidades de quem não tem condições de ter um plano privado. O Brasil tem um sistema universal de saúde elogiado por especialistas, mas essa proposta ainda não se cumpriu efetivamente. Entre os principais problemas desse sistema, a falha mais citada pelos entrevistados foi a falta de médicos, mas se consideradas as respostas apenas de quem utiliza o SUS, o principal problema passa a ser a demora no atendimento e a infraestrutura defasada em muitos postos de saúde.

Uma semana após a pesquisa de opinião realizada, o principal telejornal de cidade exibiu uma matéria em que uma Pediatra e um Ginecologista não cumpriam com suas cargas horárias de trabalho, o que se comprova a partir dos problemas citados por quem utiliza o SUS diariamente.  A mídia local permanece como um espaço de voz, direta ou indiretamente, no qual a população enxerga como alternativa para falar da sua situação frente ao “perrengues” diários que enfrentam no SUS

Durante a pesquisa, em meio ao “surto” de vacinação da gripe, os jornais locais da cidade não pautavam outro assunto relacionado à saúde, a não ser matérias relacionadas a esse tema. A mídia, em certo ponto, não interferiu nas respostas dos entrevistados, já que pouquíssimos lembraram da vacinação no momento de elencar os problemas. Questionados sobre como veem a abordagem da mídia, os entrevistados que utilizam o Sistema Único de Saúde são incisivos ao dizerem que “a mídia mostra a realidade do descaso”.

Muito se reclama das condições oferecidas pelo sistema público, e a mídia aparece para mostrar isso, porém não acaba atendendo as expectativas de quem está num leito de hospital. A população não quer apenas que mostrem a precariedade do sistema, mas quer a mídia seja sua porta-voz para que as autoridades façam melhorias no SUS.  Também não se pode deixar de lado o fato de quem utiliza o plano privado menosprezar o sistema público, sem sequer ter usado algum dia. A mídia forma sim opinião e, devido a sua abordagem sobre as precariedades do SUS, transparece à população um sistema totalmente inviável, o que não se comprova por quem utiliza o sistema público. Esse sistema universal de saúde elogiado por especialistas tem muito para melhorar, e a mídia não pode pautar apenas o que há de ruim. O SUS tem muito a oferecer, mesmo com sua demora de agendamento, entretanto não se pode desmerecer um plano que salva a vida de milhares de brasileiros diariamente e que não têm condições de adquirir um plano privado.

Por  Deivid Pazatto, Diego Garlet, Guilherme Trucollo, João Pedro Foletto, Luana Oliveira, Paola Saldanha e Victória Debortolli

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