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“Don’t play this game”: obesidade infantil

Foto: Divulgação

Ligue a TV, sente no sofá, deixe o bonequinho do Batman dentro da caixa de brinquedos e dê um “start” na diversão. Sim, estamos em um relacionamento sério com gadgets e o mundo eletrônico. Temos crianças e jovens  mais jogadores e menos esportistas. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 40% do Brasil está obeso, e desses 14% são crianças. O peso que para nossos avós e bisavós era considerado saúde, hoje está crescendo em efeito dominó e as causas são várias. Mas afinal, o que a popularização das novas tecnologias adiciona a essa história? Como lidar com a obesidade infantil nessa era digital?

A nutricionista responsável por uma clínica de cirurgia de obesidade e aparelho digestivo, Luciana Patias, acredita que as novas tecnologias têm um impacto muito negativo na saúde alimentar das crianças porque, segunda ela, estão associadas diretamente ao sedentarismo: “É muito mais cômodo para o jovem ou criança ficar sentada na companhia de seu aparelho eletrônico e saciar sua fome com uma bolachinha, refrigerante ou os famosos “fast foods”, verdadeiros criminosos da saúde, ao mesmo tempo em que se divertem eletronicamente. Para os pais isso cai como uma luva, que acabam abastecendo seus filhos com comidas rápidas e de fácil acesso, sem maiores preocupações”, elucida.

Luciana acredita ainda que o mundo digital corroborou para o esquecimentos das habituais brincadeiras ao ar livre. “Hoje se tem o mundo nas mãos, seja ele via videogame, celular, tablets ou computadores. A questão é que as crianças já nascem conectadas, e nesse sentido as brincadeiras convencionais não têm o mesmo brilho que tinham antigamente, impedindo assim as atividades físicas”.

 Além do sedentarismo, o tipo de alimentação consumido durante essas atividades são fatores complicadores para o aumento de peso. A química Jossiele Leitemperger atenta sobre os perigos dos fast foods, refrigerantes e derivados: “Esses alimentos possuem muitos conservantes químicos. Todos esses aditivos fazem muito mal para a formação da estrutura corporal da criança ou adolescente, já que o número de sódio é elevado para que o produto tenha longo período de vida. O problema é que isso pode acarretar em sobrepeso e problemas de pressão arterial muito cedo”, completa a química.

Uma das saídas econtradas pelos pais dessas crianças que estão acima do peso é orientá-los a consumir produtos lights e diets, como se fosse uma solução definitiva: “Em adição a má alimentação estão os refrigerantes, que por si só já são um veneno, o grande problema é que ultimamente a indústria tem vendido produtos como ‘Coca-Cola Zero’ como produtos sem teor calórico, o que de fato é real, o problema é que em substituição a isso o número de sódio é elevado, e no fim a falta de calorias se complementa nos riscos propiciados pelo sal. Bem, e não é preciso dizer que com todo esse mundo interligado tudo isso cai como uma luva para todos envolvidos”, argumenta Jocieli. 

Por outro lado, as próprias empresas de tecnologia têm oferecido alternativas de aplicativos que incentivam uma vida saudável e até dietas balanceadas. A própri empresa de games Nintendo já abriu um leque infinito de possibilidades para unir o útil ao agradável. O lançamento do Nintendo Wii em 2006 alterou a rotina de muitas pessoas e gamers no mundo: “Hoje, no mercado, existem vários softwares com a função de educar crianças e jovens sobre como comer de forma saudável, e isso vem desde filmes interativos a jogos digitais. Cito como projeto de sucesso o Nintendo Wii, vídeo-game que quebrou o paradigma de ficarmos sentados no sofá, fazendo com que chacoalhar controles se tornasse algo divertido e saudável, ao mesmo tempo em que supre o apetite tecnológico das crianças”, explica a nutricionista Luciana.

Mas o combo “Tecnologia+alimentação” é uma realidade do cenário recente que exige atenção das famílias: “A tecnologia está aí, não vai embora e todos viramos dependentes dela, por isso, os pais devem usar a mesma a seu favor”, completa.

Por Iuri Patias 

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Uma resposta

  1. Visto que a prevalência da obesidade se agiganta no mundo moderno e considerando as implicações desastrosas para a saúde desta patologia interessa desenvolver formas de a prevenir. No entanto uma excessiva atenção focalizada na alimentação e no excesso de peso tem também impacto negativo. Até que ponto uma atitude diferente da sociedade e dos agentes de saúde face ao excesso de peso, no sentido o sujeito com excesso de peso se aceitar e se apreciar, em parte, como expressão da variabilidade humana, não se traduziria na diminuição da frequência das dietas restritivas que culminam geralmente em mais peso e obesidade.

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Ligue a TV, sente no sofá, deixe o bonequinho do Batman dentro da caixa de brinquedos e dê um “start” na diversão. Sim, estamos em um relacionamento sério com gadgets e o mundo eletrônico. Temos crianças e jovens  mais jogadores e menos esportistas. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 40% do Brasil está obeso, e desses 14% são crianças. O peso que para nossos avós e bisavós era considerado saúde, hoje está crescendo em efeito dominó e as causas são várias. Mas afinal, o que a popularização das novas tecnologias adiciona a essa história? Como lidar com a obesidade infantil nessa era digital?

A nutricionista responsável por uma clínica de cirurgia de obesidade e aparelho digestivo, Luciana Patias, acredita que as novas tecnologias têm um impacto muito negativo na saúde alimentar das crianças porque, segunda ela, estão associadas diretamente ao sedentarismo: “É muito mais cômodo para o jovem ou criança ficar sentada na companhia de seu aparelho eletrônico e saciar sua fome com uma bolachinha, refrigerante ou os famosos “fast foods”, verdadeiros criminosos da saúde, ao mesmo tempo em que se divertem eletronicamente. Para os pais isso cai como uma luva, que acabam abastecendo seus filhos com comidas rápidas e de fácil acesso, sem maiores preocupações”, elucida.

Luciana acredita ainda que o mundo digital corroborou para o esquecimentos das habituais brincadeiras ao ar livre. “Hoje se tem o mundo nas mãos, seja ele via videogame, celular, tablets ou computadores. A questão é que as crianças já nascem conectadas, e nesse sentido as brincadeiras convencionais não têm o mesmo brilho que tinham antigamente, impedindo assim as atividades físicas”.

 Além do sedentarismo, o tipo de alimentação consumido durante essas atividades são fatores complicadores para o aumento de peso. A química Jossiele Leitemperger atenta sobre os perigos dos fast foods, refrigerantes e derivados: “Esses alimentos possuem muitos conservantes químicos. Todos esses aditivos fazem muito mal para a formação da estrutura corporal da criança ou adolescente, já que o número de sódio é elevado para que o produto tenha longo período de vida. O problema é que isso pode acarretar em sobrepeso e problemas de pressão arterial muito cedo”, completa a química.

Uma das saídas econtradas pelos pais dessas crianças que estão acima do peso é orientá-los a consumir produtos lights e diets, como se fosse uma solução definitiva: “Em adição a má alimentação estão os refrigerantes, que por si só já são um veneno, o grande problema é que ultimamente a indústria tem vendido produtos como ‘Coca-Cola Zero’ como produtos sem teor calórico, o que de fato é real, o problema é que em substituição a isso o número de sódio é elevado, e no fim a falta de calorias se complementa nos riscos propiciados pelo sal. Bem, e não é preciso dizer que com todo esse mundo interligado tudo isso cai como uma luva para todos envolvidos”, argumenta Jocieli. 

Por outro lado, as próprias empresas de tecnologia têm oferecido alternativas de aplicativos que incentivam uma vida saudável e até dietas balanceadas. A própri empresa de games Nintendo já abriu um leque infinito de possibilidades para unir o útil ao agradável. O lançamento do Nintendo Wii em 2006 alterou a rotina de muitas pessoas e gamers no mundo: “Hoje, no mercado, existem vários softwares com a função de educar crianças e jovens sobre como comer de forma saudável, e isso vem desde filmes interativos a jogos digitais. Cito como projeto de sucesso o Nintendo Wii, vídeo-game que quebrou o paradigma de ficarmos sentados no sofá, fazendo com que chacoalhar controles se tornasse algo divertido e saudável, ao mesmo tempo em que supre o apetite tecnológico das crianças”, explica a nutricionista Luciana.

Mas o combo “Tecnologia+alimentação” é uma realidade do cenário recente que exige atenção das famílias: “A tecnologia está aí, não vai embora e todos viramos dependentes dela, por isso, os pais devem usar a mesma a seu favor”, completa.

Por Iuri Patias