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Economia

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A Petrobras anunciou a redução na refinaria dos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Justifica-se esse movimento pela mudança na estratégia de preços. Assim, elimina-se a chamada política de paridade de importação

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Durante a primeira metade do século XX, a Argentina era uma das maiores potências econômicas do mundo. Foi ao fim da Segunda Guerra Mundial que a economia do país sofreu uma derrocada fatal. Até hoje, o

No dia 27 de abril é comemorado o Dia Nacional da Empregada Doméstica. A data celebra as profissionais responsáveis pela arrumação e organização do lar, pelo preparo das refeições, pela limpeza, entre outras tarefas. Embora seja uma profissão de grande importância, as empregadas domésticas nem sempre tiveram (ou têm) seus direitos respeitados.

Nos últimos dez anos o número de empregada doméstica diminuiu no Brasil. Imagem: Vitória Oliveira/LABEFM

No ano de 2022, uma senhora, que atualmente tem 87 anos, foi resgatada em condições análogas à escravidão. O caso foi denunciado à imprensa, e amplamente divulgado, em 10 de março de 2024, e é a situação mais longeva já registrado, segundo a promotora do Ministério Público do Trabalho.  Os ex-patrões alegam que a senhora “era parte da família” e a defesa nega as acusações. Eles são acusados de trabalho análogo à escravidão e coação visto que, segundo a Justiça, as visitas dela à própria família eram controladas e o celular ficava com o patrão. Muitos casos como este já foram denunciados ao Ministério Público. A alegação dos patrões de que as funcionárias são “quase da família” serve de alerta, porque pode camuflar uma relação de trabalho degradada que fica escondida pela falsa ideia de relação de afeto.

Direitos ao longo do tempo

No Brasil, ao longo dos anos, as empregadas domésticas foram conquistando seus direitos trabalhistas. Foi estabelecida pela Constituição a jornada de trabalho de 44 horas semanais e, no máximo, 8 horas diárias.  Os empregados domésticos podem ser contratados em tempo parcial e, assim, trabalhar jornadas inferiores às 44 horas semanais e recebem salário proporcional à jornada trabalhada. Mediante acordo escrito entre empregador(a) e empregado(a) domésticos(as), a jornada pode ser de 12 x 36, o empregado(a) trabalha por 12 (doze) horas seguidas e descansa por 36 (trinta e seis) horas ininterruptas.

A Lei Complementar nº 150, de 1 junho de 2015 estabelece a obrigatoriedade da adoção do controle individual de frequência. Além disso, a jornada deve ser especificada no contrato de trabalho, obrigatoriamente. Ela regulamenta os direitos dos(as) empregados(as) domésticos(as), e foi criado o Simples Doméstico, que simplifica o cumprimento das obrigações dos empregadores, seja em relação à prestação de informações ou à elaboração dos cálculos dos valores devidos aos(às) empregados(as) domésticos(as).

Segundo pesquisa do IBGE, três em cada quatro domésticas não têm carteira assinada no Brasil. Imagem: Nelson Bofill/LABFEM

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de empregadas domésticas diminuiu nos últimos dez anos no Brasil. Ao mesmo tempo, houve um aumento no número de diaristas. De acordo com pesquisa realizada em 2023, três em cada quatro trabalhadoras domésticas no Brasil trabalham sem carteira assinada. Ainda sobre o perfil das trabalhadoras, as mulheres são maioria, com 92% das vagas, sendo que 65% delas são negras.

Segundo Luiza Batista, coordenadora geral da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), a classe média perdeu muita renda durante a pandemia, o que afetou a contratação de domésticas, fazendo com que esse número reduzisse. A adoção de home office também influenciou. Além disso, as famílias vem reduzindo de tamanho, o que faz com que os próprios moradores das residências, muitas vezes, cuidem dos afazeres domésticos. Em 2023 havia cerca de 6 milhões de trabalhadores domésticos no Brasil. Destas, 4,3 milhões não tinham carteira assinada.

O Dia Nacional da Empregada Doméstica é comemorado em homenagem à Santa Zita, considerada a padroeira das empregadas(os) domésticas(os). Santa Zita nasceu em 1218, no pequeno povoado chamado Monsagrati, que ficava perto da cidade de Lucca, na Itália. Zita trabalhou desde os 12 anos de idade até sua morte para uma família nobre italiana. Ela era conhecida por ser bastante generosa com os pobres, tirava sempre do seu dinheiro para oferecer aos menos favorecidos, que sempre batiam à porta da família para a qual ela trabalhava. Zita morreu em 27 de abril de 1271. Devido ao seu exemplo de santidade, o Papa Inocêncio XII a canonizou em 1696 e declarou-a a “Santa das Empregadas Domésticas”.

Com informações da Agência Brasil.

Na próxima sexta-feira, 19, a Universidade Franciscana (UFN) será uma das anfitriãs do World Criativity Day. Pela manhã haverá uma oficina de voluntariado no ITEC (Ambiente de Inovação), que fica no prédio 8 da UFN, e à tarde participarão diversos cursos e um convidado especial no conjunto III. Várias atividades estão previstas em Santa Maria ao longo dos dias 19, 20 e 21 de abril e é possível conferir mais clicando aqui. No site do evento, pode-se fazer buscar por atividade, formato ou local de realização.

Na UFN, o professor Gustavo Borba, da Unisinos, vai abordar o tema criatividade e territórios criativos, às 13h30, no Salão de Atos do Prédio 13, no conjunto III. Santa-mariense radicado em Porto Alegre, Borba tem 25 anos de experiência no campo da educação e inovação e é palestrante e pesquisador na área do Design Estratégico. No ensino superior, já atuou em espaços de coordenação e direção, além de comissões nacionais como a CONAES. Atualmente é conselheiro da Rede Jesuíta e da Canadian Playful Schools Network – RCEL/CPSN e Decano da Indústria Criativa da Unisinos. 


Na sequência, no hall do prédio 15, também no Conjunto III, os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Design, Design de Moda, Engenharias e Publicidade e Propaganda apresentam uma diversidade de projetos que envolvem o tema da criatividade e inovação. A inscrição para qualquer uma das atividades é gratuita e deve ser feita aqui. As vagas são limitadas e há entrega de certificado de participação.

Confira a programação dos cursos da UFN na tarde do dia 19 de abril – sexta-feira:

15h Práticas e Projetos do [com]Vida – Adriano Falcão e Marina de Alcântara (Arquitetura e Urbanismo)

15h25 Além das Cores – Caroline Colpo e Gabriel Barbieri (Design)

15h50 3D Eng Printing – Luiz Fernando Rodrigues Junior (Engenharia)

16h15 Reverbe: música autoral, identidade e jornalismo cultural – Neli Mombelli (Jornalismo)

16h40 Mapeando Memórias – Anelis Rolão Flores e Clarissa de O. Pereira  (Arquitetura e Urbanismo)

17h05 Websérie Última Noite – Cristina Hollerbach e Rodrigo Bernardes (Publicidade e Propaganda)

17h30 Fashion Future – Paula Darina e Rubiana Sandri (Design de Moda)

Confira um pouco do que vai rolar na sexta-feira:

O índice de desperdício de alimentos aponta que o custo da perda para a economia global é estimado em US$ 1 trilhão e gera de 8% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, conforme a ONU. Enquanto 780 milhões de pessoas foram afetadas pela fome e um terço da humanidade enfrentou insegurança alimentar, de acordo com o Relatório do Índice de Desperdício de Alimentos 2024, domicílios de todos os continentes desperdiçaram mais de 1 bilhão de refeições por dia em 2022. Parte desse desperdício acontece no manuseio, transporte e nas centrais de abastecimento.

Este não é um problema apenas dos países ricos, com maior poder aquisitivo. A perda de alimentos ocorre com mais intensidade nos países quentes, como o Brasil, onde há problemas na conservação dos alimentos por falta de refrigeração adequada. Segundo relatório da ONU, não é por falta de comida que tanta gente passa fome no mundo. A produção de alimentos seria suficiente para abastecer toda a humanidade.

Foi pensando sobre esse assunto que a lei 14.016 foi criada, em 23 de junho de 2020. A lei dispõe sobre o combate ao desperdício de alimentos e a doação de excedentes de alimentos para o consumo humano. Ela autoriza os estabelecimentos dedicados à produção e ao fornecimento de alimentos a doar os excedentes não comercializados e ainda próprios para o consumo humano. Os beneficiários da doação autorizada são pessoas, famílias ou grupos em situação de vulnerabilidade ou de risco alimentar ou nutricional.

Perda de alimentos ocorre com mais intensidade em países quentes. Imagem: Vitória Oliveira/LabFem

Luana Tereza Rodrigues, gerente da cantina da UFN, conta que a sobra de alimentos que fica nos pratos e no bufê são descartados no recipiente próprio para lixos orgânicos. No entanto, tem sido constatada uma queda nas sobras, gerando um índice positivo contra o desperdício. Já o excedente de alimentos produzidos na cozinha, que ainda não foram para o bufê e estão em boas condições de conservação, são divididos entre os funcionários, que levam para suas casas.

Leonice Paes, proprietária do mercado Popular, localizado na região oeste de Santa Maria, fala que todo o alimento do setor do hortifruti, antes que possam estragar, são doados. As frutas e legumes, substituídos nas gôndolas, são devidamente separados em um recipiente adequado e, após vistoriados, são distribuídos para as pessoas. Desta forma, não há grandes perdas de alimentos.

Uma da maneiras de evitar o desperdício é aproveitar o máximo os alimentos, incluindo talos e cascas. Acesse o link e confira receitas saudáveis para o aproveitamento total dos alimentos.

A Páscoa movimenta o comércio online e físico, impulsionada pela competitividade dos preços dos ovos de chocolate e itens relacionados à celebração. Nos dias de hoje, a data tem um forte apelo comercial com um alto potencial de vendas. Os ovos de chocolate são a grande estrela dessa época do ano, e os produtos relacionados à festividade também ganham destaque: barras de chocolate, coelhos de pelúcia, peixes, bacalhau, vinhos e outros alimentos típicos e que também servem para celebrar em família. 

A Páscoa é, para a fé cristã, a festa das festas, pois celebra a ressurreição de Cristo crucificado. Imagem: Pixabay.

No entanto, muito mais do que um período comemorativo e de apelo ao consumo, o período tem um significado maior. A origem da data é judaica, em comemoração à liberdade do povo hebreu, após longos anos de escravidão no Egito. Com o mesmo sentido de libertação e de esperança, a Páscoa cristã surge posteriormente com a comemoração da ressurreição de Jesus Cristo. De acordo com Dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo metropolitano de Santa Maria “A Igreja chama a Páscoa de ‘Festa das festas’, isto é, para a fé cristã, a Páscoa é a festa mais importante dentro de todo o conjunto de celebrações que existem, pois, celebra a ressurreição de Jesus Cristo crucificado. Numa palavra, a Páscoa é um itinerário de fé.”

Para a Igreja Católica, a data surgiu durante o Concílio de Niceia, em 325 d.C.. A Igreja determinou que a primeira lua cheia após o equinócio de primavera seria a data para iniciar-se a comemoração da Páscoa. O equinócio é um fenômeno astronômico que indica o início da primavera no hemisfério norte.  

Para Dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo metropolitano de Santa Maria, o verdadeiro sentido da Páscoa é nos aproximarmos ainda mais de Jesus. Imagem: Assessoria de Comunicação Arquediocese Santa Maria

A programação da semana santa começa muito antes do domingo de Páscoa (veja programação no final da matéria). Para Dom Leomar, ao pensarmos em como nos preparar para a Páscoa, é importante ressaltar que “Em primeiro lugar, tomando consciência de que Jesus Cristo não é um personagem da história que ficou no passado e que vamos nos distanciando dele a cada ano que passa; muito menos que seja um mito ou uma lenda criada para transmitir alguma ideia de valor moral.” Desse modo, nos aproximamos do verdadeiro sentido da data. O arcebispo conclui: “Preparar-se para celebrar a Páscoa é, precisamente, aproximar-se ainda mais de Jesus Cristo.” 

A semana santa é pensada pela Igreja para a celebração integral da Páscoa, no entanto, existem outros elementos como os ovos de Páscoa e o Coelho. Em cada país a data guarda tradições e curiosidades, como deliciosos doces na Europa e a festa para a primavera no Japão. O artesanato de ovos pintados à mão se mantém na República Tcheca, assim como na Alemanha, onde coloridas árvores de Páscoa  enfeitam casas e ruas. Segundo Dom Leomar “Os ovos de Páscoa remontam à Antiguidade, quando os egípcios e persas costumavam tingir ovos com cores da primavera e presentear os amigos.” Já a tradição do coelho simbolizava o nascimento, a vida, com origem no Egito antigo. “Como a Páscoa é comemorada no início da Primavera do hemisfério Norte, e como o coelho é um dos animais que primeiro saem da toca depois do rigoroso inverno, traz o significado de que a vida continua, apesar da rigorosa desolação causada pelo frio.” 

O coelho representa o nascimento e a vida na Páscoa. Imagem: Pixabay

Abaixo você acompanha e mensagem de Dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo metropolitano de Santa Maria, para os nosso leitores:

“Queridos irmãos e irmãs, aproximando-se a Festa das festas, a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, corramos todos ao encontro do crucificado-ressuscitado que dá à nossa existência o verdadeiro sentido e abre o horizonte da nossa plena realização. Não tenhamos medo de Cristo. Prova de amor maior não há que doar a vida pelos irmãos; Cristo nos deu este grande testemunho de o quanto nos ama e o quanto valemos individualmente e humanamente. Diante do mistério pascal ninguém fique indiferente, mas acolha essa prova de amor, do amor que é mais forte do que a morte, que nem as torrentes serão capazes de apagar.  

Cristo ressuscitou! Feliz Páscoa!”

Programação Semana Santa

Quinta-feira Santa (28)

Na Catedral Metropolitana

  • 10h – Missa da Unidade, com renovação das Promessas Sacerdotais e Benção dos Santos Óleos e Consagração do Crisma

Em todas as Igrejas Matrizes da Arquidiocese

  • 20h – Missa da Ceia do Senhor com Vigília

Sexta-feira Santa (29)

Em todas as Igrejas Matrizes da Arquidiocese

  • 9h – Confissões e Via Sacra (Dom Leomar celebrará em Santo Antão)
  • 15h – Celebração da Paixão do Senhor (Dom Leomar celebrará em São Sepé)

Sábado Santo (30)

Em todas as Igrejas Matrizes da Arquidiocese

  • 9h – Confissões
  • 20h – Vigília Pascal

Domingo de Páscoa (31)

Conforme horários de cada Paróquia

  • Na Basílica Medianeira: 8h, 10h, 16h, 18h, sendo a das 8h presidida por Dom Leomar

*Matéria redigida com colaboração da Equipe Central Sul.

A 3ª edição da Calourada contou com várias mudanças em relação ao ano passado. Uma delas foi o recolhimento de materiais recicláveis, feito diariamente por voluntários, durante a festa. Na sexta-feira, 15, na manhã seguinte após a última noite do evento, funcionários da prefeitura fizeram a limpeza da Gare e todo o material recolhido foi para a Central de Tratamento de Resíduos da Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR), no distrito de Boca do Monte.

De acordo com o coordenador da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos, Juliano Dalcol, a quantidade de resíduos coletados nesta edição da Calourada representa uma redução de aproximadamente 40%, quando comparado com a festa realizada no último inverno. Realizada de 7 a 10 de agosto, em 2023, o evento totalizou aproximadamente 5 toneladas de resíduos.

Segundo Juliano houve uma redução do volume de resíduos, inclusive com uma maior procura por copos ecológicos pelo público, muitos com seus próprios copos e canecas, evitando o uso de copo plástico. Também houve uma contribuição importante dos recicladores autônomos, catadores e voluntários, que fizeram a coleta e separação dos materiais recicláveis.

Cerca de 30 mil pessoas passaram pela Gare.

Além disso, a festa de 2024 teve programação estendida e passou de quatro dias, nas outras duas edições, para seis dias. No entanto, embora muitas pessoas tenham aproveitado, cerca de 30 mil pessoas estiveram presentes na última edição, contra mais de 60 mil em março de 2023 e 43 mil em agosto de 2023. Ou seja, diminuiu o número de pessoas circulando na Calourada.

O acesso ao evento foi gratuito e a estrutura incluiu área coberta e diversos pontos de venda de bebidas e lanches. Os shows ocorreram até a meia-noite, a comercialização de produtos na praça de alimentação foi encerrada à 1h, e a dispersão do público ocorreu até as 2h. Em função do evento, equipes trabalharam pelo restabelecimento total da iluminação pública da Avenida Rio Branco, possibilitando maior segurança do público para a chegada e saída do local.

Imagens e informações: Prefeitura de Santa Maria

Por motivo de segurança, usamos pseudônimos nas matérias Foto: Vitória Gonçalves

“Tenho minha faca nos pés e meu facão lá atrás. Não tem como andar com arma de fogo, apesar de saber manusear e ter anos de prática, acho mais arriscado”, desabafa Ricardo*. Nunca parar no exato endereço sinalizado, sempre uma ou duas casas antes e não trabalhar de madrugada. Essas são só algumas precauções que o motorista de aplicativo toma na sua rotina nas ruas de Santa Maria.”

Possivelmente essa seja a realidade dos cerca de 900 mil motoristas de aplicativo no Brasil segundo pesquisa de 2021, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o que equivale a 8 Maracanãs lotados. Do outro lado da moeda, existem aqueles que fazem parte de redes de proteção, grupos de pessoas que se unem com objetivo de manter a segurança.  Um exemplo disso é o grupo Família Madruga, criada em março de 2020 por Nelson*. E ele mesmo explica como foi fundação dessa rede de proteção:

Entrevista realizada com motorista de aplicativo (Madruga):

Mesmo sendo minoria no ramo, Caren* afirma que nunca teve problema algum. “Não tem preconceito, é incrível. 99, Uber e Madruga eu só dirijo para o público feminino, optei de um tempo pra cá, não por ter acontecido alguma coisa, só por um conforto maior. Nunca senti diferença”. Apesar dessa tranquilidade, ela conta que raramente acontecem alguns incômodos, mas sempre a ajuda da Família Madruga aparece. “Já houve casos de pegar passageiros em final de festa e não querer pagar, quer prevalecer, esse tipo de coisa, aí entra a ajuda dos meninos”, ressalta.

 

Entre esses 164 motoristas, todos são selecionados a dedo pelos administradores do grupo. As regras são impostas a todos antes de aceitarem participar de uma Família e ser monitorado a todo momento que estiver trabalhando.

 

Com o lema JUNTOS, SOMOS MAIS FORTES e com regras disciplinares rígidas é que o Madruga se sustenta e consegue manter a fidelidade tanto dos usuários quanto dos motoristas. No início haverá um período de teste de 15 dias, onde você utilizará o #FAMÍLIAMADRUGA no carro. Após esse período, se você cumprir as regras, receberá o adesivo oficial. O fato de não obedecer às regras ou dependendo da gravidade do evento, o membro será chamado para conversa e recebe uma advertência, na terceira chamada é retirado do grupo.

Ainda se destaca o zelo dos gestores em manter a qualidade do relacionamento com o cliente e buscar atender corridas com rotas incomuns. Dessa forma exigem que participem de eventos sociais e confraternizações do grupo, usar o Zello (software de comunicação com linguagem de rádio) apenas para comunicar corridas suspeitas e não avisar sobre BLITZ no ZELLO e nem no grupo.

Ainda há regras sobre publicações dentro do grupo que proíbem sobre quaisquer posicionamentos: pornografia, política, futebol, defender plataformas, religião, preconceitos (homofobia, etc.), usar a imagem do grupo em vão, criar grupos paralelos (Zello, WhatsApp, etc, com a finalidade de monitoramento, rastreamento, etc) ou qualquer outro fim, que possa ser caracterizado como um subgrupo dentro do Família Madruga e não discutir no grupo.

Se acostumar com o monitoramento não é uma tarefa fácil, Caren* é responsável pela contratação e demissão do grupo, como sempre esteve presentes em empresas, se sente à vontade desempenhando essa função. “O meu material carrego dentro do carro, tenho minha agenda, minhas anotações, tenho meus adesivos, quando eu vejo algum carro desbotando o adesivo, já tiro a foto e entro em contato para arrumar. Tenho todo suporte dentro do meu carro e entre uma corrida e outra vou me organizando na agenda”, assim a motorista conecta o seu passado com o presente. 

O dia a dia

Imagem: Freepik

“Já Ricardo* desempenha apenas uma função, a de motorista. E por levar a risca sua rotina, está acima de 90% de seus companheiros de trabalho, segundo relatório enviado pelo próprio aplicativo da 99. “Só tenho três segredos: levantar cedo, tomar banho e ir trabalhar”. 

Como os outros do ramo, ele também tem uma meta para cumprir no seu dia a dia e segue o pensamento de aceitar todas as corridas.

““No 99, quando começa a cancelar corridas, parece que eles começam a te deixar meio de lado. O motorista nunca perde, é um real que tu não tem”, afirma.

A famosa ‘meta’ é o que norteia a maioria dos trabalhadores desse ramo. Nelson* explica que foi por isso que mudou completamente sua vida. Em 2003, era dono de uma construtora na cidade de Canoas, cobrava R$750,00 o m², porém com a instabilidade econômica do Brasil, o valor foi caindo até R$450,00 em 2015. Para fins de parâmetros econômicos, a inflação do país saltou de 6,41% em 2014 para 10,67% em 2015. Foi assim que, em 2017, com esse desbalance fiscal, que resolveu migrar para a área de transporte de passageiros com uso de aplicativo de mobilidade que, na época, estava em crescimento exponencial. Ironizado por um amigo que no momento estava lucrando, ele foi incentivado a se aventurar nessa nova jornada. “Vou me reinventar. No primeiro dia tirei R$380″, afirma. A partir daí, desse primeiro ganho, viu a possibilidade de ganhar mais do que no seu antigo trabalho e está até hoje no ramo. Atualmente, a meta de Nelson é de R$350,00 por dia: “Eu corro até atingir minha meta, se for 23h, 00h. Se eu atingir às 2h, vou para casa, durmo e 6h estou de pé de novo”, explica. Além de metas diárias, o motorista também lida com uma meta mensal de R$4.500, “É o que considero saudável para mim”.

O valor de R$ 350,00 diário parece ser a meta buscada entre a maioria. Com Ricardo* também é assim. Ele explica que o motorista que trabalha com vontade, atinge a meta sempre e que quando o movimento está bom sempre é válido continuar trabalhando. Assim é que Ricardo* lucra de R$6.000 até R$7.000 no mês. “Quando eu vou receber o que ganho trabalhando no 99, trabalhando num serviço fixo, não tem. Já trabalhei na Prosegur, transporte de valor e não ganhava a mesma coisa, é bem mais estressante, fora o risco que a gente corre”, destaca.

Nem tudo são flores

Era por volta das 05h30 da manhã enquanto José* dirigia seu Onix prata, em mais um dia de trabalho. Sua profissão? Ele era motorista de aplicativo. José descia a Avenida Presidente Vargas para levar um passageiro aqui, subia a Borges de Medeiros para levar outro passageiro ali, um fim de noite e começo de manhã calmo e pouco movimentado. Até que surge mais uma corrida no monitor do seu celular. O aplicativo da 99 indicava que aquela corrida era de risco, então José*, prontamente pegou o celular, e colocou para gravar aquele trajeto. O celular estava apoiado no suporte para GPS e estava apontado para dentro do carro, dando a visão de toda a parte interna do veículo. O motorista, então, se dirige para o local indicado com uma certa insegurança, porém segue normalmente, ele já tinha feito esse tipo de corrida outras vezes e era um homem experiente. Ele chega no local indicado, e aguarda o passageiro chegar. Após alguns minutos de espera, tendo somente sua rádio para lhe fazer companhia, o passageiro entra e eles seguem para o lugar indicado. O passageiro se chama Alexandre*, de 27 anos, que na ocasião em específico, se encontrava um pouco alterado. Eles então seguem para o endereço, e o homem vai guiando o motorista pelo caminho. Ele fala de maneira alta e com muitas gírias na sua linguagem. Eles então pararam na casa de um amigo desse homem. O jovem coloca a parte do corpo para fora da janela do carro e começa a gritar o nome do amigo. Um tempo depois ele entra no carro, e os três seguem viagem para mais um destino.

Na viagem o homem conversa com seu amigo e ao mesmo tempo com José*. Ele está falando sobre sua história, até que menciona um fato que deixa José* com uma insegurança maior ainda. Ele tinha saído há duas semanas da prisão. Seu crime? Quatro homicídios. O rapaz começa a falar da sua vida na cadeia e como se arrependia de ter vivido tudo isso. Ele tinha passado três anos atrás das grades e havia perdido toda sua família. Ele confessa que o seu primeiro homicídio foi por um homem ter o chamado de “filha da puta”. Por mais que ele demonstrasse arrependimento pelos anos que passou na prisão, sentia um certo orgulho ao comentar sobre as mortes. José*, sentia que o arrependimento do rapaz não era por ter cometido os crimes, mas sim por ter sido pego. O carro para e o homem sai permanecendo somente o seu amigo. José aproveita a brecha para perguntar se eram verdadeiras aquelas informações. O amigo confirma , mas indica que o homem é tranquilo. Ele então cansado de esperar Alexandre, sai do carro e vai buscar ao encontro do amigo. 

José* fica alguns bons minutos esperando os dois com o motor do seu carro ainda ligado. Então subitamente Alexandre entra no carro extremamente revoltado. Aparentemente, ele havia sido enganado em um esquema que o fez perder dinheiro. O homem grita e demonstra sua completa insatisfação desferindo insultos e ataques verbais a quem quer que os ouça. Ele então faz uma ligação extremamente agressiva para um ex-companheiro de negócios. Na ligação, ele cobra uma dívida o insultando e ameaçando de morte. Alexandre, diz que o ex-companheiro precisa pagar a dívida e se não o fizer, ele vai na casa matar o próprio, sua mãe e filhos. Alexandre*, revoltado, diz a todo tempo que não tem nada a perder e que se precisar voltar para prisão. José* se sente completamente inseguro e aflito, pois nunca tinha passado por uma situação dessas. José* segue dirigindo calado, pois não quer causar nenhum movimento brusco que possa fazer o homem se revoltar contra ele próprio. Nesse momento, José* só pensa em voltar em segurança para sua mulher e filhos. A noite está fria mas o Motorista está suando e totalmente alerta, sabe que um leve descuido pode custar sua vida. Alexandre*, no auge da sua raiva grita o no telefone e diz: “O QUE? O QUE TU FALOU?”. Ele desliga o telefone completamente transtornado e obriga José* a encostar o carro. José* está confuso e não sabe como reagir. Alexandre*, começa a gritar e insistir cada vez mais para que o motorista encoste o carro. Ele então o ameaça dizendo que vai o matar caso não pare. Ele está muito seguro disso e não tem nada a perder. “PARA O CARRO, PORRA! OU EU VOU TE MATAR”. Ele então encostou a pistola no ombro de José e ele para imediatamente. Ele obriga o motorista a descer do carro o xingando e ameaçando. José* antes de descer do carro, pega o celular que estava gravando toda a corrida. Mas Alexandre*, arranca de sua mão e entra no carro, que agora é seu veículo de para cumprir sua missão.

 José* se encontra totalmente devastado, seu carro e todos seus pertences foram subitamente tirados de de suas mãos, mas o que Alexandre* não sabia é que José*, no último momento antes de sair do carro em ato de pura coragem, conseguiu retirar a chave da ignição e levar consigo. O carro de José, possui um sistema chamado keyless, onde o carro só funciona com a chave próxima ao veículo. Então Alexandre*, foge com o carro, mas não vai muito longe. No carro, ele fica sem entender e completamente transtornado, sai do veículo e começa a vasculhar os pertences de José*.

 Após escutarem que seu companheiro estava passando por perigo extremo, a rede de proteção da família Madruga foi ativada. A corrida já estava sendo monitorada e os administradores do grupo estavam escutando tudo que o que estava sendo falado na corrida. Imediatamente, com o sinal de alteração do passageiro, o grupo encaminhou veículos para prestar suporte a José. O primeiro que chegou no local foi Rodrigo*, que avistou Alexandre* procurando qualquer coisa que pudesse levar consigo. Então então grita “esse carro é do meu colega!” e instintivamente parte para cima do homem. Ele consegue derrubar Alexandre* e tentar imobilizá-lo, porém, o homem consegue fugir deixando tudo para trás, inclusive o seu próprio celular. Após isso, Rodrigo* foi procurar José* e o encontrou a duas quadras de distância onde estava escondido. José* estava claramente abatido e sem reação. Foi para casa, tomou um banho demorado e ficou pensando em tudo o que tinha passado. José* levou algumas semanas para superar o que tinha vivido e voltar a normalidade, mas quando se passa por um trauma desses, o medo nunca é totalmente superado.

Mesmo com a convivência com o risco e o perigo diariamente, para a maioria dos motoristas de aplicativo de Santa Maria, o maior problema não são os assaltos e o medo de não voltar para casa, mas sim o trânsito. Ricardo* diz que o maior risco não é trabalhar de madrugada e os passageiros: “Eu já dirigi daqui até Fortaleza e voltei, deu 15.700km, passando por várias cidades. O trânsito de Santa Maria é o pior”.

Caren* segue o mesmo pensamento e destaca que, por conta disso, é necessário sempre cuidar do mental, ter controle de si e ainda saber a hora de parar. “O nosso trânsito é bem complicado. É bem cansativo realmente, mas quando tu vê que não tá legal, que tu tá muito estressado, é bom ir pra casa dar uma descansada”, complementa.

 

Trabalhar diariamente como motorista de aplicativo pode gerar alguns riscos, como vimos  no caso de José*. O motorista está exposto e sempre está sujeito a sofrer algum tipo de violência. Porém em alguns casos esse fato sofrer exceções, Nelson* explica que depois de um certo tempo os Madrugas passaram a ganhar um certo respeito nos bairros perigosos da cidade: “Às vezes pedem corrida na Cipriano, por exemplo, e os motoristas não vão. Nós vamos. Porquê às vezes é uma mãe de família que está querendo sair com seu filho ou uma pessoa doente que está querendo ir para o hospital. Então os traficantes enxergaram isso como um “serviço prestado à comunidade”. Então toda vez que veem o adesivo da empresa eles pensam “Madruga não”, explica.

 

A rede de proteção pode ser um prato cheio para motoristas que querem transgredir as leis, visto que estarão assegurados por um monitoramento em tempo real, dando total segurança para cometer seus crimes. Porém, Nelson* explica que estão sempre monitorando qualquer atitude ou rota suspeita. “Não aceitamos qualquer tipo de envolvimento com drogas. Já denunciamos dois motoristas que foram presos por envolvimento com drogas “, explica. Esse monitoramento se dá através de analisar as rotas do motorista e verificar se existe algum tipo de padrão. Havendo a suspeita de algum tipo de atividade ilícita isso é investigado a fundo e passado para a polícia. Nelson* explica “nós temos uma relação excelente com a polícia. Se identificarmos qualquer atitude suspeita de um motorista nosso, nós entregamos a placa do carro”, conclui. 

 

 

 

 

Mais um ponto que tem feito parte da rotina dos motoristas de aplicativo ultimamente, é a discussão sobre direitos trabalhistas. Em setembro de 2021, o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) apresentou um projeto de lei que classifica os motoristas de aplicativo como trabalho intermitente, ou seja, a prestação de serviço de forma esporádica e que deve ser regulado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Porém, é necessário saber o que os próprios motoristas de aplicativo pensam sobre isso.

Caren* explica que a situação tem que ser bem analisada: “Pelo menos pra mim do jeito que está, está bom, porque dentro disso tem que ver imposto. 99 e tal são corridas de valores bem baixos, então para alcançar um valor X tem que fazer muitas corridas no dia, aí se tu for pagar um valor X alto, não vale a pena”. A motorista conta que utiliza o MEI (Microempreendedor Individual), o que fornece um salário mínimo. “Praticamente não é nada, mas dá pra comer. Todo mundo corre atrás de salário, as pessoas trabalham de 12 a 15h para fazer seu salário”, desabafa.

 

Para Ricardo* ainda existem mais dúvidas que certezas com essa questão: “Como vai ser feito uma análise em cima desse salário? Como vai ser feito esse trabalho pra ver quanto  será o salário? Porque o cara vai trabalhar 5h e eu vou trabalhar 12h e vai ganhar a mesma coisa que eu. Eu acho complicado.”

Reportagem produzida na disciplina de Jornalismo Investigativo, no 2ºsemestre de 2022,  sob orientação da professora Glaíse Bohrer Palma.

A 1º edição do Santa Summit, evento de inovação e empreendorismo, será realizado no próximo final de semana, dias 24 e 25 de novembro no Mercado da Villa Belga. O evento é aberto ao público e contará com a presença de + de 60 speakers (palestrantes) divididos em três palcos dos mais diversos ramos de educação e negócios. A proposta do evento colaborativo é de posicionar Santa Maria como um polo de educação, inovação e empreendedorismo. Os ingressos estão a venda no site do evento e custam R$ 50 para a o público em geral e R$ 25 para estudantes, que devem apresentar o comprovante da matrícula na hora do pagamento. A UFN é uma das universidades apoiadoras da iniciativa e atua por meio do Parque Tecnológico, o ITEC Park.

Segundo Lissandro Dalla Nora, diretor do ITEC Park, a participação da UFN no evento é uma oportunidade para a região central visualizar as ações desenvolvidas pela Universidade Franciscana que impactam na economia e sociedade. “A atuação da instituição dentro do Santa Summit estará distribuída na ação de apresentação do ITEC Park UFN e a participação de empresas e startups apoiadas pela universidade, bem como a apresentação de tecnologias desenvolvidas em conexão com a comunidade local”, ressalta o diretor.

Lançamento do evento ocorreu no dia 27 de outubro. Foto: divulgação

O Santa Maria Summit é dividido em sete trilhas de conteúdo:

  • Educação Empreendedora: Aprenda como a educação pode ser um agente de transformação dentro do mundo corporativo;
  • Marketing e Vendas: Estratégia de Marketing e venda consultiva;
  • Cidade Empreendedora: Descubra como as cidades podem ser empreendedoras;
  • Inteligência Artificial: Como implementar soluções de IA para a sua empresa;
  • Startups e Investimentos: Explore este mundo empresarial;
  • Negócios e Varejo: Estratégias de negócios e gestão virtual ou física de uma empresa;

O Santa Summit é realizado pela Inova Centro, ADESM (Agência de desenvolvimento de Santa Maria) e a Prefeitura Municipal de Santa Maria em correalização com o SebraeX um braço de apoio a startups, e conta com + de 60 instituições parceiras.

Uma pesquisa divulgada pela JUCIS – RS (Junta Comercial, Industrial e Serviços ) do Rio Grande Do Sul no final do mês de junho de 2023, mostrou que a cidade de Santa Maria subiu no ranking estadual em abertura de empresas e ficou em 5 º lugar. Vale ressaltar que na última pesquisa, ainda no ano de 2021, a cidade estava em 7 º lugar.

Desde outubro de 2022, Santa Maria vem atuando através do programa do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) conhecido como Cidade Empreendedora. O programa tem como principal objetivo auxiliar os servidores e gestores na implantação de empresas através de ações de políticas públicas por meio de alguns eixos que visam, entre outras coisas, capacitar prefeitos, secretários e servidores para que haja um melhor resultado; trazer melhorias para simplificar e dar agilidade às empresas; valorizar as pequenas empresas por meio da Lei Geral de Micro e Pequenas Empresas; gerar uma cultura de empreendorismo.

Na segunda quinzena de setembro foi inaugurada a Sala do Empreendedor, projetada pela Prefeitura de Santa Maria por meio da Secretaria de Licenciamento e Desburocratização em parceria com o Sebrae, que tem como objetivo facilitar os processos que toda empresa precisa ter, além de serviços exclusivos ao MEI (Micro Empreendedores Locais).

Na sala, o empreendedor conta com um agente de negócios para ajudar na produção da empresa, além de receber orientações sobre como abrir ou gerir uma empresa. A sala fica aberta das 8h30 as 13h30, e está localizada na Rua André Marques, nº 820, 10º andar. Mais informações você pode ter através do WhatsApp (55) 99155 – 3086 ou pelo e – mail: saladoempreendedorsantamaria@gmail.com

Galeria de imagens da Inauguração da Sala do Empreendedor

Imagens: Secretaria de Comunicação da PMSM (Prefeitura Municipal de Santa Maria)

Rodrigo Farigolo e Ericson Urach são exemplo de empresários que atuam em Santa Maria. Sócios e proprietários de uma academia, eles atuam há 10 anos no mercado com duas unidades, uma localizada na Rua Silva Jardim que possui dois andares que englobam atividades físicas individuais ou em grupo e outra no bairro Rosário que possui apenas um andar.

A empresa foi fundada em 2013 e vem ampliando suas atividades, contando hoje com mais de mil alunos.

Galeria de Imagens da Academia no bairro Rosário

Imagens: Luiza Silveira/LABFEM

Segundo Rodrigo Ferigolo, durante a pandemia a academia se reinventou e ao invés de demitir o quadro de funcionários, optou por manter. Já havia um caixa com reserva de emergência para os primeiros três meses do ano. Depois de um mês fechada, houve a reabertura e o aumento no rendimento da empresa. “As máscaras foram algo bem complicado, as pessoas tiveram dificuldade e, aos poucos, nos adaptamos. Passamos por três fiscalizações e acreditamos que as atividades físicas foram um escape no período da pandemia”

Proprietário da academia, Rodrigo Ferigolo , comenta a estratégia usada durante a pandemia. Foto: Luiza Silveira/LABFEM

A academia também busca trabalhar a função social da empresa. Desde 2021 atua em parceria com projetos sociais como a Casa Maria, com arrecadação de alimentos, e o projeto Acolher, com doações de brinquedos, que em 2022 superou o número de doações. ” Nós procuramos o projeto, pois havíamos juntado uma boa quantidade de brinquedos, e então o Rodrigo (responsável pela mídia) entrou em contato com o projeto e criamos esta parceria fixa”, comenta Ferigolo.

Projeto de arrecadação de brinquedos foi adotado pela academia desde 2021. Foto: Luiza Silveira/LABFEM

A Petrobras anunciou a redução na refinaria dos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Justifica-se esse movimento pela mudança na estratégia de preços. Assim, elimina-se a chamada política de paridade de importação de combustível, e deixa de alinhar os valores com o mercado de petróleo e a taxa de câmbio.

Os valores devem subir alguns centavos na virada do mês. Imagem: Pixabay

A expectativa é que o corte de R$0,40 por litro de gasolina comum na refinaria chegue até às bombas com uma redução, em média, de R$0,29. Já o litro do diesel deve sair R$0,44 mais barato. O gás liquefeito de petróleo (GLP) teve anunciada uma diminuição em R$0,69 por quilo, oferta ao consumidor final pelo preço aproximado de R$100,00 para o botijão de 13Kg.

No Rio Grande do Sul já se confere, em alguns postos de combustíveis, o valor de R$5,00 para o litro da gasolina comum. É verdade que as empresas podem definir os preços de revenda, porém, com o mercado retraído, é provável que repassem o desconto ao consumidor.

Como na virada do mês terá uma mudança no cálculo do ICMS, aplicado igualmente em todo o país, o estado passará a aumentar seu ICMS, porque atualmente o valor estabelecido aqui é menor, o que poderá respingar nos combustíveis e gás de cozinha em até R$0,20 de acréscimo.

Em Santa Maria os motoristas encontram a gasolina comum por R$4,99, o diesel a R$5,04 e o botijão de gás com 13Kg chega aos R$103,00. No Brasil não há tabelamento de preços, portanto fatores como impostos e as margens de lucros da distribuição e das revendas podem gerar a “flutuação” dos preços.

Em contato com a gerente do posto Ferrari I, ela disse que o movimento cresceu 10% desde a baixa dos preços. O posto estava cobrando R$5,69 o litro da gasolina comum, hoje a R$5,04, e aos finais de semana fica por R$4,87. Para o diesel, comentou que passaram de R$5,79 para R$4,99. Ressaltando que os valores diferem de acordo com a forma de pagamento: à vista ou no crédito.

            O Governo Federal instituiu o dia 24 de maio para o “mutirão do preço justo” em todo o país, a fim de monitorar o repasse da redução nas distribuidoras e revendas, proteger e evitar práticas abusivas e deletérias ao consumidor brasileiro. A coordenadora do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon/SM), Dra Márcia Moro da Rocha, relatou à Agência Central Sul que o monitoramento iniciou na semana passada, que não receberam denúncias, apenas informações pelos canais de atendimento. Acrescentou que “não encontramos irregularidades. A redução da refinaria é dada direto na compra pela distribuidora (e essa é quem vende aos postos), ou seja, verificamos redução no combustível.”

Durante a primeira metade do século XX, a Argentina era uma das maiores potências econômicas do mundo. Foi ao fim da Segunda Guerra Mundial que a economia do país sofreu uma derrocada fatal. Até hoje, o povo sofre as consequências da má gestão governamental. Devido à inflação, os preços atuais dos produtos argentinos se apresentam muito caros para a população e muito atrativos para os estrangeiros.

No ano seguinte à guerra, mais especificamente em quatro de junho de 1946, o militar Juan Domingo Perón foi eleito democraticamente como presidente da Argentina, acompanhado de sua esposa Evita Perón. Com a ascensão do Peronismo, os cargos públicos começaram a aumentar descontroladamente. Além disto, a primeira-dama exerceu sua influência como cônjuge do presidente e, por meio do dinheiro público que provinha das indústrias diversificadas que havia no território argentino, começou a oferecer apoio financeiro aos países europeus que precisavam pagar dívidas. Perón permaneceu no poder até o ano de 1955 e voltou ao governo entre 1973 e 1974, quando foi substituído por sua segunda mulher, Isabelita Perón, que foi deposta pela milícia no início da ditadura civil-militar em 1976.

O impacto dessas ações, que se mostraram extremamente prejudiciais ao povo, pode ser visto até hoje no território argentino. Mesmo com sua grande produção pecuária, que sempre proporcionou carnes de ótima qualidade, sua produtividade agrícola, que lhe torna uma das maiores produtoras e exportadoras de cereais do mundo, e com uma larga presença de petróleo e gás no país, a Argentina hoje apresenta uma dívida externa fora de controle. A dívida do Banco Central do país subiu cerca de US$ 36 bilhões (R$ 187 bilhões) na gestão de Alberto Fernández. Este valor representa cerca de 80% do crédito do Fundo Monetário Internacional direcionado à Argentina.

A Argentina, hoje, quase não possui mais resquícios dos seus tempos de ouro. Em dezembro de 2021, se tornou viral o vídeo de cidadãos argentinos da província de Santiago del Estero que, após um acidente envolvendo um trem e um caminhão que transportava vacas, mataram os animais e saquearam a carne. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos, mais de 36% da população argentina vivia abaixo da linha da pobreza no primeiro semestre de 2022.

Historicamente, os salários argentinos apresentam maior poder aquisitivo quando comparados com o salário brasileiro. Entretanto, após pesquisas de analistas do Banco Central da Argentina, o país pode fechar o ano com inflação anual superior a 100%. Tentando conter essa inflação, o ministro da economia, Sergio Massa, anunciou nas últimas semanas que o governo está preparando um plano econômico de congelamento de preços. Já é o 9º congelamento realizado pelo governo argentino nos últimos nove anos.

Os mercados sofrem com a escassez de produtos básicos. Imagem: Nelson Bofill

Em Paso de Los Libres, região que faz fronteira com Uruguaiana, o comércio se mantém de pé, mas a infraestrutura maltratada da cidade e a grande diferença de preços das mercadorias em relação ao Brasil lembram aos visitantes que a crise continua. Ao atravessar a ponte e ingressar na Argentina, é possível fazer o câmbio do real para pesos. Atualmente, em alguns lugares, o peso argentino custa R$0,02.

O principal motivo que justifica essa sobrevivência dos negócios em Libres é a possibilidade de poder manter um comércio exterior. É natural as cidades fronteiriças apresentarem melhor desempenho devido ao grande fluxo de imigrantes que as visitam. A maioria dos produtos argentinos atualmente apresentam custos muito atrativos para os brasileiros que visitam o país. Tendo como exemplo o arroz, produzido em grande quantidade em território argentino e brasileiro, nos supermercados locais o preço médio de 10kg é em torno de R$35, enquanto no país vizinho, é possível comprar a mesma quantidade por R$24.

A compra de certos produtos no território argentino são limitadas. Imagem: Nelson Bofill

Mas mesmo as cidades fronteiriças se preocupam com a escassez de alimentos que vem assolando o país. Com o intuito de amenizar os efeitos da crise, alguns supermercados estão restringindo o limite de compra de certos produtos como farinha, açúcar e azeites. Em relação à carne produzida na Argentina, que sempre teve uma qualidade acima da média, o preço médio do quilo de costela é cerca de $ 1.230 (R$ 24,60), enquanto, no Brasil, a mesma quantidade pode ser comprada pagando cerca de R$ 29,20.

Apesar dos aparelhos tecnológicos possuírem um valor parecido em ambos os países, na Argentina a compra parcelada se mostra extremamente prejudicial ao consumidor devido à alta inflação. Um modelo de televisão, que custa $ 125.999 (R$ 2.519,98) à vista, pode ser parcelado em 30 vezes de $ 8.396,57 (R$ 167,93), custando, ao final do pagamento, $ 251.897,10(R$ 5.037,94).

A crise, atualmente, já não é mais novidade para o povo argentino, a situação foi até mesmo eternizada na música local. No ano de 1978, o cantor de tango argentino, Cacho Castaña, escreveu a música Septiembre del ’88, que só viria a ser lançada em 1988. A canção é apresentada como se fosse a leitura de uma carta direcionada à um amigo que reside na Itália. O artista comenta nos primeiros versos sobre a crise que assola a Argentina, citando as mentiras políticas, falsas promessas governamentais e impactos da época da ditadura civil-militar. Ao final da música, o cantor expressa a esperança que ainda existe no povo argentino de voltar a ser um grande país.

Em 2010, durante um concerto, o artista disse que a música parecia ter sido escrita naquele ano, pois mesmo mantendo a esperança, a crise ainda assolava o povo. O músico faleceu em 2019 sem ser capaz de concretizar seu sonho. Entretanto, seu desejo de ver seu país ser grande novamente representa a esperança eterna do povo argentino.