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Santa Maria, RS, Brazil

MEI: um novo perfil de empreendedor

Tomar as decisões da empresa, definir dias e horários de funcionamento, e fazer as regras da organização. Esses são um dos motivos pelos quais ser dono do próprio negócio foi o caminho escolhido por quase 10 mil santa-marienses.

Em um balanço realizado até 31 de março deste ano – pela Secretaria de Município de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Projetos Estratégicos – apontou que 9.238 pessoas se tornaram micros ou pequenos empreendedores. Desde 2009 vigora a Lei do Microempreendedor Individual (MEI), que ampara mais de 400 tipos de ocupações. Direito à aposentadoria e licença-doença são exemplos dos benefícios garantidos às pessoas formalizadas como MEI.

Um passo de confiança

Foto: arquivo Fine Food Express.
Foto: arquivo Fine Food Express.

“Chega um momento em que percebemos que nosso trabalho e idéias são fortes o suficiente para caminhar com as próprias pernas. Este momento acontece quando você tem a confiança e apoio de diversas pessoas”. Esta é a declaração de Bruno Bitencourt, personal trainer, dono de uma academia e de uma empresa de refeições fitness. Ele coordena uma equipe formada por 11 pessoas entre os dois investimentos. Para Bitencourt ser pequeno empresário tem seus pontos positivos e negativos. Segundo ele, há a possibilidade de criar suas regras, e de não depender de outros para realizar o que deseja. Porém, ressalta que ser empresário exige outras qualificações e funções, além daquela que já é exercida. “Ou você se prepara para ser empresário ou vai aprender no dia a dia e isso pode fazer com que você perca qualidade no trabalho que oferece. Por isso sugiro sempre que a pessoa tenha uma equipe e divida tarefas para não se sobrecarregar”, afirma o personal.

Conforme Bitencourt a rotina de trabalho e as experiências adquiridas contribuem para a formação profissional. ”Minha maior escola foi na prática. Cai no mercado de paraquedas. Me formei e não tinha possibilidade de emprego. Comecei captando clientes para atender na academia de outras pessoas até me sentir preparado para investir no meu espaço”, relembra. O empreendedor concilia duas atividades complementares: academia e a entrega de pratos saudáveis. “Eu já atendia como personal trainer e resolvi criar uma empresa de refeições para auxiliar as necessidades os clientes que tinham dificuldade de cozinhar e cuidar melhor da sua alimentação. Em seguida abri minha academia já oferecendo as refeições dentro do espaço”, revela Bitencourt.

Empreendedorismo gradual

Fachada do petshop. Foto: Camila Bolzan
Fachada do petshop. Foto: Camila Bolzan

Assim como há quem decide investir em seu projetos, há também aqueles que se tornam empreendedores em um processo gradual. Este foi o caso de Camila Bolzan, dona de uma Petshop há quase três anos. Após trabalhar em outras empresas do ramo, Camila passou a atender em casa, aceitando pedidos de amigos para dar banho em seus bichinhos de estimação. ”Comprei shampoo, perfume e enfeites no próprio pet onde eu trabalhava. Dei os primeiros banhos no banheiro mesmo e sequei com o meu secador de cabelo”, lembra a proprietária do estabelecimento.

O crescimento da empresa se deu graças às indicações dos amigos, e isso levou Camila a investir em produtos e equipamentos. Obstáculos como um local que atendesse a demanda, e o transporte dos animais surgiram, mas foram superados. Hoje, a recepção dos clientes é feita na loja, e Camila atende junto com namorado, Felipe Zanella. Para ela conciliar o atendimento ao público junto com a administração é o principal desafio, mas destaca que a vantagem é “decidir o que é melhor para a empresa e nossos clientes”.

Perfil empreendedor

De acordo com um levantamento feiro pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae –RS), Santa Maria está na quinta posição do ranking dos 20 municípios com maior concentração de MEIs. Conforme Rômulo Machado Vieira, responsável pela Gerência Regional Centro, entre 2013 a 2016 o número de MEIs cresceu 62,7%, no Rio Grande do Sul são 345.60o registros.

As atividades com maior número de microempreendedores são: o comércio e a prestação de serviços. Os ramos de instalação e manutenção elétrica, varejo de vestuário e acessório, são uma das atividades mais desenvolvidas, segundo a pesquisa realizada em 2015.

Com a “nossa cara”

Equipe da Pastel Store em entrevista no Calçadão. Foto|: arquivo Pastel Store
Equipe da Pastel Store em entrevista no Calçadão. Foto: arquivo Pastel Store

Desde 2013 Mário Finard e Jeferson Vilanova Reis trabalham em uma produtora audiovisual. “Após fazermos uma campanha política em conjunto, vimos que já trabalhávamos há tempos para outras produtoras, como “freela” ou  contratados, e que valia a pena criar uma empresa que fosse ‘a nossa cara’”, explica Finard.

Os dois sócios já trabalhavam nesta área antes de se reunirem e atualmente contam com mais dois profissionais para as produções. Estas duas pessoas atuam freelancers, mas de acordo com o pedido outros profissionais também são chamados.

Para Finard a autonomia para realizar o trabalho, sem imposições, é o melhor benefício de ser proprietário de uma empresa. Já a questão econômica, principalmente no momento atual do país, é o que mais preocupa o empreendedor. “O desafio é convencer o cliente de que um investimento maior resulta em um trabalho de melhor qualidade para a sua marca. Já na parte ficcional, a questão é pior vendo que vivemos no interior do RS e muitas vezes o “fazer cinema” é considerado algo desnecessário e sem futuro”, desabafa.

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Tomar as decisões da empresa, definir dias e horários de funcionamento, e fazer as regras da organização. Esses são um dos motivos pelos quais ser dono do próprio negócio foi o caminho escolhido por quase 10 mil santa-marienses.

Em um balanço realizado até 31 de março deste ano – pela Secretaria de Município de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Projetos Estratégicos – apontou que 9.238 pessoas se tornaram micros ou pequenos empreendedores. Desde 2009 vigora a Lei do Microempreendedor Individual (MEI), que ampara mais de 400 tipos de ocupações. Direito à aposentadoria e licença-doença são exemplos dos benefícios garantidos às pessoas formalizadas como MEI.

Um passo de confiança

Foto: arquivo Fine Food Express.
Foto: arquivo Fine Food Express.

“Chega um momento em que percebemos que nosso trabalho e idéias são fortes o suficiente para caminhar com as próprias pernas. Este momento acontece quando você tem a confiança e apoio de diversas pessoas”. Esta é a declaração de Bruno Bitencourt, personal trainer, dono de uma academia e de uma empresa de refeições fitness. Ele coordena uma equipe formada por 11 pessoas entre os dois investimentos. Para Bitencourt ser pequeno empresário tem seus pontos positivos e negativos. Segundo ele, há a possibilidade de criar suas regras, e de não depender de outros para realizar o que deseja. Porém, ressalta que ser empresário exige outras qualificações e funções, além daquela que já é exercida. “Ou você se prepara para ser empresário ou vai aprender no dia a dia e isso pode fazer com que você perca qualidade no trabalho que oferece. Por isso sugiro sempre que a pessoa tenha uma equipe e divida tarefas para não se sobrecarregar”, afirma o personal.

Conforme Bitencourt a rotina de trabalho e as experiências adquiridas contribuem para a formação profissional. ”Minha maior escola foi na prática. Cai no mercado de paraquedas. Me formei e não tinha possibilidade de emprego. Comecei captando clientes para atender na academia de outras pessoas até me sentir preparado para investir no meu espaço”, relembra. O empreendedor concilia duas atividades complementares: academia e a entrega de pratos saudáveis. “Eu já atendia como personal trainer e resolvi criar uma empresa de refeições para auxiliar as necessidades os clientes que tinham dificuldade de cozinhar e cuidar melhor da sua alimentação. Em seguida abri minha academia já oferecendo as refeições dentro do espaço”, revela Bitencourt.

Empreendedorismo gradual

Fachada do petshop. Foto: Camila Bolzan
Fachada do petshop. Foto: Camila Bolzan

Assim como há quem decide investir em seu projetos, há também aqueles que se tornam empreendedores em um processo gradual. Este foi o caso de Camila Bolzan, dona de uma Petshop há quase três anos. Após trabalhar em outras empresas do ramo, Camila passou a atender em casa, aceitando pedidos de amigos para dar banho em seus bichinhos de estimação. ”Comprei shampoo, perfume e enfeites no próprio pet onde eu trabalhava. Dei os primeiros banhos no banheiro mesmo e sequei com o meu secador de cabelo”, lembra a proprietária do estabelecimento.

O crescimento da empresa se deu graças às indicações dos amigos, e isso levou Camila a investir em produtos e equipamentos. Obstáculos como um local que atendesse a demanda, e o transporte dos animais surgiram, mas foram superados. Hoje, a recepção dos clientes é feita na loja, e Camila atende junto com namorado, Felipe Zanella. Para ela conciliar o atendimento ao público junto com a administração é o principal desafio, mas destaca que a vantagem é “decidir o que é melhor para a empresa e nossos clientes”.

Perfil empreendedor

De acordo com um levantamento feiro pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae –RS), Santa Maria está na quinta posição do ranking dos 20 municípios com maior concentração de MEIs. Conforme Rômulo Machado Vieira, responsável pela Gerência Regional Centro, entre 2013 a 2016 o número de MEIs cresceu 62,7%, no Rio Grande do Sul são 345.60o registros.

As atividades com maior número de microempreendedores são: o comércio e a prestação de serviços. Os ramos de instalação e manutenção elétrica, varejo de vestuário e acessório, são uma das atividades mais desenvolvidas, segundo a pesquisa realizada em 2015.

Com a “nossa cara”

Equipe da Pastel Store em entrevista no Calçadão. Foto|: arquivo Pastel Store
Equipe da Pastel Store em entrevista no Calçadão. Foto: arquivo Pastel Store

Desde 2013 Mário Finard e Jeferson Vilanova Reis trabalham em uma produtora audiovisual. “Após fazermos uma campanha política em conjunto, vimos que já trabalhávamos há tempos para outras produtoras, como “freela” ou  contratados, e que valia a pena criar uma empresa que fosse ‘a nossa cara’”, explica Finard.

Os dois sócios já trabalhavam nesta área antes de se reunirem e atualmente contam com mais dois profissionais para as produções. Estas duas pessoas atuam freelancers, mas de acordo com o pedido outros profissionais também são chamados.

Para Finard a autonomia para realizar o trabalho, sem imposições, é o melhor benefício de ser proprietário de uma empresa. Já a questão econômica, principalmente no momento atual do país, é o que mais preocupa o empreendedor. “O desafio é convencer o cliente de que um investimento maior resulta em um trabalho de melhor qualidade para a sua marca. Já na parte ficcional, a questão é pior vendo que vivemos no interior do RS e muitas vezes o “fazer cinema” é considerado algo desnecessário e sem futuro”, desabafa.