Livro A Cidade Ilhada de Milton Hatoum


Por Elizabeth Lima

 

Capa do livro A Cidade Ilhada

Uma das leituras obrigatórias para o vestibular de verão do Centro Universitário Franciscano é a obra literária “A Cidade Ilhada” escrita pelo escritor manauense Milton Hatoum. O livro que reúne 18 contos do consagrado escritor amazonense coloca em evidência a própria Manaus, ou seja, a cidade ilhada. Assim, Hatoum, já reconhecido pelos seus romances,  inovou com seus relatos curtos. A obra foi lançada em 2009, e é leitura obrigatória do vestibular da Unifra desde o concurso de verão de 2017.

As histórias, cada uma com sua especificidade, convergem para reconstruções de Manaus a partir de gatilhos do presente, isto é, um fato desencadeia uma lembrança impregnada de afeto, ou seja, uma recordação que jogará luz ao passado numa narrativa de leveza lírica e, em muitos contos, com um final surpreendente. A Manaus que aparece nos contos de Hatoum, é uma cidade cosmopolita e heterogênea, na qual muitas vozes podem se manifestar.

Dicas sobre a obra de Hatoum

Professor Rodrigo Bentancurt. Arquivo pessoal

O professor Rodrigo Bentancurt deu sua opinião sobre o livro e também dicas para os vestibulandos. Rodrigo é graduado em Letras Português e também em Letras Espanhol, ambas pela UFSM, e é  especialista em Gestão da Educação. Atualmente é professor de Literatura e Artes no Totem Vestibulares. Segundo ele ” (…) o aluno que quiser fruir uma excelente leitura de contos da nossa narrativa contemporânea, devore o livro a partir das nossas dicas e arrebente na prova de literatura do vestibular da Unifra no dia 27 de novembro”.

Dicas do professor:

Alguns personagens se repetem ao longo da obra, como o Tio Ranulfo. Além do mais, muitas vezes o narrador, em primeira pessoa, parece ser o mesmo de outros contos, criando assim uma visão fragmentada e multifacetada da existência humana.

Provavelmente, a questão do vestibular será uma conferência de leitura, isto é, algo relativo ao enredo da obra, assim como ocorreu na prova do Verão de 2017, quando a pergunta era relacionada ao conto O adeus do comandante.

 Espaço: assim como ocorre na quase totalidade da obra do escritor, Manaus é espaço privilegiado em 17 dos 18 contos, seja pela sua ambientação, seja por memórias de personagens que estão fora do país, mas guardam relação com a cidade. O único conto em que não há referências à capital do Amazonas é Bárbara no inverno.

Tempo: na maior parte dos contos o tempo é psicológico. A partir de uma lembrança, os personagens trazem à tona acontecimentos do seu passado, construindo, assim, não só a sua identidade, mas a da cidade também.

Linguagem: a linguagem é a norma culta urbana do português, em estruturas clássicas de contos curtos, com finais inesperados. Hatoum conduz magistralmente o leitor nas teias de seus enredos, fazendo-nos andar pela cidade de suas memórias. A forma dialoga com contos de Machado de Assis, utilizando inclusive a leitura das obras do escritor realista do século XIX como tema de uma de seus contos, chamado Encontros na península, e sugerindo o conto A causa secreta, de Machado de Assis como base.

Questões existências: a reconstrução da memória, geralmente, partindo de uma lembrança, compondo, desta forma, a identidade dos sujeitos vinculados a Manaus.

Ação: nos dezoito contos encontramos os mais diversos enredos: a descoberta da sexualidade, a integração do sujeito com o rio, traições, desejos e vontades, sujeitos exilados, assassinatos para lavar a honra, centrados em uma Manaus cosmopolita, na maioria das vezes, habitada por sujeitos de origens diversas: japoneses, ingleses, indianos, suíços, enfim uma gama de pessoas que, junto com os libaneses e com os índios compõem o mosaico de etnias que é a cidade.

Observe, como dica, o enredo do conto Varandas de Eva: o título do conto é também nome de um prostíbulo ao qual tio Ranulfo leva o narrador e seus amigos ainda adolescentes. O grupo é formado por Minotauro, Gerinélson e Tarso, um rapaz pobre que precisou que lhe dessem roupas para ir ao local, e acaba encantando com suas vestes. À porta do Varandas de Eva, Tarso foge. O narrador tem uma noite de amor, na qual se apaixona pela prostituta, embora não a encontre mais. Com o passar do tempo a turma se separa, e anos depois o narrador encontra Minotauro que lhe conta ter entrado para aeronáutica, que Gerinélson foi para SP onde vai ser ginecologista e já conhecia o Varandas e que Tarso está cada vez mais pobre. Depois de mais um tempo, o narrador avista ao longe, trabalhando com uma canoa, Tarso, que deixa algumas coisas em casa, então o narrador reconhece que a mãe de Tarso é a prostituta com a qual ele esteve no Varandas.

Confira o vídeo produzido pelo LaProa sobre o livro  A Cidade Ilhada.

 

 

 

 

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