Doses homeopáticas de fuga artística


Por Arcéli Ramos

 

Não há necessidade de contextualizar a sensação de desespero que parece rodear a todos. Individualmente, a busca pela informação está fazendo o retorno e se transforma em fuga. Tem sido impossível passar um dia sequer sem que alguma notícia catastrófica alimente a dose de dores diárias que temos vivido. E se não bastasse o desgoverno, há também aqueles dias em que perdemos pessoas que carregavam o poder de fazer arte.

No dia 25 de agosto último, morreu Fernanda Young. Atriz, escritora, roteirista, bordadeira, mãe, polêmica e amada, visto que, naquele dia não se falou em outra coisa que não o vazio artístico que fica. É em tempos de dor e perda, de artistas especialmente, que nasce a sede e a necessidade de consumir arte. A gente precisa encontrar beleza em algo. Por isso, este mês decidi compartilhar “doses homeopáticas de fuga artística”. Segue a lista:

“Grande Magia – Vida Criativa Sem Medo”, de Elizabeth Gilbert, é um livro daqueles que a gente começa a ler e esquece do tempo. Nesse texto a autora discorre sobre o processo de escrita e criatividade. Recomendo para quem ama ler, quer se aventurar no mundo da escrita e para quem tem curiosidade sobre como funciona o processo criativo. Sim é a mesma escritora de “Comer, rezar e amar”.

“Só garotos” não é exatamente uma leitura leve, mas Patti Smith sabe colocar doses de inspiração e doçura até nas histórias mais difíceis.

Que não dá para fugir da realidade nós sabemos. Uma possibilidade para contornar a realidade seja trazer um pouco de magia e fantasia. Por isso, a terceira recomendação também é literária. “Cem anos de solidão”, de Gabriel García Márquez, dispensa apresentações e é perfeito por ser um clássico do gênero realismo fantástico.

No Instagram o perfil da Obvious (@obviousagency) publica diariamente conteúdo sobre autoestima, vida real, mulheres, astrologia, etc. O compilado de tudo transforma o feed em um lindo mural de inspirações.

Não foi fácil pensar em conteúdos mais leves para compartilhar aqui. A verdade é que está bem difícil para todo mundo. Cadê as pessoas escrevendo poesia? Cadê as histórias de amor? Não sei. Se alguém encontrar, por favor, compartilhe.

Este texto não pretende negar a realidade ou fingir que toda dor não existe. Tem muita coisa que precisa ser feita e dita, sim! Mas a gente esquece que não é só o smartphone que precisa ser recarregado. Nós também precisamos de descanso, de motivos para continuar e de momentos para recarregar as baterias.

 

 

Arcéli Ramos é jornalista egressa da UFN. Repórter da Agência Central Sul em 2015. Com pesquisas na área jornalismo literário e linguagem, hoje também estuda “Pesquisa de tendências”. É colaboradora na New Order, revista digital na plataforma Medium, e produz uma newsletter mensal

 

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