Troca de afetos


Por Gabriele Bordin

 

Foto: arquivo pessoal

Imagens: Raw Pixel

Em 2003, uma pesquisa já apontava que 40% das brasileiras havia feito laqueadura, processo contraceptivo cirúrgico e permanente.
Em uma busca rápida na internet, é possível descobrir a definição para maternidade como um “laço de parentesco que une a mãe a seu(s) filho(s)”. Mas como esse laço é criado?

Simone Del Fabbro Vollbrecht, 42 anos, é psicóloga por formação. Natural de Itaqui (RS), ela morou por oito anos na em Santa Maria, de 2002 a 2010. Hoje em Porto Alegre, a gaúcha retrata, dia a dia, nas redes sociais pessoais e em um blog criado por ela, uma das facetas de sua vida. Simone captura alguns dos detalhes mais bonitos de sua família, aos olhos de uma mãe carinhosa e dedicada. Ela é mãe de três “filhos únicos” como os identifica, porque as idades e peculiaridades os fazem assim. Catarina, de 17 anos, Miguel, 9, e a pequena Joana, 4, colorem os dias de Simone.

Para Simone, ser mãe é…

Aprendizagem
Uma mãe não só cuida e ensina seu filho. Ela também aprende, muito. Ser mãe é um aprendizado diário. Em todas as fases se aprende. O filho pode já estar crescido e com autonomia, e seguimos aprendendo. Penso que o grande aprendizado seja aceitar que o filho é alguém diferente, em gostos, pensamentos e desejos. Essa separação é uma lição de vida para a mãe e um presente para o filho.

Doação
A maternidade exige entrega desde a gestação. É preciso abrir mão de muita coisa. O corpo modificado já nos impõe alguns limites. A mudança vem de dentro para fora e entregar-se é o maior exercício que a maternidade exige. Mas, lá adiante, a gente descobre que muito do que se abriu mão não faz mais sentido. Os interesses mudam. As prioridades são ressignificadas.

Perseverança
Com certeza esse é o grande desafio diário de uma mãe: ser constante na rotina que cansa e exige. Uma mãe exausta sempre encontra forças para cuidar e amar seus filhos. O envolvimento afetivo é intenso. Mas é preciso estar lá, todos os dias, nos bons e nos ruins. Permanecer, por inteiro. A maternidade é um mergulho profundo nas águas desconhecidas de um novo ser: a mãe que nasce junto com o filho. Assusta, desacomoda, mas é preciso seguir, é preciso perseverar.

Amor
O vínculo entre mãe e filhos é uma força muito potente. É a base e o elo dessa relação tão intensa. O amor que recebi da minha mãe segue influenciando o modo como me relaciono com meus filhos. Acredito que, ao nascermos, recebemos o amor, também, de nossas avós e bisavós. Assim, o amor de mãe tem sua fonte na ancestralidade de nossa família. É um amor do passado que consegue se renovar no presente.

Propósito
Quando se tem uma criança para cuidar, a vida ganha um outro sentido. As preocupações, com certeza, crescem, mas as alegrias também. Nossas atitudes e escolhas ganham novos significados. É saber dar valor ao que realmente importa: a simplicidade, a convivência, o bem estar físico e mental, o apoio dos familiares e amigos. É entender que, apesar das dores, dos cansaços acumulados, lá na frente, você se torna alguém melhor.


Ninguém é apenas o nome, idade, formação, profissão ou naturalidade. Somos um conjunto de infinidades. Entre tudo o que te identifica, qual é a sua parte favorita? Você também pode fazer parte deste projeto ou indicar alguém que é excelente numa área bem diferente da formação ou profissão, um especialista (ou quase) pela vivência.

Entre em contato pelo WhatsApp da acadêmica de Jornalismo Gabriele Bordin. Ela está desenvolvendo o Projeto Experimental em Jornalismo, no curso de Jornalismo da UFN, durante o primeiro semestre de 2020. O projeto é orientado pela professora Glaíse Palma e terá uma história por semana publicada neste espaço.

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