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Professores do ensino médio integram a Mostra das Profissões

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Prof. Matheus Weber, do Colégio Riachuelo, comenta sobre a Mostra. / Foto: Juliano Dutra / Laboratório de Fotografia e Memória

A 6ª Mostra das Profissões abre espaço para que alunos de anos finais do ensino médio e de cursinhos confiram na prática a área acadêmica de sua preferência, com visitações aos laboratórios dos cursos. Ao todo, são oito visitas guiadas por professores dos cursos durante os dois dias do evento. Os professores que acompanham os alunos até a Unifra também têm seu espaço especial para aproveitar a Mostra, onde são oferecidas oficinas, apresentações de programas da TV Unifra e coffee break.

Na tarde desta quarta-feira (28), enquanto os alunos do Colégio Riachuelo visitam os laboratórios, alguns de seus professores recebem mudas de plantas e temperos, além de terem um espaço pensado especialmente para que possam descansar e ter alguns “mimos”, como já a ACS relatou aqui.

E como os professores do ensino médio vêem um momento de integração como este? O professor de História Hevton Ferraz, do Colégio Riachuelo, diz que a aproximação entre escola e universidade é de extrema importância. “Os alunos têm condições de visualizar a futura profissão com informações de acadêmicos que já estão estudando e praticando”, afirma. Seu colega Matheus Weber, professor de Física na mesma instituição, concorda e ainda ressalta que, às vezes, o aluno pensa que um curso está direcionado para uma determinada área apenas, mas o campo de atuação é muito maior. “Esse próprio ambiente favorece e consegue direcionar os alunos aos cursos, principalmente aqueles alunos que ainda estão com dúvida sobre o que fazer na sua formação futura”, diz o professor.

Como o assunto mais comentado da semana é a Medida Provisória nº 746/2016, que visa mudanças no ensino médio, a ACS perguntou aos professores qual a influência – tanto positiva quanto negativa – que essas mudanças poderiam ter na escolha profissional, ainda na adolescência. “Acho que o Congresso não aprovará dentro destes 120 dias que tem para discutir a medida provisória, mas todas as mudanças são vistas com receio”, responde Hevton. “Qualquer curso precisa ter uma base, tanto de ciências humanas quanto de exatas. Se isso passar, teremos de nos adaptar. O próprio ENEM e o vestibular serão  modificados para terem dois modelos de prova”. O professor também afirma que, como existe um dinamismo na educação, “o aluno terá uma tendência, mas não vai deixar de lado aquelas que vão ficar sem ter obrigação de estudo”.

Já Weber acredita que a base escolar continuará existindo, uma vez que ela é essencial ter todas as disciplinas. “Somente com esta base os alunos terão capacidade de escolher o curso”. Diferente do que acontece na Finlândia, onde um sistema parecido foi previamente discutido e implementado, houve valorização profissional e incentivo governamental. No Brasil, Weber acredita que não haverá esse incentivo. “Se não houver essa discussão, a colaboração fica difícil. Eles [políticos] não atuam em sala de aula, não vivenciam os alunos e não sabem as dificuldades que eles têm, principalmente na rede pública”, afirma o professor. Ele também acredita que apenas aceitar as decisões do governo sem discussão apenas piora o sistema.

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Prof. Matheus Weber, do Colégio Riachuelo, comenta sobre a Mostra. / Foto: Juliano Dutra / Laboratório de Fotografia e Memória

A 6ª Mostra das Profissões abre espaço para que alunos de anos finais do ensino médio e de cursinhos confiram na prática a área acadêmica de sua preferência, com visitações aos laboratórios dos cursos. Ao todo, são oito visitas guiadas por professores dos cursos durante os dois dias do evento. Os professores que acompanham os alunos até a Unifra também têm seu espaço especial para aproveitar a Mostra, onde são oferecidas oficinas, apresentações de programas da TV Unifra e coffee break.

Na tarde desta quarta-feira (28), enquanto os alunos do Colégio Riachuelo visitam os laboratórios, alguns de seus professores recebem mudas de plantas e temperos, além de terem um espaço pensado especialmente para que possam descansar e ter alguns “mimos”, como já a ACS relatou aqui.

E como os professores do ensino médio vêem um momento de integração como este? O professor de História Hevton Ferraz, do Colégio Riachuelo, diz que a aproximação entre escola e universidade é de extrema importância. “Os alunos têm condições de visualizar a futura profissão com informações de acadêmicos que já estão estudando e praticando”, afirma. Seu colega Matheus Weber, professor de Física na mesma instituição, concorda e ainda ressalta que, às vezes, o aluno pensa que um curso está direcionado para uma determinada área apenas, mas o campo de atuação é muito maior. “Esse próprio ambiente favorece e consegue direcionar os alunos aos cursos, principalmente aqueles alunos que ainda estão com dúvida sobre o que fazer na sua formação futura”, diz o professor.

Como o assunto mais comentado da semana é a Medida Provisória nº 746/2016, que visa mudanças no ensino médio, a ACS perguntou aos professores qual a influência – tanto positiva quanto negativa – que essas mudanças poderiam ter na escolha profissional, ainda na adolescência. “Acho que o Congresso não aprovará dentro destes 120 dias que tem para discutir a medida provisória, mas todas as mudanças são vistas com receio”, responde Hevton. “Qualquer curso precisa ter uma base, tanto de ciências humanas quanto de exatas. Se isso passar, teremos de nos adaptar. O próprio ENEM e o vestibular serão  modificados para terem dois modelos de prova”. O professor também afirma que, como existe um dinamismo na educação, “o aluno terá uma tendência, mas não vai deixar de lado aquelas que vão ficar sem ter obrigação de estudo”.

Já Weber acredita que a base escolar continuará existindo, uma vez que ela é essencial ter todas as disciplinas. “Somente com esta base os alunos terão capacidade de escolher o curso”. Diferente do que acontece na Finlândia, onde um sistema parecido foi previamente discutido e implementado, houve valorização profissional e incentivo governamental. No Brasil, Weber acredita que não haverá esse incentivo. “Se não houver essa discussão, a colaboração fica difícil. Eles [políticos] não atuam em sala de aula, não vivenciam os alunos e não sabem as dificuldades que eles têm, principalmente na rede pública”, afirma o professor. Ele também acredita que apenas aceitar as decisões do governo sem discussão apenas piora o sistema.