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Geral

Fenômeno Climático obriga agricultores a replanejarem plantios e diminui safra de inverno  

Imagem: Arquivo Emater-RS Regional Santa Maria/Vanessa de Moraes

Antes mesmo da chegada das primeiras chuvas intensas, o retorno do El Niño já começou a transformar a rotina no solo gaúcho. A previsão de um fenômeno de forte intensidade, com possibilidade de evoluir até o fim do ano, levou produtores rurais a anteciparem o preparo das lavouras, reorganizarem o manejo dos rebanhos e reverem investimentos para reduzir possíveis prejuízos. O cenário evidencia como a agricultura do Rio Grande do Sul passou a responder não apenas aos impactos do clima, mas também às projeções meteorológicas, refletindo a experiência acumulada após os eventos extremos registrados nos últimos anos.

O El Niño se tornou bem conhecido pelos gaúchos depois de 2024, quando sua característica chuva extraordinária causou um dos maiores desastres climáticos da história do estado. Resultado de uma “combinação perfeita de fatores”, conforme explica Murilo Lopes, Meteorologista da PREVOTS (Plataforma de Registros e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades Severas), o fenômeno não foi o único responsável pela quantidade avassaladora de chuvas daquele período e cita que, naquela situação, a resposta atmosférica foi muito mais concentrada que o aquecimento do oceano, que caracteriza o El Niño.

O que é o El Niño?

O fenômeno do El Niño é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, próximas à linha do Equador que, devido a geografia do território brasileiro, causa secas na região norte e nordeste, e chuvas nas regiões do sul do Brasil. Murilo explica que perto da Oceania há uma concentração de águas quentes que, em condições normais, não chegam até a América do Sul. Entretanto, devido a algumas interações entre a atmosfera e o oceano, os ventos que mantém essa água de temperatura elevada longe da América são enfraquecidos, o que faz com que ela se disperse até o continente, ocasionando alterações atmosféricas que afetam diversas partes do mundo, incluindo o Brasil.

“Aqui, na América do Sul, isso é bastante importante porque gera um ramo de ar ascendente sobre o oceano. Porque está mais quente, esse ar é mais leve, e sobe. Consequentemente, isso gera movimentos de ar que descem sobre a região amazônica e o nordeste do Brasil”, explica Murilo. Esse ar aquecido cria condições desfavoráveis para a formação de nuvens. Assim, a umidade que não precipita no norte é transportada para o sul do país, criando condições propícias para chuvas.

Murilo Lopes mostra no mapa o aquecimento das águas próximas à América do Sul (canto inferior direito do mapa). Imagem: Thine Feistauer/LABFEM

Por que o El Niño desse ano preocupa?

As respostas atmosféricas do El Niño geralmente começam a ser sentidas após 2 meses da confirmação do fenômeno. Para isso acontecer, é preciso que a elevação da temperatura das águas a 0,5ºC acima da média persista por 3 semanas. Em maio deste ano as temperaturas ainda estavam dentro da média histórica e logo no início de junho atingiram 1,5ºC acima da média. O meteorologista explica que essa rápida transição para o El Niño é incomum e deve acelerar os efeitos do fenômeno que geralmente ocorrem apenas no período do fim do inverno e início da primavera. Para comparação, o desastre de 2023/2024 iniciou com enchentes no mês de setembro de 2023, e tiveram seu ponto mais crítico em maio de 2024, entre a primavera e o outono, período de duração tradicional do El Niño.

Tabela referente a classificação do El Niño

CLASSIFICAÇÃO DO EL NIÑO
0,5ºC – 1,0ºCFRACO
1,0ºC – 1,5ºCMODERADO
1,5ºC – 2,0ºCFORTE 
2,0ºC < MUITO FORTE OU SUPER EL NIÑO

Tabela produzida a partir dos dados do meteorologista Murilo Lopes.

O fenômeno já foi confirmado pela NOAA (sigla em inglês para: Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos durante a segunda semana de junho e a INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) já divulgou que há 63% de chance de Super El Niño durante os meses de Novembro – Dezembro – Janeiro. Esses números significam que em 2026 pode ocorrer um dos El Niños mais intensos da história em relação a parte oceânica do fenômeno, conforme explica Murilo. “Esse alerta é reforçado porque nós estamos indo para um fenômeno que está se desenvolvendo muito rápido, que vai ser muito forte e quando há essas situações, já existe um histórico bem consolidado de impacto no Rio Grande do Sul”, acrescenta o especialista.

Apesar desse alerta, o meteorologista afirma que é difícil prever as consequências exatas do EL Niño. “Os modelos não permitem dizer, por exemplo, a questão da chuva mensal. A gente vai conseguir dizer, talvez, um mês que vai chover mais, mas se isso vai se concentrar num evento de 5 dias, se vai ser uma chuva bem distribuída, ainda tá longe para dizer.” Essa imprevisibilidade pode ser perigosa para o caso de inundações e alagamentos repentinos.

Qual o impacto na agricultura gaúcha?

A estimativa da empresa pública de auxílio à agricultura familiar, Emater-RS (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), lançada em junho de 2026,  prevê a diminuição da produção rural da safra do inverno em 22% em relação ao ano passado, uma variação de aproximadamente 1 milhão de toneladas. Isso se dá principalmente pelo trigo, que terá uma diminuição de 36,39% na produção em relação a 2025. 

O gerente regional da EMATER de Santa Maria, Guilherme Godoy, explica que apesar de haver uma diminuição na safra de trigo, há um aumento na safra da canola. “A canola é uma cultura mais tolerante às adversidades climáticas que a gente vem observando nos últimos anos, especialmente em um ano que tende a ser chuvoso”. A colheita do trigo ocorre no final do terceiro trimestre de 2026, coincidindo com o período em que o El Niño começa a se tornar mais evidente. Guilherme ainda esclarece que a operação da colheita do trigo é muito sensível e, por isso, precisa de uma condição climática favorável para que a colheita seja feita com a umidade necessária para um cereal de boa qualidade

O Gráfico mostra a previsão de anomalia de chuva para o trimestre de Agosto, Setembro e Outubro desse ano. As manchas azuis indicam o desvio numérico de chuva em relação a média histórica. 

(Fonte: Portal de Previsão Numérica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos)

A preocupação com as mudanças climáticas não parte só dos órgãos oficiais. Aliel Freitas Corrêa é agrônomo e evidencia que os produtores rurais já consideram a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño e de outros eventos climáticos extremos no planejamento das lavouras. Segundo ele, a adoção de tecnologias e de estratégias de manejo faz parte da rotina no campo para reduzir os impactos e aumentar a capacidade de resposta diante das adversidades climáticas. Entre as principais práticas estão o uso de plantas de cobertura e a manutenção do solo protegido ao longo de todo o ano. Essas medidas estão de acordo com as indicações da Emater-RS  e  ajudam a reduzir a erosão, preservar a fertilidade e aumentar a resiliência das lavouras. A empresa pública ainda orienta que os produtores tenham uma variedade de culturas, pois o desafio climático atual é intenso para depender de um tipo de atividade rural.

Essa necessidade já tem provocado mudanças no planejamento da safra de inverno na região. Diante desse cenário, alguns produtores passaram a investir em outras culturas, enquanto a maioria optou pelo cultivo de aveia e azevém para cobertura do solo, preparando as áreas para a safra de verão, segundo Aliel.

Os efeitos do clima no dia a dia do produtor rural

Além das mudanças no sistema de produção, os custos das propriedades rurais também aumentaram. Para enfrentar esse cenário, os produtores contam com linhas de crédito voltadas à agricultura sustentável e programas de recuperação produtiva, voltados ao fortalecimento da agricultura familiar, à recuperação de áreas degradadas e à ampliação da capacidade de adaptação das lavouras às mudanças climáticas como a Terra Forte. O programa concede o repasse de R$ 30.000 para produtores de agricultura familiar aplicarem um projeto conduzido por um profissional da Emater para aumentar a resiliência climática da plantação.

Produtor rural e técnica da Emater-MG
Imagem: Divulgação

Para Aliel, a combinação entre planejamento, acesso à informação, uso de tecnologias e fortalecimento das políticas públicas será fundamental para reduzir os impactos dos eventos extremos, garantir a segurança alimentar e assegurar a sustentabilidade econômica das propriedades rurais nos próximos anos.

Na prática, essa preparação já faz parte da rotina de quem vive no campo. Ao acompanhar as previsões para a ocorrência do El Niño, o agricultor André Silveira, da cidade de São Sepé, afirma que precisou reorganizar as atividades da propriedade para minimizar possíveis prejuízos. Segundo ele, tanto o manejo da pecuária quanto o preparo das áreas de cultivo foram antecipados. O gado está sendo levado para áreas mais altas como forma de prevenir perdas em caso de enchentes, enquanto o planejamento da safra de arroz começou antes do habitual.

De acordo com o produtor, a principal estratégia é deixar toda a terra preparada antes do período de plantio. Como o El Niño costuma provocar excesso de chuvas e encharcamento do solo, a intenção é aproveitar qualquer intervalo de tempo firme para realizar o plantio rapidamente. André explica que, se a preparação fosse feita apenas nesse período, haveria o risco de perder dias importantes de trabalho em razão das chuvas frequentes, comprometendo o desenvolvimento da lavoura.

Apesar de considerar positiva a antecipação dos trabalhos, já que a propriedade estará pronta para iniciar o plantio assim que as condições permitirem, o agricultor ressalta que a mudança também traz desafios. Entre eles está a necessidade de investir mais cedo em insumos, como combustível, em um momento em que os preços dos produtos agrícolas permanecem baixos. Ainda assim, ele afirma que a preparação é indispensável diante das incertezas climáticas, uma vez que tanto o excesso de chuvas quanto um eventual período de estiagem podem causar impactos significativos na produção.

O que esperar para os próximos anos…

O fenômeno do El Niño geralmente ocorre a cada 2 a 7 anos, mas devido ao aquecimento global, há a possibilidade de que esses eventos climáticos sejam cada vez mais frequentes. “De modo geral, como os oceanos estão mais quentes, os ventos que mantém a água aquecida do Oceano Pacífico tendem a enfraquecer como um todo. Isso leva a condições mais favoráveis para o El Niño acontecer”, afirma Murilo Lopes. Ele também explica que mesmo essa tendência é incerta pois, historicamente, nunca houve tanta energia acumulada no oceano, o que torna esse cenário novo. Não se sabe, por exemplo, se essa tendência pode estar associada a maior frequência do fenômeno, ou a fenômenos de maior intensidade ao longo dos anos.

Imagens de satélite mostrando a diferença entre a temperatura média da superfície do mar no Equador, no Oceano Pacífico tropical (representada por vários tons de vermelho e laranja para indicar o calor), durante a primeira semana de junho de 2026, e a linha de base utilizada pelo programa Coral Reef Watch da NOAA.  
Imagem: Reprodução NOAA Satellites

Entretanto, outros fenômenos preocupam a produção rural do estado que vê a necessidade de um planejamento constante de resistência às adversidades climáticas. A La Niña, fenômeno oposto ao El Niño que gera períodos de seca na região, é um exemplo. Segundo Godoy, os períodos de estiagem são ainda mais penosos economicamente para a agricultura do que a chuva intensa. Esse fator comprova que, mais do que nunca, a resiliência aos fenômenos climáticos continuará sendo pauta prioritária na agricultura do Rio Grande do Sul.

Texto em parceria com a acadêmica de Jornalismo: Andressa Rodrigues

Reportagem produzida na disciplina de Jornalismo Especializado, sob orientação da professor Glaíse Palma, no 1º semestre de 2026.

Quem faz Jornalismo sonha grande. No dia 11 de agosto os acadêmicos do curso de Jornalismo da Universidade Francisacana (UFN), realizaram uma viagem a Porto Alegre para conhecer de perto diferentes veículos de comunicação e espaços culturais. A experiência reuniu aprendizado e novas perspectivas para o futuro profissional.

Nos estúdios da RBS TV os universitários conheceram os bastidores dos principais programas de televisão do estado e acompanham a preparação de um piloto com o repórter Bruno Marsilli. O momento funcionou como um teste para uma possível participação do jornalista no programa Globo Esporte, permitindo que a equipe avaliasse sua performace diante de situações inesperadas que podem acontecer durante a programação. A visita também contou com a presença da apresentadora Alice Bastos Neves, que conversou com os acadêmicos e compartilhou uma breve fala da sua trajetória profissional.

Em seguida, o grupo seguiu para a GZH Digital, onde conheceu a estrutura das redações da Gaúcha e da Atlântida. Durante o tour, os estudantes puderam observar como funciona a produção de conteúdo e conhecer um ambiente em que diferentes formatos de comunicação convivem no mesmo espaço. A visita também teve um momento de descontração com os participantes do programa Bola nas Costas.

Além das redações, os acadêmicos também conheceram um pouco mais da cultura do Rio Grande do Sul. A visita ao Mercado Público fez parte do tour, assim como a passagem pelo Farol Santander, pelo Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) e pelo Espaço de Cultura Mário Quintana.

Para finalizar a programação, os universitários participaram de uma visita técnica e de uma aula de produção de conteúdo na Agência de Conteúdo e Assessoria Padrinho, conduzida pelo jornalista André Roca. Durante o encontro, além de André, os jornalistas Gabriela Perufo, egressa do curso de Jornalismo da UFN, e Ken Kerr Dahcew apresentaram a atuação da agência e compartilharam com os acadêmicos os processos envolvidos na produção de conteúdo.

Para finalizar a programação, os universitários participaram de uma visita técnica e de uma aula de produção de conteúdo na Agência de Conteúdo e Assessoria Padrinho, conduzida pelo jornalista André Roca. Durante o encontro, os jornalistas Gabriela Perufo, egressa do curso de Jornalismo da UFN, e Ken Kerr Dahcew apresentaram a atuação da agência e compartilharam com os acadêmicos os processos de pranejamento e produção.

A viagem foi mais do que conhecer diferentes espaços da comunicação, foi uma oportunidade de entender melhor como é o dia a dia de quem trabalha na área. Em cada lugar, os acadêmicos puderam conhecer um pouco da rotina dos profissionais, ouvir suas experiências e enxergar diferentes caminhos dentro do Jornalismo. Estar nesses ambientes e conversar com quem já atua no mercado aproxima da prática. No fim, a viagem deixou aprendizados, novas referências e a certeza de que cada experiência ao longo da faculdade também faz parte da construção do futuro profissional.

Fotos: Thine Feistauer/ Labfem

Se tem Feira do Livro, tem Nave de Histórias na Praça. E, neste ano, trazemos novidades: a estreia de autores mirins. Sete das 13 histórias inéditas desta edição foram criadas por alunos dos quartos e quintos anos da Escola de Ensino Fundamental Castro Alves. Os podcasts de contação de histórias foram produzidos a partir do projeto de extensão Nave de Histórias da Universidade Franciscana que envolve os cursos de Jornalismo, Pedagogia, Design e Letras – Português e Inglês. O formato traz a contação de histórias infantis por meio do áudio, explorando a paisagem sonora das narrativas que vão de pequenas histórias à livros completos.

Estudantes do 4º ano gravaram um dos roteiros selecionados. Foto: Vinicius Gomes/Labfem

As demais histórias foram produzidas a partir de livros infanto-juvenis dos autores santa-marienses Nelci Procópio, Lucas Visentini, Jacira Pedroso, Mario Luiz Trevisan e Sibele Righi Scaramussa na disciplina de Áudio para Mídias Digitais, do curso de Jornalismo, onde surgiu o projeto em 2024.

O lançamento das histórias será na segunda-feira, 10 de agosto, às 15h, no espaço dedicado aos autores na feira. A Nave estará pousada próxima ao palco da praça para que os viajantes adentrem nela e comandem o painel de controles dando play no episódio que queiram ouvir. As visitas serão das 14h às 18h15 de segunda a sexta-feira, e também nos domingo. Nos sábados o atendimento é das 10h às 18h15, até o dia 21/08, penúltimo dia de feira.

Painel da Nave de Histórias permite aos ouvintes escolherem a história. Foto: Divulgação

Veja as histórias desta edição e seus autores:

EMEF Castro Alves

A cachorrinha feliz, de Lara Carvalho Bonacho

A girafa baixa, de Isabella de Morais

A ovelha preguiçosa, de Davi Fontoura Avozani

A vaquinha medrosa, de Pyetro Ribeiro de Lima

O Palhaço peixe  , de Ryan Jesus Barros Pereira

O tatu e o cachorro, de Verônica Müller de Moura Rosa

Os animais amigos, de Lohan Militz Jaques

Curso de Jornalismo

Cadê o Patinho, de Jacira Pedroso – produzido por Cristhian Braga

Descobertas de Basílio, de Nelci Procópio – produzido por Maria Valenthine Feistauer

Neto e a Boca do Monte, de Lucas Visentini – Produzido por Yasmin Zavareze

O fantasma de ferro, de Mario Luiz Trevisan – produzido por Emilly Pilar

Televinos, de Sibele Righi Scaramussa – Produzido por João Henrique Machado

Um Dragão no Quintal, de Nelci Procópio – Produzido por Isadora Rodrigues

 E para quem não puder embarcar na Nave de Histórias durante a Feira do Livro, pode acessar  os episódios no Spotify, buscando pelo perfil Nave de Histórias. As histórias também estão sendo disponibilizadas no canal da Nave de Histórias no YouTube e no perfil do Instagram.

Sobre a Nave de Histórias

Nave de Histórias é um projeto de extensão multidisciplinar coordenado pela professora Neli Mombelli, do curso de Jornalismo. As histórias, produzidas no curso a partir de obras de autores santa-marienses, são o estopim para a extensão. Os cursos de Pedagogia, através da professora Dulcineia de Toni, e de Letras- Português e Inglês, a partir da professora Talita Valcanover Duarte, e de alunos de diferentes disciplinas, levam as histórias para escolas para audição e promovem atividades que envolvem produção bilíngue e criação de novas histórias. 

No curso de Jornalismo, os acadêmicos, com suporte das professoras Glaíse Palma e Neli Mombelli e da bolsista Luiza Fantinel, vão até a escola para dar oficinas de roteiro e, após, levam os estudantes da escola até a Universidade Franciscana para a gravação das histórias. No primeiro semestre de 2026, foram criadas 62 narrativas, sendo 7 selecionadas para a produção do podcast, o que envolveu 35 alunos na gravação, que atuaram como personagens e narradores.

Por fim, o curso de Design, sob orientação dos professores Roberto Gerhardt e Ciria Moro, e da bolsista Julia Kieling, acompanhada de colegas do curso e também da Arquitetura e Urbanismo, são responsáveis pela estrutura da Nave que recebe o público na feira e pelo material gráfico do projeto. São mais de 30 acadêmicos envolvidos no projeto, que também conta com o suporte técnico do professor Iuri Lammel, e dos técnicos-administrativos Clenilson Oliveira, Erick Corrêa e Jonathan de Souza, do curso de Jornalismo, e de Sandro Robert Rodrigues Vargas, no suporte de marcenaria, vinculado ao Design.

Texto de Neli Mombelli

Imagem: Ducker Grêmio

Se pararmos para refletir sobre o futebol atual do Grêmio, é impossível não perceber a falta de consistência, de identidade e até mesmo de raça dentro de campo. O clube que há poucos anos conquistava a América hoje vive uma realididade completamente diferente. Mas afinal, quando tudo começou?

Depois de 15 anos sem conquistar um título de expressão, o Grêmio voltou a elite em 2016, quando venceu a Copa do Brasil pela 5ª vez. Sob o comando do técnico Renato Portaluppi a conquista marcou o início de uma das fases mais vitoriosas da história do tricolor. Em 2017, o ápice do time gaúcho foi a conquista do tricampeonato da Libertadores da América, com um futebol que chamava atenção pela organização, intensidade e identidade. Era uma equipe que jogava junto, sabia o que fazia dentro de campo e passava confiança ao torcedor.

No ano seguinte, tudo indicava que o clube brigaria novamente por títulos expressivos. O Grêmio chegou à semifinal da Libertadores e venceu o River Plate por 1 a 0 no Monumental de Núñez, em Buenos Aires. A classificação épica parecia encaminhada. Mas a partida de volta na Arena mudou completamente a história. O tricolor começou ganhando, mas sofreu a virada nos minutos finais. O pênalti cometido por Bressan, após a revisão do VAR, eliminou o Grêmio e colocou o adversário na final da competição. Até hoje, muitos torcedores lembram daquela partida como um dos jogos mais dolorosos da história do clube e, por isso, talvez ali tenha começado a mudança.

Nos anos seguintes, o Grêmio ainda chegou longe em algumas competições mas já não apresentava o mesmo futebol envolvente dos anos anteriores. A equipe perdeu jogadores, perdeu força e a identidade construída entre 2016 e 2017 começou, aos poucos, a desaparecer.

Depois de uma sequência de más decisões, trocas de treinadores e um desempenho muito abaixo do esperado, o Grêmio foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro pela terceira vez. Para um clube que poucos anos antes era campeão da América, era difícil imaginar uma queda em um período de tempo tão curto.

Após conquistar o acesso em 2022, o Grêmio presenteou sua torcida na temporada seguinte com a chegada de Luis Suárez. O uruguaio foi o grande destaque de 2023 e recolocou o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro. Apesar da boa campanha, o clube não conquistou nenhum título.

Nas últimas temporadas a instabilidade voltou a fazer parte da rotina da equipe. Talvez seja impossível apontar um único jogo ou uma única temporada como o início da queda. O que se percebe é que, ao longo dos últimos anos, o Grêmio foi perdendo a identidade. Hoje o clube vive um momento de instabilidade, marcado por mudanças constantes, resultados abaixo das expectativas e um cenário de incertezas. A eliminação na Copa Sul-Americana apenas reforçou a crise da equipe.

Mas agora, mais do que conquistar novos títulos, o maior desafio do Grêmio parece ser reencontar sua identidade e reconstruir um projeto capaz de recolocar o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro.

Alunos da EMEF Castro Alves dão voz a personagens e vivenciam a experiência da contação de histórias na Rádio Web UFN.

Na terça e quarta-feira, 23 e 24 de junho, o projeto de extensão Nave de Histórias, da Universidade Franciscana (UFN), promoveu a gravação de narrativas criadas por estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Castro Alves. O conteúdo produzido fará parte das atividades desenvolvidas pelo projeto durante a Feira do Livro de Santa Maria.

A Nave de Histórias é uma iniciativa que reúne os cursos de Jornalismo, Desing, Letras e Pedagogia da Universidade Franciscana (UFN). Criado em 2024, o projeto tem como proposta produzir narrativas infantis em áudio, estimulando a imaginação dos ouvintes por meio de experiências e sensações sonoras. Em edições anteriores, foram desenvolvidos podcasts inspirados em obras de literatura infantojuvenil de autores santa-marienses.

Nesta edição, as crianças da escola tiveram a oportunidade de criar histórias, dar voz aos personagens dos contos fictícios e vivenciar a experiência de gravação no laboratório da Rádio Web UFN.

Crianças em dia de gravação, com professoras e monitora.

A professora Neli Mombelli, coordenadora do projeto, destaca que a experiência de gravar as próprias histórias permite aos estudantes dar vida à imaginação e ampliar horizontes. “É muito instigante para eles, porque quem criou a história agora pode dar vida a ela, junto com os colegas que ajudam a interpretar os personagens. Além disso, eles conhecem como funciona todo um processo de produção, o que também é um letramento midiático. A imaginação é o pontapé para qualquer coisa na nossa vida. Para sonhar, a gente precisa imaginar”, destaca ela.

Para a coordenadora pedagógica da escola, Naldivana Bavaresco, a parceria entre escola e universidade é fundamental para ampliar as oportunidades de aprendizagem. Ela ressalta que os projetos de extensão fortalecem essa troca e proporcionam experiências marcantes para os estudantes. “Eles ficaram extremamente motivados. Foi uma experiência que com certeza nunca vão esquecer”.

A monitora do projeto, Luiza Fantinel, destacou o envolvimento e a dedicação das crianças ao longo das atividades. Segundo ela, o entusiasmo dos estudantes foi essencial para o desenvolvimento do trabalho e ficou evidente na evolução durante as oficinas realizadas na escola e a gravação no estúdio. “Eles se disponibilizaram a aprender e treinaram bastante. Foi muito bonito perceber o desenvolvimento deles, desde as oficinas na escola até a gravação no estúdio”, relata Luiza.

O projeto Nave de Histórias segue ampliando seu alcance e estará presente na 53ª Feira do Livro de Santa Maria, de 7 a 22 de agosto de 2026. Os áudios das histórias também poderão ser ouvidos em breve na plataforma Spotify.

Fotos: Nelson Bofill/Labfem e Vinícius Gomes/Labfem

Quando a FIFA anunciou que a Copa do Mundo de 2026 seria disputada em Estados Unidos, México e Canadá, a escolha foi apresentada como um símbolo de integração. A primeira edição com 48 seleções prometia ampliar a diversidade do torneio e aproximar ainda mais diferentes culturas por meio do futebol. Em discursos oficiais, o presidente da entidade, Gianni Infantino, reforçou repetidamente a ideia de que todos seriam bem-vindos. A Copa seria uma celebração global.

Abertura da Copa do Mundo 2026, no estádio Asteka, no México. Créditos: Rodrigo OROPEZA/AFP

No entanto, poucos dias após o início da competição, a realidade parece desafiar essa narrativa.

As manchetes que marcaram a abertura do Mundial não foram apenas sobre gols, estádios lotados ou favoritos ao título. Antes mesmo de a bola rolar, a Copa passou a ser associada a revistas em aeroportos, problemas migratórios, vistos negados, delegações submetidas a procedimentos rigorosos de segurança e profissionais impedidos de entrar no país-sede. Mais do que episódios isolados, esses acontecimentos revelam uma questão maior: até que ponto a FIFA consegue sustentar seu discurso de neutralidade e inclusão quando o torneio está inserido em um contexto político marcado por conflitos, desigualdades e disputas internacionais?

A situação mais emblemática envolve o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Escolhido pela FIFA para integrar o quadro de arbitragem da Copa, Artan faria história ao se tornar o primeiro árbitro da Somália a participar de um Mundial. Apesar de possuir visto válido e credenciamento oficial, foi impedido de entrar nos Estados Unidos ao desembarcar em Miami. O árbitro relatou ter passado horas sob interrogatório antes de ser deportado. Dias depois, a UEFA anunciou sua escalação para a Supercopa da Europa, um dos principais eventos do calendário continental.

O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que havia sido escalado para apitar partidas na Copa do Mundo da FIFA de 2026, mas foi impedido de entrar nos Estados Unidos, foi recebido ao chegar ao Aeroporto Internacional Aden Abdulle Osman, em Mogadíscio, Somália, em 10 de junho de 2026. Foto: REUTERS/Feisal Omar

O episódio levanta uma pergunta difícil de ignorar, se Artan era qualificado o suficiente para ser selecionado pela FIFA e, posteriormente pela UEFA, por que não pode entrar no país que sediava a Copa do Mundo? A resposta oficial permanece vaga, mas o caso tornou-se símbolo de um problema mais amplo. A nacionalidade do árbitro pareceu pesar mais do que sua trajetória profissional.

O mesmo sentimento apareceu em outros episódios. A seleção de Senegal foi submetida a uma revista detalhada ainda na pista do aeroporto ao chegar aos Estados Unidos. A delegação do Uzbequistão passou por procedimentos de segurança envolvendo cães farejadores e inspeções rigorosas. Integrantes da seleção iraniana enfrentaram dificuldades relacionadas à emissão de vistos, obrigando a equipe a alterar parte de sua preparação. A jornalista Karine Alves, da Globo, relatou ter sido submetida a uma abordagem constrangedora durante sua entrada no país.

Separadamente, cada situação pode ser explicada como consequência de protocolos migratórios ou medidas de segurança. Juntas, entretanto, elas formam um padrão difícil de ignorar. Os casos mais repercutidos envolvem justamente representantes de países africanos, asiáticos ou nações que mantêm relações políticas tensas com os Estados Unidos.

É nesse ponto que a discussão ultrapassa o esporte.

O historiador Eric Hobsbawm afirmava que poucas atividades conseguem representar tão bem as identidades nacionais quanto o esporte. A Copa do Mundo, em especial, sempre foi mais do que uma competição de futebol. Ela funciona como uma vitrine política, econômica e cultural dos países envolvidos. Os governos sabem disso. A FIFA sabe disso. Os torcedores sabem disso.

Por essa razão, a ideia de que o futebol está completamente separado da política nunca passou de uma ideia conveniente.

A própria história da Copa confirma essa percepção. O Mundial de 1978 foi disputado sob a ditadura militar argentina. A edição de 2018 ocorreu na Rússia em meio a críticas internacionais ao governo de Vladimir Putin. A Copa de 2022 foi marcada pelos debates sobre direitos humanos no Catar. Em todas essas ocasiões, a FIFA insistiu em defender a neutralidade do esporte. No entanto, os acontecimentos recentes mostram que essa neutralidade tem limites bastante definidos.

A comparação com a Rússia ajuda a entender essa contradição.

Após a invasão da Ucrânia, FIFA e UEFA suspenderam rapidamente seleções e clubes russos das competições internacionais. A decisão foi apresentada como uma resposta necessária diante de um conflito militar de grandes proporções. Independentemente da avaliação sobre a medida, ela demonstrou que as entidades esportivas estão dispostas a tomar decisões políticas quando consideram apropriado.

O problema surge quando observamos que esse princípio não parece ser aplicado de maneira uniforme.

Enquanto a Rússia permanece afastada do futebol internacional, os Estados Unidos seguem ocupando o centro do maior evento esportivo do planeta, mesmo estando envolvidos em operações militares recentes e em conflitos diplomáticos que afetam diretamente algumas das seleções participantes do torneio. O caso do Irã é o exemplo mais evidente. A equipe chegou à Copa enfrentando dificuldades burocráticas justamente em um momento de agravamento das tensões entre os dois países.

A questão não é defender que os Estados Unidos sejam excluídos da competição ou propor uma equivalência entre situações históricas diferentes. O ponto central é outro, se a FIFA afirma que determinados comportamentos justificam sanções esportivas, quais são exatamente os critérios utilizados? E por que eles parecem variar de acordo com o peso político e econômico dos envolvidos?

Essas perguntas tornam-se ainda mais relevantes quando observamos a relação cada vez mais próxima entre a FIFA e o governo norte-americano. Nos últimos meses, Gianni Infantino intensificou sua presença em eventos oficiais relacionados à Copa ao lado de autoridades dos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, Donald Trump recebeu o primeiro FIFA Peace Prize, criado pela entidade para reconhecer iniciativas ligadas à promoção da paz.

Donald Trump recebe de Gianni Infantino o Prêmio da Paz da Fifa. Créditos: REUTERS/Mandel Ngan

O episódio chamou atenção porque ocorreu justamente em um período marcado por guerras, crises diplomáticas e questionamentos sobre a atuação internacional dos próprios Estados Unidos. Mais uma vez, a FIFA demonstrou que sua relação com a política é menos distante do que costuma admitir.

Talvez seja justamente essa a principal lição dos primeiros dias da Copa de 2026.

Eduardo Galeano escreveu, em Futebol ao Sol e à Sombra, que o futebol é capaz de revelar as grandezas e as misérias do mundo que o cerca. A frase ajuda a compreender o que estamos vendo. A Copa não criou as desigualdades, as fronteiras seletivas ou as tensões geopolíticas que marcam o cenário internacional. Mas ela as tornou visíveis.

Enquanto a FIFA promove um discurso de integração global, a experiência de diferentes participantes mostra que nem todos atravessam as mesmas portas. Alguns chegam recebidos por torcedores e festas populares. Outros enfrentam interrogatórios, dificuldades burocráticas e suspeitas antes mesmo de entrar em campo.

A Copa do Mundo continua sendo um dos maiores encontros culturais do planeta. Mas os acontecimentos das últimas semanas demonstram que esse encontro não ocorre em condições iguais para todos. E talvez seja justamente aí que esteja o maior desafio da FIFA.

Mais do que organizar jogos, estádios e transmissões, a entidade precisa responder a uma pergunta que os episódios recentes tornaram inevitável, até que ponto é possível defender uma Copa para todos quando as barreiras que separam os participantes continuam sendo tão diferentes?

Porque, no fim das contas, o problema não está apenas nas fronteiras dos Estados Unidos.

Está nos limites da própria neutralidade que a FIFA insiste em defender.

Foto: XPB Images

No último Grande Prêmio da Fórmula 1, dia 14 de junho, a velocidade e adrenalina tomaram conta da pista de Barcelona-Catalunha, marcando o final de semana com ultrapassagens, disputa entre companheiros de equipe, safety car virtual, e é claro, Lewis Hamilton brilhando no topo novamente. 

O circuito é famoso por ser utilizado para realizar os testes dos carros e motores, justamente por sua estrutura linear comparada a outras pistas. Por isso, os carros mais estáveis do grid costumam ter maior vantagem, fazendo com que esse circuito seja marcado por corridas mais cansativas e com pouca adrenalina. Mas dessa vez não foi assim.  

George Russel, piloto da Mercedes, largou em primeiro lugar, na esperança de manter a posição, seguido por Lewis Hamilton (Ferrari) e Kimi Antonelli (Mercedes). No entanto, durante a corrida, os pits stop, as ultrapassagens e o safety car virtual (acionado por Alonso ter saído da pista) alteraram esta ordem. Hamilton assumiu a liderança, deixando as duas Mercedes para trás.  

Ambos os pilotos, Russel e Antonelli, disputavam incessantemente entre si, lutando pela segunda posição. Faltando apenas duas voltas para encerrar a corrida, Antonelli teve problemas com o carro e precisou abandonar a competição. O pódio ficou constituído por: 

1º – Lewis Hamilton (Ferrari) 

2º – George Russel (Mercedes) 

3º – Lando Norris (McLaren- atual campeão mundial) 

Foto: XPB Images

Quanto ao nosso brasileiro presente no grid, Gabriel Bortoleto, correndo pela Audi, largou em 12º lugar e chegou em 11º, mesmo com pequenos problemas técnicos não precisou abandonar a corrida, e quase conseguiu pontuar.   

Enquanto isso, Lewis Hamilton garantiu sua 106ª vitória na Fórmula 1, após 2 anos sem vencer. O piloto também conquistou sua 7ª vitória no circuito de Barcelona, batendo o recorde de Michael Schumacher, pois ambos estavam empatados com 6 triunfos.  

Após períodos críticos com o desempenho de sua Ferrari, Lewis nunca havia ficado em primeiro lugar no pódio pela escuderia. Agora, tanto a Ferrari quanto Hamilton estão de volta ao pódio e aos holofotes do esporte, reerguendo a equipe e fazendo história.  

Infelizmente, durante esta corrida, Charles Leclerc, companheiro de equipe do 7 vezes campeão mundial, abandonou o carro nas voltas finais do GP, por um problema técnico na direção e não conseguiu pontuar.  

Mesmo assim, a equipe demonstrou estar forte este ano, se fazendo presente no pódio em 5 das 6 corridas de 2026. Presenciamos mais uma vez Hamilton brilhando, dessa vez com uniforme vermelho e emoção nos olhos. Será que Lewis entra com tudo na disputa por seu oitavo título mundial esse ano? 

Fotos: Foto: XPB Images

Dados registrados pela Ancine apontam desafios para incentivar o público a ver filmes nacionais. Imagem: reprodução internet.

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) atualizou as regras da Cota de Tela, após envolvimento polêmico da rede de cinemas Cinemark. Segundo informações divulgadas pela Folha de São Paulo, a empresa teria utilizado sessões do filme infantil “Zuzubalândia”, lançado em 2024, em horários de baixa procura para cumprir a exigência de cota obrigatória. A situação gerou críticas nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a efetividade da política pública de incentivo ao audiovisual brasileiro.

Após a repercussão, a Ancine publicou a nova Instrução Normativa n° 175, que atualiza a regulamentação da política para 2026. Em vez de só contabilizar o número de sessões com filmes nacionais, sessões de longas brasileiros exibidas a partir das 17h, em qualquer dia da semana, passam a receber um acréscimo de 0,10 na contagem da cota. Na prática, isso significa que uma sessão em horário de maior público, como à noite, passa a valer mais para o cumprimento da obrigação legal do que sessões programadas em horários de menor movimento, como pela manhã ou no início da tarde.

A norma também cria um incentivo para que os filmes permaneçam mais tempo em cartaz. Quando um longa brasileiro continua sendo exibido entre a segunda e a quinta semanas cinematográficas no mesmo complexo, ele recebe um acréscimo adicional de 0,025 na contagem da cota, desde que as sessões também ocorram a partir das 17h. Caso o filme saia de cartaz e retorne posteriormente, a contagem é reiniciada.

Outra mudança amplia o bônus para obras premiadas. Além de Melhor Filme, passam a ser consideradas premiações como Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Diretor e Melhor Roteiro em festivais reconhecidos pela Ancine. Nessas condições, as sessões a partir das 17h também recebem acréscimo no cálculo da cota.

Dados registrados pela agência apontam desafios para incentivar o público a ver filmes nacionais.  Em 2024 e 2025, o cinema brasileiro ficou com 15,7% das sessões, mas só 10,1% e 9,9% do público, respectivamente. Em 2026, até agora, o número recuou para 6,5%. “O cumprimento formal da obrigação de programação não tem sido suficiente para converter presença em cartaz em resultado efetivo de público e bilheteria”, lamenta a Ancine, ao justificar a necessidade da atualização.

Com as novas medidas, a Ancine busca não apenas ampliar a quantidade de exibições de filmes nacionais, mas também garantir maior visibilidade e acesso do público às produções brasileiras nas salas de cinema.

Com o tema “Aprendizagem e Serviço Solidário, a 4ª Mostra da Extensão ocorreu nos dias 27, 28 e 29 de abril na Universidade Franciscana (UFN), com mais de 800 inscritos e a socializaçaõ de mais de 30 projetos. No primeiro dia de evento, foi realizada a Exposição Fotográfica sobre os projetos de extensão da instituição promovido pelo Laboratório de Fotografia e Memória (LABFEM) e pelo Curso de Design. Sob a supervisão das professoras Laura Fabrício e Círia Moro, as imagens foram organizadas em um ambiente ligados por fios representando a união e as conexões centralizadas na UFN.

A exposição fotográfica está disponível até o dia 18 de maio. Imagem: Thine Feistauer/ LABFEM

No primeiro dia a instituição realizou o Fórum de Alunos Extensionistas, reunindo estudantes e profissionais de áreas como Odontologia, Arquitetura, Direito, História e Psicanálise. O encontro teve como foco o compartilhamento de experiências nos projetos de extensão e sua relação com a vida acadêmica.

Entre os relatos, destacou-se a fala da cirurgiã-dentista Franciele Dutra, formada em Odontologia, que participou do projeto “Edu Saúde” desde o início da graduação. Desenvolvido na Escola Joaquina de Carvalho, o projeto promove atividades semanais com crianças e envolve diferentes áreas da saúde, abordando temas diversos.

Franciele ressaltou o impacto transformador da extensão em sua formação. “O projeto é muito grandioso. Ele transforma a gente como pessoa e como futuros profissionais desde o início da graduação. A gente acha que vai ensinar, mas aprende muito mais”, afirmou. Segundo ela, o contato com diferentes realidades amplia a visão dos estudantes e reforça a importância da troca de saberes.

O Fórum da Extensão que contou com relatos de alunos sobre suas experiências. Imagem: Luiza Silveira/ LABFEM

Na terça-feira, 28 de abril, foi realizada a conferência de abertura oficial da 4ª Mostra da Extensão da Universidade Franciscana (UFN), reunindo acadêmicos, professores e comunidade para refletir sobre o papel da extensão universitária com o professor Cleverson Pereira de Almeida, Pró-reitor de Extensão da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Presidente do Fórum Nacional de Extensão e Ação Comunitária das Instituições Comunitárias de Ensino Superior (ForExt).
A atividade marcou o início da programação acadêmica do evento, promovendo um espaço de diálogo e troca de experiências sobre a importância das ações extensionistas na formação dos estudantes e na relação com a sociedade.

Durante a abertura, o pró-reitor de Extensão, professor Márcio Taschetto, destacou a relevância da extensão dentro da universidade. “A extensão é o DNA de uma universidade comunitária e faz parte da identidade de uma instituição de ensino”, afirmou.

A abertura oficial da Mostra teve como temática a importância da extensão universitária na construção da identidade de uma instituição de ensino superior. Imagem: Luiza Silveira/ LABFEM

No mesmo dia ocorreram as rodas de conversa, que promoveu a troca de experiências e a reflexão coletiva entre os participantes, visando gerar aprendizados que contribuam com o planejamento da formação extensionista e fortaleçam a integração entre os diferentes territórios. As rodas foram organizadas por territórios, agrupando regiões específicas:

Território 1 (Região Centro): Teve como tema a curricularização da extensão, com coordenação da Prof.ª Claudia Zamberlan e do Prof. Francisco Queruz, e como projetos disparadores o Território Negro do Rosário e a AMICA.

Territórios 2 e 5 (Norte e Nordeste): Abordou metodologias da extensão, com coordenação do Prof. Adriano Falcão e da Prof.ª Aline Krüger, tendo como projetos disparadores o comVIDA e o Direito em Perspectiva (+Parentais).

Territórios 3 e 4 (Oeste e Centro-Oeste): Discutiu território e construção de vínculo com a comunidade, com coordenação da Prof.ª Anelis Flores e da Prof.ª Janaina Marchi, e projetos disparadores o Edusaúde+ e Além das Cores.

Cada roda teve um tema próprio, coordenação definida e projetos que serviram como ponto de partida para as discussões, permitindo trocas de experiências mais direcionadas à realidade de cada grupo.

As rodas temáticas foram ume espaço de discussão por territórios de abrangência. Imagem: Thine Feistauer/ LABFEM

Na quarta-feira, 29 de abril, último dia do evento, ocorreu o painel “Experiência, Aprendizagem e Serviço Solidário”. A atividade reuniu especialistas para discutir o papel da extensão universitária.

Durante o encontro, o professor Rodrigo de Andrade, Gerente de extensão universitária e aprendizagem-serviço da PUC/Paraná, destacou que a extensão, integrada ao ensino e à pesquisa, contribui para uma formação mais completa, com experiências práticas que tornam o aprendizado mais consistente e de maior qualidade. O professor Adriano Hertzog Vieira, consultor de Política de Extensão da Universidade Franciscana também participou do debate, abordando a política de extensão universitária.

O painel Experiência, Aprendizagem e Serviço Solidário trouxe especialistas para discutir sobre a extensão universitária. Imagem: Thine Feistauer/ LABFEM

A Mostra dos projetos extensionistas ocorreu na tarde de quarta-feira, no hall do prédio 15 (conjunto III) da Universidade Franciscana. Projetos de toda instituição foram expostos para a apreciação da comunidade. Entre eles estava o projetos do curso de Jornalismo Nave de Histórias.

A Nave de Histórias é uma proposta criada na disciplina de Áudio para Mídias Digitais, onde ao entrar na cabine em formato de nave espacial, a criança ouve um podcast de contação de histórias, criadas por escritores santa marienses e lidas por alunos do curso de Jornalismo.

A Professora do Curso de Jornalismo, Neli Mombelli, responsável pelo projeto, conta sobre o processo de expansão do Nave, que está sendo levado às escolas, incentivando as crianças a desenvolverem suas próprias histórias e participarem ativamente da proposta: “Fazer histórias de modo coletivo e pensar que elas tocam as pessoas de diferentes formas é muito especial” afirma. Hoje o projeto tem contribuição dos cursos de Design, Letras e Pedagogia, além de Jornalismo.

A professora e coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda, Cristina Jobim, é atualmente a responsável pelo projeto integrador de todos os sub-projetos de extensão dos cursos de Jornalismo e Publicidade. Segundo a professora desde antes dos projetos de extensão os cursos de comunicação já executavam esse tipo de atividade, pois os cursos são naturalmente em essência extensionistas. “Participar desse processo educa muito, faz com que a pessoa compreenda muitas coisas que talvez um livro ou uma teoria ela não consiga”, ressalta.

Um dos projetos apresentados na Mostra foi a Nave de Histórias. Imagem: Nelson Bofill/ LABFEM

Com o encerramento da programação, ocorreu a conferência do coordenador da Câmara Técnica de Diversidade do COREn/RS, Edgar Vagner Moraes, sobre Diversidade e Equidade em Saúde na perspectiva Interprofissional. Também foi lançado o documentário Equidade e Formação: Vivências do PET-Saúde, com direção da acadêmica de Jornalismo Yasmin Zavareze, que contou com a produção de alunos do curso e orientação geral da professora Neli Mombelli. O documentário mostrou depoimentos de alunos, coordenadores e preceptores dos cinco grupos do PET, que contaram as suas experiências durante o desenvolvimento do projeto.

A Mostra finalizou com uma Conferência de encerramento e o lançamento do documentário sobre as vivências do PET Saúde. Imagem: Luiza Maicá/ LABFEM

Colaboração: Acadêmica de Jornalismo Amanda Ripe e Aryane Machado.

A Universidade Franciscana (UFN) realiza, entre os dias 27 e 29 de abril, a 4ª Mostra da Extensão. O evento tem como objetivo valorizar e dar visibilidade às ações extensionistas desenvolvidas por acadêmicos e professores, reforçando a relação entre universidade e comunidade. A temática deste ano é “Aprendizagem e serviço solidário”.

A Mostra se consolida como um espaço de troca de experiências e compartilhamento de conhecimento, evidenciando o papel da extensão universitária na formação dos estudantes por meio de práticas aplicadas e do contato com a comunidade.

As inscrições para participação seguem abertas até esta sexta-feira, dia 24 de abril, e são gratuitas para toda a comunidade. Os participantes inscritos recebem certificado de 20 horas de Atividades Complementares de Curso (ACC).

A programação conta com uma série de atividades ao longo dos três dias. Entre os destaques, está a exposição fotográfica dos projetos de extensão, que busca retratar, por meio de imagens, as experiências vividas pelos acadêmicos nos diferentes contextos de atuação. Também integra a programação o fórum de estudantes extensionistas, que contará com a participação de cinco egressos da Universidade, promovendo a troca de experiências e trajetórias.

Além disso, o evento inclui rodas temáticas por territórios, o painel “Experiência, aprendizagem e serviço solidário”, com o gerente de extensão universitária e aprendizagem-serviço da PUC/PR, Rodrigo de Andrade, e o consultor da Política de Extensão da UFN, Adriano Hertzog Vieira, e a mostra de vivências do PET-Saúde Equidade.

O curso de Jornalismo também participa da programação. No dia 29 de abril, das 14h às 18h, os acadêmicos apresentam o projeto “Entre Vozes e Olhares”, desenvolvido na disciplina de Comunicação Comunitária, ministrada pela professora Laura Fabrício. A iniciativa foi realizada junto à Escola Municipal de Ensino Fundamental Aracy Barreto, a partir de ações construídas pelos estudantes ao longo de dois semestres, com foco na aproximação entre universidade e comunidade escolar. Além disso, o curso também apresenta o projeto de extensão “Nave de Histórias”, um podcast inicialmente desenvolvido na disciplina de Áudio para Mídias Digitais, sob orientação da professora Neli Mombelli.

Ao longo da quarta-feira, 29 de abril, também ocorre a mostra dos projetos integradores, projetos extensionistas e programas de extensão, ampliando a visibilidade das ações desenvolvidas na instituição.

A programação completa e mais informações sobre o evento podem ser acessadas no site da UFN.

Programação completa

27 de abril (segunda-feira)
• Abertura oficial da 4ª Mostra da Extensão
• Exposição fotográfica dos projetos de extensão
• Fórum dos estudantes extensionistas

28 de abril (terça-feira)
• Rodas temáticas por territórios
• Painel “Experiência, aprendizagem e serviço solidário”
• Mostra de vivências do PET-Saúde Equidade

29 de abril (quarta-feira)
• Mostra de projetos integradores, projetos extensionistas e programas de extensão
• Apresentações de projetos ao longo do dia
• Participação do curso de Jornalismo com o projeto “Entre Vozes e Olhares”, das 14h às 18h