
Egressa da UFN conquista o primeiro lugar nacional na categoria Podcast da Expocom
Vitória Oliveira Lopes conquistou o primeiro lugar nacional na categoria Podcast da Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom) 2026

Vitória Oliveira Lopes conquistou o primeiro lugar nacional na categoria Podcast da Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom) 2026

Santa Maria é conhecida como “cidade cultura” e não carrega esse nome em vão. Ao longo dos anos, o município reuniu diferentes espaços voltados à arte e à formação cultural da população.

Um sonho que começou dentro da sala de aula do Instituto São José, no bairro Dom Antonio Reis, de Santa Maria, virou realidade.

STF avalia rever a obrigatoriedade do diploma para exercer a profisssão de Jornalista.

Hoje, há quem recorra a assistentes virtuais e chatbots não apenas como ferramentas, mas como uma espécie de presença constante, capaz de oferecer atenção, diálogo e uma forma peculiar de acolhimento.

Acadêmicos de Jornalismo da UFN realizaram uma viagem técnica a Porto Alegre, com visitas a diferentes espaços de comunicação e cultura.

Sete das 13 histórias inéditas desta edição foram criadas por alunos dos quartos e quintos anos da Escola de Ensino Fundamental Castro Alves.

O clube que há poucos anos conquistava a América hoje vive uma realididade completamente diferente. Mas afinal, quando tudo começou?

O encontro foi organizado pelo Diretório Acadêmico do curso de Jornalismo (DAJOR) e docentes do curso.

A decisão de boicotar a premiação escancara a estratégia do Grammy de lucrar com o engajamento de artistas globais sem dar a eles igualdade de competição.
A Agência CentralSul de Notícias faz parte do Laboratório de Jornalismo Impresso e Online do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) em Santa Maria/RS (Brasil).
A egressa do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN), Vitória Oliveira Lopes, conquistou o primeiro lugar nacional na categoria Podcast da Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom) 2026. A premiação ocorreu durante o 49º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), em 1º de setembro, na Universidade Católica de Brasília (UCB). Antes da etapa nacional, o trabalho também havia conquistado o primeiro lugar na etapa regional da competição.

Intitulado Re.veste, o podcast foi desenvolvido por Vitória durante a graduação em Jornalismo da UFN. A produção venceu a categoria Podcast da Expocom Sul 2026, realizada em Toledo, no Paraná, e garantiu a classificação para representar a região na etapa nacional.
Na disputa nacional, o Re.veste concorreu com outras cinco produções de universidades federais de diferentes regiões do Brasil. Para Vitória, a qualidade dos trabalhos tornou a conquista ainda mais significativa. “Eu competi com outros cinco trabalhos de faculdades públicas muito boas do Brasil, e acabou que o meu trabalho, entre todos esses, foi reconhecido como o melhor”, relata.

O projeto nasceu do interesse da estudante em atuar no laboratório de rádio da UFN, espaço em que ainda não havia desenvolvido atividades. A escolha do tema também partiu de seu interesse por moda sustentável, assunto que já havia abordado em trabalhos acadêmicos. A partir disso, Vitória desenvolveu uma série de podcasts documentais sobre o tema e estabeleceu contatos com professores e integrantes do movimento Fashion Revolution, voltado à promoção de uma moda mais sustentável.
A Expocom é um evento acadêmico que reúne produções experimentais desenvolvidas por estudantes de comunicação. Os trabalhos passam por etapas regionais antes de chegar à disputa nacional.
Na etapa final, Vitória foi a única representante de uma instituição particular entre os concorrentes. Para ela, a conquista reforça que a qualidade de um trabalho não depende do tipo de instituição em que ele foi desenvolvido. “O nome da instituição não define a qualidade do trabalho. Com incentivo, dedicação e todo o suporte que a gente recebe, a gente consegue chegar lá também”, afirma.
A experiência também deixou uma mensagem para os estudantes de Jornalismo. Vitória incentiva a participação em congressos e eventos acadêmicos, e reforça a importância de acreditar no próprio trabalho. “Façam mais trabalhos acadêmicos, se inscrevam, participem de congressos, se arrisquem. O ‘não’ tu já tem. Então, por que não tentar?”, aconselha.

Santa Maria é conhecida como “cidade cultura” e não carrega esse nome em vão. Ao longo dos anos, o município reuniu diferentes espaços voltados à arte e à formação cultural da população. Entre eles, os cineclubes se consolidaram como locais de encontro para quem busca experiências com o cinema fora do circuito comercial. Mais do que exibir filmes, esses espaços promovem debates e contato com produções que dificilmente chegam às salas de cinema do shopping.
Diferentemente dos cinemas tradicionais, os cineclubes têm como objetivo apresentar obras que muitas vezes não encontram espaço no circuito comercial. Segundo os colaboradores do Cineclube Lanterninha Aurélio, Paulo Teixeira e Francine Nunes, a proposta é oferecer acesso a filmes independentes, produções locais, clássicos e obras que não estão disponíveis em cartaz ou nos serviços de streaming. As sessões ocorrem todas as terças-feiras, no auditório da Cesma (Rua Professor Braga, 55) às 19h. Elas são gratuitas e sempre seguidas de debate.
A tradição cineclubista em Santa Maria é antiga. De acordo com Paulo Teixeira, a cidade mantém iniciativas do gênero desde a década de 1950, quando surgiu o Clube de Cinema de Santa Maria, ligado a Edmundo Cardoso, personalidade importante na cultura de santa-mariense responsável por desenvolver o teatro e o cinema da cidade. A forte presença universitária, a circulação de pessoas de diferentes regiões do país e a valorização histórica das atividades culturais contribuíram para que o município desenvolvesse uma relação próxima com o cinema e com os espaços de exibição alternativos. O Lanterninha Aurélio, por exemplo, está na ativa desde 1978 e consta como segundo cineclube mais antigo do Brasil.
A frequentadora Natália Kober, de 24 anos, conheceu os cineclubes após se mudar de Ijuí para cursar Letras em Santa Maria. O que mais a atrai é a oportunidade de assistir a filmes independentes e compartilhar a experiência com outras pessoas. Para Natália, os debates realizados após as sessões criam um sentimento de comunidade cada vez mais raro em uma rotina marcada pelas telas. Ela afirma que participar dos cineclubes também mudou sua visão sobre o fazer cinematográfico, mostrando que “não é preciso ser um Tarantino para fazer cinema”.
Para que os cineclubes continuem existindo, Francine acredita que também é necessário recuperar o hábito de se reunir presencialmente. Mais do que uma sala de exibição, ela define o cineclube como um espaço de congregação, afeto, conversa e encontro. Caso essas iniciativas desaparecessem, Santa Maria perderia não apenas o acesso a filmes ausentes das salas comerciais, mas também a possibilidade de se surpreender com obras desconhecidas. Em uma rotina cada vez mais mediada pelas telas individuais, a permanência dos cineclubes depende justamente daquilo que eles oferecem de mais particular: a experiência de sair de casa, assistir coletivamente e continuar conversando quando as luzes se acendem.
Mesmo enfrentando desafios como a concorrência das plataformas digitais e a diminuição do público presencial, os cineclubes continuam desempenhando um papel importante na cidade. Além do Lanterninha Aurélio, Santa Maria conta com iniciativas como o Cineclube da Boca, um projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que realiza sessões de produções locais todas às quartas-feiras no auditório do Prédio 67 do campus em Camobi, e o Clube de Cinema de Santa Maria, realizado na Casa de Memória Edmundo Cardoso. As sessões são divulgadas através do grupo de WhatsApp.
Matéria produzida por Eduarda Amorin na disciplina de Linguagem das Mídias no 1º semestre de 2026 do curso de Jornalismo, sob supervisão da professora Neli Mombelli.

Um sonho que começou dentro da sala de aula do Instituto São José, no bairro Dom Antonio Reis, de Santa Maria, virou realidade. Os gêmeos Carlos e Pedro Calegaro, que tiveram passagem pelas equipes Dores, Dínamo e Rio Grandense, agora estão na equipe de base do Inter SM. Eles acabam de chegar aos gramados do futebol profissional e disputaram o Gauchão 2026, a principal competição de futebol do Rio Grande do Sul.
O campeonato reuniu 12 equipes e foi realizado entre janeiro e março deste ano. O Inter SM foi rebaixado, após ficar em último colocado no quadrangular do rebaixamento. Mais do que uma disputa esportiva, a presença dos irmãos no campeonato representa uma conquista construída ao longo dos anos. Para quem acompanhou o início dessa história, ver os irmãos Calegaro atuando nos gramados mostra como sonhos podem se transformar em realidade através de dedicação e persistência.
A trajetória até o Gauchão 2026 foi feita de muito esforço e aprendizado. Entre estudos, treinos e partidas, os irmãos foram evoluindo dentro e fora de campo, levando para o futebol profissional valores que começaram a ser desenvolvidos ainda na sua base, como disciplina, comprometimento e trabalho em equipe. A participação no Gauchão 2026 marcou um momento especial para Carlos e Pedro, que tiveram a oportunidade de enfrentar equipes tradicionais do futebol gaúcho e viver a experiência de uma competição de alto nível. O estadual contou com a presença de clubes importantes do Rio Grande do Sul como a dupla Grenal.
Da escola para os estádios, a jornada dos irmãos segue sendo marcada por evolução e novos desafios. O Gauchão 2026 fica registrado como mais um capítulo dessa caminhada, que começou no ambiente escolar e hoje ganha espaço no futebol do Rio Grande do Sul.


Matéria produzida por Pedro Ossanes na disciplina de Linguagem das Mídias no 1º semestre de 2026 do curso de Jornalismo, sob supervisão da professora Neli Mombelli.

Imagem: Site do Fenaj
Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), indicaram no dia 18 de agosto que a Corte volte a debater sobre a dispensa do diploma de jornalista para exercer a profissão.
Em 2009, o STF decidiu que não era necessário ter diploma de curso superior em Jornalismo para atuar na profissão. Durante o julgamento do Recurso Extraordinário 511.961, o plenário do STF decidiu, por 8 votos a 1, pela não aplicação da exigência prevista no Decreto-Lei 972/1969. O entendimento foi de que a norma não era compatível com a Constituição de 1988, especialmente com as garantias de liberdade de expressão, informação e imprensa.
O ministro Dino reforçou que respeita a decisão, mas afirmou que a não obrigatoriedade do diploma faz com que qualquer pessoa nas redes sociais se passem por “jornalistas”. Na sequência Alexandre de Moraes, concordou com a necessidade de rever essa decisão e defendeu a possibilidade de uma regulamentação da atividade. “Talvez seja realmente o momento de refletirmos, com uma regra de transição para aqueles que já exercem seriamente a profissão, mas, como qualquer outra profissão no Brasil, sobre uma regulamentação”, disse.
As declarações foram realizadas durante o julgamento na Primeira Turma, relacionado ao direito de resposta concedido a uma clínica médica em razão de reportagem veiculada pela TV Globo sobre denúncias de abusos sexuais.
Com os pronunciamentos, a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), promove nessa quarta-feira, 26 de agosto o Dia D de Diploma. O intuito é de que, nesta data, alunos, professores e jornalistas se manifestem nas mídias sociais exigindo a volta do Diploma, incentivando a importância dos ministros e deputados de reavaliar essa decisão.
O curso de Jornalismo da Universidade Franciscana apoia totalmente a decisão de rever essa exigência. O jornalista e cordenador do curso Iuri Lammel, destacou a relevância da valorização do diploma de Jornalimo. “A exigência do diploma é uma representação da importância da profissão para a sociedade. É uma forma de dizer que o jornalismo é tão importante para a democracia e para a sociedade que o país demanda que a pessoa responsável por este tipo de trabalho tem que estar minimamente preparada por um curso de graduação. Além de valorizar a formação e o tempo que os estudantes investem nos estudos.” afirma o professor.
Alunos que entraram para o curso recentemente se sentem mais motivados com a revisão da obrigatoriedade do diploma. Desde os primeiros semestres da faculdade, professores da UFN destacam a importância de ter responsabilidade ao transmitir informações. A graduanda do segundo semestre de Jornalismo Amanda Ripe reafirmou essa ideia: “Durante a graduação é muito comentado sobre a ética, chegagem, apuração dos fatos, essas são coisas indispensáveis que um diploma traz para um jornalista”.
A possível retomada da exigência do diploma reacende o debate sobre a importância da formação profissional no jornalismo. Para professores e estudantes, a graduação vai além da preparação para o mercado de trabalho: envolve ética, responsabilidade, apuração e compromisso com a informação. Enquanto o STF avalia a possibilidade de rever a decisão de 2009, a discussão reforça a busca pela valorização da profissão e pela qualidade do jornalismo produzido no país.
O uso da inteligência artificial faz parte ativa do cotidiano de muitas pessoas. Foto: Enzo Martins/LABFEM
Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) deixou de ocupar apenas o território da praticidade, aquela que agenda compromissos, acende luzes ou responde perguntas rápidas, para atravessar uma fronteira mais íntima e delicada. Em silêncio, quase sem perceber, ela começou a povoar também os espaços emocionais. Hoje, há quem recorra a assistentes virtuais e chatbots não apenas como ferramentas, mas como uma espécie de presença constante, capaz de oferecer atenção, diálogo e uma forma peculiar de acolhimento.
Esse movimento revela algo que vai além do fascínio por máquinas inteligentes. Aponta para uma tentativa humana, talvez desesperada, talvez sutil, de preencher fendas afetivas que se alargam em um cotidiano cada vez mais digital. Em meio às rotinas apressadas, às conversas interrompidas e aos vínculos frágeis, há quem encontre na IA um tipo de companhia que não julga, não exige e está sempre disponível. Uma presença que, embora artificial, parece ouvir com paciência infinita.
Para o professor Felipe Schroeder, do curso de Psicologia, essa aproximação nasce de uma solidão que nem sempre é visível. “Não é preciso estar isolado do mundo para sentir-se só”, explica. Muitas pessoas possuem círculos sociais, convivem diariamente com colegas, amigos, familiares, mas ainda assim carregam uma sensação persistente de não serem verdadeiramente vistas. Relações superficiais, diálogos apressados e a falta de conexão genuína abrem brechas que a tecnologia, com sua prontidão matemática, tenta preencher.
Nesse cenário, a IA se torna uma espécie de refúgio emocional. Uma zona segura onde o indivíduo encontra atenção sem conflitos, companhia sem desgaste, escuta sem interrupções. Mesmo que o afeto seja simulado, mesmo que tudo esteja amarrado a linhas de código, o conforto que produz é real, pelo menos por um instante.
Mas Schroeder faz um alerta importante: essa relação também carrega riscos. Diferente de um amigo humano, a inteligência artificial é programada para manter o usuário engajado, oferecendo respostas moldadas para agradar, acolher ou reforçar expectativas. Ela devolve o que a pessoa deseja ouvir, não necessariamente o que precisa. Assim, a experiência pode se transformar em um espaço de estagnação emocional, onde não há confronto, fricção nem crescimento.
“É como tentar tirar um carro atolado: você acelera, gasta energia, a roda gira, mas você continua no mesmo lugar”, compara o professor. Para ele, a IA até pode servir como companhia breve, como apoio em momentos de vulnerabilidade, mas jamais substituirá a profundidade que nasce do encontro humano. Porque é no diálogo imperfeito, cheio de pausas, falhas e afetos verdadeiros, que algo em nós se movimenta. É ali que o vínculo existe.
Segundo o professor Felipe Schroeder, os vínculos com a inteligência artificial podem surgir mesmo em pessoas socialmente ativas. Foto: Enzo Martins/LABFEM
O professor e coordenador do curso de Inteligência Artificial, Mirkos Martins, costuma dizer que o medo das máquinas nasce, muitas vezes, de um equívoco: a crença de que a tecnologia age como um substituto direto do humano. Para ele, essa visão é estreita demais. Em sala de aula, Mirkos repete que a IA não surge para ocupar lugares, mas para preencher os espaços deixados por quem parou de se mover. “Ela não vai substituir a gente. Vai substituir quem não quer aprender, quem escolhe o conforto de não arriscar nada novo”, afirma, com a serenidade de quem acompanha o avanço tecnológico de perto.
Mesmo com o ritmo acelerado das inovações, ele reforça que a inteligência artificial ainda depende do que só o humano possui: curiosidade, imaginação, impulso criativo. Sem isso, ele diz, “nenhuma máquina anda sozinha”. E mesmo que sistemas se tornem mais complexos no futuro, a expectativa não é que ultrapassem o humano, mas que o provoquem, como uma espécie de lembrete constante de que é preciso seguir em movimento para não ser deixado para trás enquanto o mundo avança.
Ao final de sua fala, Mirkos chama atenção para um ponto incontornável: não existe retorno quando se trata de tecnologia. “Depois que uma tecnologia aparece, ela não some. Ou é superada por outra melhor, ou amadurece até se tornar parte da nossa vida”, explica. E com a inteligência artificial não será diferente. Ela já se infiltrou no cotidiano e tende a crescer ainda mais. Por isso, diz ele, que “o esforço não deveria mirar o medo ou o bloqueio, mas o fortalecimento de quem a utiliza. Formar pessoas capazes de avaliar criticamente o que é útil, o que é raso, o que é ético e o que não deveria ser repetido”. Em resumo: preparar indivíduos para que a IA seja ferramenta, não muleta; aliada e não substituta.
O professor Mirkos Martins explica que a tecnologia trabalha ao lado da humanidade e não como uma substituta. Foto: Nelson Bofill/LABFEM
A experiência de quem usa a inteligência artificial como suporte emocional também ajuda a desenhar esse novo cenário. Luiza Lopes*, de 24 anos, conta que começou a conversar com chatbots no fim do ano passado, durante um período de forte ansiedade. “Eu não conseguia marcar psicóloga logo, então usei a IA como um quebra-galho”, relembra. O que seria temporário acabou virando hábito. A razão? A disponibilidade absoluta. “É três da manhã, bate uma crise e tu consegue desabafar na hora. Não tem julgamento. E às vezes ela faz umas perguntas que me ajudam a organizar a cabeça.”
Para ela, conversar com a IA ocupa um território ambíguo: está longe de ser humano, mas também não é vazio. A fluidez das respostas cria, por alguns minutos, a sensação de presença. “Eu sei que é uma máquina, mas às vezes eu esqueço por uns minutos. É acolhedor, sabe? Uma resposta que te dá um norte.” Em certos momentos, a conversa digital parece até mais confortável do que a presencial. “Na terapia eu tinha vergonha de falar algumas coisas. Com a IA, não. Parece mais seguro. Mas, claro, tem coisas profundas que ela não pega.”
Hoje, ela vê a IA como um recurso complementar, e não como substituto da terapia. Ajudou a atravessar crises rápidas, estruturar pensamentos e diminuir o peso do silêncio. Mas os nós mais antigos, diz, continuam sendo trabalhados no consultório. “A IA é suporte. Quando preciso entender a raiz das coisas, é com a psicóloga. Eu não trocaria uma pela outra.” Ainda assim, ela recomenda o uso, desde que com consciência. “Funciona como ferramenta, principalmente pra quem não consegue atendimento imediato ou tem dificuldade de se expressar.”
Vitória Ferrão, de 23 anos, relata a experiência que teve ao jogar tarot com o Chat GPT: “Fiz duas vezes somente depois de assistir a um vídeo no TikTok [..] Não é algo que eu faço rotineiramente, é mais uma curiosidade do que um hábito fixo.”. Ela complementa dizendo que não confia 100% na ferramenta, apenas a vê como uma forma de reflexão, para organizar pensamentos e não como uma verdade absoluta.
No fim, o que emerge dessas vozes, dos especialistas aos usuários, é um retrato menos apocalíptico e mais humano da inteligência artificial. Longe de um inimigo silencioso prestes a tomar o nosso lugar, ela aparece como um espelho, que devolve tanto nossas potencialidades quanto nossas faltas. Para alguns, é ferramenta de estudo e trabalho; para outros, é apoio emocional em momentos de sombra. E, para todos, é um convite a repensar o que fazemos com o tempo que temos e com as capacidades que nos definem.
A tecnologia avança, isso é fato. Mas o modo como ela nos atravessa ainda depende de escolhas profundamente humanas. Continuaremos sendo movidos pela curiosidade? Vamos cultivar o senso crítico? Seremos capazes de usar a IA para ampliar, e não acabar com aquilo que torna quem somos?
Enquanto essas perguntas seguem abertas, uma certeza se consolida: não é a inteligência artificial que define o futuro, são as pessoas, nas decisões que tomam diante dela.
Confira abaixo o podcast sobre Inteligência Artificial com os professores Felipe Schroeder e Mirkos Martins.
Texto em parceria com a acadêmicao de Jornalismo: Andressa Rodrigues.
Reportagem produzida na disciplina de Narrativa Multimídia, sob orientação da professora Glaíse Palma, no 2º semestre de 2025.

Quem faz Jornalismo sonha grande. No dia 11 de agosto os acadêmicos do curso de Jornalismo da Universidade Francisacana (UFN), realizaram uma viagem a Porto Alegre para conhecer de perto diferentes veículos de comunicação e espaços culturais. A experiência reuniu aprendizado e novas perspectivas para o futuro profissional.
Nos estúdios da RBS TV os universitários conheceram os bastidores dos principais programas de televisão do estado e acompanham a preparação de um piloto com o repórter Bruno Marsilli. O momento funcionou como um teste para uma possível participação do jornalista no programa Globo Esporte, permitindo que a equipe avaliasse sua performace diante de situações inesperadas que podem acontecer durante a programação. A visita também contou com a presença da apresentadora Alice Bastos Neves, que conversou com os acadêmicos e compartilhou uma breve fala da sua trajetória profissional.
Em seguida, o grupo seguiu para a GZH Digital, onde conheceu a estrutura das redações da Gaúcha e da Atlântida. Durante o tour, os estudantes puderam observar como funciona a produção de conteúdo e conhecer um ambiente em que diferentes formatos de comunicação convivem no mesmo espaço. A visita também teve um momento de descontração com os participantes do programa Bola nas Costas.

Além das redações, os acadêmicos também conheceram um pouco mais da cultura do Rio Grande do Sul. A visita ao Mercado Público fez parte do tour, assim como a passagem pelo Farol Santander, pelo Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) e pelo Espaço de Cultura Mário Quintana.
Para finalizar a programação, os universitários participaram de uma visita técnica e de uma aula de produção de conteúdo na Agência de Conteúdo e Assessoria Padrinho, conduzida pelo jornalista André Roca. Durante o encontro, além de André, os jornalistas Gabriela Perufo, egressa do curso de Jornalismo da UFN, e Ken Kerr Dahcew apresentaram a atuação da agência e compartilharam com os acadêmicos os processos envolvidos na produção de conteúdo.
Para finalizar a programação, os universitários participaram de uma visita técnica e de uma aula de produção de conteúdo na Agência de Conteúdo e Assessoria Padrinho, conduzida pelo jornalista André Roca. Durante o encontro, os jornalistas Gabriela Perufo, egressa do curso de Jornalismo da UFN, e Ken Kerr Dahcew apresentaram a atuação da agência e compartilharam com os acadêmicos os processos de pranejamento e produção.
A viagem foi mais do que conhecer diferentes espaços da comunicação, foi uma oportunidade de entender melhor como é o dia a dia de quem trabalha na área. Em cada lugar, os acadêmicos puderam conhecer um pouco da rotina dos profissionais, ouvir suas experiências e enxergar diferentes caminhos dentro do Jornalismo. Estar nesses ambientes e conversar com quem já atua no mercado aproxima da prática. No fim, a viagem deixou aprendizados, novas referências e a certeza de que cada experiência ao longo da faculdade também faz parte da construção do futuro profissional.












Fotos: Thine Feistauer/ Labfem
Se tem Feira do Livro, tem Nave de Histórias na Praça. E, neste ano, trazemos novidades: a estreia de autores mirins. Sete das 13 histórias inéditas desta edição foram criadas por alunos dos quartos e quintos anos da Escola de Ensino Fundamental Castro Alves. Os podcasts de contação de histórias foram produzidos a partir do projeto de extensão Nave de Histórias da Universidade Franciscana que envolve os cursos de Jornalismo, Pedagogia, Design e Letras – Português e Inglês. O formato traz a contação de histórias infantis por meio do áudio, explorando a paisagem sonora das narrativas que vão de pequenas histórias à livros completos.

As demais histórias foram produzidas a partir de livros infanto-juvenis dos autores santa-marienses Nelci Procópio, Lucas Visentini, Jacira Pedroso, Mario Luiz Trevisan e Sibele Righi Scaramussa na disciplina de Áudio para Mídias Digitais, do curso de Jornalismo, onde surgiu o projeto em 2024.
O lançamento das histórias será na segunda-feira, 10 de agosto, às 15h, no espaço dedicado aos autores na feira. A Nave estará pousada próxima ao palco da praça para que os viajantes adentrem nela e comandem o painel de controles dando play no episódio que queiram ouvir. As visitas serão das 14h às 18h15 de segunda a sexta-feira, e também nos domingo. Nos sábados o atendimento é das 10h às 18h15, até o dia 21/08, penúltimo dia de feira.

Veja as histórias desta edição e seus autores:
EMEF Castro Alves
A cachorrinha feliz, de Lara Carvalho Bonacho
A girafa baixa, de Isabella de Morais
A ovelha preguiçosa, de Davi Fontoura Avozani
A vaquinha medrosa, de Pyetro Ribeiro de Lima
O Palhaço peixe , de Ryan Jesus Barros Pereira
O tatu e o cachorro, de Verônica Müller de Moura Rosa
Os animais amigos, de Lohan Militz Jaques
Curso de Jornalismo
Cadê o Patinho, de Jacira Pedroso – produzido por Cristhian Braga
Descobertas de Basílio, de Nelci Procópio – produzido por Maria Valenthine Feistauer
Neto e a Boca do Monte, de Lucas Visentini – Produzido por Yasmin Zavareze
O fantasma de ferro, de Mario Luiz Trevisan – produzido por Emilly Pilar
Televinos, de Sibele Righi Scaramussa – Produzido por João Henrique Machado
Um Dragão no Quintal, de Nelci Procópio – Produzido por Isadora Rodrigues
E para quem não puder embarcar na Nave de Histórias durante a Feira do Livro, pode acessar os episódios no Spotify, buscando pelo perfil Nave de Histórias. As histórias também estão sendo disponibilizadas no canal da Nave de Histórias no YouTube e no perfil do Instagram.
Sobre a Nave de Histórias
Nave de Histórias é um projeto de extensão multidisciplinar coordenado pela professora Neli Mombelli, do curso de Jornalismo. As histórias, produzidas no curso a partir de obras de autores santa-marienses, são o estopim para a extensão. Os cursos de Pedagogia, através da professora Dulcineia de Toni, e de Letras- Português e Inglês, a partir da professora Talita Valcanover Duarte, e de alunos de diferentes disciplinas, levam as histórias para escolas para audição e promovem atividades que envolvem produção bilíngue e criação de novas histórias.
No curso de Jornalismo, os acadêmicos, com suporte das professoras Glaíse Palma e Neli Mombelli e da bolsista Luiza Fantinel, vão até a escola para dar oficinas de roteiro e, após, levam os estudantes da escola até a Universidade Franciscana para a gravação das histórias. No primeiro semestre de 2026, foram criadas 62 narrativas, sendo 7 selecionadas para a produção do podcast, o que envolveu 35 alunos na gravação, que atuaram como personagens e narradores.
Por fim, o curso de Design, sob orientação dos professores Roberto Gerhardt e Ciria Moro, e da bolsista Julia Kieling, acompanhada de colegas do curso e também da Arquitetura e Urbanismo, são responsáveis pela estrutura da Nave que recebe o público na feira e pelo material gráfico do projeto. São mais de 30 acadêmicos envolvidos no projeto, que também conta com o suporte técnico do professor Iuri Lammel, e dos técnicos-administrativos Clenilson Oliveira, Erick Corrêa e Jonathan de Souza, do curso de Jornalismo, e de Sandro Robert Rodrigues Vargas, no suporte de marcenaria, vinculado ao Design.
Texto de Neli Mombelli

Imagem: Ducker Grêmio
Se pararmos para refletir sobre o futebol atual do Grêmio, é impossível não perceber a falta de consistência, de identidade e até mesmo de raça dentro de campo. O clube que há poucos anos conquistava a América hoje vive uma realididade completamente diferente. Mas afinal, quando tudo começou?
Depois de 15 anos sem conquistar um título de expressão, o Grêmio voltou a elite em 2016, quando venceu a Copa do Brasil pela 5ª vez. Sob o comando do técnico Renato Portaluppi a conquista marcou o início de uma das fases mais vitoriosas da história do tricolor. Em 2017, o ápice do time gaúcho foi a conquista do tricampeonato da Libertadores da América, com um futebol que chamava atenção pela organização, intensidade e identidade. Era uma equipe que jogava junto, sabia o que fazia dentro de campo e passava confiança ao torcedor.
No ano seguinte, tudo indicava que o clube brigaria novamente por títulos expressivos. O Grêmio chegou à semifinal da Libertadores e venceu o River Plate por 1 a 0 no Monumental de Núñez, em Buenos Aires. A classificação épica parecia encaminhada. Mas a partida de volta na Arena mudou completamente a história. O tricolor começou ganhando, mas sofreu a virada nos minutos finais. O pênalti cometido por Bressan, após a revisão do VAR, eliminou o Grêmio e colocou o adversário na final da competição. Até hoje, muitos torcedores lembram daquela partida como um dos jogos mais dolorosos da história do clube e, por isso, talvez ali tenha começado a mudança.
Nos anos seguintes, o Grêmio ainda chegou longe em algumas competições mas já não apresentava o mesmo futebol envolvente dos anos anteriores. A equipe perdeu jogadores, perdeu força e a identidade construída entre 2016 e 2017 começou, aos poucos, a desaparecer.
Depois de uma sequência de más decisões, trocas de treinadores e um desempenho muito abaixo do esperado, o Grêmio foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro pela terceira vez. Para um clube que poucos anos antes era campeão da América, era difícil imaginar uma queda em um período de tempo tão curto.
Após conquistar o acesso em 2022, o Grêmio presenteou sua torcida na temporada seguinte com a chegada de Luis Suárez. O uruguaio foi o grande destaque de 2023 e recolocou o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro. Apesar da boa campanha, o clube não conquistou nenhum título.
Nas últimas temporadas a instabilidade voltou a fazer parte da rotina da equipe. Talvez seja impossível apontar um único jogo ou uma única temporada como o início da queda. O que se percebe é que, ao longo dos últimos anos, o Grêmio foi perdendo a identidade. Hoje o clube vive um momento de instabilidade, marcado por mudanças constantes, resultados abaixo das expectativas e um cenário de incertezas. A eliminação na Copa Sul-Americana apenas reforçou a crise da equipe.
Mas agora, mais do que conquistar novos títulos, o maior desafio do Grêmio parece ser reencontar sua identidade e reconstruir um projeto capaz de recolocar o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro.

Na última terça-feira, dia 28 de julho, o curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) realizou uma acolhida aos novos acadêmicos. O encontro foi organizado pelo Diretório Acadêmico do curso de Jornalismo (DAJOR) e docentes do curso.
Na oportunidade, o professor e coordenador do curso, Iuri Lammel, apresentou o curso e as datas importantes referentes ao 2º semestre de 2026 aos estudantes. Em especial, a apresentação foi direcionada às alunas Melissa Saraiva, Hananda Ziegler, Luiza Miranda e Isadora Teixeira, que ingressaram no curso neste semestre.
As calouras também tiveram a oportunidade de interagir com os alunos veteranos e conhecer os professores e técnicos. Na sequência, ocorreu a tradicional pintura de rostos, momento muito aguardado pelos calouros que simboliza a entrada no meio acadêmico, além de um lanche coletivo.
A noite ainda reservou mais atrativos. As estudantes recém chegadas puderam conhecer os laboratórios do curso, que incluem Produção Audiovisual (LABSEIS), Fotografia e Memória (LABFEM), Mídia Sonora (Rádio Web UFN) e Mídia impressa e digital (Agência Central Sul de Notícias), onde puderam observar o aparato técnico utilizado para atividades e suas características.
A acadêmica do 6°semestre de jornalismo e vice-diretora de comunicação do DAJOR, Nathaly Penna, destacou que a recepção aos calouros tem o intuito de tornar o ingresso na universidade mais acolhedor, fortalecer a integração entre os estudantes e favorecer a adaptação dos novos alunos à rotina acadêmica. “Acreditamos que entrar na universidade é um momento de muitas dúvidas e expectativas. Por isso, o acolhimento mostra aos calouros que não estão sozinhos, aproxima-os do curso e os faz sentir parte da comunidade acadêmica desde o primeiro dia. O Diretório representa os alunos, fortalece o diálogo com os professores e promove atividades que complementam a formação acadêmica”, afirma Nathaly
A acadêmica do 1° semestre do curso de Jornalismo, Isadora Teixeira, comentou que a recepção foi ótima e que todos os colegas e professores foram muito receptivos e gentis. Ela ressaltou que a área pela qual tem maior expectativa é a Fotografia. “Desde pequena o jornalismo me chamava a atenção, queria trabalhar como a Glória Maria mostrando o que tem de interessante ao redor do mundo mesmo não sendo meu primeiro plano durante anos. Todos me diziam que era o curso perfeito pra mim e com a oportunidade do Vestibular de Inverno da UFN, parecia que o curso estava me chamando”, acrescenta Isadora.
Esse foi o quarto acolhimento aos calouros organizado pelo Diretório. Além das recepções aos novos alunos, o DAJOR já protagonizou outras iniciativas, dentre elas, o apoio na organização da exposição “Olhares Fragmentados” em conjunto com o LABFEM, encontros com profissionais da área do jornalismo, churrascos de socialização entre professores e acadêmicos, uma visita aos estúdios do Grupo RBS em Santa Maria, a produção de um programa de rádio especial sobre o Dia dos Namorados no pátio da UFN e duas Festas Juninas a fim de reunir os estudantes do curso.
Para este semestre, o Diretório está atuando junto aos professores no intuito de proporcionar aos estudantes do curso uma viagem técnica a Porto Alegre. Entre as atividades previstas está a visita aos estúdios do Grupo RBS da capital, estimulando a imersão em um universo de maior alcance no campo da comunicação.














Imagens: Luiza Silveira/Labfem
A decisão de boicotar a premiação escancara a estratégia do Grammy de lucrar com o engajamento de artistas globais sem dar a eles igualdade de competição.

Nesta quarta-feira (29), o BTS, maior grupo de K-pop da atualidade, tomou uma posição firme contra a principal premiação da indústria musical. A tensão entre o grupo sul-coreano e o Grammy se acentuou após a criação da categoria Best Asian Pop Music Performance, uma adição que, na prática, isola artistas asiáticos e os afasta das categorias principais (General Field), como Álbum do Ano e Gravação do Ano.
Em nota publicada nas redes sociais, os sete integrantes (Jin, Suga, J-Hope, RM, Jimin, V e Jungkook) pontuaram que a arte não deve ser confinada a recortes geográficos:
“Decidimos não inscrever nossa música no Grammy este ano. Esperamos que a música possa ser ouvida e amada pelo que é, em vez de ser categorizada por região ou idioma. Agradecemos aos ARMYs e a todos que estão sempre conosco.”

Além da adição da categoria voltada ao pop asiático, a 69ª edição do Grammy Awards anunciou a inclusão de quatro novas categorias:
E aqui percebemos como o problema é maior: sob o pretexto de celebrar a diversidade, a premiação historicamente confina músicos latinos, asiáticos e negros a subcategorias, sempre arrumando recortes e pretextos para deixá-los fora das grandes categorias. Grande parte desses prêmios sequer é transmitida na cerimônia principal da TV, sendo descartada na pré-cerimônia, que não é televisionada.
O que vemos é uma grande manipulação da academia para manter premiando apenas artistas brancos norte-americanos e europeus nas categorias principais. Eles vendem a criação de subcategorias regionais como “reconhecimento da diversidade”, mas a realidade segue sendo de exclusão. Ao invés de colocar grandes artistas asiáticos como o BTS ou Rosé — que concorreu com o fenômeno APT. na última edição — ou a sul-africana Tyla para disputarem em igualdade com grandes nomes do mercado ocidental, como Taylor Swift ou Beyoncé, nas categorias gerais a premiação cria nichos e condena esses artistas a concorrerem apenas entre si.

Há pelo menos uma década a música coreana vem ganhando espaço e dominando as paradas globais. O último lançamento do grupo, o 6° álbum de estúdio, intitulado Arirang, vendeu 641 mil cópias no total em sua primeira semana de lançamento — o maior número para um grupo desde que a Billboard começou a contabilizar dados em 2014 — incluindo 532 mil em vendas puras de álbuns. Além disso, estreou direto no nº 1 da Billboard 200 e permaneceu no topo por semanas consecutivas. Esses números provam que Arirang não é apenas um “sucesso asiático”, mas um dos maiores lançamentos mundiais do ano. Se um álbum com essas estatísticas não entra na disputa do prêmio principal, a limitação é da academia, não do artista.
Estudos da Universidade Lusófona de Portugal indicam que o K-pop acumula mais de 600 bilhões de visualizações/streams globais, somando plataformas como TikTok, YouTube e Spotify. O gênero se popularizou tanto ao ponto de quebrar a barreira linguística e provar que o idioma não limita a dominância das paradas mundiais. Em plataformas globais, o consumo de músicas coreanas rivaliza de igual para igual com grandes lançamentos em inglês e espanhol.
E por falar em lançamentos espanhóis, os latinos também são um grupo historicamente excluído pela academia, inclusive com a própria criação do “Grammy Latino”, que exclui esses artistas da premiação tradicional. Grandes nomes como Rosalía que acumula Grammys Latinos, mas na premiação norte-americana apenas ganhou na categoria específica de Melhor Álbum Latino de Rock, Urbano ou Alternativo. Já o gigante Bad Bunny fez história ao se tornar o primeiro artista de língua espanhola a competir simultaneamente nas três principais categorias gerais do Grammy (Álbum do Ano, Gravação do Ano e Música do Ano) e se consagrou ao vencer a principal categoria da noite com o álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS. Foi a primeira vez em 68 anos de premiação que um álbum cantado inteiramente em espanhol conquistou o maior prêmio da noite.

Historicamente, artistas negros dominam as paradas globais, mas ficam restritos a categorias como Urban/R&B, sendo sempre esnobados em Álbum do Ano, situação escancarada pelo boicote histórico de The Weeknd em 2021. Apesar de viver um dos melhores momentos da carreira em 2020, com o enorme sucesso global do disco After Hours e do megahit “Blinding Lights”, o cantor não recebeu nenhuma indicação, levando-o a chamar a premiação de “corrupta” nas redes sociais. Após o desprezo em 2021, o canadense declarou que não submeteria mais suas músicas para avaliação da academia.
Com todos esses casos, é impossível não notar o descaso da premiação com esses artistas e a segregação feita pela indústria ao tentar nichá-los e excluí-los de concorrer nas principais categorias da música mundial, usando-os apenas por sua relevância e audiência — o próprio BTS já performou na cerimônia, mas acabam sempre indo embora de mãos vazias. Isso nos faz questionar a relevância da premiação: por que um hit cantado em coreano ou espanhol precisa de um carimbo regional para ser julgado, enquanto uma música em inglês é automaticamente tratada como “música universal”? O Grammy ainda é o padrão ouro da indústria da música ou tornou-se um prêmio centrado nos EUA que se recusa a aceitar a globalização?
O Grammy tentou criar a categoria Best Asian Pop Music Performance sob o pretexto de “dar espaço”. Contudo, quando o grupo que lidera esse movimento vende mais de 5 milhões de álbuns globais no mesmo ano, lota 85 datas em estádios pelo mundo e supera em números de streaming a grande maioria dos indicados anglófonos nas categorias principais, a mensagem é clara: o pop cantado em coreano não faz dele menos pop. O Grammy usa o K-pop para bater recordes de audiência na TV e nas redes sociais, mas nega a ele a única coisa que importa em uma premiação séria: a igualdade de competição no palco principal.