Alimentos “zero açúcar”: uma conta que não fecha


Por Agência CentralSul de Notícias

 

Fonte: Banco de imagens Pixabay

 

A necessidade de fazer dieta, a busca por uma alimentação equilibrada e o descobrimento de doenças são alguns dos fatores que levam as pessoas a inserir alimentos naturais e zero açúcar em suas refeições. Embora o açúcar seja prejudicial à saúde, os alimentos vendidos como ‘’zero’’ podem nem sempre ser a melhor opção.

O açúcar, além de fazer parte da nossa rotina, dá energia ao nosso corpo para que possamos realizar nossas tarefas diárias, mas é preciso estar ciente de que seu consumo em exagero causa sérios problemas à saúde. O pior é que nem sempre dá pra fugir disso consumindo alimentos que garantem não ter esse ingrediente tão adorado pela população. Segundo as últimas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a quantidade máxima de açúcar que devemos ingerir por dia é de 25g. Se levarmos em conta que apenas uma lata de refrigerante pode ter mais do que isso, podemos considerar que a tarefa de ingerir açúcar dentro desse limite não é das mais fáceis.
Em uma pesquisa criada via plataforma Google, enviada por e-mail e compartilhada via Facebook, entre 4 de abril e 4 de maio de 2019, 235 pessoas responderam a um questionário elaborado durante a produção desta reportagem. Os resultados dão indícios do comportamento dos consumidores frente aos produtos “zero açúcar”.

Fonte: Pesquisa elaborada pela autora via plataforma Google.

Entre as questões elaboradas, uma questionava sobre a frequência com que as pessoas consomem produtos zero açúcar. Do total de respondentes, 59,9% das pessoas consomem porque querem emagrecer.

Os produtos rotulados na embalagem como ‘’zero açúcar’’, podem não ter o açúcar propriamente dito, mas, no lugar dele, muitas vezes são adicionados outros tipos de açúcares, como, por exemplo, a Dextrose. Ela é a forma mais simples do açúcar e causa picos de insulina no sangue, podendo levar a problemas metabólicos. Outro ingrediente muito utilizado para substituir o açúcar é a Maltodextrina, sendo um dos tipos mais comuns em produtos zero. A Maltodextrina possui um altíssimo índice glicêmico, o que faz com que ela seja metabolizada de forma rápida, também levando a picos de insulina no organismo e, então, a problemas como ganho de peso e de gordura corporal. Esses fatores estão relacionados com diversas alterações no metabolismo que são responsáveis pelo desenvolvimento de males como o diabetes e as doenças cardiovasculares.

A única diferença entre o açúcar e seus substitutos é que, quando um produto é caracterizado como zero, ele pode ser vendido como um produto que não contém o açúcar propriamente dito. A substituição possibilita que estes produtos zero sejam rotulados através de um marketing nutricional, fazendo as pessoas acreditar que aquele determinado produto não contém doce ou até mesmo que pode ser consumido sem medo por diabéticos ou, ainda, sem culpa por quem está “de dieta”.

Outra diferença que caracteriza estes produtos é o custo. A Maltodextrina é muito mais barata, pois é um açúcar retirado do amido, o que ajuda até mesmo na consistência e cremosidade do produto. No entanto, os zero são em sua maioria mais caros que os produtos tradicionais, o que se justificaria caso realmente evitassem o ganho de massa gorda.

De modo geral, para pessoas diabéticas ou que estão privadas da ingestão de açúcar, os produtos ideais quase sempre são os diet, pois os zero são mais indicados para quem não quer ingerir tantas calorias. Mesmo assim, muitas pessoas confundem na hora da escolha. ‘’Eu não me preocupo com o diabetes, opto por alimentos diet para emagrecer’’, relata a vendedora Vanessa Nascimento, 27. Por isso, na mesma pesquisa

Fonte: Pesquisa elabora pela autora via plataforma Google.

citada anteriormente, buscamos saber se as pessoas entendiam que produtos zero açúcar seriam ideais para pessoas diabéticas. O resultado foi o que aparece neste segundo gráfico.

A grande maioria indicaria produtos zero açúcar para quem possui diabetes, o que reflete a desinformação geral. Os produtos pensados para diabéticos são os diet porque estes costumam ser produzidos com adoçante, não contendo açúcar de nenhum tipo. Somente essa característica garantirá a não alteração do índice glicêmico no organismo.

No entanto, há contra-indicações nos produtos diet para quem não é diabético. A nutricionista Cassiana Della Pace, 26 não indica o adoçante para quem está “de dieta”, seja em produtos diet ou até mesmo no preparo de um simples cafezinho. Apesar de não possuir calorias, o adoçante não oferece qualidade de vida. “Ele é feito para quem não pode ingerir açúcar, não para quem quer reduzir calorias. Quem quer emagrecer e ter uma melhor qualidade de vida não deve trocar uma coisa pela outra, colocando outro produto como o adoçante no lugar do açúcar por exemplo. Essa pessoa deve, sim, reduzir as calorias, buscar o mais saudável, o mais natural’’, afirma Cassiana.

Segundo o Ministério da Saúde, a obesidade no Brasil aumentou em 60% nos últimos dez anos. Pessoas diabéticas devem eliminar os doces e ter uma alimentação saudável, mas é claro que é impossível evitar o consumo de um docinho pelo resto da vida. Um bombom zero açúcar, como se viu, não é a melhor opção.

De acordo com uma pesquisa realizada em 2017 pela Vigilância de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), 7,6% da população das capitais brasileiras é portadora de diabetes. Ainda de acordo com o levantamento, o indicador de diabetes aumenta com a idade, principalmente após os 65 anos, grupo em que 24%, em média, são diabéticos. O número de pessoas com a doença vem aumentando com o passar dos anos. Entre 2016 e 2017, houve um aumento de 54% nos diagnósticos em homens e 28,5% em mulheres.

 

 

QUANDO A INDÚSTRIA ULTRAPASSA OS LIMITES

Apesar de a Organização Mundial da Saúde recomendar que se consuma até 25g de açúcar por dia, a realidade praticada nos lares do país não é bem essa. Cada brasileiro consome, por dia, em média 18 colheres de chá do produto (o que corresponde a aproximadamente 80g de açúcar/dia). E não é difícil passar do limite o supermercado. O vilão não é só o refrigerante – que contém aproximadamente 27g de açúcar para cada 250ml – mas as bolachas recheadas, massas, e outros produtos que, por vezes, estouram nosso limite diário de açúcar em apenas um pacotinho.

A indústria deve seguir recomendações na produção de alimentos, não ultrapassando os limites indicados, pois cada produto possui uma regulamentação específica com recomendação diária da quantidade de ingredientes como sal, sódio e o próprio açúcar por exemplo. No entanto, é comum encontrarmos em rótulos e embalagens uma tabela que nos dá a “quantidade por porção’’. Dessa forma, a indústria alega que aquela bolachinha recheada que o consumidor comprou, pode ser dividida com outras pessoas ou consumida em várias refeições, tendo assim, a quantidade ideal de açúcar recomendada em cada porção. É uma forma de alegar que a empresa não está fora das diretrizes cobradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), e que ela recomenda determinada quantidade. No entanto, todos sabemos que, na hora da fome, é difícil comer apenas as três bolachinhas indicadas na porção.

Em 2018, o Brasil assinou um acordo que visa a reduzir 144 mil toneladas de açúcar dos alimentos. A meta deve ser cumprida até 2020. São 68 empresas envolvidas no acordo e 1147 produtos que devem passar por redução de açúcares.

SUBSTITUIÇÃO DO AÇÚCAR

A substituição do açúcar deve ser feita por diabéticos e pode ser realizada por pessoas sadias que buscam uma alimentação mais equilibrada ou até mesmo a manutenção do peso. No entanto, na troca é importante analisar quais as melhores opções.

Pessoas diabéticas devem utilizar adoçantes, sempre com a mesma regra básica da alimentação: quanto mais natural melhor. Uma boa substituta do açúcar neste caso é a Estévia, ou os próprios adoçantes naturais feitos da planta.

Já quem adora um docinho e não tem restrição, pode utilizar o açúcar mascavo. Ele é uma das melhores opções, já que passa por menos processos, perdendo assim menos fibras do que o açúcar branco, e por isso é digerido um pouco mais devagar pelo organismo. “Tudo que possui mais fibras, o corpo leva mais tempo para absorver. O bom é que quanto mais ele demora pra absorver, mais energia, calorias, a gente gasta pra isso. E enquanto absorve por mais tempo, o corpo não sente fome, pois a saciedade é mais longa”, ressalta a nutricionista Cassiana.

Uma alternativa saudável é ingerir o ‘’doce natural’’ dos alimentos. O mel, as frutas e os produtos naturais, que contêm seu próprio açúcar podem ser usados para adoçar outras refeições, mas é claro, sempre com moderação.

OPÇÕES DE ADOÇANTES NATURAIS

A Estevia é uma planta usada como adoçante natural que substitui o açúcar no dia a dia em qualquer alimento ou bebida, como sucos e chás. Em sua forma natural é aproximadamente 15 vezes mais doce do que o açúcar branco, ou seja, não é preciso uma grande quantidade para que o alimento fique adocicado. Além disso, a Estévia não contém calorias, não é toxica, não altera o nível de açúcar no sangue e inibe a formação da placa e da cárie dental.

O mel é outro alimento natural que tem como principal componente o açúcar, sendo composto por monossacarídeos como a frutose e a glicose. É recomendado consumir mel em quantidade equivalente a cerca de 5% do total de calorias ingeridas ao dia, o que pode variar entre uma colher de chá, cerca de 10 gramas, a uma colher de sopa, 25 gramas. O mel possui propriedades terapêuticas devido às suas ações antibacteriana, antibiótica, anticárie e anti-inflamatória.

Apesar de serem ótimas opções naturais, é recomendado que o uso desses adoçantes seja feito conforme orientação de profissionais em nutrição.

 

Texto de Lilian Streb, para a disciplina de Jornalismo Especializado, do Curso de Jornalismo da Universidade Franciscana. Produção do 1º semestre de 2019, sob orientação da professora Carla Torres.

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