
O BTS não precisa do Grammy, mas a academia ainda precisa aceitar a globalização
A decisão de boicotar a premiação escancara a estratégia do Grammy de lucrar com o engajamento de artistas globais sem dar a eles igualdade de competição.

A decisão de boicotar a premiação escancara a estratégia do Grammy de lucrar com o engajamento de artistas globais sem dar a eles igualdade de competição.

Uma análise sobre expectativas e sucesso na juventude.

Uma reflexão sobre a relação entre Neymar e o futebol brasileiro após sua convocação para a Copa de 2026. Entre esperança, desgaste e memória coletiva, o camisa 10 segue sendo um personagem impossível de ignorar.

Por que as mulheres estão cada vez mais obcecadas por homens que existem apenas no papel?

Identificação, palavra que no dicionário pode ser entendida como um processo inconsciente no qual existe a semelhança de pensamentos e comportamentos entre duas partes.

Hoje o céu ganha mais uma estrela, morreu na noite desta segunda-feira (8) a rainha do rock brasileiro, Rita Lee, uma das maiores cantoras e compositoras da história do Brasil. Desde 2021, Rita vivia em uma

Depois de aproveitar, agradeça. Você, torcedor e amante do futebol, presenciou a maior final da história das Copas. E, talvez, um dos maiores jogos da história do esporte. Os deuses do futebol não entram em campo,

Aproveita torcedor, a nova história do futebol está sendo escrita diante dos seus olhos. E o protagonista? O extraterrestre mais humano do planeta, Lionel Messi. São poucas as palavras que encaixam para descrever o que é

Vou ter que repetir: se você acredita no hexa ou não, a decisão é sua, mas vai ter que concordar que a seleção brasileira ensina o jogo e a dança para os adversários. Depois da derrota

A maior competição do mundo começou. Com quatro jogos por dia, o amante de futebol está vidrado na televisão o dia inteiro. Se você acredita no hexa ou não, é decisão sua, mas vai ter que
A Agência CentralSul de Notícias faz parte do Laboratório de Jornalismo Impresso e Online do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) em Santa Maria/RS (Brasil).
A decisão de boicotar a premiação escancara a estratégia do Grammy de lucrar com o engajamento de artistas globais sem dar a eles igualdade de competição.

Nesta quarta-feira (29), o BTS, maior grupo de K-pop da atualidade, tomou uma posição firme contra a principal premiação da indústria musical. A tensão entre o grupo sul-coreano e o Grammy se acentuou após a criação da categoria Best Asian Pop Music Performance, uma adição que, na prática, isola artistas asiáticos e os afasta das categorias principais (General Field), como Álbum do Ano e Gravação do Ano.
Em nota publicada nas redes sociais, os sete integrantes (Jin, Suga, J-Hope, RM, Jimin, V e Jungkook) pontuaram que a arte não deve ser confinada a recortes geográficos:
“Decidimos não inscrever nossa música no Grammy este ano. Esperamos que a música possa ser ouvida e amada pelo que é, em vez de ser categorizada por região ou idioma. Agradecemos aos ARMYs e a todos que estão sempre conosco.”

Além da adição da categoria voltada ao pop asiático, a 69ª edição do Grammy Awards anunciou a inclusão de quatro novas categorias:
E aqui percebemos como o problema é maior: sob o pretexto de celebrar a diversidade, a premiação historicamente confina músicos latinos, asiáticos e negros a subcategorias, sempre arrumando recortes e pretextos para deixá-los fora das grandes categorias. Grande parte desses prêmios sequer é transmitida na cerimônia principal da TV, sendo descartada na pré-cerimônia, que não é televisionada.
O que vemos é uma grande manipulação da academia para manter premiando apenas artistas brancos norte-americanos e europeus nas categorias principais. Eles vendem a criação de subcategorias regionais como “reconhecimento da diversidade”, mas a realidade segue sendo de exclusão. Ao invés de colocar grandes artistas asiáticos como o BTS ou Rosé — que concorreu com o fenômeno APT. na última edição — ou a sul-africana Tyla para disputarem em igualdade com grandes nomes do mercado ocidental, como Taylor Swift ou Beyoncé, nas categorias gerais a premiação cria nichos e condena esses artistas a concorrerem apenas entre si.

Há pelo menos uma década a música coreana vem ganhando espaço e dominando as paradas globais. O último lançamento do grupo, o 6° álbum de estúdio, intitulado Arirang, vendeu 641 mil cópias no total em sua primeira semana de lançamento — o maior número para um grupo desde que a Billboard começou a contabilizar dados em 2014 — incluindo 532 mil em vendas puras de álbuns. Além disso, estreou direto no nº 1 da Billboard 200 e permaneceu no topo por semanas consecutivas. Esses números provam que Arirang não é apenas um “sucesso asiático”, mas um dos maiores lançamentos mundiais do ano. Se um álbum com essas estatísticas não entra na disputa do prêmio principal, a limitação é da academia, não do artista.
Estudos da Universidade Lusófona de Portugal indicam que o K-pop acumula mais de 600 bilhões de visualizações/streams globais, somando plataformas como TikTok, YouTube e Spotify. O gênero se popularizou tanto ao ponto de quebrar a barreira linguística e provar que o idioma não limita a dominância das paradas mundiais. Em plataformas globais, o consumo de músicas coreanas rivaliza de igual para igual com grandes lançamentos em inglês e espanhol.
E por falar em lançamentos espanhóis, os latinos também são um grupo historicamente excluído pela academia, inclusive com a própria criação do “Grammy Latino”, que exclui esses artistas da premiação tradicional. Grandes nomes como Rosalía que acumula Grammys Latinos, mas na premiação norte-americana apenas ganhou na categoria específica de Melhor Álbum Latino de Rock, Urbano ou Alternativo. Já o gigante Bad Bunny fez história ao se tornar o primeiro artista de língua espanhola a competir simultaneamente nas três principais categorias gerais do Grammy (Álbum do Ano, Gravação do Ano e Música do Ano) e se consagrou ao vencer a principal categoria da noite com o álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS. Foi a primeira vez em 68 anos de premiação que um álbum cantado inteiramente em espanhol conquistou o maior prêmio da noite.

Historicamente, artistas negros dominam as paradas globais, mas ficam restritos a categorias como Urban/R&B, sendo sempre esnobados em Álbum do Ano, situação escancarada pelo boicote histórico de The Weeknd em 2021. Apesar de viver um dos melhores momentos da carreira em 2020, com o enorme sucesso global do disco After Hours e do megahit “Blinding Lights”, o cantor não recebeu nenhuma indicação, levando-o a chamar a premiação de “corrupta” nas redes sociais. Após o desprezo em 2021, o canadense declarou que não submeteria mais suas músicas para avaliação da academia.
Com todos esses casos, é impossível não notar o descaso da premiação com esses artistas e a segregação feita pela indústria ao tentar nichá-los e excluí-los de concorrer nas principais categorias da música mundial, usando-os apenas por sua relevância e audiência — o próprio BTS já performou na cerimônia, mas acabam sempre indo embora de mãos vazias. Isso nos faz questionar a relevância da premiação: por que um hit cantado em coreano ou espanhol precisa de um carimbo regional para ser julgado, enquanto uma música em inglês é automaticamente tratada como “música universal”? O Grammy ainda é o padrão ouro da indústria da música ou tornou-se um prêmio centrado nos EUA que se recusa a aceitar a globalização?
O Grammy tentou criar a categoria Best Asian Pop Music Performance sob o pretexto de “dar espaço”. Contudo, quando o grupo que lidera esse movimento vende mais de 5 milhões de álbuns globais no mesmo ano, lota 85 datas em estádios pelo mundo e supera em números de streaming a grande maioria dos indicados anglófonos nas categorias principais, a mensagem é clara: o pop cantado em coreano não faz dele menos pop. O Grammy usa o K-pop para bater recordes de audiência na TV e nas redes sociais, mas nega a ele a única coisa que importa em uma premiação séria: a igualdade de competição no palco principal.

Quem acompanha minimamente a Fórmula 1, com certeza já ouviu falar de Lando Norris, o jovem piloto da McLaren que se tornou campeão mundial em 2025. Lando entrou na F1 aos 19 anos, sendo um dos pilotos mais jovem do grid naquela época. Norris sempre teve um estilo autêntico que ia além das roupas modernas. Sempre chamou atenção por sua personalidade espontânea e cheia de humor, conhecido por ser o mais “baladeiro” entre todos.
Na Fórmula 1, tudo acontece muito rápido e a pressão é extrema. Os pilotos têm desde cedo suas vidas expostas, os erros que cometem são capturados por câmeras e vistos por todo o mundo. Não é só um esporte comum. As equipes têm contratos milionários e muita expectativa em quem vai pilotar. Além disso, as comparações entre colegas de equipe acontecem o tempo todo.
Lando demonstrava vulnerabilidade de forma humana. O “problema” é que essa forma de ser contrasta muito com o jeito sério e frio que muitos pilotos aprenderam a ter, tanto dentro quanto fora das pistas. Ele fugia do esperado. O atleta sempre comentava publicamente sobre a pressão que sentia, e demorou até conquistar seu lugar e seus títulos. Mas esse é um esporte de resultados, se você não traz bons resultados não pode continuar.
Lando via seus adversários e companheiros vencendo, pontuando, subindo ao pódio… e ele? Sendo esmagado por críticas e cobranças. Ele não era um piloto ruim, mas tinha seu próprio tempo. Só que o ambiente do automobilismo é altamente competitivo, cheio de questionamentos por parte da mídia e dos fãs. Norris se viu submerso em estresse constante, medo e ansiedade.
Soa familiar?

Essa situação aconteceu com Norris, mas não está tão longe quanto a gente imagina. Esse cenário conversa com a realidade de muitos jovens brasileiros de 17 a 30 anos, que sofrem com a famosa sensação de estarem sempre atrasados. O receio de não ser bom o suficiente, de ter que entregar resultados perfeitos de forma constante, de não poder errar em hipótese alguma, e ao mesmo tempo, ser o que todos esperam que você seja.
Esse tema virou assunto nas redes sociais, por tantos jovens descreverem o mesmo sentimento recorrente. As pesquisas feitas por uma empresa bancária canadense mostram que 53% da geração Z se sentem atrasados em suas próprias vidas.
Para Lando, assim como para muitas pessoas, a pressão passou a não vir apenas do adversário, mas de si mesmo. Podemos não ser pilotos de Fórmula 1, mas temos responsabilidades que para nós podem ser pesadas. Escola, vestibular, faculdade, estágio, trabalho, família, vida social… tudo pesa, tudo nos faz sentir atrasados. Como se a vida tivesse um timing exato para cada coisa: aos 19 começar a faculdade – aos 24 se formar – aos 25 ter um bom emprego – comprar uma casa e um carro – se casar aos 26 – ter filhos aos 28 e aos 30 estar com tudo estável, resolvido e perfeito.
Quando isso não sai exatamente como planejamos, a sensação de fracasso chega imediatamente. Lando via seus colegas conquistando títulos enquanto ele se dedicava e falhava. Em comparação, no cotidiano, vemos nosso primo da mesma idade se formando, outro amigo próximo se casando, a nossa amiga de infância tendo um filho… enquanto sentimos que estamos ficando para trás.
Mas…ficando para trás do que? Como podemos estar atrasados em nossa própria trajetória? Nosso jovem astro da McLaren nos mostra que vida não é linear e não segue um padrão. Assim como a carreira de Lando não foi perfeita. Houve derrotas, incertezas, erros… O desenvolvimento leva tempo.
No fim, depois de tantos altos e baixos, quem foi o Campeão Mundial da Fórmula 1 de 2025? Isso mesmo, Lando Norris! Mostrando a todos que a vitória não chega quando nós queremos, mas sim quando estamos prontos. A vitória vem no nosso próprio tempo, vem com dedicação. Não desistir já garante 50% das nossas chances.

Lando comentou diversas vezes sobre como lidou com a pressão, ansiedade e medo de que o afligiam: “Entrando na Fórmula 1 aos 19 anos há muitos olhos voltados para você. Lidar com todo esse tipo de coisa me afetou bastante: ‘Se isso der errado, se eu sair na próxima sessão e não tiver um bom desempenho, o que vai acontecer? Qual será o resultado de tudo isso? Estarei na Fórmula 1 no ano que vem? O que farei, já que não sou muito bom em muitas outras coisas na vida?'”
Segundo uma pesquisa feita pelo Estadão, 90% dos jovens da geração Z se sentem inseguros e ansiosos em relação ao seu futuro profissional. Aqui vemos que o que sentimos e pensamos não são experiências individuais, mas sim coletivas, e que ninguém está a frente ou atrás em sua própria vida. Sobre o assunto, Lando ainda complementou dizendo: “Além disso, me sentia deprimido a maior parte do tempo achando que, se tivesse um fim de semana ruim, não era bom o suficiente”.
No final das contas, seja um piloto na maior categoria do mundo, um estudante de medicina, um lojista, um vestibulando… todos enfrentamos desafios emocionais em nossa carreira e vida pessoal. Mas assim como Lando nos ensinou, não há nada errado em ser vulnerável, isso só nos torna humanos. Aliás, buscar ajuda psicológica auxilia nessa jornada e ajuda a carregar o peso invisível de nos sentirmos sempre atrasados.
Durante quatro minutos, parecia que tudo finalmente tinha dado certo.
Neymar chorava no gramado após o gol contra a Croácia. O Brasil estava classificado. A semifinal estava perto. E, por alguns instantes, parecia que aquela seria a imagem definitiva da relação entre Neymar e a Seleção: o craque decisivo, carregando o país mais uma vez.
Mas o futebol é imprevisível, tudo muda rápido demais.
Quatro minutos depois, a Croácia empatou. Vieram os pênaltis. Vieram as lágrimas de novo. E junto delas apareceu uma sensação estranha de fim. Como se aquela eliminação também encerrasse um ciclo entre Neymar e o Brasil.

Só que despedidas nunca foram simples quando se trata dele.
A convocação para a Copa de 2026 não ocorre porque Neymar ainda seja o jogador mais rápido, mais físico ou mais decisivo do mundo. Ela acontece porque o futebol brasileiro ainda olha pra ele como alguém capaz de fazer o impossível acontecer por alguns segundos. E talvez isso diga mais sobre o povo brasileiro do que sobre o próprio Neymar.
Porque, no fundo, o torcedor brasileiro ainda procura aquele menino de cabelo diferente que jogava sorrindo. Aquele que fazia parecer fácil. Aquele que carregava a sensação de que qualquer jogo podia virar espetáculo a qualquer momento.
Em 2010, ele era futuro. Em 2014, virou símbolo de um país inteiro que sonhava com o hexa dentro de casa até a joelhada que interrompeu tudo. Em 2018, jogou cercado pela obrigação de provar que ainda era o melhor. Em 2022, parecia cansado. O Brasil parecia cansado dele também.
Mas mesmo assim, quando o nome apareceu na convocação para 2026, o país parou pra olhar.
Porque Neymar nunca foi só futebol. Neymar virou memória de geração. Virou discussão de almoço em família, virou esperança exagerada, virou frustração nacional, virou obsessão coletiva. Todo mundo tem uma opinião sobre ele. E talvez seja exatamente isso que faz dele tão impossível de ignorar.
Só que agora é diferente.
O corpo já não responde igual. As lesões deixaram marcas. O sorriso parece menos leve. Pela primeira vez, Neymar não chega como unanimidade absoluta. Não chega como o herói inevitável. Chega quase como alguém tentando sobreviver ao próprio personagem.
E talvez seja justamente isso que torne tudo mais humano.
O menino virou veterano diante dos olhos de um país inteiro. O jogador que antes parecia representar o futuro agora carrega o peso do passado nas costas. Ainda assim, existe algo quase irracional no fato de que o Brasil continua esperando alguma coisa dele.
Talvez porque o futebol brasileiro também tenha dificuldade em seguir em frente.
Talvez porque seja difícil aceitar que o tempo passou.
Ou talvez porque, no fundo, a gente ainda queira acreditar que existe um último capítulo reservado pra ele.
Um último drible.
Um último gol.
Um último milagre.
Porque algumas relações no futebol não acabam quando deveriam.
E talvez o Brasil ainda não tenha aprendido a se despedir de Neymar.

Por que as mulheres estão cada vez mais obcecadas por homens que existem apenas no papel?

Quem acompanha a cultura pop e acessou as redes sociais nos últimos tempos certamente foi atropelado pelo fenômeno Off Campus. A série, uma adaptação dos livros da autora canadense Elle Kennedy, estreou recentemente no streaming Prime Video e o sucesso foi estrondoso. A história aborda o relacionamento e a vida de Hannah Wells (Ella Bright), uma jovem estudante de música que carrega um grande trauma, e Garrett Graham (Belmont Cameli), o popular capitão do time de hóquei da faculdade Briar. Clichê? Óbvio!
De mundos completamente diferentes, os protagonistas se aproximam a partir de um acordo: Hannah ajuda Garrett a estudar e ele tenta ajudá-la a conquistar Justin Kohl (Joshua Heuston), um músico por quem ela está interessada. Com o desenrolar da história, os dois inevitavelmente se envolvem, o que leva Hannah a mergulhar na vida de Garrett, um universo repleto de esportes, fraternidades e muita testosterona. E é aí que começa a nossa discussão.
Graham divide a casa com três amigos, também jogadores de hóquei. Apesar de carregarem todos os estereótipos possíveis do conhecido “hétero top”, é aí que as semelhanças com a vida real acabam. Mesmo cercados por circunstâncias propícias para agirem de forma abusiva, tóxica, preconceituosa e manipuladora, eles não o fazem. E o motivo é simples: foram escritos e dirigidos por mulheres.
Esse talvez seja o ingrediente principal para o gênero fazer tanto sucesso, especialmente com o público feminino. Encontramos ali personagens masculinos com responsabilidade emocional e afetiva, que não descontam suas frustrações nas parceiras e não perpetuam os comportamentos abusivos que sofreram na infância (como é o caso do próprio protagonista de Off Campus). São homens que levam a sério o consentimento e os limites, e que não têm medo de demonstrar sentimentos. Algo que deveria ser simples na teoria, mas que se tornou escasso ultimamente: homens adultos responsáveis, gentis, funcionais e emocionalmente inteligentes.
Em uma sociedade cada vez mais sufocante para as mulheres, bombardeadas por discursos misóginos, pela infeliz cultura red pill, e onde a solidão é considerada uma epidemia pela Organização Mundial da Saúde, uma realidade onde os homens se mostram frágeis e se permitem sentir parece cada vez mais distante.
Destaco uma das cenas da série em que Hannah, passando por um momento difícil em decorrência de um trauma da adolescência, ignora todas as mensagens e ligações do namorado. Ele também enfrentava um dia complicado, porém, ao encontrá-la, em vez de esbravejar, xingar ou descontar seu descontentamento na garota, Garrett apenas questiona se está tudo bem, e se ELE fez algo errado. Em nenhum momento há comportamentos tóxicos ou controladores. O mínimo? Sim, mas extremamente raro ultimamente. Em um mundo onde 80% das vítimas de feminicídio são assassinadas por parceiros ou ex-parceiros, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, tendo o ciúme possessivo como principal motivação, as mulheres são ensinadas, desde cedo, a sempre esperar pelo pior.
Outro sucesso recente, a série canadense Heated Rivalry (Rivalidade Ardente), adaptação dos livros de Rachel Reid, também acertou em cheio ao abordar homens com emoções fortes e sem medo de expressá-las. A trama, também ambientada no brutal e hipermasculino mundo do hóquei, traz uma grande diferença: gira em torno de um casal homossexual. Os personagens Shane Hollander (Hudson Williams) e o russo Ilya Rozanov (Connor Storrie) se apaixonam e, apesar de tentarem esconder o relacionamento devido à pressão da carreira e da sociedade, não têm medo de demonstrar o afeto que sentem um pelo outro. Homens sendo carinhosos com outros homens: o mínimo que o público feminino ama ver.

Historicamente, a própria indústria cinematográfica hollywoodiana foi construída sob o conceito do “Male Gaze” (o olhar masculino), produções feitas por homens e para homens. Nelas, as figuras femininas são retratadas como o “sexo frágil”, servindo apenas como um rosto bonito ou objeto sexual, enquanto a figura masculina é sempre o pilar forte, frio e incapaz de demonstrar sentimentos. Em contrapartida, a atualidade consagra o “Female Gaze” (o olhar feminino): homens escritos por mulheres, voltados para o público feminino. São personagens mais sensíveis, humanizados e expressivos, como vemos em produções recentes como Off Campus, Heated Rivalry e The Summer I Turned Pretty.
Diante deste cenário, surge um questionamento comum: “Se os homens reais também são criados por mulheres (mães, tias, avós, professoras), por que eles não se comportam como nos livros?”. Bom, por mais que as mulheres façam um trabalho excepcional na criação desses meninos, eles não são educados em uma microesfera. Em casa, a figura feminina pode ensinar sobre amor, respeito e criar um lugar acolhedor para expor sentimentos, mas ao pisar na rua, no entanto, esse jovem é engolido por uma sociedade patriarcal, pelo machismo estrutural e por movimentos misóginos da internet que validam a agressão, a manipulação e o preconceito. Eventualmente, a engrenagem social engole o que foi ensinado no lar. Nesse viés, é impossível não citar, também, como a demonstração de sentimentos é estritamente associada ao feminino de forma pejorativa. Homem não pode chorar ou falar sobre o que sente porque isso seria “coisa de mulher” — como se o feminino fosse um sinônimo de fraqueza ou algo ruim.
Por conta disso, o escapismo do público feminino para essas produções é frequentemente taxado como bobo, alienado ou mera fantasia infantil. Conteúdos que têm as mulheres como alvo principal são constantemente diminuídos pela crítica e pelo senso comum (Taylor Swift e seu público são a prova viva disso). Mas o fenômeno vai muito além do entretenimento. Essa obsessão literária e cinematográfica é, na verdade, um sintoma social; um grito de que as mulheres não estão satisfeitas com a realidade.

Aquela antiga história do príncipe encantado no cavalo branco mudou. As mulheres não procuram a perfeição inalcançável, e a masculinidade em si não é rejeitada. A busca real é por um refúgio, a garantia de segurança e afeto sem o medo da violência. O sucesso estrondoso dessas histórias é a prova de que o comportamento padrão masculino da atualidade já não é mais aceitável.
No fim das contas, a grande diferença de Garrett Graham, ou de qualquer outro homem literário, é a sua humanidade, o que chega a ser cômico para um personagem fictício. Os “homens escritos por mulheres” fazem sucesso porque não representam uma ameaça à nossa existência. Enquanto vivermos em uma sociedade onde as telas e as páginas dos livros são os únicos lugares onde o consentimento é sexy, a vulnerabilidade é vista como algo bonito e o amor não é sinônimo de medo, o público feminino continuará buscando abrigo na ficção. Em uma realidade que nos mata, infelizmente, as páginas escritas por mulheres tornaram-se o único lugar seguro para amar um homem.
Identificação, palavra que no dicionário pode ser entendida como um processo inconsciente no qual existe a semelhança de pensamentos e comportamentos entre duas partes. Já no esporte, mais precisamente no futebol, é explicada pela relação entre Luis Alberto Suárez Díaz e Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense em apenas 11 meses de convivência.
O alcance da idolatria muitas vezes não é apenas por títulos ou conquistas, mas sim pela identificação. E ninguém entendeu mais nos últimos anos o que é vestir a camiseta do Grêmio do que Suárez.
Por Suárez, por Renato, pela torcida, esse foi o Grêmio neste ano. Depois de 2 temporadas sofridas em que o gremista não conseguia ver uma partida tranquila sentado no sofá, conseguiu em 2023 ver de perto um dos maiores centroavantes da história do esporte. A recuperação do ânimo, da presença no estádio, de acreditar e do amor pelo futebol. Assim pode ser descrita a passagem de Suárez no Rio Grande do Sul.

“Se ele não tivesse aqui, o Grêmio não seria o mesmo”, alguns dizem. Mas esses, esquecem que a suposição não existe no futebol. Suárez esteve aqui e colocou o tricolor de volta em uma Libertadores da América.
Foram 53 jogos, 27 gols e 18 assistências em 2023. Tudo isso com 36 anos. A temporada em que mais entrou em campo, em que mais pisou no gramado e que mais lutou dentro das quatro linhas.
Por isso, não posso só agradecer. Mas sim, te reverenciar e entender que a vontade e o esforço não dependem do clube em que joga, mas sim da própria personalidade.
O gosto de que poderia ter sido mais, fica. Seria lindo e mágico ver Suárez em uma Libertadores. Mas esse é o futebol. Espero que tenham desfrutado. O melhor 9 do século jogou aqui. Jogou no Grêmio. Vestiu a camiseta azul, preta e branca. E podem ter certeza, coisas melhores estão por vir.
Hoje o céu ganha mais uma estrela, morreu na noite desta segunda-feira (8) a rainha do rock brasileiro, Rita Lee, uma das maiores cantoras e compositoras da história do Brasil. Desde 2021, Rita vivia em uma luta constante contra o câncer de pulmão. A cantora era um exemplo de determinação e inovação, tanto no meio artístico quanto no pessoal. Uma das frases mais famosas e marcantes dela é: “Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente fina”, o que representa muito o seu papel no mundo na moda ao passar das décadas.

Ela, que viveu sua vida ao extremo, não podia deixar de expressar sua personalidade expansiva e sem vergonha nenhuma. Na hora de sair de casa não deixava a desejar. Para isso a compositora usava um estilo ousado e maximalista, muitas vezes afrontando a época em que estava inserida. Desde seu marcante cabelo vermelho vivo que sempre contrastavam com suas vestes coloridas, estampadas e com silhuetas volumosas. Mesmo através das décadas, Rita Lee não abandonou esta forma de ser, onde quer que fosse ela ia para causar.
Ao falar desta grande estrela do rock, não podemos deixar de lado os paradigmas do vestuário feminino que foram rompidos e os estereótipos machistas que, para ela, não tinham espaço em seu cotidiano. Ela que ousou e usou roupas que contavam histórias no decorrer de seus álbuns. Na década de 60 afrontou a sociedade ao se apresentar no Festival Internacional da Canção juntamente com a banda Os Mutantes. Apareceu vestida de noiva para cantar “Caminhante Noturno”, o que gerou protesto dos jurados, e, ao final a artista soltou a frase polêmica de Caetano Veloso “É Proibido Proibir”.

Algumas roupas icônicas da atriz são replicadas até hoje, principalmente no bloco de Carnaval Ritaleena, que estrou em 2015, com o objetivo de homenagear a artista paulista. Em entrevista ao Estado de São Paulo, no ano 2000, o filho Beto Lee falou sobre a influência do estilo da mãe na hora de subir ao palco: “Ela me ensinou que é um lugar sagrado. Não dá para chegar com a mesma roupa que você usa no dia-a-dia. Ela sabe montar um visual como ninguém.”
Para quem acha que estilo é coisa de jovem, a artista expressou sua personalidade até os últimos dias, deixando a sua essência transparecer e conquistar os corações dos brasileiros. A rainha do rock foi um exemplo de liberdade e atitude para as mulheres, não apenas na moda como na vida. VIVA RITA LEE!!!
Depois de aproveitar, agradeça. Você, torcedor e amante do futebol, presenciou a maior final da história das Copas. E, talvez, um dos maiores jogos da história do esporte. Os deuses do futebol não entram em campo, mas a mística existe. Um deles estava lá e vestia a 10 da Argentina.
Além da paixão e dom desse camisa 10, ainda tinha um menino de 23 anos que já toca a campainha do Olimpo do futebol. Esses protagonizaram mais um capítulo maravilhoso da melhor invenção do homem.

Até metade do segundo tempo, a França sequer parecia que tinha saído do vestiário. Um time totalmente apático e apavorado em campo. Do outro lado, a Argentina mostrava, mais uma vez, que o futebol corre no sangue. E esse sangue corria em campo, 2 a 0 e um tango no volume máximo no Catar.
A partir daí, é outra história, novas páginas foram escritas. Mbappé apareceu. 23 anos de puro talento para colocar os franceses de volta no jogo. Um pênalti e uma bola de primeira, que tenho absoluta certeza que a maioria dos jogadores tentariam dominar. Ele não, ele é diferente.

2 a 2 e não se ouvia mais tango, agora da TV só se ouvia o coração dos mais de 80 mil presentes na final. Batidas fortes para acompanhar o ritmo do jogo. Um espetáculo que dificilmente irá se repetir. Dois gols na prorrogação, eles de novo. Messi no rebote e Mbappé em mais um pênalti. 3 a 3.
Depois disso, todos sabem o desfecho. Argentina conquistou a terceira. Messi ganhou a única coisa que faltava. A competição que todos querem. E o quanto mais querem, mais ela se distancia. Dessa vez não escapou. Maradona viu do céu Lionel repetir seu feito.

Para aqueles que não compreendem ou que não acompanham, esse esporte é assim mesmo. Mas, no te lo puedo explicar, porque no vas a entender. A paixão é inexplicável. Apenas agradeça e respire, 2026 tem mais.
Aproveita torcedor, a nova história do futebol está sendo escrita diante dos seus olhos. E o protagonista? O extraterrestre mais humano do planeta, Lionel Messi. São poucas as palavras que encaixam para descrever o que é Messi para o futebol. Para alguns o maior, para outros o melhor e para muitos nem deveria existir discussão.

A Copa nunca foi a competição dele, nem na seleção se sentia confortável. Mas não faz muito que entendeu o que é vestir a camisa azul e branca que carrega os torcedores mais apaixonados do mundo. Em pleno Catar, cantam os 90 minutos. Demonstram todo o carinho e amor como se o futebol fosse a religião dos argentinos.
Podemos dizer até que essa atmosfera mudou Messi. Um jogador sempre quieto, sem muitas emoções. Mas agora, inspirado em Maradona, vive a seleção como o antigo camisa 10.
A vontade de conquistar a terceira estrela é nítida, a garra dos jogadores também. Uma seleção jovem que quer entrar para a história. Jogam pelo povo, pelos apaixonados. Jogam para Messi, que joga por seus companheiros. O dono do time e da perna esquerda mais habilidosa do mundo tem o objetivo de desbancar a atual campeã. Uma missão que não será nada fácil. A França também quer a terceira. Mbappe e companhia jogam por música. Já Messi joga pela camisa, joga por Maradona.
Quem sabe, Lionel não ‘Maradoneia’ e decide como aconteceu em 86. A chance existe e é real, porque agora os argentinos, como diz a música: ahora volvieran a ilusionar.
Vou ter que repetir: se você acredita no hexa ou não, a decisão é sua, mas vai ter que concordar que a seleção brasileira ensina o jogo e a dança para os adversários. Depois da derrota para Camarões com o time reserva, Tite colocou força máxima (com o que tem disponível) para enfrentar a Coreia do Sul. Um baile de Neymar, Vinicius Junior, Lucas Paquetá e companhia. 4 a 1 para deixar o brasileiro mais iludido do que já estava.

O jogo foi definido ainda no primeiro tempo, aos 40 minutos o quarto gol já tinha saído. Depois disso, foi só administrar a partida e correr para o abraço no apito final. Vale destacar a volta de Neymar, que mesmo sem estar 100% faz parecer que o futebol é o esporte mais fácil do planeta. Além dele, Casemiro, o melhor volante da Copa até aqui, é quem passa segurança, quem fecha a porta para o adversário, ou passa o jogador, ou a bola, os dois nunca. Richarlison, como também já foi dito nessa coluna, nasceu para jogar com a camisa amarela, entende como poucos o peso e tamanho da 9 da seleção que mais ganhou mundiais.

A família está unida, o grupo está confiante. Tite, para demonstrar tudo isso, comemorou junto fazendo a famosa dancinha do pombo. O desafio agora é um pouco mais complicado do que tudo que já ocorreu até agora, a Croácia. Vice campeã em 2018, ainda mantém o esqueleto que fez o feito histórico quatro anos atrás. Mas claro, os brasileiros são favoritos e tem tudo a favor para confirmar mais uma vez o favoritismo.
Do mesmo lado da chave, Argentina e Holanda se enfrentam. Os dois times passaram por adversários bem mais fracos que eles nas oitavas e, agora, vão ter a primeira prova de fogo. Tudo pode acontecer e, quem sabe, Memphis Depay e Gakpo não mandam Messi e Sacloni para casa.
Inglaterra e França, do outro lado da chave, também fazem um confronto equilibrado. A favorita seleção francesa tomou conta do jogo contra a Polônia na fase anterior, já os inventores do futebol não tomaram conhecimento de Senegal. A partida vai marcar o encontro de novas gerações de jogadores que, agora, tem o dever de levar as duas seleções nas costas. Um show de juventude e habilidade é esperada nessas quartas.
A primeira e única surpresa dessa fase, não é tanta surpresa para quem olhou Marrocos jogar durante a fase de grupos. A melhor defesa da Copa não deixou um dos melhores ataques passar e, nos pênaltis, garantiu a classificação. A Espanha passou vergonha nas penalidades e errou todos, já Hakimi fechou a disputa com uma cavadinha humilhante. Marrocos enfrentará Portugal, que agora não sabemos se é com ou sem Cristiano Ronaldo que, do banco de reservas, viu seu substituto Gonçalo Ramos fazer três gols e ser o único até aqui com um hat-trick no Catar. Não se surpreendam se mais uma surpresa acontecer.

A maior competição do mundo começou. Com quatro jogos por dia, o amante de futebol está vidrado na televisão o dia inteiro. Se você acredita no hexa ou não, é decisão sua, mas vai ter que concordar que entre as favoritas, foi a Seleção Brasileira que teve o melhor teste até agora.
O primeiro desafio foi contra a Sérvia, uma seleção organizada e com bons nomes no elenco. Uma defesa muito física que não deu espaço para o Brasil no primeiro tempo. Mesmo com toda a qualidade do meio campo e ataque brasileiro, o jogo e os toques rápidos não apareciam, talvez tenha sido culpa do nervosismo da estreia, já que na segunda etapa, a história foi bem diferente.
Alguém tinha que aparecer, alguém tinha que ser o protagonista e puxar a responsabilidade. Richarlison apareceu. Sem ter feito uma boa primeira etapa, sofreu com a marcação dura dos zagueiros sérvios. Talvez fosse o jogo para o Pedro, mais alto, mais técnico e consegue se virar com menos espaço, mas Richarlison mostrou que não, era o jogo dele.
O camisa 9 aproveitou o rebote e, bem posicionado, marcou o primeiro, trazendo alívio para o torcedor brasileiro que já estava preocupado. Depois, ele de novo, faz o segundo, o que até então é o gol mais bonito da Copa, num voleio no canto do goleiro ele mostra e afirma que aquela vaga é dele e ninguém tira. 2 a 0 e um baile no segundo tempo. A próxima batalha é contra a Suíça, que venceu Camarões na primeira rodada, o jogo vai valer a liderança do grupo.

Mas nem tudo foram flores para os favoritos da Copa, a Argentina foi surpreendida pela Árabia Saudita na primeira zebra do Mundial. Messi e companhia começaram melhor, fizeram 1 a 0 de pênalti e ainda tiveram gols impedidos. Porém, na segunda etapa o jogo virou, literalmente. Os árabes pressionaram em toda bola sem deixar os argentinos respirarem, mesmo jogando com as linhas de marcação muito altas, o time comandado por Scalone não conseguiu aproveitar os espaços. 2 a 1 em poucos minutos na segunda etapa e muita comemoração. Agora os argentinos precisam vencer os próximos dois jogos para passar com tranquilidade ou Argentina e França pode rolar já nas oitavas.

Outra grande zebra aconteceu no Grupo E, o jovem e promissor time da Alemanha entrou em campo com muita expectativa e acabou esbarrando na qualidade japonesa. Como os argentinos, a Alemanha também saiu vencendo 1 a 0 com um pênalti e tomou a virada no segundo tempo. Com 26% de posse de bola, o Japão surpreendeu com gols na reta final da partida. O próximo jogo será Alemanha e Espanha, praticamente uma final para os alemães que, se perderem, já estão fora.