Um desafio à Ciência: avanços científicos buscam a cura para o novo Coronavírus


Por Lilian Streb

 

A incessante busca pelo fim da pandemia causada pelo novo Coronavírus (COVID-19) assemelha-se a uma corrida pelo mundo. O vírus foi descoberto em dezembro de 2019, após ter seus primeiro registros na China, e faz parte de uma família de vírus que causa infecções respiratórias e que possui alta taxa de transmissão. Cientistas de todos os cantos se empenham para chegar ao mesmo propósito: conseguir uma vacina para a doença que assombra populações de todos os países.

O Sistema de Saúde do Brasil e de vários países do mundo possui uma capacidade limitada para gerenciar essa onda de pneumonia grave,  além de possuir baixa disponibilidade de pessoal treinado. Além disso, há fatores como a falta de respiradores e leitos para os pacientes, o que fará com que o sistema de saúde entre em colapso caso grande parte da população fique doente, e isso obriga os médicos (as) e enfermeiros (as) a revezar os aparelhos, ou até mesmo ter que escolher quem vai poder utilizar.  A falta de equipamentos de proteção individual (EPI) para os profissionais de saúde que atuam na linha de frente e que encontram-se afetados pela COVID-19 também é um grande problema enfrentado na pandemia.

Descobrir meios de atacar o vírus é o novo foco dos estudos científicos nos laboratórios, pois cada dia que passa os números de mortos e infectados aumentam, reforçando a idéia de que só a ciência pode fazer com que as rotinas de todos possam voltar ao normal. Até o momento não existe vacina nem medicamento específico para o Coronavírus, apenas o tratamento dos sintomas causados por ele. Em contrapartida, são vários os medicamentos analisados em estudos científicos e mais de 100 vacinas em teste.

REMDESIVIR

 Conforme publicado pela Agência Brasil, os Estados Unidos divulgaram estudos científicos relacionados ao uso do medicamento Remdesivir contra o COVID-19, mostrando que pacientes que fizeram o uso do fármaco se recuperaram mais rápido da infecção. A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas e estudou mais de mil pessoas em estado grave da doença em todo o mundo, concluindo que 31% deles se recuperou mais rapidamente do que aqueles que receberam apenas um placebo, que é quando é feito o uso de alguma substância que não produz interação com o organismo, mas apresenta uma melhora fisiológica, aliviando os sintomas.

Um exemplo básico de placebo no nosso dia a dia é ingerir água com açúcar quando estamos nervosos, não há estudos confirmando que a mistura causa efeito, no entanto a sabedoria popular nos leva ao uso na busca por resultado positivo. O Remdesivir também é o primeiro medicamento autorizado pelo Japão para o tratamento de pacientes com a COVID-19.

Segundo o estudo feito com o fármaco, 8% dos pacientes morreram, o que corresponde a 3% a menos do que quem recebeu apenas um placebo. Mesmo assim, nada está comprovado em relação ao medicamento. A revista The Lancet por exemplo, publicou que o tratamento com o Remdesivir não reduz a mortalidade nem mesmo acelera a recuperação, quando comparado ao placebo.

O Professor de Química da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Luiz Carlos Dias, explicou em um vídeo publicado no dia 30 de abril na página da Divisão de Química Orgânica que o medicamento Tamiflu (OSELTAMIVIR) é um dos fármacos deixados para trás nas pesquisas contra o coronavírus, e que ele foi desenhado especialmente para combater H1N1. O uso de alguns corticóides para tentar evitar processos inflamatórios mais nocivos causados por COVID-19 também falharam em pesquisas.

CLOROQUINA E HIDROXICLOROQUINA

O Ministério da Saúde explica que o uso da Cloroquina e Hidroxicloroquina no tratamento contra a COVID-19 é uma prática realizada em casos muito graves e chama-se uso off label, ou seja, é algo que não consta na bula do medicamento, fora das causas para as quais é prescrito.

Nesses casos, o governo do Brasil autorizou o uso desses medicamentos, mas a decisão de aplicação fica a cargo do médico que devem avaliar cada paciente específico. O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou em seu Parecer nº 04/2020 que essa decisão quando tomada deve seguir os critérios e condições estabelecidas pelo CFM, que inclui a autonomia do médico e a valorização da relação médico-paciente.

Especialistas e cientistas explicam que a população não deve usar a cloroquina ou hidroxicloroquina na tentativa de tratar ou prevenir a COVID-19 sem que isso seja feito e acompanhado por um profissional da saúde, pois os medicamentos possuem efeitos colaterais como danos ao coração, além de poderem levar a morte.

A Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) publicou um parecer no último dia 18, que explica sobre o uso da Cloroquina e Hidroxicloroquina contra COVID-19. Segundo o parecer, ainda é precoce a recomendação de uso deste medicamento, visto que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina. Além disto, trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em consideração. A SBI recomendou que fossem aguardados os resultados dos estudos em andamento, para obter uma melhor conclusão quanto à real eficácia da hidroxicloroquina e suas associações para o tratamento da doença, já que até o momento não há evidências científicas suficientes que garantam a redução da mortalidade por COVID-19.

A revista científica “Jama” publicou recentemente uma das principais pesquisas  sobre a hidroxicloroquina, feita por pesquisadores da Universidade de Albany, no estado de Nova York. O estudo  analisou 1.438 pacientes com a doença e não encontrou relação entre o uso do medicamento e a redução da mortalidade por Coronavírus, além disso, os pacientes tratados com hidroxicloroquina tiveram muito mais chance de sofrer parada cardíaca e apresentaram taxa de mortalidade muito parecida com a dos que não usaram o fármaco.

Por isso, na ausência da comprovação de efeitos benéficos para a saúde com segurança e eficácia, e sem ensaios clínicos conclusivos e validados, que comprovem do ponto de vista médico e científico sua segurança e eficácia, não há liberação de vacina, nem medicamento.

VITAMINA D

Circularam nos últimos dias várias notícias e comentários populares de que a vitamina D protege contra o coronavírus. Embora a vitamina fortaleça o sistema imunológico, não existe nenhuma evidência científica confirmada de que a mesma reduza o risco de infecção por coronavírus, mas existem estudos feitos por pesquisadores da Universidade de Turim, na Itália, que indicam a ação preventiva que a vitamina D pode ter em relação ao COVID- 19.

Em reportagem, a Universidade publicou que pretende levar a reflexão para a comunidade científica, pois o estudo realizado se baseou apenas em literatura já existente, aliado ao fato de que a vitamina D pode ter efeito preventivo, protetor e terapêutico em infecções respiratórias virais em geral. No entanto, para melhorar a imunidade contra o novo Coronavírus é também muito importante a prática de exercícios físicos em conjunto com uma alimentação saudável, além de ser muito importante que a pessoa não fume, não use drogas e não ingira bebidas alcoólicas.

Ainda não há vacina, nem mesmo medicamento antiviral específico para prevenir ou tratar a COVID-19. Conforme a Folha Informativa publicada pela Associação Pan-Americana da Saúde (OPAS) do Brasil,  as pessoas infectadas devem receber cuidados de saúde para aliviar os sintomas, já quem possui doenças graves deve ser hospitalizado. A maioria dos pacientes se recupera graças aos cuidados de suporte que incluem medicamentos contra os sintomas, e em casos graves o uso de ventilação mecânica e oxigênio suplementar.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) está coordenando esforços para desenvolver vacinas e medicamentos para prevenir e tratar a COVID-19 o mais breve possível, mas por enquanto as recomendações mais eficazes e importantes devem ser mantidas para se proteger contra a COVID-19, que é  lavar frequentemente as mãos com água e sabão, usar máscaras corretamente e manter uma distância de pelo menos 1 metro das pessoas, além do distanciamento social, já que só deve sair de casa quem realmente precisa.

É também muito importante que a população tenha consciência de que a automedicação traz riscos à saúde, podendo haver interação medicamentosa, que é quando os efeitos de um fármaco são alterados pela presença de outro, caso a pessoa tome regularmente outros remédios, podendo agravar sua situação de saúde. Sempre consulte um médico antes de ingerir medicamentos, pois qualquer fármaco deve ser utilizado com prescrição e orientação.

A PANDEMIA NO MUNICÍPIO DE SÃO PEDRO DO SUL

 São Pedro do Sul é uma das cidades que ainda não registraram casos confirmados de Coronavírus no Estado, apesar de estar próximo de Santa Maria, que até esta quarta-feira, 20, já contabilizava 125 casos confirmados da doença e 1.895 suspeitos. Segundo Priscila Martini, Assessora de Comunicação da Prefeitura de São Pedro do Sul, o município estava atento sobre o vírus antes mesmo dele chegar ao Brasil. No dia 9 de fevereiro a Secretaria de Saúde e o Hospital Municipal promoveram uma palestra com um médico infectologista no Lions Clube, mas apesar de ter sido divulgada, não obteve muita participação do público. Além disso, também em fevereiro a Prefeita Ziania Bolzan esteve reunida com os secretários de saúde, educação e administração a fim de discutir estratégias no combate ao coronavírus no município, visto que o cenário da época anunciava a aproximação da doença. Nesta reunião ficou acertado que a higienização seria intensificada em todos os setores, bem como seriam levadas mais informações à população na busca de conscientização. Até o momento a Prefeitura já emitiu decretos que informam a situação de calamidade pública, a intensificação do distanciamento social, suspensão das aulas, fechamento do comércio e a obrigatoriedade do uso de máscara.

AÇÕES MUNICIPAIS

Uma das ações realizadas pelo município nos últimos dias foi a distribuição de máscaras para a população. Segundo a Secretária da Secretaria de Desenvolvimento Social, Cristiane Parnov, a administração ganhou da Associação Comercial e Industrial (ACI) uma grande quantidade de tecido, linha e elásticos, e a Secretaria de Desenvolvimento Social disponibilizou recursos para que uma costureira realizasse a confecção das máscaras. “O pedido total foi para a confecção de 3.375 unidades,  grande quantidade já foi costurada e repassada à Secretaria de Saúde para que as agentes comunitárias façam a distribuição. A Secretaria de Desenvolvimento e Setor do Bolsa Família estão confeccionando mais máscaras. Essas últimas serão distribuídas para usuários da assistência.”, relata a secretária Cristiane.

A Assessoria de Comunicação da Prefeitura informou que a entrega das máscaras produzidas pelas costureiras foi realizada através das Agentes Comunitárias de Saúde na praça, nas filas de bancos e lotérica do município, onde também prestaram orientações sobre o uso correto da máscara e para que sejam evitadas aglomerações.

Além disso, a Secretaria de Desenvolvimento Social distribuiu mais de 500 cestas básicas desde março, com itens comprados pela própria secretaria e também com a colaboração das entidades como Rotary Club, Lions Clube, Lojas Maçônicas e doações da população que doou alimentos nos supermercados da cidade por meio de uma campanha da Secretaria de Desenvolvimento Social. “Aproximadamente 500 famílias receberam esta ajuda, famílias que estavam passando por alguma vulnerabilidade. As 500 cestas resultaram em aproximadamente 5.000 kg de alimentos”, ressalta Cristiane. A Defesa Civil do Estado doou 30 cestas básicas para São Pedro do Sul, embora o município tivesse solicitado um número maior.

A secretaria continua trabalhando nesta ação, pois algumas famílias ainda estão solicitando ajuda. No entanto, a demanda está menor, já que as famílias estão em sua grande maioria recebendo o auxílio dos 600 reais que ajudou muitas pessoas em situação de vulnerabilidade.

 O Boletim é atualizado todos os dias automaticamente pelo sistema da Secretaria de Saúde com informações alimentadas pela equipe epidemiológica do município, e é divulgado na página do Facebook da Prefeitura de São Pedro do Sul aproximadamente três vezes na semana.

 

Esta  reportagem integra o Projeto Experimental em Jornalismo que busca aproximar a informação científica da comunidade de São Pedro do Sul, a fim de combater a desinformação e as Fake News por meio da produção de conteúdo com base científica, produzido pela acadêmica Lilian Streb sob orientação da professora Carla Torres.

Imagem de Olga Lionart /Pixabay 

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