Francisco vai às escolas e arrebata os jovens


Por Caroline Comassetto

 

O Desapego de Francisco apresentado na Escola Júlio do Canto.Foto: LINC-UFN

O grupo Todos ao Palco, da Universidade Franciscana, apresentou na manhã de ontem, terça-feira, 13 de novembro, o espetáculo O Desapego de Francisco para os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Júlio do Canto, no bairro Camobi. O espetáculo é resultado do projeto de Extensão da UFN, financiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Santa Maria, e visita escolas afastadas do centro da cidade.

Já são quase mil adolescentes que viram e ouviram a história de Francisco, um garoto meio fútil, com muitos amigos e que só quer saber de balada. No entanto, muitas coisas acontecem durante uma viagem ao exterior, que fazem o personagem rever alguns conceitos e comportamentos com as pessoas ao seu redor, após passar um tempo trabalhando em uma ONG  na África.  

Elenco: Alexandre Menezes Xavier, Amanda Souza, Andressa Merlo, Carla Rosa, Cezar Zambarda, Eduardo Biscayno De Prá, Elton Maia, Kamilie Rosa, Jaqueline Menezes, Johnny Dorneles e  Matheus Silveira. Coordenação de produção e direção: Bebeto Badke. Administração: Chili Produções Culturais.
 

A coordenadora pedagógica da escola, Márcia Marques, conta que ficou sabendo do projeto por uma amiga que também é professora em outra escola da cidade, onde a peça já foi apresentada. “Logo entrei em contato com o professor responsável, Carlos Alberto Badke, para saber sobre a possibilidade de o grupo de teatro estar aqui na escola, pois é algo diferente, que a maioria dos alunos nunca viu”, explica. A coordenadora acredita que tratar de temáticas como empatia, amor ao próximo e respeito às diferenças, é muito motivador para os alunos, porque o objetivo do projeto é levar o espetáculo às escolas onde as crianças não têm recursos nem condições financeiras para ir a um teatro.

A publicitária Jaqueline Menezes, egressa da UFN e participante desde 2012 do projeto, considera muito importantes as apresentações nas escolas, pois significa levar cultura para crianças que não têm acesso. “Ter o reconhecimento e uma recepção calorosa dos alunos é algo que nos emociona, para a gente não tem preço”, revela.

O estudante do 6º ano do Ensino Fundamental da Escola Júlio do Canto, Abmael Soares, de 11 anos, achou muito comovente a história do desapego de Francisco, porque mostra a importância de ajudar o próximo. Tamires de Alencar, de 14 anos, estudante do 7º ano, concorda com o colega e acrescenta: “ a gente entende na história que é importante ter consideração pelas pessoas e é bom poder ver uma peça de teatro na escola porque é uma história legal que todo mundo precisa ficar sabendo”.  

Para o acadêmico de Direito na Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), Alexandre Menezes – que interpreta o personagem Francisco – a mudança do comportamento e dos valores do personagem faz com que o público reflita sobre o que é certo e errado, sobre suas atitudes e sobre ter privilégios. “Quem vive numa situação mais abastada, nem sempre têm consciência de que existem outras realidades. Pensam que as outras pessoas não passam necessidades, que todo mundo tem comida, tem roupa, tem acesso à internet”, explica Alexandre.

Segundo o vice-diretor da escola, Paulo Flores, é raro os alunos assistirem uma peça de teatro, pois ir até o local demanda tempo, recursos financeiros e logística para providenciar esta oportunidade a todos, daí a relevância do projeto visitar as escolas. E ainda, ressalta a pertinência de trabalhar os assuntos abordados na peça em sala de aula e de repente surgir a partir da discussão algum grupo de teatro na Escola Júlio do Canto.   O estudante de Publicidade e Propaganda Matheus Silveira relata que apresentar a peça em escolas municipais em seu primeiro ano de projeto  é muito bom: “ a gente não só interpreta os personagens, mas os cria ao longo do tempo conforme tudo aquilo que a gente vive no dia-a-dia. Estar nas escolas é a melhor parte da experiência, é muito gratificante para mim, pois a gente pode estar em lugares que as vezes não se fala muito em arte e cultura e é isso que a gente quer passar”.

Francisco vai continuar sua trajetória em novembro e dezembro, passando por uma escola no bairro Boi Morto e visitando os jovens do projeto CEDEDICA no bairro Dores, sempre com entrada franca, sem custo para as escolas. 

 

 

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