Flashs de realidade


Por Oly Fagundes

 

Selfie de Gabriel Teixeira, 11 anos, aluno do projeto “Comunidade Pixelada” Foto: Gabriel Teixeira

O que uma câmera na mão pode fazer? Foi essa a proposta que o Centro de Desenvolvimento Comunitário (CDC) Estação dos Ventos promove neste mês. A instituição, localizada no Km3, presta assistência a cerca de 50 crianças e adolescentes entre 2 e 16 anos, todos de famílias de baixa renda na Vila Schirmer.

O projeto “Comunidade Pixelada” foi criado pelos voluntários Odilon Dilão, 27 anos, e Brayan Cardoso, 25 anos. Os dois colocaram o projeto no papel há seis meses com o objetivo que as crianças da comunidade e da instituição mostrassem suas realidades pela fotografia.

Odilon afirma que, no começo, as crianças mostraram receio com a parte teórica dos funcionamentos da câmera, mas, quando os primeiros flashs foram feitos, o encantamento foi imediato. As oficinas ministradas pelos idealizadores, que já participaram de cursos de fotografia, abordaram elementos básicos da fotografia: ângulo, luz, sombra, foco, perspectivas e cor.

Gabriel Teixeira, Alice Pereira e Jeferson Machado, alunos do projeto “Comunidade Pixelada”. Foto: Odilon Dilão

Para o programa ser concretizado, a instituição contou com a solidariedade de padrinhos do Centro. Foi criada campanha para doação de câmeras digitais, e, a partir daí, angariaram oito câmeras – com quatro em condições de uso.

A primeira parte do projeto segue até o final do ano. Para 2018, está prevista a inserção de 12 jovens no projeto. O objetivo principal, segundo Odilão, foi alcançado. “ É muito gratificante ver que as crianças estão empenhadas e que esse aprendizado pode se reverter em um interesse futuro e mudar a realidade deles”, comenta.

Toda a dedicação dos idealizadores é concretizada nas palavras e concepções dos próprios alunos. Gabriel Teixeira, 11 anos, é um dos participantes da Comunidade Pixelada. Suas principais inspirações para as fotos são as paisagens naturais presentes em seu cotidiano.

Apesar da pouca idade, Gabriel, sabe os efeitos que uma foto pode trazer. “Se as pessoas vissem as fotos de onde a gente mora e nossas condições, talvez elas nos ajudariam a melhorar”, explica.

Os coordenadores planejam uma exposição no Centro ao finalizarem essa primeira etapa como forma de incentivo e para que os próprios alunos vejam o resultado dos seus trabalhos. Além disso, é trabalhada a ideia de realizar uma exposição em uma área mais central da cidade para que a população tenha o conhecimento dessas realidades.

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