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Santa Maria, RS, Brazil

Ativismo cultural: é nesse sentido que Santa Maria ferve

São os empreendedores culturais, que fazem a “cidade cultura” não estagnar, jovens e adultos, inquietos, ambiciosos, criativos, questionadores e duros. Somos.

O cenário cultural em Santa Maria é múltiplo e contribui, numa velocidade incomparável, para que a disseminação de estilos musicais seja, também, variada. Essa realidade é estampada no surgimento e consequente permanência de ambientes que agregam entre suas dinâmicas culturais, a música.

Um desses espaços, exemplo consistente de como essa inserção é referência em Santa Maria, é o Macondo Lugar, onde, segundo Atílio Alencar, seu fundador, a vertente musical foi incluída de forma crescente e muito positiva. “Quando abrimos o Macondo Lugar não tínhamos a intenção de trabalhar com uma casa de shows. A ideia era que o espaço abrigasse linguagens artísticas das mais variadas. A casa se tornou, de forma gradual, um palco para a música independente num processo muito interessante, quando a mobilização de artistas, público e gestores apontou para esse caminho”, explica.

Isso amplia consideravelmente as oportunidades de divulgação das bandas e enriquece o cenário cultural de Santa Maria. “No caso do Macondo Lugar, sempre tentamos equilibrar a programação com bandas locais, para valorizar e fomentar a cena da cidade, e as nacionais, buscando a formação de público para a música independente brasileira”, reflete.

São esses trabalhos, cuja iniciativa é independente, que garantem a movimentação cultural. Se não fosse o papel dos produtores e agitadores culturais que se dedicam para que toda essa produção chegue ao público, através das mais diversas correntes, a cena cultural não teria tanta efervescência em Santa Maria. E, para que isso de fato aconteça Atílio ressalta pontos fundamentais a serem trabalhados: rediscutir a economia da cultura, a democratização do acesso e a comunicação plural.

Para o ativista, a cultura é possível em qualquer lugar quando ampliamos os horizontes e passamos a considerar também outras e novas noções de bens culturais. Ou seja, compreender o sentido forte de cultura. Levar à análise e à interpretação de bens culturais de maneira a dar suporte para que o público possa refletir, por meio das artes e da produção cultural, as formas de organização de uma sociedade, por exemplo.

Atílio Alencar. Arquivo Pessoal.

ATÍLIO ALENCAR – Ativista cultural formado em História pela UFSM, gestor do Fora do Eixo, coordenador da regional sul da Rede Brasil de Festivais e fundador do Macondo Lugar. http://www.casafdepoa.org/

“O importante é se assumir enquanto protagonista social, ser propositivo mesmo, provocar o poder público e a iniciativa privada, sempre, com a intenção de consolidar políticas públicas mais inclusivas.”

O mesmo aconteceu com o Boteco do Rosário. Leornado Retamoso Palma, 43 anos, um dos sócios do Bar, que abriu as portas no dia 25 de janeiro de 2011, revela como a música ganhou espaço nesse empreendimento.”A música praticamente conquistou dimensão no Boteco como expressão forte e irrecusável, assim como á uma força do teatro – penso aqui nas Pausas Dramáticas, por exemplo. Desde que a demanda dos músicos por campo de trabalho atravessou o ambiente que havíamos criado, compreendemos o Boteco do Rosário como espaço que acolhe um pouco, não tudo, da diversidade da produção musical local – Rock, Blues, Jazz, Samba, Samba-rock, Soul, Eletro-rock, MPB, Música de Câmara, Choro, Reggae”.

Para Leonardo, a dinâmica musical de Santa Maria pode ser analisada sobre dois aspectos: a vasta produção apoiada em qualidade profissional o fornecimento de todo esse conteúdo ao público. “Primeiro, penso que há na cidade uma continuada e rica produção cultural, que encontra também na música uma de suas formas de expressão desejáveis. Contam nesse processo tanto a mobilização dos desejos que agregam as pessoas na formação de bandas, estúdios coletivos, espaços de apresentação, que efetivamente existem, e que viabilizam encontros por afinidades das pessoas umas com as outras – composição importante para formação de públicos novos e do público já existente”, explica.

O segundo ponto considerado diz respeito justamente aos espaços disponíveis, que abraçam toda essa oferta musical e cultural e que permitem sua permanência em Santa Maria. “Há lugares de acolhimento para essas dinâmicas todas, o que dá condições para a continuidade, as mutações e transformações transgeracionais interessantes, que garantem vitalidade e inovação”, expõe.

Leonardo Palma. Arquivo Pessoal.

LEONARDO RETAMOSO PALMA – Agitador cultural, integrante da rede de ativistas Rede Universidade Nômade, colaborador e membro do conselho editorial da revista Global Brasil, editor dos blogs DESOBEDECENDO, também, integrante do coletivo de tradutores independentes ATTRAVERSO e da Associação de Produtores Independentes MACONDO COLETIVO, e sócio do Boteco do Rosário.

 

http://www.revistaglobalbrasil.com.br/

http://www.culturadigital.br/desobedecendo/

http://desobedecendo.blogspot.com/

“Venho do ativismo cultural, já estive por muito tempo envolvido com edição de revistas e jornais, tradução, produção, criação poética, criação de revistas e jornais, produção de textos, organização de seminários, encontros, e o que o valha. Já fiz muita fala em encontros acadêmicos e científicos, simpósios, etc. Formação de professores, idem.” 

por Mariane Bevilaqua Dall’Asta

Produção da Turma de Jornalismo Online, 2º semestre de Jornalismo, Profa. Daniela Hinerasky.

 

 

 

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São os empreendedores culturais, que fazem a “cidade cultura” não estagnar, jovens e adultos, inquietos, ambiciosos, criativos, questionadores e duros. Somos.

O cenário cultural em Santa Maria é múltiplo e contribui, numa velocidade incomparável, para que a disseminação de estilos musicais seja, também, variada. Essa realidade é estampada no surgimento e consequente permanência de ambientes que agregam entre suas dinâmicas culturais, a música.

Um desses espaços, exemplo consistente de como essa inserção é referência em Santa Maria, é o Macondo Lugar, onde, segundo Atílio Alencar, seu fundador, a vertente musical foi incluída de forma crescente e muito positiva. “Quando abrimos o Macondo Lugar não tínhamos a intenção de trabalhar com uma casa de shows. A ideia era que o espaço abrigasse linguagens artísticas das mais variadas. A casa se tornou, de forma gradual, um palco para a música independente num processo muito interessante, quando a mobilização de artistas, público e gestores apontou para esse caminho”, explica.

Isso amplia consideravelmente as oportunidades de divulgação das bandas e enriquece o cenário cultural de Santa Maria. “No caso do Macondo Lugar, sempre tentamos equilibrar a programação com bandas locais, para valorizar e fomentar a cena da cidade, e as nacionais, buscando a formação de público para a música independente brasileira”, reflete.

São esses trabalhos, cuja iniciativa é independente, que garantem a movimentação cultural. Se não fosse o papel dos produtores e agitadores culturais que se dedicam para que toda essa produção chegue ao público, através das mais diversas correntes, a cena cultural não teria tanta efervescência em Santa Maria. E, para que isso de fato aconteça Atílio ressalta pontos fundamentais a serem trabalhados: rediscutir a economia da cultura, a democratização do acesso e a comunicação plural.

Para o ativista, a cultura é possível em qualquer lugar quando ampliamos os horizontes e passamos a considerar também outras e novas noções de bens culturais. Ou seja, compreender o sentido forte de cultura. Levar à análise e à interpretação de bens culturais de maneira a dar suporte para que o público possa refletir, por meio das artes e da produção cultural, as formas de organização de uma sociedade, por exemplo.

Atílio Alencar. Arquivo Pessoal.

ATÍLIO ALENCAR – Ativista cultural formado em História pela UFSM, gestor do Fora do Eixo, coordenador da regional sul da Rede Brasil de Festivais e fundador do Macondo Lugar. http://www.casafdepoa.org/

“O importante é se assumir enquanto protagonista social, ser propositivo mesmo, provocar o poder público e a iniciativa privada, sempre, com a intenção de consolidar políticas públicas mais inclusivas.”

O mesmo aconteceu com o Boteco do Rosário. Leornado Retamoso Palma, 43 anos, um dos sócios do Bar, que abriu as portas no dia 25 de janeiro de 2011, revela como a música ganhou espaço nesse empreendimento.”A música praticamente conquistou dimensão no Boteco como expressão forte e irrecusável, assim como á uma força do teatro – penso aqui nas Pausas Dramáticas, por exemplo. Desde que a demanda dos músicos por campo de trabalho atravessou o ambiente que havíamos criado, compreendemos o Boteco do Rosário como espaço que acolhe um pouco, não tudo, da diversidade da produção musical local – Rock, Blues, Jazz, Samba, Samba-rock, Soul, Eletro-rock, MPB, Música de Câmara, Choro, Reggae”.

Para Leonardo, a dinâmica musical de Santa Maria pode ser analisada sobre dois aspectos: a vasta produção apoiada em qualidade profissional o fornecimento de todo esse conteúdo ao público. “Primeiro, penso que há na cidade uma continuada e rica produção cultural, que encontra também na música uma de suas formas de expressão desejáveis. Contam nesse processo tanto a mobilização dos desejos que agregam as pessoas na formação de bandas, estúdios coletivos, espaços de apresentação, que efetivamente existem, e que viabilizam encontros por afinidades das pessoas umas com as outras – composição importante para formação de públicos novos e do público já existente”, explica.

O segundo ponto considerado diz respeito justamente aos espaços disponíveis, que abraçam toda essa oferta musical e cultural e que permitem sua permanência em Santa Maria. “Há lugares de acolhimento para essas dinâmicas todas, o que dá condições para a continuidade, as mutações e transformações transgeracionais interessantes, que garantem vitalidade e inovação”, expõe.

Leonardo Palma. Arquivo Pessoal.

LEONARDO RETAMOSO PALMA – Agitador cultural, integrante da rede de ativistas Rede Universidade Nômade, colaborador e membro do conselho editorial da revista Global Brasil, editor dos blogs DESOBEDECENDO, também, integrante do coletivo de tradutores independentes ATTRAVERSO e da Associação de Produtores Independentes MACONDO COLETIVO, e sócio do Boteco do Rosário.

 

http://www.revistaglobalbrasil.com.br/

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http://desobedecendo.blogspot.com/

“Venho do ativismo cultural, já estive por muito tempo envolvido com edição de revistas e jornais, tradução, produção, criação poética, criação de revistas e jornais, produção de textos, organização de seminários, encontros, e o que o valha. Já fiz muita fala em encontros acadêmicos e científicos, simpósios, etc. Formação de professores, idem.” 

por Mariane Bevilaqua Dall’Asta

Produção da Turma de Jornalismo Online, 2º semestre de Jornalismo, Profa. Daniela Hinerasky.