O som do coração


Por Eduardo Biscayno

 

“Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade”. A frase do jogador de hóquei Tom Fitzgerald encaixa-se de maneira perfeita com as palavras do músico,  produtor, fotógrafo, editor, empreendedor e estudante Rodrigo Souza. O acadêmico do curso de Publicidade e Propaganda, da UFN, deu uma entrevista para a equipe da Agência Central Sul, onde fala sobre como concilia o TFG com sua maior paixão: a música.

Explica também os processos de produção e criação para seu canal no Youtube: ‘Eu, Rô’, onde posta os vídeos, que também produz e edita, de covers de músicas conhecidas, músicas autorais e os ‘Eu Vlogo’, onde Rodrigo fala que todos podem aprender sobre música, sem ter nascido com um dom especial, sobre inspiração e os equipamentos que usa.

ACS: Quando surgiu sua paixão pela música?

RS: Foi bem cedo, quando eu tinha entre três e quatro anos e a minha família me presenteou com alguns instrumentos musicais, como tecladinhos. E, no decorrer desse aprendizado que é a vida, eu fui desenvolvendo gosto, não só pelo canto, mas também pelo violão, que eu comecei a aprender lá pelos dez anos de idade. Então, posso dizer que eu estou nessa carreira musical, de aprendizado, há pelo menos uns dez anos.

ACS: Você tem um carinho pela área do audiovisual. Fale um pouco sobre a sua história com ele.

RS: Quando eu ainda estava no ensino fundamental, algumas professoras começaram a pedir trabalhos que envolviam produção audiovisual. Enquanto os meus colegas pegavam o celular e faziam os trabalhos de uma forma mais improvisada, eu quis ir um pouco além. Pedi para o meu pai uma câmera filmadora. Ele topou. Com ela eu comecei a filmar, brincando, e foi assim que começou a minha jornada no audiovisual.

Eu entrei na faculdade e acabei deixando o audiovisual de lado por um tempo, me dediquei ao mundo fotográfico. Um pouco mais tarde, me redescobrir no audiovisual, que é o que eu gosto mesmo de fazer. E comecei a estudar tudo relacionado a linguagem: enquadramento, cor, história do cinema, etc.

ACS: Você costuma se posicionar claramente em assuntos políticos. Acha que faz parte do papel artista manter essas posições?

RS: Eu acho que é função do artista passar uma mensagem. E, com a minha música e com os meus produtos audiovisuais, eu gosto de deixar claro que eu sou uma pessoa que luta a favor de determinados direitos. Como a comunidade LGBT, direitos dos negros e mulheres. Gosto de me posicionar politicamente, falar ‘olha, sou um homem cis, branco, heterossexual e quero fazer algo com isso’, pois infelizmente tenho muitos privilégios que quero dividi-los com os outros que não possuem os mesmos direitos. Essa foi a maneira que eu encontrei de colaborar com o mundo. É algo hipotético tentar ajudar todo mundo, mas, acho que assim é um bom começo.

ACS: Fale um pouco sobre as suas composições.

RS: Tenho até então mais de dez músicas autorais. As quais umas cinco estão disponíveis no Youtube. Eu gostaria de me consagrar como um artista autoral. Faço covers, mas o meu propósito no mundo da música é falar olha, sou um artista que compõe músicas e quero que as pessoas cantem e conheçam o meu trabalho.

ACS: Quais as tuas maiores referências musicais?

RS: Eu gosto muito de compor e cantar em inglês. Então, a minha maior referência, de todas elas, é o Jason Mraz. Um cantor norte-americano que compõe músicas folk e pop. Inclusive eu tenho uma tatuagem, a ‘be love’,  mesma que ele tem, para me lembrar que compartilhamos a mesma ideologia: de respeitar todas as pessoas e agregá-las, se é o amor que queremos ver no mundo. E é por isso que ele é a minha maior inspiração.

Outro é o Avicii. Ele me fez entrar no mundo da produção da música eletrônica. Eu passei por uma fase onde eu explorava vários programas para fazer música eletrônica e que hoje me trazem diversos atributos para eu compor. Então, pode-se dizer, que a minha entrada na produção musical se deu pelo Avicii, que me impulsionou. Então, hoje eu tenho o conhecimento para produzir minhas músicas folk, tendo meu começo na produção de música eletrônica.

ACS: Como surgiu e qual a proposta do Eu, Rô?

RS: Como uma forma de apresentar ao mundo meu trabalho, postar obras audiovisuais bonitas, que mostrem minhas músicas autorais. Acredito que a minha proposta está dando certo. Um cover na terça e uma música autoral na quinta. Essa era a divisão que eu estava fazendo até que as músicas que eu tinha na reserva acabaram. E, devido a reta final do curso, com TFG, achei melhor ir com mais calma e fazer uma coisa de cada vez. Esclareci para o público que eu ia postar uma música nova a cada quinze dias, por exemplo. E nessas datas de postagem eu ia falando olha, hoje vai ser uma música autoral, hoje vai ser um cover. No momento dei uma pausa no canal, mas vou voltar em breve com vídeos novos a cada semana.

ACS: Você faz tudo sozinho?

RS: Não. Faço toda a captação de áudio, mas com a captação de vídeo, que não é estática, peço a ajuda da minha mãe da minha irmã, que colaboram muito e participam no sentido de impulsionar o meu canal e entender os meus propósitos. Acho isso muito bacana da parte delas. Esse é um projeto familiar, digamos assim. (risos)

ACS: Como é o teu processo de criação?

RS: Existe uma coloração bem famosa que é a laranja e ciano, que compõem diversos vídeos e é uma referência que levo para as minhas produções. Gosto muito desse estilo. Cada vez que eu gravo um vídeo, faço num formato que permita a edição. No mais, meus processos criativos se dão muito a partir dos meus gostos. Ouço muito a música que está rolando no momento. Então pego um pouco disso, adapto para o meu estilo, o folk, e faço a minha interpretação para postar os covers no canal.

Com relação às músicas autorais, minhas composições têm um cunho positivista. Procuro unir as pessoas. Acredito que cada composição minha fala um pouco disso e é o que eu tenho tentado fazer. Há algum tempo atrás eu compunha músicas que, digamos, começavam com A e terminavam com B. Acabei perdendo um pouco esse foco. Me preparei para compor músicas que começassem e terminassem falando sobre amar o próximo. Manter esse foco é o importante para mim.

ACS: Como é a sua rotina de produção para o Eu Rô?

RS: Quando eu postava dois vídeos por semana ela funcionava assim: era uma demanda muito alta, mas eu acabava produzindo tudo numa segunda-feira de noite para postar na terça e na quinta. Atualmente estou num processo de interrupção, mas pretendo voltar fazendo os vídeos num final de semana para ser postado em uma quarta. Vai me deixar menos atarefado, e poderei trabalhar com mais calma e mandar conteúdo para o canal semanalmente, já que o algoritmo do Youtube funciona por frequência. Ou seja, quanto mais tu postar vídeos, maiores as chances de aparecer para outras pessoas. A questão, na minha opinião, é sempre estar presente.

ACS: O que te levou a escolher o curso de Publicidade e Propaganda, não de música?

RS: A música por muito tempo foi só um hobbie para mim. Faz pouco tempo que me identifiquei como artista de verdade, mas já havia me visto como fotógrafo e produtor audiovisual, por exemplo. Foi nesse caminho que eu decidi seguir. E foi uma vontade minha seguir o aprendizado nesse âmbito. Esse foi um fator decisivo para eu não escolher a música. Então, me identifiquei com a publicidade e vim para a área da comunicação sem muita dúvida na escolha do curso.

ACS: Quais as suas expectativas para o futuro profissional?

RS: Eu tenho um plano A e um B para o ano que vem, quando eu me formar. O primeiro, e a minha família já está ciente disso, é me dedicar à música. Atualmente eu não tenho conseguido me dedicar 100% a nada. Não tenho composto o suficiente, nem estudo música o suficiente. Conversei com a minha família e disse: olha, se vocês me apoiarem, no ano que vem vou procurar fazer tudo voltado para a música. Eles acharam bacana. O plano B é continuar com a minha microempresa online, a 404 Produções, no Facebook, que fornece serviços fotográficos e de produção audiovisual. Fora isso, já recebi convites de algumas agências para trabalhar. O que está fora dos meus planos, mas é uma possibilidade.

ACS: Como você consegue conciliar todas essas vidas?

RS: Tem um gráfico na internet que mostra três círculos: um para a vida social, outro para estudos e o terceiro para dormir. Ele indica escolha dois. No momento eu estou com as opções dormir e estudos. A demanda da faculdade está alta, devido ao tfg. A vida social está de lado, mas não está me afetando por enquanto. Está tudo tranquilo. É só uma fase. (risos)

ACS: O que é a vida?

RS: Uma boa pergunta. Adoro me questionar sobre essas coisas. (risos) A vida é um processo simples, que nós complicamos bastante. Mas fazemos isso porque o próprio sistema da sociedade não facilita as coisas também. Acredito que, em um âmbito geral, nós temos muitas coisas fora do lugar e o ritmo acelerado dos nossos tempos acaba deixando as pessoas deprimidas e ansiosas. A vida, hoje, está um caos. Porém, ela é simples e é bonita. Por isso acho importante levar uma mensagem positiva através da minha música. No momento em que as minhas músicas autorais tocarem as pessoas de uma forma positiva, aí eu vou saber que cumpri o meu papel como artista.

ACS: Defina-se em uma palavra.

RS: Coragem. Pois eu acredito que sou uma pessoa que procura quebrar algumas barreiras, padrões e estigmas que são estipulados pela sociedade. E também em relação ao âmbito profissional, em relação à minha música, por colocar a minha cara a tapa e ir em busca desse sonho, não importa o que os outros digam.

 

Texto produzido no primeiro semestre de 2018, para a disciplina de Jornalismo Cultural, sob a orientação do professor Carlos Alberto Badke.

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