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Santa Maria, RS, Brazil

Os desafios de um grupo teatral na difusão da cultura

Foto Divulgação

Um grupo de cinco pessoas produz espetáculos teatrais e faz apresentações no Teatro Universitário Independente, o TUI, desde 1961, sem incentivo estatal e com recursos dos próprios integrantes. Além de ser a profissão de cada um deles, a iniciativa movimenta a arte e a cultura em Santa Maria. Inicialmente vinculado á UFSM pela formação dos acadêmicos, hoje apenas é organizado por bacharéis em artes cênicas da universidade, que forma o TUI. O teatro universitário existe há 50 anos e foi fundado por Clênio Faccin

Cristiano Bitencourt, pedagogo formado pela UNIFRA e que há a 17 anos faz parte do teatro universitário comenta. “Somos cinco pessoas que realizam apresentações e mantêm o TUI ativo”. A sede que se localiza no Bairro do Rosário há mais de 20 anos, abriga também o Espaço Cultural Victorio Faccin, onde acontecem as peças teatrais. O local tem capacidade para receber até 100 pessoas.

O número 380 da Rua Duque de Caxias guarda um acervo de roupas, bonecos e outras ferramentas que compõem as peças teatrais que são apresentadas frequentemente por alunos ou pessoas da comunidade que locam o ambiente para expor obras de arte ou encenar. Um dos administradores do local, Cristiano critica a falta de incentivo por parte dos órgãos públicos da cidade.

Perguntado se Santa Maria é uma cidade cultura, a resposta é negativa. “Santa Maria apenas realiza muitos eventos culturais, é preciso que se crie dentro do leque cultural, um apoio para que esses grupos consigam se mantiver em atividade” afirma o pedagogo que ainda explica o sistema de captação de recursos para os eventos. “Existe uma lei municipal de incentivo a cultura que viabiliza para projetos da cidade, porém sempre são três projetos que são aprovados”, critica. De acordo com Cristiano, um levantamento feito na planilha da lei nos últimos dez anos, sempre acaba favorecendo o Santa Maria Vídeo e Cinema, Theatro Treze de Maio e a FEISMA. “O artista não tem o domínio mercadológico que um grande produtor cultural dispõe e os grupos pequenos ficam restritos, pois é mais vantajoso divulgar no centro do que na periferia da cidade” diz Cristiano.

Ainda sobre os recursos da LIC (lei de incentivo a cultura), o ator conta que há uma falha quanto à inclusão da FEISMA. “É uma feira industrial, mas capta incentivo da lei, pois são contratados atores e músicos que acabam mascarando o evento como cultural” alerta. E dessa forma, grupos pequenos que divulgam a arte acabam não recebendo apoio financeiro. Cristiano também ressalta que de acordo com a lei, é proibido que a secretaria de cultura recebesse recursos para seus projetos. “E os três são patrocinados e tem o apoio da secretaria” afirma.

Um dado chama atenção por sua relevância em uma cidade que já almejou receber o título nacional de “cidade cultura”: Santa Maria em sua lei municipal, sequer conta com uma cláusula que especifique cultura. Grupos teatrais como o TUI, são incluídos como centros de lazer noturno. Mais uma crítica dos organizadores do Espaço Cultural. “Já fomos reivindicar quanto a isso, pois somos colocados em categorias diferente da nossa” alerta Cristiano.

O TUI atualmente é mantido através da bilheteria arrecadada com as apresentações, as locações que acontecem e por doações feitas em grande parte dos próprios integrantes. “Temos mensalmente um gasto que gira em torno de 700 a 800 reais, mas as despesas são muitas para manter na atividade o teatro” afirma.

Para um dos organizadores do TUI, a sociedade de Santa Maria não consome cultura. “Brasileiro não vai ao teatro porque não faz parte de nossa essência, é uma falha cultural de nosso país” encerra Cristiano.

Quem deseja conhecer o espaço cultural Victor Faccim e os espetáculos do Teatro Universitário Independente, pode conferir aos finais de semana as peças teatrais ou se informar sobre a agenda através do 3217-6600.

 

por Mateus Barreto

 

Produção da Turma de Jornalismo Online, 2º semestre de Jornalismo, Profa. Daniela Hinerasky.

 

 

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Um grupo de cinco pessoas produz espetáculos teatrais e faz apresentações no Teatro Universitário Independente, o TUI, desde 1961, sem incentivo estatal e com recursos dos próprios integrantes. Além de ser a profissão de cada um deles, a iniciativa movimenta a arte e a cultura em Santa Maria. Inicialmente vinculado á UFSM pela formação dos acadêmicos, hoje apenas é organizado por bacharéis em artes cênicas da universidade, que forma o TUI. O teatro universitário existe há 50 anos e foi fundado por Clênio Faccin

Cristiano Bitencourt, pedagogo formado pela UNIFRA e que há a 17 anos faz parte do teatro universitário comenta. “Somos cinco pessoas que realizam apresentações e mantêm o TUI ativo”. A sede que se localiza no Bairro do Rosário há mais de 20 anos, abriga também o Espaço Cultural Victorio Faccin, onde acontecem as peças teatrais. O local tem capacidade para receber até 100 pessoas.

O número 380 da Rua Duque de Caxias guarda um acervo de roupas, bonecos e outras ferramentas que compõem as peças teatrais que são apresentadas frequentemente por alunos ou pessoas da comunidade que locam o ambiente para expor obras de arte ou encenar. Um dos administradores do local, Cristiano critica a falta de incentivo por parte dos órgãos públicos da cidade.

Perguntado se Santa Maria é uma cidade cultura, a resposta é negativa. “Santa Maria apenas realiza muitos eventos culturais, é preciso que se crie dentro do leque cultural, um apoio para que esses grupos consigam se mantiver em atividade” afirma o pedagogo que ainda explica o sistema de captação de recursos para os eventos. “Existe uma lei municipal de incentivo a cultura que viabiliza para projetos da cidade, porém sempre são três projetos que são aprovados”, critica. De acordo com Cristiano, um levantamento feito na planilha da lei nos últimos dez anos, sempre acaba favorecendo o Santa Maria Vídeo e Cinema, Theatro Treze de Maio e a FEISMA. “O artista não tem o domínio mercadológico que um grande produtor cultural dispõe e os grupos pequenos ficam restritos, pois é mais vantajoso divulgar no centro do que na periferia da cidade” diz Cristiano.

Ainda sobre os recursos da LIC (lei de incentivo a cultura), o ator conta que há uma falha quanto à inclusão da FEISMA. “É uma feira industrial, mas capta incentivo da lei, pois são contratados atores e músicos que acabam mascarando o evento como cultural” alerta. E dessa forma, grupos pequenos que divulgam a arte acabam não recebendo apoio financeiro. Cristiano também ressalta que de acordo com a lei, é proibido que a secretaria de cultura recebesse recursos para seus projetos. “E os três são patrocinados e tem o apoio da secretaria” afirma.

Um dado chama atenção por sua relevância em uma cidade que já almejou receber o título nacional de “cidade cultura”: Santa Maria em sua lei municipal, sequer conta com uma cláusula que especifique cultura. Grupos teatrais como o TUI, são incluídos como centros de lazer noturno. Mais uma crítica dos organizadores do Espaço Cultural. “Já fomos reivindicar quanto a isso, pois somos colocados em categorias diferente da nossa” alerta Cristiano.

O TUI atualmente é mantido através da bilheteria arrecadada com as apresentações, as locações que acontecem e por doações feitas em grande parte dos próprios integrantes. “Temos mensalmente um gasto que gira em torno de 700 a 800 reais, mas as despesas são muitas para manter na atividade o teatro” afirma.

Para um dos organizadores do TUI, a sociedade de Santa Maria não consome cultura. “Brasileiro não vai ao teatro porque não faz parte de nossa essência, é uma falha cultural de nosso país” encerra Cristiano.

Quem deseja conhecer o espaço cultural Victor Faccim e os espetáculos do Teatro Universitário Independente, pode conferir aos finais de semana as peças teatrais ou se informar sobre a agenda através do 3217-6600.

 

por Mateus Barreto

 

Produção da Turma de Jornalismo Online, 2º semestre de Jornalismo, Profa. Daniela Hinerasky.