Arquivos por palavra-chave: memória

Discoteca da Memória: favoritos do autor

Hoje a coluna será diferente, mas nem tanto. Uma recomendação pessoal dos meus três discos favoritos. Afinal, nada é melhor do que falar daquilo que a gente gosta, não é verdade? O favoritismo pode pesar aqui, mas é impossível não demonstrar afeto por nossos crushs e mozões. The Stooges – Fun House (1970)   Ah, os Stooges. Eu amo os Stooges. Iggy (ainda sem o Pop), os irmãos Asheton, Ron e Scott, e Dave Alexander. Descobertos […]

Discoteca da Memória: a sofrência

Quer queiram, quer não, ninguém pode se livrar das garras desse amor gostoso. Ou passamos a sofrer da terrível sofrência. A seguir, três discos repletos de dor, causada pelos sentimentos perdidos e inatingidos do amor, aquele monstro sádico. Derek and the Dominos – Layla and Other Assorted Love Songs (1970)  Lá pelos idos da década de 60 Eric Clapton se encontrava na pior. Estava apaixonado por Pattie Boyd, já comprometida. E pior, esposa de seu […]

Discoteca da memória: três discos brasileiros

Cada disco representando três décadas diferentes e estilos diferentes, e contendo altas doses de singularidade em sua sonoridade. Gal Costa – Gal (1969)    Em 1969 o AI-5 estava em alta. Caetano e Gil, presos, logo se exilaram em Londres. Sem seus dois membros fundadores e mais importantes, o tropicalismo estava fadado ao fim. Gal, sua protegida, se viu sozinha. Era a única figura de maior renome do movimento em seu país. Os Mutantes já […]

Discoteca da Memória: entre a beleza e o caos

A ideia original desta coluna era seguir uma ordem cronológica já estabelecida por mim, envolvendo 120 discos. Percebi que isso iria demorar muito, e a missão foi abortada. Esta será a última coluna a seguir este padrão. Na próxima, dividirei discos por temática, sonoridade ou algo em comum. Até porque fica mais interessante assim. Love – Forever Changes (1967)  Sublime. Esta é a melhor palavra que define Forever Changes. O terceiro disco do Love marca […]

Discoteca da Memória: o ano é 1967

Antes de tudo, um adendo: a parte chata de redigir aquilo que lhe passa pela cabeça é que, ao reler seu texto diversas vezes, você percebe que esqueceu de mencionar uma ou outra coisa a mais. É uma perturbação interna dos infernos isso. Mas seguimos em frente. Na coluna de hoje estão presentes cinco discos clássicos de 1967 que fizeram história, ao inovar no conceito de música pop e inventar novos estilos que entrariam em […]

Discoteca da Memória

Já dizia o poeta: recordar é viver. Na Discoteca da Memória busco recomendar discos sob um ponto de vista pessoal, de forma descontraída e livre de amarras. A ideia é baseada na escrita do jornalista norte-americano Robert Christgau, notório pelas suas resenhas curtas e autorais, publicadas desde 1969 em diversos veículos. O objetivo é resgatar discos que fizeram história, e outros nem tanto, perdidos no tempo. Álbuns musicais são um tesouro da humanidade. Sem eles, […]

A ditadura em Santa Maria, uma conversa pública e necessária

Na última quinta-feira,17, um tema duro da história brasileira foi retomado na forma de Conversa Pública: “A Ditadura em Santa Maria: Testemunhos da repressão e da resistência”. O seminário foi organizado pela APPOA (Associação Psicanalítica de Porto Alegre), através do projeto “Clínicas do Testemunho”, um projeto da Comissão de Anistia/Ministério da Justiça que visa a acolher testemunhos de pessoas afetadas pela ditadura civil-militar no Brasil, discutindo os efeitos psíquicos, sociais e políticos da violência de Estado. Segundo […]

Bolo Inglês

Havia um tempo em que a responsabilidade era bem menor e a vida mais feliz. Quando se é criança não temos noção do que nos cerca e pequenas coisas marcam, ficam guardadas eternamente na memória. Eu tinha meus cinco, seis anos, e estava entrando na pré-escola – o adulto é tão idiota que quando somos adolescentes e queremos logo envelhecer para chegar nessa fase, somos as pessoas mais insuportáveis do mundo-! Enfim, existia a expectativa […]

Ontem éramos crianças, hoje somos máquinas

Eu não sentiria falta da pontada do barulho que os morcegos fazem na minha janela. Não sentiria falta daquela peça encrustada de poeira que vejo da mesa da cozinha com a cabeça bêbada escorada no azulejo. Sinto muita falta do que meus braços já não podem alcançar. Do que me é privado pelo espaço, pelo tempo, pela geografia e pela dimensão. Sinto falta da minha mãe, do meu pai e do meu gato xadrez. Do […]