
O BTS não precisa do Grammy, mas a academia ainda precisa aceitar a globalização
A decisão de boicotar a premiação escancara a estratégia do Grammy de lucrar com o engajamento de artistas globais sem dar a eles igualdade de competição.

A decisão de boicotar a premiação escancara a estratégia do Grammy de lucrar com o engajamento de artistas globais sem dar a eles igualdade de competição.

O grupo se apresenta no dia 23 de abril, a partir das 18h30, com entrada gratuita.

Santa Maria tenta, mas a cada dia, é mais difícil esconder os problemas socioestruturais dos cantos da cidade, ou, melhor dizendo, os cantos esquecidos da cidade.

A nova temporada do Reverbe estreia nesta terça-feira, 15 de abril, às 19h, na UFN TV, pelo canal 15 da NET.

Mercedes Sosa, Luiz Carlos Borges, Violeta Parra, Teresa Parodi e Elis Regina. A evolução constante é essencial na música, mas são as referências que moldam a presença e o posicionamento do artista. E isso, Shana Müller

A popularização global do aplicativo trouxe mudanças drásticas para diversos setores do entretenimento, entre elas a indústria musical. Segundo um relatório divulgado pela própria plataforma, o TikTok impulsiona a descoberta de músicas globalmente.

O Reverbe é o mais novo programa audiovisual do curso de Jornalismo que mostra a música daqui, feita em Santa Maria e arredores.

Clique aqui para ouvir a matéria. Lançada no último dia 03, a nova temporada do Programa Brasilidade trouxe, no primeiro episódio, a carreira e a vida da cantora gaúcha Elis Regina. Segundo Miola, idealizador do programa,

Já não tenho mais certeza de que dia era aquele. Sexta-feira? Talvez sábado. Não tenho como lembrar, já fazia dias que não saia de casa ou sequer abria as janelas. Minha única obrigação e prazer naqueles

Desde que começou a pandemia do novo coronavírus, vários setores do comércio tiveram que fechar as portas para impedir a circulação do vírus. Com isso, muitas empresas passaram por dificuldades financeiras, corte de gastos e demissões.
A Agência CentralSul de Notícias faz parte do Laboratório de Jornalismo Impresso e Online do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) em Santa Maria/RS (Brasil).
A decisão de boicotar a premiação escancara a estratégia do Grammy de lucrar com o engajamento de artistas globais sem dar a eles igualdade de competição.

Nesta quarta-feira (29), o BTS, maior grupo de K-pop da atualidade, tomou uma posição firme contra a principal premiação da indústria musical. A tensão entre o grupo sul-coreano e o Grammy se acentuou após a criação da categoria Best Asian Pop Music Performance, uma adição que, na prática, isola artistas asiáticos e os afasta das categorias principais (General Field), como Álbum do Ano e Gravação do Ano.
Em nota publicada nas redes sociais, os sete integrantes (Jin, Suga, J-Hope, RM, Jimin, V e Jungkook) pontuaram que a arte não deve ser confinada a recortes geográficos:
“Decidimos não inscrever nossa música no Grammy este ano. Esperamos que a música possa ser ouvida e amada pelo que é, em vez de ser categorizada por região ou idioma. Agradecemos aos ARMYs e a todos que estão sempre conosco.”

Além da adição da categoria voltada ao pop asiático, a 69ª edição do Grammy Awards anunciou a inclusão de quatro novas categorias:
E aqui percebemos como o problema é maior: sob o pretexto de celebrar a diversidade, a premiação historicamente confina músicos latinos, asiáticos e negros a subcategorias, sempre arrumando recortes e pretextos para deixá-los fora das grandes categorias. Grande parte desses prêmios sequer é transmitida na cerimônia principal da TV, sendo descartada na pré-cerimônia, que não é televisionada.
O que vemos é uma grande manipulação da academia para manter premiando apenas artistas brancos norte-americanos e europeus nas categorias principais. Eles vendem a criação de subcategorias regionais como “reconhecimento da diversidade”, mas a realidade segue sendo de exclusão. Ao invés de colocar grandes artistas asiáticos como o BTS ou Rosé — que concorreu com o fenômeno APT. na última edição — ou a sul-africana Tyla para disputarem em igualdade com grandes nomes do mercado ocidental, como Taylor Swift ou Beyoncé, nas categorias gerais a premiação cria nichos e condena esses artistas a concorrerem apenas entre si.

Há pelo menos uma década a música coreana vem ganhando espaço e dominando as paradas globais. O último lançamento do grupo, o 6° álbum de estúdio, intitulado Arirang, vendeu 641 mil cópias no total em sua primeira semana de lançamento — o maior número para um grupo desde que a Billboard começou a contabilizar dados em 2014 — incluindo 532 mil em vendas puras de álbuns. Além disso, estreou direto no nº 1 da Billboard 200 e permaneceu no topo por semanas consecutivas. Esses números provam que Arirang não é apenas um “sucesso asiático”, mas um dos maiores lançamentos mundiais do ano. Se um álbum com essas estatísticas não entra na disputa do prêmio principal, a limitação é da academia, não do artista.
Estudos da Universidade Lusófona de Portugal indicam que o K-pop acumula mais de 600 bilhões de visualizações/streams globais, somando plataformas como TikTok, YouTube e Spotify. O gênero se popularizou tanto ao ponto de quebrar a barreira linguística e provar que o idioma não limita a dominância das paradas mundiais. Em plataformas globais, o consumo de músicas coreanas rivaliza de igual para igual com grandes lançamentos em inglês e espanhol.
E por falar em lançamentos espanhóis, os latinos também são um grupo historicamente excluído pela academia, inclusive com a própria criação do “Grammy Latino”, que exclui esses artistas da premiação tradicional. Grandes nomes como Rosalía que acumula Grammys Latinos, mas na premiação norte-americana apenas ganhou na categoria específica de Melhor Álbum Latino de Rock, Urbano ou Alternativo. Já o gigante Bad Bunny fez história ao se tornar o primeiro artista de língua espanhola a competir simultaneamente nas três principais categorias gerais do Grammy (Álbum do Ano, Gravação do Ano e Música do Ano) e se consagrou ao vencer a principal categoria da noite com o álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS. Foi a primeira vez em 68 anos de premiação que um álbum cantado inteiramente em espanhol conquistou o maior prêmio da noite.

Historicamente, artistas negros dominam as paradas globais, mas ficam restritos a categorias como Urban/R&B, sendo sempre esnobados em Álbum do Ano, situação escancarada pelo boicote histórico de The Weeknd em 2021. Apesar de viver um dos melhores momentos da carreira em 2020, com o enorme sucesso global do disco After Hours e do megahit “Blinding Lights”, o cantor não recebeu nenhuma indicação, levando-o a chamar a premiação de “corrupta” nas redes sociais. Após o desprezo em 2021, o canadense declarou que não submeteria mais suas músicas para avaliação da academia.
Com todos esses casos, é impossível não notar o descaso da premiação com esses artistas e a segregação feita pela indústria ao tentar nichá-los e excluí-los de concorrer nas principais categorias da música mundial, usando-os apenas por sua relevância e audiência — o próprio BTS já performou na cerimônia, mas acabam sempre indo embora de mãos vazias. Isso nos faz questionar a relevância da premiação: por que um hit cantado em coreano ou espanhol precisa de um carimbo regional para ser julgado, enquanto uma música em inglês é automaticamente tratada como “música universal”? O Grammy ainda é o padrão ouro da indústria da música ou tornou-se um prêmio centrado nos EUA que se recusa a aceitar a globalização?
O Grammy tentou criar a categoria Best Asian Pop Music Performance sob o pretexto de “dar espaço”. Contudo, quando o grupo que lidera esse movimento vende mais de 5 milhões de álbuns globais no mesmo ano, lota 85 datas em estádios pelo mundo e supera em números de streaming a grande maioria dos indicados anglófonos nas categorias principais, a mensagem é clara: o pop cantado em coreano não faz dele menos pop. O Grammy usa o K-pop para bater recordes de audiência na TV e nas redes sociais, mas nega a ele a única coisa que importa em uma premiação séria: a igualdade de competição no palco principal.

O projeto Vitrine Cultural recebe o trio Matinê Meia Noite no café do Theatro Treze de Maio. O grupo se apresenta na quinta-feira, dia 23 de abril, a partir das 18h30, com entrada gratuita.
A Matinê surgiu em 2017 como um projeto solista e autoral de Vinicius Oliveira, músico multi-instrumentista e compositor graduado em Música e Tecnologia pela UFSM. Após se apresentar com diversas formações ao longo dos anos, em 2022 a Matinê aderiu a formação de power trio e desde então mantém esse formato. Vinicius é responsável pela guitarra e pelos vocais. Na bateria, está Vinicio Möller, músico experiente, ativo e com passagem em diversas bandas de Santa Maria. No contrabaixo, Caetano Arrais completa o trio, um jovem talento vindo de uma família de artistas e estudante de Música e Tecnologia na UFSM.
A Matinê tem um estilo que mistura: rock, pop, MPB, com letras íntimas e poéticas, bem recebidas pelo público nas apresentações. A aproximação com outros músicos e produtores de outros países deu a oportunidade de expandir o trabalho do grupo, com apresentações em diferentes palcos internacionais. Em Santa Maria, já se apresentou em vários locais como no Brique da Vila Belga e na Concha Acústica.
Mais informações no Instagram da Matinê Meia Noite.

Foto: Marcelo Oliveira (PMSM)
Santa Maria tenta, mas a cada dia, é mais difícil esconder os problemas socioestruturais dos cantos da cidade, ou, melhor dizendo, os cantos esquecidos da cidade. Para aqueles que penetram os centros urbanos durante o dia e retornam para suas casas durante a noite, isso é ainda mais evidente. É quase como se não fossem pertencentes deste admirável mundo novo, isolado geograficamente por longas estradas esburacadas, que o precário transporte público leva, com sorte, 1h para chegar.
Esse povo dos cantos travestido pela natureza de seus amargos empregos encaram diariamente uma derradeira constatação: há uma cidade feita para o centro e outra feita para seus arredores subjacentes.
Cultura, música, arte, símbolos históricos… estão sempre concentrados no centro. Nos cantos periféricos da cidade, o trabalhador, após um longo dia de labor, só encontra espaços públicos degradados, como as praças com equipamentos precários de musculação fornecidos pela prefeitura. Essas pessoas são verdadeiros impostores na cidade à parte, para a qual produzem, mas não pertencem.
O pobre pai de família, ao tentar frequentar esses centros, é olhado de cima para baixo ou esnobado por aqueles que, com seus egos inflados, o enxergam como verdadeiro forasteiro do seu mundo ideal. Esses forasteiros passam o dia inteiro trancafiados no centro, privados de ver a luz do sol, muitas vezes convivendo com forasteiros de outros cantos. Quando o senhor feudal, dono do tempo deste cidadão, é questionado por outro senhor feudal sobre ele, responde apenas: “não ligue, ele mora para aqueles cantos”.
Artigo produzido na disciplina de Narrativa Jornalística no 1º semestre de 2025. Supervisão professora Glaíse Bohrer Palma.

A nova temporada do Reverbe recebe Veko. Imagem : Alexsandro Pedrollo
Desde 2008, Veko atua na cena cultural de Santa Maria, lugar onde promove arte por meio da música e da dança. Cantor e compositor, transforma vivências em letras que falam de amor, saudade e reconciliação. Já assinou contrato de cinco anos com a Sony Music e já se apresentou no palco do mesmo festival que trouxe artistas consagrados do rap nacional, como Felipe Ret e Racionais Mc’s.
Veko abre a nova temporada do Reverbe que estreia nesta terça-feira, 15 de abril, às 19h, na UFN TV, pelo canal 15 da NET, e no canal do YouTube do LabSeis. Também pode ser visto na TV Câmara, canal aberto 18.2, com reprises no sábado, às 15h e às 19h, e no domingo às 11h30min e 15h. E esta temporada também está com um novo roteirista e apresentador: é o acadêmico do 8º semestre do curso de Jornalismo, Rubens Miola Filho.
Reverbe é um programa dedicado à música autoral de Santa Maria e região. É produzido por acadêmicos do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) no laboratório de produção audiovisual – o LabSeis. Produção e redes sociais são por conta do acadêmico Nicolas Morales; Alexsandro Pedrollo, na direção de fotografia, e Jonathan de Souza, no switcher e finalização. A coordenação e direção é da professora Neli Mombelli.
Acompanhe os cortes do programa e os convidados de cada semana no Instagram do LabSeis. E fica a sugestão para seguir a playlist do Reverbe no Spotify da Rádio Web UFN e conferir algumas das músicas tocadas no programa. Salve na sua lista de favoritos.

Mercedes Sosa, Luiz Carlos Borges, Violeta Parra, Teresa Parodi e Elis Regina. A evolução constante é essencial na música, mas são as referências que moldam a presença e o posicionamento do artista. E isso, Shana Müller tem de sobra.
Já tendo se consagrado como uma das mais importantes vozes femininas no cenário regional, Shana Müller está oficialmente comemorando seus 20 anos de carreira da melhor forma possível: encantando o público. Na última quinta-feira (03) teve início, em Santa Maria, sua turnê Canto da América, onde revisita e homenageia alguns dos artistas sul-americanos que, desde sua infância, formam sua base musical.
Mantendo sua identidade gaúcha, a cantora entretém o público enquanto visita alguns dos ritmos mais característicos da América Latina. Para isto, ela conta com o apoio de uma banda de talento invejável, seja no solo de piano durante o intervalo, na percussão e violão extremamente característicos nas canções interpretadas, no bandoneón marcante das músicas castelhanas, ou no acompanhamento das segundas vozes que complementam a cantora. Entre tango, bolero, zamba, milonga e chacarera, a artista exalta alguns dos maiores nomes femininos de estilos musicais tão diferentes dos que são consumidos hoje em dia.
Ainda que suas músicas mais características façam falta, é natural que, em uma data tão marcante como 20 anos de carreira, seja necessário voltar ao começo e expressar o respeito àqueles que nos inspiram. Entretanto, é indiscutível a relevância deste show que ainda será apresentado em diversas cidades do estado até dezembro e está com ingressos à venda. Apesar de ser ideal para o público de mais idade, que pode apreciar e relembrar canções tão singulares, esta turnê é essencial para que o público mais novo seja introduzido à diversos estilos musicais característicos de culturas tão próximas e, ainda assim, tão pouco conhecidas e valorizadas pelas atuais gerações.
Portanto, apenas posso agradecer por estar presente para aplaudir de pé este momento tão marcante na carreira da cantora. E que venham mais 20, 40, 60 anos…
O aplicativo de vídeos curtos TikTok virou febre entre grande parte da população mundial de todas as idades durante a pandemia. A popularização global do aplicativo trouxe mudanças drásticas para diversos setores do entretenimento, entre elas a indústria musical. Segundo um relatório divulgado pela própria plataforma, o TikTok impulsiona a descoberta de músicas globalmente. Os usuários do TikTok são significativamente mais propensos a descobrir e compartilhar novos conteúdos musicais. Em consequência disso, a empresa “Winnin 7” realizou, em 2020, um estudo e analisou que 7 das 10 músicas mais ouvidas no aplicativo de música Spotify na época ficaram famosas primeiro no TikTok.

Músicas como “Beggin’” da banda italiana Måneskin, lançada em 2017, e “Rockstar” do rapper norte-americano Post Malone, lançada em 2018 e viralizada no TikTok em 2024, provam a potência de viralização do aplicativo.
Além disso, a plataforma oferece diversas ferramentas e recursos criativos que facilitam a criação de vídeos musicais, como efeitos visuais, filtros e a possibilidade de sincronização labial. Isso contribui para que os usuários se engajem ainda mais com as músicas, criando desafios virais e coreografias que se espalham rapidamente.
Hoje, o TikTok se consolidou como uma das principais redes para artistas e mudou significativamente o modo como as músicas são produzidas e consumidas. Artistas novos já surgem com a “fórmula do sucesso” e inúmeros artistas já consolidados na indústria estão mudando e se adaptando a essa nova era. Grandes gravadoras e produtores musicais agora consideram o potencial de viralização no TikTok como um fator importante ao lançar novas músicas.
A influência do TikTok também se estende a eventos ao vivo e lançamentos de álbuns, com artistas frequentemente usando a plataforma para promover novos projetos e interagir diretamente com os fãs. O impacto do TikTok na indústria musical é tão significativo que muitas vezes define tendências que vão além da plataforma, influenciando rádios, paradas de sucesso e até mesmo a cultura pop em geral.
Matéria produzida na disciplina de Linguagem das Mídias do curso de Jornalismo, no primeiro semestre de 2024, sob supervisão da professora Glaíse Bohrer Palma.
Se os dias estão cinzas, a gente coloca uma música para desanuviar. Se tá tudo bem, vai uma boa música para embalar. Ou se está daqueles dias em que não se perde nem se ganha, vai um play para tendenciar. Parafraseando Dorival Caymmi, embora ele falasse especificamente do samba: quem não gosta de ‘música’ bom sujeito não é!

O Reverbe é o mais novo programa audiovisual do curso de Jornalismo que mostra a música daqui, feita em Santa Maria e arredores. Queremos reverberar as composições e as vozes que ecoam pelos nossos montes. Artistas talentosos, músicas potentes e de variados estilos. É um programa que nasce cheio de personalidade, com um bate-papo no ritmo dos/as convidados/as sobre inspiração, transpiração, identidade, sentimentos e, claro, muita música.
Você é o nosso/a convidado/a especial para, toda terça-feira, às 19h, acompanhar um novo episódio na UFN TV, pelo canal 15 da NET, ou no canal do YouTube do LabSeis. E também pode ser visto na TV Câmara, canal aberto 18.2, na sexta-feira, às 21h25min, e sábado, a partir das 19h25.

O episódio de estreia traz todo o legado de Paulo Noronha, cantor, compositor e guitarrista que carrega consigo o estilo blues-rock e atua há mais de 20 anos no cenário musical santa-mariense. Noronha apresenta o seu mais recente trabalho, o álbum Fôlego, lançado em novembro do ano passado, que tem no setlist as canções Cinema, Conflitos e Fôlego, homônimo do disco, executadas durante o programa.
Nas palavras de Noronha: “Boa parte do Folêgo foi composto durante a pandemia, e esse álbum não tem como não falar de situações que vão desde o morador de rua ao empresário mais rico. Apenas duas canções foram produzidas e colocadas no álbum enquanto ele estava sendo finalizado, e que não estão conectadas com a pandemia”

Já segue aí a playlist do Reverbe no Spotify da Rádio Web UFN e se prepare para, a cada novo episódio, adicionar as músicas do programa no seu tocador favorito.
O Reverbe é produzido pelo Lab Seis, laboratório de produção audiovisual dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Universidade Franciscana (UFN). A equipe é formada pelos alunos do curso de Jornalismo de diversos semestres: Vitória Oliveira e Caroline Freitas no roteiro e apresentação, na produção Nicolas Krawczyk, Aryane Machado e Luíza Maicá, Ana Clara Mileto e Enzo Martins, que também faz redes sociais, Thomás Ortiz na operação de câmera e, ainda, conta com os técnicos administrativos Alexsandro Pedrollo, na direção de fotografia, e Jonathan de Souza, no switcher e finalização. A coordenação e direção é da professora Neli Mombelli.
Texto e imagens: Neli Mombelli/ professora curso de Jornalismo e coordenadora LabSeis
Clique aqui para ouvir a matéria.

Lançada no último dia 03, a nova temporada do Programa Brasilidade trouxe, no primeiro episódio, a carreira e a vida da cantora gaúcha Elis Regina. Segundo Miola, idealizador do programa, a nova versão traz também algumas novidades: “Pretendemos trazer pelo menos um convidado a cada episódio, fazendo com que nossos ouvintes também possam participar do programa de forma mais direta. ”
A primeira edição deste ano contou com a participação de outros dois estudantes do curso de Jornalismo, Luiza Silveira e Nelson Bofill. “Foi uma experiência muito boa! Acho que apesar do nervosismo, foi um baita conhecimento poder participar. Acredito que a possibilidade de fazer parte de um programa de rádio é uma das muitas oportunidades que o curso nos oferece e que realmente acrescentam na nossa vida. ”, relata Bofill.
Para a estudante de Jornalismo, Luiza Silveira, esta também foi uma oportunidade de muito aprendizado: “Desde quando o Rubens e o Ian deram a ideia do programa, acreditei que fosse uma boa e, desde então, comecei a ouvir para apoiar meus amigos. Foi a primeira atividade na rádio que fiz fora do período de aula, uma experiência nova e de muito aprendizado. ”
O que é o Brasilidade?
Programa no formato Podcast que aborda assuntos voltados à música brasileira. Produzido pelos acadêmicos de Jornalismo, Rubens Miola Filho e Ian Lopes, e supervisionado pelo professor e jornalista, Carlos Alberto Badke, o programa vai ao ar a cada 15 dias, no perfil da Rádio Web UFN, na plataforma de áudio Spotify. A cada episódio, o programa traz a história, vida e carreira de um artista, buscando exaltar a cultura brasileira, sobretudo dos músicos do país.
“Tentamos usar o nosso gosto pessoal como guia para acharmos a melhor opção. Comentamos sobre a vida do artista, o estilo, alguns álbuns ou músicas mais conhecidas. Na última temporada, escolhemos assuntos que tínhamos um domínio maior, mas nessa (temporada) começamos com alguém que não temos tanto conhecimento, a cantora Elis Regina. ”, complementa Lopes, apresentador do programa.

Para Miola, o Brasilidade é importante na sua vida porque é uma forma de falar de algo que gosta, com pessoas que gosta, com um objetivo em comum: exaltar a cultura brasileira. “O aprendizado jornalístico que a gente ganha com o tempo, como apuração, pesquisa, edição, apresentação, condução de uma entrevista, embasamento cultural e posicionamento político, são muito engrandecedores. Eu amo gravar o Brasilidade e pretendo fazer até me formar, depois espero que alguém de bom coração possa assumir o manto junto com o Ian, para eu deixar o programa em boas mãos. ”, afirma Miola.
Os apresentadores ressaltam ainda que estão sempre abertos a sugestões de pauta e que para os ouvintes que queiram participar do programa, basta entrar em contato com a produção da Rádio Web UFN e solicitar a participação.

Já não tenho mais certeza de que dia era aquele. Sexta-feira? Talvez sábado. Não tenho como lembrar, já fazia dias que não saia de casa ou sequer abria as janelas. Minha única obrigação e prazer naqueles dias era pesquisar e escrever sobre qualquer tema que eu fosse capaz de pensar. Eu lembro que entre um texto e outro, começou a tocar a música “Naquela Mesa” na rádio, a eterna representação de uma perda tão dolorosa e, ao mesmo tempo, tão natural. Comecei então a pesquisar sobre a música, ia ser meu novo tema pelos próximos dias.
Minha primeira descoberta já foi uma desilusão, a canção não foi escrita por Nelson Gonçalves. Na minha ignorância musical, que vezes se apresenta como uma dádiva, vezes como uma maldição, eu sempre imaginei o cantor sentado sozinho em uma mesa de um bar lotado, acompanhado apenas de um copo de whisky onde os gelos já derreteram, vestindo um casaco que não saia do armário há décadas e uma calça muito comprida. Ele mexia impaciente em um velho relógio de pulso, que a esta altura não funcionava mais, o que não era um problema, afinal, o tempo já não importava, enquanto ajustava os óculos que compensavam a falta de visão, consequência dos anos passados, e escrevia suas lástimas em um guardanapo sujo.
Eu nunca me aprofundei muito nesse assunto, mas tenho certeza que se eu me envolvesse um pouco mais, só poderia chegar a uma conclusão daquela noite. Conhecendo a grandiosidade de Nelson Gonçalves, imagino que após abraçar o luto, o cantor provavelmente acenderia um cigarro, pegaria um violão e exporia os seus pesares para todos os presentes, interpretando a mais bela canção que os brasileiros tiveram o privilégio de escutar. Por consequência, não haveria homem, mulher ou criança no recinto que fosse capaz de contemplar tamanha obra e não se encontrar em prantos.
Mas não. Minha imaginação me enganou por todos estes anos. Na verdade o compositor é Sérgio Bittencourt, uma homenagem feita no dia do falecimento do seu pai, em um guardanapo; ao menos essa parte eu acertei. Por um breve momento, eu lembro de esboçar um sorriso, chegava a ser engraçado pensar como um sentimento tão terno, que sempre existiu e sempre existirá, foi retratado de forma tão simples, capaz de transcender gerações; afinal, a autoria pode ser de Bittencourt, mas o sentimento é universal.
Desde que começou a pandemia do novo coronavírus, vários setores do comércio tiveram que fechar as portas para impedir a circulação do vírus. Com isso, muitas empresas passaram por dificuldades financeiras, corte de gastos e demissões.
Neste cenário, verifica-se que inúmeras escolas de música estão se adaptando ao “novo normal”, buscando novas soluções e metodologias para manter seus serviços ativos. É o caso da escola Musiartes, uma das mais antigas escolas de música de Santa Maria e que, no mês de maio último, teve uma baixa de 35% no número de alunos, acarretando dificuldades financeiras em todos os setores.
Segundo o CEO da empresa, Henrique Schneider, a escola não estava preparada para esse tipo de acontecimento e teve que enfrentar inúmeros desafios, desde a questão financeira até a adaptação para aulas remotas. Schneider explica que no começo a interação aluno e professor foi difícil, porque a opção naquele momento era usar aplicativos como Zoom e Whatsapp. Além disso, outros problemas dificultavam as aulas remotas, tais como a conexão instável e os aplicativos pesados. No entanto, o ponto mais delicado, segundo ele, foi o fato do aluno não estar presente para tirar suas dúvidas.
Tal cenário mudou quando a escola aderiu à metodologia da Keep On Playing, empresa de educação musical que atua em parceria com diversas escolas de música no país, disponibilizando seu método de ensino e material didático em seus cursos. A ideia é oferecer cursos direcionados para cada tipo de aluno, tendo em vista que cada estudante possui uma preferência e objetivo. Além disso, a empresa possui uma ferramenta de visualização de progresso, na qual o aluno acompanha, passo a passo, a sua trajetória no instrumento.
Além da metodologia da Keep On Playing, a Musiartes adotou uma plataforma online de ensino para melhorar o aprendizado dos alunos. A plataforma está disponível no site da escola, e faz com que o aluno não precisa baixar aplicativos para acessar as aulas. Ela consiste em disponibilizar material didático (cifras, partituras, letras) aulas gravadas e especializadas em um ambiente virtual próprio para cada aluno.
Segundo Mirian de Oliveira Tavares, professora de violino da escola, a pandemia causou uma infinidade de desafios. Entre eles, a adaptação dos professores e alunos à nova metodologia, o uso obrigatório de máscaras, as questões das bandeiras de distanciamento social – quando estava laranja, trabalhavam presencialmente e vermelha, remotamente. No entanto, segundo a professora, isso não afetou o aproveitamento dos alunos. Ela afirma que ” os alunos correspondem bem. Há rendimento e buscamos realizar o sonho deles de tocar um instrumento e aprender as músicas que gostam”.
Ainda de acordo com o CEO da empresa, a Musiartes foi uma das primeiras empresas da cidade a possuir o plano de contingência aprovado, oque fez com que as buscas pela escola aumentassem consideravelmente. Para Henrique Schneider as expectativas para o futuro são promissoras. Segundo ele , “o cenário está melhorando, então, vamos sair mais fortes porque nós aprendemos com a pandemia, tendo que criar novos cursos e flexibilizações”.
Henrique diz também que as ” expectativas para 2021 são que (a empresa) tenha bons resultados. Até melhores do que antes, por conseguirmos nos reinventar e, ao mesmo tempo, criar novas possibilidades. Hoje não temos aquela barreira local; estamos conseguindo expandir até mesmo para outros estados. Portanto, nossa perspectiva é de crescimento,”conclui.
Texto de autoria de Rubens Miola Filho, produzido na disciplina de Produção da Notícia