Reportagem de Patrício de Freitas

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Olivicultura, essa prática, que é uma das culturas agrícolas mais antigas do mundo, ganha cada vez mais espaço no pampa gaúcho.  Se em 2005 o Rio Grande do Sul contava com apenas 80 hectares plantados, em 2019 o cultivo de oliveiras já se fazia presente em 6 mil hectares do estado, representando algo entre 65 e 70% da produção brasileira, no total de 35 marcas de azeite.  Nos últimos anos, o investimento privado na implementação de olivais, viveiros e na instalação de fábricas de azeite no Rio Grande do Sul passou de 100 milhões de reais. Mas não é apenas no fator econômico que essa cultura tem agregado ao estado.

O azeite de oliva extra virgem Prosperato, produzido integralmente no Rio Grande do Sul, nos municípios de Barra do Ribeiro, Sentinela do Sul, São Sepé e Caçapava do Sul, onde está a sede da empresa, acumula premiações internacionais. Apenas no ano de 2018 foram sete, incluindo na prestigiada New York International Olive Oil Competition, o mais importante concurso de azeites do mundo fora da Europa. Esse foi o primeiro azeite de oliva extra virgem brasileiro a receber uma medalha de ouro na competição. 

É também na cidade de Caçapava do Sul que um novo e sustentável empreendimento tomou forma no coração da rota dos olivais.  A pousada e olival Vila do Segredo reforça o perfil de turismo ecológico do Munícipio, contando com captação de água na chuva e geração de energia solar. Combinando um visual português e castelhano, que remonta aos séculos passados na metade sul do Rio Grande, com a autossutentabilidade exigida pelo futuro, o empreendimento do vice-presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura, Renato Fernandes, é o símbolo de uma nova cultura que está mudando a paisagem em nosso estado. 

A pousada vila do segredo é o primeiro empreendimento do tipo no estado.

Outro exemplo de sustentabilidade para os produtores brasileiros vem de Minas Gerais, onde o projeto Olibi na cidade de Aiuruoca contempla o cultivo de oliveiras aliado ao reflorestamento de áreas nativas da Mata Atlântica e preservação de aves resgatadas pelo IBAMA.  O Projeto, que venceu o prêmio ECO 2017, transformou a fazenda em um ambiente de passagem para as aves antes de elas serem devolvidas para a natureza.  Aqueles que quiserem ajudar podem adotar uma oliveira e ajudar a financiar o projeto por meio do site http://www.adoteumaoliveira.com.br/ 

E mesmo que a cultura passe por contratempos, como na última safra, em que a produção gaúcha – a principal do Brasil – sofreu um tombo de 1.600 toneladas de azeitonas em 2019 para apenas 400 toneladas em 2020, devido ao excesso de chuvas durante a polinização das árvores, as previsões feitas pelo presidente do IBRAOLIVA são otimistas. Segundo Paulo Marchiotetto, o país deve atingir os 13 mil hectares plantados até o final deste ano: “Antes da pandemia, essa taxa apresentava crescimento de até 20% ao ano. Agora, supomos que essa taxa vai variar e ficará em torno de 10 a 15%. Mas assim que passar essa fase, os investimentos devem voltar representar de 20 a 25% de crescimento”, conclui.

Governador Eduardo Leite na abertura da colheita 2020 em Caçapava do Sul

Para os produtores, nem mesmo a safra abaixo do esperado ou a paralização econômica devido à pandemia atrapalharam a venda de azeites. “Nesse período de Covid-19, por mais incrível que pareça, se eu tivesse três vezes mais azeite eu teria vendido todo ele, desde as lojas que fazem pedidos para vender pelo delivery, às compras feitas pelo site, enfim, a pandemia já mudou e vai mudar muita coisa no comércio do mundo todo, exigindo adaptações, como o e-comerce, que vem crescendo muito”, explica o produtor João Roberto Vieira da Costa, que tem pomares em Minas Gerais e na cidade de Encruzilhada, interior do Rio Grande do Sul.

Combinando uma tradição com mais de seis mil anos com a sustentabilidade, que irá garantir o futuro, a olivicultura brasileira parece ter vindo para ficar em nossos campos e mesas de jantar. 

Azeite produzido em Caçapava do Sul é considerado o melhor do Brasil e um dos seis melhores do continente.

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